YStage

15 15YStage: Adventure


Notas iniciais
Pedido de BlossomMist > SieghartxUno. Adventure significa Aventura. Olá meus caros! Sim, demorei maaais um tempão para postar. Blossom M.-chan, sorry. Acredite, eu escrevi 14.000 palavras e no fim: eu odiei. Sério, eu odiei. Eu viajei TANTO que eu não pude me perdoar. A ideia era para uma longfic, então não deu certo. Tive que fazer com um tema mais curto. Então espero que goste! Boa Leitura!

...

Após passar por um intenso inverno fora de época, que abalou toda a dimensão de Ernas com sua temperatura abaixo de 10 negativos e a impossibilidade de usar Magia durante um mês, os jovens guerreiros puderam enfim ver um raio de sol despontando detrás da densa neblina de Serdin. Mas não era com a chegada do Verão que eles estavam preocupados no momento.

Dispostos cada membro em um canto da sala, não ouvia-se nada além dos pássaros e do vento do lado de fora. Até os pets estavam calados, olhando para os donos sem saber o que fazer.

–No fim das contas as coisas não mudam em nada. –resmungou impaciente a maga, rodando nos dedos um molho de chaves. Ela sentava-se no sofá da sala, com o cotovelo apoiado e o rosto deitado na mão pequena. Ela estava irritada, mais do que o normal, e por incrível que pareça, o motivo não era Elesis dessa vez.

O restante do grupo presente saiu do silêncio mórbido do local para olhá-la. Como ela havia falado primeiro, essa era a chance deles saírem daquela situação constrangedora.

Arme Glenstid sentiu-se o centro das atenções e se permitiu continuar os resmungos.

–Não é novidade. Por que vocês estão tão calados? –ela perguntou indignada, levantando e colocando as chaves num chaveiro de madeira entalhado, preso na parede. Ela voltou-se para o grupo, onde maior parte das meninas ficaram com as caras vermelhas de indignação e surpresa, e os rapazes desviavam os olhos de puro constrangimento e sentimento culpa.

Arme apertou as mãos. Logo ela, quem era considerada uma das mais “bobinhas”, “ingênuas” e “inocentes”, sabia de tudo o que havia acontecido naquela sala momentos atrás.

–M-Mas é realmente... Ele não podia-, -Amy de vermelha era pouco. Ela estava absurdamente chocada e com uma face mesclada de um pouco de asco e irreverência.

Arme deu de ombros.

–Não importa. –Ronan cortou a conversa, ele descia as escadas, vindo claramente do Laboratório, que também servia de Enfermaria. –Apesar de sermos amigos do Sieghart, não importa o quanto tentemos, nunca vamos poder nos envolver com essa parte dele. Não é do nosso alcance o problema que ele tem agora.

Elesis foi quem interrompeu agora. Até então ela estivera calmamente sentada na poltrona, mexendo nas cinzas da noite anterior e com o cenho franzido.

–Besteira, Ronan. –ela balançou a mão violentamente. –Como ele tem coragem de dizer que não temos a ver?!

–Elesis. –Ronan a pressionou com os olhos, fazendo-a se conter. –Nunca vamos saber, sejamos realistas aqui, certo? Nunca vamos entender o que é passar por todo esse sofrimento. Agora não tem volta. Nenhum de nós vai ter coragem de matar aquele garoto. Sieghart jurou que se nós intrometermos ele vai garantir que nunca mais vamos fazê-lo.

Foi possível ouvir alguns dentes rangendo naquele instante. Elesis bufou, saindo para a varanda. Todos se sentiam assim. Os nervos estavam à flor da pele ali.

–Eu vou falar com a Lothos.

Dessa vez quem falou foi Jin, que cruzando os braços e com a expressão mais calma que tinha naquele momento, saiu dali em passos rápidos, pesados e sonoros que faziam jus a seu corpo atlético. Ele era quem parecia mais abalado ali. Ryan, estava mais preocupado do que com raiva, e seguiu o monge sem dizer nada. Os dois sumiram em segundos pelas escadas.

–Dois idiotas. –Dio murmurou, fechando os olhos e encaminhando-se para a varanda.

Alguns olhos queimaram suas costas. A intensidade dizia “Quem é você para falar algo?”. O asmodiano sorriu ironicamente. Verdade, ele era um idiota também, e estava indo acalmar Elesis porque não suportava vê-la tão abalada. Ela era uma boa amiga para ele, só não ia admitir isso.

–Agora. O que pretendem fazer? Ficar aí parados? Assim como todo dia tem neve entrando pela soleira da porta e a calha está congelada do mesmo jeito. Tem que alimentar os pets e cuidar do jardim. Temos missões para fazer pela cidade, entregas, escoltas, temos pesquisas e treinamentos. –Arme falava, com uma expressão irritada. –E temos que rezar para o nosso amigo que nos ajudou tantas vezes se cuidar! Isso é o que podemos fazer!

Todos estacaram no lugar. De repente todos trocaram olhares e se resignaram. A maga tinha plena razão. E sem mais delongas, todos voltaram aos afazeres.

–Ocupar a cabeça. Pensar demais também não é bom. –Arme murmurou silenciosamente. Em sua companhia estava ainda Ronan, que tinha uma face condolente. Ele acenou com a cabeça em agradecimento e saiu. A maga limpou os olhos, inspirando fortemente. –Não vou chorar. O Sieghart riria de mim!

E ela se pôs a mover, assim como os outros.

No Laboratório.

O ruivo olhava para o corpo de Sieghart na maca. A pele estava pálida e os lábios antes tão bem desenhados agora estavam secos, azulados. Do lado do leito e ligado diretamente à veia, uma bolsa de sangue cheia.

A última vez que o tinham visto acamado fora uns meses atrás. Ele havia tido uma perturbação de mana, um susto na verdade, que lhe deu umas marcas negras pelo corpo, que estavam drenando a energia acumulada, até sumirem. Depois disso Sieghart misteriosamente dormiu uma semana, mas em nenhum momento ele tinha ficado assim, com o corpo danificado. Exceto, se eles fossem lembrar, que Sieghart tinha sido considerado morto após a luta com Veigas Terr, e por seu dom divino que havia sido capaz de regenerar e continuar a viver.

Ryan tinha ficado ao lado de Mari, perto das máquinas de comunicação, onde tentavam falar com a comandante de Elite para arranjar uma solução. Jin tinha tomado tempo para ir ver o moreno e agora estava se sentindo mal.

Os olhos de Sieghart estavam fundos. Mas apesar da aparência fraca, tudo não passava de perda de sangue. Uma cicatriz gigantesca que subia seu ombro e descia até sua coxa por baixo das roupas fora o motivo da hemorragia. A lâmina havia sido a Muramasa, carregada pelo garoto, o tal de Uno.

Ainda assim, Sieghart não perdia a beleza sombria que carregava, mesmo doente, ferido, à beira da morte. Não existia palavra sinônima de “miserável” para ele. Sieghart sempre seria o heroico, legendário, perfeito e invencível. E tanto lhe dava a beleza que os próprios deuses criadores louvavam.

Antes que Jin pudesse suspirar, um dos olhos mostrou seu brilho prateado. Jin se inclinou, tocando a mão deitada ao lado do corpo. Estava frio, mas recuperando rapidamente.

–Ei, você está bem? –Jin perguntou calmamente. Sieghart abriu o outro olho.

–Hm. –Sieghart respondeu silabicamente, virando a cabeça, vendo a bolsa de sangue. Sua frieza em relação ao seu estado atual deixou Jin sem saber exatamente o que fazer.

–Uno mandou Mari coloca-lo para dormir em uma das câmaras e não deixa-lo sair, pelo menos por enquanto. –Jin explicou, com a voz baixa, e sentindo as energias de Sieghart retornarem aos poucos com o toque.

Sieghart inspirou ar, como se testando se podia falar, e disse:

–Eles não fizeram nada mesmo? –Sieghart perguntou ao ruivo, seriamente. Do modo que falava, era claro que ele estava deixando Jin fora do grupo “eles”. Sieghart o conhecia o suficiente para saber que o monge não faria nada para ferir outra pessoa.

–Não. Acalme-se. –Jin esfregou os dedos na mão do moreno, sentindo que o calor aumentar. Sieghart riu baixinho com isso.

–Você é muito atencioso mesmo sabendo que eu sou um canalha. –Sieghart murmurou. Seu tom era baixo para que ninguém mais os escutasse.

–É. Eu sei. –Jin sorriu presunçosamente. –É para você saber que apesar de tudo eu vou te apoiar porque essa é minha conduta. Você nunca vai conseguir me deixar com raiva.

O moreno zombou baixo e moveu os dedos.

–Você é bem mais maduro que todos aquelas crianças. Até mais que o Ronan. Valeu por cuidar das minhas costas. –o Imortal piscou provocantemente. Jin suspirou, sorrindo de leve.

–Pelo menos sei que você continua o mesmo idiota. O que vai fazer com o Uno? Ele está se sentindo um monstro, está se culpando por tudo sabe? Ele acha que te matou.

–Ele é um monstro.

Os olhos dourados ficaram repreensivos para Sieghart.

–Ele tem sorte. E vocês têm mais ainda, porque eu ainda estou aqui.

Jin assentiu com a cabeça. Desde sempre, não importa, Uno vivia buscando suas origens. Mais cedo ou mais tarde ele chegaria até Canaban ou Serdin, e acabaria matando os descendentes dos Highlanders, inclusive Elesis.

–Mas não precisava ter se jogado assim na frente de todos. Você é louco. –Jin murmurou de volta. –E foi irresponsável.

–Quantas vezes eu tenho que dizer que tenho vida eterna, Cabeça de Fogo? –Sieghart apertou as pálpebras.

–Nunca se sabe o que pode acontecer... Ernas e Elyos estavam sem Mana os últimos meses. Isso talvez incluísse sua imortalidade. –sussurrou o ruivo, apertando a mão do moreno tão forte que Sieghart fez uma cara de dor.

Rindo, Sieghart levantou a outra mão e bagunçou a cabeleira arrepiada cor de sangue. Ele fechou os olhos e aproveitou o momento. Jin sabia muitas coisas suas e o tinha salvado muitas vezes. Era ótimo ter alguém para compartilhar essas coisas, e por isso ele não queria ser mais nada do monge. Era suficiente ser seu amigo, igual todos da Caçada, e às vezes um amante descompromissado. Nada além disso.

–Ei, você acordou. –Ryan passou pelas cortinas do leito e sorriu largamente, começando a conversar animadamente com Sieghart.

Sieghart foi levado pela onda descontraída, embora fosse disfarce de Ryan, já que o elfo exalava preocupação. E ele estava pensando o que deveria fazer em relação a Uno. Somente ele poderia fazer algo. Mas o que fazer? O garoto era mesmo um monstro descontrolado. Era a primeira vez que ele se deparava com tal ameaça.

XXX15YStageXXX

Dois dias depois — Base da Grande Caçada, Canaban.

O dono dos cabelos negros olhava desconfiadamente os lados, avistando as “crianças” do grupo Hunters, o substituto dos Chasers. Elas fizeram continência à sua presença, e a de Lothos também quando o trio passou. Sim, trio. Ali haviam acabado de chegar Ercnard Sieghart, a Comandante Lothos e Uno.

–Bem vindos de volta. –cumprimentou um homem se aproximando de outro cômodo. Era o líder dos Cavaleiros Vermelhos, que por algum motivo especial estava ali.

–Ah, Gerard. –Lothos suavizou a expressão, adiantando dois passos para cumprimenta-lo. –Pelo que vejo, você adivinhou que eu viria.

–Não foi adivinhação. –ele zombou, olhando da bela mulher loura para o Sieghart. Sua expressão mudou de agradável para desconfortável. Sieghart não lhe deu tempo para dizer nada.

–O tal professor da ruivinha. –Sieghart cruzou os braços. Não gostava daquele homem, porque Elesis sempre falava dele com tanta admiração, apesar de mencionar várias vezes que não gostava das insinuações do homem, e isso o deixava morrendo de ciúmes. A menina só faltava comê-lo vivo toda vez que conversavam. Ela não o respeitava devidamente, mas a esse paspalho sim! – Tch!

–Sieghart! –Lothos exclamou raivosamente, acertando um tapa poderoso e flamejante na nuca do imortal. A loura não estava para aceitar gracinhas mesmo. –Desculpe os maus modos dele. Se comporte, Sieghart.

–Não me trate como um cachorro. –Sieghart rebateu, olhando discretamente por cima do ombro para ver Uno olhando em direção ao chão, bastante tenso.

Gerard riu polidamente, dando espaço para os guerreiros. Seus olhos róseos capturaram Uno e sua expressão ficou pesada. Ele estava sabendo já, todas as autoridades de Vermécia estavam.

–Vamos para a sala de reuniões, sim?

Enquanto Gerard esperava Lothos, esta se virou para Sieghart e Uno, com olhos piedosos.

Aquela mulher tinha feito de tudo para coloca-los em segurança depois do ataque de Uno. Ela brigou no conselho da Elite e assumiu a responsabilidade, quase perdeu o cargo. A sentença inicial era erradicar Uno de uma vez por todas, mas ela não permitiu. Lothos tinha salvado o rapaz. Sieghart não gostava disso, mas ficaria em dívida com a loura para sempre.

–Cuidem-se. –foi o que ela disse, tocando o ombro dos dois morenos. Uno abaixou ainda mais a cabeça, apertando os olhos. Dava para perceber que ele estava levando o peso da culpa nos ombros. Lothos afagou os cabelos de Uno. –E fique calmo, garoto. Sieghart vai cuidar bem de você.

–Boa reunião, Lothos. –Sieghart disse, em tom de agradecimento.

Ela assentiu com a cabeça e se afastou, indo atrás de Gerard.

–Foi uma honra revê-lo. –Gerard disse, acenando com a cabeça respeitosamente, mas com um brilho de sarcasmo no olhar de “Só espero as notícias de que você morreu nas montanhas”.

Sem se incomodar mais com o que acontecia em volta, Sieghart finalmente pode olhar para Uno e lhe dirigir a palavra.

–Ei. Não precisa ficar na defensiva desse jeito. –Sieghart suspirou, pegando o braço do garoto e começando a puxá-lo para fora da base.

A rua de pedra estava quente de Sol. O início do Verão até que era bom para viajar e as noites teriam chuvas mornas. Seria bem agradável.

–Espero que não aconteça nenhum imprevisto durante a nossa viagem. Ei, Uno, está me ouvindo? –Sieghart insistiu, conseguindo que o moreno o olhasse nos olhos. Olhos caídos, de um azul profundo e sombrio, mas excepcionalmente bonitos. –Haha, pare com essa cara. As coisas vão mudar pra você a partir daqui. Eu serei o seu Mestre!

–H-Hm... –Uno gaguejou, impedindo-se de continuar a falar.

As pessoas passavam rapidamente, os camponeses, os artesãos, os guerreiros, todo o tipo de gente. Fazia um tempo desde a última visita a Terra Natal.

–Nossa jornada começa aqui em Canaban. Eu nasci neste reino. –Sieghart apontou para si mesmo com um sorriso brilhante. –E é aqui uma de suas origens. Você quer saber por que nasceu?

A atenção do espadachim foi automaticamente puxada para o brilhante Avatar.

–Acredite, todo mundo quer saber por que nasceu. –ele piscou. –Mas se você insiste em saber por que, então vamos. Eu tenho todo o tempo do mundo, e ficarei ao seu lado até você descobrir. Enquanto isso, nós vamos descobrir juntos como fazer você se controlar melhor.

Uno, que parecia ser um monstro desprovido de sentimentos, ficou constrangido. Sieghart riu quando o garoto ficou com os olhos fixos e com o rosto levemente vermelho.

–Primeiro: equipamento. –Sieghart soltou-lhe o braço e apontou uma loja. –Uwaa, estou empolgado! Faz tempo que não sinto essa sensação de iniciar uma jornada! Parece que estou voltando no tempo.

Realmente, o Imortal sentia como se estivesse ensinando novamente os novatos a não cair nos truques dos vendedores de sorvete e dos pechincheiros. A sensação da aventura é única, assim como quando um jogador inicia um novo jogo! A Grande Caçada já tinha evoluído para um nível tão alto que essa sensação já não era a mesma.

–Vou te mostrar o mundo, criança... Melhor se preparar. –Sieghart sorriu, o brilho de excitação em seus olhos. Mesmo depois de ter passado por um estado vegetativo e ter quase sido cortado ao meio, ele não podia deixar de se sentir preenchido por um novo objetivo na vida.

Uno o seguiu. Enquanto eles experimentavam roupas e acessórios, a todo o momento se perguntando por que o Imortal estava tão “feliz” e sem emoção passavam horas testando a resistência do armamento, Uno ficava um pouco mais à vontade para se abrir com aquela pessoa que era Sieghart. No fim, ele era para ter morrido, mas sobreviveu.

“Foi o primeiro a sobreviver...” Uno inspirou ar enquanto Sieghart olhava para ele e explicava como ele não podia confundir uma poção com a outra.

Muitas horas se passaram desde a chegada. Sentados num restaurante, Sieghart se permitiu pagar uma cerveja e um jantar farto.

–Coma. Não vamos ter comida refinada enquanto estivermos nos pântanos e tivermos que comer sapos. –ele riu maldosamente.

Uno assentiu com a cabeça, mexendo na comida. Frango, porco, saladas, tomates, omeletes, macarronadas, peixe assado, ensopados de legumes, batatas na brasa, molhos e um monte de outras coisas que davam água na boca. O cheiro era tão forte e saboroso que invadiam o local todo. Dentro de sua boca, a saliva aumentou.

“Que... Fome...”

Sieghart deu um grande gole, esboçando uma expressão safada. Ele se inclinou na mesa.

–Hmm! Pode ser que você não comeu nunca uma comida assim antes?!

–Eu, ah-! –Uno respondeu, se calando ao perceber que tinha se exaltado. Mas o Avatar tinha razão. Seu garfo espetou uma simples azeitona e levou-a até a boca. “Ácido... Salgado... Bom.”.

Sieghart deu um gole no grande caneco e cortou um pedaço do frango, e foi juntando queijo, molho, carne, arroz e um monte de outras coisas, até fazer um prato gigantesco.

–Coma. –Sieghart mandou, colocando o prato em frente o garoto, que olhou abismado para o tamanho daquilo. –Você pode descobrir que existem coisas maravilhosas neste mundo, garoto.

Uno comeu. Seu rosto ficava quente a cada garfada, assim como seu peito. De alguma forma, ele se sentia preenchido, sendo observado por Sieghart, por seu sorriso. Era caloroso e confortável. Parecia que a sede de matar... Nunca mais voltaria enquanto ele estivesse nessa presença! Era magia...

“Reina.” Uno parou de se mover. Era igual de quando ele estava com ela. Seu corpo ficou gelado por fora, mas por dentro estava quente. Fitou Sieghart, quem comia lentamente, apreciando, como se nada no mundo importasse. Seu coração doeu forte. “Me perdoe.”

–Sabe... –murmurou Sieghart.

Uno arregalou os olhos. As luzes das tochas da cidade estavam flamejantes e vivas, as estrelas do céu piscavam, os casais dançavam e cantavam, os instrumentos tocavam alto e ecoavam pelas longas ruas que nada tinham de desertas. E Sieghart tinha tanta vida, tanta vida! Uno apertou os punhos.

–... Pode seguir em frente, Uno. Você é igual a mim e a qualquer outro ser vivo, ninguém pode te culpar. Nós nunca retornamos no tempo, a única coisa que podemos fazer é caminhar para o futuro.

O moreno então limpou a boca num guardanapo e ajeitou o cabelo, dando uma volta na mesa e convidando-o a se levantar. Seu sorriso era o de um garoto travesso. Despreocupado. Irresponsável. Incorrigível.

–Se liberte hoje! Amanhã as coisas não vão ser as mesmas! –Sieghart o puxou e o encaminhou para o meio da festa. Em algum momento o Imortal começou a dançar com uma moça e de repente a moça estava dançando com Uno.

Como tinha começado a dançar nem ele sabia. O moreno seguia as instruções da moça e as palmas e as vozes ocupavam toda a sua cabeça. No fim, o que importava eram os olhos de Sieghart em si, a todo o momento, estupefato e de braços cruzados.

No fim daquela noite, os dois estavam subindo a colina e Sieghart estava igual um idiota, relembrando dos momentos bons e rindo de tudo. Uno parou assim que eles sentiram o ar da madrugada bem gelado nos rostos e a luz da manhã no horizonte.

Uno guardou as mãos nos bolsos das calças. Seus lábios estavam tremendo.

–OH, você está sorrindo! –Sieghart provocou, dando uma cotovelada de leve em suas costelas.

–E-Eu não-, -Uno desviou os olhos. Sieghart passou um braço por cima do ombro do rapaz.

–Pode sorrir. Não existe coisa mais dolorosa que sorrir. Você vai aprender isso.

Sieghart e Uno ficaram parados olhando o cenário de uma manhã de mudanças. E deixaram aquele lugar para viajar o mundo, sem dizer adeus a ninguém.

XXX15YStageXXX

–Hiaund é, de acordo com a lenda, o Lar dos Dragões Míticos. Localizado ao leste do Vale do Juramento, uma cadeia de montanhas sombrias que fazem uma passagem mágica para a dimensão dos Dragões. Uma instância com vários campos e vales, desde cânions de fogo até abismos de gelo. Dizem que há uma terra de sombras no limite que leva a outros mundos. O máximo que se sabe sobre o Hiaund são os escritos dos ancestrais do Clã Erudon, que por acaso, são os únicos que sabem a entrada do Hiaund e conseguem domar dragões para usá-los em invocações. Porém, a maioria deles nunca foram além da Serra de Gelo, que é somente a primeira barreira natural do lugar.

As folhas amareladas foram guardadas dentro de uma mochila.

–Interessante, não? –Sieghart indagou, guardando o livro.

–Sim, é muito. Mas não acho seja prudente ir naquele lugar onde ninguém foi há milênios.

Uno e Sieghart estavam nas ruínas de uma biblioteca em Calnat, procurando informações sobre lugares desconhecidos e lendas para desvendarem. Sieghart queria um cristal muito especial que tinha ouvido falar em boatos e Uno estava acompanhando.

–Acho que é muito cedo para começarmos a viajar pelas dimensões também, além de que corremos um risco muito grande de ficarmos presos. Eu também não quero receber um pedido de ajuda e estar fora da dimensão. –Sieghart dizia, esticando o corpo. Uno o olhou do chão, onde estava agachado, olhando as marcas e resquícios das ruínas.

–É, você tem razão. –Uno esfregou o pó entre os dedos e soprou-o.

–Vamos voltar para a cidade. Estamos atrás de um boato há seis meses e nada. Preciso de um descanso e comida decente. –Sieghart apontou para a direção da cidade, a única cidade humana de Arquimídia, que por acaso era uma Nova Calnat, sendo reconstruída e já aberta aos turistas que pudessem pagar. Claro, quem tinha feito a iniciativa para a obra fora Mari, mas ela estava ocupada demais para saber que eles estavam ali de passagem.

Os dois se encaminharam do extremo norte para o sul. Aquela região era cercada pela floresta densa do território dos Elfos Negros e por planícies de guardiões naturais. O caminho era relativamente longo, pelo menos três dias caminhando.

Uno no trajeto de um ano inteiro havia mudado em muito. Não em aparência, nem em seu jeito característico de expressar suas emoções, mas sim em seus pensamentos e seus ideias. Dizer que Sieghart lhe fizera bem era pouco. O Imortal o tinha salvado.

–Ah, quero caçar alguma coisa boa essa noite. Está a fim de ir atrás de um faisão? –Sieghart perguntou ao passo que eles adentravam o matagal. Os pássaros e os animais silenciaram um pouco, sobrando o som das cigarras. –Época de acasalamento. Eles devem estar gordos e saborosos.

–Por mim... –Uno olhou para Sieghart com os olhos azuis faiscando. Desde a primeira vez que ele comeu uma boa refeição, Uno se sentiu atraído por comida mais do que o normal.

–Não seja indiferente quando você está concordando, idiota. –Sieghart riu, afastando o rosto do outro moreno. –A nascente daquele rio fica logo acima. Vale a pena passarmos para repor os mantimentos.

–Vi Helgg nas margens lá perto também. –Uno confidenciou.

–E quando foi isso?

–Durante a noite, no meu turno de vigia.

Sieghart assentiu e coçou o queixo, parecendo se lembrar de algo.

–Um viajante uma vez me disse que as águas das terras élficas são restauradoras e dão poderes especiais às pessoas certas. –Sieghart murmurou, com um olhar esperto.

–Não vou entrar na água. –Uno falou convicto.

–Uno, quem sabe um desses poderes seja a habilidade de nadar? –Sieghart riu do aprendiz, que o olhou feio e continuou o caminho, decidido.

Uno não gostava de água. Era um dos segredos que Sieghart descobriu no ano de tutoria.

–Não.

O Imortal ainda o incomodou muito tempo, pausando por um tempo e depois voltando a encher sua paciência. Se tinha uma coisa que viajando juntos Uno aprendeu, foi como as emoções traem, como Sieghart conseguia ser demais e também um irritante, e como ele não entraria em campos aquáticos fundos o suficiente para ele se afogar.

–Bem, não tem jeito. –Sieghart suspirou, dando de ombros.

Os dois tinham trocado as roupas com a mudança da estação. Era Verão de novo, e eles optaram por camisas sem mangas, Sieghart com uma negra de costume, e Uno com uma branca, calças resistentes verde-musgo, porém, mais frescas, botas de cano curto com adorno de metal leve. Sieghart continuava com seus acessórios exagerados e suas fivelas, além de estar viajando com um dispositivo de invocação (para suas armas) e uma mochila grande de couro para viagem. Uno tinha suas roupas no estilo antigo, no formato de yukata, só que adaptados para uma movimentação veloz.

Passou uma hora até eles atingirem o local mencionado. O lugar de longe não era uma clareira, mas tinha um espaço cheio de raízes gigantescas dos salgueiros, cujas copas cobriam o céu azul de nuvens.

Os dois encontraram um espaço entre as raízes onde puderam se alocar uns minutos. O som do rio era confortável e denotava a pacificidade daquela área. Não havia perigo nesta época e não havia mais tantos monstros atacando nos últimos tempos.

–Bem, você pode ir pegar Helgg enquanto eu dou um mergulho. –Sieghart disse com acidez provocante. –Se acontecer alguma coisa, apenas grite.

Uno arqueou uma sobrancelha, olhando o Imortal como se repreendendo-o por ficar sendo cínico.

–Hm. –assentiu o moreno de olhos azuis.

Sieghart se virou, caminhando até perto de sua mochila e em segundo se pôs a tirar a blusa.

Uno ignorou-o, voltando-se para sua própria mochila e buscando alguns utensílios, como facas e armadilhas portáteis pequenas. Pelo canto do olho ele viu o que considerava seu mestre gemer de dor bem baixinho e se calar de repente. Pelo que via, como geralmente acontecia durante a viagem, o corpo do Imortal continuava forte, mas nada exagerado.

“É o esperado de alguém que não se esforça em nada.” Foi o que Uno pensou.

Sieghart esticou os braços, seus músculos dorsais contraíram-se, e suspirou de alívio.

“Mas quando luta não há nada que se compare à sua força. Pelo menos nunca conheci alguém que fique à altura”. Uno então se concentrou no que fazia, se levantando e dirigindo-se ao moreno.

–Eu vou naquela direção. –disse ele com indiferença, apontando o leste. -Não precisa me esperar para começar a caçar. Eu vou colocar algumas armadilhas menores para conseguir lebres.

–Ah, claro.

Sieghart piscou demoradamente, como se estranhasse alguma coisa. Ele ficou assistindo o rapaz se afastar e desaparecer nas folhagens.

O Imortal sabia melhor do que ninguém que quando menos se espera acontece algum imprevisto para acabar com o positivismo. Ele se sentiu um pouco desconfortável em deixar Uno se afastar naquela região, que era um poço de problemas ainda há dois anos, e um local favorável para se criar portais. Ele não ficaria surpreso se alguma criatura surgisse em frente dos dois enquanto eles estivessem despreocupados. Não era instinto ou pressentimento. Sieghart apenas se sentiu incomodado após tantas más experiências, e sabendo da força de Uno, agora que ele podia controla-la bem mais facilmente, deixou-o.

O vigor da água que ele não sentia há tanto tempo o envolveu. Foi como se as forças tivessem voltado milagrosamente. Sieghart encostou-se à beirada do rio e relaxou um pouco, permitindo-se concentrar, afinal treino nunca é demais, e ele estava ficando excelente nisso, até melhor do que Jin.

“Um dia eu posso me tornar um monge também, hahaha... Talvez eu encontre mesmo alguma paz.” Pensando nisso o moreno afundou a cabeça n’água e abriu os olhos, vendo a vida abundante dos cardumes coloridos e agitados nas ondas submersas. Aquele período era ótimo para se assistir à natureza.

Sieghart pôs o corpo para fora da água, contando mentalmente dez minutos. Ele não curtia banhos gelados longos, mesmo porque ele sentia o estômago pedir alimento.

–Um faisão. –balbuciou automaticamente ao piscar os olhos e virar a cabeça para a outra margem. A ave estava de bobeira, e por causa das grandes raízes não percebeu a presença do esperto Avatar, que silenciou todo o corpo e selecionou uma de suas espadas médias para pegá-la.

Um terço de segundo depois, num cenário que os olhos nus a tempo comum não podem ver, o moreno se posicionava no mesmo lugar entre as raízes, porém, com as patas finas do animal juntas em sua mão, o corpo de cabeça para baixo. Fora uma morte indolor.

–Agora. –Sieghart analisou em torno, pensando que talvez Uno já tivesse conseguido as lebres. –Hm. Parece que o garoto está tendo problemas?

Sorrindo zombeteiro, o Imortal recolocou as vestes, balançando a cabeça e fazendo o excesso das gotas respingarem. Seus dedos bagunçaram a cabeleira, que era um caos após lavar e ele verificou o local, se assegurando de esconder o corpo da ave para nenhum outro animal roubar. Sieghart então se pôs a caminho, seguindo o rastro do rapaz.

XXX15YStageXXX

Assistindo das folhagens, os olhos prateados captaram o movimento rápido da katana mortal. O corte no ar era tão preciso e destrutível que atingiu o som na mais alta frequência e ressonou por dezenas de metros.

Uno, que posicionava-se abaixo das copas altas de verde brilhante, movia a Muramasa com a habilidade de um mestre. Sua concentração o tornava incapaz de perceber o Avatar ali, escondido.

A verdade era que ao buscar por ele, Sieghart encontrou-o não pegando as lebres — embora dois dos pequenos mamíferos estivessem um sobre o outro em um canto mais afastado e à vista -, mas sim treinando.

Era claro para o Imortal que o jovem continuava inseguro. Algo em sua mente o fazia repetir esse tipo de treinamento, que não tinha como objetivo a batalha, mas a paciência, ao equilíbrio mental. Demorou um tempo, mas o Imortal desvendou os segredos do coração de Uno e fez crescer nele as emoções, a moral e, por fim, o controle .

O resultado era quase perfeito. Sieghart apenas sabia que controlar a escuridão da alma não é um feito absoluto, mas pode-se chegar muito perto desse ponto. Por isso ele tinha orientado o rapaz a sempre praticar, mas relaxar, refletir. Nada diferente do que qualquer pessoa no mundo deva fazer também.

Os olhos de Sieghart, afiados como o de um falcão, captaram um leve estremecer. Uno franziu minimamente as sobrancelhas e em seguida voltou à seriedade.

“O que poderia ser...?” Sieghart indagou a si mesmo aquele mistério.

Uno, apesar de apresentar mais emoções e falar mais, ainda não era capaz de se expressar corretamente. Ele sabia os termos para os sentimentos, além de ter aprendido com Reina, de quem ele falava raramente, mas ainda era indeciso ao comentar sobre o assunto. Pareciam lacunas intermináveis que ocupavam seus pensamentos e preocupações.

Assim que Sieghart piscou, o rapaz respirou e pareceu perceber algo. Ele virou o olhar exatamente na sua direção. Imediatamente, seus olhos desviaram para baixo e seu rosto, normalmente tão pálido e inexpressivo, adquiriu uma cor rosada.

–Eu percebi que você está aí. –ele indagou, sem precisar levantar a voz. Sieghart leu seus lábios.

O Imortal deu de ombros, sorrindo, e se movendo num instante para frente do moreno de cabelos lisos.

–Hey. Você aproveitou bem a pausa. –Sieghart lhe disse, com as mãos na cintura. –Mas, percebi que você tremeu.

Os olhos azuis passaram culpa pelo modo como se apertaram levemente.

–Pensava em coisas. –Uno disse, sendo ingenuamente honesto.

Sieghart levantou uma sobrancelha, caminhando na direção das lebres. Elas tinham uma variação muito rara na cor dos olhos, porém, não estavam cristalinos, como devia acontecer ao se matar corretamente aquela espécie mágica. Sieghart percebeu aí o primeiro sinal.

–Entendo. –Sieghart pegou os animais pelas orelhas. –Mas por enquanto vamos voltar, garoto.

Ambos retornaram para a área beira-rio e preparam a refeição enquanto conversavam sobre coisas fúteis ou sobre as coisas que tinham visto pelo caminho. Sieghart no entanto não conseguia deixar de pensar que Uno estava com alguns problemas.

O moreno de olhos azuis levava aos lábios uma colher funda com o ensopado. Uma fumaça branca e aromática exalava da comida e envolvia seus narizes, deixando-os famintos.

–Hm. –Uno murmurou enquanto mastigava, fechando os olhos durante uns segundos.

Rindo, o moreno mais velho o acompanhou, desfrutando da refeição. Logo, já não havia mais o que comer e, com os estômagos cheios, levantaram, começando a guardar as coisas.

–Vamos nos apressar. –Sieghart disse olhando para o céu. –Vem aí uma tempestade.

Confirmando, o aprendiz concordou e jogou a mochila por cima do ombro. Eles não demorariam para sair da floresta e já tinham um anfitrião na vila com um quarto reservado.

Enquanto corriam, a chuva começou a cair. As marcas das pegadas no chão ficavam empoçadas e o chão da floresta se tornava úmido e lamacento.

Em um determinado momento, Uno colocou a mão no ouvido.

–Ouvi uma voz.

Sieghart piscou, parecendo intrigado e parou um instante. O Imortal puxou seu capuz para cima dos cabelos úmidos e olhou em volta. Não sentia perigo, mas também não sentia nenhuma presença e a chuva não era um empecilho para alguém de seu nível.

–Tem certeza? –perguntou baixo ao rapaz, que por causa das marcas embaixo dos olhos parecia deprimido molhado desse jeito pela chuva.

–Hm. –Uno assentiu, enquanto puxava o capuz do casaco. –Mas sumiu.

Sieghart bufou baixinho, olhando para todos os lados. Até tinha tempo livre para procurar seja lá o que fosse, mas tinha outra coisa que o incomodava, e era a resistência do espadachim. Ele não gostava muito de chuva também, e não era especialmente saudável considerando seu baixo nível de pressão. Ele não podia ficar muito tempo em lugares frios.

–Descobrimos sobre isso depois. Primeiro vamos te tirar da chuva. –Sieghart avisou, tocando seu ombro e indicando a frente.

Alguns minutos depois, seus pés sujavam a segunda entrada de Vauen, a primeira cidade humana em construção. As árvores balançavam fortemente e os ventos levavam as folhas e tudo o que não estivesse enraizado ou grudado no chão. Os viajantes passaram por esse cenário, onde prédios tecnológicos se erguiam muito alto no céu e fontes de pedra branca adornavam as ruas principais.

Sieghart empurrou a porta de um estabelecimento mais rústico, onde o chão ainda era de terra e que tocou um sino avisando sua entrada.

–Uhh! Fugimos do pior. –comentou o mais velho, sorrindo alegremente. –Agora finalmente o meu descanso e minha bebida.

Uno o olhou como se ele estivesse cometendo um crime, mas o Avatar apenas ignorou. Não tinha muito o que fazer com as péssimas manias do herói de Vermécia e não é como se ele fosse ser afetado por isso.

–Oh, veja quem chegou!

A voz era masculina e forte. Era Grunbot, o anfitrião da taberna, com uma longa barba amarrada e bigode ruivo-alaranjados, olhos castanho-avermelhados e várias cicatrizes na cabeça careca. Suas roupas eram de couro forte e atrás de si no balcão havia uma quantidade incontável de garrafas de todos os tamanhos e cores, assim como o brasão de sua família com machados e lanças de decoração.

–Voltaram da caçada, jovens? –o homem riu alto. Sua risada tremia o chão.

Os clientes eram todos acostumados ao lugar, levavam canecas de cerveja nas mãos e jogavam cartas. Outros grupos apostavam em queda de braço.

De qualquer forma, não era uma cena muito comum para se ver em Arquímidia. Isso porque o Cova era um bar e pensão móvel, e quem o conhecia tinha muita sorte. Grunbot era o dono e viajava o mundo, aparecendo em lugares diferentes. Sieghart o conhecia de alguns meses apenas.

Os dois recém-chegados tiraram os casacos e se achegaram, sentando-se nos bancos vagos do balcão e sendo automaticamente servidos pelo homem de mais de dois metros.

–Ahh… -Sieghart segurou a caneca e suspirou. –Eu não esperava que aquele boato fosse uma mentira tão grande.

Uno se absteve da bebida, pedindo um café.

–Não tem jeito, rapaz. Os homens que passam por essa área não são tão confiáveis. São todos nobres que podem ficar na cidade ou pesquisadores que buscam alguma coisa impossível. Esse cristal que você procura não existe. –riu novamente o homem, colocando o cotovelo no balcão e arrumando o bigode.

Sieghart concordou com ele, bebendo o conteúdo em uma virada. Uno balançou a cabeça para aquilo, capturando as batatas em conserva.

–Ahhh, muito bom! –Sieghart sorriu satisfeito, estendendo a caneca.

–Vocês vão ficar na cidade quanto tempo? –Grunbot questionou, enchendo a caneca e tirando um copo pequeno de vidro de baixo do balcão e enchendo com um líquido verde de uma garrafa. –Esse é o especial que prometi mais cedo.

–Ohoo, obrigado. Nós vamos ficar só se aparecer alguma coisa interessante, enão vamos avançar para a floresta do norte. –Sieghart o aceitou, olhando de canto para o moreno menor. –Melhor você se esquentar com alguma coisa mais forte.

–Passo. –Uno estreitou os olhos, lembrando-se de algumas experiências ruins. –Eu fico com um jantar só e depois te carrego para o quarto.

–Hahaha! Você me carrega sim.

–Naquele lugar tem elfas lindas, que mais parecem sereias. Dá para aproveitar um pouco, mas não garanto que vá conseguir seduzir alguma delas. Pelo que eu sei, são guerreiras mortais. –comentou o anfitrião, servindo aos homens que sentavam ao lado dos dois.

–Lindas e mortíferas. Não que aqui não tenham jovens bonitas para cortejar. –comentou um guerreiro que bebia uma dose vermelha.

–Nem diga. Houve uma reunião pacífica com a Rainha e uma comandante de Asmodia, e Ernasis! A mulher não era nada humana, mas deixou os homens arrepiados. Aquilo era luxúria em carne. –disse outro ao lado de Sieghart, balançando sua caneca e dando um longo gole. –Ahh, eu nunca vi nada como aquilo antes.

Sieghart riu sarcástico. Era até interessante fazer sexo com as asmodianas, mas não recomendava a ninguém.

–As jovens de Serdin são as mais inocentes e educadas. –Grunbot comentou, como se lembrasse de algo. –Mas podem causar danos irreversíveis se não tomar cuidado.

–Eu ainda acredito que as Canabanas são as mais lindas. São fortes e determinadas. –comentou um rapaz sentado em uma mesa, junto ao seu grupo, que ouvia a conversa.

–Não, não. Você leva um soco se chegar a um metro de distância. –Sieghart cotovelou Uno, vendo que o garoto estava calado demais e desinteressado, olhando a decoração do ambiente.

–Acho que isso é seu trauma com a Elesis. –Uno comentou, sem olhar o mais velho. Seus ombros estavam tensos.

–Ela não é uma mulher para mim. –Sieghart virou-se para frente bebendo mais. –Grunbot, o nosso quarto está livre?

–É só subir quando quiser. –apontou o gigante de costas, lavando os copos. –Jur, entregue a chave.

De baixo do balcão saiu um pequeno mico-leão, com olhos grandes e verdes. Ele subiu na madeira e entregou a chave para o moreno, que agradeceu.

–Que tal uma dança com alguma dama? –Sieghart esticou o corpo, olhando em volta.

Ainda que a tempestade acontecesse do lado de fora, a taberna era protegida com magia e os sons de fora chegavam muito abafados no lado de dentro.

O moreno chamou a banda e as mulheres, que se escondiam nas mesas dos fundos, observando os rapazes. Vestiam roupas mais fáceis para se mover, dispensando os vestidos, mas continuavam sendo bem humoradas como Sieghart previa.

Não demorou para que estivessem rodopiando os casais e os grupos mais frequentes já cantando as canções mais conhecidas. Uno encostava-se ao balcão, vendo como o moreno se adaptava à situação facilmente.

E ele sempre era assim. Não era a primeira vez que Uno via, durante aquele ano que passaram juntos, Sieghart enganando uma garota de seu gosto e em poucos minutos estar beijando ela em algum canto, com as mãos pervertidas explorando seu corpo mesmo em público.

O engraçado era que parecia não ficar satisfeito. Uma vez Uno acordou e já era bem tarde, e Sieghart em outro quarto com três mulheres, muito bem dotadas e parecendo estar em sono profundo.

Uma vez ele ouviu em um bar em que foi pedir informações, um grupo de garotas conversando sobre tomar cuidado com um certo homem viajante, que era belo e encantador como um príncipe, mas desvirginava mocinhas assim como fazia as mulheres mais maduras caírem de amor por ele. Uno desconfiava que fosse ele e apesar de não parecer tão ruim, aquilo já estava começando a perturbá-lo.

Uno terminou de comer e beber, e se aproximou de Sieghart, tocando seu ombro.

A garota, que não aparentava vinte anos, tinha olhos azuis grandes, seios enormes e mãos brancas, olhou para ele com os lábios abertos depois do beijo acabar. Os cabelos eram castanho-escuros e desciam de uma trança raiz meio desfeita.

Sieghart olhou para ele, mas antes que ele pudesse dizer algo ou entregar a chave, a garota, que parecia excessivamente bêbada, moveu o quadril, abraçando o pescoço do moreno.

Uno não ficou especialmente espantado, mas alguma coisa esquentou seu corpo, olhando a cena.

–Oi, moço. Vocês estão viajando como parceiros, não é? Vamos nos divertir juntos. –ela sorriu provocantemente, e encostou o nariz na orelha de Sieghart, que não teve tempo de reagir.

–Hmm, acho que você passou do limite, criança.

As mãos de Sieghart empurraram com gentileza o corpo da garota, afastando-a de si o suficiente para ele alcançar o ouvido dela e dizer alguma coisa.

Uno não poderia explicar de outra forma, mas a menina contorceu o pescoço e meio que gemeu, fechando os olhos. Foi chocante no mínimo. Porém, dessa vez, Sieghart beijou-lhe a bochecha e a fez sair de seu colo, sentando-a ali e virando para Uno.

–Nós precisamos descansar antes de partir, não é mesmo parceiro? –Sieghart sorriu, puxando o casaco pendurado na cadeira para seu ombro.

Com um aceno, o Imortal saiu do local, deixando o clima continuar sem sua presença. Uno o seguiu para o quarto, despedindo-se apenas de Grunbot, e pensativo. Alguns olhos os seguiram, um tanto que curiosos, mas não deram muita atenção. A garota de antes continuava na cadeira, agora de olhos fechados e as mãos sobre as pernas; parecia estar com dor ou algo assim, mas ninguém se importou.

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O moreno de olhos prateados suspirou assim que chegaram no primeiro andar, encarando o estreito corredor de madeira e com 11 portas. O número da chave indicava que era o último quarto, felizmente o que ficava mais distante e o que menos tinha chances de perturbar os vizinhos. Sieghart voltou-se para Uno, que estava inquieto.

–Quer me perguntar porque eu deixei a garota e vim com você ou tem alguma coisa te incomodando? –Sieghart perguntou, já destrancando o quarto e espiando dentro. Nada de anormal. Ele adentrou, sendo seguido.

Uno ergueu o olhar para o Imortal cheio de indiferença.

–Foi incomum. É natural que eu queira saber o porquê.

–Você não é nada fofo falando desse jeito.

O mais novo soltou um “Tch!”, desprezando-o e largou a mochila num canto, indo direto em direção ao banheiro.

–Ei… Uno? –Sieghart o chamou, percebendo que o tinha irritado. –Esqueço que ele não gosta de ser ignorado.

Deixando que o rapaz fosse cuidar de si mesmo, Sieghart resolveu examinar o quarto. Era pequeno, mas confortável. As paredes de um verde escuro, a luz dourada, o chão de pedra, a roupa de cama em azul-marinho.

Pela janela o Avatar via a tempetade que assolava a terra, mas que não parecia sequer balançar o estabelecimento. Era um alívio que eles tivessem chegado a tempo, poderiam ter tido problemas do lado de fora na floresta.

–Vai tomar um banho também?

A voz de Uno, baixa e educada, chegou aos ouvidos do guerreiro Imortal. O de olhos azuis vestido com uma troca simples, camisa comprida e calças negras. O vapor do banheiro misturado ao cheiro de sabonete invadiu o quarto, tirando a atenção de Sieghart por uns segundos.

–Ah, vou sim. –respondeu, se afastando da janela e despindo o casaco. –Não durma, temos umas coisas para conversar, ouviu?

Uno apenas assentiu, sentando-se numa cadeira próxima à porta. Ele tomou os pergaminhos que tinham conseguido durante as últimas viagens e se pôs a ler distraidamente.

Sieghart piscou, vendo a cena, e fechou a porta.

Não soube realmente o porquê, mas encostou-se à ela e de dentro de seu pulmão veio um longo suspiro. O rapaz levou a mão ao peito, sentindo seu coração batendo lentamente, porém, com a firmeza com que um martelo batia. Abaixou os olhos, movendo os dedos por seu abdomen, levantando a camisa, sentindo um novo calor.

“Faz um tempo já…” Pensou o moreno, entreabrindo os lábios, encarando o box do chuveiro. A temperatura estava ligeiramente alta, até confortável. “Mas mesmo com o vapor consigo sentir o cheiro dele”.

Sieghart despiu a camisa e as calças, se apressando para debaixo da ducha. A água caiu quente sobre seus ombros, sem aliviar o peso sobre eles. Não é como se o cansaço e a rigidez com o passar dos anos fossem desaparecer milagrosamente.

O Imortal olhou para si mesmo e redescobriu aquela marca em seu corpo. Suas sobrancelhas franziram automaticamente. Com a ponta dos dedos ele seguiu a marca, que agora tinha diminuído de tamanho e ia do seu ombro, atravessando o ombro e parava sobre o peito, mas que há um ano era uma cicatriz de dar calafrios, do ombro à perna, funda e parecendo viva.

“É a primeira vez que um ferimento demora tanto para curar.” Sieghart pensava, tirando o cabelo molhado de cima dos olhos. A sensação de ser cortado e a lembrança da dor ainda o assolavam. O cheiro do sangue o perseguia ainda.

“Foi a primeira que realmente senti medo de morrer.” Sieghart rangeu os dentes. Sua testa franziu-se. Aquele sentimento de frustração não abandonava seu coração. O processo de cicatrização doía. E doía mais ainda sentir-se envergonhado de mostrar aquela marca.

Um sorriso escapou de seus lábios, nervoso e excitado.

Não era a primeira vez que ele ficava pensando nisso. Sua cabeça tinha bastante tempo livre para enlouquecer e também para recuperar a sanidade.

Sieghart levantou a cabeça, recebendo o jato de água no rosto e foi tão bom que ele levantou as mãos e passou pelo rosto e pelos cabelos.

–Hm… -ele abriu os olhos claros e abaixou o pescoço, sentindo a água na nuca.

A água era um carinho para seu corpo insatisfeito. Insuportavelmente insatisfeito. O chão estava frio sob seus pés, mas seus dedos estavam quentes, e percorriam todas as partes de si, buscando um pequeno conforto.

Sieghart não contou quanto tempo havia ficado ali, mas quando saiu, percebeu no mesmo instante que tinha se passado pelo menos meia hora.

–Uno? –indagou ao fechar a porta, passando a toalha no pescoço e na cabeça.

Uno estava deitado na cama de baixo, ressonando silenciosamente, com o corpo meio de lado.

–Dormindo.

O moreno não o culpou por ter ido descansar, já que ele mesmo sempre se sentia assim depois de um banho quente. Sieghart soltou ar da boca e se aproximou da cama, sentando-se à beira para fitar o jovem de sangue Highlander.

Indefeso assim nem parecia ser perigoso.

–Mesmo que eu continue pensando que você já controla o poder, no fundo eu sei que algum dia vai ferir alguém de novo. –Sieghart sussurrou, mais para si mesmo do que para o rapaz adormecido. Ele suspirou. –Todos são assim. Eu também. No fim temos que treinar e treinar, para evitarmos matar alguém. E caso se alguma coisa ruim acontecer, o melhor que podemos fazer é seguirmos em frente e apostarmos nossas vidas para não fazermos mais mal.

Sieghart fechou seus olhos. Sua mão tocou lentamente os fios negros de Uno, que não sentiu o toque. Sorrindo como um idiota, o moreno passou seus dedos pelo cabelo macio, várias vezes, alisou-o, sentiu-o, e o abandonou, para tocar o rosto. Uno tinha uma pele mais fria do que o normal, mas sua textura era suave como seda, suas marcas abaixo dos olhos eram delicadas e lisas, suas bochechas macias, assim como os lábios. As marcas dos pescoços caíam-lhe bem e a da mão era, sem dúvida, um desenho impressionante.

Ele parecia uma criatura não existente, um samurai de outro mundo, um demônio talvez. Sieghart pensava essas coisas enquanto passeava os dedos por onde lhe interessasse. Seu corpo inclinava-se sobre o rapaz enquanto sua excitação aumentava.

Fazia um tempo. Sieghart poderia até mesmo ter enganado aquelas mulheres durante todo o tempo passado, mas a verdade é que fazia um longo tempo que ele mal tocava um corpo; de verdade.

Era como se nada mais o atraísse nos corpos alheios. Ele tinha passado simplesmente a brincar com as pessoas o quanto fosse interessante e depois as deixava. O máximo que ele chegava era em sexo oral, depois disso sempre dava um jeito de mostrar desinteresse ou dava alguma outra desculpa. Os parceiros já não eram mais parceiros, mas corpos que marcavam presença para depois sumir.

Sieghart moveu-se para cima do moreno. Tinha os joelhos do lado das pernas e as mãos do lado da cabeça.

–Uno… -chamou, esperando que o rapaz acordasse.

Sem resposta.

Sieghart levou a esquerda para a barra da camisa do rapaz, infiltrando os dedos lentamente por debaixo dela. Aquela área era um pouco quente, ele diria até confortável.

O moreno apertou um pouco os olhos e entreabriu-os.

–Hm.

–Ei. –chamou em um murmúrio, com sua voz enrouquecendo. Seus olhos preenchendo-se de desejo.

–O que você quer? –Uno piscou os olhos e coçou, olhando-o com firmeza. –O que está fazendo em cima de mim?

Os olhos azuis desceram, mas não foi preciso para perceber que o pervertido já estava atacando.

Sieghart desceu um pouco o corpo para juntar seus lábios e claro, Uno o rejeitou antes que pudesse tocar a língua na boca dele.

–Ei, pare com isso, hm-.

O Imortal não o permitiu falar, segurando seu rosto com uma mão e roubando um beijo profundo e demorado. Seus lábios pressionaram-se nos do aprendiz enquanto um ofego vindo do fundo de sua garganta preencheu o espaço dentro de sua boca.

–H-Hmm... –Sieghart apertou as pálpebras dos olhos, sentindo uma satisfação que não sentia há algum tempo. Sua mão esquerda subiu pelo abdômen do rapaz, lentamente, ao passo que seus dedos direitos afrouxavam o aperto e deslizavam pelo maxilar oval, acariciando-o cuidadosamente.

O próprio Uno teve que segurar um ofego e uma reação brusca. O carinho o havia afetado de alguma forma, era delicioso, mas causava uma sensação estranha que lhe dava vontade de repelir, assim como quando se sente cócegas. A diferença é que ele sentiu sua temperatura em seu rosto elevar brutalmente.

–Hm-,

Os dedos invasivos de Sieghart alcançaram seu peito e pressionaram na região do peito, recriando uma massagem, esfregando devagar, tortuosamente devagar. Uno conseguia ouvir o som de suas respirações e o barulho molhado dos lábios e das línguas. Aquilo tudo fez seu sistema vibrar, estranhamente, mas de um jeito aplacante.

O corpo do moreno de olhos prateados projetou-se para baixo, diminuindo a distância enquanto parava o ato das mãos e as levava para apoiar-se no colchão e sentar no quadril do mais novo, de uma forma perigosamente íntima.

–N-nn! –Uno tentava falar durante o beijo, sendo impedido por uma gentil e experiente língua, quente e molhada, que invadia sua boca e cobria qualquer pedaço de pele com seu sabor de ousadia.

Sieghart moveu seus joelhos e colocou peito contra peito.

–Hn-Hmm. –Sieghart beijou-o com vontade, chupando os lábios finos, mas macios, tirando toda a resistência do espadachim. Com o peso concentrado no quadril de Uno e um cotovelo o mantendo suspenso, sua outra mão subiu pelo braço de Uno e passou ombro, até chegar ao pescoço e acarinhá-lo na região, deixando o beijo forte e lento.

As mãos de Uno em algum momento haviam agarrado seus ombros, mas não tinham conseguido pôr força neles. Sieghart aproveitou-se disso para travar suas coxas e roçar seus corpos um no outro, de uma forma erótica e lenta.

O Imortal entreabriu os olhos enquanto se separava daqueles lábios, capturando a cena em que Uno tinha os ombros tensos e o rosto paralisado em vermelho rubro, um fio de saliva escorrendo de seus lábios inchados.

As íris azuis abriram-se cheios de hesitação.

–O-O que está fazendo...? –Uno indagou com a voz controlada, confuso e envergonhado pelo que estava acontecendo.

Sieghart sentiu vontade de rir ao ouvir tal pergunta. Era óbvio, não era?

–Aliviando um pouco de tensão? Hahaha. –Sieghart sorriu com os dentes, passando os dedos pela pele do pescoço albino. Uno o encarava ainda cheio de dúvida, o que o fez piscar em indignação. Sieghart o encarou seriamente, aproximando-se e beijando-o com desejo, mas sendo breve. –Eu tenho ideia que você nunca teve relações sexuais, mas esperava que você soubesse por instinto... Ou algo do gênero.

Uno encolheu os ombros ao passo que seu coração acelarava rapidamente. Não! Ele já batia assim desde o início. A verdade era que apenas agora ele tinha se tornado consciente disso. Quando Sieghart beijara a menina, ou mesmo quando havia beijado outras, e quando ele era capaz de ouvir alguns sons suspeitos no quarto ao lado, e quando os flagrara nus naquela vez e levara um sermão do Avatar. Em todos esses momentos seu coração havia disparado assim.

Uno desviou os olhos imediatamente, sentindo sua pele ficar úmida de uma forma desesperadora e todo seu corpo se tornar consciente do contato com Sieghart. Era quente. E constrangedor.

–N-Não faço ideia. –Uno disse, tentando controlar a própria voz que falhava. Sua mão fez força no ombro do moreno. -Se afaste.

–Não. –Sieghart se aproximou mais, tomando outro beijo, que foi cortado logo.

–P-Pare! Eu não quero fazer isso. É estranho, e você é pesado. De qualquer jeito é isso que você sempre faz isso com aquelas mulheres, não é? E ao que parece são sempre mulheres... Apesar de eu não entender por que. Não importa, apenas saia, eu me sinto estranho.

Sieghart arqueou uma sobrancelha enquanto sem cerimônia segurava o pulso do rapaz e o prendia ao lado de sua cabeça.

–E-Ei, você não me ouviu? –Uno afiou seus olhos, começando realmente a ficar irritado. Não só irritado por não ser ouvido, mas porque Sieghart tinha um olhar que ele geralmente não via, mas que ele sabia ser de pura subestimação. Aquilo o deixava irado quando era direcionado para si.

–Que droga, Uno... Você não é nada fofo. –Sieghart sorriu ironicamente, sentindo-se ainda mais agraciado quando o rapaz, que era tão frio geralmente, contraiu o rosto de raiva quando ouviu a palavra “fofo”. –Hahahah! Vamos lá, se acalme. Pode confiar em mim, não há nada para temer aqui. Você quer saber o que está acontecendo? Eu te explico se quiser.

–N-Não. Saia de cima de mim, eu não gosto dessa sensação.

–Okay.

Os olhos azuis arregalaram um instante. Sieghart soltara seu pulso e pulou para seu lado, afastando os corpos em questão de um segundo. Foi quando Uno sentiu toda a lembrança da proximidade entre os dois enchê-lo de constrangimento e de uma saudade súbita.

Um arrepio o fez apertar as mãos na colcha. Então ele olhou para o mestre.

–O-O que está fazendo?! –Uno soltou sua voz, fechando os punhos e sem saber exatamente para onde olhar.

Sieghart havia tirado a blusa e também a calça, ficando apenas com a peça íntima, de cor unicamente negra. Essa visão atordoou Uno, apesar de estar acostumado a vê-lo sem vestes, por alguma razão que desconhecia.

O mais velho pronunciou-se voltando para perto do garoto e agarrando-o pela camisa.

–Tire a roupa e você vai entender.

–Entender? Por que eu tenho que tirar a roupa para isso!? –Uno tentou afastá-lo, mas Sieghart sobrepôs sua força, voltando a beijá-lo, mas dessa vez deixando sua boca e direcionando-se para o pescoço. Seus dentes rasparam e sua língua agiu, fazendo um desenho até chegar à orelha.

–Ah-n! –Uno tentou virar o rosto, tendo um espasmo com o ato.

Sieghart afastou os lábios para sussurrar.

–Isso é o que qualquer criatura no mundo faz, garoto. Uma necessidade do corpo que causa essa elevação de temperatura incrível e traz um desejo insaciável de estar com outro ser, de beijar, morder, de ser envolvido e de se acabar nessa sensação... –Sieghart murmurava, beijando a pele clara e lambendo-o para ouvir os sons involuntários que ele deixava escapar.

Uno afundou seus dedos nos braços de Sieghart, sem entender absolutamente de onde vinha aquele sentimento que jamais sentira, nem porque ter o mais velho quase completamente despido e falando naquele tom profundo mexia com seus sentidos.

–O “estranho” que você sente não passa da vergonha de estar tendo seus desejos naturais expostos e de ser algo completamente novo. Em algum momento você teria que aprender sobre isso, então não pode ser agora? Não quer explorar isso junto comigo, Uno?

O rapaz fechou os olhos com as palavras e com a entonação de seu nome. De alguma forma Sieghart ficava diferente quando estava “assim”. Não que ele odiasse, só era algo meio diferente. O que eles fariam depois? E porque os beijos e essa aproximação de corpos o faziam se sentir assim? Apesar de não querer mais, a sensação era curiosa, e soava boa, totalmente parecida com um tipo de tentação: saborosa e quase inegável.

–A-Ainda assim é estranho. Não sei por que foi bom, não como comer, mas bom de alguma forma... Não sei-, -Uno interrompeu-se, dando-se conta do corpo de Sieghart. Sua mente projetou algumas imagens, mas ele não conseguia pensar em muitas coisas. –Não quero ficar sem roupa na sua frente... Não sei por que, me disseram que as pessoas não andam nuas.

Sieghart não se conteve em rir.

–O quê?

–Por isso estamos dentro de quatro paredes. –ele explicou, puxando a blusa de Uno em um único movimento. –Como se sente?

Cheio de tensão, o rapaz enfrentou Sieghart após uns segundos.

–Ficar sem camisa não é tão estranho, mas quando alguém olha diretamente... E encara, assim como você está fazendo agora, é absolutamente embaraçoso.

–Você nunca ficou duro, Uno? –Sieghart indagou, olhando na direção da virilha do moreno e tocando-a com os dedos, e mal pode reagir ao soco que o atingiu certeiro.

–Q-Que está fazendo tocando aí?! –Uno respirou com pressa, sem conseguir manter nenhuma concentração. Ele estava tão assustado, mas ainda assim sabendo que Sieghart não faria nada de ruim para si. Era completamente estranho!

Sieghart massageou sua bochecha, voltando a si e olhando feio para o menor.

–Você provavelmente nunca sentiu isso até agora, não é? Mas precisava me bater com tanta força?!

–Idiota! Qualquer um acharia estranho! Colocando a mão de repente!

–Hm. –Sieghart coçou a nuca. –Mas é bom não é? O que você precisa entender é que isso é algo normal na vida das pessoas, é algo que você precisa fazer, com uma pessoa do sexo oposto ou o do seu, é algo bom e que pode ser embaraçoso no começo, mas você se acostuma.

O silêncio de Uno indicava que ele estava refletindo um tempo. Havia sido ensinado a pensar bem nas coisas, nos benefícios e vantagens, no porquê de ser assim e não de outra forma. Ele não podia fazer nada a não ser se perguntar por que ele não era capaz de entender o próprio corpo. Era um mistério. E Sieghart sabia bem... Quer dizer, parecia ser algo que todos os humanos sabiam, mas que não era um assunto muito aberto. Pelo menos agora ele entendia porque não era aberto: talvez porque era tão embaraçoso.

–Você pode não saber, mas sexo é a forma como os humanos concebem os bebês.

–O quê? –Uno relaxou seu corpo nesse entretempo, porém, continuando a achar tudo aquilo um absurdo.

–Ah, isso só pode acontecer quando um homem faz com uma mulher. –Sieghart sorriu. –Mas sexo também é prazer. É meio diferente da satisfação que se tem quando se come algo gostoso ou quando se dorme. Não tem uma descrição correta, mas para a maioria é a melhor das sensações existentes. Para alguns é viciante. Para muitos é uma exploração infinita... Para mim é uma loucura.

–Loucura...? –Uno repetiu, seus olhos arregalando, sentindo uma batida do coração ressoar por seu corpo. Seu peito ficou pesado repentinamente e sua respiração começou a ficar difícil outra vez.

–É. –Sieghart tocou a mão do moreno, puxando-a em direção ao seu peito.

Uno ficou em choque, sentindo a pele, a cicatriz, os batimentos. Sieghart era um ser vivo embaixo da sua mão, e era tão cheio de vida, daquela forma estranha que o arrebatava para mais e mais perto.

–Eu quero sentir mais disso... Eu quero sentir muito mais. –Sieghart fechou os olhos. –Eu quero fazer você sentir também.

Uno apertou seus dedos. Um ofego saiu de seus lábios, atingindo o rosto do moreno, que parecia estar em um lugar longe. Suas feições eram bonitas e seus sentimentos alcançavam cada linha.

–Faz um tempo... Que eu venho pensando em te ensinar, para meu benefício também, mas para te fazer entender do que se trata isso e do que está perdendo. Eu vivo há muito tempo e tudo não faz muito sentido agora, nem mesmo com sexo, que é uma das melhores coisas. Eu gosto de não me segurar quando estou me envolvendo com outra pessoa, e essa é uma das principais causas de eu preferir estar com homens do que com mulheres. Só que eu não ficaria com qualquer homem por aí. Eu gosto de estar com homens que me mereçam. Os humanos são sujos e indignos. Eu sou um deles, mas prefiro estar com aqueles que me dão confiança. Por isso eu tenho me segurado, eu tenho realmente me segurado. Mas eu já não estou conseguindo suportar, por que estou outra vez começando a ficar sozinho, e não tenho mais onde descontar toda essa frustração e desejo que eu venho guardando esse tempo. Eu não tenho outra forma de resolver isso... Sei que estou sendo egoísta, mas no fundo é isso que as relações são. Sempre temos que dar para receber algo.

Uno abaixou a cabeça, ouvindo as últimas palavras. De um modo irracional tudo o que Sieghart estava dizendo fazia sentido. No fim era tudo sobre um problema existencial de qualquer criatura, não? Ele tinha constantemente dúvidas sobre o motivo de continuar vivendo, para onde iria, quanto tempo iria viver, com que pessoas encontraria, o que ele conquistaria... Ele não havia parado para pensar nisso. Ele constantemente se movia, pensando nas coisas, sem entender, e ainda assim sem parar. Se ele parasse ele morreria. E ele não queria admitir, mas tinha um medo insuportável da morte.

As mãos de Uno tocaram o peito de Sieghart com força. A cicatriz que estava ali, ele se lembrava, havia sido feita por sua katana: Muramasa.

–Talvez eu não precise entender. –Uno abaixou a cabeça. –Não sei o que deveria fazer agora, mas talvez... Se você me disser o que eu devo fazer em uma situação como essa, eu provavelmente vou entender. Assim como foi naquele dia, quando você me levou para o mundo...

Sieghart reabriu os olhos, tocando as mãos frias e intocadas do rapaz. Os dedos pálidos tocavam seu ferimento, atingindo-o com o sentimento suprimido bem no fundo.

O Imortal piscou lentamente, tendo o corpo abastecido por uma forte energia vinda do mais novo. Era cálido, suave, aconchegante.

–Então fique comigo. –murmurou o moreno, envolvendo os dedos na mão do aprendiz e o puxando-o para si, prendendo-o em seus braços fortemente enquanto iniciava um novo beijo, um tão profundo que os fez suspirar de dentro das almas e respirar entre os lábios.

Nenhum dos dois percebeu quando ficou estendido um sobre o outro na cama, encaixados perfeitamente, compartilhando seus corpos, sem ver a tempestade pela janela. O tempo parecia ter parado.

A saliva que ligava seus lábios se separou quando pararam para tomar ar. O rosto de Uno estava levemente coberto por um vermelho tímido.

–Está com medo? –Sieghart acariciou seu rosto, trocando as posições e tocando um dos mamilos expostos. Uno contraiu-se um pouco com o toque e tentou de todas as formas evitar olhá-lo nos olhos. –Ei, me diga.

–N-Não... –ele hesitou. -Um pouco, só um pouco... O que você vai – Ah, Siegha-!

O Avatar imediatamente reagiu, genuinamente abalado. Seus olhos arregalaram-se para o moreno abaixo de si. Ele tinha falado... Seu nome. Quando tinha tocado o volume crescente entre as pernas Uno falou seu nome pela primeira vez, voluntariamente.

–Uno.

O de olhos azuis cobriu o rosto, sentindo tudo queimar. A mão de Sieghart esquentava seu peito e daquele ponto se espalhava pelo resto, alcançando suas orelhas, sua boca, sua entreperna. Sieghart acima de si era uma figura distante, com um rosto expressivo, lábios úmidos e cabelos tão negros que pareciam se mover por conta própria. E de sua boca tinha saído o nome do mais velho; sem pensar.

–Ah-... –Uno encolheu o corpo, chocado ao sentir os lábios e as mãos o tocarem em lugares que ele mesmo não tinha costume de tocar.

–Fale de novo. –pediu o mais velho a roçar o nó dos dedos pelo abdômen do mais baixo, lentamente, próximo à virilha apenas para provoca-lo novamente. Sua mão esquerda escorregando pelas axilas e o dedo polegar acariciando a dobra de carne sensível.

Uno soltou sua respiração, pesada até então, e quente. Seus olhos encararam com dificuldade os do mais velho, tentando notifica-lo de que não era possível... Nenhuma palavra ou frase muito racional sairia de sua boca se ele falasse nesse momento. Havia algo insuportavelmente quente e surreal ocorrendo em seu corpo que o impedia até mesmo de pensar claramente. Contudo, em nenhum momento, ele pensou que estava com medo.

Sieghart sorriu levemente, os dedos direitos afastando a barra da calça de Uno, juntamente com a boxer. Sua franja suspendida tapava parte de seu rosto, mas não impedia de deixar Uno fixado nele, era um pouco intimidante também. O garoto estava sem dúvidas o desejando, mesmo sem ter ideia disso.

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Uno engoliu a saliva logo que seu corpo ficou exposto. Sieghart não parecia muito envergonhado e, pela lógica, ele não devia ficar também, só que era inevitável.

–Haa... –Uno tentou segurar a mão do Imortal quando esta se direcionou para sua ereção mal-contida. Seu membro estava pendido no ar, com uma umidade que ele desconhecia sobre a ponta, além de estar enrijecido e quente, e sensível.

Sieghart deixou de tocá-lo para segurar-lhe as mãos e deitá-las no colchão acima da cabeça. Sieghart ergueu uma sobrancelha, deixando seu próprio ar excitado sair dos lábios úmidos.

–Fique paradinho. –Sieghart murmurou, autocontrolando-se por causa do rosto de Uno, inocente e surpreendentemente vermelho. Logo em seguida deslizou as mãos pelos braços do rapaz, ativando todos seus pontos nervosos. Uno movia o quadril longamente enquanto ele se demorava em fazer as pontas de seus dedos e unhas roçarem toda a pele, em cima das veias e músculos, assistindo-o mover os lábios sem proferir som algum.

Alguma coisa caiu da cama fazendo barulho, mas nenhum dos dois deu atenção. Sieghart inclinou-se para capturar novamente o mamilo de Uno nos lábios e ao mesmo tempo beliscar o outro. Seu joelho movendo-se para entre as coxas brancas, fazendo contato direto com a ereção.

–Ah-haa... –Uno virou a cabeça. Seu rosto queimava. Seus dedos prenderam-se na colcha acima de sua cabeça e com os braços cobriu o rosto da forma que podia.

Sieghart viu pelo canto do olho, mas continuou o que estava fazendo. Sua língua circulou o pequeno montinho rosado e o apertou de leve com os dentes, tirando-lhe um gemido. Era fofo em volta, e durinho na ponta. Sieghart o chupou levemente e lambeu, acariciando o outro com o polegar e ao mesmo tempo apertando o peito. Uno estremeceu, tirando os braços para segurar os ombros de Sieghart.

O Avatar então finalmente deixou aquela área para dirigir a mão entre seus corpos. Uno o apertou com força nos ombros, até o ponto que o abraçou, tentando conter seu choque e evitar ser visto com uma expressão estranha. Sieghart o segurou com a ponta dos dedos e, com lentidão paciente, se pôs a massageá-lo, roçando o próprio nariz entre os fios negros, identificando o aroma de shampoo mesclado com o natural. Sua boca umedeceu ainda mais ao perceber o quão excitado o rapaz estava, a ponto de esfregar todo o corpo em si, num ato desesperado para se livrar do prazer insuportável. Os dedos úmidos o agarravam com força e o faziam se sentir ainda mais impaciente.

O pênis de Uno, completamente ereto, estava a ponto de liberar tudo. Sieghart beijou a orelha do moreno, fazendo-o se contrair, e continuou beijando-o, trilhando seu caminho para o rosto e para o pescoço, onde capturou algum pedaço de carne fácil e o chupou com delicadeza inesperada. Sua mão começou a mover-se num ritmo mais acelerado, com a ponta do polegar e do indicador com o do meio e do anelar, fazendo uma masturbação intensa e imparável.

–Hnm! A-Ahh...! –Uno gemia, envolvendo seus dedos em tufos de cabelo do Avatar e fechando os olhos com força. Seus músculos abdominais automaticamente contraíam-se, e ele teve impressão que algo estava fugindo do controle, assim como o desejo que aquilo fosse ainda mais rápido e ainda mais forte. –Ahh! Hng-!

Sieghart buscou ar em algum lugar da atmosfera com força, sentindo seu membro reagir com aqueles sons e reações tímidas. Ele adorava, ele não conseguia se conter! Era tão... delicioso. Ele era o único ser humano que podia dizer quando as coisas passavam dos limites, e agora era um desses momentos, pelo menos para ele.

Sieghart acelerou, sem dó, fazendo os dedos esquentarem e molharem. Os gemidos de Uno diretamente em seu ouvido o faziam querer gozar daquele jeito, naquele segundo.

–Ahn, Uno... –Sieghart revirou os olhos, sentindo o movimento do quadril do menor direto para sua mão. Sua calça estava ficando apertada demais. -... Afaste-se só um pouco...

Uno o obedeceu, com os dentes prendendo os lábios, mas ainda sim. As íris azuis estavam mais escuras e as pálpebras visivelmente pesadas. Ele não estava o olhando nos olhos, ainda que não assustado até ali.

–O-O que foi? — a voz do garoto era só um fio.

Sieghart seguiu os dedos por toda a extensão do membro, tirando-lhe um chiado de prazer.

–Eu vou fazer coisas bem mais sujas com você. –Sieghart disse com um sorriso incerto, mas sarcástico. –Está preparado?

O modo como o rapaz o encarou era mais parecido com indignação. Não importava o que ele tivesse dito ou que expressão tivesse posto na face, ele não seria capaz de impedir Sieghart e nem a si mesmo. O Imortal não lhe deu tempo, apenas o fez ficar de joelhos sobre suas pernas.

A confusão nos olhos azuis não descreveria como ele se sentia realmente naquele instante. A alta temperatura que pairava na pouca distância de seus torsos, a vontade de se entregar à maravilhosa e insana sensação nos dedos de Sieghart, o desejo crescente se espalhando e embaçando sua mente. Uno sentia tudo isso fazendo sua razão desaparecer numa nuvem de nada.

Com a mão direita, Sieghart circulou a cintura magra, branca, admirando como a cor e o suor passava um ar sensual completamente diferente ao garoto. Sua língua moveu-se dentro da boca de um lado para o outro sem muito pensamento, de uma forma instintiva e positiva quanto ao apetite que a cena lhe proporcionava. Seus dedos sentiram a forma redonda e macia do par de glúteos, pequenos e facilmente manipuláveis. Não demorou para Uno gemer sons sem significado enquanto seu indicador e do meio acariciavam o fim da coluna e ameaçavam descer pelo vão.

–H-Hm... –Uno o olhava e hesitava cheio de indagação. Suas mãos pareciam menores, úmidas de suor quente presas nos ombros claros, e seu membro mais duro sendo manipulado pela mão do Imortal.

Sieghart não disse nada. Seu caminho para o ânus do rapaz não teve cerimônias, apenas um trajeto o qual ele era acostumado, porém, que sentia bastante falta. Sua boca salivou pelo moreno, seu peito encheu-se de coragem e dominância, e ele permitiu-se colocar os lábios no pescoço de Uno para então massagear a entrada. Na ponta de seus dedos havia um pequeno espaço enrugado, mas macio, que ao ser massageado minimamente já se contraía e sugava sua pele.

–H-a! –Uno arrepiou-se pelo toque duplo, se perguntando o que raios o mais velho estava fazendo ao tocar ali.

Sieghart inspirou ar, sentindo o cheiro de fluído sexual tomando conta de suas narinas. Um cheiro familiar e saudoso, que lhe proporcionava sensações extremas.

–H-hm, o que vai fazer? –Uno questionou em baixa voz, percebendo a fraqueza incomum gerada em seu corpo.

O mais velho limitou-se a levar os dedos para a própria boca, lambendo-os e cobrindo-os com sua saliva. Sieghart sentia-se no clima para isso, sua saliva estava grudenta e sua respiração difícil como nunca antes. Não para menos, já que ele estava em celibato durante um ano inteiro. Ele fitou o mais novo com energia.

–O que você acha? –Sieghart perguntou, não deixando Uno dizer mais nada. Seu beijo foi arrebatador e fez as conversas terminarem, quase como se sua excitação fosse transmitida, como uma doença.

Sieghart massageou o vão macio, esfregando algumas vezes, ao tempo que tirava ar do garoto com sua língua e dentes. Depois forçou seu dedo central, em movimentos circulares, até adquirir espaço. Uno se moveu por instinto, gemendo dentro de seus lábios um som sexy e inspirador, deixando seu dedo adentrar e ser seguido por mais um, os quais Sieghart mexeu diversas vezes, em todas as direções, alargando e empurrando com força, suportando as súplicas e os ósculos desajeitados do mais novo.

–A-Ahh... I-Isso- tão estranho... –Uno limpou os lábios com a língua, notificando a si mesmo das pequenas lágrimas em seus olhos. Apesar de existir uma dor pungente em seu interior, o calor e a sensação viciante na extensão de seu pênis rijo não o deixavam pensar muito. Só havia a inexplicável vontade de abraçar Sieghart e deixa-lo sentir mais vergonha e mais constrangimento, até não poder aguentar mais o próprio calor.

Sieghart não soube quando, mas sua visão ficou repleta de admiração pelo menor. Não só isso, mas também algo que havia sentido apenas algumas vezes por seus parceiros. Havia algo que o fazia dividir sua cama com outras pessoas, do contrário, ele não se envolvia muito. Isso era uma motivação instintiva, quase que uma ligação espiritual ou talvez um sincero reconhecimento.

Sieghart na verdade não se sentia à vontade com qualquer um, apesar de gostar de sexo bastante o suficiente para transar com um desconhecido na beira da estrada, mas certas pessoas o faziam sair de seu estado normal, lhe trazendo um desejo de devorar por inteiro, de arrancar tudo o que pudesse dela, como se essa “coisa” que as pessoas carregam, o preenchessem... Como se, na realidade, algo estivesse faltando dentro de sua alma. Talvez sua própria alma.

Ele não sabia muito bem. O que sabia era que Uno, assim como “eles”, tinham isso, e esse garoto, acima de tudo, tinha algo que o fazia sentir uma novidade que jamais sentira.

–Isso pode doer.

O aviso não foi captado de primeira, pois Uno arqueou todo o corpo na surpresa de ver o Avatar liberar seu pênis, tão ereto e latejante como parecia sob a cueca, e empurrar seu quadril para baixo, fazendo-o encostar diretamente. Antes que ele pudesse gritar pelo choque, Sieghart ajustou-o na entrada ao mesmo tempo em que soltava um suspiro contido, com seu rosto ruborizado, e terminou de puxar sua cintura, forçando o membro para dentro, naquele espaço apertado.

–A-AH- O-que, ahh-?! –Uno balançou a cabeça, cobrindo a boca, sem saber por que e fechando os olhos enquanto Sieghart o envolvia inteiro e o forçava para baixo, segurando-o firmemente como se não quisesse que ele escapasse.

Sieghart pousou-o na cama, estendendo as mãos de seu ingênuo aprendiz para entrelaçar seus dedos com os dele. Sua expressão pesada de prazer contido fazia constraste com o brilho de significância em seus olhos, de determinação e autocontrole.

Uno o encarou, engolindo qualquer orgulho que ainda pudesse ter e buscando absorver aquele ar que pairava entre ambos. Sieghart de alguma forma estava tentando dizer para relaxar, para não se preocupar muito, que no fim das contas isso que eles estavam fazendo juntos não era nada assustador e nem novo. Tudo o que o jovem espadachim podia fazer era acreditar no mestre, assim como havia feito desde que trocaram olhares pela primeira vez.

Houve um aperto dos dedos. O mais velho entendeu o sinal para continuar, suas coxas moveram-se levemente, para trás, e nesse instante Uno abriu os lábios, sentindo seu canal ser massageado de forma reversa, e foi uma sensação tão nova que sua voz saiu bem do fundo de sua garganta, gritante.

–Hhm... Que... –Sieghart murmurou, respirando ao passo que começava a voltar o quadril, num movimento único. O som foi algo como “slap”, e se uniu ao “Haa-ah!” que Uno proferiu, sensível como um garoto virgem que era. -... Delícia.

–Ah-! –Uno apertou os dentes, tentando a todo custo não encarar o moreno de olhos prateados.

Sieghart começou a mover o quadril seguidamente. Era lento, mas constante. O som úmido os fazia suspirar, e apesar de não ter som nenhum ao redor do quarto, havia uma aglomeração de sons em suas cabeças. Eram gemidos, arfadas, ofegos, sons úmidos, batidas, sangue correndo... Era tudo ilusão por acaso? Sieghart sabia bem, mas deixou Uno preso em sua própria incompreensão do prazer sexual. Sua mão esquerda abandonou o garoto e voltou-se para sustentar uma das coxas, trazendo-a para seu ombro e puxando todo o corpo de Uno para uma melhor posição.

Ofegante, o moreno por baixo agarrou a colcha com sua vida.

–A-Ahh!

Sieghart investiu mais, sentindo todo o interior de Uno estimulá-lo em recompensa. Ele contraía forte, o expulsava, e quando ele saía um pouco o garoto não conseguia aguentar o estímulo contrário e contraía novamente, e o puxava para o fundo, fazendo-o tocar longe.

–H-Hng! –Sieghart gemia, esticando seu pescoço, o suor escorrendo sua testa e todas suas áreas erógenas.

Uno desentrelaçou seus dedos e apoiou-se nos próprios cotovelos, esticando o quadril e a cabeça para trás, mal suportando o ritmo imposto. Era verdade que não estava tão veloz, mas Sieghart não era nenhum pouco aquele cavalheiro gentil que falseava na multidão. Ele era um bruto e sem dúvida entendia daquilo mais do que esperava. Embora isso não mudasse o fato de que estava sendo uma experiência... Surreal.

–A-Ahhn! –Uno agarrou-o pelo cabelo, tendo coragem para manter contato visual.

O baixo ventre de Sieghart revirou fortemente ao encarar pura luxúria nos orbes azuis. Uau, ele pensou que ia desmaiar pela vibração que seu orgasmo o fez sentir. Sua estrutura estremeceu quando o rapaz puxou seus fios sem nenhuma feminilidade e gemeu com aqueles lábios úmidos. Ele não podia negar os pensamentos pervertidos que cruzaram sua mente vendo tal cena.

–Ah-, você... –Uno murmurou lentamente, percebendo que havia muito mais umidade e agora o membro escorregava dentro de sua entrada com facilidade. –H-Hn!

–Eu disse, Uno... Eu quero muito mais...

O Imortal sustentou as pernas, empurrando-as para cima, fechadas.

–H-Hm! A-Assim, n-ão... –Uno engoliu a própria voz, com as costas dos joelhos sendo seguradas pelas mãos de Sieghart. Ele mal sabia o que dizer. Ele não queria proferir o nome do mais velho. Ele nem sabia direito o que estava acontecendo. Por isso era uma loucura? Por isso era uma coisa tão inexplicável e sobre o que as pessoas não falavam? Esse constrangimento envolvente e esse prazer que vinham do seu âmago, do fundo, trazendo à tona outra personalidade. Uno quis chorar, mas as lágrimas não eram nada mais do que uma evasão de sua excitação... Louca.

Sieghart investiu no corpo esguio. Uno gemeu e chorou, agarrando-se no que podia. O mais velho grunhia e liberava sons profundos enquanto satisfazia ambos, metendo com força, mais rápido, espalhando uniformemente seu esperma dentro do canal do prazer. Seus sons guturais entravam na cabeça de Uno e os desse por sua vez na sua. A sensação subia e descia, seu corpo coçava e esquentava, pedindo por mais.

–AH-! HAA! –Uno agarrou o antebraço de Sieghart, que não tinha parado, mas diminuiu um pouco a velocidade. –Q-Quente... E-Eu quero... A-ahnn...

O ar tocou seus lábios. Sieghart beijou-o, roubando o resto de fôlego que o rapaz possuía e passou a masturba-lo, dando-se conta de quão sensível Uno estava e como tinha segurado o orgasmo até tal ponto.

–A-Ah... Isso, isso não é bom... Uno! Hng! –Sieghart começou a mover os dedos com pressa e um pouco de rudeza, sem parar o trabalho dos quadris. –Ow, você está me apertando... Você precisa vir também, relaxe o corpo e se concentre na sensação. Deixe sair, a-ah!

Uno afastou as pernas para deixar Sieghart confortável entre elas, segurando seu pênis com força e movimentando-o em um ritmo estranho, mas que o fazia se sentir em outro lugar.

–Ah-... Ahm!... Hnn... –Uno não pôde se conter, e sua mão sobrepôs a de Sieghart, fazendo-a se mover mais rápido. –I-Isso-! Aah-A-ah-!

O ar faltou, mas o espirro de puro branco atingiu o peito e o pescoço de Sieghart, que no mesmo instante deu uma estocada forte, inclinando seu corpo coberto de suor.

Uno não se moveu, ouvindo as respirações tomarem o ambiente mais do que qualquer outra coisa. De uma forma mágica o som da tempestade voltou em sua percepção, assim como o frio do ar, o gosto de sal na boca, a umidade grudenta de suor e a sensação de sujeira incomum formando-se entre suas pernas, sem falar na rigidez dentro de sua intimidade, que não doía, mas que ele havia tomado consciência, e que incomodava.

–H-Hm... –Uno quis falar, abrindo os olhos, vendo Sieghart respirar pausadamente, ainda com seu pênis, amolecido, na mão. Embaixo de seu queixo escorria um líquido consistente branco, e caía em seu peito, e escorria pelo meio. Os olhos prateados estavam fixos em si. –O-O que...? Ah-,

Uno não entendeu, mas certo desespero começou a abatê-lo. Agora que ele havia percebido... AQUILO ERA ABSURDAMENTE VERGONHOSO!!

Seus olhos arregalaram e nem se fala de seu coração pulsando em sua cabeça. Havia um cansaço impedindo seu corpo de se mover propriamente e uma sensação de alívio que o fazia se sentir especialmente bem e satisfeito, mas havia algo muito errado ali! Isso incluía aqueles olhos de brilho desconhecido do Avatar.

Sieghart sorriu levemente, seus dentes branquíssimos fingindo bondade. Ele dirigiu a mão direita para seu pescoço, onde limpou o fluído do mais novo, e então lambeu... Languidamente.

O arrepio no corpo de Uno foi insuficiente para descrever como se sentiu, mas ele foi forte. Engolindo em seco, ele ouviu seu coração batendo em silêncio e ouviu Sieghart, que estava, aos seus olhos, irresistível; naturalmente irresistível.

O maior inclinou-se, apoiando-se, deitando sobre ele. Seus lábios desenharam todas as linhas de seu pescoço e ombros, e subiram, capturando os finos lábios, misturando seus afagos desejosos com apreciação.

Então Sieghart suspirou fundo. Estava se sentindo tão bem que poderia simplesmente ir dormir sem forçar o garoto a mais nada. Ele estava feliz, por inúmeros motivos, mas ele não queria pensar muito nisso agora, embora não achasse justo deixar Uno sem nenhuma palavra, com a cara de medo que estava agora. Provavelmente ele não entendia nada do que tinha acontecido ainda. Bem, não era como se ele fosse entender simplesmente.

–Ei. –Sieghart segurou a face, acarinhando-a nos dedos enquanto mordiscava o lábio inferior de Uno. Seu olho encarou-o. –Essa é uma parte secreta da nossa aventura. Não é nada demais, apenas um bônus.

Uno, sem entender, não conseguiu fazer nada além de bufar. O Imortal estava falando uma coisa tão idiota de modo tão sério... Céus, era uma vergonha. Ele em si era uma vergonha!

–Eu achando que você ia dizer algo produtivo. –Uno virou o rosto. O rubor ainda não tinha ido embora.

Sieghart o calou, beijando-o demoradamente e se afastando para sussurrar em seu ouvido. Seus braços o envolveram enquanto ele achava uma posição agradável para apenas se deitar e descansar.

–Você pode apenas seguir seu coração, Uno. Desde o começo, é isso que você deve fazer, em tudo o que você faz. Certo? –finalizou o moreno, escondendo seu rosto na curva do pescoço do aprendiz, e deixando tudo o que sentia ser abafado pelo sono e pelo cansaço.

Uno demorou um pouco apenas, questão de segundos. Ainda não entendia. Não tinha como entender. Nada é tão fácil assim.

Mas o moreno murmurou algumas palavras antes de apagar, num estado meio adormecido e insconciente.

–Pode ser... Desde que você possa me ensinar... Sieghart.

Fim

Notas finais
Yo minna o//! Enfim postei a oneshot. Desculpem a demora como sempre, espero que tenha sido do gosto. Acho que ficou muitos espaços em branco na história e coisas mal explicadas na relação dos dois, mas deixarei isso para vocês pensarem ok? Espero seus reviews, agradeço por terem lido! Um abração e até o próximo: RavenxElsword! Jaa ne