You And The Stars

29 Did you know


Notas iniciais
Heey, beleza? Bem, aqui estou, mais uma vez não fazendo o que vocês gostariam. Mas tempo ao tempo, certo?! Um capítulo falando mais sobre Sill e... finalmente revelando o que o Matthew viu... enfim, eu sou péssima com mistérios mesmo. Ahhh, obrigada pelas duas recomendações no último capítulo! Sério! Eu amei! Fiquei tão feliz! Duas recomendações para mim foi tudo de bom! Obrigada a Carol e a Mariana Augusta, suas fofas :3 Sério, foram perfeitas! Eu ameeeei! Esse capítulo é dedicado a vocês, suas divas! Thanks! Lets go! Boa leitura e até lá embaixo.

Vamos dizer que 90% das coisas que eu fazia eram impensadas. Se for pra ver mesmo, eu não sabia por que eu fazia as coisas que fazia. Eu só fazia e pronto. Se eu pensasse um pouquinho nas consequências, sabe, antes de agir, seria o melhor pra todo mundo.

Quando eu vi o violão, eu soube, era o momento. Alguns minutos depois, lá estava eu, tocando e cantando. Tudo bem, eu não era ruim. Talvez tocando eu era bem melhor do que cantando, mas minha voz não era uma das piores. Ah, vai, até que eu era afinadinha.

Enfim, eu e Will havíamos treinado aquela música por semanas. Mal eu sabia o por quê. Foi meio que por acaso. Em um dia estávamos no mercado comprando manteiga de amendoim, porque tinha acabado, e era um ritual nosso comer manteiga de amendoim às terças. E aí estava eu e ele, plantando o terror no supermercado. Quando eu digo plantar o terror, quero dizer que nós pegávamos um carrinho e ficávamos perseguindo um ao outro dentro do mercado, correndo. Sério, nunca faça isso se não quiser ser expulso do mercado sem comprar batatinhas fritas. Mas isso é outra história, foi bem depois do caso da manteiga de amendoim que fomos expulso de um mercado. Bom, estávamos lá, plantando o terror, quando essa música começou a tocar, The only exception, aí eu olhei nos olhos claros e fascinantes de Will e ele olhou nos meus olhos sem graça, eu sorri e falei:

— Porra! Eu tenho que aprender a tocar essa música melosinha.

E ele respondeu enfiando a manteiga de amendoim no carrinho:

— Tenho pena da música.

Will me olhava com deboche. E eu me senti desafiada.

— Ah, vou te surpreender, seu cretino.

Ele bagunçou os fios escuros.

— Vamos fazer o seguinte… vamos aprender juntos, vai ser menos mal pra você.

E aí foi aí que nos dedicamos a aprender a tocar essa música. O que não foi difícil. Já sabíamos tocar violão, o básico.

Mas não é esse o ponto que eu quero chegar… Passávamos horas juntos, tocando, treinando acordes e… foi com o Will que eu esqueci Tyler Foster. Quero dizer, aquele dia no mercado, fazia duas semanas que Tyler tinha ido passar uns tempinhos num reformatório.

E depois que aprendemos… eu só toquei e cantei a música uma única vez. E era para o Will me acompanhar no violão, mas de repente… ele parou, ficou só me observando e eu não conseguia parar de cantar, tocar e olhar para os olhos dele. Esse provavelmente foi o momento mais estranho da minha vida, seguido de Matthew e eu juntos. Quando eu terminei, Will sorriu, beijou meu rosto e foi embora. Assim, simplesmente. Estranho, não? Depois começamos a agir como se nada tivesse acontecido.

Bem, depois do caderninho, eu meio que entendia o por quê.

Até a praia. Eu vi o violão e pronto. Vi Will do outro lado e acho que eu quis lembra-lo do porque éramos amigos, e embora estivesse óbvio que ele tinha outros sentimentos por mim, eu queria fazê-lo refletir sobre o que quer que fosse. É. Essa é a explicação mais cabível para eu, lá na frente tocado e cantando The only exception mais de cinco meses depois da primeira vez. A outra explicação é que eu era uma vadia sádica que gostava de tortura-lo com a música que havia feito ele gostar de mim. Mas todos nós concordamos que é a primeira opção, não?!

— Obrigada — falei, devolvendo o violão ao dono quando terminei. Ele sorriu e as pessoas começaram a bater palma. Dei um sorriso tímido e relanceei meu olhar para Will, ele não me olhava mais, parecia embasbacado, mas batia palmas, totalmente sem graça.

Olhe para mim, por favor, por favor, por favor

Ele olhou. Paralisei, senti um sufoco. Por que eu não tinha dado valor quando ainda o tinha por perto?

Will sorriu. Parecia que meu estômago estava se desmanchando… eu tinha que falar com ele e tirar aquela puta de lá.

— Você foi incrível!

— Matth — falei surpresa.

Eu quase tinha esquecido que ele existia. Realzão.

Ele havia se levantado, pegou minha mão e me arrastou de volta ao nosso banco.

— Obrigada — disse eu. — Nem sei o que eu…

Matthew se aproximou mais de mim.

— Não importa — disse e me beijou de repente. — Você é fascinante.

Tentei saborear o beijo, me dedicar a ele, fechar os olhos e aproveitar, mas eu simplesmente não conseguia tirar da cabeça o garoto que eu havia passado os melhores momentos da minha vida. O que eu estava sentindo? Qual era a minha, afinal?!

— Tô começando a descobrir só agora que você tem um milhão de utilidades — murmurou ele, quando nos separamos.

— É mesmo? — sussurrei.

— Sim, canta, toca, beija e... — Matthew abriu um sorriso. — E muitas outras coisas.

— Você foi ótima — Will interrompeu.

Quase cuspi meu coração pela boca ao ouvir a voz dele. Em vez disso, me afastei um pouquinho do Matthew e sorri.

— Obrigada! — titubeei — Você conhecia a letra. Podia ter se juntado a mim.

Eu juro, juro mesmo que não esperava que ele falasse comigo.

Will bagunçou o cabelo.

— Sabe que não, Crimsey. Enfim, eu gostei mesmo. Só queria dizer isso. — Ele desviou o olhar, timidamente.

— É? Que bom! Então já pode ir — falou Matthew, envolvendo minha cintura com seu braço.

Não! Ele não pode ir! Cale a boca, Stonem!

Com delicadeza, me soltei de Matthew.

— Ahn, calma, Matt. Will, hm… quem é a bonitinha? — apontei com o queixo a loira que ainda estava sentada, comendo qualquer coisa com um ar descontraído.

Will franziu o cenho, pensativo. Bicho lerdo. Não sabe nem o nome da garota que está pegando.

— Arien… Ariele — falou, finalmente.

—- Legal. Quer se juntar a nós? — por que eu estava dizendo isso? Acho que porque seria mais fácil enfiar a cara da garota na comida, talvez.

Will encarou Matthew.

— Não é uma boa ideia.

— Isso mesmo — Matthew arqueou a sobrancelha e sorriu.

Moleque irritante!

Suspirei.

— Certo. Depois a gente pode conversar? — Falei. — É que eu…

A loira com cara de vagabunda tinha se levantado e agora estava do lado de Will, sorrindo e lambendo o pescoço dele.

— Vamos logo, amorzinho — disse Ariele.

— Sam, toma cuidado com o que faz, beleza? — falou ele antes de ir.

Matthew e eu ficamos em silêncio na mesa.

— O que ele quis dizer com isso? — falou Matthew finalmente, despenteando a cabeleira loira.

É, o que ele queria dizer com isso?

— Não sei — respondi baixinho.

Mas ele ainda se importava comigo…

(…)

Era estranho. Eu não sentia quase nada. Não sentia dor, desconforto, ou prazer. Eu só tinha a sensação de entrar e sair dele, sua mão apertando minha cintura e o cheiro ruim que o cigarro soltava.

— Mais rápido, loira, mais rápido! — exclamava Matthew, arfando e gemendo.

Fiz o que ele pediu e ao mesmo tempo joguei meu cabelo para o lado e o dividi em três mechas. Comecei a trançá-las para passar o tempo.

— Isso! Isso! Ai meu Deus! Só um pouco mais rápido! Isso! Isso! Ahhhh! — Matthew suspirou e com delicadeza me tirou de cima dele, então eu caí para o lado, deitando minha cabeça em um travesseiro.

Nem tinha porque fingir que eu tinha gostado. Pouco provável que ele se lembrasse depois.

Não falei nada. No fundo, no fundo, eu só queria sumir.

Matthew apagou o cigarro em um cinzeiro na mesinha de cabeceira da cama. Embora eu não gostasse muito do cheiro do cigarro, eu não estava ligando muito mais.

— Uma segunda rodada? — perguntou ele, aproximando nossos lábios.

Ele não se cansava nunca, sério?

Me sentei na cama e desfiz a trança. Peguei minha camiseta do Green day do chão e a vesti.

— Já tá bom por hoje, o.k? Além do mais, nossos pais devem estar chegando.

— Mummm, você deve estar certa — falou. Matthew esticou a mão e abriu a mesinha de cabeceira. De lá tirou um saquinho com um pouco de pó ao fundo. Ele abriu o saco, enfiou o dedo no pó e colocou em baixo da língua.

— Quer? — ofereceu o saquinho para mim.

— Não — falei, seca.

MDMDA, ele sabia que eu não podia mais usar essas tranqueiras e mesmo assim oferecia. Fofo, né? Humft.

Naquele momento, faltava apenas uma semana para voltarmos para casa. O que significava que desde o dia no quiosque, fazia uma semana que Will e eu não nos falávamos mais. Eu estava enlouquecendo.

Eu tentava me aproximar dele, mas Will não me dava mais brechas.

Aquilo doía, uma dor aguda e nauseante.

Entretanto… eu sabia que o sentimento dele não tinha morrido. Às vezes apareciam frases novas no caderno. Isso tinha que significar algo, né? Claro que sim, ele me amava.

Só que ele saía com uma vagabunda diferente toda noite.

— Certo. Se quiser, já pode ir. Vou ouvir um som com o Josh daqui a pouco e sentir os efeitos.

— Ótimo — murmurei.

Terminei de vestir minhas roupas e já ia saindo do quarto quando Matthew se levantou da cama e me beijou, traçando uma linha até o meu pescoço.

— Eu gosto de você, loira. Depois a gente se fala, falou? Falou. — Ele se jogou na cama, deitado de bruços. Não pude deixar de notar que talvez a bunda dele, sem o jeans para cobrir, não tinha nada de especial.

— Você tem uma forma muito engraçada de demonstrar isso — sussurrei, tão baixinho, que com certeza Matthew não tinha ouvido. Depois aumentei a voz. — Eu também gosto de você.

Era verdade. Eu gostava de Matthew. Eu me importava com ele, demais. Eu tinha criado um afeto tão grande por ele que fazia eu me perguntar da onde tinha surgido tanto ódio antes daquelas férias. O loiro era engraçado, companheiro, legal, divertido, tinha pegada, mas… Matthew Stonem era o garoto mais egocêntrico que eu já tinha tido o desprazer de conhecer. Ele era totalmente anti-romântico, totalmente não carinhoso e totalmente sexo-maníaco. No mínimo, ele queria transar comigo umas três vezes ao dia. Isso era horrível, velho, para.

No fundo, eu desconfiava que Matthew não gostava de mim. Ele só gostava de transar comigo. E eu me negava a acreditar nisso. Se bem que era meio óbvio.

Entrei no meu quarto, que estava uma zona. Eu sei que a maioria dos quarto de adolescentes de 15 anos é uma baderna, mas o meu era umas cinco vezes pior. Acrescentem o fato de eu dividi-lo com mais outros dois adolescentes de 15 anos. Peguei meu celular embaixo dos lençóis da minha cama e os fones de ouvido dentro do Closet.

Quando eu entrei no Closet, me lembrei de um dos últimos momentos em que Will e eu havíamos estado de bem… Acreditem se quiser, mas por um momento, naquele Closet, eu pensei que a ideia de Will e eu juntos, literalmente, sem fingimentos, seria ótima, e excitante também.

Enterrei os fones nos meus ouvido. Coloquei uma música em volume máximo e desci as escadas, indo diretamente para a cozinha.

Eu estava morta de fome. Depois de horas com Matthew, eu só precisava encher meu pobre estômago.

Slipknot berrava nos meus ouvidos e eu cantarolava baixinho. Abri a geladeira, mas não tinha nada de bom lá. Uma torta de maça e eu odiava maça. Suco de caju e eu odiava caju. Tofu e torta de legumes e eu odiava tudo que eu deveria gostar.

Bufei e caminhei até a despensa, torcendo para que pelo menos tivesse algum biscoitinho recheado, mas de preferencia Oreo.

— Yeah, yeah, yeah! Lá lá lá! Jupdafuckup, jupdafuckup! — cantarolei enquanto abria a porta da despensa.

Senti meu estômago revirar. Arranquei os fones do ouvido com tanta brutalidade que chegou a doer. Ali estava uma merda de visão que eu não esqueceria tão cedo, ou melhor, que eu não esqueceria.

Por um momento, eu desejei sair do meu corpo. E era essa a sensação que eu tinha, que eu estava saindo do meu corpo, fugindo para bem longe, mas não, eu estava lá, era só a minha mente que não conseguia processar a porra daquela informação.

Senti uma leve vertigem.

Minha mãe e pai de Matthew. Juntos. No pior sentido possível.

Por favor, alguém se habilita a segurar meus cabelos enquanto eu vômito no buraco mais próximo?

Meu corpo tremeu e eu juro que eu quase tive um ataque do coração de tão forte que ele batia.

— Que porra é essa? — foi a coisa mais inteligente que eu consegui pronunciar.

— Sam, não é o que…

Meus olhos começaram a marejar e eu fui tomada pela raiva.

— Não é o que estou pensando?! É exatamente o que eu estou pensando! — berrei.

O pai de Matthew vestiu a camiseta e começou a falar:

— Lindinha, calma, você não pode gritar assim porque senão… -

— Senão o quê? Senão todo mundo vai ouvir? Vão descobrir vocês? Que se foda vocês! Todo mundo tem mais é que saber!

Fui me afastando lentamente dali.

— Samantha, por favor… — implorou minha mãe.

Acelerei o passo.

— Ela é sua melhor amiga! A sua melhor amiga! E papai… Como você consegue? Como você pôde? — gritei enquanto eu chorava.

— Por favor, isso não vai mais se repetir — tentou ela.

— Não vai! Não vai mesmo! Pelo menos não embaixo do meu nariz — saí correndo da cozinha com os dois atrás de mim.

— Samantha, entenda… Aconteceu! Deixe-nos explicar — falou o sr. Stonem.

— Você é um desgraçado! Como consegue fazer isso com Carly? — berrei alcançando a escada.

— Filha, se controle, por favor — exclamou minha mãe. — O que você vai fazer aí em cima? Por favor, querida!

Comecei a subir as escadas e só parei quando cheguei ao patamar. Encarei-os de lá de cima, sentido repulsa, ódio, raiva, náuseas.. Ao meu lado, havia um vaso de narcisos, peguei-o com minhas duas mãos e o atirei com todas as minhas forças em direção a eles, que infelizmente desviaram a tempo. O vaso atingiu o chão, se quebrando e produzindo um som estridente

— Eu odeio vocês! — berrei, furiosa.

Os dois começaram a subir as escadas em minha direção e eu saí correndo em direção ao quarto de Matthew. Eu tinha que contar para ele… ele tinha que saber! Todos tinham direito de saber!

— Matthew! — chamei.

Chutei a porta do quarto de Matthew. Bati e bati uma centena de vezes e quando ele abriu, me olhou com a confusão estampada no rosto. O som do quarto estava alto, Josh estava deitado no chão, também me encarando, confuso.

— Quê?! — perguntou Matthew, tão drogado quanto possível.

— Matthew, nossos pais! Eles… eles estão juntos — falei entre lágrimas.

Matthew me encarou bem. Sem parecer surpreso, assustado ou indignado, ele só parecia… cansado. Olhando bem para as órbes dele, eu entendi tudo.

— Você sabia! — exclamei, sentindo vontade de socá-lo. — O tempo todo você sabia, aquele papinho de ter medo de contar e magoar todo mundo… Você sabia!

Notas finais
Quem não sabia diga "lerdo"! Quem sabia diga "todo mundo"!! Super mega notícia sobre o próximo capítulo! HAH! A pessoa começa com N termina com S e tem um sobrenome com H e outro com S! Sacaram?! Só no próximo capítulo, pessoas, última aparição dele! Enfim, eu espero que vocês tenham gostado desse capítulo, porque a partir daqui começa a terceira e última fase da fanfic :3 As coisas vão mudar, tipo, MUITO, nos próximos capítulos. Vocês nem imaginam o quanto. Não se esqueçam de deixar os meus adoráveis reviews, o.k? O.k :3 O que você faria com o Matt se fosse a Sam? Comenteeeem! Beijos!!