SÁBADO, 04 DE AGOSTO

08:44AM

Era sábado de manhã e você já estava acordada preparando seu café da manhã. Seria seu primeiro dia no trabalho e por isto você não queria se atrasar.

Depois de muito procurar você finalmente havia sido aceita como garçonete em uma cafetaria não tão longe do condomínio em que você mora.

O fato de que você estava procurando um emprego era para ajudar seus pais, já que eram eles que pagavam todas suas despesas você começou a se sentir um peso, por isto pensou em arranjar um trabalho de meio período para ao menos conseguir comprar o necessário para seu convívio.

Deixando o seu prato em cima da mesa você foi em direção aos armários em busca da sua xícara favorita que havia ganha a bastante tempo da sua avó. Você procurou e procurou, porém não a achava em lugar algum. Você não ficou tão surpresa com isto, pois não era de agora que suas coisas vinham sumindo. Tanto como suas escovas de dentes, canetas, e até mesmo peças de roupas vinham sumindo a um bom tempo. Você não tinha certeza se por acaso era você quem os perdia, mas no fim apenas deixava o caso de lado. "Talvez eu os encontre mais tarde", este sempre era o seu pensamento.

Com sua paciência esgotada você acabou por pegar uma xícara qualquer de dentro do seu armário. Não poderia perder tempo com algo assim se quisesse chegar cedo no trabalho.

De barriga cheia você apenas deixou a louça suja na pia para quando você chegasse em casa os lavasse.

Com os dentes escovados você pegou tudo que precisaria e se certificou de trancar tudo antes de sair do apartamento.

Não sendo tão longe de onde morava você decidiu por ir andando mesmo. No fim você conseguiu chegar lá antes mesmo do seu expediente começar.

Você foi logo recebida pela gerente, que a ordenou que vestisse rapidamente o uniforme, pois ainda teria que apresenta-la para os outros funcionários do local.

Você não demorou tanto no vestiário, por isto em pouco minutos já estava no salão principal junto com os seus novos colegas de trabalho.

A gerente que parecia nunca tirar a carranca que carregava no rosto parou em frente a vocês, a deixando um pouco tensa com tanta rigidez.

— Como sabem hoje temos uma nova colega de trabalho, então a tratem bem.

Parecendo não se importar muito ela a apresentou para todos, que apenas a cumprimentaram normalmente. Entre eles você não deixou de notar o garoto extremamente tímido que a encarava nervosamente. Ele era idêntico a Ichimatsu e seus dois irmãos. Você ficou surpresa ao ver um dos irmãos de Ichimatsu entre seus colegas. Ele não parecia ser sombrio, fofo, ou energético, ele apenas a encarava como se não acreditasse que você estava realmente ali.

Você deduziu que aquele era um dos sêxtuplos que você ainda não conhecia.

— Então é isso, agora vão trabalhar!

Apenas com um grito da gerente todos os funcionários se dispersaram pelo local como em um passe de magica. Você continuava encarando o garoto que ainda estava parado ali, ainda a olhando boquiaberto.

— Você está bem?

Você finalmente decide se aproximar. Ao ver que você falava com ele o rapaz se sobressaltou em um susto. Ficando rapidamente vermelho ele apenas mexeu a boca soltando silabas soltas que você quase não entendia.

Ele era realmente estranho, você pensou.

— O que ainda estão fazendo ai?! Vão trabalhar!

Um grito raivoso da gerente assustaram vocês dois, que sem contraria-la fizeram rapidamente o que foi mandado.

Não demorou muito para que clientes começassem a ocupar as mesas do salão, deixando todos cheios de trabalho, principalmente você, que não conseguia um minuto sequer de descanso. Para piorar você sentia ser observada a todo momento pelo mesmo garoto de antes.

Você ficava desconfortável e distraída, o que atrapalhava seu trabalho.

Ele era um garoto realmente estranho, até mesmo mais estranho que Ichimatsu.

Você estava enchendo a xícara do cliente com café, quando sente mais uma vez aquele mesmo desconforto de antes. De maneira automática você olha ao redor, tendo em vista os mesmo olhos que a secavam dês que havia chegado ali. Desta vez ele não desvia o olhar, o que a faz continuar encarando ele, como se o avisasse de que você sabia que ele a observava.

Você estranhou o fato de que ele repentinamente pareceu espantado com algo, porém antes mesmo que você se fizesse essa pergunta algo quente escorre em seus dedos, enquanto que ao mesmo tempo reclamações vieram do cliente que você servia.

Com a dor repentina em sua pele você rapidamente larga a xícara que transbordava café para todos os lados.

O garoto de antes vem desesperado em sua direção, chamando por seu nome ao pegar a mão que você havia queimado.

— Precisamos de água gelada!

O garoto rapidamente a puxa em direção a cozinha, deixando o cliente raivoso que reclamava com os funcionários que rapidamente foram ajuda-lo.

Você sente sua dor aliviar quando a água gelada da torneira toca a pele queimada pelo café quente.

Você estranhou a grande preocupação estampada no rosto do rapaz. É como se vocês se conhecessem a bastante tempo para ele se importar tanto com você.

Não demorou muito para que a gerente entrasse na cozinha gritando com você. Ela estava tão furiosa que você poderia jurar que a qualquer momento ela soltaria fogo pelas narinas!

— Vá até lá e se desculpe com o cliente agora! — Grita a mulher furiosa, apontando para a porta de onde vinha os gritos raivosos do cliente que você havia atendido.

— Você não vê que ela está machucada?! Não temos tempo para isso, precisamos tratar logo dela!

Você não iria pestanejar, porém o rapaz ao seu lado fez isto por você, o que a deixou bastante surpresa.

— O que você disse, Choromatsu-san?! Você conhece muito bem as regras. Temos um cliente insatisfeito e furioso detrás daquela porta, temos a obrigação de resolver isto agora! Então, senhorita, vá lá e resolva o problema que você arranjou!

Você viu os punhos do garoto fecharem com uma força que com certeza deixariam marcas das pequenas unhas na palma da mão. Você conseguia escultar os dentes rangendo em raiva do rapaz, o que a deixou com medo de que ele fizesse algo precipitado ali mesmo.

— Tu-Tudo bem. — Você pousa uma de suas mãos no ombro do garoto, tentando acalma-lo um pouco. — Eu estou bem, foi apenas uma leve queimadura. — Você sorri para ele, tentando tranquiliza-lo sobre tudo aquilo, o que funcionou um pouco. — Eu estarei indo agora mesmo, senhora.

Sem questionar você passa pela porta da cozinha, indo em direção ao cliente que a olha furioso.

— Você também Choromatsu!

Você ouve a voz da gerente atrás de você, que se aproximou com Choromatsu ao seu lado. Vocês fizeram uma fila horizontal de frente para o homem que olhava irritado para vocês três.

— Nós pedimos desculpas pelos problemas causados ao senhor.

Em uma reverência vocês se desculpam em conjunto, até mesmo a gerente que independente do que, também era responsável por aquilo.

Vocês ainda tiveram que ouvir muitas reclamações até o cliente se acalmar, e para isto teve que dar alguns benefícios, como café grátis por uma semana. Tudo para que o cliente não saísse insatisfeito dali, ou então a cafetaria teria o nome sujado por boatos escandalosos.

— Venha, é melhor fazer um curativo nisto.

Choromatsu a puxou para os fundos do estabelecimento, a fazendo sentar em uma cadeira ele mesmo fez os curativos em seus dedos. Ele parecia tão perturbado com o que havia acontecido que nem sequer estava mais nervoso como antes.

— Obrigada por me defender...

Seus agradecimentos parecem deixa-lo confuso por alguns segundos, até que ele entende do que você falava.

— Ah, aquilo foi...

Constrangido ele desvia o olhar, olhando para todos os cantos menos para você. Era como se ele lembrasse apenas agora com quem estava falando por todo aquele tempo.

— Você não precisava ter feito aquilo, poderia ter perdido o emprego por minha causa.

— É claro que precisava! — Ele repentinamente aumenta o tom de voz, a deixando surpresa. — Era preciso... Você havia se machucado. Quem se importa com um velho irritante que apenas vai para os lugares para ter algo com que reclamar? Você era bem mais importante naquele momento.

Você achou estranho como ele estava tão indignado com aquilo. O nível de preocupação que ele tinha com você era realmente estranho para alguém que mal conhecia.

— Vocês dois! — Repentinamente vocês são surpreendidos pela gerente. — Se já acabaram ai voltem ao trabalho!

— Sim!

Apenas você a responde. Ela chega a olhar com desgosto para Choromatsu, que apenas a ignora enquanto guardava os curativos no kit de primeiro socorros. Parecendo cansada ela apenas ignora o mal comportamento do garoto, logo deixando vocês a sós novamente.

— Parece que é a unica coisa que aquela mulher sabe falar.

Resmunga Choromatsu, ainda emburrado pela forma que a gerente havia lhe tratado antes. Sem uma resposta você apenas riu em concordância.

— Obrigada, os curativos ficaram muito bons.

Você levanta da cadeira, o agradecendo mais uma vez. Ele rapidamente fica vermelho novamente, voltando a gaguejar assim como antes.

— N-N-ÃO-NÃO FO-FOI-

— Tudo bem, é melhor irmos logo antes que ela volte.

Você ri com o jeito atrapalhado do garoto que parece ficar ainda mais vermelho.

Vocês voltaram para o salão principal, voltando a atender os clientes novos que chegavam.

Você ouve o sino da porta soar mais uma vez, anunciando a chegada de novos clientes. Sem perder tempo você vai em direção a ela, pronta para receber os novos clientes.

— Sejam bem vin-

Você perdeu a fala assim vera quem eram os clientes que acabaram de entrar. Tanto Juushimatsu, como Ichimatsu e Todomatsu esperavam na porta. Não apenas os três, mas como mais dois que você ainda não conhecia.

— Eh...?

Vocês quatro se olham surpresos, enquanto que os dois restantes apenas ficaram confusos com a situação.

— Vocês! — Você ouve a voz raivosa de Choromatsu atrás de você, o que a surpreende. — O que estão fazendo aqui?!

Um choromatsu irritado para ao seu lado. Ele parecia mais furioso que antes.

— Relaxa, Punhemtasu. — Menciona o de moletom vermelho, qual você ainda não conhecia. — Seus irmãos apenas vieram ver como você está indo no novo trabalho.

Você olhou chocada para o rapaz despreocupado. Ele realmente havia chamado o irmão de Punhematsu, ou você apenas estava com cera de mais do ouvido?

Choromatsu a olha muito constrangido, logo virando-se ainda mais irritado para os irmãos. Uma discussão começou entre eles, o que a fez se preocupar quando notou toda a atenção que estavam chamando.

— Choromatsu, — Você rapidamente puxa o rapaz para mais perto de você, fazendo o garoto se calar rapidamente. — A gerente!

Você sussurra desesperadamente ao ouvido do garoto que parecia delirar com tanta aproximação. Ao olhar para trás ele teve a visão da mulher que bufava como um touro vindo em direção a vocês. Tentando com que ela não viesse ao encontro de vocês, você rapidamente recebe os irmãos.

— Sejam bem vindos! Uma mesa para cinco, certo?

Você indaga em alto e bom som, fazendo com que a gerente parasse a alguns passos de vocês. Choromatsu ainda parecia não querer colaborar, porém algumas cotoveladas suas foram o bastante para convence-lo a fazer aquilo.

— Por favor, venham por aqui...

Contra gosto ele os recebeu, os guiando com muito mal gosto até uma das mesas.

Para sua sorte, a gerente já não se encontrava mais ali, deixando um suspiro de alivio escapar de seus lábios.

— Não sabia que você trabalhava aqui.

Todomatsu que ainda continuava do seu lado a surpreende ao falar tão perto do seu ouvido.

— To-Totty, eu achei que você estava com seus irmãos...

Um pouco desconfortável você se afasta um pouco do garoto.

— Desde quando é tão intima do Punhematsu? — Ignorando seu comentário ele continua a fazer perguntas. Ele estava tão serio naquele momento que chegava a assustar. Onde estava toda aquela fofura que você encontrava todos os dias na escola?

— Pu-Punhematsu? — Você repete constrangida. — Está falando do Choromatsu?

— E de quem mais seria?

Ele a responde como se fosse o obvio, o que a deixa curiosa.

— Por que o chamam assim?

Você franze as sobrancelhas, um pouco desgostosa com o apelido estranho que haviam colocado nele.

— Não está na cara? — Um sorriso malicioso repentinamente surge nos lábios do garoto, o que a deixa desconfiada. Ele se aproximando mais do seu ouvido, como se fosse lhe contar um segredo. — Nós o chamamos assim porque-

— Todomatsu! — A voz furiosa de Choromatsu a assusta, o que a faz se afastar do garoto por impulso. — O que ainda está fazendo ai? Achei que já havia lhe dado uma mesa.

Um olhar sombrio tomou Choromatsu, o que a deixou com um pouco de medo.

— O que há com essa atitude? Também sou um cliente, sabe. — De maneira cínica Todomatsu o respondeu.

— Sim, por isto estou pedindo para que se sente junto com os outros.

Como fazia com todos os clientes o rapaz abriu um sorriso falso, mas que dessa vez chegava a assusta-la.

— Agora não. — De maneira arrogante Todomatsu respondeu o irmão mais velho, o que o deixou ainda mais irritado. — Não vê que estou ocupado?

O sorriso falso no rosto do rapaz já havia sumido, deixando apenas a raiva que sentia aparente.

— Aqui não é permitido flertar com as funcionarias. Então se esta procurando este tipo de coisa recomendo ir para outro lugar.

As palavras do rapaz fizeram Todomatsu perder a compostura, a fazendo se assustar quando o mesmo avançou para cima do irmão, mas por sorte ele foi impedido pelo de moletom vermelho que entrou entre os dois.

— Ei, vocês tem certeza que vão fazer isso aqui?

Só agora vocês notaram toda atenção que haviam chamado na cafeteria, porém, por sorte a gerente não estava ali naquele momento, livrando vocês de uma nova bronca.

— Tsc!

Se soltando do irmão mais velho Todomatsu apenas os ignorou, seguindo em direção a mesa que seus irmãos estavam sentados. Choromatsu estava irritado de mais para continuar com aquilo, porém se não fosse atende-los você iria, e era algo que ele não queria, por isto seguiu para a mesa em que eles estavam.

— Qual o problema desses caras... — O garoto de moletom vermelho que continuava ali resmungou ao coçar a cabeça. — Hm? — Parecendo notar sua presença apenas agora ele passou a analisa-la de perto, apoiando a mão no queixo como se ficasse pensativo. — Você é amiga deles? — Ele pergunta ao conseguir deduzir toda a situação. Você apenas o responde com um aceno positivo de cabeça, o que o deixa chocado. — Não acredito que eles conseguiram amizade com uma gata como você!

Você rapidamente fica vermelha com as palavras do rapaz, que não parecia ter pouca vergonha nenhuma de dizer aquilo para uma garota.

— Osomatsu-nissan!

Choromatsu surgiu mais uma vez chamando furioso pelo irmão. Sem deixar com que Osomatsu falasse algo a mais o mesmo o agarra pelo capuz do moletom, o arrastando de volta até a mesa em que os outros estavam.

— Ai! Ei, Punhematsu! — O rapaz ainda tentava lutar contra a força do mais novo, porém forá inútil . -Esta me sufocando!

— Não me chame assim!

Você apenas permaneceu parada onde estava, observando os irmãos que discutiam já na mesa que Choromatsu havia escolhido para eles. Eles pareciam ser um grupo de irmãos complicados, porém ao ver como os cinco se divertiam ao tentar provocar o irmão que os atendia fazia você ter uma ideia diferente de tudo aquilo. Mesmo com tudo o que havia acontecido eles pareciam saber se darem bem.

Juushimatsu que percebe seu olhar acena animado para você, que o retribui da mesma maneira. Agora você entendia quando o rapaz havia falado que seus irmãos podiam ser bem idiotas, mas ainda sim continuavam sendo legais.

Ichimatsu que também percebeu o movimento entre vocês dois passou a observa-la. Notando isto você também sorri para Ichimatsu, que não a retribui, mas continuo a observa-la com olhos vazios. Você ficará desconfortável com aquilo.

Ignorando aquilo você seguiu até a cozinha, querendo evitar gritos da sua gerente novamente.

Apenas ao entrar na cozinha aquele peso saiu dos seus ombros. Ichimatsu havia voltado a agir normalmente com você, porém apenas naquele momento ele parecia irritado.

Talvez estivesse apenas com ciumes?