Notas iniciais
Trago à vocês mais um capítulo dessa fanfic. Espero que gostem e comentem, ok? Agora estou com um pouco mais de tempo e poderei responder os comentários. :-)

Os dias se passaram normalmente. Durante às noites, Takafumi voltava para o seu próprio apartamento ao invés de ir para a casa de Kirishima. Ele estava se afogando em trabalhos, tudo para que o anime fosse um tremendo sucesso e até então não havia tido nenhuma ruptura. Então, para o seu alívio, o sábado finalmente havia chegado! Agora ele teria o tempo de folga que tanto precisava... Ou foi isso o que ele havia pensado.

No relógio, bateu nove horas, e Takafumi se recusou a deixar o conforto de sua cama até mesmo para ir ao banheiro. Ele estava cansado demais para isso e queria muito desfrutar da tranquilidade da manhã. Foi então que seu momento de calmaria e silêncio foi subitamente interrompido pelo som de seu telefone que começou a tocar. Ele rosnou ao ler o identificador de chamadas.

— Você só pode estar brincando comigo! – Foi o que disse Takafumi num tom alterado assim que atendeu a chamada. – O que você quer, Henmi?

O subordinado do outro lado da linha nervosamente informou ao chefe a situação, solicitando que ele participasse de uma reunião no final da tarde. Takafumi esfregou os olhos doloridos, suspirando enquanto concordava antes de desligar na cara do outro. Ele não podia acreditar que ainda vinha mais coisa por aí. Nesse ritmo, ele definitivamente não teria nenhuma folga!

Depois daquela ligação, as horas se passaram muito rápido e Takafumi encontrou-se lutando para se preparar para trabalhar em seu dia de folga. Eventualmente, ele deixou o seu apartamento e chegou a Marukawa cerca de vinte minutos antes do horário programado para o início da reunião. Ele sempre foi assim, pontual até demais.

— Hey, Yokozawa!

Bebendo uma lata de café que havia acabado de comprar na máquina de venda automática, Takafumi virou a cabeça, levantando uma das sobrancelhas ao encontrar Masamune andando pelo corredor em sua direção com a sua própria bebida quente em mãos.

— O que faz aqui, Takano? – Indagou.

— O mesmo que você! Eu não posso acreditar que eles decidiram nos chamar logo hoje para uma reunião, mesmo que estivéssemos presentes aqui em todos os outros dias! – Takano suspirou, encostando-se na parede ao lado de Takafumi. – Eu aposto que você está chateado, não é? Você teve que cancelar todos os seus planos?

— Não exatamente. – Takafumi encolheu os ombros.

Ambos foram surpreendidos ao ouvirem a porta da sala do seminário se abrir e dois homens saírem de lá: o produtor do anime e o mangaká, Ijuuin Kyou. Eles os convidaram para entrar, então Takafumi e Masamune se entreolharam e adentraram a sala arrastando os pés. Takafumi engoliu o último gole de seu café extra forte antes de finalmente se sentar.

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Depois de três longas horas de agonia, a reunião chegou ao fim.

— Que desperdício de tempo! Tudo o que eles fizeram foi repetir as mesmas coisas que haviam nos dito na última reunião! O restante poderia ter esperado até segunda-feira. – Resmungou Takafumi enquanto Masamune assentia, suspirando em frustração.

— Bom, mas pela sua cara de antes, essa reunião não atrapalhou nada importante... – Takano pausou antes de continuar. – Já que você não tem nada planejado, quer beber algo? É por minha conta!

Takafumi piscou algumas vezes. Fazia muito tempo desde a última vez em que havia saído para beber ou fazer qualquer outra coisa com Takano! Ele verificou o seu relógio de pulso, confirmando que ainda era bastante cedo para deixar passar a oportunidade de conversar com um velho amigo, especialmente quando ele estava prestes à ganhar uma bebida de graça.

— Certo. – Respondeu.

Masamune sorriu e então ambos saíram do prédio juntos. Dirigiram-se até o bar mais próximo, onde escolheram uma mesa de canto e pediram duas cervejas e petiscos. De imediato, o clima era desconfortável, já que eles não se falavam direito desde que Takafumi havia confessado seus sentimentos para Masamune que não lhe deu chance alguma, rejeitando-o na hora.

— Então... Como está indo as coisas entre você e o garoto?

— Tudo muito bem, obrigado.

— Desculpe, eu não quero me intrometer em nada.

— Não, está tudo bem. De verdade! Mas eu tenho ouvido alguns rumores sobre você e Kirishima-san...

Os olhos de Takafumi se arregalaram prontamente.

— O-Oh, é mesmo? O que você ouviu?

— Alguma coisa sobre vocês dois terem saído em um monte de bares e restaurantes... E depois há aquela foto que foi enviada pelo escritório inteiro, de você em um avental de bolinhas, cozinhando com a filha dele.

As bochechas de Takafumi avermelharam-se, causando um certo desconforto, mesmo que estas fossem incapazes de serem vistas sob a luz fraca do bar. Ele logo franziu suas sobrancelhas, numa tentativa de disfarçar.

— Exclua essa imagem da sua memória... Agora!

— Não é possível. – Os lábios de Masamune se curvaram em um sorriso. – É muito engraçado! Sem contar que eu ainda a tenho salva no meu telefone...

Cerrando os punhos, Takafumi respirava e inspirava pesadamente, dada a provocação de Masamune.

— Nós... Somos apenas colegas de trabalho. – Sua voz estava num tom bem mais baixo agora.

— Uh-huh. – Foi a resposta que teve de Masamune.

Só a menção do nome de Zen fez Takafumi se lembrar do quanto havia se esforçado apenas para conseguir se encontrar com ele naquele dia. Ele amaldiçoou-se! Seus olhos voltaram-se ao volume em seu bolso e ele acabou se dando conta de que seu telefone ainda estava no modo "reunião", então pediu licença à Takano e levantou-se, indo para um canto menos movimentado. Assim que olhou o visor do telefone, os olhos de Takafumi se arregalaram ao descobrir que tinha quatro chamadas não atendidas de Zen, assim como três mensagens de texto não lidas. Ele rapidamente circulou pelos seus contatos, até encontrar o número de Zen e discá-lo imediatamente.

— Aonde está você? – Indagou a voz impaciente do outro lado da linha.

— "Olá" pra você também.

— Eu não lhe disse para deixar o dia livre hoje?

— Acabei recebendo um telefonema hoje de manhã e tive que vir ao escritório para uma reunião final.

— E onde está você agora?

— Osh, estou bebendo algo com um colega.

Takafumi teve o cuidado de não mencionar o nome de Masamune, pois Kirishima tinha um ciúme absurdo quando se tratava dos dois juntos. Yokozawa sequer podia olhar para Takano em meio à um dos corredores na empresa que já era puxado para alguma sala e pressionado, até dar alguma boa explicação.

— Nossa! Eu só posso comemorar este dia com você uma vez por ano e você está me dispensando?

— Huh?! Mas nós nos vemos todos os dias no trabalho! Qual é o problema?

— Tsc! – Zen suspirou propositalmente. – Bem, se você não se importa, então tudo bem. Faça como quiser. Tchau!

Sem mais nenhuma outra palavra, Zen desligou, não dando chances para que Takafumi pensasse em algo ou respondesse. Ele, por sua vez, devolveu o celular ao bolso da calça e, ainda irritado, voltou à mesa quase ao mesmo tempo em que o garçom chegara, trazendo suas bebidas. Querendo esquecer a conversa com Kirishima, ele pegou a cerveja gelada e a tragou rapidamente. Masamune, ao assistir tal cena, entrou no clima e repetiu o ato do amigo.

— Hey, antes que eu me esqueça... Feliz aniversário!

Takafumi olhou para ele com uma expressão de total confusão.

— O quê?

— Eu disse "feliz aniversário", seu imbecil!

Masamune riu quando Takafumi piscou estupidamente, verificando a data em seu relógio de pulso.

— É sério que você esqueceu do seu próprio aniversário? Por que, diabos, eu estaria pagando suas bebidas, hein? – Takano brincou.

— Ah... Foda-se!

Segurando seu estômago, Masamune riu ainda mais. Já Takafumi pegou-se sentido algo estranho. Agora ele entendia o motivo pelo qual Zen queria tanto que ele deixasse aquele dia livre e também o motivo dele ter agido estranhamente na ligação anterior. Esse era o primeiro aniversário de Takafumi desde que se conheceram e era óbvio que Kirishima iria querer estar com ele. Ele sabia que não podia faltar a reunião para atender o desejo de Zen, mas fundir a reunião com uma bebedeira com um amigo cujo qual ele já tivera sentimentos, fez Takafumi se sentir culpado. Ele bebeu todo o seu copo num único gole, devolvendo o mesmo à mesa antes de levantar de seu assento.

— Aonde você vai?

— Eu havia esquecido que tinha algo muito importante a fazer! Desculpe... E obrigado pela bebida!

Takafumi correu para fora do bar que, por sorte, era próximo à estação de trem. Ele puxou o telefone do bolso novamente, discando o número de Zen, mas não houve resposta. A chamada ia direto para o correio de voz, fazendo Takafumi amaldiçoar o aparelho antes de guardá-lo novamente em seu bolso. Suas pernas chegavam a doer e tremer nervosamente de tão rápido que ele andou para conseguir pegar o trem à tempo. Assim que desceu na sua estação, ele correu o restante do caminho até o apartamento de Zen.

"As luzes estão apagadas?", seu ritmo acelerou quando ele correu através das portas de entrada do edifício, ignorando o elevador e subindo direto pelas escadas de incêndio. Seu coração batia furiosamente em seu peito. Quando chegou à porta do apartamento, ele estava exausto e suado. Foi então que ele começou a bater na porta. Na primeira batida, não obteve resposta, então espiou o horário em seu relógio de pulso. "Hiyori pode estar dormindo", foi o que ele pensou.

Takafumi então lembrou-se da chave extra que Zen havia dado à ele contra a sua vontade. Mesmo que nunca a tivesse usado por achar inconveniente, sempre a carregava consigo. Ele a encaixou na fechadura e girou a maçaneta, fazendo com que a porta se abrisse para então adentrar o apartamento, fechando a porta atrás de si enquanto retirava seu sapato. Assim que virou no corredor que dava para a sala de estar, deu pulo ao ver a silhueta do homem contra a parede de cor creme.

— Merda! Não me assuste desse jeito!

— O que você está fazendo aqui?

O tom hostil de Zen pegou Takafumi de surpresa por um momento. Ele abriu a boca para responder, mas Zen o cortou, prosseguindo sua fala.

— O bolo esta na geladeira.

— O quê?

— Hiyori fez um bolo, mas ficou tarde demais para ela esperar, então a coloquei na cama.

Takafumi sentiu o estômago revirar-se em culpa, então limpou o suor da testa com a manga da camisa.

— Olha, eu fui chamado para uma reunião esta tarde e não sai antes das sete!

Os olhos de Zen se estreitaram.

— Já se passaram das nove horas. O que você estava fazendo antes?

Takafumi beliscou a ponte de seu nariz.

— Eu te disse no telefone, saí para beber com um colega.

— Com o Takano?

O temperamento de Takafumi estalou; a falta de sono e o álcool correndo em seu sistema levavam a melhor sobre ele.

— E se fosse?

Zen respirou profundamente enquanto se levantava do sofá com uma garrafa de cerveja na mão.

— Eu espero que você tenha se divertido. Estou indo para a cama.

Ele cambaleou para o seu quarto, batendo a porta atrás de si. Takafumi fez uma careta e mordeu o interior de sua bochecha.

— Esse idiota bêbado! Ele não ouviu nenhuma palavra do que eu disse, aposto! O que eu devo fazer em relação à Hiyori? Ela se esforçou para fazer um bolo pra mim...

Takafumi escreveu um bilhete de desculpas e deixou sobre o balcão da cozinha para Hiyori, perto da fruteira, já que a garota sempre comia uma fruta de manhã, então seria fácil de encontrar. Logo depois, ele foi até a geladeira para pegar uma fatia de bolo. Ele o comeu no escuro, lavou seu prato e talher e foi pra casa.

{Continua...}

Notas finais
É isso! Comentem!