Yesterdays
2 Capítulo 2 - It's So Easy and Other Lies
Notas iniciais
Acordei assustada, sem fazer a mínima idéia de onde estava. Tentei me levantar, mas minha cabeça latejava de dor, então decidi continuar deitada. Não lembrava de nada do que havia acontecido, e nem do que me trouxera ali. Tentava forçar minha mente a funcionar, mas eu estava tonta demais para fazer qualquer coisa.
Súbito, senti falta de algo, mas não conseguia saber do quê. Logo percebi que estava sem roupas. Olhei para o lado, e vi o Josh, dormindo. Droga. Instantaneamente, todo o quebra-cabeça da noite passada se formou em minha mente, e eu me levantei em um salto, assustada. Então eu havia passada a noite com o Josh, enquanto estava bêbada.
Percebi que ele estava acordando, então corri para o banheiro e tranquei a porta. Mas afinal, do que eu estava fugindo? Não havia modos de desfazer o que tinha acontecido na noite passada, e me esconder de Josh não iria resolver nada. Mesmo assim, resolvi ficar ali e tomar um banho, até porque minha cabeça estava a ponto de explodir.
Liguei a ducha, e a água gelada caiu sobre o meu corpo, aliviando toda a tensão e me fazendo esquecer momentaneamente de todos os problemas que eu havia adquirido. Mas eu não podia fugir da realidade, por mais que eu não quisesse enfrentá-la. Então, terminei meu banho, me vesti e voltei para o quarto, onde Josh me esperava, também já vestido.
Ele me puxou pela cintura para um beijo, mas eu me afastei, o que realmente o deixou atordoado. Ele me fitou, esperando por uma explicação, então me sentei na cama e comecei a descarregar tudo o que estava se passando em minha mente.
- Olha, Josh... o que aconteceu entre nós foi um erro, um grande erro, por sinal. Eu não queria ter feito aquilo, mas eu estava bêbada, então me deixei levar. – suspirei – Me desculpa por isso, Josh, mesmo...
- Então, você não queria transar comigo, Sophie? – ele falava, passando da incredulidade para a raiva – Ótimo, porque eu sempre pensei que você quisesse fazer isso comigo. Então era tudo coisa da minha cabeça, sei lá, que você gostava de mim?
- Tudo bem, eu estava gostando mesmo de você na época em que nos conhecemos – respondi, já começando a perder a calma – mas aí você me arrastar para o quarto e me comer como se eu fosse uma vadia qualquer, já é demais!
- Certo, então eu fiz aquilo sozinho? Você poderia ter continuado na festa, mas não, você subiu comigo! Por vontade própria!
- Porra, eu estava bêbada! – gritei, já sem nenhum resquício de calma.
- Sophie, para de fazer drama, pelo amor de deus! Você está parecendo uma santa purista, ou sei lá o quê. Foi só sexo!
- Só sexo? Eu era virgem, porra! – falei por impulso, logo me arrependendo mortalmente de ter abrido a boca.
Fez-se um silêncio constrangedor no quarto, até eu sentir as malditas lágrimas caindo pela minha face. Droga, Sophie, você não poderia se controlar? – me auto-repreendi, sentindo mais raiva de mim mesma do que do próprio Josh.
Inesperadamente, ele se aproximou de mim e me abraçou, limpando as lágrimas do meu rosto. Eu não sabia o que fazer, então simplesmente saí correndo dali e desci escada abaixo. Estava alcançando a porta de entrada, quando ouvi uma voz feminina chamando pelo meu nome. Merda, era a Julie.
- Sophie, o que você ainda está fazendo aqui? – ela perguntou, surpresa, enquanto guardava copos, restos de comida e garrafas quebradas que encontrava pelo chão em um saco de lixo. – Você...você passou a noite aqui!?
- Ahn... digamos que sim – respondi à contragosto.
- Ai meu deus, Sophie, me conte tudo! – ela falava, animada, só depois percebendo que eu não estava confortável com a situação, passando assim a um tom de preocupação – amiga, o que houve? Você está bem?
- Eu estava bêbada, Julie, é isso. E foi com o Josh, se você quiser saber.
- Ah, amiga... – ela largou o saco de lixo e veio me abraçar.
Retribuí o abraço com força, tentando conter as lágrimas que insistiam em aparecer. Por fim, ela me soltou, e eu caminhei em direção à porta.
- Preciso ir para casa, Julie. Provavelmente minha mãe vai me esfolar viva por eu ter passado a noite fora de casa, então tenho que me preparar para o castigo eterno.
- Tchau, Sophie. E vê se fica bem, tá?
Assenti, saindo da casa dela e me preparando para percorrer a distância que a separava da minha casa.
* * * * * * * * *
Cheguei em casa por volta do meio-dia, já preparada para uma bronca interminável da minha mãe e meses de castigo. Eu mal podia saber que o que me esperava era muito, muito pior.
Relutante, eu abri a porta, e fiquei surpresa ao encontrar a sala vazia. Estranho – pensei. Afinal, eu esperava que minha mãe já estivesse me esperando na entrada, pronta para arrancar meu fígado. Procurei-a, então, em todos os outros cômodos, mas não encontrei ninguém. Nem mesmo o Dave estava em casa.
De repente, ouvi o barulho da porta se abrindo, Corri até a sala, onde encontrei meu padrasto me encarando com um olhar assassino.
- O que você está fazendo aqui, sua vadia? – ele gritou, e eu pude ver a raiva estampada em seus olhos.
- Dave, o que está acontecendo? Cadê a minha mãe? – perguntei, assustada.
- Cadê sua mãe? – ele vociferou, em um tom de ironia – Então quer dizer que agora você se importa com ela? Justamente agora, que já é tarde, você se importa com ela?
- Dave, por favor, me explique o que está acontecendo! — pedi, sendo consumida pelo medo, e já sentindo uma pontada de desespero.
- Então a vadiazinha quer explicações! Pois bem, vamos às explicações – ele falava, em um tom de voz extremamente calmo, o que aumentou meu medo – Ontem à noite, enquanto você estava em sua festinha, sua mãe achou heroína e algumas seringas no porão. Resolvemos esperar você chegarem casa para que pudesse esclarecer os fatos para nós, mas, é claro, a putinha não apareceu.
- Heei, quem você pensa que é para falar comigo desse jeito? – explodi por um momento, logo depois me calando, ao perceber o olhar ameaçador que o Dave me lançava.
- Então, sua mãe ficou desesperada com o sumiço da maldita filhinha — ele continuou, como se não tivesse sido interrompido – Eu resolvi sair para te procurar, no caso de você estar se drogando em alguma sarjeta, mas é claro que eu não te encontrei.
- Eu não estava me drogando, Dave! – o interrompi novamente, numa tentativa de acalmá-lo – Eu ainda estava na casa da Julie!
- E o que você ficou fazendo na casa da sua amiguinha a madrugada inteira, sua vadia? – Dave perguntou, e eu congelei. Quando finalmente decidi respondê-lo, ele me calou – Não, sua vagabunda, não fale nada. Eu realmente não preciso saber dos detalhes das suas orgias.
Sem dizer mais nada, ele saiu da sala. Respirei aliviada, me jogando no sofá. Fiquei ali por um tempo, somente pensando em tudo o que havia acontecido desde o meu regresso da clínica. Realmente, minha situação não poderia estar pior. Pelo menos, era o que eu pensava.
Súbito, lembrei de um detalhe naquela história toda: onde estava minha mãe?
Infelizmente, a única forma de obter a resposta era perguntando ao Dave. Contrariada, decidi procurá-lo pela casa. Acabei por encontrá-lo na adega, bebendo um Red Label direto da garrafa. Me aproximei dele, cautelosamente.
- Dave, onde a minha mãe está? – pedi, com um quê de desespero na voz.
- No hospital – ele respondeu, com a voz arrastada que os bêbados costumam ter.
- O quê? – surtei – Como ela foi parar lá?
- Ela injetou toda aquela heroína na veia. Você entende? Ela tentou se suicidar.
- Meu deus, tinha muita heroína lá! Ela poderia ter morrido!
Ele ia falar algo, quando o telefone começou a tocar. Fiz menção de ir atender, mas ele me empurrou e seguiu cambaleando até a sala. Após alguns instantes, pude ouvir os gritos do meu padrasto.
Assustada, decidi procurá-lo para ver o que havia acontecido. Encontrei-o de pé ao lado do telefone, praticamente à beira de um ataque cardíaco. Quando ele me viu, correu até mim e me agarrou pelos pulsos.
- Dave, você está me machucado! – protestei.
- Sua mãe não resistiu! – ele gritava, com os olhos saltados — Você ouviu? Ela morreu! Sua assassina!
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