Yoru no Hana
11 Johan
Capítulo 11 – Johan.
Gary abriu os olhos lentamente, despertando de seu sono. Bocejou e se espreguiçou. Há tempos que não dormia tão bem. Sorriu ao se lembrar da noite passada, porém sua alegria desapareceu quando se recordou que ela havia saído correndo após o beijo. Provavelmente ela nem iria querer tocar naquele assunto hoje, porém não seria por isso que Gary desistiria de tentar. Ele sabia que Melissa sentia a mesma coisa que ele e isso não dava para esconder.
Ele se arrumou e saiu para a cozinha.
- Bom dia...
- Bom dia Gary...
- Melissa..Eu queria falar contigo sobre..
- Como demorou, heim? Novo na casa e acorda á essa hora? – A voz vinha da mesa ao lado de onde Melissa estava. Era um homem um pouco mais baixo que Gary, era loiro e tinha olhos azuis. Ele estava sentado numa cadeira com pernas apoiadas em outra. O sorriso debochado e metido denunciava que aquele homem era o típico garoto mimado e irritante que Gary era antigamente. – Você deveria estar aqui á horas atrás, alias, deveria estar aqui antes de Melissa acordar!
- E quem é você para me dizer quando eu devo acordar? – Indagou Gary com grosseria enquanto arqueou a sobrancelha fitando o loiro.
Foi quando Melissa interrompeu. Ela se colocou na frente dos dois e resolveu apresenta-los antes que o pior acontecesse.
- Gary, esse é Johan. Johan, Gary não é nenhum criado desta casa. Ele é nosso hospede e está passando um tempo aqui estudando com o meu avô.
Gary cerrou o olhar. “Então esse é o desgraçado...”. Era só o que faltava! Aquele troço metido a sua frente era ninguém menos que seu atual pior inimigo. O loiro abriu um sorriso extremamente falso que até a mais inocente das pessoas notaria a ironia. Gary conteve-se para não voar no pescoço daquele infeliz. “Nojento!” Impregnou.
- Ah! Entendi! Então você é tal Gary. O novo “aluninho” do professor. – Comentou em tom de desprezo.
“ Tomara que morra logo com aquela tal doença!” Impregnou novamente repleto de ódio por aquele homem que não conhecia nem a cinco minutos. O jovem pesquisador sentou-se em uma cadeira vaga e serviu café para si mesmo. Fez questão de ignorar a provocação para se mostrar superior á “Lambisgóia loira”.
- Dormiu bem, Gary? – Melissa perguntou enquanto entregava-o um pedaço de pão para acompanhar o café.
- Lógico que sim. – Ele a fitou com um sorriso gentil e ela entendeu a indireta. Corou imediatamente.
- Melissinha, vamos passear? Vamos? – O loiro a convidou, já se levantando.
- Sim, Johan.. – Respondeu sem muita emoção.
Eles saíram da cozinha e foram para o campo ao redor do laboratório. Gary mordeu um pedaço do pão, bebeu um grande gole de café, quase engasgando e se levantou imediatamente. “ Ele não ta pensando que vai ser tão fácil assim, não é?”. Olhou pela janela o casal e viu que seguiam para a direita. Correu o olhar para o lado esquerdo do campo até dar de cara com um grande lado e com ..Ele. Gary sorriu. “Perfeito!”. Rapidamente saiu da cozinha e correu para o lado onde alguns pokémons brincavam, agachou-se a beira do rio e gritou.
- Hey! Golduck!!
O pokémon que, até então, nadava tranqüilamente no lago, parou e fitou Gary com um olhar atravessado. O pesquisador fez um sinal com a mão pedindo que o pokémon se aproximasse. Golduck obedeceu, porém ainda sim mantinha o olhar atravessado e desconfiado para Gary. O moreno respirou fundo. Agora a coisa era pura psicologia pokémon.
- Okey. Começamos com o pé errado, eu entendo. E se te irritei peço desculpas. Mas vamos deixar isso de lado, oky? Temos coisas muito mais sérias a discutir. – O pokémon virou a cabeça levemente para o lado escutando atentamente as palavras de Gary. Provavelmente havia aceitado as desculpas e estava curioso para saber o que o trouxera até ali. Gary continuou. – Você gosta de Melissa. Eu também. E já que você é tão ciumento, eu acho que deveria saber que ela não está, nesse momento, com a melhor companhia do mundo! Aquele troço loiro e mimado do noivo dela ta passeando com ela por ai, nesse momento! – O pokémon cerrou os punhos e o trouxe para frente do corpo como se não tivesse gostado nada daquela noticia. Gary entendeu. Já havia o convencido! Apontou para a direção que eles haviam seguido. – Foram por ali!
Foi suficiente. O pokémon saiu correndo naquela direção. Gary sorriu vitorioso.
- Duvido ele fazer algo agora com Golduck por perto!
Aquela manhã passou lenta e dolorosa para Gary. Ele havia ficado em uma parte do campo observando Ninetales e Arcanine, porém sua cabeça não estava nem um pouco focada em pesquisas ou qualquer outra coisa do tipo. Seus pensamentos estavam longe, mais precisamente do outro lado do campo onde Melissa e Johan estavam. Ficou pensando por horas a fio sobre o que eles conversavam, se tinham assuntos, se Melissa estava gostando da companhia dele e até mesmo se ela sentia verdadeiramente algo por ele. Bufou. Jogou seu corpo para trás deitando-se na grama.
“Melissa...” Fechou os olhos. Queria que as coisas fossem diferentes. Queria mesmo.
Se pudesse Melissa sairia correndo daquele local. Não agüentava mais aquele papo completamente sem conteúdo e sem emoção de Johan. Parecia que ele só sabia falar de si mesmo, de si mesmo e mais um pouco de si mesmo. Ela estava sentada sobre a grama abraçada a Golduck que mantinha um olhar fulminante e ameaçador para o loiro que estava de frente para ela á certa distancia (estabelecida, logicamente, pelo pokémon pato!). Diversas vezes Johan tentou se aproximar de Melissa. Inútil! Golduck começava a resmungar e ameaçava levantar e partir para cima dele. Ele recuava.
Horas se passaram, chegou a hora do almoço. Os quatro (incluindo Golduck é claro que não se desgrudaria de Melissa tão cedo!) voltaram para a casa onde almoçariam. O almoço prosseguiu em silencio. Professor Darrow não estava no local, ele havia saído para a cidade e ainda não havia voltado o que fazia o clima daquela mesa ficar mais quente que o normal. Apenas olhares sinuosos e ameaçadores, incluindo o do pokémon azulado que estava plantado ao lado de Melissa como um verdadeiro segurança, podiam ser notados. Golduck, às vezes, lançava uns olhares cúmplices para Gary e trocavam alguns leves sorrisos sarcásticos. Era uma situação cômica. Há pouco tempo ele e aquele pokémon se odiavam e agora estavam cheios de “planinhos” para acabar com a felicidade de Johan.
Gary sabia muito bem o qual infantil e estúpido estava sendo com aquele ódio sobre-humano para com Johan mais não era hora de ter “ataques” de maturidade. Não era orgulho, era apenas fato. Não podia colocar tudo o que conquistara a perder. Seria infantil para o resto da vida, mesmo que aquilo o corroesse pouco á pouco, se fosse por Melissa.
- Então... Gary Carvalho, não é? – Indagou Johan quebrando o silencio.
- Sim. É meu nome.
- Sabe, acho que te conheço de algum lugar...
“ Sim. Dos seus piores pesadelos. ” Pensou Gary.
- Conhece?
- Você participou da Liga pokémon?
- Sim.
- Ah! Então foi isso. Devo ter te visto lá.
- Provavelmente.
- Então é um treinador pokémon?
- Não. Agora sou apenas um pesquisador.
- Pesquisador? Porque? Era tão ruim como treinador, era? — Atacou, Johan.
- Se fosse não teria chegado na Liga. – Gary rebateu com classe.
- Nem sempre. Muitas pessoas acabam comprando insígnias falsas, sabia?
- Sim. Mais eu não sou idiota á esse ponto. Acha mesmo que iria para a liga só para me humilhar em publico?
- Humilhou-se da mesma forma. Você perdeu a luta!
- Só por isso é humilhação? Bem, como esse comentário posso ficar ciente de que á minha frente está um completo imbecil.
- Imbecil?
- Você ainda precisa aprender muitas coisas garoto.
- Fala isso porque é fraco.
- Se eu fosse você não apostaria nisso. Posso exceder suas expectativas.
- Então me diga. Que pokémons possui?
- Não costumo revelar meus trunfos a qualquer um.
- Considera-se tão fraco assim?
- Não. Apenas sou inteligente.
- Então que tal uma batalha pokémon depois daqui?
- Por mim tudo bem!
- Meninos!! – Melissa já entrava em desespero com aquela disputa entre os dois. Golduck parecia estar se divertindo com a situação.
- Não se preocupe, Melissa. Eu irei sair vitorioso como sempre. Disse Johan com convicção.
Gary não respondeu apenas sorriu e fitou o pokémon azulado que visivelmente apoiava-o. Assim que terminaram de comer saíram para o campo novamente e procuraram um bom lugar onde poderiam batalhar.
- Melhor de 3?
- Sim.
Melissa mantinha-se calada. Reprovava aquelas batalhas mais não podia fazer nada. Estava nervosa e com o coração na mão. Por um lado queria torcer para Gary, por outro temia caso Johan perdesse. Podia ser uma emoção forte demais para ele.
Os dois sacaram as pokebolas e se prepararam para lançar. Bastou um olhar para saber o momento certo. Os dois lançaram as pokebolas no ar e os pokémons se liberaram. Da pokebola de Johan saiu um majestoso Fearow que abriu as assas imponente e levantou vôo emitindo barulhos de sua raça. Da pokebola de Gary saiu seu amado Umbreon que logo que saiu da pokebola sentou-se sobre a grama de maneira elegante e soberana. Johan riu ao olhar para o pokémon.
- Foi isso que você chamou de trunfo? – Ironizou. – Ele nunca vencerá o meu Fearow!
Gary que até então tinha um sorriso no rosto fechou a cara. Ninguém menosprezava seu Umbreon. Ninguém mesmo. Aquilo só aumentou sua raiva e só acrescentou mais um motivo que Gary tinha para vence-lo.
- Quer apostar?
Aquela batalha prometia. Os dois estavam decididos a vencer. Gary cerrou os punhos. Estava na hora de revidar tudo á aquele homem.
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