Yellow - Dramione

12 Quadribol Através dos Séculos


Notas iniciais
Olá, bbs. Tenho 3 ones publicadas nesse site, vou colocar o link de uma por vez nas notas finais daqui pra frente. Beijos e boa leitura!

Apesar do incidente ocorrido na Ala Hospitalar logo no início da manhã, a partida de Quadribol marcada para depois do almoço ainda aconteceria. A professora de Estudo dos Trouxas, Suzan Lewis, não poderia assistir, já que foi levada ao St. Mungus.

McGonagall marcou uma reunião com os responsáveis de Maximilian Owens e Draco Malfoy para o dia seguinte, já que via o estado de saúde da senhora Lewis como prioridade. Os alunos foram tratados por Madame Pomfrey e dispensados. Por incrível que pareça, ficaram calados o tempo todo. A recuperação foi tão rápida que receberam autorização para jogar, caso quisessem.

Como todos sabem, o Quadribol é um esporte muito popular entre os bruxos. Com sete jogadores em cada equipe e três tipos de bolas em campo, costumava ser um deleite assistir uma partida. A que aconteceu naquela tarde também foi assim para algumas pessoas.

A diretora decidiu que o campeonato entre as casas seria suspenso aquele ano, justamente para unir a escola. Eles precisavam aprender definitivamente a se ver como equipe, e não unidade. Rixas por causa do time de coração já causaram o fim de várias amizades em Hogwarts com o passar dos anos. Entretanto, na tarde em questão ela decidiu que seria interessante assistir as duas casas com maior rivalidade jogar contra as outras duas. Seria uma boa forma de ver se os alunos conseguiriam esquecer a rivalidade entre eles e agir em conjunto. McGonagall ainda planejava fazer outras combinações entre texugos, águias, serpentes e leões, mas os alunos não precisavam saber disso agora.

O anúncio foi uma surpresa para eles, que viram ali uma oportunidade de praticar o esporte que tanto amavam, apesar do empecilho que era jogarem juntos. Sendo assim, como naquele ano não havia quatro times de Quadribol definidos, quem quisesse jogar, poderia.

O primeiro obstáculo foi selecioná-los. Os próprios estudantes decidiriam entre si quem seria o capitão e quem seriam os demais integrantes. Foi uma sacada genial da diretora. Nenhum adulto poderia opinar, estava tudo nas mãos dos jovens. O plano era fazer alguns grupos mistos, assim quando uma partida terminasse, outros alunos poderiam jogar, tornando as coisas mais justas.

Entretanto, aquela não parecia ser uma decisão fácil, já que eles não chegavam a um consenso de forma alguma. Quanto mais demoravam, maior era a pressão por parte de quem abdicou de jogar a primeira partida, pois o tempo estava passando e eles não teriam a oportunidade de se divertir.

A cacofonia já era insuportável quando Minerva pediu o microfone emprestado ao narrador e anunciou que devido a dificuldade dos alunos em ceder, somente sete jogadores de cada lado poderiam jogar. Griferina e Corvilufa — a mistura não só de nomes, mas de pessoas — não gostaram nada da novidade e se exaltaram. Muitos estudantes desistiram de ter alguma diversão jogando e se sentaram nas respectivas arquibancadas para assistir, isso se a partida de fato começasse.

Eram sete vagas disputadas por diversas pessoas, e em determinado momento Harry teve uma ideia para deixar a seleção um pouco mais justa. Ele tentava falar isso aos outros, que ignoravam seus gritos. Felizmente para ele, Gina Weasley estava ao seu lado e sem paciência.

— Calem a boca todos vocês ou não vamos começar isso nunca!

Basta dizer que isso funcionou maravilhosamente. O namorado da ruiva a agradeceu pela intervenção e explicou sua ideia a todos, que consistia simplesmente em um pedra, papel ou tesoura.

Assim os vários alunos se transformaram em alguns, a divisão era feita pelo posição em que queriam ficar. Hermione era a juíza na maior parte das "disputas eliminatórias", ou seja, explicava novamente as regras a algum teimoso que não aceitava o resultado que pedra quebra tesoura, tesoura corta papel e papel embrulha pedra. Inteligente como era, a grifinória era respeitada e o perdedor ia para a arquibancada. Resmungando ou não, o importante é que ia.

Tudo consideravelmente bem para ela, até que a disputa para decidirem o apanhador chegou às semifinais. Draco Malfoy e Harry Potter não eram as pessoas mais fáceis do mundo, e é claro que brigariam. Não tinha como ser diferente. Harry quebrou a tesoura de Draco no primeiro embate, então o sonserino pediu revanche. Na melhor de três o loiro empatou e Harry novamente o superou, para deleite dos grifinórios.

A exceção era Hermione, que cansou da palhaçada e saiu dali puxando Draco antes que os garotos estivessem aos socos na frente de toda a escola, que assistia a cena achando graça. O loiro parecia se sentir pessoalmente atacado quando conseguiu perder até no par ou ímpar.

Após puxar Malfoy para longe da confusão, Hermione subia a arquibancada com o sonserino.

— Granger, por que está me seguindo?

— Se existe uma pessoa mais egocêntrica que você no planeta, eu desconheço. Estudamos no mesmo lugar, Malfoy. Supere isso.

— Mas não precisa me seguir. Não vou fazer nada ao Santo Potter, e acredito que ele possa se defender sozinho.

— Como se tivéssemos medo de você... A arquibancada desse lado é para as nossas casas, então por que faz questão de brigar? Eu só não quero subir sozinha.

— Por que ir lá em cima se tem medo de altura?

— Hey, vocês... — Draco e Hermione olharam na direção do som e viram o professor Adams surgir de algum lugar só para dizer isso apontando para eles. — Juntos!

— Ele não vai nos perdoar nunca por fugir do orfanato, não é?

— Depois nós é que somos orgulhosos. — Draco bufou.

— Ele ser não nos faz menos orgulhosos.

— É sério que vai começar a dar uma de sabe-tudo logo agora?

— Segundo você, eu sou sempre.

— Tem razão.

E assim o jogo começou, com Draco e Hermione nos lugares mais altos da arquibancada reservada a suas casas. O novo amigo da garota, Max, narrava a partida de uma forma mais centrada do que Luna costumava fazer. A grifinória tentava controlar o nervosismo por toda a situação, tal como altura, Malfoy, seus amigos correndo o risco de se machucarem... Se concentrou em Harry voando, rápido como um foguete, e vez ou outra olhava para Ron que estava mais seguro nos gols.

Agora que estava acomodada, Hermione pôde ver que os sonserinos estavam em maioria em sua equipe. Os únicos grifinórios eram Harry, como apanhador, Ron era o goleiro e Gina uma das artilheiras. Os outros artilheiros eram Blásio Zabini e Marion Lancaster. Os batedores eram Eneas Burke e Pansy Parkinson.

Aflita, a garota assistia o jogo e viu quando Harry quase pegou o pomo. Com isso, o amigo despertou maior interesse do batedor do time adversário, um corvinal que Hermione não sabia o nome. Os primeiros dez pontos do jogo saíram em um contra-ataque da Griferina, em que Zabini estava quase cercado e arremessou a goles para Gina, que acertou o gol da Corvilufa.

Ao comemorar, Draco e Hermione viraram um para o outro. Percebendo o que estavam prestes a fazer, arrumaram as posturas de novo e fingiram que aquilo nunca aconteceu. Draco resmungou algo que a garota não se deu ao trabalho de prestar atenção, já que agora observava os amigos que não estavam voando.

Em um canto mais afastado, ela pôde ver Luna e Neville lado a lado torcendo pelos jogadores. Não que fosse difícil encontrar os dois no meio da multidão, é claro. Como a maioria dos amigos de Luna estavam no time misto da Griferina ou na arquibancada correspondente, ela preferiu ver o jogo ali. Hoje torcia pela Corvinal, por isso não usava o magnífico chapéu em forma de leão que costumava usar para torcer pela Grifinória ou narrar os jogos, na época em que fazia isso. Neville, que estava ao seu lado, gritava palavras de incentivo aos colegas com o chapéu de Luna na cabeça. Vez ou outra o chapéu rugia majestosamente.

Hermione observava a cumplicidade dos amigos com a consciência que tinha algo muito parecido com Harry, mas lamentando por saber que nunca teria isso com o garoto loiro que reclamava ali perto.

— Essa escola é uma vergonha, não sei o que estou fazendo aqui.

— Pare de ser um bebê chorão, Malfoy. Harry ganhou no par ou ímpar.

— Não tenho certeza se isso foi justo. Ele pode muito bem ter trapaceado, não sei por que ninguém me dá ouvidos.

— Por ser um disparate, é claro. — Hermione disse para Draco, mas com a atenção no jogo. — Se ainda duvida que ele tem sorte, deveria ouvir algumas histórias que... NÃO!

Ela gritou quando um balaço pareceu acertar a cabeça do amigo, mas só passou perto. Muito perto, para o gosto dela. Se encolheu junto a Malfoy, escondendo o rosto na curva do pescoço dele. Por reflexo ele a amparou, trazendo-a para mais perto. Quando viu o que estava fazendo, pigarreou.

— Granger? Ora, Granger... Pare de ser tão maricas. O Cicatriz está bem, olhe lá.

— Desculpe. — Após fazer o que o garoto lhe pedia e enfim sentir o constrangimento a atacar, ela se desculpou.

— Que seja. Não há motivo para ficar preocupada, o palhaço está provocando o adversário mais ainda agora.

— Malfoy!

— O que é? Não me peça para torcer por ele.

— Ah, é? Então o que está fazendo aqui?

— Mostrando meu apoio a Blás e garantindo como posso que seus colegas grifinórios não vão estragar tudo.

— Olhando?

— É o que posso fazer agora, não é? — Ele a olhou incomodado ao perceber que poderia tanto estar se referindo ao Quadribol quanto ao fato de a encarar sempre, chegando a se dar ao trabalho de ir todas as noites até a Torre de Astronomia com esse propósito.

— Você é um bom amigo. — Hermione pensou alto, ele ouviu.

— Me respeite, é claro que não.

— É sim. É uma característica da sua casa, você é obrigado a ser.

— Confia mais no meu temperamento egoísta ao longo dos anos ou em um pedaço de pano enfeitiçado que generaliza as pessoas?

— Prefiro confiar no Chapéu Seletor quando diz que "ali fará seus verdadeiros amigos". — Ela citou.

— Acredita mesmo nisso?

— Às vezes. — E deu de ombros. — A casa de Hogwarts não diz tudo o que há para saber sobre uma pessoa. Ninguém é cem por cento de uma casa só.

— Sei...

— "O mundo não se divide em pessoas boas e más. Todos temos luz e trevas dentro de nós, o que importa é o lado o qual decidimos agir. Isso é o que realmente somos". — Falou no mesmo tom saudoso de quando mencionou as palavras do Chapéu Seletor.

— Quem disse?

— Sirius Black. E se quer saber, ele tem razão. Existem mais cores além do preto e do branco. Existe o cinza, sabia? — Ela disse olhando para os olhos cinzas de Draco, enquanto ele chegava cada vez mais perto. Hermione sabia, aqueles olhos não a deixavam em paz.

— Granger... — Sua voz era um sussurro, mas foi o suficiente para acordá-la do transe.

— Você, por exemplo... — Ela tentou se concentrar no campo. — Eu diria que obviamente a maior parte pertence a Sonserina, mas em ordem decrescente há algo da Corvinal, Grifinória e Lufa-Lufa aí dentro.

— Eu, grifinório?

— Sim. Se fosse tão mau quanto pensa, teria nos entregado na mansão. Eu sei que nos reconheceu assim que nos viu.

Aquilo pegou Draco totalmente desprevenido. As mãos tremeram e a voz se recusou a sair, mesmo que para dizer alguma gracinha e mudar o rumo da conversa. Não, ele não ficava à vontade ao relembrar daquele dia. Ainda mais com Hermione o ajudando a evocar a memória que sempre estava lá. Nos momentos de alívio do loiro, em um raro momento contente que fosse, os gritos dela o perturbavam.

Nem mesmo Draco saberia dizer se o real incômodo era por Hermione ter sofrido tanto ou por ele não ter feito nada para impedir. Ambos os fatos tinham a capacidade de fazê-lo se sentir a pior das criaturas que já existiu, mesmo levando em conta as pessoas com as quais conviveu. Ela não sabia como ele se sentia, mas fez bem em parar de falar desse período que tanto mal causou aos dois. Quando se recuperou o suficiente para dizer algo inteligível, ele deixou a curiosidade falar mais alto.

— E você?

— Fácil. Grifinória, Corvinal, Sonserina e Lufa-Lufa.

— A boa moça, quem diria...

— É mesmo. Já a parte Sonserina do Harry está cada vez maior.

— O Potter é mesmo insuportável, não? — Draco se permitiu rir. Eles nem se preocupavam mais em fingir prestar atenção no jogo. Se tivessem feito isso, veriam que por alguns desentendimentos da Griferina, a Corvilufa ganhava por oitenta a trinta. Sem reparar nisso, ouviu a resposta de Hermione.

— Ele é um amor. Um amor que às vezes é insuportável, é verdade, mas ainda assim um amor. Já Ron se daria muito bem na Lufa-Lufa.

E assim, para espanto até deles mesmos, quando a razão os fez lembrar dessa tarde, Draco e Hermione continuaram a conversar trivialidades amigavelmente. Só se distanciaram quando o ar se encheu do som de palmas. Os estudantes urravam quando eles perceberam o que estava acontecendo. Harry pegou o pomo de ouro, levando a vitória ao time da Griferina. Se não fossem as pessoas que serviriam como testemunhas, é provável que a emoção os levasse a um abraço. Mas isso não aconteceu naquele momento, pois eles seguiram os outros alunos que iam em direção ao campo.

Chegando lá, Draco tentou se afastar e Hermione foi na mesma direção, como se não reparasse no loiro. Ele notou o movimento, mas preferiu ficar calado. Se por um lado Hermione não sabia o que estava fazendo ao impedí-lo de se afastar, por outro o sonserino não sabia o que fazer agora. Se estivesse com qualquer outra garota não titubearia um só minuto, mas era Hermione ali. Ele não podia só... Agir como se não tivessem uma história e fingir que não se importava com ela. Podia?

Antes de chegar a uma decisão, Draco virou ao ouvir o nome "Max". O que viu confirmava o tom, ela sorria. Acenava também para o lufano que retribuiu o gesto e o sorriso. Aquilo foi o suficiente para o loiro sair dali sem ser notado por Hermione, que ao perceber soltou um "Draco" carregado de decepção. Brigou consigo ao desejar que fossem pelo menos amigos, mas aparentemente não seria daquela vez.

Nem a bonificação surpresa que McGonagall prometeu — cem pontos para as casas vencedoras dividirem — conseguiu animá-la. A grifinória não estava se reconhecendo há tempos, mas naquela tarde ela ficou particularmente intrigada.

O Quadribol, sendo o esporte mais popular entre os bruxos, conseguia mexer com eles. Mas nada, realmente nada, supera o estrago que uma pessoa pode fazer na outra.

Notas finais
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