Yesterdays
1 Capítulo 1 - Mr. Brownstone
Notas iniciais
Eu sempre considerei o início de um texto a sua parte mais difícil, porque eu realmente não sei como iniciá-los. Provavelmente, esse é só um reflexo da minha personalidade, já que fico retraída, involuntariamente, toda a vez que conheço alguém. Sim, é isso mesmo, eu não sei como começar um relacionamento, seja ele de amizade ou o que quer que for. E esse é o exato motivo de eu ter apenas um pequeno círculo de amigos, e também de não ser muito popular. Não, eu não sou uma nerd, apesar de sempre ter recebido notas regulares, e não sofro bulling. Também não sou tímida ao extremo. Aliás, sou exatamente ao contrário quando estou com meus amigos. O meu problema é somente com novas amizades, pois eu simplesmente travo, fico sem saber o que fazer quando conheço alguém novo.
Pronto, esqueci de me apresentar. Mais uma característica minha: quando começo a falar, não paro mais, e acabo perdendo o foco da conversa. Bem, vamos logo às apresentações. Meu nome é Sophie, tenho 16 anos e moro com minha mãe e meu padrasto, o Dave. O cara é um mala, eu o odeio, mas ele faz minha mãe feliz, e é isso que importa. Até porque ela já sofreu demais pela morte do meu pai, quando eu tinha cinco anos, e por ter que me criar sozinha.
Eu não lembro de muita coisa sobre meu pai, mas eu o amava, e tenho certeza de que ele me amava também. Quando tento lembrar dele, só consigo ver momentos felizes. Provavelmente, aquela foi a melhor época da minha vida. Não que a minha vida seja ruim, eu não tenho muito de que reclamar, mas tenho meus problemas, assim como todo mundo.
Certo, vamos aos fatos. Começarei então pela origem de todos os problemas, de todo o drama familiar, de todas as intermináveis discussões com minha mãe, que foram causados exatamente por mim. É claro que eu não me sinto orgulhosa de dizer isso, nem de ter feito tudo o que fiz, mas também acho que minha mãe e o Dave exageraram um pouco quando decidiram me obrigar a me tratar. Eu realmente conseguia controlar meu vício, não precisava de ajuda, mas eles não se importaram com meus protestos e me mandaram para uma clínica de reabilitação nas férias de verão. Sim, eu estava me drogando. Mais especificamente, estava usando heroína. E como já disse, eu não tinha problemas com esse vício, podia ficar dias sem injetá-la e continuar bem. Mas é claro que minha mãe não se importou com isso, até porque ela era daquele tipo de mãe super preocupada. Pelo menos, ela não sabia que eu estava bebendo, o que já era um peso a menos para mim.
Eu comecei a usar heroína aos 15 anos, em uma festa na casa de uma colega minha, a Carlie. Eu não era muito amiga dela, mas ela convidou a turma inteira, então eu fui. Naquela época, eu estava muito afim de um garoto chamado Josh, que era amigo de um amigo meu. Bom, ele foi àquela festa, e me ofereceu uma seringa. Eu não sabia como recusar – de novo, meu maldito defeito de travar quando conheço alguém novo – e acabei aceitando. E eu me senti bem, sabe? Na verdade, foi uma das melhores sensações de toda a minha vida.
Desse dia em diante, eu fui usando a heroína regularmente, e acabei me tornando amiga de Josh, já que era ele quem me fornecia a droga. Foi ele também quem me apresentou à bebida e aos cigarros convencionais, fazendo com que eu me tornasse uma usuária freqüente de ambos.
Até aí, estava tudo bem. O pesadelo realmente começou quando Dave revistou minha bolsa e achou uma seringa, depois de eu ter chegado em casa um pouco bêbada, sendo que tinha dito que iria à casa de uma amiga. E é claro que ele contou para a minha mãe, que decidiu me internar.
No dia seguinte ao término das aulas, minha mãe me levou de carro até a clínica de reabilitação, que ficava a alguns quilômetros de Bakersfield, a cidade californiana onde eu morava. Levava comigo apenas uma mala com roupas e objetos de necessidade básica, já que quase tudo era proibido naquela maldita clínica. Chegando lá, passei por uma revista, para garantirem que eu não levaria drogas comigo, e fui levada até um pequeno quarto, que seria meu durante os dois meses que eu passaria lá.
Todos os dias, eu tinha que acordar cedo para participar das reuniões entre os pacientes, e passava o resto do dia no meu quarto, como exigiam as regras da clínica. Essa rotina monótona e irritante se repetiu por um longo tempo, até que eu finalmente pude sair daquela maldita clínica.
Minha mãe veio me buscar, e tentava conversar animadamente comigo, mas eu ainda estava com muita raiva dela, por ela ter me deixado naquele buraco durante minhas férias inteiras. Então, simplesmente entrei no carro sem dizer uma palavra. Assim seguimos por boa parte do caminho de volta para casa, até que ela decidiu saber dos meus progressos na clínica. Eu respondi que estava bem, limpa, e me calei novamente. Na verdade, eu não me sentia diferente de antes da internação, afinal, eu sempre soube controlar meu vício. Mas minha mãe não acreditava nisso, então me fez desperdiçar dois meses da minha vida naquele lugar infernal.
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Chegamos em casa. Eu não fazia idéia de como seria bom voltar para minha casa, apesar de que qualquer coisa seria melhor do que aquela clínica. Mas era realmente confortante estar em casa, sabe? Coloquei minha mala em um canto, e me joguei no sofá. Logo, o telefone começou a tocar. Eu sempre achei aquele toque extremamente irritante, mas até ele me agradava no momento. Atendi ao telefone, e fiquei surpresa em saber que era Julie quem estava do outro lado da linha. Ela era minha amiga desde criança, e foi a única que soube onde eu realmente passei minhas férias. Para os outros, eu havia ido para New York em uma viagem promocional.
Bem, ela estava me convidando para uma festa na casa dela, à noite. E por que não ir? Tudo bem, a última festa teve efeitos de certo modo desastrosos na minha vida, mas eu tomaria mais cuidado desta vez. Confirmei minha presença, e subi para me arrumar.
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Anoitecia, e eu estava pronta para ir à festa. Usava um vestido preto drapeado, saltos altos e uma maquiagem dark, que contrastava completamente com meus cabelos loiros. Esperava pela minha carona, que chegaria a qualquer momento. Por fim, os pais da Debra chegaram para me buscar, e seguimos para a festa.
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A casa da Julie estava realmente irreconhecível. Ela estava decorada por inteiro, o ambiente estava escuro e a música estava num volume extremamente alto. A noite seria boa, ao que parecia. Busquei uma bebida, e fui dançar, permanecendo nesse ciclo vicioso. Logo, eu já estava bêbada o suficiente para não responder pelos meus atos.
Decidi ir à varanda, para tomar um ar. Estava passando pelo corredor, quando alguém me agarrou pela cintura e me puxou para si. Demorei um pouco para perceber que era o Josh. Isso me deixou realmente confusa, já que eu nunca pensei que ele quisesse mais do que amizade comigo. Minha mente demorava para processar tudo o que acontecia, e quando me dei conta, ele estava subindo as escadas e me levando consigo. Entramos em um quarto vazio, e ele me jogou na cama. Foi aí que eu percebi que ele não estava bêbado, e que ele realmente me desejava. Ele tirou meu vestido de um modo delicado, mas com certa urgência, enquanto eu o ajudava a tirar a camisa. Em pouco tempo, todas as nossas roupas estavam jogadas ao lado da cama, e ele começou a penetrar em mim com cuidado, me perguntando se estava doendo demais, ou se eu estava gostando daquilo. Pedi para que ele continuasse, e a dor foi passando aos poucos, dando lugar a uma nova sensação de prazer. Em pouco tempo, chegamos ao ápice juntos. Nos deitamos, ofegantes, e ele me envolveu em um abraço. Ficamos somente assim, abraçados, até eu finalmente pegar no sono.
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