Yoonay

26 Ça fait mal.


Notas iniciais
Ah, eu tinha me esquecido que esse capítulo era, de fato, esse capítulo, e ao relê-lo, fiquei bem tristinha, e se querem saber o porquê, esse capítulo se trata do luto da família Ray. eu, particularmente, chorei muito ao escrever esse capítulo em especial. apesar de não achar de seria, mas foi realmente difícil para mim, pois parecia que eu de fato fazia parte da família Ray naquele momento, porém, em contrapartida, pude encontrar felicidade ao ter tanta sensibilidade para escrevê-lo. eu não sei se todos vocês irão sentir o mesmo que eu, uma vez que o capítulo ficou curtinho, e isso pode sei lá, influencia-los em algo e os deixar decepcionados de alguma forma, talvez por não ter escrito demais, inserido mais coisas, porém, eu penso que nesse capítulo, em especial, as poucas palavras são suficientes. mas eu também espero que vocês curtam e sintam o que eu pude sentir, pois foi bem louco o misto de sensações. mais uma vez: boa leitura. ♥

Domingo, 10 de setembro de 2017.

A família Ray, em toda a vizinhança, era tida e reconhecida como uma família alegre e de muita cortesia por onde passava e entrava. Isso era resultado das boas obras e gentilezas que por ali realizavam.

Sempre ajudando a todos sem medir esforços, compartilhavam o que tinham, e sempre de muito bom grado, prezando sempre pela união, e não pelo contrário. Toda a família era muito admirada.

As crianças sempre cativavam de forma demasiada os moradores da região, uma vez que haviam tido uma criação baseada em princípios como respeito, educação e muito carinho. E tanto Lena quanto Abraham, quando este ainda era vivo, haviam se empenhado muito nessa questão, deixando suas marcas registradas pela vizinhança.

Mas, naquela ocasião, após um ano longo e desafiador, todos se recordavam do falecido Abraham e sua fatídica morte.

Desse modo, por muito respeito e reconhecimento, nenhum vizinho se achegou ao lar dos Ray naquele dia em especial, e daqueles, porém, com quem tinham muita intimidade, receberam mensagens de força e conforto, acalentando os corações doídos.

Lena se encontrava quietinha no sofá de sua sala com todos os filhos ao seu redor, e Leon deitadinho em seu peito, tirando uma soneca pesada.

Apesar de novos, as crianças sabiam o porquê daquele clima tão tristonho em sua casa, mas Malu sendo a irmã do meio, cuidava para que Nico e Maya se entretecem com outras atividades, como assistir aos desenhos ou montar algum quebra-cabeça, ajudando também a sempre manter o silêncio, pois sabia que sua mãe preferia assim.

Aquele dia não era um dia de bagunça.

E Noah estava jogado no tapete do chão, com Malu deitada em seu bíceps enquanto assistia à animação ‘Cinderela’ pela centésima vez. Às vezes ele até arriscava um riso frouxo para amenizar aquele clima denso, mas sempre retornava à estaca zero.

É, ele disfarçava bem seus sentimentos, e era extremamente forte, no entanto aquele era o primeiro ano longe da pilastra maior daquela agradável família, e realmente não estava sendo fácil segurar o choro desde o mês anterior, que fora quando as memórias mais intensas começaram a assolar a mente de ambos.

Lena, em sua juventude, era uma garota muito doida, e o Abraham, quando a conheceu, já era um homem formado em Oceanografia por alguma faculdade da Austrália.

Ela tinha dezessete na época, e ele vinte e cinco, mas se conheceram quando faltava pouco mais de um mês para a jovem Lena completar seus dezoito. Para ele, que não acreditava muito na palavra ‘amor’, realmente foi amor à primeira vista.

E enquanto ela era a loucura em pessoa, ele, apesar de seu espírito aventureiro, era a tranquilidade que a jovem tanto precisava.

Apesar de desengonçados, eles começaram a regar aquele sentimento que até àquela ocasião, era o alicerce da família, e Abraham, sendo o aventureiro que era, não resistiu aos encantos de Lena, fato que gerou o pedido de casamento, um ano depois de terem começado a namorar. Foi algo simples, no quintal da grande casa do Abraham, mas foi algo lindo, uma data marcante, onde o amor divino também podia ser sentido.

Toda a família de Abraham estava ali, e pelo menos a metade da família de Lena pôde comparecer também, afinal... o México era muito distante.

Dessa forma, o casal iniciou a vida a dois de uma forma realmente divertida. É óbvio que haviam tido algumas pequenas discussões ao longo do recente casamento, mas como sempre, em todo o tempo priorizavam o perdão, e assim, viviam bem.

Eles conseguiram aumentar a casa com muito esforço, tendo até mesmo a partição da força de seus próprios braços, e assim, depois de cinco anos de casados, veio o Noah, não foi exatamente planejado, mas... ah, como foi recebido com alegria e ansiedade. Estavam tão felizes com a novidade! E treze anos depois veio a grande Malu, feita com um planejamento e a pedidos constantes do, até então, unigênito; e depois a Maya e o Nico chegaram de penetra, haviam sido uma surpresa daquelas, mas tudo bem, eles estavam estabilizados financeiramente, então foram apenas uma surpresa maravilhosa.

Lena trabalhava em casa com as produções e vendas de pranchas de Surf, sim, eles tinham o próprio negócio, e Abraham trabalhava, naquela época, na única escolinha de surf em Melbourne, é... eles estavam perfeitamente tranquilos, as faturas eram ótimas, e iam de vento em polpa.

Estava tudo correndo tão maravilhosamente bem, as crianças cresciam em graça e sabedoria; lindos e saudáveis... e o relacionamento entre Lena e Abraham só transbordava amor, eram um puta casal!

Mas como fora dito anteriormente, Abraham era um cara extremamente aventureiro... e num grande dia, não, esperado pelo mesmo, ele foi convidado para uma escalada numa movimentada, e famosa, montanha da Austrália.

Lena, na época, nem mesmo sabia que já carregava o pequeno Leon em seu ventre, uma vez que sequer houvera apresentado sintomas comuns de gravidez, diferente das outras gestações que enfrentara.

E é claro que, com muita alegria, o Abraham aceitou encarar esse desafio. Ele era apaixonado por escalada, já havia ido a outras bem menos radicais que essa, e céus, não podia nem sonhar em negar essa viagem, era o seu momento. E Lena, apesar de sentir certo frio na barriga, concordou, estava feliz por ele.

Mas a felicidade se tornou numa tristeza instantânea. Um dia depois, horas após falar com ele uma última vez pelo celular, do qual havia enviado várias fotos maravilhosas, Abraham veio a falecer.

Enquanto faziam seus caminhos de volta a superfície terrestre, o mosquetão de Abraham soltou, e aconteceu tão rápido que seus companheiros não tiveram reação para a situação. Eles se entreolharam e alternaram tantas vezes seus olhares para onde ele havia despencado que sequer conseguiram pensar bem.

Do alto, alguns conseguiram sinal em seus telefones e de lá mesmo contataram a emergência e o corpo de bombeiros, já que ele havia caído entre as árvores.

Lena recebeu a notícia no mesmo dia, enquanto seus filhos dormiam naquele instante. E céus! Como ela chorou de dor e desespero no instante em que escutou a notícia. Foi sem dúvida alguma o pior dia de sua vida, e a dor mais cruciante que já houvera sentido.

Era o seu maior amor que havia partido, o homem de toda a sua vida, e o eterno dono de seu coração. Aquele com quem tivera a sua primeira vez, e aquele com quem construíra uma família tão, mas tão linda.

Ela o viu ainda com vida no hospital, estava tragicamente machucado, já que na queda havia fraturado várias partes de seu corpo. E ele não aguentou, seu corpo não resistiu aos ferimentos ainda que com um cuidado intensivo dos médicos, então ele partiu com seus dedos entrelaçados aos dela, e aos de seu filho Noah.

E ali, sentada no sofá de sua sala, Lena sentia mais uma insistente lágrima rolar de seus olhos. Assim como Noah, que tinha os olhos pregados na televisão, mas em nada prestava atenção.

A dor da qual tanto haviam tentado fugir estava ali, mais forte do que nunca, e tão incomoda quanto em qualquer outra vez, no entanto, eles continuavam se esforçando para não demonstrar de fato o que sentiam e como estavam.

Já dizia o poeta William Shakespeare: algumas dores são passíveis de cura.

No entanto, aquela que Noah e Lena Ray compartilhavam, provavelmente seria uma dor eterna, e em algum momento ela suavizaria, mas continuaria ali, apertando lancinante na saudade.

Notas finais
eu tenho um carinho imenso por esse capitulo, não consigo nem descrever... e estou bem sensível com ele ainda kkkkkkkkkk e por hoje é isso, bonitos, obrigada por tanto carinho, vocês são sensacionais! ♥