Notas iniciais
Olá, bbs. Capítulo dedicado às lindas Aly e Anne que sempre deixam um comentário fofo. Boa leitura a todos!

Aquele foi um longo sábado, Vince Adams pensou ao correr pelos corredores de Hogwarts com o braço sangrando enquanto os alunos andavam por ali displicentemente e encaravam o que podiam do feio machucado. Naquele momento o dia mal havia começado, mas as surpresas são conhecidas justamente por não ter cronograma. Como ele mesmo pensou, e com toda a razão, foi um longo dia. De tédio para os alunos que ficaram no castelo e de diferentes tipos de aventura aos que foram ao Lar de Órfãos Destiny Child, ficando lá por muito tempo ou não. Os alunos das casas Grifinória e Sonserina que faziam seu último ano passaram por momentos emocionantes com as crianças. Ron Weasley, por exemplo, voltou com a convicção que pode-se adquirir conhecimento de todos os jeitos e com todas as idades. Os lufanos e corvinais haviam visitado o local no dia anterior quando acabaram as aulas, então ficaram no castelo sem muito o que fazer.

Já o professor Adams estrunchou na volta a Hogwarts quando ia dizer a diretora que tudo estava bem, conforme combinaram. Distraiu-se no momento errado e por isso seu braço sangrava quando ia às pressas para a Ala Hospitalar. Achou que como já havia explicado o cronograma muito bem e os alunos já tinham idade para se cuidar sozinhos, tudo ficaria bem em sua ausência. Como foi tolo... Alguém da Corvinal não deveria ser tolo, ainda mais um professor responsável pelos alunos que mais se odiavam na escola. Todos sabiam da implicância entre eles, mas McGonagall tomou uma atitude a respeito. Ela havia enfeitiçado um pergaminho com os trios já selecionados, Vince só tinha que anunciá-los.

Era novo na escola, mas alguns alunos eram famosos e fáceis de identificar por motivos muito simples. Pela cor do cabelo, sobrenome engraçado, por sobreviver a Maldições Imperdoáveis... Diversas coisas. Mas desde o começo soube que teria problemas com Granger e Malfoy, antes mesmo de saber como se chamavam. Separadamente eles eram ótimos, não tinha como negar. Alunos excelentes, verdadeiros exemplos. Eram inteligentes e constituíam desafio para um professor disposto a aceitar se superar cada dia mais. Mas juntos a história era bem diferente, eles não eram nada disso quando estavam a menos de dez metros de distância. Só estar no mesmo ambiente já era estressante para quem estivesse junto. Os alunos brilhantes se transformavam em selvagens brigando por território e o fato de terem uma varinha a disposição não era uma boa notícia. O professor torcia para que não chegassem a uma situação extrema, como se descontrolar e deixar o outro realmente machucado. Teria muito trabalho esse ano com aquela dupla, mas tinham duas coisas que Vince Adams não resistia: comida boa e desafios. Quando soube da fuga do orfanato assumiu o desafio de fazer aqueles dois se comportarem melhor. Aquilo havia virado uma questão de honra no momento em que abriu o Profeta Diário no dia seguinte e os viu de braços dados na capa. Quando seus cérebro começou a assimilar que os olhos não estavam mentindo, ele praguejou alguma coisa. Ao menos metade, o resto da frase foi ininteligível. Vince não esperava mesmo por algo do tipo em uma manhã de domingo. Se perguntado, possivelmente diria que aquilo seria loucura em qualquer dia da semana, aliás.

O que viu o fez ficar confuso por alguns instantes, pois o poço de orgulho que atendia pelo nome de Hermione Granger estava firmemente agarrada ao braço do único garoto que parecia detestar. Nunca viu o corpo dos dois tão próximos, mas o fato de só os ver na escola contribuía para isso. O mais impressionante na fotografia era o olhar que eles trocavam, era tanta expressividade que pareciam conhecer os segredos um do outro há anos, a cumplicidade era muito visível. Sim, fotos definitivamente enganavam, Vince pensou antes de rir da cara que Harry fazia e fechar o jornal, sem notar que a repetiu há alguns instantes.

Infelizmente não pôde ficar no orfanato no dia anterior para evitar a fuga deles, mas os alunos voltarem vivos já era um ponto a se comemorar. O motivo de um professor tão competente e que já aparatou milhares de vezes antes estrunchar foi simplesmente por que pensamentos e sentimentos tem vida própria, apesar de todo o esforço para mantê-los quietos. Vince tinha um amigo com família trouxa em seus últimos anos como aluno de Hogwarts. Simon, o amigo em questão, insistia que o aluno sempre tão dedicado deveria ter alguma diversão para não enlouquecer, sobretudo no ano em que prestariam seus N.I.E.M.s. Ele tanto fez que em uma visita a Hogsmeade conseguiu convencê-lo a viver novas aventuras, e acabaram parando em um bairro trouxa. Vince descobriu que aquela era a casa do amigo, que convidou a vizinhança toda para uma festa. O então estudante almejava um pouco de sossego e foi para o lado de fora quando viu uma garota com quem conversou a noite inteira. Seu nome era Mary, e Vince nunca mais tinha a visto desde então. Tiveram uma noite muito agradável, Mary se tornou seu "e se". Por medo de sua reação quando soubesse que ele era um bruxo, não disse nada sobre o assunto. Passou boa parte do tempo em que se permitia pensar nela imaginando o que poderia ter sido. O beijo na despedida foi o fim. Ela se tornou uma boa lembrança, vez ou outra Vince se perguntava o que poderia ter acontecido se ele não tivesse tanto medo de assumir compromisso com alguma garota. Enfim ele acabou seu sétimo ano em Hogwarts, mas ainda tinha receio. Até Simon avisá-lo que sua vizinha trouxa conheceu um bruxo e que estavam de casamento marcado. Não sabendo como lidar com a notícia, fugiu de um modo mais definitivo. Viajou pelo mundo e viu tanto mal que se especializou no combate as artes das trevas. Era professor em Ilvermorny, Estados Unidos, há cinco anos quando recebeu o convite de Minerva para lecionar em Hogwarts. Lembrava com carinho da antiga professora e achou uma boa ideia aceitar o convite, não havia mais razão para fugir. O que aconteceu foi há tanto tempo que não teria mais como afetá-lo. Ao menos foi o que pensou antes de ver Mary brincando com duas crianças em um brinquedo trouxa. O que ela estaria fazendo ali, afinal? Pensando agora, o marido poderia estar por perto enquanto eles procuravam alguém para adotar. Finalmente viu a besteira que fez enquanto a olhava distraída. Vince não ousou dizer nada, era uma criatura do desejo mudo. Também era invisível para ela naquele momento e apesar de já ter trazido todos os estudantes para o orfanato, aparatou de novo. A confusão entre ir para Hogwarts e tentar viajar para o passado, para aquela noite na casa de Simon fez com que ele estrunchasse e sangrasse muito por causa do braço dilacerado. Por sorte acabou na escola, e se concentrou em ir a Ala Hospitalar, não no sorriso dela. Não depois de tudo.

Madame Pomfrey já não tinha a mesma disposição, mas cuidou dele. Vince acordou com a claridade dos raios solares em seu rosto. O clima, assim como sua memória, o enganava. O tempo era frio lá fora, o sol só apareceu por teimosia. Ao pegar o jornal para se distrair teve uma surpresa.

NOVA SENHORA MALFOY?

O mais novo casal de Hogwarts quebrou as regras e preferiu passear por Londres a gastar seu tempo com pobres e lindas crianças órfãs. Seria de se imaginar que ao assumir um compromisso com a garota do Trio de Ouro, o herdeiro dos Malfoy sossegasse. Conhecido pelos colegas como um autêntico conquistador, ele finalmente apareceu namorando. Os alunos que estavam no Lar de Órfãos Destiny Child disseram não saber nada sobre o envolvimento romântico de Hermione Granger e Draco Malfoy, mas uma funcionária afirmou que a informação foi dada pelos dois. "Muito me admira ela, que tem o Menino-Que-Sobreviveu à disposição escolher um criminoso. Essas garotas estão perdidas, onde já se viu preferir o vilão? Harry Potter é um herói, deveria ter o reconhecimento que merece. Ele não parecia feliz com a notícia, sabe?", finalizou a simpática senhora. Já Ronald Weasley, integrante do Trio de Ouro assim como a ex-namorada, disse se tratar de invenção toda aquela história. Apesar de serem vistos saindo juntos com a companhia de Harry Potter, salvador do mundo bruxo, o ruivo insistiu que o namoro entre a grifinória e o sonserino não existia. Ao ser perguntado sobre o motivo de seu término com a garota, o Sr. Weasley deu uma resposta não muito apropriada para ser publicada em um jornal de família. Em respeito aos nossos tão queridos leitores, nossa equipe achou melhor informar que ele recusou-se a continuar com a conversa e foi embora.

Como se o dia já não fosse cheio de surpresas para esse humilde repórter, chego a conclusão que em vez da Srta. Granger passar um pouco de suas características grifinórias ao namorado, ela que passou a quebrar as regras. Nossa heroína de guerra não será mais heroína de agora em diante? Entrevistamos alguns alunos que preferiram manter a identidade oculta e uma afirmou acreditar que o Sr. Malfoy mais novo só estava com a pobre garota para limpar sua imagem. "Pensando bem, não há quem sirva melhor a seus propósitos do que a Granger. Ela agora pode ser considerada um símbolo das virtudes humanas para alguns. Imagine só, melhor amiga do garoto que derrotou definitivamente Você-Sabe-Quem é nascida trouxa, da casa que os sonserinos odeiam e teve um papel importante na guerra. Ela só está sendo usada, quem melhor para limpar a imagem da família Malfoy e convencer as pessoas que foi um bom negócio deixá-los vivos e livres? Aposto que isso tudo foi ideia de Lucio, Draco faz tudo o que ele manda". A estudante parecia ter muita propriedade do que estava falando, mas o fato é que o casal e Harry Potter não voltaram para o orfanato e especula-se que só quisessem namorar como dois adolescentes normais, sem a atenção voltada para eles e sem se importar com mais ninguém. Quanto ao Menino-Que-Sobreviveu, nosso palpite é que ele se entedie rápido e não tenha achado as crianças tão interessantes, preferindo estar em qualquer outro lugar. Que Merlin nos ajude, pois se depender da nova geração... Deixo para vocês a conclusão, leitores.

Nathan Braddock, correspondente do Profeta Diário.

Hermione estava lívida, no mínimo. Como se não bastassem os problemas que teve com Rita Skeeter no Torneio Tribruxo, agora aparecia outro repórter para acabar com sua paz. Será que teria que andar com vidrinhos no bolso para sempre estar pronta para ensinar uma lição aos funcionários do Profeta Diário? E aquela história que ela não seria mais heroína a pegou no ponto fraco, o orgulho. O que esperavam dela, que fosse o Homem de Ferro, afinal? Não, o Homem de Ferro não era o poço de virtudes esperado de um herói, e era justamente por isso que era o seu preferido. Talvez ela tivesse que vestir uma cueca por cima das calças e se intitular o Super Homem para ter algum sossego. Além de ser o típico bom moço ele ainda usava capa, era perfeito. Maldita hora que resolveu ajudar Malfoy. Na verdade foi um impulso, já que não seria tão imprudente normalmente. Como ele fez questão de dizer com toda arrogância, continuaria vivo mesmo sem a intervenção de Hermione.

Ficou provado que sua bondade poderia ser maior que sua inteligência, talvez por isso o Chapéu Seletor não a tenha colocado na Corvinal. Isso era um problema para ela, não podia se dar ao luxo de ser impulsiva ou agir naturalmente quando o assunto era o maldito sonserino. Absorta como estava em sua indignação, ela não notou que era observada com interesse por mais de uma pessoa enquanto deveria estar comendo. Estavam na mesa, mas ela não tomava seu café da manhã. Hermione quase sorriu ao pensar que Harry agora não precisava imaginar qual seria a reação do sonserino ao ver uma foto dos dois no jornal, já que levantando o olhar para Draco veriam isso.

O jornal não cobria seu rosto, então ela pôde ver a carranca que Draco exibia. Ele fazia mais e mais caretas enquanto lia. Chegou a dar um soco na mesa em certo momento, mas os olhos não deixavam o jornal. O rosto do garoto estava vermelho quando ele se levantou e foi em direção às Masmorras, e para Hermione conseguir notar isso da distância em que estavam significava que as coisas definitivamente não estavam bem. Seu semblante também não estava dos melhores, talvez por isso ninguém tenha abordado o assunto até o momento. E antes que pudesse, ela se pronunciou.

— O primeiro que me perguntar sobre isso vai receber uma azaração tão forte que não saberá nem em que ano estamos.

O olhar de ameaça que lançou foi o suficiente para os intimidar, então ela pediu licença como se nada tivesse acontecido e foi tentar espairecer nos vastos jardins de Hogwarts. Um bom tempo depois uma coruja parda pousou a seu lado e beliscou sua mão para chamar a atenção.

— De quem será?

Ela disse já pegando o pergaminho da pata do animal, mas não gostou do conteúdo. Agradeceu e foi para o lugar que sua presença era solicitada, estava em maus lençóis. Ao se aproximar de seu destino viu Harry parado em frente a sala de Defesa Contra as Artes das Trevas parecendo entediado.

— Capuleto, como vai?

— Gentil senhor...

— Desculpe por ontem, não me sinto muito bem por ter provocado essa situação.

— Não se preocupe, dessa vez tive sorte por você ser impulsivo. E não se culpe por todos os problemas do mundo, esnobador de órfãos. Cada nova situação nos levou até o subúrbio de Londres ontem e isso é o que importa.

— Estou te achando muito calma para quem foi desmascarada publicamente pelo Profeta Diário.

— O que eu falei sobre azarações, Harry? — Hermione bufou.

— Não faço ideia.

— Sei, muito conveniente.

— Confesso que estou decepcionado com você. Como assim você deixará de ser uma boa moça? E agora, quem poderá nos defender... Eu?

— O Chapolin Colorado. — Ela disse enquanto conjurava uma espécie de tiara na cabeça do rapaz. — Você mesmo, já que eu não posso ser o Homem de Ferro.

— Ainda bem, ele é um babaca. — Harry respondeu brincando com as anteninhas de vinil.

— Hey, tenha algum respeito. Ele é um ser humano normal, não um maldito mártir. Eu gosto dele.

— Sobre a parte do mártir eu só posso agradecer pela parte que me toca.

— Você nem morreu de verdade. — Ela retrucou baixinho.

— Sobre todo o resto eu até diria que você tem um gosto questionável, mas acontece que não tem nada a questionar. O nome é mal gosto mesmo.

— Só pode estar brincando! Ele é um gênio, bilionário, playboy e filantropo. O que há para não gostar aí?

— Você já leu as...

— Desculpe, depois da crise de risos eu respondo. Está me perguntando se li algo do meu super herói favorito? — Ela perguntou incrédula ao sumir magicamente com a tiara que ele ainda usava.

— Eu pensei que seu herói favorito fosse eu. Me sinto usado agora, vou trocar de irmã.

— Não faça drama, você está entre os dez primeiros.

— Dez?

— Ah, vocês de novo. — Draco, que chegou sem ser notado, disse com desprezo. — Por que não me mandam logo para Azkaban?

Percebendo a súbita mudança no semblante do amigo, Hermione falou com ele antes que o moreno piorasse ainda mais a situação ruim que certamente estavam.

— Caso se comporte hoje, vai estar entre os nove.

— Espere aí, eu era o décimo? Pensei que fôssemos amigos, Mione!

O garoto foi abraçado e eles não precisaram esperar muito. A fuga do orfanato trouxe uma consequência nada surpreendente para os três, detenção. O fator novo era que Blásio Zabini e Gina Weasley vieram com os braços cruzados pelo corredor, cada aluno em um lado do senhor Adams. Já este parecia contrariado, e quando chegou perto o suficiente do trio que já o esperava em frente a sua sala, ele os fuzilou com o olhar.

— Ah, aí estão os fujões. Estão no último ano e ainda fazem isso? E olha que em uma situação normal teriam se formado ano passado! Vocês deveriam ser o que há de mais maduro na escola.

— Me desculpe, professor. A culpa foi minha, eu resolvi ir embora e os instiguei a me seguir.

— E desde quando você me instiga a fazer algo de errado, Harry? Não sou manipulável assim. — Hermione disse em resposta ao amigo, enquanto o professor avaliava a situação.

— Então vocês só resolveram desobedecer minhas ordens e as da escola? O que era para ser um projeto social e educativo virou um passeio por Londres, pelo que entendi.

— Senhor, nós... — a garota foi interrompida por Vince.

— Espere. Primeiro entrem na sala, brigões. Já decido o que fazer com vocês. — Quando Gina e Blásio entraram na sala, ele voltou a encarar Hermione.

— Então, senhorita, o que dizia?

— Ela iria se desculpar, mas a verdade é que é uma garota boazinha e patética. — Draco se intrometeu. — Aparentemente eu era invisível aos olhos de uma funcionária do orfanato e a paladina da justiça a sua frente foi heroicamente ao meu socorro, professor. — Concluiu debochado.

— E isso fere seu orgulho de machão? — Vince usou de um tom e sorriso cortantes. Aquela não era uma atitude comumente esperada de um professor, talvez isso explicasse o silêncio instaurado no lugar e o semblante de dúvida dos alunos, como se não acreditassem no que tinham ouvido.

— O que disse? — Draco foi o primeiro a se pronunciar.

— Está surdo, garoto? Isso fere o seu tão precioso orgulho? — Ele não deu tempo para que o loiro respondesse — Vocês brigam todo o tempo em que estão juntos e mesmo assim ela age em seu favor. Por que se virou contra ela?

— A Granger não passa de uma intrometida.

— Primeiro eu gostaria de avisar que se continuarem com as implicâncias eu coloco os dois juntos em todas as minhas aulas a partir de agora. E posso muito bem dar um jeito para que os meus colegas de profissão façam o mesmo. Em segundo lugar, me dêem suas varinhas, estão de castigo. Os cinco vão ficar nessa sala até se comportarem civilizadamente como deveria ter sido desde o começo. E por último, mas não menos importante, apertem as mãos e peçam desculpas. — Diante de seus dois melhores alunos que agora não mexiam um músculo, ele sorriu ao dar sua cartada final. — Não tenho o dia todo, se demorar mais um pouco será um abraço.

Vince cruzou os braços ao falar e se sentia perfeitamente satisfeito quando eles fizeram o que foi pedido. Viu desde o começo que métodos simples e tradicionais não funcionariam de forma alguma com Draco e Hermione. Não era garantido que algo complexo e revolucionário traria, mas nada o impedia de tentar. E por mais que não admitisse, era óbvio que se divertia no processo. Não fazia questão de esconder, e isso irritava ainda mais o sonserino e a grifinória.

Já a expressão de Harry ao olhar o senhor Adams demonstrava apenas tranquilidade, mas por dentro ele estava muito feliz. Finalmente havia alguém que tratava aqueles dois com imparcialidade e os enxergava como realmente eram: duas crianças mimadas. Talvez o fato de Draco e Hermione serem os melhores alunos do colégio impedisse que levassem uma repreensão à altura do comportamento infantil, isso ou as dezenas de outras possibilidades. Por Draco ser de uma família respeitada, por privilégios que sua popularidade e inteligência garantiam, pelo orgulho... Já o caso de Hermione era semelhante, já que era a melhor aluna da escola. Mas Harry sempre foi a favor da amiga por conta do comportamento devasso do sonserino e por gostar da garota. Vince não tinha tais preconceitos, e por Merlin, ainda bem que via aqueles dois como os idiotas que eram quando estavam juntos. Harry pensou satisfeito que seria um excelente ano.

Entraram na sala com os pensamentos a mil, mas calados. Quando alguém estava no estado que o professor Adams estava, o melhor a fazer era não contrariar. Ele entrou no recinto só para recolher as varinhas que faltavam, depois trancou a todos ali e foi descansar. Se Madame Pomfrey descobrisse que ele deu um jeito de mandar uma coruja para cada um dos alunos que fugiram do orfanato no dia anterior e ainda saiu para castigá-los, Vince é que teria problemas.

Erraram e pagariam, para Hermione isso era tudo. Mas até agora quando foi que um plano envolvendo eles três deu certo? Nunca, se for parar para pensar. Pelo menos não como planejado. O que a fazia entrar quieta na sala em que Gina fuzilava Zabini com o olhar enquanto ele parecia indignado foi simplesmente cansaço. Estava cansada de brigar, quem sabe depois de uma boa noite de sono conseguisse. Mas isso não foi possível, pois Harry estava curioso com o que levou a namorada ao castigo.

— Gina, o que houve? Pelo que entendi vocês brigaram, não é?

— Se sabe por que pergunta, Potter? — Zabini respondeu no lugar da ruiva.

— Eu perguntei a ela. Se tocou em um fio de cabelo da minha namorada eu juro que...

— Ciúmes, Potter? Não se preocupe, tenho certeza que Blás consegue algo melhor, se quiser. — Draco não foi em defesa ao amigo, ele só queria brigar.

— Isso não te diz respeito, Doninha. Eu confio na Gina, já você não é digno nem de atenção.

— Vocês querem parar? — Gina já estava a ponto de perder a paciência também, mas foi totalmente ignorada pelos meninos.

— Já você recebe atenção até demais, não é, Potter? Sempre pensei que o excelentíssimo Menino-Que-Sobreviveu tivesse alguma coisa com a Granger. Vocês parecem ser tão próximos.

— Ela é minha irmã! E se o problema é esse não se preocupe, Malfoy. Posso providenciar para que seja atingido por uma Maldição Imperdoável também. Ou prefere as três, assim como o excelentíssimo Menino-Que-Sobreviveu?

E foi assim que o foco deixou de ser o motivo da briga entre Gina e Blásio Zabini e se tornou uma discussão de Harry e Draco. A grifinória e o sonserino agora estavam sentados em mesas próximas observando os dois se insultarem. Até Hermione que estava calada até o momento e não tinha nada a ver com a história foi envolvida, os garotos não estavam bem. Draco provocou e estava mais agressivo nas ofensas do que o comum, parecia querer compensar o dia de folga que tirou de si mesmo enquanto estava na casa dos Granger. Hermione estava cansada, sim, mas em um estado de espírito bom o suficiente para tentar mantê-lo. Tinha visto seu pai e visitado sua casa no dia anterior, não deixaria ninguém estragar isso. Inteligente como era, já tinha um plano para sobreviver a bagunça que virou a sala de aula.

— Monstro, pode vir aqui por favor? — Ela falou para ninguém especial, fitando uma parede. Ela não era dona do elfo doméstico e na verdade não sabia se eles apareceriam a qualquer aluno que chamasse. Como as criaturas eram tratadas com desprezo pelos bruxos, a mágica dos elfos era menosprezada. Isso quando eles eram lembrados, é claro. O próprio Voldemort cometeu um erro fatal ao não levar em consideração que um elfo tem habilidades que não são compartilhadas com bruxos. Por isso dúvida na voz de Hermione, mas como o elfo trabalhava na escola, ele apareceu. Ainda pertencia a Harry, já que era praticamente a única família que tinha e não queria ser liberto. Mas Harry quis que Monstro convivesse com outros elfos para não ficar sozinho e ele aceitou ir quando o garoto disse que assim se precisasse de alguma coisa seria bem mais fácil ser ajudado. Um estalo alto anunciou a presença dele, mas os garotos ainda discutiam.

— Bom dia, Monstro. É um prazer vê-lo.

— Senhorita Granger, Monstro está muito feliz em ver a senhorita.

— Já disse para me chamar só de Hermione, Monstro.

— Desculpe, senhorita Hermione.

— Bom, já que não consegue se livrar do "senhorita" eu fico satisfeita que pelo menos me chame pelo primeiro nome. Como está?

— Monstro está bem. Em que posso servi-la?

— Você pode me fazer um favor, se quiser.

— Monstro ajuda a senhorita.

— Bom, o professor confiscou nossas varinhas. Você pode fazer um piano aparecer ali? Eu tiro as mesas. — Apontou para um canto da sala. Quando acabou de falar Monstro já havia afastado as mesas e cadeiras com magia. — Não precisava fazer tudo sozinho, mas obrigada.

Hermione sorriu e o elfo doméstico fez um piano de calda aparecer onde ela queria. A música era sua válvula de escape, costumava recorrer a ela principalmente depois da guerra. Quando ficou hospedada no Largo Grimmauld número doze, Hermione percebeu que Monstro gostava de a ouvir tocar enquanto arrumava a casa e preparava as refeições. Ela fingia não notar o corpinho dele balançando desajeitadamente enquanto secava os copos e como ele fechava os olhos quando estava emocionado. Ou o modo que ele repetia alguma palavra nova quando ela cantava uma música trouxa, achando que não era ouvido. Ficou tanto tempo sozinho que os quase quatro meses em que teve a garota e Harry na casa foi recompensador. A grifinória demonstrou a preocupação em deixar Monstro novamente quando fossem a Hogwarts e conversou com o amigo a respeito. Felizmente o elfo doméstico estava ali, era uma ótima companhia. Ao contrário dos garotos que não ficavam quietos. Então já que seria obrigada a passar por aquilo, que fosse com música.

— Quer ficar aqui e me ouvir tocar, Monstro? — A voz calma de Hermione contrastava com a exaltação no resto da sala.

— Sim, senhorita.

— Então fique.

Deu a ordem e pôs-se a fazer seu ritual. Se sentou em frente ao piano, alongou as mãos acima da cabeça e por último vez um movimento circular com os pulsos. As primeiras teclas tocadas foram um mero teste, só um dedilhar. Então uma música bela, como a felicidade que sentia por ver o pai, encheu a sala.

Hold me close and hold me fast

(Me abrace forte e me abrace rápido)

The magic spell you cast

(Este feitiço mágico que você joga)

This is La vie en rose

(Esta é La Vie En Rose)

When you kiss me heaven sighs

(Quando você me beija, o céu suspira)

And though I close my eyes

(E embora eu feche meus olhos)

I see La vie en rose

(Eu vejo La Vie En rose)

When you press me to your heart

(Quando você me aperta junto ao seu coração)

I'm in a world apart

(Eu estou em um mundo à parte)

A world where roses bloom

(Um mundo onde as rosas florescem)

And when you speak, angels sing from above

(E quando você fala, os anjos cantam do céu)

Everyday words seems to turn into love songs

(Palavras cotidianas parecem transformar-se em canções de amor)

Give your heart and soul to me

(Dê o seu coração e alma para mim)

And life will always be

(E a vida sempre será)

La vie en rose

(La vie en rose)

Quando acabou a música, Hermione notou que a algazarra também chegou ao fim. Parecia que estava sozinha na sala, pois não haviam ofensas sendo trocadas ou cadeiras voando, como pensou que voariam em algum momento. Ouviu uma fungada e olhou na direção que o som vinha, se deparando com Monstro sentado em uma cadeira. As pernas pequenas estavam viradas para ela, e o elfo enxugava o rosto.

— Tudo bem, Monstro?

— Mione, isso foi lindo! — Gina estava embasbacada. — Estou arrepiada.

— Foi muito baixo, isso sim. Agora só tenho amor, não consigo brigar. — O grifinório reclamou.

— Que exagero, nem foi tudo isso. — Draco estava encostado na parede, a atenção voltada para Hermione. Em algum momento todos pararam de brigar e se acomodaram para assistir a garota.

— Não vou brigar com você, Malfoy. — Harry disse. — Agora Let's go to the mall, Mione! Por favor, nunca mais te peço nada.

— No piano, Harry? E vocês podem parar de me encarar, por favor? Estou ficando sem graça.

— Tarde demais, amiga. — Gina sentou-se no colo do namorado. — Descobrimos sem querer uma forma de não nos matarmos e não sabemos quando o professor volta, você toca sim.

— Se vai impedir que vocês me incomodem, tudo bem. E que isso fique entre nós.

Até o elfo concordou, então Hermione tocou a música que Harry pediu enquanto os dois cantavam e riam ao mesmo tempo. Vince ficou surpreso quando voltou ali após cerca de duas horas e encontrou cinco jovens muito bem comportados falando sobre feitiços. Não havia sinal de piano ou de Monstro por que esse último pediu que um outro elfo ficasse de olho no professor, a pedido dos garotos. Tentariam se odiar de forma mais discreta agora.

Notas finais
E então, o que acharam? Volto em breve, beijo pra vcs!