Yes, My Lady.
25 Capítulo XXV - Quem seria o primeiro convidado?
Notas iniciais
– Eu entendo que não queira mais me ver. Porém o seu assunto não é comigo, é com o seu pai.
Gargalhei alto.
– Meu pai?! Quer mesmo que eu acredite em você? Não te vejo desde que tentou me matar. Provavelmente quer me arrastar para um local e tentar acabar o quê tinha começado.
– Seu verdadeiro pai quer vê-la. O Ciel quer vê-la.
Engoli em seco. Como aquela bastarda sabia disso?!
Era tão óbvio... Mas como diabos... Ma-Mary é a minha mãe biológica?! Essa cozinheira...?
~ ~ Louise POV ~ ~
– E por que ele mesmo não veio? – perguntei, ainda hesitava um pouco.
– Você ainda pergunta? – Mary virou o pescoço em direção ao interior do restaurante – Sebastian era... Ou ainda é. Não sei bem, mas ele era mordomo do Ciel.
Respirei fundo. Nada que eu não saiba, mas isso não seria um motivo para ele não comparecer ao restaurante.
– Você age como se não ligasse. Mas bem... Pense comigo: Um garoto indefeso. Um pacto com um demônio em busca de vingança. Sua vingança é completa. Sebastian fica incapacitado de comer a alma de Ciel. Sebastian abandona Ciel após tentar matar o mesmo. Não sei se Sebastian conseguiu te enganar também, mas nós só não queremos que essa história se repita.
– Temos um problema aqui. – falou Sebastian, der repente. Me assustei com sua aparição repentina – A senhorita está bem, Louise?
– Tenho assuntos a tratar com o Ciel. – me virei para Sebastian.
– Ele quer falar com Louise, apenas. – interrompeu Mary.
– E acha mesmo que eu a deixaria ir sozinha, madame? – perguntou meu mordomo.
– É claro que não. Além do mais eu não iria sozinha. Não com ela. – completei, com um ar superior – Acho que você já sabe o quê isso significa, Mary.
Sebastian sorriu para mim, como se tivesse satisfeito com a minha resposta. Ao olhar para Mary, vi que sua expressão não era nada amigável. Estava com cara de poucos amigos, mas mesmo assim concordou e nos levou até o lugar em que Ciel estava.
Uma casa grande, praticamente três andares. Estava a algumas quadras da Catedral de St-Front. Catedral de St-Front, esse nome não me era estranho... Claro! Como fui esquecer?!
“Oin fer noes tá Vaz io, todo sos dem ônios estãoa qui .Talv ezconhe cium per todaCa tedral deSt-Fr ont”
O inferno está vazio, todos os demônios estão aqui. Talvez conheci um perto da Catedral de St-Front.
Um dos recados deixados em um dos cenários dos assassinatos. Sorri sozinha, Ciel tinha bolado cada coisa nos mínimos detalhes. Voltando a casa... Era grande, muito grande. Porém, teria um ar mais receptivo se não tivesse um aspecto sombrio, como se tivesse sido abandonada há muito tempo. Provavelmente não chamava muita atenção.
Mary destrancou a porta e então entramos. A cada passada escutávamos um rangido, até ai eu me lembro bem. Antes que eu pudesse sentir direito o cheiro de mofo e... Álcool? Bem, antes que eu pudesse distinguir qualquer coisa, vi Sebastian entrando em minha frente e meu campo de visão escurecendo.
Ouvi a risada sádica de Mary de fundo.
~ ~ Louise POV off ~ ~
Poucos minutos depois, Aaron batia na porta.
~ ~ POV Aaron (anos antes)~ ~
Acordei cedo naquela manhã, estava feliz e ansioso, pois seria o meu aniversário. Olhei pela janela e a grama estava verdinha, anunciando a vinda da primavera. Sorri e corri escada abaixo, indo em direção à cozinha.
– Hannah! – gritei – Hannah!
– Bom dia Aaron! – falou minha empregada, vindo em minha direção – Você dormiu bem? – concordei com a cabeça.
– Você sabe que dia é hoje, não sabe? – perguntei, enquanto a mesma se abaixava para ficar no mesmo tamanho que eu – É um dia muitíssimo importante!
– Claro que sei. – ela sorriu de lado e então me abraçou – É hoje que você completa oito anos! Como eu poderia esquecer?
– Ainda bem que você não esqueceu... – suspirei, cansado – Meus pais esqueceram.
– Ei, não fale assim... – Hannah tentou me acalmar, me abraçando ainda mais forte.
Desde que nasci, nunca conheci os meus pais. De certa forma, não foi culpa minha, eles que me abandonaram. Eu me sinto culpado às vezes, o quê eu fiz pare eles me abandonarem? Eu não sou um menino mal... Ou sou? E-eu só queria conhecê-los e me desculpar...
– A culpa não é sua, você sabe disso. – falou Hannah, como se lesse os meus pensamentos – Eles te amavam e muito.
A Hannah era empregada do meu titio Alois. Assim que ela descobriu que eu tinha nascido, veio logo cuidar de mim, já que meus pais pediram esse favor para ela. Algumas vezes eu a chamava de mãe, sem querer. Mas ela não se importava, apenas sorria para mim.
O dia foi calmo, de manhã saímos de casa e fomos dar um passeio pela cidade. Entramos de loja em loja enquanto eu escolhia o meu presente, mas eu não estava com vontade alguma de ganhar outro aviãozinho ou um urso de pelúcia. Eu já tenho oito anos, então está na hora de escolher algum brinquedo de adulto!
Corri até a loja do lado, já sabendo bem o quê eu iria querer. Era uma loja de brinquedos como qualquer outra, mas tinha uma coisa que sempre vinha chamando a minha atenção. Quando vi Hannah entrando na loja, apontei para o objeto que eu queria.
– Eu queria aquele ali... – fiz um biquinho, isso a fez sorrir. A mesma colocou a sua longa trança para o lado, enquanto pegava o dinheiro em um dos bolsos do seu vestido.
– Tem certeza? É um quebra-cabeça em branco, é bem mais difícil que o normal, já que todas as peças são brancas. – comentou Hannah.
– Por isso mesmo. É mais difícil que o normal e eu queria tentar montá-lo...
– Verdadeiras mentes conseguem montar esse quebra-cabeça, garoto. Você tem cara de quem consegue. É bem inteligente. – falou o velhinho da loja – Até hoje eu não consigo montar um desses.
– Eu vou conseguir. – falei confiante, tirando a caixa do quebra cabeça de cima da bancada e levando até o caixa.
Enquanto Hannah pagava pelo quebra-cabeça, fiquei esperando do lado de fora. Na minha frente tinha uma pequena padaria e, antes que eu pudesse perceber, encarava as guloseimas que tinham lá. Pareciam deliciosas... Involuntariamente lambi o lábio inferior.
– Ei, você. – alguém chamou – Você mesmo, garotinho.
Saí do transe e então procurei em volta quem é que estava me chamando. Vi que quem me chamava era um confeiteiro que trabalhava na padaria. Me aproximei, lentamente. Ele era um pouco acima do peso, com cabelos grisalhos e tinha um sorriso estampado no rosto.
– Você está de olho nas guloseimas, hm? – perguntou, enquanto limpava as mãos sujas de açúcar no avental que usava.
– Uhum... – concordei com a cabeça – Parecem deliciosas! O senhor quem fez?
– Foi sim.
– O senhor fez um ótimo trabalho!
– Obrigado. – respondeu o senhor, com um sorriso bobo nos lábios – Você quer algum? Não precisa pagar.
– Sé-sério?! – perguntei, com os olhos brilhando – Eu posso escolher?
O confeiteiro concordou com a cabeça e então, sem pensar muito, apontei para uma embalagem rosa. Com o sol da manhã refletindo na mesma, parecia que brilhava. Ele pegou a tal embalagem e me entregou, com um olhar esperançoso.
– Essa trufa de morango é a que mais sai, muitos dizem que é deliciosa.
Sorri e então abri a embalagem, abocanhando um grande pedaço, tudo de uma vez. Mastiguei com calma e então engoli, arregalando os olhos.
– A-algum problema? – perguntou o confeiteiro, achando estranho.
– Is-isso é... – respirei fundo – Delicioso!
O senhor suspirou, enquanto eu mordia outro grande pedaço da trufa. Uma garotinha da minha idade se aproximou e entrou no estabelecimento.
– Vovô! – gritou, abraçando o homem que havia me dado uma trufa – A viagem foi muito legal, a mamãe e o papai já vem falar com você.
– Claro netinha. – sorriu o avô da garotinha.
– Ele é o seu avô? – perguntei, mesmo já sabendo a resposta – Você já experimentou a trufa de morango dele? É deliciosa!
– Aham! Eu também acho muito gostosa! Eu me chamo Alice, e você?
– Eu me chamo Aaron, prazer. – falei, apertando a mão da Alice.
Ela era bem mais baixa que eu e tinha a pele bronzeada. Seus cabelos eram negros e encaracolados; batiam um pouco abaixo de sua cintura. Seus olhos eram verdes e eram beem grandes. Ela sorriu mostrando os seus dentes branquinhos e soltou a minha mão.
– Mas você está sozinho aqui, Aaron? – perguntou.
Então me lembrei de Hannah. Quando olhei para fora do estabelecimento, vi que a mesma me procurava no meio da praça. Acenei com as duas mãos para que a mesma me visse, então não demorou até ela vir em nossa direção.
– Eu estou aqui com a Hannah. – respondi, enquanto amassava o papel da trufa.
– Ela não se parece nadinha com você... – comentou Alice, mas logo foi cortada pelo seu avô.
– Você sabe que não é educado falar essas coisas, querida.
– Tudo bem. – sorri – Ela não é minha mãe mesmo.
– E cadê sua mãe? – perguntou Alice.
– Eu não conheci meus pais... Mas a Hannah é como se fosse uma mãe para mim.
Foi nessa hora que a Hannah entrou na padaria, bagunçando os meus cabelos.
– Me desculpem... Ele os atrapalhou? Não posso tirar os olhos por um segundo que já some de vista...
– Ele não nos atrapalhou, ele é muito legal! – falou Alice e seu avô concordou.
– Esse senhor me deu uma trufa muuuito gostosa! Você deveria experimentar uma, Hannah. – falei – Hm... Pensando bem... Já que a trufa dele é tão gostosa, ele deve fazer bolos muito gostosos!
– E faz sim, os doces e bolos do meu vovô são os melhores.
– Devem ser mesmo... Senhor, você consegue fazer um bolo para às sete horas da noite? – ele concordou com a cabeça, sorri – Que ótimo! Hoje é o meu aniversário e eu queria chamar vocês para irem lá em casa nesse horário, podem levar quem vocês quiserem, eu ficaria muito, muito feliz.
– Se vocês não tiverem nenhum compromisso. – completou Hannah.
– Vovô... – suplicou Alice, fazendo biquinho. Dei risada, era a mesma coisa que eu fazia.
– Claro! Nós adoraríamos. O bolo e a trufa ficam por nossa conta.
* * *
– Você tinha razão... – falei, coçando a cabeça – Esse quebra-cabeça é um pouco difícil mesmo.
Arrumei as peças do quebra-cabeça que estavam no chão e me levantei, pensando em montar o quebra cabeça no dia seguinte. Afinal, já eram quase sete horas, depois de alguns minutos os convidados chegariam. Alguns amigos da vizinhança viriam acompanhados com seus pais, enquanto algumas pessoas de negócios viriam com seus filhos. Afinal, uma pessoa muito importante viria. A Louise Phantomhive, claro que os burgueses não perderiam a oportunidade.
Ouvi a campainha tocar e então corri na direção da porta. Ainda está um pouco cedo... Quem seria o primeiro convidado?
Abri a porta, sorrindo. Mas ao ver quem era, engoli em seco. Um homem alto, aparentava ter uns vinte e poucos anos. Ele usava um tapa-olho preto, seu cabelo batia nos ombros e era de um azul meio acinzentado. Seu olho era azul e sua pele era bem pálida. O quê mais me chamava atenção eram as suas unhas pintadas de preto.
– Boa noite, Aaron. – falou, com formalidade – Não vai nos convidar para entrar?
– Nos...? – perguntei, como iria chamá-los para entrar se só tinha uma pessoa? Finalmente percebi que havia mais alguém, era o mordomo do homem em minha porta – A-ah sim... Me desculpem... Podem entrar, por favor.
– Quem foi o primeiro convidado, Aar... – perguntou Hannah, vindo da cozinha. Antes que eu percebesse, ela já estava na minha frente, como se quisesse me esconder dos homens que haviam acabado de chegar – Cl-Claude?! O quê você faz aqui? Como é que você está vivo?! O quê vocês querem aqui?!
– Ha-Hannah... – gaguejei, puxando a barra de seu vestido – Por quê você está falando assim com eles? Quem são e-eles?
Eu estava assustado com tudo aquilo, quem seriam eles? E por quê Hannah tinha tanta raiva deles?
– Eu sou um antigo amigo do seu tio Alois. – falou o homem do tapa-olho – Me chamo Ciel Phantomhive, eu era muito amigo do seu tio. É justamente sobre isso que vim falar.
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