SEXTA-FEIRA, 27 DE JULHO.

03:26PM.

O treinamento do clube de basebol ainda ocorria no campo da escola. Você caminhava ao redor do prédio escolar. Sabia que não encontraria Ichimatsu entre aqueles pucos alunos e casais que permaneciam sentados no gramado para assistirem tanto o por do sol, como também, o treino dos membros que já estava para acabar.

Você apenas teve vontade de observar um pouco também, mesmo sabendo que no fundo você ainda tinha um pouco de esperança de encontrar o garoto dormindo em alguma parte daquele gramado.

— Cuidado!

Entre as vozes dos membros que corriam no campo, como a dos espectadores que conversavam entre si, você ouvi alguém gritar desesperadamente. Assustada você virou em direção ao campo, e neste movimento você sentiu algo atingir fortemente seu rosto. Com o impacto você sentiu uma forte dor se alastra na área do seu nariz, assim fazendo com que você se encolhesse ao cobrir aquela área com suas mãos.

Você sentia que todos a olhavam preocupados, mas apenas uma pessoa se aproximou de você.

— Você está bem?!

A voz pertencia a mesma que havia chamado sua atenção.

— Si-Sim... Eu acho... — Lentamente você decidiu tirar suas mãos da área dolorida. — Não quebrou, né...?

Quando você levantou sua cabeça para olhar a pessoa parada a sua frente, você teve uma grande surpresa que a fez perder as palavras. O garoto que falava com você era idêntico a Ichimatsu e Todomatsu, porém este continha um grande sorriso que não era nem um pouco característico dos dois. Além disto usava o uniforme do clube de basebol, e pelo taco que continha em mãos você deduziu que havia sido ele a lhe acertar com a bola.

— Sangue! Você ta sangrando!

De maneira inesperada o garoto aumentou o tom de voz, enquanto corria em voltas chamando a atenção de todos que estavam por perto. Estranhamente o garoto mantinha um grande sorriso nos lábios, mesmo estando aparentemente desesperado.

Você sentiu algo quente escorrer de seu nariz até tocar seus lábios, e quando passou seus dedos pelo local você teve noção do liquido vermelho que saia de você.

— Enfermaria! Você precisa ir para a enfermaria!

De maneira inesperada o rapaz a pegou nos braços, e antes que você pudesse perguntar o que ele estava fazendo o garoto correu para dentro do prédio.

Por sorte, boa parte dos alunos já haviam ido embora, mantendo apenas alguns que ainda saiam de seus clubes. Vocês passaram pelos corredores vazios até chegarem rapidamente a enfermaria.

— Sensei!

O garoto gritou pela enfermeira assim que abriu a porta branca da sala.

— Juushimatsu, o que aconteceu? — A mulher assustada correu até vocês, e quando o garoto colocou você no chão ela pode ver perfeitamente o liquido vermelho em seu rosto. — Oh!

Espantada a mulher rapidamente levou você para se sentar em uma das camas da enfermaria. Enquanto ela estancava o seu sangramento, Juushimatsu permanecia atrás da mesma, andando nervosamente de um lado para o outro.

— Não precisam se preocupar. — Mencionou a mulher depois de finalmente conseguir parar todo o sangue que saia de você. — Não quebrou nada e agora já parou de sangrar. Se ainda estiver doendo tome um remédio para dor e ficará tudo bem.

— Obrigada, sensei.

Você agradeceu a ela ao se levantar.

— E você Juushimatsu. — A mulher olhou para o rapaz que pareceu paralisar. — Tente não aparecer novamente esta semana. Eu não sei o que farei com você se aparecer com algum novo machucado.

A mulher suspirou aborrecida, fazendo o garoto se desculpar desesperadamente. O rapaz parecia ser muito energético e carismático, pensou você.

— Agora vão para casa. Se ficarem por mais tempo apenas chegarão em casa de noite. — Avisou ela ao se dar conta que o sol já se punha.

Você e o rapaz agradeceram uma ultima vez antes de saírem da sala.

Você caminhava tranquilamente com o garoto pelo corredor, até que repentinamente ele entra em seu caminho, a fazendo parar.

— Eu sinto muito!

Você se assustou quando o mesmo repentinamente se ajoelhou ao seus pés, pedindo por perdão repetidas vezes.

— E-Ei, não precisa fazer isto.

Você rapidamente o fez ficar em pé, repetindo mais uma vez que estava tudo bem. Mesmo parecendo ainda um pouco culpado o garoto se levantou.

— Ainda está doendo?

Perguntou o garoto, se aproximando mais para ver bem o local machucado.

— Um pouco, mas logo ficará melhor.

Você sorriu ao responde-lo. Queria ao máximo mostrar que tudo já estava bem, e que ele não precisava mais se culpar por nada. Afinal, havia sido apenas um acidente.

O rapaz pareceu se admirar com seu sorriso quando os olhos do mesmo ganharam um certo brilho. Repentinamente o garoto ficou com as bochechas rosadas. Quando o mesmo notou o pequeno espaço que havia entre vocês dois ele rapidamente se afastou. Você o achou muito fofo, era como se olhasse para um Ichimatsu muito sorridente. O nome do rapaz passou por sua mente a fazendo lembrar que ainda precisava entregar os biscoitos para ele.

— Aproposito, o seu nome é Juushimatsu, certo? — Você perguntou ao lembrar da enfermeira que o havia chamado por este nome. Ele confirmou sua dedução com um aceno de cabeça. — Por acaso é irmão do Ichimatsu?

Ele ficou surpreso.

— Eh?! Você conhece o Ichimatsu-nissan?

— Sim. Ele é um amigo...

— Oh, então o Ichimatsu-nissan tem amigos.

Você se surpreendeu com o que ele havia dito. Não era a primeira vez que ouvia aquilo de um dos irmãos do garoto.

— O Ichimatsu é realmente solitário...

Você resmunga de maneira triste, chamando a atenção de Juushimatsu que a observava. O silencio durou por algum tempo até você ficar desconfortável com aquilo.

Olhando mais uma vez pela janela você nota o azul escuro que aos poucos começava a tomar o céu tingido pelo laranja do sol que tocava o horizonte.

— Parece que logo logo irá escurecer...

Você comenta apenas para tirar aquele silencio estranho que havia no corredor.

Juushimatsu também olha, notando que realmente já estava para anoitecer.

— Podemos ir para casa juntos se quiser.

— Eh?! — Você olha surpresa para o garoto, que ao notar o que havia dito fica rapidamente vermelho. Ele repentinamente começa a gesticular enquanto gagueja palavras que você quase não entende. De certa maneira chegava a ser engraçado. Você acabar por não segurar uma risada. — De-Desculpe eu não queria rir de você. Mas é que você é realmente fofo, Juushimatsu-kun.

O seu comentário parece surpreender o garoto que para repentinamente, olhando você como se não acreditasse em suas palavras. Como se para não ficar envergonhado ele começa a fazer novas caretas e graças que a fizeram rir ainda mais.

Com seu estomago já doendo você o manda parar entre risadas.

— Pa-Pare! Nós podemos ir juntos para casa, então pare! Apenas vá logo trocar de roupa antes que escureça.

Notando que ele ainda se mantinha vestindo o uniforme do clube o garoto se assusta, pedindo para que você o esperasse ele corre em disparada pelo corredor. Ele era como uma criança, você pensou.

Decidida a espera-lo no portão da escola você continuou seu caminho, porém uma sensação ruim a para. Você sentia uma presença sombria atrás de você, fazendo calafrios percorrer seu corpo. Você estava paralisada, e você sabia que o que a impedia de virar era o seu forte medo daquela presença forte e ruim.

As vozes altas de alguns alunos que desciam as escadas a trouxe de volta para a realidade, como se trouxesse todo o controle sobre o seu corpo. Você lentamente vira-se, tendo a visão apenas de um corredor vazio.

— Talvez apenas minha imaginação...?

Você pensa em voz alta antes de seguir o mesmo que caminho que o grupo que havia passado por você.

~~**~~

Você se encontrava esperando nos portões da escola, até que uma voz não tão distante a chama. Olhando em direção ao prédio você teve a visão de Juushimatsu correndo em sua direção enquanto acenava freneticamente para você.

O rapaz parou ao seu lado sem nem mesmo cansar depois de tanto correr para lá e para cá.

— Você foi rápido. — Você comenta.

Sem uma resposta o garoto apenas riu ao coçar a cabeça.

Sem demorar vocês começaram a caminhada até em casa. Aos poucos as estrelas começavam a brilhar fracamente no céu, deixando uma vista bonita para quem via. Os postes de luz aos poucos começavam a acender, iluminando a cidade que começava a ficar escura. Uma sensação ruim tomou você assim que você lembrou das vezes que sentia ser seguida pelas ruas da cidade. Odiava ter que ficar na rua até aquelas horas, pois sempre tinha que pegar aquele maldito atalho para chegar o mais rápido possível em casa.

O desespero começava tomar você, por isto que para se distrair tentou puxar assunto com o garoto que à acompanhava.

— Juushimatsu-kun, quantos irmãos você tem?

Uma pergunta aleatória mas que você se mantinha curiosa a um tempo. Não gostaria de acabar se esbarrando com mais um rosto idêntico ao de Ichimatsu.

O garoto apenas levantou a mão aberta para você que o olhou em duvida.

— Cinco.

— Ci-Cinco?! — Você indaga quase chocada. — E-E são todos iguais?!

— Sim, sim! Somos sêxtuplos!

Você ficará boquiaberta com a noticia. Nunca conseguiria imaginar que em algum dia da sua vida você conheceria sêxtuplos idênticos. Não conhecia os outros três, mas apenas os que havia conhecido foram o suficiente para confundi-la.

— Incrível... Deve ser bem difícil ter tantos irmãos idênticos a você, não é?

— Hmm... — De maneira pensativa ele olhou para o céu, logo a respondendo. — É até que divertido! Sempre estamos juntos e eles são bem engraçados também!

Por um momento você ficará sem reação, afinal quando perguntou algo sobre para Ichimatsu ele pareceu ficar sombrio, enquanto que Todomatsu parecia ficar irritado quando mencionava os irmãos. Juushimatsu parecia ser o único a dar uma boa impressão deles.

Ignorando todos aqueles pensamentos você apenas sorriu ao responde-lo.

— Você deve gostar bastante deles então.

— Sim! Eles podem ser bem idiotas, mas são legais!

Você riu com o comentário do garoto. Ele conseguiu deixa-la confortável apenas na primeira conversa.

Vocês continuaram caminhando juntos apenas por mais um tempo, até que você parou em um encruzilhada.

— Juushimatsu-kun, eu vou por este caminho.

Você aponta para o caminho da esquerda.

— Você tem certeza que quer continuar sozinha? Já está bem escuro.

— Sim, não se preocupe comigo. Já estou acostumada.

Ele não se convenceu totalmente com seu sorriso, porém preferiu não insistir.

Ele se despediu e virou-se para ir, porém você o chamou novamente. Ele se virou e você tirou o pacote de biscoitos que havia deixado dentro do seu bolso.

— Você pode entregar isto para o Ichimatsu?

Juushimatsu olhou bem o pacote em sua mão, e notando o que seria ele exclamou como uma criança animada:

— Biscoitos!

Ele iria agarrar o pacote de sua mão, porém você rapidamente a puxou antes que ele pegasse os biscoitos. Você pensou que poderia confiar no rapaz já que ele parecia gostar tantos dos irmãos, mas acabou por perder um pouco a confiança com aquela reação inesperada dele.

— Espere, Juushimatsu-kun! Eles são para o Ichimatsu! Apenas pensei que você poderia entregar para ele, já que não consegui encontra-lo. Acho que eles não ficarão tão bons se eu esperar até segunda-feira para entrega-los

A animação de antes rapidamente sumiu do garoto que soltou um suspiro tristonhos. Ele fizera uma expressão triste que lembrará um pobre cãozinho abandonado. Aquilo tocará seu coração, mas não poderia dar os biscoitos de Ichimatsu para ele.

Com um suspiro você pega a mão do garoto que a olha confuso. Você coloca o pacote na mão do rapaz que o segura.

— Peça para o Ichimatsu dividir com você, talvez ele te dê alguns.

O moreno não ficará tão feliz com isso, mas ainda sim apenas concordou com você. Ele se despediu mais uma vez, porém quando o rapaz ia embora você o chamou mais uma vez.

— Parece que na próxima atividade do clube faremos Cupcakes, se você quiser posso te dar a-

Sem deixar com que você terminasse de falar o rapaz a interrompe.

— Eu quero!

O rosto do garoto pareceu se iluminar novamente, deixando o largo sorriso do rapaz mais bonito e contagiante. Você sorriu feliz com isto. Era bom saber que alguém queria comer da sua comida.

Pela ultima vez vocês se despediram. O rapaz seguiu saltitando para casa, tirando algumas risadas suas.

Você não se preocupou tanto em entregar os biscoitos para Juushimatsu, de alguma forma você sentia confiança naquele garoto inocente e adorável.

~~**~~

— Estou em casa!

Juushimatsu finalmente estava em casa, e como o esperado apenas recebeu silencio com sua chegada. Ele tirou seus sapatos e foi em direção a sala, onde encontrou seu irmão Ichimatsu, sentando no canto do comodo, brincando com o seu gato alaranjado.

— Ichimatsu-niisan! — Animado o garoto se aproximou do rapaz que o olhou desinteressado. — A sua amiga pediu para eu te dar isto.

O garoto estendeu o pacote de biscoitos para o garoto que olhou surpreso para aquilo.

— Amiga...?

— Sim, sim! Ela disse que era para você dividir comigo, então-

Sem que ele terminasse sua fala ele sentiu o pacote ser arrancado de sua mão. Ichimatsu sem falar nada apenas pegou o pacote e o colocou dentro do bolso do moletom roxo que vestia.

— Ichimatsu-niisan...?

— Como você a conhece?

Um olhar sombrio foi direcionado a Juushimatsu que ficou confuso.

— Eu apenas falei com ela hoje...

Com esta resposta Ichimatsu apenas estalou a linguá incomodado com aquilo. Ignorando o irmão ele se levantou, indo em direção ao corredor.

— Ei, eu também quero biscoitos!

Juushimatsu insistiu mais uma vez naquilo, deixando o rapaz irritado.

— Não vou da-los para você! — Ichimatsu repentinamente aumenta o tom de voz, fazendo Juushimatsu estremecer. Era raro as vezes que via o irmão gritar. — Ela os fez apenas para mim, não deixarei que outro alguém os coma.

Com um ultimo olhar frio e irritado direcionado ao irmão, Ichimatsu se retirou dali, subindo para o quarto dos irmãos.

Por sorte nenhum dos irmãos estavam ali, por isto o garoto aproveitou parar fechar a porta e ficar sozinho.

Sentando-se no chão ele tirou o pacote do bolso. Um sorriso pervertido surgiu nos lábios do garoto, que encarava os biscoitos com uma grande paixão no olhar.

Apenas em ter o pensamento de que você fez aquilo pensando especialmente nele o deixava excitado. Ele rapidamente sentira a mudança de temperatura que aumentara rapidamente, fazendo com que as bochechas pálidas ficassem vermelhas e sua respiração ofegante.

— Nunca irei come-los...

Ele resmungou com paixão, cheirando o pacote que antes estava em suas mãos.