Parte 1.

— Isso conclui a nossa reunião de hoje. Obrigado à todos por seu trabalho duro!

Foi o que disse Takafumi ao se levantar, despedindo-se enquanto curvava seu corpo levemente. Assim que todos saíram da sala, ele massageou as têmporas e logo retirou-se também, carregando uma pequena pilha de papéis debaixo do braço. Com o recente anuncio de que o mangá popular Za Kaan iria ganhar uma série de anime, a equipe Marukawa Shouten estava sob uma pressão imensa.

"Eu realmente mal posso esperar que tudo isso acabe de uma vez!", pensou Takafumi para após suspirar em cansaço enquanto sentava em sua mesa. Esfregou os olhos e logo assustou-se quando sentiu uma mão leve pousar sobre seu ombro. Voltou-se rapidamente ao homem em pé, que ria divertidamente.

— Whoa! Calma, é apenas eu! – Zen levantou as mãos em sinal de rendição.

— Desculpe. Tenho estado tão ocupado com este maldito anime que sequer consigo me concentrar em qualquer outra coisa! Mas, espere, o que você está fazendo aqui? Este não é o seu departamento!

— Eu percebi o quão estressado você estava nas reuniões, então pensei em vir aqui, ver como você está. O stress pode não fazer bem ao seu belo rosto. – Zen voltou a rir-se ao ver a expressão carrancuda que lhe encarava.

Takafumi girou em sua cadeira para olhá-lo de frente.

— Obrigado, mas se as pessoas nos verem tão próximos, irão brotar muitos rumores de que nos damos bem. Então apenas se apresse e vá logo para o seu departamento!

— Tsc, não seja tão paranoico! Nós podemos ser amigos no escritório. Mesmo que – ele se inclinou ao lado de Takafumi e sussurrou em seu ouvido – também sejamos amantes.

Os olhos de Takafumi abriram-se em espanto enquanto o sangue subira a sua cabeça, fazendo o seu rosto ficar extremamente vermelho. Seus ouvidos ainda não estavam acostumados à serem violados pela conversa fresca de Zen, principalmente no trabalho. Zen agora havia desaparecido tão rapidamente como tinha aparecido, deixando os pensamentos de Takafumi em completa confusão. Uma batida na porta o pegou desprevenido, fazendo quase saltar da cadeira.

— O que–

Seu colega de trabalho enfiou a cabeça pela porta, fitando-o de forma hesitante.

— U-uhn, Eu... Eu tenho a papelada que você queria, Yokozawa-san! – Foi o que disse Henmi, com voz trêmula.

— Oh, é só você, Henmi! – Ditou Takafumi com ar aliviado. – Eu pensei que você fosse outra pessoa, desculpe.

Henmi, um pouco confuso, passou os papéis para Takafumi antes de fugir de seu escritório. Takafumi não era uma pessoa com ar simpático, estava sempre sério e mesmo quando tentava descontrair, parecia realmente estranho. Ele sempre foi conhecido por sua intolerância e por ser bastante severo com sua equipe. Não admitia que seus subordinados faltassem em algo ou falhassem em algum trabalho. Mesmo que isso fosse um incomodo, dava certo e fazia o setor de vendas, um dos mais bem organizados da empresa, o que sempre foi um motivo de orgulho para ele.

E foi exatamente neste ritmo, que o dia se arrastava. Takafumi encontrou-se oprimido pelo seu trabalho. Não importava o quanto ele fizesse, sempre havia mais esperando logo ao lado. Foi então que ele olhou para o relógio e suspirou. "É melhor ligar para Kirishima e avisá-lo de que não irei jantar hoje. Pelo que conheço do sujeito, deve estar esperando por mim na estação.", pensou ele enquanto puxava o seu telefone móvel do bolso, discando o número de Zen. Dentro de alguns toques, ele atendeu.

— Yokozawa, estou realmente feliz que você tenha ligado. Eu tenho um problema!

— Pois eu também tenho um! Não conseguirei concluir isso tudo até o fim do expediente, então não vou conseguir ir a tempo de jantar com você.

— Oh, você tem certeza?

— Tenho, sim. Eu vou voltar para casa e comprar alguma coisa no caminho.

Zen suspirou ao telefone. Mesmo que ele não fosse um grande exemplo culinário, ele entendia que viver alimentando-se apenas de besteiras compradas em lojinhas de esquinas, não era bom para a saúde. Inclusive, já houve vezes em que ficou de cama por este motivo. Mas não havia jeito! Quando Yokozawa começava a fazer algo, ele não parava até finalizar.

— Hm, eu entendo.

— Ok, então. Eu te vejo amanhã-

— Espere! E o meu problema? – Interrompeu Zen.

— O que foi?

— Estou na padaria agora e não sei o que devo comprar para Hiyori. Bolo de canela ou Macarons*... O que você acha?

Takafumi beliscou a ponta de seu nariz. Ele achava incrível o fato de, mesmo não convivendo com a garota a longo prazo, a conhecer bem melhor do que o seu próprio pai!

— Tsc, você é um idiota, por acaso!? Não, a Hiyori não gosta de canela!

— Oh, sério? Macarons, então! Você é um gênio!

— Era só isso?

— Não, tem mais uma coisa... Você tem algo planejado para o sábado?

— Por quê?

Takafumi levantou uma das sobrancelhas. Normalmente ele passava os sábados na casa de Kirishima, eles sempre aproveitavam o dia para beber. Por que ele ainda pergunta? "Idiota", concluiu.

— Ah, bom... Por nenhuma razão.

— Espere , o que você–

— Desculpe, tenho que ir. Até!

Zen desligou, deixando Takafumi completamente desnorteado e confuso. Ele balançou a cabeça e decidiu que iria apenas perguntar sobre isso mais tarde. Agora, o trabalho era mais importante e não havia tempo para deixar sua mente vagar por causa daquele homem. Seu computador soou, avisando que havia chego um novo e-mail e imediatamente a sua atenção se voltou à ele.

Na casa de Kirishima.

— Hey, Hiyori, Tadaima*!

Zen deslizou seus sapatos no genkan* e pendurou o seu casaco enquanto podia ouvir os passos rápidos de Hiyori, que veio cumprimentá-lo com um sorriso caloroso.

— Papa, Okaeri*!

Kirishima sorriu de volta, tratando de acariciar os cabelos bagunçados da garota. Eles seguiram a rotina habitual, perguntando um ao outro como havia sido o seu dia de trabalho/escola, antes de Zen finalmente entregar o saco de doces para a garota, que agradeceu-lhe alegremente.

— Obrigada, Papa! E o Onii-chan? O que ele disse? Ele virá no sábado?

Zen assentiu enquanto se dirigia para a cozinha, onde abriu a geladeira e pescou uma lata de cerveja na mesma.

— Lembre-se, é uma surpresa, Hiyori! Então você tem que manter em segredo.

Ele piscou para a filha, que, por sua vez, riu para si mesma, colocando o dedo indicador em frente aos lábios em sinal de silêncio.

— Eu sei, Papa.

Zen riu com o ato da garotinha e logo abriu a sua cerveja, tomando um longo gole da mesma. Por um momento, fitou a parede a sua frente, desapontado pelo fato de não poder apreciá-la na companhia de Takafumi. Beber com o sujeito já havia se tornado um hábito, fazê-lo sem que ele estivesse junto, passou a ser estranho. Era quase como se não tivesse o mesmo sabor. Logo ele foi acordado de seus pensamentos pela voz da menina.

— Que tipo de bolo você acha que o Onii-chan gostaria, Papa? Baunilha, chocolate, morango... ? Talvez eu devesse fazer um bolo com morangos entre as camadas? O que você acha?

— Tenho certeza que ele vai gostar de qualquer um, desde que este seja feito por você!

As bochechas da pequenina coraram e ela assentiu. Nesses momentos, ambos sentiam-se completamente em família. Já fazia algum tempo desde que Yokozawa havia se tornado parte dos planos, tanto de Hiyori, quanto de Kirishima. E isso era ótimo! Zen mal podia esperar pelo sábado.

{Continua...}

Notas finais
É isso, pessoal! Espero que alguém leia e, de preferência, comente! HEHE            Vejo vocês no próximo capítulo. E aqui esta o "dicionário":            Macarons = São doces franceses. Tadaima = Expressão usada por alguém que esta chegando à casa. Okaeri = Expressão usada como resposta de alguém que já estava em casa referindo-se à quem chega. Genkan = Em casas tradicionais japonesas, é um espaço um degrau abaixo da entrada, feito especialmente para deixar os sapatos assim que chega.