Yokozawa Takafumi no Baai.
3 Ato 3.
Notas iniciais
Zen acordou com o feixe de luz que adentrou o quarto quando Hiyori abriu a porta. A garota abriu a porta com tanto cuidado que sequer fez barulho, mas quando percebeu que seu pai havia acordado por causa da luz, suspirou em decepção. Ao desistir do cuidado para não atrapalhar o descanso de Zen, ela correu até a janela, abrindo a cortina para deixar a luz do dia invadir o cômodo por completo e obrigar o homem a levantar.
— Bom dia, Papa! – Cumprimentou. Zen apenas murmurou algo inaudível, então a menina continuou. – O Onii-chan esteve aqui ontem à noite?
— Huh? Por que você esta me perguntando isso?
Zen coçou a cabeça, deslizando o corpo pela cama até finalmente sentar-se sobre a mesma, criando ânimo para se levantar. Quando o fez, arrastou os pés até a porta do quarto e saiu em direção à sala de estar, sendo seguido pela pequena garota. A sua cabeça latejava devido a ressaca, ele sentia sua boca seca e seus olhos pesados, então soltou um bocejo que o fez parecer mais como um leão.
— Nee, ele deixou um bilhete na mesa da cozinha, me agradecendo pelo bolo e se desculpando por ter vindo muito tarde...
— Posso ver?
Hiyori entregou o pequeno bilhete ao seu pai. Pegando um copo d'água na cozinha, Zen leu o que estava escrito e rosnou antes de amassar o bilhete e jogá-lo na lata de lixo.
— O que foi, Papa? Você e Onii-chan tiveram uma briga?
— Hm, foi algo como isso. Mas não se preocupe, não é nada sério.
O pai coruja sorriu para a garota antes de empinar o copo d'água e sentir o líquido refrescante descer-lhe a garganta, acabando com aquela sensação nauseante que sentia pouco antes. Mas Hiyori cruzou os braços e franziu o cenho para ele em sinal de desgosto.
— O que foi? – Indagou enquanto tentava segurar o seu sorriso, pensando em como a garota ficava extremamente fofa quando estava irritada.
— Você precisa se desculpar com Onii-chan imediatamente!
— O que? Eu?
Hiyori assentiu.
— Mas ele foi o único que–
Ele interrompeu a si mesmo ao ver Hiyori fazendo uma careta desgostosa. Enquanto olhava para o seu pai, ela apontou o dedo indicador à ele.
— Quem é aquele que sempre diz pra mim "parar de agir de forma infantil", ou que "dois erros não fazem um acerto"?
Zen tentou responder mas não sabia exatamente o que dizer. Ele estava se sentindo totalmente derrotado por sua própria filha de dez anos de idade, que tinha acabado de demonstrar que estava a um nível à mais de maturidade que ele. Ele desviou o olhar e suspirou em derrota.
— Certo, certo, eu o farei...
— Então trate de ir se trocar e pedir desculpas!
Zen não teve chance de contestar. Logo seu braço foi agarrado por Hiyori, que o puxou para fora da cozinha e empurrou-o de volta para seu quarto.
— Mas e você, hein? Eu seria um pai irresponsável se te deixasse sozinha em casa, sendo uma menina tão jovem!
— Geez*, pare de dar desculpas! Eu vou ficar bem, irei esperar até que volte, na casa da Yuki-chan. Então ande logo com isso, Papa!
Logo a porta do quarto foi fechada por trás de suas costas, deixando Zen com uma expressão de completo choque. Não havia jeito! Ele deveria fazer como a menina havia dito ou senão ela certamente ficaria chateada com ele também, dificultando ainda mais a situação. Mesmo com uma enorme preguiça, Zen vestiu um novo conjunto de roupas e suspirou em frustração, sabendo que teria que jogar fora o seu orgulho e pedir desculpas a Takafumi.
No apartamento de Takafumi.
Tendo despertado há várias horas atrás, Takafumi sentou-se à mesa da cozinha pequena e começou a beber o seu café preto amargo, enquanto lia o jornal da manhã. O céu estava claro, o clima perfeito, e ele não tinha recebido um único telefonema do trabalho. Mas, de alguma forma, ele não conseguia levantar o seu humor devido a sombra escura da briga da noite passada, que pairava sobre ele. A cada trinta segundos ele se via olhando para o telefone, na esperança de, possivelmente, encontrar uma nova mensagem, chamada ou e-mail. Mas cada vez que ele se via inclinando a cabeça, se decepcionava ao ver que nada havia ali.
"Talvez eu devesse fazer o primeiro movimento..." Ele franziu a testa com o pensamento. "Não, espera, por que eu deveria? Ele foi o único que... Que deveria ter especificado o porquê da insistência para que eu reservasse o sábado!" Sua cabeça caiu em desânimo. "Claro, ele não o fez porque isso deveria ser uma surpresa!" Ele argumentou consigo mesmo. "Eu estou agindo como um idiota. Eu deveria ir lá e pedir desculpas agora mesmo." Takafumi rangeu os dentes, amaldiçoando o seu orgulho. "Ok, ok, mas primeiro eu vou tomar um banho."
–------------------------------------------------------------------------------------------------
No minuto em que ele ligou a água quente, o telefone soou com uma mensagem nova. As batidas pesadas da água contra o seu corpo e o chão, abafaram a música, impedindo-o de lê-la no momento que esta lhe foi enviada. Quando saiu do banho e voltou até a pequena sala onde havia deixado o telefone, notou a nova mensagem de texto.
De: Kirishima.
Estarei aí em 10 minutos.
Por um momento, Takafumi ficou sem reação, sua mente estava completamente vazia. Mas logo ele foi obrigado à voltar para a realidade ao ouvir o som de uma batida distante ecoando em todo o apartamento. Alguém estava na porta.
"Kirishima?"
Ele apressadamente procurou suas chaves e assim que as encontrou, aproximou-se lentamente da porta, consertando as roupas amarrotadas e os cabelos molhados antes de olhar através do ocular. Com certeza era Zen, esperando no corredor a resposta de Takafumi. Quando não a recebeu, Zen bateu de novo, com mais força, surpreendendo Takafumi que deu um salto para trás. O moreno reuniu toda a coragem dentro de si, limpou a garganta e finalmente desbloqueou a porta, girando a maçaneta. Ao ver o rosto do homem, as imagens da noite anterior voltaram à ficar em frente a sua memória. Lembrou-se do quão frio o homem bêbado tinha sido, recusando-se a ouvir as suas desculpas. Ele até mesmo havia tentado dizer o quanto se sentia culpado pelo esforço de Hiyori em fazer um bolo especialmente pra ele, mas Zen sequer deu ouvidos. Tendo isso em mente, os olhos de Takafumi se estreitaram e ele esqueceu completamente da sua determinação de pedir desculpas ao homem que estava à sua frente.
— O que você está fazendo aqui?
— Posso entrar? – Indagou Zen, calmamente.
Sem nenhuma outra palavra, Takafumi se virou, afastando-se da porta e entrando na cozinha. Zen adentrou o local logo em seguida, fechando a porta atrás de si. Ele podia deduzir que a atitude de Yokozawa expunha o quão chateado ele estava.
— Aqui estou eu, tentando pedir desculpas, e recebo isso? Bem, dois podem jogar esse jogo... Feliz Aniversário.
Takafumi riu amargamente.
— É, aniversário... Eu sendo chamado para uma reunião que durou horas e, em seguida, tendo que aturar um bêbado-burro à noite.
— Bem, desculpe por perturbar a sua noite divertida com o Takano. Você deveria ter ficado com ele ao invés de ter ido para o apartamento de um bêbado-burro.
— Mas que porra é essa? Foi você quem me pediu para ir até lá!
— Eu disse: "Faça o que quiser"!
— E eu queria–
Pegando-se no meio da frase, Takafumi mostrou os dentes, rangendo-os, para então desviar os olhos do homem que estava do outro lado da sala. Zen soltou um suspiro pesado, entrando na cozinha, onde sentou-se à mesa de jantar.
— Cara, eu sou péssimo com essas coisas! Eu vim até aqui para pedir desculpas e, ao invés disso, estou começando outra briga com você...
— Huh!?
Zen agarrou a mão do homem, puxando-o para baixo enquanto os seus olhos castanhos olhavam para o seu amante de um jeito tão intenso, que fez o outro se arrepiar.
— Eu, realmente, sinto muito.
As bochechas de Takafumi coraram no exato momento em que as palavras de Zen tocaram-lhe os ouvidos. Ele fechou os olhos, juntando as sobrancelhas para após soltar um suspiro pesado.
— Idiota, você não tem motivos para se desculpar. Eu sou o único que deveria fazê-lo! Afinal de contas, esqueci meu próprio aniversário. Esse maldito anime é a única coisa que vem na minha mente. Tudo o que consigo pensar agora é em como posso promovê-lo e ajudar a fazer com que as coisas fluem suavemente à todos...
— Você não pode ser ajudado, huh. É o seu trabalho, depois de tudo.
— Esse é o meu trabalho, no trabalho! Mas quando estou em casa, eu deveria priorizar os meus pensamentos ao invés de deixar que o trabalho invada esse espaço também. Eu... Eu sinto muito! E sinto muito também por ter deixado você sozinho enquanto bebia com o Takano.
— Você não deveria ter que pedir desculpas por sair com um amigo... Eu não posso acreditar que deixei o ciúme obter o melhor de mim outra vez! – Zen apertou levemente a mão de Takafumi, acariciando-a com o polegar enquanto um sorriso enfeitou seus lábios. – Desculpas aceitas!
Takafumi puxou sua mão rapidamente enquanto o vermelhidão de bochechas se alastrava pelo seu rosto até as orelhas. Ele não sabia onde esconder o rosto ao ver o seu próprio reflexo na janela da cozinha.
— O-o que é esse olhar?
Os olhos de Takafumi de repente se arregalaram e sua voz aumentou uma oitava enquanto voltava a olhar para Zen.
— Hiyori! Ela encontrou o bilhete? Eu o deixei no–
— Sim, ela o encontrou. Não esta furiosa nem nada do gênero...
Takafumi suspirou em alívio.
— Na verdade, se não fosse por ela, eu provavelmente não estaria aqui agora. Ela definitivamente puxou a teimosia da mãe.
— Eu não sei nada sobre isso, mas tenho certeza de que a teimosia dela deriva de você!
Eles se entreolharam e simultaneamente caíram na gargalhada. Mesmo que houvessem grandes diferenças entre os dois, eles sempre conseguiam se acertar devido à seriedade que tinham com a sua relação. Esse era apenas o começo da vida à dois.
{Continua...}
Fale com o autor