You And Me
28 Corações Remediados.
Notas iniciais

– Corações Remediados. -
Autora POV on
Em um canto deserto da praia da cidade de Magnólia, onde apenas alguns surfistas famintos por ondas gigantescas costumavam passar, uma garota de longos cabelos escarlates estava sentada, em cima de uma pedra grande, e abraçada aos seus joelhos. O vento forte batia em seu rosto, fazendo com que seus cabelos voassem junto a ele.
Como uma forma de se conectar melhor ao ambiente em que estava, fechou os olhos e inspirou fortemente o ar que vinha junto com aquele sabor de maresia que a lembrava de momentos de sua infância quando brincava perto da água fugindo de um suposto tubarão, seu pai, que a fazia correr desesperadamente morrendo de medo de ser devorada e, ao longe, podiam-se ouvir gritos de sua mãe mandando-os ter cuidado.
Hoje em dia, infelizmente, seus pais não se encontravam mais com ela em presença, mesmo que continuassem em seu coração e memória. Haviam morrido em um acidente de avião anos atrás, deixando a pequena Erza aos cuidados da avó, que até hoje era o seu porto seguro.
Porto seguro... Essa palavra a faz lembrar-se de outra pessoa. Uma pessoa que para ela ainda era uma incógnita. Um rapaz, para ser mais exata. Jellal. O dono do sorriso mais misterioso e ao mesmo tempo mais instigante que Erza já havia visto na vida. Muitas vezes já pensara em esquecer aquilo que tinham, que nem ela sabia dizer ao certo o que era, mas simplesmente não conseguia. Era como se parte de seu corpo clamasse por ele de uma forma que ela não conseguia entender.
Abraçou ainda mais forte seus joelhos, como se buscasse um conforto em si mesma, e suspirou ao lembrar da face do azulado. Seus belos olhos, seus traços másculos e aquela tatuagem vermelha, que era a sua marca registrada. Estava divagando quando sentiu seu celular vibrar.
Erza POV on
Erza-san, vamos sair?
De: Juvia.
Nesse momento minha maior vontade é a de ficar sozinha com meus pensamentos. Apenas isso. Primeiro pensei em ignorar a mensagem, mas depois, parando para pensar melhor, resolvi respondê-la.
Desculpe Juvia, mas eu não estou muito no clima.
Voltei a observar a maravilhosa paisagem a minha frente. Estava hipnotizada com a forma como os coqueiros se moviam com o vento ou as pequenas partículas de areia que voavam e rodopiavam juntas, formando uma dança só delas. É estranho olhar para o tremendo Sol que faz aqui e compará-lo com a chuva que habita dentro de mim. Sempre um ser em conflito não é mesmo Erza? Meu celular vibra novamente, chamando minha atenção.
Você está em casa? Juvia pode ir até aí.
De: Juvia.
Prontamente resolvo responder.
Na verdade não. Estou no meu refúgio. Depois conversamos, pode ser?
Eu sei que depois teria que aguentar inúmeras perguntas sobre onde fica esse tal refúgio e coisas do tipo, mas simplesmente não me importo nesse momento. Eu só quero poder ficar aqui em meu canto, pensando na vida e até chorando se for necessário.
Tudo bem.
De: Juvia.
Falando assim com Juvia é impossível não voltar a lembrar de seu irmão, Jellal. Eu e Juvia nos conhecemos desde o ensino médio, mas eu não sabia da existência do azulado naquela época. Lembro-me da primeira vez em que o vi. Foi como se alguém tivesse feito uma espécie de click dentro de mim, como se eu despertasse para alguma coisa, ou melhor, para alguém. Ele é a pessoa mais complicada, e ao mesmo tempo mais incrível, que eu conheço.
É estranho quando a gente para pra repensar nossa vida e vê que não temos nada de concreto, não é mesmo? Pelo menos quando se trata de vida amorosa eu realmente não tenho. Nunca soube muito bem expor meus sentimentos e acho que a morte de meus pais só intensificou isso. Jellal é da mesma forma, se não for pior... Será que nós dois não nascemos para ficar juntos?
– Muito bem Erza idiota. Parabéns por ter se apaixonado pelo cara errado. – falo em voz alta para mim mesma enquanto enxugo uma lágrima que, teimosa, resolveu escorrer por meu rosto. Só não me pergunte em que momento eu comecei a chorar, porque eu realmente não sei.
Incrível como o tempo voa quando você está em um lugar assim tão tranquilo. Sinto como se eu estivesse um pouquinho mais perto de Deus. Isso me faz sorrir. Só Ele mesmo para cuidar desse meu coração tão machucado e diria até remendado. As lágrimas insistiam em cair e isso de certa forma, mesmo que não tivesse ninguém olhando, feria o meu orgulho, então eu sempre as enxugava.
– Ariel, é você? – escuto uma voz que eu reconheceria até no meio de uma multidão. Enxugo meu rosto novamente, para ter certeza de que ele não notaria meu choro, e me viro, deparando com o rapaz que tanto assombra meus pensamentos.
– Muito engraçadinho você. Como me achou? – perguntei desconfiada.
– Jellal acha que foi como tirar um doce de uma criança. – imitando a forma de falar de Juvia, tirou de seu bolso um celular que, pela capa personalizada com diversas fotos do Gray, reconheci ser dela.
– Hum... – como eu não pensei nisso antes? Erza, sua tola! A súbita mensagem de Juvia era suspeita sim, mas eu nunca pensei que ele chegaria a esse ponto.
– Quando você falou de um refúgio apenas esse lugar me veio em mente. – falou enquanto se sentava ao meu lado. O silêncio se fez presente por um tempo até que ele resolveu quebrá-lo. — Está zangada comigo? – me perguntou enquanto fitava o mar.
– Não. – e eu realmente não estava.
– Então por que está me evitando? – perguntou ainda sem olhar em meus olhos.
– Não é bem isso...
– Então o que é Erza? – finalmente se virou para me fitar. Respirei fundo.
– Eu só queria um tempo pra pensar no que há entre a gente. Se é que existe um “a gente”. – a última parte falei mais para mim mesma, mas, pela forma como sua postura mudou, aparentemente foi ouvida pelo azulado.
– Então o que você acha que a gente tem Erza?
– Eu sei o que eu tenho Jellal. Só não sei de você. – falei com uma voz desanimada.
Ele nada respondeu, apenas ficou fitando o chão, sem expressão alguma, o que me fez ficar desapontada, de uma certa forma. O tempo foi passando e nenhuma reação era exposta pelo azulado. Sinceramente, talvez eu esteja apenas perdendo meu tempo. E isso só me entristece ainda mais.
– Eu vou indo. A gente se fala uma outra hora. – saltei da pedra onde estava e bati minha bermuda para tirar o pouco de areia que ali estava.
– Erza, espera! – ele também salta da pedra e, num movimento rápido, segura meu braço para impedir que eu me afaste.
– O que foi? – pergunto sem muita emoção. Sou surpreendida quando o sinto me abraçando.
– Desculpa. – continuo estática até que resolvo retribuir seu gesto.
– Pelo que? – o instigo a falar mais.
– Pelo meu comportamento torto, por muitas vezes não demonstrar o quanto você é importante pra mim e, principalmente, por ter te feito chorar. – ele aperta ainda mais o nosso abraço e eu fico calada, sem saber o que dizer. – Você não precisa se fazer de forte o tempo todo Erza. Eu vi os seus olhos vermelhos e eu sei que foi por minha culpa, me perdoa.
– Jellal. – tento me afastar de seu abraço, mas não consigo, pois ele me aperta ainda mais.
– Eu não quero te perder. – ele fala baixinho, próximo ao meu ouvido e eu sinto um calafrio passar pelo meu corpo.
– Jellal. – ele nada responde. – Jellal! – falo alto fazendo com que ele finalmente me soltasse e me olhasse nos olhos. – Você não vai me perder, eu só... Preciso pensar. – minha voz foi morrendo aos poucos. Acariciei seu rosto e ele fechou os olhos enquanto segurava a minha mão.
Lhe dei um beijo na bochecha e me afastei, indo em direção ao meu carro. Meu coração estava acelerado e eu sentia como se alguém estivesse prestes a arrancá-lo. Talvez essa seja a última vez que nos vemos Jellal. Me seguro para não chorar. Espere pelo menos até chegar ao seu carro idiota!
– EU TE AMO! – o ouvi gritar e meu coração quase saltou do meu peito. Me virei e constatei que ele vinha em minha direção. Ele realmente disse aquelas três palavras que eu nunca tinha ouvido sendo pronunciadas por seus lábios? Ou seria mera ilusão de minha mente desesperada?
– O que disse? – perguntei ainda atordoada.
– Eu disse que eu te amo Erza. – acariciou meu rosto.
– Jellal... – fiquei sem reação. Parecia um sonho se tornando realidade.
– Pensa com carinho? – ele pergunta enquanto faz uma trilha com seu dedo por meu maxilar e em seguida pelo meu lábio inferior enquanto segura a minha cintura com força usando a sua mão livre. Ele estava me seduzindo e sabia muito bem disso.
– Pensar? – perguntei enquanto fechava os olhos para aproveitar melhor suas carícias.
– Em nós dois... – ele continuou com sua trilha, mas dessa vez seu nariz chegou até o meu pescoço me fazendo arfar.
– Aham... – respondi sem raciocinar.
– Sabia que eu nunca disse aquelas três palavras pra ninguém? Nem para a minha mãe.
– Sério? – perguntei enquanto ainda curtia seus carinhos.
– Sim. Pode perguntar para Juvia se quiser... – abri meus olhos para fitá-lo.
– Não precisa. Confio em você. – lhe dei meu melhor sorriso.
Olhei para seu rosto e seus lábios pareciam clamar pelos meus. Com meu dedo indicador fiz um caminho que passava por toda a sua boca. Em um ato repentino ele mordeu meu dedo, com uma força mínima, apenas para fisgá-lo para si, fazendo com que uma corrente elétrica percorresse todo o meu corpo.
– Jellal... – falei baixinho.
– Não pensa, apenas sente. – ele sussurrou em meu ouvido.
Em um ato desesperado tomei sua boca para mim e, ao sentir sua língua úmida encostar-se à minha, gemi inconscientemente, fazendo com que, ainda com nossos lábios unidos, o azulado sorrisse. Esse idiota estava me seduzindo exatamente como queria, mas no momento eu não estava me importando muito com isso. Entrelacei minhas mãos em seu pescoço para unir mais nossos corpos.
Minha consciência mandava que eu me afastasse e fosse fazer aquilo que eu tinha dito que faria, pensar. Mas meu coração e meu corpo discordavam. Apenas queriam a presença e o toque do homem que eu amo. Sim, amo. Com todas as minhas forças.
– Eu também te amo. – falei assim que nossos lábios se separaram. Ele sorriu e voltou a me beijar com desejo. Suas mãos não se continham mais em ficar quietas e eu não posso dizer que não estava gostando, mas não sou muito fã de plateia. – Jellal, nós estamos em um local público.
– Eu não me importo. – ele falou vencido pelo momento.
– Tudo bem. Eu também não. – para atiçá-lo dei a entender que tiraria a minha camisa.
– O que você está fazendo?
– Tirando minha blusa, oras. – falei como se fosse a coisa mais óbvia do mundo, e realmente era.
– Aqui? Nem pensar. Não quero que ninguém te veja. – segurou minha blusa me impedindo de levantá-la ainda mais enquanto olhava ao redor a procura de uma viva alma. – Vem comigo. – sorriu travesso.
– Para onde?
– Para o meu refúgio. – ele fez uma pausa dando um ar de mistério. – O seu quarto. – sussurrou em meu ouvido e eu não consegui não sorrir.
Erza POV off
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Autora POV on
Juvia nunca havia corrido tanto assim em toda a sua vida e nesse momento só conseguia pensar em como era burra por ter esquecido o celular em casa, mas isso não importa nesse momento.
– Gray-sama, espere por Juvia! – falou alto atraindo a atenção de alguns curiosos.
– Louca! – uma senhora que passava na rua grita para ela e recebe seu melhor olhar de psicopata como resposta.
O caminho da casa de Lucy para a de seu namorado nunca parecera tão distante. A simples ideia de alguma outra garota, que não ela, estar a no mínimo dois metros de distância de seu Gray-sama já a atordoava. Não que não confiasse nele, longe disso, mas o que ela podia fazer se, a seu ver, tinha o namorado mais lindo e perfeito desse mundo e que era super desejado por todas as mulheres que existem nesse planeta e quem sabe até em outros? Ela simplesmente não podia arriscar.
Enquanto caminhava lembrou-se de tudo o que aconteceu para que ela se encontrasse em sua atuação situação. Brigada com o amor da sua vida. A verdade é que Juvia nunca foi uma pessoa muito sociável e durante toda a infância só teve um amigo, Lyon, que sempre afirmou ser apaixonado por ela, mas nunca tivera nenhum gesto positivo como resposta. A azulada já estava tão acostumada com a forma que seu amigo albino a tratava, sempre cordialmente e galanteador, que nunca em sua mente passou a remota possibilidade de seu namorado se sentir ofendido com isso. Então como ela podia estar preparada para algo que ela nunca imaginou?
Desde o começo de seu relacionamento com Gray, que só avançou por insistência da azulada, ela sempre soube que ele era ciumento e possessivo, o que combinava perfeitamente consigo mesma e com seu ideal de homem perfeito, mas nunca pensou, por ingenuidade confesso, que esse ciúme atingiria sua relação com Lyon. Não estava disposta a perder a amizade que tinha com o albino, mas também não queria ver sua relação com seu Gray-sama ir por água a baixo. Estava mesmo entre a cruz e a espada.
Correndo desesperada Juvia chega até a esquina da casa de Gray e, para seu espanto, realmente havia uma fila relativamente grande que, de onde ela estava, parecia começar no portão do prédio do moreno. Apressou ainda mais o seu passo e quase teve um infarto quando viu a última pessoa da fila.
– U-um homem? Juvia está chocada! – e começou a analisar o rapaz que devia ter no máximo uns vinte e cinco anos. – Então essa é a famosa paixão entre rapazes? – suas bochechas se tornaram vermelhas.
A azulada começou a viajar em pensamentos nada puros, diga-se de passagem, recebendo um olhar espantado por parte do rapaz. Ela sempre teve uma quedinha por histórias com romances entre homens, mesmo não querendo, de forma alguma, perder seu namorado para um. Despertou de seus devaneios ao notar a presença de uma loira muito bonita na fila, que lembrava um pouco sua amiga Lucy, que para quem não sabe era considerada por Juvia uma concorrente no amor de Gray até pouco tempo atrás.
– Rival do amor! – fuzilou a garota com o olhar enquanto se aproximava dela. – Juvia não vai perder para você!
– Como? – coitada da loira. Estava apenas no lugar errado e na hora errada.
– Saia já dessa fila. Você não roubará o Gray-sama da Juvia!
– Mas do que você está falando sua louca?!
– Ora sua... – e no momento em que iria avançar na loira azarada ouviu a voz do moreno que tanto ama.
– Juvia?! – era ele, Gray Fullbuster.
– Gray-sama não fique perto dos rivais do amor! – ela exclamou desesperada enquanto olhava com uma cara nada amigável para as pessoas da fila.
– Como? – ele perguntou.
– Ai, por Deus, uma pessoa não pode nem mais comprar um bolo em paz? – um senhor já de idade resmungou alto um pouco mais a frente.
– Comprar um bolo? – a azulada perguntou para si mesma bem baixinho. Afinal o que estava acontecendo ali?
– Juvia? – o moreno a chamou.
– Mas as meninas disseram... – ela fez uma pausa e colocou a mão no queixo, pensativa. – Gray-sama virou confeiteiro? – perguntou confusa e ele sorriu.
– Vem comigo. – ele a puxou delicadamente pelo braço e, após andarem um pouco, chegaram até um lojinha que ficava ao lado do prédio do rapaz. – Tá vendo? – apontou para a loja.
– Sweet’s? – perguntou confusa ao ler o nome gigantesco na cor vermelha.
– É uma famosa loja de doces que vai abrir hoje. Por isso a fila.
– Mas... – ele a interrompeu.
– Você pensou mesmo que essa fila toda fosse para o meu apartamento? – perguntou incrédulo. – Tem homens ali, Juvia. – e fez uma cara digna de um emoticon entediado.
O que ele não percebeu foi que essa última frase fez com que a azulada voltasse para os seus devaneios de anteriormente.
– Juvia? – estalou os dedos na frente de seus olhos para despertá-la fazendo com que a azulada piscasse algumas vezes. – Você está bem? Estava fazendo umas caretas estranhas.
– Juvia está bem. – ela sorri sem graça. – Nós estamos bem? – ele passa a mão pelo cabelo e fita o chão.
– Não. – instantaneamente os olhos dela se enchem de lágrimas. – Eu preciso te pedir desculpas primeiro. – a olha nos olhos.
– Juvia também está devendo desculpas. Perdão pela insegurança de Juvia, Gray-sama. – fala cabisbaixa enquanto fita seus pés.
– Ei. – ele segura seu rosto delicado para que ela o olhe. –Eu te conheci assim, lembra? – ele sorri. – E... – fez uma pausa, meio sem graça. – Eu te amo com todos os seus defeitos e qualidades.
– Gray-sama... Juvia também te ama. – ela sorri não só com os lábios, mas também com o olhar, aquele belo par de olhos azuis que tanto enfeitiçavam o moreno. Ele sorri.
– Eu fui um idiota em relação a sua amizade com o Lyon. Não tenho o direito de pedir que você se afaste dele, afinal vocês são apenas amigos. – respirou fundo. – Mas se esse albino idiota ousar triscar um dedo em você ele irá se ver comigo. – apertou os punhos com força.
– Não precisa se preocupar com Lyon. – ela o olha com ternura. – Juvia só tem olhos para seu Gray-sama. – e coloca a mão no rosto do moreno lhe fazendo um carinho. Ele aproxima seus lábios dos dela e, quando já estavam bem próximos simplesmente para.
– Quantas vezes eu vou ter que te dizer que para você é só Gray? – ele fala como um sussurro e toma os lábios de sua amada, agora ainda mais sorridente, para si.
– Juvia nunca cansará de lhe chamar de Gray-sama. Então pra sempre está bom para você? – ela pergunta enquanto o olha nos olhos.
– Tudo bem, por enquanto eu me contento com um simples para sempre. – ele fala debochado, tirando risos da azulada, que não se contenta e, puxando a nuca do moreno para si, o beija de uma forma calma, mas ao mesmo tempo necessitada.
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– Levy-chan, por que você acha que as pessoas fecham os olhos quando se beijam? – perguntou Lucy enquanto fitava o teto.
As duas estavam sentadas de cabeça para baixo no sofá da sala de seu apartamento, com os pés encostados na parede e os cabelos, de Lucy, claro, tocando o chão, enquanto a baixinha se deliciava com uma panela cheia de brigadeiro.
– Que pergunta mais estranha. – ela falou enquanto colocava uma colher do doce na boca. – Acho que é pra curtir mais o momento, sabe? Imagina beijar uma pessoa enquanto um encara o outro? Simplesmente não me parece certo.
– Realmente, não teria a mesma graça se ficássemos de olhos abertos. – a loira fala pensativa. – E como é o beijo do Gajeel? – pergunta fazendo a azulada corar.
– Co-como assim? Por que quer saber?
– Calma. Não que eu queira experimentar. É só curiosidade.
– Até porque eu e o Natsu te mataríamos. – as duas riem.
– E então...
– O que?
– Como é o beijo dele?!
– Bem... – a baixinha faz uma pausa. – Quando você olha para o Gajeel e vê toda aquela brutalidade automaticamente se presume que seu beijo seria da mesma forma, mas muito pelo contrário. Quando a gente se beija é como se... – ela estava tentando arranjar palavras. – Como esse brigadeiro, isso! – sorriu vitoriosa.
– Brigadeiro? – a loira perguntou confusa.
– É. Doce e viciante. Você nunca quer que acabe e nem passa pela sua mente a ideia de dividir isso com alguém. – lançou um olhar reprovador para a Heartfilia, que a seu ver já estava muito perto de sua panela. Aqueles dias provocavam na baixinha um instinto muito primitivo quando se falava de chocolate.
– Você é engraçada Levy-chan.
– E o do Natsu?
– O que? – se fez de desentendida.
– O beijo do Natsu. Agora que eu falei, você vai ter que falar também.
– Tudo bem. – sorriu envergonhada ao ver o feitiço virar contra a feiticeira. – Acho que eu poderia comparar com uma chama. É quente e te traz conforto, mas ao mesmo tempo é muito traiçoeiro.
– Como assim?
– Quando você se encanta muito com uma chama acaba se queimando não é mesmo? – a azulada assentiu. – Digamos que no caso do Natsu aconteça o mesmo, mas a queimadura seja algo melhor. – sorri maliciosamente, para o espanto de Levy, que a joga uma almofada, iniciando assim uma guerrinha que parou quando o bendito brigadeiro começou a correr o risco de cair com tudo no chão.
– Agora me dá aqui um pouco desse brigadeiro. – falou enquanto avançava na amiga.
– Nem pensar. Esse é meu. Se quiser faça um para você. – a azulada falou enquanto abraçava a panela como se sua vida dependesse disso.
– Ora, deixa de ser egoísta Levy-chan, é só um pouquinho. Não é como se eu quisesse provar o beijo do Gajeel ou algo do tipo. – e começa a rir descontroladamente por sua esperteza na brincadeira. O que pareceu não agradar muito a azuladinha.
– Agora mesmo que eu não deixo!
E ficaram assim até que finalmente a azulada deixou que a loira provasse do brigadeiro, mas lógico que, como ela mesma disse, só um pouquinho.
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