Notas iniciais
- Yoo!
Mil desculpas pela minha ausência... Mas finalmente aqui estou eu. Muito prazer, sou a Mayuuh. Sim, eu não estava tão ativa no desenvolvimento de "Yabai De!", mas prometo que me esforçarei para escrever com a Maria! *-* Aaahn, eu também sou de Okinawa, por isso vou tentar colocar ainda mais traços regionais.

Chega de enrolação. Depois de muito tempo, apresento à vocês o capítulo 8, desenvolvido por nós duas n_n

Capítulo 8 –

Lá estava Yuu, tentando decifrar o ato desconexo do avô. O encarava com uma expressão perplexa — confuso demais para acreditar naquilo – enquanto questionava se era hora de mandá-lo para algum tipo de terapia. Acabou por ficar ainda mais ansioso, esperando alguma outra fala do idoso, que no momento olhava fixamente para o formigueiro que se despedaçava com o chá quente. Cerca de quatro minutos depois, o jovem se levantou e retirou-se até seu aposento, suspirando.

Natsurou lavava algumas folhas de alface, pensativo. Esfregava os dedos por entre as nervuras, e meio que inconscientemente, movia a língua dentro da boca, tentando resgatar a sensação de momentos atrás. Como toda mãe-coruja – que irritantemente consegue perceber tudo – a senhora Kohatsu logo notou o silêncio do filho.

- Nee, Nacchan! – chamou, num tom melodioso

- Hã? – respondeu, meio distraído

- Aconteceu alguma coisa chata hoje, ponkanzinho(1)?

- Ahn, não... Foi tudo divertido...

- Entendi... É que você parece estar longe. Se precisar, sabe que sua mãe está aqui!

- Hai! Obrigado, Okaasan(2). – Agradeceu, forçando um sorriso e animando um pouco a voz.

Fazia exatamente 37 minutos que Yuu estava deitado no chão, encarando o teto. A única luz no quarto era a da lua, que entrava pela janela aberta. Uma leve brisa fazia os lençóis da cama se moverem suavemente, e, apesar da expressão tranqüila, o rapaz estava um tanto agoniado.

“O que será que aquele loiro escandaloso está fazendo agora...?” pensava, Abria e fechava o celular com a mão direita. Aquilo havia sido bom – e no mínimo estranho – demais para um simples experimento. Simplesmente não conseguia se livrar daquele calor dentro do peito. Levava o visor do celular até perto do rosto, ofuscando os olhos com aquele amarelo canário que tanto lembrava o garoto, e procurava pelo nome do mesmo...

- Será que ele já foi dormir?

Nove e meia, o garoto Kohatsu entrou em seu quarto, suspirando:

- Kuso(3)... Acho que eu comi demais...

Deitou-se de bruços na cama, pegando o celular. Olhava para o visor admirando seu reflexo na tela escura, enquanto acariciava seu mais novo presente.

“Não faz sentido esquecer aquilo... O que é que ele tinha na cabeça?! O que EU tinha na cabeça?!” indagava-se. Estava tão mergulhado em suas perguntas que não pôde segurar o grito de susto quando o aparelho começou a tocar e vibrar ao ritmo de uma música eufórica. O susto foi tanto que ele se moveu bruscamente e bateu a nuca na cabeceira.

- Ai... Moshi moshi(4)...? – Atendeu, massageando o próprio pescoço.

- ... Natsurou-kun?

- Ah! Oi Misaki! Tudo bem? – respondeu surpreso, já que não olhara o visor antes de atender.

- Estou bem, obrigada! Queria saber como você está, porque não te vi hoje... Na verdade eu te vi, hoje de manhã correndo que nem um desembestado, mas...

- Hah, estou ótimo, Misaki. – disse, entre risadas (enquanto se lembrava da cena em que a dona da quitanda o mandava a paneladas ir avisar o homem lindo que a esperava que ela não poderia ir) – Aliás, é engraçado você se preocupar assim comigo, nem precisa...

- Hahahah... É... É que é estranho ver alguém correndo por aí assim, às 10 da manhã... Mas, era só isso mesmo, Natsurou-kun...

- Beleza, Misaki-chan!

- Boa noite, então...

- Valeu. E durma bem, viu? Jya nee(5)!

- Você também, Natsurou-kun. Obrigada... Jya(6)!

Hanashiro ficou ainda mais impaciente ao ver que a linha do Kohatsu estava ocupada. Tentou até ligar de novo, mas permanecia do mesmo modo.

- Com quem diabos ele poderia estar falando essa a essa hora!!?

Ficou tão emburrado que jogou o celular longe, foi para a cama e ficou ali, divagando com a cabeça enfiada em um travesseiro até adormecer. “Por que eu liguei para aquela Banana Sorridente, afinal? E porque aquela coisa não atendeu?”

O uchinanchu(7) também demorou para finalmente cair no sono, porém quando o fez, ainda segurava o chaveiro na mão esquerda.

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- UAAaaah... – espreguiçou-se uma figurinha loira dentre lençóis creme.

Kohatsu olhou no relógio em sua cabeceira. Ainda era cedo... A luz que entrava em seu quarto estava laranja...

“Poxa vida”, pensou. Era domingo, por que não podia dormir até a uma da tarde como todo mortal fazia? Admitiu a derrota, não conseguiria voltar a dormir e levantou-se, com uma enorme dor de cabeça. Ao abrir a mão, ouviu alguma coisa batendo no chão de madeira...

- Ué...!

Era o tubarão de baleia que ganhara de Yuu na véspera... Tinha segurado o presente a noite inteira, então? Abaixou-se e pegou o chaveiro, pousando-o em seguida acima do travesseiro. Ficou o admirando por um belo momento, até se dar conta de que seu estômago roncava de fome.

Tateou ao lado do travesseiro para pegar o celular e colocá-lo no bolso, como fazia todas as manhãs antes de descer, só que não o encontrou.

Certo, isso era um motivo para se desesperar. Levantou o travesseiro e o jogou no chão. Não estava lá embaixo. Nem do outro lado. Também não estava embaixo dos lençóis, que foram arremessados em cima da escrivaninha. Não achou nem na cabeceira, escrivaninha, armário...

Até que um pensamento horrível veio à sua cabeça...: “Eu não dormir EMBAIXO das cobertas... foi em cima...” Desceu as escadas numa velocidade incrível. Seja o que for que ele queria com aquele celular, definitivamente NÃO era uma coisa boa. Temia que suas suspeitas estivessem certas; descobriria assim que virasse o corredor.

E estavam. Infelizmente.

- MÃE! MÃAAAAAAAAAAAAAE!! Devolve meu celular!!!

Como se aquilo dependesse a sua vida, pulou em cima da mãe que estava sentada no sofá.

- Devolve, de...vol...ve!!

- Que é isso, menino! Ca-calma...!

Os dois lutavam um estilo estranho... Na verdade, a senhora Kohatsu apenas levantava o celular com o braço direito e evitava o filho com o pé. Natsurou tentava lutar contra a mãe, mas não conseguia esticar os braços o suficiente e se desvilhinçar do pé ao mesmo tempo.

- O que você queria com elee??????

- Com ele quem, amorzinho?

- Com o Yuu!! Fala que você ainda não ligou pra ele!

- Meu deus, pra quê tanto escândalo! Não foi assim que eu te ensinei... DÁ PRA PARAR?!

Com medo do grito da mãe, instantaneamente o garoto se encolheu do outro lado do sofá.

- Desculpa...

- Hunf. Assim é melhor, rapazinho.

O filho olhava como um cãozinho assustado para a mãe. Com dó, ela estivou o braço na direção dele e ofereceu o celular.

- Aqui está.

Receoso, ele pegou rapidamente o celular da mão dela. Abriu-o e verificou as chamadas recentes... Antes que pudesse olhar, a mãe o agarrou e começou a pedir perdão:

- Desculpeee, Nacchan! Eu fui tão cruel com você...! Você desculpa a mamãe por ter te machucado?

- M-mmm-mãe, PP-para... Eu não consigo... Ver o celular... – tentando ver o visor do celular, era abraçado pela mãe, como sempre.

Quando finalmente ela o largou, Natsurou viu.

- ... Okaasan... Eu não... Acredito...

- É, eu sei... acho que eu deveria ter ligado mais tarde, não é...? Coitadinho, acho que eu o acordei, ele estava com tanta voz de sono... Mas não eu podia ligar para ele mais tarde, senão seria muito em cima da hora...

Toda inocente, a senhora Kohatsu refletia consigo mesmo, nem sequer ligando para a expressão de perplexidade — e inconformismo — estampada no rosto do filho.

- ...

- Tudo bem, amorzinho. Não se preocupe, ele falou que adoraria vir aqui. Oh, ele tem uma voz tão bonita, me lembra a do Shigure. Não te lembra a do Shigure? Ah, Nacchan, o que ele gosta de comer? Eu disse para ele vir aqui na hora do jantar. Ele tem alergia a alguma coisa? Nacchan, qual é o problema, você está tão... roxo...?

- ...

- Amor...?

- VOCÊ NÃO PODIA TER FEITO ISSO! MÃE!

Era verdade, ele estava roxo. Natsurou deu um grito de desespero, e se afundou no sofá. O que faria, o que faria, meudeus,Yuuiaparasuacasadenoite.

Congelou completamente, com o olhar vidrado.

- Nacchan...? – a mãe o cutucou. – Você está bem...?

Como o filho não se mexeu, a mulher exclamou um “Ele vai ficar bem” para si mesma e saiu contente para a área se serviço.

Natsurou ficou lá, com a alma saindo pelo corpo.

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Yuu ria sozinho em seu quarto. Na realidade, ria que nem um bobo, mas nem se importava: aquilo era cômico demais.

Estava no seu 15º sono quando foi subitamente acordado por uma música um tanto quanto escandalosa. No momento, nem havia pensado que o número seria do celular daquele banana, mas a maior surpresa foi ouvir a voz da mãe dele. “Parece que eu vou jantar com os pais dele pra pedir permissão pra namorar...”

Parou de rir assim que pensou naquilo. Deu um leve tapa na própria testa, indo em direção ao banheiro.

- hahaha... que isso, Yuu. Você deve tá com muito sono... –reclamava consigo mesmo.

“Hum... será que eu tenho de levar alguma coisa?” – questionava-se, meio sem querer.

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Glossário:

1. Ponkan: Do japonês, “mexerica”

2. Okaasan: Do japonês, “mamãe”

3. Kuso: Do japonês, reclamação(“droga...”)

4. Moshi-Moshi: Do japonês, “alô”

5. Jya Nee: Do japonês, “até logo”

6. Jya: abreviação de “Jyaa Nee”

7. Uchinanchu: nativo de okinawa

Fim do capítulo 8.

Notas finais
Muito, muito obrigada para aqueles que acompanham a série. O apoio de vocês é de extrema importância! Arigatou !

Kissu, by Mayuuh