Yandere Love
1 I.
Notas iniciais
PS: tenham paciência, o yandere vai aparecer no momento que ele deve aparecer!
Não é minha culpa. Não mesmo. Eu tento, sabe? Fazer amigos. Essa coisa que todo mundo tem, menos eu. E não é porque eu não quero, simplesmente não acontece. E não é minha culpa. Não é por falta de tentar, por que foram inúmeras as amizades que eu já tentei fazer. Mas elas nunca duravam.
É como se... Eles tivessem medo de mim. No começo da amizade, sempre nos divertíamos. Mas, depois de um tempo, eles mudam. Como se eu tivesse feito algo terrível para eles. Não conseguem nem mais olhar na minha cara. Mas não é por causa de algo que eu fiz. Eu nunca fiz nada! Eles simplesmente... Mudam. É horrível! Inventam desculpas lamentáveis e somem da minha vida, simplesmente. Me deixando só. Completamente só.
Esta é minha vida. A vida de Júlia Alves, 17 anos, a garota com uma maldição.
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Eu disse que estou sempre sozinha, mas era mentira. Nunca estou só. Sempre estou rodeada de pessoas que fazem pouco caso de mim. Me zoam. Por quê? Só porque estou sempre sozinha? Por que diabos eu sofreria bullying por causa disso? Isso é bobagem. Mas não nesta escola. Aqui, não ter amigos é quase suicídio social. Sabe-se lá porquê. Deve ser mais uma daquelas coisas inventadas pela “rainha”. Sim, temos uma rainha. A garota mais adorada daqui. Completamente diferente de mim.
Ela é alta, eu sou baixinha. Ela é rica, eu sou pobre. Sua pele é branquíssima, a minha não tem cor definida. Algo entre o moreno claro e o mediano. Ela tem olhos azuis, olhos azuis profundos... Familiares. Mas eu nunca a vi antes, tenho certeza. Os meus são negros como a escuridão. Seus cabelos negros são perfeitos, lisos como os do comercial da Seda. Os meus são bem danificados e de uma cor ruiva mais para castanho. Enfim, ela tinha centenas de amigos, eu não.
Bem, não digo amigos de verdade. Com certeza são a maioria aproveitadores. Mas todos falam com ela. Trocam informações. Ninguém nem olha na minha cara. Eu não existo por aqui. Às vezes, tenho inveja dela. Mas no fundo, também queria ser sua amiga. Nós nunca conversamos, mas de vez em quando nos esbarrávamos. Mas eu evitava conversar com ela. Um ser perfeito como esse não poderia ter essa maldição de falar comigo.
Certo, preciso parar com isso. Senão daqui a pouco vou tentar me matar cheirando a fralda do meu irmãozinho menor.
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Mais um dia de aula, mais um dia de inferno. Queria que essas patricinhas me deixassem em paz. Logo saio do campo de de visão delas, e corro para o ponto do ônibus. Elas não vão aparecer por aqui. Está chovendo, afinal. Eu adoro a chuva. Tão melancólica! Gosto disso. Eu realmente devo estar ficando depressiva...
Que estranho. A chuva parou de cair em mim, mas não ao meu redor. Como assim? Então percebo que não estou sozinha. Olho para o lado e me assusto. Tinha uma pessoa ali. Não uma pessoa, um anjo. Certo, isso foi muito brega.
Ela era linda. Nunca a tinha visto antes, mas seu sorriso, de algum modo, me fez ficar feliz. Seus cabelos castanho-claros curtos faziam ela parecer um garoto. O que não melhorava este meu coração que batia cada vez mais forte.
Ela disse oi. Ai meu deus. Que voz perfeita. Eu apenas falei alguma coisa sem sentido e virei o rosto. Certo, não é culpa minha que eu não consigo fazer amigos, né? Não, não é. Esse meu comportamento é resultante do fato de estarmos tão perto uma da outra que eu nem sinto mais tanto frio assim.
O que seria de nós “stalkeadores”, sem a proteção divina dada pelo Facebook? Procurei em um monte de lugares, mas finalmente achei. Seu nome é Rosângela Barroso. Mas que nome feminino, Rosângela. Não combina com ela. Droga, lá vem eu e meus esteriótipos de novo. Vai que ela nem é lésbica, Júlia? Procurei no perfil dela e tem dizendo exatamente isso. Lésbica. E solteira. Tá, por que eu realmente me importo com isso? Pare com isso, coração. De qualquer forma, ela parece legal.
Rose. Decidi chamar ela assim. Que infantil. Mas seu sorriso era realmente lindo. Não quero que ela me odeie... Droga, pare com isso, Júlia! Por que eu estou querendo me aproximar dela? Não devo ter amigos, eu sou perigosa. E eu não sei nem por quê.
Mas como eu sou completamente teimosa, eu persegui ela também na vida real. Ela vive cercada de garotas. Queria ser uma delas... Mas no que diabos você está pensando, Júlia? Você não tem amigos. Quando mais uma namorada. Garota. Além disso, estou destinada a morrer sozinha. Sou perigosa.
No meio do meu “stalkeamento”, esbarrei em uma pessoa sem querer. Me virei para me desculpar, mas logo fiquei sem palavras. Era a rainha. E seus olhos azuis hipnotizantes. Já falei que seu nome era Cecília? Cecília Gomes. Seus olhos eram mesmo lindos... Tão lindos que eu mal podia ouvir suas amigas que xingando da pior maneira possível. Mas isso não importava. Seus olhos eram mesmo lindos. Mas tinha alguma coisa estranha neles...
Ela falou alguma coisa como “tome cuidado” e foi embora. Ela era tão rainha que diante de tamanha majestosidade, fiquei tentada a dizer “sim, senhora.”
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Estava chovendo de novo. Maldito verão brasileiro. Maldita eu que esqueci o guarda-chuva. Acho que vou ter que ir assim mesmo. Minha mãe nem vai ligar para isso, está sempre dando atenção ao meu irmão bebê. Eu sou mesmo um peso morto onde quer que esteja...
Alguém falou algo. Olhei para trás e lá estava ela. Rose. A garota do sorriso perfeito. Ela me ofereceu novamente seu guarda-chuva. Argh, essas borboletas no estômago... Por quê estou tão nervosa? Mas eu já deveria saber da resposta. Mas ela só está sendo gentil. De qualquer forma, demorei a responder. Como eu temia, ela insistiu. No final, aceitei com um sorriso fraco. Mas era o que eu queria, afinal.
No caminho, não falamos nada, mas eu mal podia tirar meus olhos dela. Como sou fraca. Ela olhava fixamente para frente, perdida em pensamentos. Me aproveitei e passei a observá-la melhor. Ela era realmente alta. Sua pele era mais morena que a minha. Seus braços, fortes. Ela realmente parecia um garoto. Isso realmente não ajudava.
De repente, nossos olhos se encontraram, Me faltou ar. Apesar de não serem tão intensos quanto os da rainha, eles ainda tinham um bom efeito em mim. Então percebi que estávamos bem próximas uma da outra. Eu simplesmente não podia fazer nada. Estava presa naquilo. E, a quem estou querendo enganar, eu queria aquilo.
Me pergunto qual de nossas bocas se moveu primeiro.
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Não acredito que beijei uma garota. E olha que nem amigos tenho. Como de repente isso aconteceu? Depois daquilo, nós começamos a conversar. Ela me disse que sempre me observava de longe. Tinha despertado seu interesse com minha solidão. Eu parecia diferente de todo mundo. Claro, eu sou perigosa. Ela ria. Disse que eu tinha uma personalidade melhor que todos dali. Claro que fiquei vermelha.
Eu lhe avisei do perigo de ficar perto de mim, mas ela riu novamente. Disse que queria ser minha amiga. E talvez até algo mais, se eu deixasse. Droga, pare de ficar vermelha, Júlia. Eu disse se ela quisesse ser minha amiga, que se preparasse para as consequências. Ela aceitou com mais um daqueles sorrisos de derreter calota polar e meu coração.
Passaram-se alguns meses. Ela ainda estava comigo. Não podia estar mais feliz! Mas eu não podia me animar. Ela vai se machucar, sempre dizia a mim mesma. Sou perigosa, por algum motivo, mas sou. Para o bem dela, tenho que acabar com nossa amizade. Mas não consigo... Ela é tudo o que eu sempre quis! É divertida. Paciente. Sempre escuta minhas lamentações. Tinha um corpo perfeito. Ops, essa não precisava...
Saímos várias vezes, como amigas, claro. Não tocamos o assunto do beijo. Éramos apenas amigas. Mas eu... Eu estava começando a desejar algo mais.
Porém, lá no fundo, eu sabia que todo esse conto-de-fadas iria acabar. Sempre acaba. E ela vai acabar me odiando. Isso vai acontecer. Eu não quero isso! Mas eu não posso fazer nada. Eu só tenho que aproveitar... Da melhor maneira antes que acabe.
Só que eu não esperava que acabasse tão rápido.
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Mais um dia chuvoso. Rose disse que ia me esperar no ponto, como sempre fazia. E realmente estava lá. Eu me aproximei, feliz. Já fazia alguns meses e nada tinha acontecido. Um recorde? É como se meus desejos tivessem sido realizados. Como estava enganada. A última coisa que eu me lembro, era de ver mais um daqueles sorrisos lindos especialmente para mim.
Então, aconteceu. Uma pessoa estranha, vestindo um casaco que escondia o fato de ser homem ou mulher e usando uma máscara que cobria todo seu rosto se aproximou dela. Meu coração parou. Ele encostou a arma em sua cabeça. Eu não pude fazer nada. Ela nem percebeu.
Ele atirou.
Pedaços. Meu coração ficou em pedaços. O estranho correu, obviamente, e eu não movi um músculo. Estava paralisada. Paralisada pela dor. A dor de ver a pessoa que você gostava caída no chão, com um líquido vermelho escorrendo de seu corpo. Eu não precisava nem chegar perto. Pela quantidade de sangue ali no chão, ela já estava morta.
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Morta. Era assim que eu me sentia. Eu não queria mais viver. Não enquanto aquele sorriso não saísse da minha cabeça. E ele não sairia jamais.
Não. Eu não quero mais vier. Eu sou perigosa. Aquilo foi culpa minha. Tinha que ter sido. Que outros motivos teriam para querer matar um ser perfeito como ela? É minha culpa. As últimas horas passaram como um borrão. Médicos, curiosos, policiais, professores, alunos, olhos azuis. Olhos azuis...?
Eu estava sentada na tampa da privada, no banheiro deserto. Não sei o que fui fazer ali, mas estava lá. E ela também. Olhos azuis. Eu levantei a cabeça. Ela sorria. Não um sorriso zombeteiro, mas sim um sorriso de real felicidade. Eu abri a boca, mas não falei nada. Ela sorriu ainda mais. Fechei minha boca. Simplesmente fiquei encarando aqueles olhos azuis.
– Finalmente percebeu que não pode se relacionar com mais ninguém?
Essa pergunta veio como um raio no meu peito. Seus olhos azuis demonstravam um sentimento estranho. O mesmo daquela vez, porém com mais intensidade. Eu não sabia o que era, mas sabia que estava com medo. Muito medo.
Ela andou um passo em minha direção. Tive vontade de correr, mas aqueles olhos azuis... Ah, aqueles olhos azuis... Eles me faziam não conseguir mover um músculo. Será que é isso que a presa sente quando está acuada pelo predador? Ela sabe que precisa sair dali, mas simplesmente não consegue. Mais um passo. Ela entrou no box e trancou a porta.
Eu estava tremendo. O que era aquilo no olhar dela? Ela estendeu a mão e tocou em meu rosto. Seu olhar... Meu deus, eu precisava sair dali. Ela acariciou meu rosto. Um sorriso afetuoso se formou em seus lábios. Sua mão percorreu meu rosto e segurou meu queixo.
– Finalmente desistiu de se relacionar com os outros?
Sua voz era calma e suava. Diferente da expressão que ela estava fazendo naquele momento. Aquilo... Não era a expressão de uma pessoa normal. Não mesmo.
Finalmente descobri o que seus olhos diziam. Desejo. Um desejo intenso ardia em seus olhos. Um sentimento que ela parecia não controlar. Seus olhos tinham desejo.
– Finalmente, agora você é apenas minha.
Sem nem uma chance de eu resistir, ela me beijou.
Notas finais
Ceci me provocando arrepios desde que apareceu na minha cabeça hahahahaha
Anyway, como eu disse, vai ter outro capítulo. E vai ser narrado pela Cecília. Esperem o verdadeiro yandere, meu povo!(e sim, podem me amaldiçoar, eu mereço!).
Até a próxima, devo postar daqui a uma semana, talvez? hahahaha
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