Yoonay

16 Disposition et rêveries.


Notas iniciais
Espero que gostem! Boa leitura.

Terça-feira, 13 de junho de 2017.

Noah, naquela manhã em especial, encontrava-se absurdamente disposto e feliz mesmo que houvesse se passado somente poucos minutos desde que acordara.

O loiro caminhou até o quarto onde os gêmeos, e agora, Malu dormia, e tratou de acordar o três dum jeito não tão calmo. Saiu puxando o cobertor de cada um, arrancando um grito de susto de Nico, que foi o primeiro a se sentar em rompante.

No entanto, essa não foi a última artimanha que o loiro aprontara. Não bastasse aquele susto matinal, principalmente em Nico, o mais festivo dos três, Noah caminhou na direção da janela e empurrou as cortinas para suas extremidades, permitindo a luz matinal atingir a face de todos os pequenos.

─ Ah não... ─ Maya resmungou, e foi a primeira a puxar o travesseiro para colocar em cima da cabeça, apertando-o com a pouca força que tinha.

A segunda a reagir a isto fora Malu, que sentou-se na cama e encarou o irmão dum modo sério, mas ele sabia que aquilo não se tratava nada mais que: a loirinha de certo ainda estava dormindo, às vezes ela fazia isso, e Nico odiava esses momentos.

─ Você é um doido. ─ o mais novo resmungou, olhando para Noah e puxou o coberto para cima de seu corpo novamente, deixando-o recair em sua cabeça e tronco como um véu recai sobre a noiva.

─ E você é um emburradinho. ─ Noah implicou, vendo por sua periférica a figura de Malu caindo novamente na cama, com os braços esticados. ─ Vamos lá galera, vamos levantar que hoje quem vai leva-los para a creche sou eu!

E não precisou de muito esforço, ou alguma outra palavra. Os três pequenos se puseram sentados na cama num rompante, e com os olhinhos brilhando, encararam o loiro, todos soltando um “sério?” bem animado.

─ É claro que sim! ─ Noah respondeu ainda mais vivaz, e no mesmo instante observou as três pipoquinhas pularem para fora da cama e o abraçar pelas pernas, com força. ─ Nossa, eu fico até emocionado com tanta felicidade assim!

─ Ah, seu bobo. É que faz um tempão que você não leva a gente, né? ─ Maya argumentou, sendo pega no colo em seguida e recebendo um beijo na bochecha.

─ Eu quero também. ─ Malu resmungou, enciumada, e sorriu ao ver o irmão se ajoelhar para lhe deixar um beijo na bochecha gordinha e assim também na de Nico.

─ Então vão tomar um banho que vou preparar o café para nós, pode ser? ─ os três assentiram em resposta, e vendo cada um pegar seu roupão pós-banho, os vira também caminhar, todos numa corridinha desajeitada, para fora do quarto. ─ Cuidado hein, nada de brigas! ─ ele avisou por último.

Naquele meio tempo aproveitou para deixar os uniformes separados sobre suas respectivas camas, assim como os calçados, cachecóis e luvinhas em suas cores preferidas, do jeito que eles gostavam.

E quando enfim deixou o quarto, seguiu o caminho para o de sua mãe. Lena dormia de forma leve e serena, como a um bom tempinho não fazia e, Noah acabou sorrindo quando viu Leon ao lado, dentro duma almofadinha gostosa, larguinha e com as bordas altas, o que o impedia de rolar para fora da cama.

O loiro resolveu não acordar a nenhum dos dois, e então pôs-se para fora do quarto e rumou para a cozinha, começando a preparar o lanche das crianças e um café forte para si.

Colocou os pães na torradeira e abriu a geladeira em seguida, retirando uma garrafa de iogurte lá de dentro, assim como também um potinho de nutella.

Quando as coisas ficaram prontas, e depois de pegar tudo direitinho, ele levou para a área verde da casa e arrumou tudo sobre a mesa de madeira que ficava no centro do espaçoso lugar.

Noah havia feito o esforço de acordar cedo somente para conseguir um pouco mais de tempo com seus irmãos, já que desde quando começara a trabalhar, não tinha mais esses momentos matinais que tanto gostava.

E quando escutou a risada escandalosa de Maya, entrou de volta na casa, e caminhou até a sala, onde os três se entreolhavam, provavelmente a procura do irmão.

─ Uh, ai está você, seu danado! ─ Malu exclamou, afundando suas mãos nos bolsos de calça escolar e batendo, duas vezes, seu pezinho direito contra o chão.

Noah, porém, em silêncio os chamou pelo indicador e assim foi seguido até a parte posterior da casa, virando-se somente para observar os olhinhos de cada um, todos brilhando na mais pura euforia.

─ Isso é pra gente? ─ Nico perguntou, caminhando para a mesa e nem esperando a permissão, já foi pegando uma torrada com geleia.

Noah acabou rindo, mas assentiu e, vendo todos se sentarem, fez o mesmo.

Eles comeram tranquilamente, assim como se divertiram também, e trinta minutos após, todos retornaram para dentro da casa.

Em seu quarto, depois um banho morno e confortável, Noah vestiu em suas pernas um jeans preto e largo, que combinava com a blusa verde musgo de comprimento um pouco abaixo de sua cintura. Por último ele calçou o coturno preto e deixou o cabelo solto, borrifando nas laterais de seu pescoço e sobre a blusa aquela fragrância que brincava entre a doçura e o frescor; colocou também o relógio preto em seu pulso.

Depois, quando rumou para o quarto de sua mãe, ele se aproximou e, baixinho, para não acordar o bebê Leon, avisou que estava saindo e que, também, levaria as crianças. Porém, somente após deixar um beijinho rápido em sua testa e um carinho na cabecinha do irmão, que ele finalmente se retirou.

─ E aí, vamos? ─ Noah se pronunciou, pegando a bolsa que estava sobre um pufe na sala, e vendo seus irmãos se moverem para a entrada em pulinhos animados, ele destrancou a porta, a abriu e depois de todos saírem, a trancou.

O loiro posicionou todos em suas cadeirinhas e quando sentou-se em seu lugar, travou o cinto e deu partida.

Eles seguiram o trajeto inteiro se divertindo e cantarolando as diversas canções que os filmes da Disney apresentavam. Arrisco dizer que eles nunca fizeram um trajeto para a creche tão feliz como fizeram naquela manhã.

E quando Noah os deixou lá, ficaram um pouco chateados, mas aceitaram quando ele disse que se esforçaria para fazer isso mais vezes, porém, naquela hora ele precisava ir, caso contrário, chegaria atrasado pela segunda vez em dias consecutivos.

Então despediu-se dos pequenos, com beijinhos manhosos e abraços demorados, para só então, após vê-los virar na rampinha a direita, deixar o local.

Dirigiu numa velocidade segura até a galeria e chegou lá em torno de vinte minutos, saindo do carro totalmente apressado e desajeitado, não esquecendo de trava-lo.

Naquele dia passou correndo pela recepção, cumprimentando Yuna rapidamente, que somente riu da bagunça que era seu colega de trabalho e voltou a tomar seu café calmamente.

Noah, quando chegou ao andar e parou na porta, empurrou-a devagar, dando de cara com um Seung sentado e sério.

─ Bateu o recorde. ─ antes de qualquer outra coisa, o moreno se pronunciou com a voz provocativa, o encarando com os braços cruzados em frente ao peitoral. ─ Rapaz, dois dias seguidos hein!

─ Mas foi sem querer! ─ Noah resmungou, pesadamente, fechando os olhinhos em sofreguidão e caminhando para sua cadeira. ─ Eu levei os meus irmãos para a aula.

Seung somente o olhou com um sorrisinho travesso, típico de quem estava apenas brincando, e o viu tacar a caneta que encontrou em sua frente, nele.

─ Bom dia pra você também. ─ Seung resmungou, após uma explosão de risadas e observou o loiro estreitar os olhos em sua direção.

─ Cínico é o seu sobrenome. ─ Noah ralhou e, num gesto absurdamente infantil, lhe mostrou a língua, abaixando a cabeça logo após para olhar algumas coisas em sua bolsa sobre o colo. ─ Bom dia, de qualquer forma.

Assim, não fazendo nada tão interessante depois daquele período, já que o telefone sequer tocara e todas a agenda já havia sido atualizada, Noah havia passado tempo o bastante sentado em sua cadeira, e foi então que algo o incomodou, muito.

Enquanto ele lia notícias em seu jornal matinal, o que realmente, ao que tange mudanças, foi uma das maiores e importantes em sua vida, após a Univers, Seung, liturgicamente, passava o dedo pela tela de seu celular, como se sua vida estivesse fadada a esse miserável ato.

Então, de modo sorrateiro e quase despretensioso, o loiro pôs-se de pé e caminhando para atrás da cadeira de seu chefe, confirmando suas desconfianças, ele soltou:

─ Puta que pariu, cara! ─ Seung, no susto, parou o que estava fazendo para encará-lo, com os olhos arregalados num aspecto cômico. ─ Você percebe que já está a ferrados quarentas minutos parado e olhando para essa porcaria de tela enquanto o seu dedo só trabalha em subir e descer esse feed de fotos? ─ soltou um suspiro exasperado e apontou pro celular, continuando: ─ Sabe isso? As timelines desses aplicativos que você dedica tantas horas da sua vida? Ele não tem fim, Seung.

─ Meu Deus do céu! O que é que você fumou antes de vim trabalhar, Noah? ─ sua voz saiu num sussurro, estava realmente assustado com a possibilidade.

─ Cara, isso daí foi particularmente criado para você morrer rolando essa porcaria de tela, porque é infinito e nunca vai te saciar. Em contrapartida, isso vicia, ou seja, você morreria de desgosto. Não é pesado? Seung, isso é muito pesado. ─ ele soltou, se sentindo o total dono da razão, levando até mesmo suas mãos para a própria cintura.

Seung, que agora se encontrava ligeiramente afetado com as palavras, enquanto repassava todas elas em sua mente, em um sério momento de reflexão, uma vez que nunca em sua vida outra pessoa o tocou a respeito disso, subiu seu olhar ao dele e o respondeu: ─ Isso é muito pesado!

Noah suspirou, ainda de pé, e esfregou os olhos de modo litúrgico, concordando em seguida com um: ─ Sim, cara.

─ Eu nem sei dar continuidade ao que estava fazendo. Você realmente me deixou abalado. ─ ele confessou, girando sua cadeira de volta para a mesa, numa velocidade mórbida e colocando o celular de lado.

Seung entrelaçou suas próprias mãos, e apoiou os cotovelos na mesa, repousando seu queixo sobre as mãos numa feição pensativa.

─ Que horror! Olha só o que você fez comigo. ─ num muxoxo, Seung soltou, o olhando inconformado.

─ Eu só abri os seus olhos, meu amigo. Só isso! ─ o mais novo já foi logo tratando de se defender, mas quis rir, pois o moreno realmente parecia afetado. ─ Você nunca vai se sentir saciado pelo feed, você vai ser ganho pelo cansaço de ficar o tempo todo tilintando seu dedo nessa tela.

─ Nossa Noah, cala a boca pelo amor de Deus. ─ Seung foi rápido em sua resposta, deixando um riso desesperado escapar por seus lábios em seguida. ─ Mas é verdade, né? A gente já acorda nessa merda. É desesperador!

─ Tá ai, a palavra é essa: desespero. A gente tá tão desesperado em ver os assuntos alheios que quando vamos nos dar conta, opa!, lá se vai uma hora que poderia ser usada para fazer coisas maravilhosas em nossas vidas.

─ E nunca vai ter fim!

Sua frase final veio acompanhada de um franzir de cenho, narinas infladas em sofreguidão e lábios entreabertos.

─ Se eu entrar em crise, a culpa é toda sua, seu filho da mãe! ─ Seung o acusou, dessa vez lhe apontando o indicador, o que fez Noah disparar numa gargalhada gostosa.

Seung gostava de quando ele soltava esses sons estrondosos e sem restrições, porque para si, Noah era assim, sempre em excesso, nunca na metade ou pra baixo da metade, e ele sempre se tornava afoito quando o loiro lhe mostrava sua essência transbordante.

─ Seung? ─ Noah sussurrou, um pouco mais sério dessa vez, e aquilo de certo chamou a tenção do moreno, que ajeitou-se na cadeira e o encarou com mais firmeza, perguntando:

─ O que houve?

─ Ah, não aconteceu nada não. ─ sorriu brevemente e prosseguiu. ─ Eu só tenho uma dúvida. ─ Seung somente lhe direcionou um aceno, indicando que poderia continuar e ele assim o fez. ─ Por que a arte da pintura? Esculturas? Porque não outra área?

O moreno, no instante seguinte ao que repassou toda a pergunta em sua mente, suspirou com a curiosidade instigante que Noah sempre produzia em seu interior.

─ Bom, ─ ele iniciou, pigarreando brevemente antes de continuar. ─ a minha família, na verdade toda a minha linhagem paterna, desde os meus avós até os meus tataravós, sempre fora muito apreciadora de artes visuais. ─ Noah ergueu as sobrancelhas sentindo-se impressionado.

─ Uau... isso é formidável! ─ comentou num momento de verdadeiro entusiasmo, fazendo Seung positivar e moldar em seus lábios um sorriso.

─ Sim, de verdade. ─ ele confirmou, afrouxando um pouco o nó de sua gravata, ato que não passou despercebido por Noah, que comprimiu suas digitais ao tecido de seu jeans. ─ E por sempre ter sido muito próximo dos meus pais, vê-los em boa parte do tempo produzindo belas pinturas em telas grandes, ou moldando excêntricas esculturas, me fizera tomar um gosto pela coisa, compreende?

─ Mas a Sunhee também produz?

─ Ah, ─ ele deu um risinho soprado, mexendo os ombros. ─ ela tenta.

─ Entendi. ─ Noah completou risonho. ─ E eu achando que você estava nesse ramo por obrigação. ─ Noah confessou, recebendo um olhar confuso do mais velho. ─ É que quando escuto que certa profissão está há gerações numa família, sempre imagino que aquilo rola como uma obrigação, um peso.

─ Ah, eu entendo. ─ Seung o respondeu, umedecendo brevemente os lábios. ─ Mas não, minha família, por parte de pai pelo menos, sempre fora um tanto quanto compreensiva em relação a isso. Me diziam para sempre seguir aquilo que fazia o meu coração palpitar, e quando finalizei uma pintura em tela pela primeira vez, o meu coração realmente palpitou. ─ confessou nostálgico, dando um sorriso contido, fazendo Noah sorrir consigo. ─ E apesar de que eu tenha vindo duma família de cultura Coreana, e você já deve ter escutado os rumores de sermos bem conservadores e blá blá blá, eles sempre me deram asas para ser o que eu queria.

─ Isso é realmente diferente, bonito. ─ Noah soltou, enquanto pendia lentamente sua cabeça para o lado. ─ Mas continua, é empolgante. ─ pediu ansioso, fazendo Seung pigarrear.

─ Quando eu era bem novinho, uns seis para os sete anos, eu gostava muito de tacar tinta nas coisas. ─ ele soltou, deixando um sorriso constelar os belos lábios. ─ E claro, minha mãe ficava louca da vida, mas meu pai ia na onda, ele gostava de ver a animação que eu excedia, e pelos vídeos antigos, que hoje assisto, era uma animação realmente genuína, já que eu era um garotinho levado. ─ Noah sorriu, tomando uma postura mais desleixada em sua cadeira, deixando o corpo tombado para a lateral. ─ Meus avós também me paparicavam muito, e misericórdia, quando pintei meu primeiro quadro, digno, eles ficaram doidos.

─ Com quantos anos?

─ Ah, acho que uns quinze, se não me engano. ─ ele respondeu meio pensativo, enquanto mordiscava o lábio inferior, num trejeito desconcertante para Noah. ─ Nem sempre dominei a arte dos pinceis, tampouco a das argilas, é realmente difícil elaborar todas as criações.

─ Mas você é competente. ─ Noah soltou, sem certamente se policiar, e aquilo agradou grandemente os ouvidos de Seung.

─ Eu tento, ─ ele respondeu. ─ e pelo jeito vou conseguindo!

Notas finais
Até logo!