You And Me
29 Natsu sendo Natsu.
Notas iniciais

– Natsu sendo Natsu. -
Desde que eu e Natsu nos reconciliamos estamos mais grudados do que nunca. Por muitas vezes Erza e Levy chegaram a me dar uns puxões de orelha pedindo atenção. Aposto que Juvia só não fez o mesmo por estar do mesmo jeito com Gray. Mesmo que agora Erza também tenha se acertado oficialmente com Jellal, eles nunca foram um casal normal, e mesmo que a ruiva estivesse mais do que apaixonada pelo azulado, magicamente conseguia equilibrar a relação que tinha com todos. Eu a invejo por isso.
Quando estou com Natsu é como se o tempo passasse mais rápido e cada momento, mesmo que às vezes monótono, é único. E quando estamos longe sinto como se faltasse algo. Eu sei, parece coisa de casal em início de namoro, mas de uma certa forma não deixamos de ser. Mas irei me esforçar para equilibrar um pouco mais meus focos de atenção. Por exemplo, faz tempo que eu não saio com Yuri e Juvia, como antigamente, e eu sinto falta disso.
Agora estou na universidade e a lanchonete do prédio de Psicologia nunca pareceu tão lotada. Essa semana a UFL está sediando um congresso sobre Teorias do Comportamento, ou seja, estudantes de todos lugares para todos os lados. Tenho que confessar que se eu não tivesse namorado essa seria uma ótima oportunidade para arranjar um. É incrível como principalmente a cidade de Crocus tem estudantes bonitos, mas sinceramente, não trocaria Natsu por nenhum deles.
Eu, Juvia e Yuri – ou os três mosqueteiros, como alguns em nossa sala nos chamávamos. É tosco, eu sei, mas nós não escolhemos os apelidos que ganhamos, certo? – estávamos a caminho de mais uma palestra no dia. Teremos a semana de folga apenas para curtir o congresso, mas isso não quer dizer que iríamos para casa mais cedo, muito pelo contrário, nunca havíamos passado tanto tempo na universidade como agora e essa será uma ótima oportunidade para ficarmos um tempo maior juntos.
– Vocês acreditariam se eu dissesse que já estou cansada? Quase morta? – perguntei enquanto dramatizava um pouco diminuindo a velocidade do meu andar.
– Claro. Ficar falando até tarde com o Natsu-san no celular dá nisso... – disse Juvia.
– Falou a garota que fica horas e horas pendurada no telefone com o seu Gray-sama. – uni minhas mãos e fingi um suspiro apaixonado, fazendo com que Yuri risse.
– Falar com Gray-sama revigora a Juvia. – podia jurar ter visto uns coraçõezinhos em seus olhos.
– E você Yuri, não viu ninguém que te interesse por aqui? – perguntei o fitando maliciosamente enquanto o cutucava. – Opções é o que não falta. – falei olhando ao redor.
– Na verdade não. – ele parecia desconfortável.
– Aconteceu alguma coisa? – Juvia também parece ter notado.
– Nada. – ele estava aparentemente estranho, mas depois trataríamos disso. Ele não parecia muito à vontade no momento.
– Tudo bem. – tentei sorrir normalmente.
– Com licença. – uma garota de cabelos castanhos chamou nossa atenção. Já a tinha visto algumas vezes pelo campus, mas não sabia seu nome.
– Sim? – perguntei. Ela nos entregou um papel convidando-nos para uma festa e balbuciando um "não deixem de comparecer", e se foi.
No papel estava escrito em letras grandes e em negrito o nome Psicanalhice. Não pude deixar de rir ao ler. Quem quer que tenha criado esse nome deve ser uma pessoa bem criativa. Segundo as informações do folheto, a festa seria organizada pelos acadêmicos do curso em comemoração ao final do congresso e ocorreria na sexta à noite. Parecia interessante.
– Vocês vão? – perguntou Yuri enquanto encarava o papel. Olhei para Juvia e ela fazia o mesmo, mas seus pensamentos pareciam estar em outro lugar. Em um certo moreno talvez.
– Não sei ao certo. – não tenho boas lembranças da última vez que saí.
– Se Gray-sama quiser ir, Juvia com certeza irá. – ela sorriu.
– Eu acho que vai ser divertido. – Yuri parecia um pouco mais animado, o que me alegrou de uma certa forma já que ele estava meio estranho a uns minutos atrás.
– Então poderíamos ir todos juntos. – sorri abertamente.
– Ótima ideia. – ele sorriu.
Começamos a fazer planos para a noite de sexta. Seria divertido sair à noite com Natsu e Yuri, coisa que por incrível que pareça nunca aconteceu. Agora que eu parei pra pensar, eu e Yuri nos afastamos muito desde que comecei a namorar Natsu. Tenho que resolver isso. Sou tirada de meus devaneios por uma voz conhecida.
– Lucy? – virei para ver quem era. Nada mais, nada menos que Loki.
– Oi ruivo. – sorri amigavelmente. – Estes são meus amigos. Yuri e Juvia. Eles estudam comigo – os apresentei. – Gente, esse é o Loki e ele faz terceiro período.
– E ai? – ele lançou seu sorriso galanteador de sempre e meus amigos sorriram de volta.
– Você vai à festa? – perguntou ao olhar o papel em minhas mãos.
– Acho que sim. Na verdade vamos todos.
– Todos? – perguntou curioso.
– Sim. Eu, meus amigos e Natsu.
– Natsu... Seu namorado?
– O próprio. – sorri gentilmente.
– Ah, legal. – ele sorriu aparentemente sem graça. – Então a gente se vê. – acenei e ele foi embora.
– Eu não faço ideia de que roupa vou usar esse dia. – falei pensativa enquanto fitava o chão.
– Para tudo! – disse Juvia enquanto parava de andar, fazendo com que eu e Yuri fizéssemos o mesmo.
– O que houve? – perguntei.
– Você não percebeu? – ela perguntou aparentemente incrédula. Apenas neguei com a cabeça sem entender.
– Acho que ele gosta de você. – disse Yuri, sem muita emoção, ainda vendo o ruivo se afastar em meio à multidão.
– Ah, era isso? – perguntei dando pouca importância. Eu sinceramente não acho nada de mais. Até porque naquela noite na boate Vegas isso ficou bem claro.
– Cuidado Lucy-chan, Natsu é muito ciumento. – a azulada comentou.
– Eu sei Juvia, mas não é por isso que vou deixar de me relacionar com as pessoas. Certo?
– Talvez. – ela me falou com um olhar desconfiado. A dei um empurrãozinho e ela sorriu.
– Sem falar que quando um não quer dois não brigam. – pisquei para ela.
– Ou beijam. – completou Yuri, nos fazendo rir.
Sou meio suspeita para falar, mas as palestras do dia passaram voando. Era cada uma mais incrível que a outra. Enquanto andávamos de uma sala para outra olhei um garoto com uma camisa que me chamou a atenção. Nela havia escrito “Não estou lendo sua mente”, isso me fez rir e automaticamente lembrei-me de Natsu e de nosso primeiro encontro na praia.
Quando dei por mim já estava na hora de ir para casa. O tempo realmente passou em um piscar de olhos, mas é melhor assim. Estou ansiosa porque Natsu disse que tinha uma coisa importante para me falar. Só espero que não seja nada de ruim...
Após me despedir de meus amigos e com a ansiedade crescendo cada vez mais dentro de mim, fui para o meu carro. Graças ao grande movimento no prédio um pequeno congestionamento se formou na saída, fazendo com que minha ida para casa demorasse mais do que o normal. Bufei de raiva. Justo hoje isso tinha que acontecer?
Durante o caminho coloquei umas músicas para me distrair, como That’s what you get da banda Paramore, uma de minhas favoritas. Sabe aquela música que te dá vontade de começar a pular e jogar o cabelo loucamente? Mas não como as mulheres fazem para seduzir, apenas curtindo a música com o corpo? Eu me sinto assim quando escuto essa. É algo instantâneo, incrível.
Cantarolava a música e de repente a festa passa pela minha cabeça. Acho que seria divertido se eu convidasse Natsu, Levy, Gajeel, Erza e Jellal para irem comigo. Juvia e Gray estarão lá e é muito raro nos reunirmos para fazer alguma coisa juntos. Poderia chamar Mira e Kana também. A última com certeza iria sem pestanejar e Mira levaria Laxus, claro. Só espero que pelo fato de Natsu e Laxus serem convidados Lisanna também resolva aparecer. Sério, juro que não tenho nada contra ela, mas quando você namora uma pessoa qualquer amiga bonita e grudenta que ele tenha se torna uma ameaça. Pelo menos é assim que eu penso.
Finalmente chego em casa e estaciono meu carro. A ansiedade é tanta que nem vou reclamar da escada dessa vez, mas lógico que eu seria uma pessoa muito mais feliz se resolvessem concertar o bendito elevador, que por sinal está quebrando sabe-se lá desde quando. Sinceramente, se eu quiser um elevador concertado terei que tomar a frente dessa “revolução”, mas esse assunto fica pra outra hora.
Enquanto subo as escadas recebo uma mensagem de Natsu dizendo que está vindo para cá. Apresso meu passo. Ainda tenho que tomar um banho e fazer o jantar antes de recebê-lo. Arfando chego até a porta de meu apartamento e, após entrar, bato na porta do quarto de Levy para ela saber que cheguei. Coloco uma água para ferver em uma panela, para adiantar o jantar, e vou para o banheiro. Tomo um banho rapidamente e ponho uma roupa confortável. Um short curto de babydoll cinza e uma blusa folgada branca.
Corro para a cozinha a fim de preparar algo para comermos. Não sei se ele já jantou, mas ele não é de recusar comida, então provavelmente aceitará o que quer que eu ofereça. Coloco um pacote de ravióli de tomate seco com queijo na água fervente e começo a preparar um molho. Algo simples, rápido e gostoso. É estranho que Natsu ainda não tenha chegado, mas a vantagem é que terei tempo de terminar o jantar.
– Levy-chan, estou fazendo ravióli para o jantar! – falei alto para que ela me escutasse.
– Que bom! Estou morrendo de fome. – ela fala ao sair de seu quarto e se senta em um banquinho próximo a mim. – Algum problema? – pergunta ao me ver pensativa.
– Natsu disse que tem uma coisa para me contar. – sorri amarelo.
– Não deve ser nada demais. – sorriu tentando me encorajar. Como sempre a Levy-chan cuidando de mim.
– Assim espero. – sorri de volta.
– Ele virá jantar aqui?
– Sim.
– Isso explica essa panela gigante de comida que você está fazendo. – eu ri.
– Sua exagerada. Nem tem tanta comida assim. – falei na defensiva.
– Não, apenas dava para alimentar uma cidade com isso. – ela falou brincalhona enquanto se aproximava da panela.
– Chata. – fiz uma careta, que me foi prontamente devolvida com uma ainda pior. Nós duas rimos.
– E como vai o relacionamento com o Gajeel? – perguntei.
– Muito bem. Nós somos completos opostos que se completam. – ela sorriu e suspirou.
– Nossa, que profundo. – coloquei a mão acima de meu coração.
– A mais pura verdade. – ela levantou as mãos se rendendo.
– É bom te ver assim feliz.
– Obrigada. E como vão as coisas com o Natsu?
– Dependendo do que ele disser hoje, tudo ótimo. – sorri de lado.
– Vai ser apenas uma besteira, você vai ver. O Natsu tem essa mania de exagerar as coisas não é mesmo? – bingo!
– E como tem. – nós duas rimos.
Depois de um tempo e de muita conversa jogada fora, o jantar finalmente ficou pronto. Ficou tão bonitinho que eu tive que tirar uma foto para fazer inveja para a Erza depois. Lógico que Levy não deixou de rir da minha cara por fazer isso. Apesar de tudo continuei estranhado a demora do rosado.
– Posso jantar logo? Não quero ficar no meio do casal e estou morrendo de fome. – disse a baixinha.
– Não quer esperar um pouco? Eu vou descer para comprar um refrigerante.
– Não precisa, ainda tem um pouco de suco na geladeira. – disse enquanto encarava a travessa com o ravióli.
– Tudo bem. Se o Natsu chegar você abre a porta pra ele?
– Não. Vou deixá-lo do lado de fora. – ela sorri de orelha a orelha.
– Engraçadinha. – a mostro minha língua. – Já volto.
Pego minha carteira e vou correndo até o mercadinho que fica perto do apartamento. Por sorte ele ainda estava aberto. Compro o refrigerante e por alguma razão já não tenho mais tanta pressa em voltar para casa, provavelmente pelo receio do que Natsu teria para me falar. Subo as escadas lentamente, como se me arrastasse até o meu apartamento. Espero que Natsu já tenha chegado. Mesmo com um certo medo de qual seja a notícia, quero logo acabar com esse suspense. Quando abro a porta do apartamento vejo o rosado sentado no sofá sozinho olhando para o teto. Levy deve ter terminado de comer e voltado para seus livros.
– Oi. – sorri para ele, que me sorriu de volta, enquanto eu colocava a bebida em cima da mesa.
– Oi.
– Está aqui há muito tempo?
– Uns dois minutos eu acho. – se aproximou e me deu um selinho rápido.
– Já estava começando a pensar que você não vinha mais. – sorri sem graça.
– Desculpa a demora. Quando eu te mandei a mensagem realmente já estava saindo, mas ai comecei a conversar e me distraí. – passou a mão na nuca e sorriu se desculpando.
– Ah... Eu não sabia que os rapazes estavam na sua casa hoje. – falei como quem não quer nada.
– E não estavam. – o olhei confusa. – A Lis passou lá um pouco antes de eu ter que sair.
– A tá. Se tivesse me avisado nós poderíamos ter deixado para você vir aqui outro dia. – falei sem o olhar nos olhos enquanto pegava uns pratos no armário. Não queria demonstrar que estava com ciúmes. Eles são só amigos!
– Eu sei. Por isso que eu não te falei nada. Queria vir te ver. – me abraçou por trás enquanto eu colocava os pratos na mesa. Sorri.
– Janta comigo? – perguntei enquanto colocava a mão em seu pescoço e olhava de lado.
– Foi você quem fez? – perguntou enquanto analisava a comida com interesse.
– Aham.
– Então sim. – sorriu como uma criança que ganha um doce. Como era fofo. Não me contive. Virei e acabei o beijando, pegando-o desprevenido. Mesmo assim ele retribuiu meu beijo, puxando-me pela cintura para nos aproximar um pouco mais.
– Agora estou confuso. De qual jantar você estava falando? – ele pergunta brincalhão.
– Desse, claro. – apontei, sorrindo, para a travessa na mesa. – Vamos comer antes que esfrie.
– Mas isso não quer dizer que nós não podemos ter outro tipo de jantar. – falou e sorriu maliciosamente.
– Vamos nos concentrar nesse primeiro? – sorri corando.
– Quando você vai parar de corar perto de mim? – perguntou brincalhão.
– Acho que nunca.
– Ótimo. – sorriu e me deu um selinho.
Ficamos sentados em silêncio, apenas comendo, por um bom tempo. Não era um silêncio desconfortável, era como se cada um estivesse em seu mundinho particular, mas sem ignorar a existência do outro. Ás vezes trocávamos olhares e sorríamos um para o outro, mas sem proferir uma palavra. Terminamos de comer e eu recolhi as louças, as colocando dentro da pia para Levy lavá-las mais tarde. Vocês sabem a regra da casa, quem cozinha não lava a louça.
– Eu adoro quando você cozinha. – falou enquanto sentava no sofá. Sorri sem graça.
– Acho que da próxima vez faço você lavar as louças. Sua sorte é que as de hoje já são da Levy-chan. – falei travessa.
– Você não teria coragem.
– Como não? Garanto que você não iria morrer por causa disso.
– Vem cá. – ele fez gestos com as mãos para que eu sentasse em seu colo. Assim fiz. – Eu te amo. – seu olhar era sincero.
– Tudo isso para não ter que lavar a louça? – perguntei fingindo indignação. Ele fez uma careta. – Brincadeira. Também te amo. – ele sorriu. Apoiei minha cabeça na curvatura de seu pescoço, onde eu podia sentir seu cheiro amadeirado e único.
– E então? – perguntei enquanto pegava sua mão e brincava com seus dedos.
– O que?
– Você disse que tinha uma coisa para me contar... – o instiguei a falar.
– Verdade, mas podemos falar disso depois. – ele estava se esquivando? O fitei por uns instantes.
– Nem ouse. Passei o dia todo preocupada por causa disso. O que houve? – suspirou e pareceu se dar por vencido.
– Luce, eu... – fez uma pausa, aumentando minha tensão. – Eu vou ter que viajar.
– O que? – meu coração pareceu parar de bater.
– Vou ter que viajar. – repetiu.
– Sim, isso eu já entendi. Mas por quê? Para onde? Por quanto tempo? – o bombardeei com perguntas.
– Por causa do estágio. Para Crocus... Por duas semanas.
– Nossa, é um período de tempo muito longo. – falei enquanto me endireitava em seu colo para olhá-lo nos olhos. – Você tem mesmo que ir?
– Você sabe que eu ando meio desleixado em relação ao escritório. Não posso deixá-los na mão.
– Tudo bem. – falei sem ânimo. – Quando você vai?
– Na segunda pela manhã.
– Então temos uma semana juntos. – fitei o nada.
– Você fala como se fosse algo definitivo. Eu vou voltar. – alisou meu rosto.
– Eu sei, é que duas semanas é muito tempo. – meu tom de voz era nitidamente triste.
– Vai passar rápido, você vai ver. – ele tentou me animar. Acho que no fundo também queria convencer a si mesmo.
– Ok. – olhei para minha pasta jogada perto do sofá e lembrei-me da festa. – Sexta nós temos um compromisso.
– Compromisso?
– Sim. A festa organizada pelo pessoal da Psicologia. – falei enquanto voltava a mexer em sua mão. – Psicanalhice. – um sorriso brotou em meus lábios.
– Nome estranho. – ele também sorriu.
– Você vai? – perguntei esperançosa.
– Você quer ir?
– Sim. – falei animada.
– Então eu irei. – sorriu. Eu o abracei e senti que ele me abraçou de volta.
– Promete que vai passar os últimos dias antes de viajar comigo?
– Prometo. – me deu um selinho.
– Nada de Lisanna? – perguntei como quem não quer nada fazendo com que ele risse.
– Nada de Lisanna. – ele confirmou e me beijou. Coloquei meus braços ao redor de seu pescoço para aprofundar nosso beijo e ficamos assim por um bom tempo, parando apenas para respirar. Teríamos ficado mais tempo se Levy não tivesse aparecido na sala gritando para irmos para o quarto enquanto abria a porta para Gajeel.
– E então, quem morreu? – perguntou o moreno ao ver o nosso clima pesado.
– Ninguém, mas o Natsu vai ter que viajar por duas semanas. – suspirei derrotada.
– Duas semanas? – perguntou Levy, que também estava sentada no colo do namorado, me olhando com um certo pesar. Ela parecia se colocar em meu ligar e me entender.
– Coisas do escritório. – o rosado me apertou mais em seu abraço.
– Eu cuido dela pra você Natsu. – a baixinha piscou, travessa, para ele e em seguida olhou para mim. Queria me irritar, aposto.
– Eu não preciso de babá. – me fiz de ofendida.
– Precisa sim. – disse o rosado. – Obrigado Levy. Conto com você. – sorriu se divertindo com a situação.
– É Bunny, acho que eles fizeram um complô contra você. – disse Gajeel. Bufei de raiva.
– Bunny? – perguntou Natsu.
– Piada interna. – falei antes que alguém respondesse alguma coisa. Percebi que Natsu encarava Gajeel como se esperasse uma resposta.
– É como ela falou, piada interna. – o moreno sorriu.
– Levy? – o rosado estava atirando para todos os lados.
– Me deixa fora dessa. – ela respondeu.
– Desiste Natsu. Se você pode me irritar e ter cúmplices para isso eu também posso. – lhe dei um selinho rápido e ele parecia emburrado. – Então, eu queria chamar vocês para saírem conosco na sexta. – falei animada e Natsu nem sequer se mexeu, já que estava por dentro do assunto mesmo.
– Para onde vamos? – perguntou a baixinha de forma animada.
– Uma festa da Psicologia. Vocês topam?
– Por mim tudo bem. – disse Gajeel.
– Eu topo! – ela falou com os olhinhos brilhando. – Faz tempo que não saímos todos juntos.
– Sim. Agora falta chamar a Erza e o Jellal. Ah, e a Kana e a Mira também, lógico! – falei também animada.
– Sério que vocês não vão me contar? – o rosado tentou resgatar o assunto anterior.
– Natsu, ninguém mais está falando nisso. – falei com um sorriso zombeteiro nos lábios. Sinto muito amor, mas eu não vou facilitar para você.
– Se dão um apelido desse tipo para a minha namorada eu tenho o direito de no mínimo saber o motivo não acham? – olhou ao redor e viu que todos nós continuávamos calados. – Ou então eu posso dar um apelido para a Levy e não te dizer o motivo Gajeel. – sorriu maliciosamente.
– Ótimo. – revirei os olhos. Agora ele provavelmente vai conseguir o que quer.
– Você não ousaria. – o moreno disse cerrando os olhos.
– Não? Então me deixe ver... – ele fez uma pausa enquanto colocava uma de suas mãos no queixo e parecia pensar. Esse baka sempre consegue o que quer. – Que tal... – ele foi interrompido.
– Tudo bem, tudo bem. Eu explico. – Gajeel se rendeu emburrado. Merda.
– Ai, deixa que eu conto. – disse Levy impaciente enquanto revirava os olhos. – O bobão aqui – aponto para o Gajeel. – viu nas minhas coisas uma foto minha e da Lu-chan em uma festa a fantasia. Eu estava de fada e ela de coelhinha. E como você sabe pra ele tudo é motivo de zoação, então ele insiste em chamar a Lucy assim. Ponto final. – ela sorriu como se tivesse explicado o mistério do universo.
– Só isso? – perguntou Natsu aparentemente desconfiado.
– É, só isso. – disse Gajeel.
– Eu só não queria que você soubesse pra te irritar. – sorri cerrando os olhos.
– Idiota. – o rosado fez uma careta.
– Fofo. – o dei um selinho.
– Posso ver essa foto? – perguntou para Levy. Por que para ela e não para mim?
– Claro... – a interrompi.
– Que não! – completei e fuzilei a azulada com o olhar. Ela pareceu se tocar.
– Por que não? – ele parecia não entender.
– Digamos que você não vai gostar de ver. – disse Gajeel, zombeteiro, e eu o lancei um olhar pior do que o meu anterior.
– Lucy? – fiquei calada. – Não vai me mostrar? – ele parecia indignado. Como sempre Natsu não seria Natsu se não fizesse dilúvio em tampinha de xarope, até porque ele já passou da fase da tempestade em copo d’água faz tempo.
– Você quer mesmo ver? – eu ainda tinha esperanças de que ele mudasse de ideia e deixasse essa foto de lado. Maldita hora em que o Gajeel foi me chamar de Bunny. Vai ter volta...
– Claro. Se eu não quisesse estaria pedindo? – fez uma cara entediada.
– Grosso! – levantei e fui buscar a foto.
Como eu imaginava ela estava em um dos álbuns da Levy-chan. Ela tem a estranha mania de fazer um álbum por ano onde ela coloca fotos de eventos que considera serem marcantes. Retirei cuidadosamente apenas aquela foto. Se eu levasse todo o álbum provavelmente daria o que falar. Digamos que Levy gosta de tirar fotos em momentos nada convencionais e sem a permissão das pessoas que ela fotografa. Uma exímia paparazzi afinal.
– Quer mesmo ver essa foto? – perguntei enquanto voltava a me aproximar do grupo.
– Lucy... – ele estendeu a mão, impaciente. Olhei ao redor e vi que Levy me fitava com um olhar que era um mix de expectativa e tensão enquanto Gajeel parecia não estar muito interessado já que beijava o pescoço da baixinha, mesmo que ela, no momento, parecesse não ligar muito para isso.
– Ok, mas que fique bem claro que por mim eu não te mostraria. – ele me olhou confuso e eu, relutante, o entreguei a foto.
Alguns segundos, que para mim mais pareciam horas, se passaram e sua feição era séria, impenetrável. É como eu disse... Apenas Natsu sendo Natsu.
Ele pegou a foto com bastante brutalidade e para o espanto de todos a cortou. Sim, cortou. Não exatamente no meio, deixando um pedaço em cada mão.
– Toma Levy, sua foto. – disse com um sorriso no rosto, como se nada tivesse acontecido, entregando o pedaço menor para ela, que o olhava, assim como eu, com uma feição espantada, enquanto amassava a parte que restara.
Fale com o autor