You And Me, Me And You
3 Capítulo 3 - Primeiro Dia Na Y.H.S
Notas iniciais
P.O.V Tati
"Feels like i've been away for a thousand years,
So tired of these airports and souvenirs..."
Meu alarme tocou. 5:45 em ponto. Entrava na escola as 7:00, e precisava ver o que ia usar no primeiro dia.
Abri meu closet e me deparei com blazers, jaquetas, calças, bermudas, e mais uma infinidade de coisas.
Procurei um pouco mais e achei uma combinação perfeita.
Uma blusa estampada com os dizeres:
Owl City
Tokyo
feat.
Sekai No Owari
Uma bermuda jeans, uma jaqueta roxa e branca que eu amarro na cintura, e um allstar preto com detalhes em azul.
– Yes! — Disse, sorrindo vitoriosa.
Me vesti e desci para tomar café com a Vivi.
– O que temos para o café hoje, Louis? — Perguntei, me sentando.
– Waffles com calda de blueberry, e suco de pessêgo. — Ele colocou o prato e o copo na minha frente, pediu licença e saiu.
– Animada? — Vivi me perguntou.
– Um pouco. — Respondi.
Como eu era novata na Y.H.S, não conhecia ninguém, esperava fazer amizades hoje.
– Vamos? — Perguntou Vivi.
– Sim. — Peguei minha mochila e parti rumo a minha nova vida escolar.
P.O.V Binho
– Ãhn... que horas são? — Olhei para o relógio e vi: 6:20.
– Minha nossa! — Levantei num pulo. — Ah, logo no primeiro dia?
Corri pro banho, me vesti, peguei um resto de sanduíche que tinha guardado, passei pela tia Carol e disse:
– Tchau, tia!
– Tchau, e lembre-se: sem confusão!
Sorri e saí correndo para o ponto de ônibus.
P.O.V Tati
Acabo de chegar na Y.H.S, e... uau!
As cores são: Roxo, azul e branco, o estilo é igual aquela escola da série "Os Padrinhos Mágicos", e as letras dizem:
Young High School
"Estudar e Aprender"
Achei bem interessante. Enquanto andava pelo gramado até o portão, pude ver o ônibus chegando, e algo me chamou a atenção.
Numa das janelas, estava um menino mais ou menos da minha idade, com um enorme sorriso no rosto.
O ônibus parou e eu pude ver ele descer.
Suas roupas eram um jeans surrado e uma blusa de botão velha. Deve ser bolsista, mas não sei como uma pessoa daquela entra numa escola como a Y.H.S, hunf! O mundo está perdido.
O sinal tocou e eu entrei pelo portão, a procura do quadro de avisos.
O achei perto dos armários, e pude ver meu nome escrito na lista do 1°A.
Andei direto, até achar minha sala.
Por sorte, a aula não havia começado, mas quando olhei para o fundo da sala...
P.O.V Binho
No exato momento em que saí do ônibus, o sinal tocou. Nem tive tempo de ver a escola direito.
Corri para o quadro de avisos, vi meu nome, vi minha turma e parti em busca do primeiro mundo do Ensino Médio. O 1° Ano.
Cheguei na sala e não havia ninguém, então me sentei e esperei.
Até que chegou uma menina.
Ela parecia legal, então fui até ela na tentativa de fazer amizade.
– Oi. — Eu disse.- Sou o Binho.
– Quem perguntou? — Ela disse. — Por que que eu saiba, só tem eu e você aqui.
Ela deve ter achado que aquilo me calaria, mas ela estava totalmente, totalmente errada.
– Olha, sou novo por aqui e estou tentando fazer amigos, e seria muito bom se você colaborasse! — Gritei.
– Olha aqui, garoto! Seus pais são vagabundos pra não te dar educação?!
Silêncio. Só conseguia ouvir o som das minhas lágrimas.
– VOCÊ NÃO SABE DA MINHA VIDA PRA FICAR INSULTANDO MINHA FAMÍLIA!
E saí correndo.
P.O.V Tati
Pela primeira vez, fiquei com remorso por ter dito alguma coisa pra alguém.
Ele saiu correndo, e provavelmente vai ficar chorando por algum canto, e vai perder aula.
Logo o resto da classe entrou, e, 10 minutos depois, a professora, mas o tal do Binho, não. Me senti mais culpada.
Enquanto isso...
– Pipoca! Volta aqui!
Era só o que faltava. Ela se soltou da guia e saiu desembestada por aí.
Já podia ouvir minha mãe:
"CRISTINA! VOCÊ DEIXOU A CADELA FUGIR?!"
Então, me pus a correr o mais rápido possível.
P.O.V Duda
Com meus fones de ouvido, fazia minha corrida matinal.
Até que...
– Au!
Um cachorro! Ou melhor, uma cadela!
– Ei, garota! Calma!
Peguei no pingente de sua coleira e li: "Pipoca".
– Hum, nome criativo, Pipoca.
– Pipoca!
Olho e vejo uma garota linda de cabelos pretos, lisos e longos.
– Hey, desculpe. Ela se soltou da guia.
– Não tem problema. Gosto de cães.
Me levantei e estendi a mão pra ela.
– Sou Duda.
Ela apertou e disse:
– Cris.
P.O.V Cris
Senti uma coisa estranha quando apertei a mão do garoto.
Soltei-a rapidamente e disse:
– Muito obrigado por pegá-la pra mim.
– Não há de quê.
Me virei para ir embora, quando ele disse:
– Espere!
Ele tirou um papel do bolso e me deu.
– O que é isso?
– Meu número.
– Pra quê?
– Caso você precise de um herói pra pegar a Pipoca de novo.
– E quem é esse herói?
Ele fingiu estar ofendido.
Soltei uma risada.
– Bom, já que deu seu número pra mim, nada mais justo do que eu dar o meu pra você.
Ditei o meu pra ele e ele anotou no celular.
– Obrigado. Só mais uma coisa.
– O que é?
– Você é muito linda, Cris.
Corei.
– Obrigada, Duda.
De volta a Y.H.S...
P.O.V Binho
Não acredito que estou aqui, no jardim da escola, chorando.
Me lembrei do que meu pai sempre dizia:
"Não importa o que as pessoas pensem ou achem de você ou da sua família, por que só você sabe o que é verdade."
Ainda chorando, me levantei.
– É isso. Não vou me deixar abater por ninguém, vou me manter firme.
Pensei em voltar, mas o alarme do lanche já tinha tocado.
– O jeito vai ser assistir aula só amanhã.
Suspirei e me escondi no meio das flores.
P.O.V Tati
Estava em uma das mesas do grande refeitório da Y.H.S, pensando no Binho.
Muitas pessoas vinham e me cumprimentavam, mas nunca sentavam comigo.
Fiquei pensando que se tivesse sido mais amigável com o Binho, teria companhia para o lanche.
– Oi. Posso me sentar aqui?
Era uma menina ruiva, e tinha impressão que a conhecia de algum lugar.
– Espere aí... — A olhei com mais atenção. — Ana?
– Tati?
Quase pulei de alegria.
Ana era minha melhor amiga quando morava na comunidade. E agora ela vai ser de novo.
Me levantei do banco e dei um grande abraço nela.
– Que saudade, Ana!
– Senti muito sua falta, Tati! — Ela disse, retribuindo o abraço.
P.O.V Ana
Não acredito! Tinha encontrado a Tati de novo!
– E então, como veio parar em Nova York?
Me sentei e contei:
– Bom, você sempre me falou pelo celular que queria que eu viesse pra NY, porque era o melhor lugar que você já tinha visto. Então, economizei uma grana do estágio, e vim pra cá.
– E onde você está morando?
– Na casa da minha tia. O marido dela é americano.
– E como você entrou na Y.H.S?
– Pela prova de seleção, ué.
– Prova de seleção?
– Sim. Estudei bastante e por isso passei. Na verdade, quem passou foi só eu e um menino. Não sei o nome dele, mas o apelido é Binho.
P.O.V Tati
Senti um aperto no coração quando ela falou do Binho. Então ele teve que fazer uma prova pra entrar?
– Tati? Tati? Tatiane!
– O que foi? — Perguntei, saindo de meus pensamentos.
– O sinal já tocou. Acho melhor você ir pra sua sala. Até mais.
– Até.
P.O.V Autora
Depois de mais 2 horas de aula, o sinal da saída tocou.
P.O.V Binho
– Bom, parece que acabou.
Andei calmamente até a frente da escola, onde o ônibus já esperava.
Entrei e esperei aquele grande veículo amarelo e preto me levar pra casa/pensão.
Cara, que deprê.
P.O.V Tati
Saí da escola e fui direto para o carro, onde o motorista me esperava.
– Pra casa, rápido.
– Sim, senhorita.
Durante o caminho todo fiquei pensando no Binho.
Que droga! Não consigo tirar ele da minha cabeça.
Ao chegar em casa, minha irmã notou minha preocupação.
– O que você tem, Tati?
– Eu disse uma coisa que me arrependi de dizer.
– O que foi?
– Eu perguntei a um garoto se os pais dele eram vagabundos pra não dar educação a ele, por que ele gritou comigo.
– Tati, o que ele fez foi errado, mas você também errou. Você vai pedir desculpas pra esse garoto amanhã. Qual o nome dele?
– Só sei o apelido, Binho.
– Pois bem, quero que você peça desculpas a ele, e o convide para almoçar aqui amanhã.
– QUÊ?
– Isso mesmo.
– Mas ele fez prova de seleção pra entrar!
– E o quê que tem? Assunto encerrado, Tatiane. Mas agora me conte, fez amizades hoje?
– Reencontrei a Ana, ela estuda lá também. – Falei, com pouco entusiasmo.
– Que ótimo! – Ela disse, animada.
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