Yellow

2 Palavras de concreto


Notas iniciais
CheGAY! U.U Mais um cap para meus pôneis! é.é E esse possui duas músicas, já sabem, é só clicar no nome delas e abre o link no youtube. ENFIM! Espero que gostem!

“Você poderia... Você poderia voltar?

Volte para junto de mim,

Se coloque em minhas costas,

E diga que é para sempre”.

– Coldplay (One i Love)

– NÃO ME IMPORTA! A CULPA É TODA SUA! – gritei pela milésima vez.

Com quem eu estava me esgoelando? RENATO É OBVIO!

Já não bastava sair falando de mim por aí, falando da MINHA BUNDA para os amiguinhos dele, o desgraçado ainda DÁ O MEU NÚMERO PARA AQUELE ESTUPRADOR DO BRYAN RICHARD!

Ok. Não que ele seja bem “BRYAN, O ESTUPRADOR”, mas ele havia me roubado UM BEIJO!PELA LEI, UM BEIJO FORÇADO JÁ É CONSIDERADO ESTUPRO! Está escrito no artigo 213 do código penal*: “constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique ato libidinoso”, BEIJO FORÇADO PODE DAR ATÉ DOZE ANOS DE PRISÃO SE FEITO COM UM MENOR! E eu tenho dezesseis anos! O Bryan tem dezenove (foi o Renato quem me falou)!

– CARALHO SUA MÃO É PESADA MICHAEL! – reclamou Renato agarrando meu pulso. – Que mal tem? EU SÓ DEI O SEU NÚMERO!

– GOSTARIA QUE EU DESSE O SEU NÚMERO PARA QUALQUER VADIA QUE PEDISSE? EU SEI QUE NÃO! ENTÃO NÃO DÊ MEU NÚMERO PRA QUALQUER PEDÓFILO QUE PEDIR!

– Vocês só têm três anos de diferença! Ele não é pedófilo, só está interessado em você!

– Ele não está interessado em mim! – acertei-lhe um soco no braço. – ELE ESTÁ INTERESSADO NA MINHA BUNDA SEU FILHO DUMA ÉGUA! – continuei a soca-lo.

Logo estávamos rolando no chão enquanto trocávamos socos, chutes e xingamentos com direito de puxões gays de cabelo e unhadas.

– O QUE ESTÁ ACONTECENDO AQUI!?

Pronto. FO-DEO.

– TIA KATIA! – abri o meu sorriso mais inocente e saí de cima de Renato que estava semimorto no chão. – HÁ QUANTO TEMPO!

– Nos vimos antes de ontem Michael. – Tia Katia segurou minha orelha, puxando-a com força. – o que vocês dois estavam aprontando!? – ah, ela vai me matar...

– Nada demais mãe! – Renato abriu um sorriso amarelo e levantou-se do chão. – apenas uma briguinha entre priminhos.

– Hm... Briguinhas causam isso? – apontou para uma marca roxa em meu braço enquanto exibia um sorriso assustador.

QUANDO AQUILO HAVIA IDO PARAR ALI!?

– Há... Há... Hahahahaha! – desesperei-me. – e-eu caí da escada tia! Nada demais! – cocei minha cabeça. – olha a hora, tá tarde, eu tenho que ir...!

E escapuli dali antes que ela resolve-se dar à louca e trancar-me junto a Renato no quarto depois de nos dar uma bela surra.

NUNCA SUBESTIME A TIA KATIA. Eu não estava fugindo! Imagina! Era apenas uma... Hm... “Saída estratégica”.

Cheguei ao ponto de ônibus e passei uns quinze minutos em pé esperando o meu chegar, subi, paguei a passagem e me espremi em meio aquele punhado de gente.

Segundo Isaac Newton, “Dois corpos não ocupam o mesmo espaço”, eu garanto que ele nunca entrou num ônibus brasileiro!

Aquele sovaco fedido do maldito rapaz que PERSISTE em usar uma regata! O funkeiro que mesmo recebendo sabe se lá quantas reclamações não desligava o celular (e olha que é lei federal isso!), aquele punhado de peito e bunda sendo imprensado contra as janelas e... Ah, um assediador.

TEM UMA PLACA ESCRITA “TOQUE, É GRATÍS!” NA MINHA BUNDA OU O QUE!?

Claro que eu fui jogado lá pros cafundós do ônibus onde nem banco tinha mais! Tudo o que restava era um monte de metal sem nenhum apoio ou estofado, ou qualquer coisa a mais do gênero para se sentar. E, É CLARO, tinha que ter alguém ali no meio pra ficar passando a mão na minha bunda! QUANDO EU FALO QUE QUEREM MEU CORPO NU NINGUÉM ACREDITA NÉ CACETE!?

– E-Ei! – reclamei.

Ouvi uma risada rouca perto de meu ouvido e a mão atrevida continuou a me bolinar.

– Gostosinho com sempre, hein Michael?

AQUELA VOZ!

– C-Ca-arlos? – gaguejei.

O ruivo deu uma risada nasal e me virou (não sei como naquele micro espaço, mas conseguiu!) de frente para si e deu um sorriso sacana.

– Há quanto tempo Michael.

Ah! Que lugar MAIS APROPRIADO para reencontrar meu ex-ficante! Isso é praga, só pode...

– O que pensa que está fazendo? – falei entre os dentes, evitando ao máximo não chamar atenção.

– Te tocando, não é obvio? – continuo com aquele sorriso pervertido e deslizou ambas as mãos até minha bunda. – o que acha de descermos em qualquer lugar e nos divertirmos um pouco?

– Ficou doido? Obvio que não!

– Não seja chato Michael... – disse o ruivo.

O ônibus parou e logo desci rapidamente, a parada ficava bem perto de minha casa.

Infelizmente, Carlos também desceu.

– Tá me perseguindo? – perguntei irritado enquanto acelerava o passo.

– O que acha? – em nenhum segundo ele parava de me olhar daquele jeito...

ELE QUER MEU CORPO NU!

– Não acho nada! Saia de perto de mim! – eu já estava era correndo.

Só que o Carlos correu atrás de mim, e logo parecíamos dois malucos correndo pela rua como se tivéssemos acabado de assaltar a padaria.

Eu achei que estava ruim.

Até que vi uma moto vermelha e seu piloto estacionados em frente a minha casa. O loiro estava encostado a ela e observava o celular em sua mão.

É, primeira lição da vida:

Se acha que está ruim, não se preocupe, pode piorar.

Mas aquilo me deu uma ideia!

Acelerei o máximo que pude, chegando até Bryan que ergueu uma sobrancelha quando me viu.

– Custava você ter respondido só uma das minhas mensagens? – disse ele com o tom de voz meio manhoso, mas estava claramente se divertindo com a situação. – o que houve? Correu uma maratona?

Eu estava ofegante, com as mãos apoiadas nos joelhos e meus cabelos castanhos escuros grudavam em minha testa suada pelo súbito esforço.

– F- Arf... Arf... F-Finja... Arf… Ah… Q-Que é… – respirei ainda mais fundo. – m-meu...

– Oye! Michael! – ouvi a voz de Carlos.

Nem pensei duas vezes. Segurei com força a nuca de Bryan com a mão esquerda e o puxei para mim, colando nossos lábios num beijo desesperado.

Vi por meus olhos semicerrados que os belos orbes amarelo-esverdeados dele se arregalaram. Sua mão hesitou por um segundo antes de segurar minha cintura e me puxar mais para si, aprofundando ainda mais o contato e correspondendo com fervor. E, UAU, esse cara beija realmente bem!

– O que...– murmurou Bryan – raio foi isso...?

Ignorei-o completamente e olhei para Carlos que estava boquiaberto nos observando.

– Me desculpe, realmente não dá! Eu e o Bryan estamos namorando, sabe? – entrelacei meu braço ao do loiro. – se nos dá licença...

Nem dei tempo para o ruivo contestar. Arrastei Bryan e destranquei a porta de casa, o jogando lá dentro e a fechando bruscamente atrás de mim.

– Ai caralho, essa passou perto... – suspirei enquanto me largava no sofá e apertava o rosto com ambas às mãos.

Senti uma mão atrevida em minha coxa direita e fuzilei Bryan com o olhar.

– O que exatamente aconteceu meu bonequinho? – disse o loiro colocando o outro braço ao redor de meus ombros, apoiado no sofá.

– Primeiro: Não sou seu bonequinho. Segundo: ou você tira essa sua mão daí ou vai ficar sem bater punheta por um bom tempo.

Imediatamente Bryan se afastou e jogou os cabelos para o lado.

– Você é bem estressado, hum? Quem era aquele ruivo?

– Meu ex-fican- Pera! Por que eu tenho que responder isso?

– Então ele é seu “ex-ficante”, não namoraram?

– Não é que tenhamos “namorado”, mas “namoramos”, hm... Acho que o termo “ficamos” realmente se encaixa mais e... ARG, POR QUE EU AINDA ‘TÔ TE RESPONDENDO!?

– Por que eu sou muito lindo.

– SAI LOGO DAQUI SEU ATREVIDO! – gritei colocando-me de pé.

– E se eu não quiser sair?

– VOU TE COLOCAR PRA FORA A FORÇA! – peguei uma chinela que estava jogada no chão e apontei-a para ele.

– Você não ousaria... – desafiou-me dando um sorriso prepotente.

– Experimenta pra ver...

– Não prefere terminar o que começamos lá na porta de entrada M-i-c-h-a-e-l? – aproximou-se rapidamente de mim.

– Fique longe! – recuei.

Mas a cada passo que eu ia para trás, ele ia dois para frente.

– Seu primo me falou que você costuma ser tímido no começo... – disse o loiro baixando e engrossando a voz. – mas que logo depois se solta...

A esse ponto eu já estava encurralado contra a parede, Bryan detinha uma mão na parede, ao lado de minha cabeça e a outra se agarrava a minha cintura, puxando-me para si.

Nota mental: ESTRANGULAR O RENATO NA PRÓXIMA VEZ QUE O VIR!

– Mas não me preocupo com isso. – continuou ele sorrindo cinicamente. – os que mais resistem, são os mais fogosos no final.

PEGOU PESADO FILHO DA TRUTA.

Não pensei nem meia vez. Acertei-lhe uma belíssima joelhada nos seus países baixos.

Bryan soltou um grito mudo, seus olhos quase saltaram das órbitas e ele caiu no chão se contorcendo de dor.

– NUNCA MAIS SE APROXIME DESSE JEITO! – gritei empurrando-o com o pé. – EU POSSO SER PEQUENO, MAS SEI ME DEFENDER!

Bryan continuava agonizando no chão, então o empurrei com o pé e o fiz rolar até a porta de entrada, expulsando-o dali.

Agachei-me ao seu lado e toquei-lhe o rosto, acomodando-o em minha mão.

– Você até que pode ser legal, mas... Tsk... – dei-lhe um selinho e soltei-lhe o rosto. – não é para mim.

E fechei a porta.

– Cada um que me aparece... – murmurei enquanto subia a escadaria.

Fui para meu quarto e larguei-me em minha cama enquanto suspirava. Vire-me de lado e peguei meus fones de ouvido e os coloquei, conectando ao pequeno MP4 e escolhendo aleatoriamente a música. Tentando pensar em qualquer coisa que não fosse o beijo devastador de Bryan...

Claro, tinha que tocar a música dele.

Safe & Sound de Taylor Swift ecoava pelos pequenos emissores de som.

Os fios dourados do motoqueiro logo desapareceram de minha mente, sendo substituídos por outra cor.

Por outra pessoa.

Na vida, algumas coisas são inevitáveis.

Como as lagrimas que vieram aos meus olhos naquele momento.

Não importa quantas vezes eu prometa para mim mesmo, sempre volto a chorar por causa daquele idiota...

Mas, confesso, eu sinto falta dele.

E acho que sempre sentirei...

Notas finais
*Essa lei é séria, um beijo a força realmente pode ser considerado estupro, vocês podem conhecer toda essa lei neste link: http://www.jusbrasil.com.br/topicos/10612010/artigo-213-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940