Yes, My Lady.
24 Capítulo XXIV - As circunstâncias estavam tão óbvias
Notas iniciais
~ ~ Ciel POV ~ ~
– Se eu a vi? Não é óbvio? – perguntei para a mulher que estava em minha frente e soltei uma leve risada — Poderia me ajudar novamente, não é?
– O-o quê quer que eu faça? – a mulher perguntou, enquanto eu passava as minhas mãos pela sua cintura.
– Me ajude, tente enganá-la. Para você deve ser fácil, afinal conviveu com ela por todos esses anos, apenas se passando por uma cozinheira... Como Louise não descobriu que você é a mãe dela? Estava tão na cara.
~ ~ Ciel POV off ~ ~
Louise acordou com a claridade que invadia o cômodo. A mesma abriu os olhos com certa dificuldade e incômodo com aquela luz.
Espera... Luz?!
A dama não conseguia se lembrar do quê havia acontecido na manhã anterior, se lembrava apenas da ida de Undertaker até o quarto em que estava hospedada, acompanhado por sua antiga professora de canto. Mas bem, o quê importava? A mesma estava enxergando novamente.
Rapidamente Louise se trocou, procurando colocar um de seus maiores casados. Só de apenas olhar pela janela, pôde perceber que o dia seria frio e, talvez longo. Depois de estar pronta, caminhou até a mesa que havia no quarto e pegou um pequeno pedaço de pergaminho. No mesmo minuto tentou achar alguma pena, pegando a primeira que via pela frente.
Louise pôs-se a escrever, sem hesitar colocava tudo naquele pequeno pedaço de papel. Já que tinha como objetivo queimá-lo após terminar.
– Bom dia madame. – falou Sebastian, entrando no quarto.
– N-não pode nem ao menos bater?! – perguntou Louise, dobrando rapidamente o papel e o socando dentro de uma gaveta. Se o mordomo tivesse uma pequena ideia do quê havia naquele papel, não seria nada legal. Não para Louise.
– Perdão. – sorriu Sebastian, ao ver o nervosismo da menor. Logo fez uma reverência.
– Do quê está sorrindo?
– “E se eu estivesse me trocando?” A senhorita deve estar pensando em dizer isso. E eu responderia que, — Sebastian se aproximou – seria um prazer ajudá-la. Por falar nisso, a senhorita está ainda mais bonita hoje.
Louise o encarou, enquanto o mesmo aproximava os seus lábios dos dela. A menor virou o rosto, deixando o mordomo confuso. Logo levantou uma das mangas de seu casaco, mostrando ao mordomo o grande corte em seu pulso. Então a maldição não tinha sido totalmente anulada.
– Ah, isso... – bufou Sebastian – Posso dizer que Undertaker ajudou em boa parte, mas sobre isso, me desculpe. Realmente não tem o quê fazer a respeito. – o demônio segurou o pulso da mesma com delicadeza, dando um leve beijo no lugar do ferimento – A senhorita não pôde desfrutar das belezas de Periguéux, que tal darmos um passeio matinal?
A dama concordou com a cabeça, enquanto pegava a mão do mordomo. Sebastian olhou para a mesma, a dama por sua vez apenas virou o rosto, corada. O maior sorriu e então os dois caminharam para fora da pousada.
...
– Bem, já está na hora de você sair, não acha? – perguntou Ciel, bebendo mais uma taça de vinho.
– Sim, já estou indo. – respondeu a mulher, se retirando do cômodo.
Ótimo... Agora é só arrastar a Louise até aqui.
A mulher saiu da mansão do demônio-humano e foi em direção a Praça Central. O problema era: Onde essa pirralha deve estar? Se o Ciel acha tão fácil encontrá-la, por que não vem ele mesmo? Argh... O quê não fazemos por alguém que amamos?!
Por um segundo, a mulher pensava que já a tinha encontrado, mas logo percebeu que estava certa, já que viu de relance Sebastian dentro de um restaurante, o mesmo carregava duas xícaras de chá. Era mais do quê óbvio que aquelas duas xícaras eram para ele e para mais alguém. E quem seria essa pessoa? Louise Phantomhive.
O difícil seria encontrar uma brecha para conseguir falar com ela.
...
– Esse chá está muito bom... – comentou Louise, saboreando o chá e olhando a vista privilegiada que tinha naquela varanda.
– Bem... Mas duvido que seja tão bom quanto o meu. – falou Sebastian, olhando para a xícara em suas mãos. Deu um pequeno gole e então olhou para Louise – O quê a senhorita acha?
– Hm... Posso dizer que esse é melhor.
O mordomo parecia com raiva, curvando a cabeça e balançando a mesma negativamente.
– Não acredito... Com certeza devo melhorar as minhas habilidades culinárias. Me desc...
– Eu estava brincando, Sebastian. – Louise sorriu, ao ver a expressão do mordomo – Nada se compara ao seu chá, porém esse daqui é quase tão bom quanto.
– Ufa... – suspirou Sebastian, colocando uma das mechas de seu cabelo atrás da orelha – A senhorita deseja algo de sobremesa?
– Um pedaço de torta de morango. Não demore. – completou a dama.
– Yes, my Lady. – respondeu Sebastian fazendo uma reverência.
Louise estava tão concentrada em seu chá que nem percebeu o momento em que uma figura sentou-se em sua frente. Ao colocar a pequena xícara no pires, se assustou ao ver quem era.
– Ma-Mary?! – perguntou Louise, se engasgando com o chá.
~ ~ Louise POV ~ ~
– Ma-Mary?! — perguntei,me engasgando com o chá. O quê diabos essa mulher está fazendo aqui?
Pensei em chamar meu mordomo, mas Mary me encarava profundamente. Como se dissesse para eu não fazer aquilo.
– Para quê tanta surpresa? – Mary sorriu de lado – Não sou um fantasma.
– O quê faz aqui? Sua presença não é bem-vinda.
– Eu entendo que não queira mais me ver. Porém o seu assunto não é comigo, é com o seu pai.
Gargalhei alto.
– Meu pai?! Quer mesmo que eu acredite em você? Não te vejo desde que tentou me matar. Provavelmente quer me arrastar para um local e tentar acabar o quê tinha começado.
– Seu verdadeiro pai quer vê-la. O Ciel quer vê-la.
Engoli em seco. Como aquela bastarda sabia disso?!
Espera... Como fui idiota!
Flashback ~
“– Estava a procura disso? – Louise perguntou em alto e bom som, fazendo Mary voltar para o quarto. A mesma olhou para o acessório na mão de Louise. O anel que havia ganhado de Sebastian.
– Onde conseguiu isso? – Mary perguntou, arregalando os olhos.
– Isso é importante para você? Te lembra algo? – Louise a testou.
– Quem te deu isso? Ou onde conseguiu isso?
– Chega! – Louise falou alto – Responda as minhas perguntas primeiro! Você não é ninguém para me perguntar sobre os meus pertences! – Mary se encolheu.” [Cap. 3]
O anel com uma grande pedra azul... Sebastian entregou-o para mim como presente de aniversário. Só depois de um tempo pude descobrir que esse mesmo anel pertencia ao Ciel. Então Mary deve conhecê-lo?! Já que, ficou tão espantada ao me ver com ele...
“– Madame, seu jantar já está pronto. – anunciou Mary
– Onde o Sebastian está? – perguntou Louise quando Mary a serviu.
– Ele está lá no jardim, arrumando um problema que Robert começou. Mas, pode ficar tranquila, o problema já está quase resolvido, enquanto ele não se resolve totalmente, por que a senhoria não saboreia a deliciosa sopa que eu fiz? É uma receita de família.
A dama pegou uma pequena quantidade de sopa na colher e levou-a até a boca. Ela estava estranhando um pouco o comportamento de sua cozinheira. Após a quarta colher, Louise sentiu um gosto bem amargo em sua boca e sua garganta começou a coçar.
– Mary... – Louise falou com dificuldade, colocando a mão no pescoço – O que tem nessa sopa?
– É uma sopa de alho poro e cogumelos em conserva, por quê? Não está ao seu agrado?
– Cogumelos? – Louise tentou gritar, mas não conseguia, ela finalmente percebeu que estava tendo uma reação alérgica, então ela apenas murmurou – Eu sou alérgica! – a mesma acabou caindo da cadeira e com as duas mãos no pescoço, tossindo desesperadamente.
– Ah, que pena. – falou Mary a observando de cima – Isso quer dizer que você não ficará para a sobremesa? – a cozinheira deu uma risada maligna, olhando a pequena Phantomhive se debatendo no chão.
– Se-Sebast... – ela sussurrou para si mesma, na expectativa de que ele a escutasse. Então ela parou de tentar se debater e tirou as mãos de seu pescoço, desistindo de fazer qualquer coisa. Suas forças tinham acabado; seus olhos foram se fechando lentamente. [Cap. 3]”
Bem... Ela tentou me matar e eu não deveria ter me esquecido disso tão facilmente.
“– Deixe-me explicar... – foi a vez de Arthuro falar. Senti vontade de vomitar ao olhar para o mesmo – Há muitos anos atrás, eu, Claude e Jeremy a sequestramos pelo pedido de sua mãe. Sua mãe biológica, que tanto a odeia. Ela mesma pediu que a vendêssemos e que a fizéssemos sofrer muito. Tudo o que ocorreu com você foi a pedido dela. Não acharia estranho se a mesma tentasse te matar. [Cap. 17]”
Não acharia estranho se a mesma tentasse te matar.
Não acharia estranho se a mesma tentasse te matar.
Não acharia estranho se a mesma tentasse te matar.
– Não era nem para você ter nascido, para começar. (Mary, capítulo 11)
Como fui idiota! As circunstâncias estavam tão óbvias! Como é que não pude perceber?! Era tão óbvio... Mas como diabos... Ma-Mary é a minha mãe biológica?! Essa cozinheira...?
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