Yoonay
27 Avec toi.
Notas iniciais
Segunda-feira, 11 de setembro de 2017.
─ Noah?
Seung se surpreendeu ao ver o loirinho passando pela porta da sala, e rapidamente levantou-se de sua cadeira para caminhar até ele.
─ Eu falei que você poderia ficar em casa por hoje, meu bem. ─ Seung sussurrou, e retribuiu o abraço que recebera com ofego.
Os dedos de Noah cravaram no tecido que cobria suas costas, e ele não resistiu em aspirar ao bom aroma que emanava do corpo de seu amado. Como sentiu saudade daquele calor tão necessário, daquele abraço tão recíproco, e daquele carinho palpável.
─ Pode soar brega, mas eu preciso de você também. ─ Noah disse em voz baixa.
─ Isso não é brega, meu bem. E mesmo que fosse, eu gosto. ─ Seung deu-lhe um beijinho na testa e se surpreendeu quando teve seus lábios tocados pelos de Noah, num selinho demorado e que logo virou um beijo mais longo, um beijo cheio de saudade.
É, parece até bobo e precipitado dizer, mas Noah de fato sentiu falta do moreno.
─ Senti saudades. ─ Noah sussurrou, quebrando aquele beijo apaixonado. ─ De verdade, estou começando a me sentir como você, e arrisco dizer que se pudesse o teria por vinte e quatros horas seguidas ao meu lado.
Seung deu uma gargalhada grossa e gostosa, para logo encará-lo.
─ Eu fico feliz com isso. ─ Seung comentou, deixando um carinho no cabelo do mais novo e o afastando um pouco para somente observá-lo de uma melhor perspectiva. ─ Você... está se sentindo bem?
Noah demorou um pouco para responder, mas depois de um suspiro, logo disse: ─ Me desculpa, mas não consigo me sentir bem por agora.
─ Você não precisa se desculpa por isso, meu bem, sabes que não precisa fingir para mim também, sim? Se quiser chorar... ─ Noah o calou com outro beijo, antes que de fato viesse a novamente desabar em lágrimas, como vinha fazendo há dias seguidos.
Seung aceitou o beijo por alguns segundos e, cuidadosamente, o segurou pela nuca, antes de afastá-lo para olhar no fundo dos olhos verdes. Como podia tanto amar e gostar de alguém em tão pouco tempo, do jeito o qual amava e gostava do Noah?
Eu sei que você pode achar precipitado demais ou que seja somente mais um sentimento transitório, mas a real é que o amor não é somente o casar-se com alguém e passar ao lado dessa pessoa todo o resto de sua vida. Ah, o amor é muito mais intenso que isso, o ‘casar’ parte de um desejo humano, e o amor... ele surge ao passo de um olhar, um escutar, e muitas das vezes sem a sua permissão. O amor ele é só amor, sem explicações ou históricos, sem motivos.
─ Vem, o trabalho pode esperar um pouquinho. ─ Seung falou, o puxando em direção ao sofá que se encontrava à frente de um novo armário branco.
Seung sentou Noah no móvel confortável, e em seguida se posicionou no chão, de frente para ele, o fazendo sorrir e negativar com a cabeça.
─ Por que não se senta aqui do meu lado?
─ Porque quero te observar de frente, e sentando aí isso não seria possível. ─ ele explicou, o fazendo rir e novamente negativar. ─ Seu aniversário está chegando, né? E é no dia da exposição em Londres.
─ Nossa, agora que eu fui me ligar! ─ Noah exclamou, levando as mãozinhas até a boca e suspirando. ─ Preciso conversar com a minha mãe, mas acho que ela vai deixar sim, Leon já nasceu mesmo, e as crianças estão crescidas, e será...
─ Ei meu bem, calma! ─ Seung pediu entre um riso soprado, quando percebeu que ele começava a se preocupar. ─ Fica tranquilo que nós conversaremos com ela, e com calma. Qualquer coisa ela fica lá em casa com a Noora e a Alice, seria até melhor.
─ Não sei se ela aceitaria isso, é folga demais já!
─ Folga demais? ─ Seung indagou, levando as mãos para a cintura. ─ Vale de tudo quando o assunto é te ter ao meu lado nessa grande viagem! Lembra-se de quando disse que na próxima você iria comigo? Pois eu me lembro muito bem, Noah Ray! ─ o loirinho sorriu, e o puxou suavemente pelas faces laterais de seu rosto.
Gostava de tocá-lo, poder sentir a pele macia em sua palma,vc e o calorzinho gostoso de Seung era uma coisa prazerosa. E gostava também de quando via os olhinhos nipônicos se fecharem na expectativa de aproveitar com mais deleite aquele toque. Era tão lindo!
─ É claro que eu me lembro, coração. ─ Noah afirmou, deixando Seung todo derretido com aquele apelido inesperado, e sorriu. ─ E com certeza estaremos juntos nessa viagem. ─ ele completou, deixando um beijinho rápido nos lábios alheios, e depois mais, e mais um, sorrindo ao final.
─ Seus lábios são um atrativo sem fim, sabia? ─ o moreno indagou, depois de beijá-lo mais uma vez, acariciando com sutileza as bochechas coradas.
─ Então você pode me beijar sem tempo para acabar também? ─ os dois riram diante da pergunta e o moreno assentiu, inclinando-se para dar a ele mais um beijo.
Noah aceitou o beijo gostoso, e ao fim o abraçou com carinho, dando-lhe um carinho nos cabelos enquanto levantavam-se aos poucos, com seus corpos colados.
─ Mas nós precisamos trabalhar, sim? ─ fora Noah quem perguntara.
Seung o deu um sorriso simples, com os lábios juntinhos, e disse: ─ E além de ser um rapaz lindo, é super-responsável também, pois se fosse por mim, poderíamos gastar horas e mais horas sentados e trocando altos amassos.
Noah soltou uma risada boba enquanto maneava a cabeça numa negativa divertida.
Seung era jovem sim, um adulto que já alcançava seus vinte e sete anos, mas jovem, no entanto, quem ainda falava amassos? E Noah achava isso tão fofo que perdeu minutos sorrindo daquilo, ele era um completo moderno a moda antiga.
─ Como você sabe que meu aniversário está chegando? ─ Noah indagou, enquanto sentavam-se em suas cadeiras, e franziu o cenho ao lembrar-se de que nunca haviam conversado sobre.
─ Ah, você acredita que até hoje eu ainda tenho o seu currículo guardado comigo lá em casa? ─ Seung perguntou, risonho, ao passo que Noah erguia as sobrancelhas em surpresa. ─ É sério, eu acabei o deixando guardado na gaveta do meu criado mudo, e lá vi sua data de nascimento. Foi logo no primeiro dia.
Imediatamente Noah foi levado à sua primeira semana na Univers e, oh Deus! Como o relacionamento dos dois havia dado um salto muito louco e inimaginável.
─ Deus... você é muito bonitinho Seung. ─ Noah comentou, se inclinando sobre a mesa para beijá-lo na bochecha, e rindo em seguida. ─ E extra, muito extra!
O comentário fez Seung soltar um risinho nasalado, enquanto também divagava para os meses passados, quando os dois se relacionavam como somente chefe e funcionário, naquele dia em que Noah citou algumas palavras brasileiras. Ah! Ele era um rapaz tão divertido, tão vivaz, que passar minutos com ele, eram como segundos, tudo se tornava leve e rápido demais. Noah tirava todo e qualquer peso!
E, naquela manhã, durante o tempo em que estiveram focados em suas tarefas, Seung aproveitou para observar Noah ainda mais concentrado em seu trabalho, e ria todas as vezes que percebia, também, o olhar do mesmo sobre si, e então mandava uma piscadela, ou fazia carinho em sua mão ora estendida sobre a mesa.
É claro que ele gostaria de estar grudadinho ao loiro, dando e recebendo muitos beijinhos, no entanto, compreendia que naquela manhã tinha muitas coisas da Univers a serem resolvidas.
Os dias seguintes à exposição foram de muitas surpresas e correria. Pessoas chegavam ao prédio da galeria em busca de algumas obras no intuito de, verdadeiramente, compra-las, e sentiam-se desoladas por não poderem.
As obras eram absurdamente detalhadas, o que causava na produção de réplicas um retardo muito grande. Mas Seung, sem tempo para descanso, já trabalhava com fervor nessa nova temporada, pois a lista de pedidos era extensa.
Durante alguns períodos de tempo em suas rotineiras manhãs, Seung subia para seu atelier, até deixava Noah sozinho, e se empenhava por horas à fio na moldagem e projeção das belíssimas obras. Era cansativo e trabalhoso, tanto que, por dias, ultrapassava o horário de expediente na Univers, e chegava exausto em seu apartamento, indo dormir imediatamente.
Mas, por ele estava tudo realmente bem, pois se tinha uma coisa que gostava, essa coisa era o retorno intenso que conseguira após a exposição. Pessoas distintas contatavam a Univers quase que diariamente para saber como andava o processo produtivo das cópias de suas obras, uma vez que se encontravam tão apaixonadas e desejosas, que temiam não conseguir sequer uma pequena escultura.
Então, depois de horas de trabalho, Noah e Seung fecharam seus sistemas e se retiraram para um almoço ao lado de Yuna, e de fato foram horas divertidas, uma vez que durante aquele pequeno instante, Noah recebeu o encargo de contar, mesmo que à meia-boca, as coisas que haviam acontecido entre ele e Seung.
Ali eles aproveitaram para fazer uma vídeo chamada com a Suze, que no horário, se encontrava de pé com o pequeno Maxin no colo, enquanto Mikala dormia em seu berço coloridinho.
Os pequenos haviam nascido saudáveis, e a menina era tão quieta quanto Leon, já o menino, bem... ele era um bebê bem dengoso, e Suze sentia-se exausta, assim como Latika, mas elas estavam realizadas, e mal podiam esperar pela visita dos amigos aos seus bebês. Morria de saudades!
E depois, todos finalmente se despediram. Yuna seguiu de moto até seu prédio, enquanto Seung encarregou-se de levar o loirinho até em casa, dessa vez com aviso prévio e beijinhos para derreter ainda mais aquele coração.
─ Você quer entrar? ─ Noah indagou, assim que o Sedan estacionou na frente do belo gramado ainda verde, coberto pelo sereno da tarde fria.
─ Hoje não posso meu bem, ─ ele respondeu rápido, tomando a mão do loirinho com a sua própria, e fez um carinho. ─ Quero aproveitar um pouquinho mais a Alice hoje, me desculpa.
─ Você sabe que não precisa se desculpar por isso, huh? ─ o loirinho disse. ─ Inclusive, dê um beijão nela e na Noora por mim. Diga que estou com saudade.
─ Faça o mesmo com dona Lena e seus irmãos. ─ Noah positivou, e mordiscou o lábio inferior, descendo, instintivamente, seu olhar até os lábios de Seung, que sorriu.
O moreno inclinou-se um pouco para frente e, o encarando, deu um simples selinho nos lábios gordinhos, mas Noah acabou soltando uma risada gostosa e o segurou pela nuca, conseguindo aprofundar o beijo como queria.
─ Fica mais um pouquinho. ─ Seung pediu, com os lábios ainda colados em meio a demorados selinhos. ─ Só mais umas horinhas já está bom.
─ Só umas horinhas? ─ Noah brincou, e o beijou na bochecha, para em seguida finalmente destravar seu cinto. ─ Meu gatinho.
─ Ah, eu vou morrer com você me chamando por todos esses apelidos carinhosos. ─ Seung soltou, fazendo Noah rir enquanto abria a porta do carro. ─ Então até amanhã meu bem, fique bem, tá bom? E se alimente direitinho, beba muita água, e não segure o choro.
─ Deus! ─ Noah exclamou, enquanto dava a volta no carro e parava ao lado de sua janela, curvando-se um pouco. ─ Eu não mereço você, de verdade.
─ Claro que merece. ─ ele infiltrou os dedos de sua canhota nos cabelos do rapaz, e acariciou, vendo-o sorrir. Noah era o mais belo ser que já vira em sua vida.
─ Você não faz ideia do quanto está me mimando, Seung.
─ Essa é a intenção, príncipe. ─ Noah, negativando com a cabeça, enquanto um polido sorriso constelava seus lábios, se aproximou, e esfregou seus narizinhos num beijinho de esquimó.
─ Até amanhã, meu gatinho.
─ Até, meu bem! ─ e dando-lhe um tchauzinho com a mão, Noah afastou-se lentamente, já escutando a bagunça no interior da casa.
Antes de entrar, volveu seu corpo novamente na direção de Seung e deu mais um tchau, o vendo repetir o gesto, seguido de um beijo no ar e um coraçãozinho com os dedos, Noah entendeu o que aquilo significava, mas sorriu, e entrou.
Noah sabia que eram saudável um para o outro, e que compartilhavam de um sentimento que não machucava e sequer trazia dor. No início o que soava como loucura para ele, agora soava como uma loucura tentadora, e grandemente valiosa!
Fale com o autor