Yellow
1 Sentimentos de Isopor
Notas iniciais
Bom, como é meu PRIMEIRO projeto original, se não tiver uma boa repercussão, não continuarei a posta-lo, ok?
Ah, e não betado. Por que? Bem, me digam alguma vez que qualquer fic minha tenha sido betada XD espero que gostem meus pôneis lindos! ♥
OBS: Tem uma música (nunca vou parar de colocar músicas), é só clicar no nome dela que vai abrir uma aba com o link no youtube, ok? ♥

“E então eu olhei para o sol e eu podia ver...
Ah, o jeito que a gravidade puxa você e eu.
E então eu olhei para o céu e vi o sol,
E o jeito que a gravidade empurra todos...
Todo mundo...”
- Coldplay (Gravity)
Qual o problema das pessoas quando se tornam adultas?
É sério, lá estava eu, muito entediado por sinal, no aniversário do meu primo Renato (lê-se, A Peste Que Arrancou A Cabeça Do Meu Max Steel Quando Eu Tinha Seis Anos), ele é uns dois anos mais velhos que eu, e estava completando dezoito anos naquele dia.
Aquela festa foi O Caos.
Eu nem sabia que garotos “normais”comemorava aniversário depois dos dez anos de idade (até por que a única coisa que eu sei dar de presente para outros meninos são carrinhos da HotWeels), até meu primo me aparecer com uma dessas! Nos estávamos mais para irmãos que primos, ele viveu um tempo morando comigo quando éramos crianças (na época que ele tirou a cabeça do meu Max Steel), e acabamos criando um laço muito forte, o que no futuro me foi muito vantajoso já que sempre que eu queria sair e meus pais não deixavam, eu fazia o maior drama, até o Renato se estressar e dizer que ia comigo, aí meus pais deixavam!
Agora o porquê de aquela festa ser O Caos.
Vomito. Gente bêbada. Vomito. Garotas dançando um funk qualquer enquanto rebolavam até o chão. Vomito. Garotos competindo pra ver quem tomava mais. Vomito. Pacotes de bala, salgadinho e copos descartáveis espalhados no chão. Vomito. Mais gente bêbada. E vomito.
Não são necessários mais detalhes para resumir tudo o que havia ali.
Ah, não, tinha pior: Levar cantada de um rapaz bêbado.
Isso sim era horrível.
Já falei que odeio bebida? Bom, eu odeio bebida! O cheiro forte me dá náuseas, e aí vem aquele garoto, com aquele bafo, parecendo que se der mais um passo vai cair, se escorando na pessoa e ainda falando o clássico:
“Está sozinho delicia”?
Dá vontade de falar:
“Não! Que isso cara! Imagina! Eu estou me pegando com meu namorado imaginário da dimensão paralela, não tá vendo”?
Mas o rapaz devia estar tão bêbado que se eu falasse isso ele acreditaria.
– Estou. – respondi rispidamente. – mas não ‘tô a fim de papo.
– Qual é gostoso... – disse ele apoiando o cotovelo na parede, me cercando. – só um dancinha vai?
“Que bafo horrível”, era a única coisa que eu conseguia pensar.
– Vai sonhando. – empurrei com um pouco de força seu ombro e saí dali.
O chão parecia mais um campo minado, ou um jogo de escolha, só faltava o Silvio Santos aparecer aqui e falar:
“Qual maleta você escolhe”?
Só que no lugar de dinheiro, eu ganhava ou uma poça de vomito, ou uma cantada de um bêbado.
Esbarrei com Renato perto da mesa de salgadinhos (que, diga-se de passagem, tinha de tudo, menos salgadinhos), ele estava com uma menina que eu nunca havia visto na vida, estavam fazendo de tudo, menos se beijando, aquilo estava mais para dois alienígenas tentando devorar a cabeça do outro.
–PriiiiimooooMichaaaeeeeel...! – disse ele, fedia a cachaça.
A garota ao lado dele falava coisas incompreensíveis e se esfregava ainda mais, estava tão bêbada quanto ele.
– Eu vou roubar ele um pouquinho de você, ok? – falei já puxando Renato dos braços dela.
Não a deixei nem contestar, já o arrastava escadaria a cima, o levando para seu quarto. Quando abri a porta vi um casal se agarrando ali, os expulsei aos berros e tranquei a porta, puxando Renato até o banheiro.
– Vamos, acorda seu bêbado! – liguei o chuveiro e enfiei a cabeça dele ali debaixo.
Renato passou a se debater e socar a parede, quando começou a me xingar percebi que já devia estar um pouquinho melhor e desliguei o chuveiro.
– Cacete, por que fez isso!? – disse irritado enquanto enxugava o rosto com uma toalha.
– Você estava quase acasalando uma garota no meio da sala há menos de dez minutos atrás. Sabe que horas são? Já passou da meia noite! Daqui a pouco a polícia aparece aqui acabando com a festa por causa do barulho! E seu primeiro dia com dezoito anos vai acabar atrás das grades!
– Deixa de drama Michael. – ele terminou de enxugar o rosto. – eles não estão nem prendendo bandido, vão lá acabar com uma festa por causa de um barulhinho?
– “Barulhinho”? DÁ PRA OUVIR O SOM DO OUTRO LADO DO BAIRRO! Um monte de vizinhos já ligou reclamando!
– Tá, tá, eu vou abaixar o volume. – disse Renato fazendo um bico.
– Não é pra simplesmente “abaixar o volume”, é desliga-lo!
– Deixa de ser chatoMichael! – revirou os olhos. – nada vai acontecer.
– Então volte pra sua festinha! Depois não me diga que não tentei avisa-lo!
Fui a passos pesados até a porta e saí a batendo com tudo. Desci a escadaria, sentindo aquele fedor de vomito e bebida subir-me na cabeça e quase que vomito ali mesmo.
Tive de fazer uma Missão Impossível para sair dali, quase beijei a calçada ao chegar nela.
– SÁI! GRAÇAS A DEUS, SAÍ! – gritei no meio da rua mesmo.
Peguei meu celular no bolso, MARAVILHA, ele estava descarregado, então nada de chamar carona, não havia mais ônibus circulando, droga! Como vou voltar para casa? À pé jamais, senão só chego amanhã! Se bem que hoje hipoteticamente é amanhã, então... Mas que droga!
– Precisa de carona? – disse uma voz masculina.
Revirei os olhos e me virei em direção a ele, fazendo uma careta.
– Não obriga-
Perdi a fala.
O QUE É ISSO JESUS? TU ESTAS ENVIANDO ANJOS A TERRA?
Que DELICIA de homem era aquele?
Calça preta meio colada, jaqueta preta de couro, camisa cinza com estampa doColdplay. Uma corrente prata com pingente doSuper-manpendurada no pescoço e luvas de motoqueiro. Coturnos altos no estilo militar, cabeça levemente raspada na lateral direita, num tamanho de dois dedos, e o resto do cabelo jogado para o lado esquerdo com um pouco de gel. Um capacete preto de moto pendurado no braço e uns óculosRay Banpendurado na gola da camisa.
Mas o que mais chamava atenção realmente eram seus cabelos.
Loiros, um amarelo quase berrante, mas era tão bonito que eu não acreditava que poderia ser natural.
Ok. Esse cara está tentando me seduzir, só pode.
Ou tentando me humilhar com essa aparência de Apolo.
– Então, precisa de carona?
Levei alguns minutos para despertar de meu transe.
– Oi?
– Perguntei se precisa de carona. — disse ele com um sorriso sedutor de canto.
– Carona...? Ah, carona!
Ele me olhou erguendo uma sobrancelha. Ah, eu sou uma anta mesmo...
– Na verdade... An... Preciso.
– Mora por onde?
– Na parte alt- Pera! Por que tá me oferecendo carona? O QUE QUER DE MIM!?
Os olhos do loiro se arregalaram por um segundo, mas logo ele tornou a sorrir de canto.
– O que eu quero? Hm... – aproximou-se um passo. –Você está nas opções?
Acho que os morangos sentiriam inveja do meu rosto naquele momento.
– E-Eh!? Tarado! VOCÊ QUER MEU CORPO NU! – dei as costas e me pus a caminhar para longe dali.
– Hei! Espera! – ouvi seus passos atrás de mim.
Acelerei a passada e já estava praticamente correndo quando senti uma mão firme em meu pulso.
– Desculpe-me! – disse ele.
Virei-me em sua direção irritado e arranquei meu pulso de sua mão cruzando os braços.
– Mas não me culpe pelo o que eu disse!
– Ah é? E vou culpar a quem?
– Você mesmo!
– Eu? EU? QUAL O SEU PROBLEMA!?
– Você não pode andar por aí com... – ele apontou para mim, gesticulando com o braço livre. –tudo issoe não querer ser cantado não acha?
Ah, eu ODEIO ser tão branco! Meu rosto fica vermelho muito facilmente!
– O Q-
– Nem adianta contestar, você sabe que o que estou dizendo é verdade.
–Hunf. – fiz um bico e virei o rosto para o lado.
O loiro riu e segurou meu queixo, forçando-me a olhar para ele.
Verde e Amarelo.
Seus olhos eram de um verde amarelado hipnotizante, definitivamente aquele cara não era humano. Era absurdamente atraente.
– Você é uma graça quando está vermelho.
Esqueçam o que eu falei.
– Vai me dar à carona, ou não? – falei dando uma tapa na mão que estava em meu queixo.
Ele estalou a língua e mexeu nos cabelos, jogando-os ainda mais para a esquerda.
– Ok. Venha comigo.
Foi na frente e eu o segui ainda irritado.
Mas esqueci de minha raiva ao ver a moto.
COISA LINDA DO PAPAI!
Era uma GTR 250 vermelha, com iluminação em ambas as rodas. E vários detalhes customizados.
DESCULPA AÍ SE A ÚNICA COISA QUE EU TENHO É UMA BICICLETA ELÉTRICA, TÁ QUERIDO? Dois beijos.
– Uau. – UAAAAAAAAU!!! – é sua? – apontei para aquela belezinha.
– O que acha? – ele estendeu-me um capacete cinza que antes estava preso à moto.
– Hm. – bufei e coloquei-o na cabeça, tentando prende-lo.
O loiro riu e me ajudou, fazendo-me corar com sua proximidade.
– Desastrado, hum? – disse com seu absurdamente sexy sorriso de canto.
–Hunf. – fiz meu clássico bico e desviei o olhar.
O loiro terminou de prender e logo em seguida subiu na moto, colocando o próprio capacete preto e baixando a viseira escura.
– Você não vem?
Pisquei algumas vezes até entender que ele estava falando comigo, e subi na moto, ouvindo-o liga-la.
– Segure-se firme. – disse ele pegando uma de minhas mãos e a colocando em sob seu abdômen.
– Eu não vou segurar em voc-
ESSE FILHO DE UMA MULHER QUE VENDIA O CORPO PARA PAGAR AS DIVIDA DEU A PARTIDA E ACELEROU COM TUDO.
Desgraçado.
Agarrei sua cintura no reflexo, colando nossos corpos.
– VOCÊ FICOU DOIDO!? – berrei, mas minha voz saiu entrecortada pelo vento.
Ele não respondeu, mas pude ver seus olhos momentaneamente fixos nos meus através do retrovisor.
OLHAR 43 JÁ É APELAÇÃO!
–Hunf. – fiz um bico irritado e apoiei o rosto em suas costas, fechando os olhos.
– Aonde mora mesmo? – ouvi-o dizer abafadamente.
– Parte Alta, rua Jeykin Pothylane, 35 com a 36, perto do restauranteA la France.
– Sei onde fica.
Depois disso, não pronunciamos mais nenhuma palavra, eu aproveitava o vento gélido batendo contra minha pele e a sensação confortável de movimento. Minhas mãos automaticamente se ajeitaram ao redor do loiro, e, mesmo que sem querer, consegui sentir seu abdômen extremamente dividido através da camisa.
POXA, TEM QUE HUMILHAR-ME MESMO HEIN!
Depois de uns quinze minutos, chegamos a minha rua, pedi que ele fosse um pouco mais para frente já que minha casa era a última. Assim que parou, desci da moto e soltei o capacete (que por sinal era bem mais fácil que colocar, pelo menos pra mim!), entregando-o para o loiro.
– Obrigado. – falei. – você me salvou!
– Disponha. – disse o loiro retirando o capacete enquanto descia da moto. – então?
– Então o que?
– Cadê o meu beijo de agradecimento?
Engasguei com o ar naquele momento.
– O SEU O QUE!? – gritei, mas logo em segui tapei a boca, já eram quase duas da manhã e a última coisa que eu precisava era de vizinhos raivosos acordando.
O loiro sorriu de canto,aquele malditamente perfeito-lindo-sexy-sedutor sorriso de canto, e se aproximou de mim, colocando rapidamente uma mão firme em minha cintura e puxando meu pequeno corpo em direção ao seu.
– O meu... – aproximou os lábios de meu ouvido, baixando significativamente a voz. –beijo.
Arrepiei-me até os fios da nuca com a rouquidão de sua voz, seu pescoço estava próximo ao meu rosto, de maneira que eu conseguia sentir um aroma delicioso e provocante desprender-se dele.
– Vai sonhando. – empurrei-o e dei um passo para trás. – tá achando que eu sou o que?
– Quer mesmo que eu responda? – OLHAR 43 É APELAÇÃO CACETE.
– Quero que suma daqui. – falei irritado, já dando as costas.
Não consegui avançar nem dois passos desta vez antes de ter meu braço bruscamente agarrado e meu corpo jogado contra o muro de minha casa.
– Ei! – reclamei.
O loiro apenas me prensou mais contra a parede, segurando ambos os meus pulsos acima de minha cabeça enquanto aproximava novamente os lábios de meu ouvido.
– Você é Michael Alisson, certo? – sussurrou.
– Como sabe meu nome? – esse cara já tá me tirando do sério!
– Estudo com seu primo, Renato, ele me falou muito bem de você. – respondeu enquanto se afastava meu ouvido e fixava os olhos nos meus.
– O que, especificamente? – fuzilei mentalmente.
– Que você era mimado, irritante, pavio-curto e principalmente... – largou meus já doloridos pulsos, descendo descaradamente ambas as mãos até minha bunda, apertando-a com vontade. – do quanto a sua bundinha era sexy.
EU VOU ESFOLAR O RENATO, A CARA DE GALÃ DELE NÃO SERÁ PERDOADA!
– Me solta imbecil...! – tratei de empurrar seus ombros com as mãos, agora, livres.
– Só se você me der um beijo.
– EU NÃO VOU TE BEIJAR CARALHO!
Vi uma luz ser acessa na casa vizinha e empalideci, MAS QUE MERD-
– É mesmo? – antes que eu pudesse contestar, seus lábios capturaram os meus.
Filho da puta.
É CLARO QUE ELE TINHA QUE BEIJAR BEM, POR QUE NÃO? Qualquer um pode ser lindo, sexy, gostoso, inteligente e AINDA POR CIMA beijar bem, né? Vai se f**** loiro maldito!
Eu tentei resistir, EU JURO QUE TENTEI! Mas ele era bom demais naquilo! Não beijava apenas com os lábios, mas sim com o corpo. Suas mãos percorriam minha cintura até minhas nádegas, apertando-as com gosto, uma perna roçava sem vergonha alguma entre as minhas e seus lábios pareciam querer devorar os meus pela vontade que ele mordia, sugava e abusava de minha boca.
Tá de sacanagem que eu ‘tô ficando excitado só com isso, né produção?
Eu nem sei quanto tempo durou o beijo, só sei que nem me lembrava de como se respirava quando ele o apartou. Meu rosto devia estar todo vermelho, meus olhos caramelizados estavam com pequenas lagrimas e minha respiração quente soprava em seu rosto.
E o maldito continuava com a mesma carinha e sorriso de antes.
– Foi umprazerte dar essa carona Michael. – disse afastando-se de mim.
Subiu na moto, segurando o capacete e olhou para mim, lançando aquele MALDITO sorriso sexy se canto enquanto mordia de leve o lábio inferior.
- A propósito, me chamo Bryan Richard, — colocou o capacete e engatou a chave na moto. – nos vemos por aí, Michael.
Deu partida, e a única coisa que vi foi a poeira levantada atrás de suas rodas antes que o ponto vermelho sumisse.
Eu fui numa festa.
Certo.
Meu primo bêbado estava lá.
Certo.
Ganhei uma carona de um estranho, mas ele não é estranho para o Renato.
Certo.
O estranho me assediou.
Certo.
O estranho se chama Bryan Richard.
Certo.
...
MAS QUE MERDA ACABOU DE ACONTECER!?
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