Yabai De!
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Apesar de ser apenas um capítulo de 'transição', meio que apresenta alguns personagens mais a fundo.
Yorokonde (?)
Capítulo 7
- Ei, Yuu...
Sua voz estava fraca, e quase não dava para ser ouvida através do som da chuva. Hanashiro Yuu ergueu o olhar do piso de concreto (onde estivera absorto em seus próprios pensamentos) para o adolescente loiro a sua frente.
- Diga.
Demorou alguns minutos para Natsurou retomar a palavra. Sua boca ainda queimava, e sentia os lábios de Yuu nos seus com tanta perfeição que se fechasse os olhos poderia acreditar que ainda o estivesse beijando.
- Por que você me...?
Só que não teve coragem de completar a frase. Só a menção da palavra já lhe dava calafrios.
Com um olhar curioso, Yuu ergueu as pestanas. Ora essa... Agora vinha ele com essa pergunta. Devia ter previsto isso. O único problema em responder a pergunta é que não tinha resposta para ela (o que era realmente atípico, já que tinha uma resposta formigando na língua para tudo).
E era óbvio que não ia admitir que não tivera um motivo plausível para uma ação que atuara; era orgulhoso demais para. Por isso, tratou logo de inventar um bem depressa. Era um motivo que satisfazia até mesmo as suas dúvidas (mesmo questionando se era verdade, e tentando acreditar com todas as suas forças que era.)... Claro! Beijou-o apenas a fim da experiência de ver como ele reagia. E realmente, foi uma surpresa. Enfim, recuperara seu espírito de Hanashiro.
-Olha... Desculpe se... Bom... Por que simplesmente não esquecemos tudo isso...? – tentou se livrar do assunto, crendo que se usasse o motivo que “inventara” o afastaria ainda mais. Estranhamente, não queria que Natsu fosse embora.
- Ah, é isso? Eu fui simplesmente um erro que devemos esquecer?
- Você está falando como uma garota. – Yuu ergueu uma sobrancelha.
Natsurou se calou.
Olhava friamente para o Hanashiro. Era como se o fuzilasse com o olhar. Até que suspirou... — e parecia estar ao ponto de debrulhar em lágrimas, suposto o nó audível de sua garganta quando começou a falar:
- É que... Você simplesmente fez aquilo como se fosse tão natural... Mas, pra mim... Não é...
- Eu te entendo.
Yuu falou tão de repente que Natsurou pulou. Olhou para ele.
- O que você quer...?
- Se você não se sente seguro com esse tipo de coisa, é só falar. Eu não vou forçar nada.
E ele falou isso com o sorriso mais compreensivo do mundo. Sua expressão estava completamente calma, e não havia pingo algum de qualquer tipo de desprezo ou arrogância que sempre carregava no brilho dos olhos. Isso fez Natsurou quase perder o chão.
- Tudo bem?
Quando o mais novo fez que sim com a cabeça, não desviou os olhos do chão.
- Desculpe, Natsu... Eu só não consegui me controlar. Ok? – disse com aquela voz rouca e profunda que fazia o coração do Kohatsu parar.
Yuu retirou as várias mechas de franja loira que cobriam o rosto do garoto, deixando a vista os dois grandes olhos cor de mel.
Os olhos verdes de Yuu estreitaram-se por causa de um sorriso zombeteiro que se formara:
- Nenhum de nós aqui tem autocontrole, né?
- O que você quer dizer com isso, Fuyuu?
O momento estranhamente já permitia brincadeiras. Era esquisito como os dois esqueciam de tudo quando estavam sozinhos.
- Hah, eu vi SENTI muito bem como você queria continuar, ok?
- ... – se a pele de Natsu não fosse tão morena, ele poderia ser dado como roxo.
- Fala aí, foi seu primeiro beijo? – perguntou, apertando a bochecha do outro.
A viagem de volta foi tranqüila. Nenhum dos dois tocou mais no assunto, e pareciam estar colaborando para que fosse esquecido.
Porém, Natsurou não esqueceria aquilo tão facilmente nem se quisesse. Fora seu primeiro beijo. E, além disso, foi... Bom. Nunca sentira aquelas sensações antes, e não as olvidaria tão cedo assim. E mais que qualquer calafrio, sentia como se esquilos (daqueles bem hiperativos que sacudiam seu rabo de escovinha) estivessem correndo dentro de seu estômago.
Sentia-se a vontade perto de Yuu? Era mais do que óbvio. Supunha que era a pessoa que mais lhe passava segurança, mas nem tinha idéia do por que.
Às vezes se pegava olhando para um ponto fixo desinteressante, apenas pensando nele. E, por acaso, estava fazendo isso naquele instante. Mordia o interior de sua boca, tentando relembrar todos os toques que recebera naquela região... Enquanto viajava pelos canteiros das diversas casas pelas quais passavam.
De repente, pararam.
Ah, já chegamos?, pensou.
- Está entregue.
Natsu olhou para o homem em frente ao volante, apenas movendo a cabeça ainda encostada no vidro.
- Aonde...?
- Na sua casa, filhote.
Olhou novamente. Ele tinha razão, estavam em frente a sua casa.
- Anhm... Muito obrigado, então... Yuu...
Estava totalmente sem graça por ter dado uma de idiota.
- Não tem de quê. – respondeu o Hanashiro, sem sombra de expressão significativa nenhuma em sua face. Até que uma surpresa tomou conta dos seus olhos. – Quase me esqueci.
No mesmo instante, ele pegou a bolsa de alça transversal que estava no colo de Natsu e começou a procurar alguma coisa. Quando achou, abriu um sorriso solene e entregou um pacotinho mínimo ao garoto. Exibia um sorriso solene.
- Presente. Só pensei que você gostaria de um... Não precisa retribuir se não quiser, apenas aceite.
Natsurou lançou um olhar aflito ao presenteador, e logo voltou-se ao mini-embrulho. Era azul, e tinha estampado a Manta que formava o logo do aquário de onde acabaram de voltar. Então ele tinha comprado alguma coisa sem que nem tivesse visto...?
Descolou a fita adesiva que mantinha o embrulho selado e tirou uma coisa fofa de dentro. Quase nem quis acreditar no que era.
- Ah... Yuu...
Simplesmente era uma miniatura de pelúcia, versão cute do seu animal preferido de todo o aquário: o tubarão baleia. Era tão fofo que quase não conseguiu segurar as lágrimas.
- Não precisa agradecer... Nem chorar...! – riu Yuu.
- Mas ele é tão bonitinho... Todo azul com essas bolinhas brancas...
- Ó, pendura no seu celular, e toda vez que você olhar para ele, vai lembrar-se de mim. Que acha?
- Tá...!
Natsurou abriu um sorriso enorme. Agradeceu mais uma vez e pulou para fora do carro.
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Antes de entrar em casa viu que as luzes já estavam todas acesas – mesmo que o céu ainda estivesse laranja – e se espantou ao perceber que sua mãe já estava em casa! Ultrapassou a porta de entrada e correndo foi até a cozinha.
- Oi, Okaa-san!
- Nacchan! Que bom que você chegou! Onde você estava que não me falou nada?
Agarrando o filho – na verdade, quase o esganando – a mãe perguntava preocupada várias coisas, sem nem mesmo parar para respirar.
- Calma, mãe, cê não tá me deixando respirar – já roxo, conseguiu se soltar dos braços dela – Eu tava com o Hanashiro-san, só...
- Ooh, ele denovo? Que bom!!
Após a cena de um quase homício, os mãe e filho pareciam ter uma relação ótima, contentes de estarem juntos.
- É, a gente foi no Churaumi. Nem deu tempo de te avisar, gomen...
- Dá próxima vez não se esqueça, viu...? Fiquei preocupada...
- Hai hai... – concordou, girando os olhos.
A mãe virou-se novamente para o fogão e continuou a cozinhar. Natsurou espiou o que ela estava fazendo, mas não conseguiu distinguir (pelo menos o cheiro era bom).
- Por que você não convida esse Hanashiro Yuu para vir aqui? Queria tanto conhecê-lo... – disse a mãe, com os olhinhos brilhando.
- Ah... Ele acabou de me deixar aqui, se estiver disposta em sair correndo atrás do carro ainda dá tempo de alcançar ele... – disse Natsurou, se retirando do cômodo.
- Há ha, muito engraçadinho. Estou falando sério, ele parece ser tão bom rapaz...
- Ah, mãaae. Não inventa...
Kohatsu Yoko colocou as mãos na cintura e fez cara de brava para o garoto que atravessava o portal da cozinha com os ombros encolhidos.
- Já inventaram a visita há muito tempo, rapazinho. Trate de convidar esse gentil rapaz para vir aqui em casa.
- Mas...
Ia argumentar, mas desistiu ao ver o rosto da mãe. Não era nem autoritário, só que não conseguia contrariá-lo. Girou e saiu da cozinha após resmungar um “Tá bom”, pensando no evento desastroso.
Subiu as escadas fazendo a madeira antiga de alguns degraus rangerem e desabou na cama. Pegou o celular no bolso e o abriu. Apertou o botão do Y e ficou encarando o número de celular.
Rendeu-se ao buraco enorme que se abriu na própria barriga. Jogou o celular do outro lado a cama e levantou num salto para ajudar a mãe com o jantar.
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Yuu estacionou o carro, desligou o motor, e agora sim: podia respirar fundo. Prendera a respiração todo o trajeto – do aquário até a casa de seu avô – e aquele suspiro foi como se seu corpo inteiro tivesse sido purificado. Aquela sensação estranha tinha sido varrida pelo ar “puro” do carro. Entrou em casa e caminhou até a cozinha sentindo-se um tanto mais leve.
Abriu um sorriso enorme quando viu o avô carregando uma bandeja com duas tigelas de Okinawa soba e correu para ajudá-lo (estava tremendo tanto que o caldo espirrava para todo lado).
- Cuidado com isso! – pegou a bandeja, rindo.
- Oh, obrigada, Yuu. Ouvi seu carro chegando e pensei que gostaria de comer alguma coisa...
A figura pequenina e caquética de Hanashiro-san arregaçava as mangas e enquanto saiu apressadamente a caminho da sala. Yuu o seguiu e pousou a bandeja na mesa da sala, sentando-se em uma almofada logo em seguida.
- Itedekimasu – murmurou Yuu, com nenhuma vontade de comer.
Passado um longo tempo, Yuu não estava nem na metade de seu soba, e seu avô não deixou de reparar.
- O que te aflige, Yuu? – perguntou, tomando um gole de seu chá verde.
Como que despertando de um transe – pois seus olhos estavam de fatos desfocados – o rapaz olhou espantado para o avô, e até hesitou em responder.
- Eu... não tenho nada, oji.
- Tem sim. Você não está com a cara carrancuda de sempre, então pressuponho que tenha algum problema, não é mesmo...?
O velhinho ficou fitando Yuu até o neto desistir.
- Você sempre acerta, né...? – suspirou.
O avô não respondeu.
- É que hoje... Eu senti uma coisa que não era para eu ter sentido. Me entende?
- Talvez... – o mais velho continuou olhando para Yuu de um jeito que se fosse outra pessoa o encarando daquele jeito já teria levado uns sopapos.
- Quer dizer, eu sempre me aproximei das pessoas sem o menor problema... Você entende o que eu quero dizer...?
O velho não respondeu, o que irritou demais Yuu.
- Sabe, eu não entendo como chamam isso, então não sei direito o que é esse formigamento estranho na barriga... Ou o que exatamente me faz ficar pensando em uma coisa só, direto...
Neto e avô permaneceram em silencio. Yuu mordia o lábio inferior. Odiava falar sobre si mesmo com alguém, mas não se incomodava em conversar disso com seu único parente; o que o incomodava de verdade era o fato de se incomodar com a presença de OUTRA pessoa, e sem saber o porquê.
- Você está se referindo aquele garoto que vem sempre aqui...? – finalmente concluiu, calmamente.
- Hn. – Yuu acenou com a cabeça, chateado.
- Oh...
- O que foi? – perguntou, vendo a expressão interessada do outro.
- Não é nada, meu neto... Mas... Você deveria saber que até os macacos escorregam dos galhos às vezes, não é...?
Yuu ergueu uma sobrancelha. Por que é que ele sempre vinha com aqueles provérbios de velho? ... Ah é, ele ERA velho. De qualquer modo, era única pessoa em que confiava, e seus conselhos sempre se provaram úteis. Mesmo que o avô tivesse suas próprias manias e maluquices, nunca deveria duvidar de qualquer coisa que ele dissesse – mesmo a maior doideira mostrava-se verdadeira.
Supôs que ele estivesse o alertando de algo... Sua cabeça estava dando voltas demais, então nem se deu conta do real significado do velho ter falado sobre macacos. Sabia que era importante, mas...
- Oh meu deus, espere aí, Yuu. – disse o velho, fechando os olhos e aguçando as orelhas.
- O que foi...-? – Perguntou, pasmo.
- São... as formigas....
- O que tem as formigas, oji...?
- Espere um momento, Yuu. Darei um jeito nelas.
O Hanashiro mais velho levantou-se e caminhou até o jardim atrás da sala, segurando seu copo de chá verde. Observou minuciosamente a terra e despejou o conteúdo inteiro de seu copo em um formigueiro que lá estava instalado.
Yuu capotou no chão da sala. O que fora ISSO? Era naquele velho que estava confiando? Aonde iria parar...?
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Notas finais
Obrigada por ter lido, de verdade *-*
As reviews é que me dão força em meio a tantas tarefas e provas >_< Valeu!
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