YStage

16 16YStage: Leader


Notas iniciais
Yo minna-san! NÃO ME TAQUEM PEDRAS PLEASE. Depois de um longo tempo eu terminei o capitulo. Olha que eu nem to mentindo, eu tentava escrever um pouco sempre que dava, mas ela acabou ficando gigante? E na hora que chegou o lemon eu travei. Acho que todas as minhas fics pararam na parte do lemon ¬¬, isso porque eu ficava pensando "Ah... se eu escrever esse lemon agora eu não vou conseguir escrever o outro" e ficava enrolando. Mas eu terminei decididamente hoje de madrugada. E se estiver mal... me perdoem -.-. Eu perdi o jeito. Pedido de Bruninhachan> RavenxElsword. Leader significa Líder. Primeiro casal de Elsword. Já aviso que eu não joguei ok? Sou ignorante sobre ambiente e tals. Mas claro, dei uma fixada isso, dando um jeitinho esperto. Espero que gostem, porque eu adoro esse casal! OBS: No jogo, ao que parece, a Elesis é que é a líder dos Red Knights, mas eu mantive o Elsword como líder ok? Vamos considerar um período de transição para a Elesis assumir. Enfim, boa leitura!

...

Ele mal havia acabado de se tornar Infinity Sword.

Ainda era difícil controlar o poder brutal da Cornwell, aquele poder sombrio e selvagem da nova evolução que o fazia explodir em energia. Apesar de ser difícil, Elsword sentia que estava no controle mental de si mesmo. As coisas tinham se tornado mais claras e as respostas pareciam muito óbvias agora quando olhava a sua volta.

Elsword se sentia maduro, dono de si mesmo, incrivelmente poderoso, como se pudesse fazer qualquer coisa. Ele não conseguiu deixar de se tornar convencido e egoísta, até um ponto que sua mudança de atitude finalmente irritou os amigos.

Após uma missão em que eles falharam ridiculamente, Aisha explodiu com o ruivo de vez. Ela não o suportava mais, lhe deu um sermão, os dois brigaram tão sério que ela chorou de ódio e saiu do local com passos pesados e por pouco não conjurando uma maldição. As meninas do grupo não perderam tempo em discutir com o ruivo também e logo foram atrás da maga, deixando o líder com os rapazes. Eles que se virassem com o idiota.

Elesis, que estava indignada com o que havia acontecido, apenas olhou decepcionada para o irmão mais novo e se retirou sem palavra alguma.

Aquilo fora a gota d’água.

—Da minha parte, não acho que você realmente tenha se tornado um idiota. –Chung aproximou-se do ruivo, com gentileza tocando-lhe o ombro. Sua expressão era da Paciência personificada. O louro sentia pelo acontecido, não aprovava a atitude de Elsword, mas não achava necessária aquela briga toda. Chung Seiker, apesar de continuar parecendo bastante jovem com sua evolução Deadly Chaser, estava muito alto em comparação à nova forma de Elsword, e lhe passou a mão no cabelo selvagem agora bicolor: vermelho e preto.

—Ele já é um, por isso. –resmungou, encostado a um canto o intimidador Raven. Tinha uma ruga no meio de sua testa, formando uma expressão rara de profunda irritação. Tinha os braços cruzados sobre o peito, criando uma barreira entre ele e o resto, e cobrindo a larga cicatriz. Suas roupas estavam bastante rasgadas e o braço humano estava enfaixado e manchado de sangue seco. No rosto tinha uma gaze na bochecha esquerda.

Raven os encarou com os olhos dourados repletos de repreensão.

Sem dúvida ele estava nervoso, pior, estava irado! O brilho de ira estava tão claro ali que dessa vez unicamente Elsword não se atreveu a contraria-lo. Verdade que o ruivo tinha sido abalado por uma onda de raiva, mas não foi capaz de ir contra o ex-soldado. Ainda assim Elsword acreditava no fundo de sua alma que não tinha feito nada de errado.

Chung e o restante dos homens — o jovem Add e Ciel, quem aparentemente não estava à vontade sem a companheira Lu ao seu lado, e ainda por cima, porque era um membro recém-chegado — permaneceram calados ouvindo Raven. A tensão pesou no ar.

O moreno então bufou, antes que alguém tivesse coragem para quebrar o silêncio. Não era necessário explicar o motivo daquele mau-humor, especificamente de Raven, e claro, já era óbvio que a culpa era toda do cabeça-oca, apressado e impaciente líder do grupo, Elsword.

O que aconteceu foi que, como sempre, o ruivo tinha ignorado toda a estratégia durante a missão, e como argumento ele disse: “Sabemos quem é o inimigo, então não precisa dessa falação toda!”. E atacou sem esperar nem dar nenhuma indicação do que fazer. Mas dessa vez ele estava muito enganado e Raven foi o único a conseguir segui-lo a tempo de ser pego sozinho em uma armadilha. Graças ao Veteran Commander o ruivo saiu sem nenhum ferimento, no entanto, Raven poderia ter perdido o braço.

Elsword só conseguia encarar Raven em resposta, contrariado, e desafiando-o visualmente. O modo que fazia isso fez os nervos do moreno subirem à cabeça!

—Você nem ao menos é capaz de agradecer! –Raven exclamou furioso, imediatamente saindo de sua posição e se aproximando do mais baixo. A ruga aumentando, e seu punho fechando com força.

Mas Elsword estava arrependido internamente. Acontece que depois de ter passado vários minutos com Raven dentro da caverna em que foram presos, foi obrigado a ouvir um sermão inacabável e irritante! Claro, ele não ia agradecer. O colega podia esperar sentado que não ia adiantar, não ia pedir desculpa nem obrigado. Além de que, ele achava que o mais velho não merecia crédito por tê-lo seguido, afinal, estava certo de que poderia ter se livrado do problema sozinho.

—Hmph. –Elsword bufou com desprezo, balançando suas bochechas cheias para o lado e fechando os olhos grandes.

Os fios de Raven arrepiaram de raiva e ele teria agarrado aquele pescocinho fino com sua garra se o santificado Chung não tivesse implorado pelo olhar para não fazer nada mortal. Se bem que ele estava com uma mão em uma das Silver Shooters, só por garantia.

—Você mudou demais, Elsword. –Raven sentenciou, com mágoa na voz e no olhar, dando as costas aos amigos e passando pela porta do estabelecimento para se afastar e seguir bosque adentro.

Silêncio gélido no local.

Elsword fora o mais chocado, pois ele não estava tão acostumado a ouvir as pessoas o chamarem pelo nome inteiro. Desde bastante tempo já que ele era somente Els, então... Não sabia... Algo soou tão errado, que ele por pouco se rendeu e foi atrás do amigo. Mas não, um orgulho crescente e um sabor amargo em sua boca não o deixaram tirar o pé do lugar, apenas quando ele decidiu sair da vista das pessoas, com aquela raiva e aquele peso da responsabilidade nas costas.

—Pelo visto... Isso não costuma acontecer. – comentou Ciel.

Estavam sozinhos ele, Chung e Add, numa mesa da pensão que se hospedaram há pouco tempo. Estavam de volta a Elder por causa da falha da missão em Peiyta, e porque não fazia sentido continuar uma jornada sem um trabalho em grupo decente. O jeito era tirar um ou dois dias de folga e aproveitar para se conhecerem melhor.

Ciel olhou para Chung, que suspirava, não sabia se de alívio ou de enfado.

—É. Pessoalmente eu odeio admitir, mas é a primeira vez que vejo eles brigarem assim. –os olhos safira estreitaram, provando que ele próprio estava surpreso com a situação. –Se eu for explicar melhor, mesmo que Els tenha feito isso muitas outras vezes, o Raven nunca ficou tão zangado.

Add atrás deles bufou e estalou a língua, mas foi ignorado.

—Pode ser que algo tenha acontecido entre os dois? –Ciel perguntou com uma expressão desanimada. Não demorou a se sentar na banqueta do bar e pedir uma bebida quente. Voltou-se para os amigos pensativos. –Como eu sempre estou perto da Lu, algumas vezes brigamos realmente sério. Então pensei que eles podem ter só explodido um com o outro... Acontece.

—Mesmo se for. –Chung suspirou. –Nós temos o dever de não confundir as coisas enquanto somos uma equipe. Elsword, querendo ou não, é o líder dos Red Knights. Se por acaso nossas relações ficarem muito ruins, pode ser um grande problema.

—Vocês só são um bando de fracotes. Só estão me fazendo perder tempo. –Add resmungou por fim, e pôs a mãos nos bolsos do casaco branco, para sair pelo mesmo caminho que Raven foi.

Chung respirou com enfado.

—Bem, não é como se eles não fossem fazer as pazes logo. O Els faz besteira, mas ele é muito preocupado com as pessoas. Não acho que ele vai deixar isso assim. Por enquanto ele só... Está irritado.

Ciel concordou minimamente. Certamente havia coisas que ele não poderia se intrometer sendo um novato, mas torcia para que eles voltassem a se dar bem logo.

Quarto 107 — Pensão em Elder

Olhando o teto, percebeu que a lâmpada estava trincada e duas telhas tinham falhas de goteiras.

“Não está chovendo mesmo.” Elsword concluiu, se virando de lado na cama e sentindo que dormir era o melhor remédio para sua temperatura abaixar.

Ultimamente, e isso era desde 2 dias, seu peito vinha sendo preenchido por um calor abrasante, que parecia corroê-lo por dentro. Curiosamente ou não, ele não se importava, pois não era exatamente uma “dor”, estava mais para uma sensação perturbadora. E ele acreditava que isso era seu corpo se adaptando ao novo poder que lhe fora dado.

Elsword tocou seu próprio peito e pensou, inquieto.

Seus olhos vinham vendo as coisas de outra forma, não como todos viam. Não se sentia ao menos com os mesmos ideais. Disseram que passaria por tempos difíceis, por tentações com a nova habilidade, e que seria difícil suportar o peso da arma em seu coração. Mas ele fora otimista, estava determinado o bastante para superar sua provação. Ele acreditava que tinha se tornado o mais forte. Ele era mais forte, o mais forte! Ele podia até mesmo vencer Elesis!

Mas seu envolvimento com o grupo estava sendo afetado por essas novas idéias. Agora mesmo ele estaria indo atrás de Raven e pedindo desculpas como um cachorro com o rabo entre as pernas. Geralmente era assim. Contudo, no momento havia um orgulho poderoso que tomava seu corpo inteiro, deixava-o tenso, não o permitia se mover. A voz em sua cabeça repetia: “Não fiz nada de errado, não preciso de ninguém”.

Aquilo... O assustava.

Depois de poucos minutos, ouviu batidas na porta. Já imaginava o que era e não estava enganado.

—Els... –Rena,a elfa do grupo, com seu olhar gentil, tinha pronunciado seu nome com leveza e súplica de “Por favor entenda”. As mãos delicadas apoiavam-se no batente da porta.

Até agora ele se arrepende, porque Elsword deveria ter sido mais gentil com ela nessa hora.

—Você vai me dar um sermão também? –bufou, grosseiro, com as mãos na cintura. Ele olhava para cima e era muito estranho. Estava mais baixo que quase todos eles. –Não preciso.

—Não, eu-,

—Não importa. –interrompeu ele, fechando os olhos de puro mau-humor. –Que tal você sumir?

Ele deu as costas, já fechando a porta, e qual sua surpresa quando ela agarrou a madeira e a empurrou com toda a força? Elsword rangeu os dentes de surpresa e medo consciente da mulher. Os olhos verdes de maturidade dela brilharam como uma lâmina e ela veio assassina para cima dele.

—ELS! –ela grunhiu, tirando uma adaga da cintura e já saltando em sua direção.

Antes que ela pudesse dar uma boa lição no ruivo, o chão tremeu bruscamente, ela não conseguiu fazer nada, apenas tentar algum equilíbrio.

Um som pesado tomou a audição de ambos. Elsword e Rena reagiram igualmente, olhando desesperados um para o outro. “UM TERREMOTO!”.

O chão, as paredes, os objetos, tudo estalou em tremor e começou a cair, sendo jogados para um lado e para outro. Num grito, Elsword saltou para a elfa, puxando-a para fora do quarto, sentindo o peso da gravidade nas pernas.

—CORRE!

A adrenalina fluía nas veias. Era hora de sobreviver, e eles precisavam salvar quem pudessem. Os quadros no corredor partiam e diversas vezes sons de vidros estilhaçando era ouvido. Pela janela havia uma onda de vento tão forte que eles nem podiam se aproximar. Eles estavam num furacão?! Era uma tempestade?!

Sem tempo para pensar, o ruivo apenas foi empurrando a amiga, os dois chegaram ao bar da pensão. Não havia ninguém! Por quê?

—RENA! –Elsword cobriu os dois de mesas e copos que estava voando em sua direção. o vento estava quase fazendo subirem pelos ares. Foi aí que o ruivo viu uma brecha, a porta principal ainda segura. Eles se aproximaram,foi aí que puderam ver.

Estavam no ar. A casa estava sendo levantada por uma forte ventania que era como um furacão, porém, ele não girava tão forte a ponto de despedaçar os corpos.

“MERDA!” Elsword pensou. “Mais um daqueles fenômenos bizarros que acontecem do nada!”

O rapaz não pensou duas vezes em mandar a elfa pela porta. Tinha visto Chung e Eve sobrevoando por volta, e eles a pegaram. Ele era o próximo a ir, antes que a casa fosse mandada para o alto de vez e ele morresse pela pressão atmosférica ou pela queda.

Houve um som de rachado que o fez estremecer e não demorou a começar a se impulsionar para fora.

Ugh!

Elsword arregalou os olhos. Um som! Era alguém! Tinha alguém ali!

Ele olhou para Eve que acenava tentando fazê-lo sair, estava confusa, mas Elsword olhou para trás. Tinha alguém ainda ali.

—EIII! ONDE VOCÊ ESTÁ?! –Ele gritou, agarrando-se a tudo o que podia, sendo balançando pela casa voadora.

Uma cabeça pequena apareceu detrás do balcão, e aqueles olhos escuros o capturaram.

—SIRA! –gritou, e foi em sua direção o melhor que pôde. Seus ossos estalaram, que pressão enorme!

Aquela adorável menininha de 6 anos que atendia aos clientes como convidados, Sira Barcley, a filha do velho anfitrião Barcley. Ela tremia, cheia de medo, lacrimejante, e corajosa por se mover em sua direção. Era muito vento, ela ia voar!

—SIRA, ESPERA! –Elsword gritou em desespero logo que os pés dela começaram a sair do chão. Impulsionou-se para ela, correu tão forte que os músculos de sua perna gritaram contra o ar!

BAN!

Sua visão escureceu.

“Por quê?...” Ele gemeu internamente, não tinha ouvido nada, nem sentido nada. Estava ficando escuro.

—ELSWORD!

Uma voz ao fundo, era Sira? Não parecia a voz dela. Era tanto vento...

Antes que pudesse recobrar-se um flash de luz envolveu todo aquele lugar. Cegou a ele e quem mais estivesse ali. Depois o som de uma explosão, tão enorme que ele não poderia ter fugido mesmo com todas as suas forças. Fora imenso.

XXX16YStageXXX

Num último instante estava tudo acabado. Não estava consciente. Não sentia o corpo, nem a luz, nem sensações. Podia ser que sua cabeça tivesse se separado do corpo afinal.

Elsword se sentiu. Quando se sentiu foi capaz de começar a mover os olhos, grogue, como se tivesse perdido a memória depois de bater a cabeça.

Não soube se fez algum som estranho, mas depois do apagão bruto, ele mexeu a boca automaticamente e forçou sua voz para fora, para ouví-la e ter certeza de que estava vivo.

Ao longe, não soube por quanto tempo, ouvia algo ressoar para dentro de sua cabeça e repetia alto, mais alto, mais alto ainda.

—Elsword, você está me entendendo?

Era... Sua visão focou-se. Saiu do embaço lentamente e ele viu. Raven.

Ainda estava mentalmente instável, mas fez o esforço para sentar e passar a mão pela cabeça. Não se lembrava imediatamente. Ah, ele tinha sido pego por uma explosão.

—O que houve?

Elsword não reconheceu a própria voz, mas fez seu máximo para se manter sentado e olhar em volta. Não que doesse tanto, mas parecia estar entorpecido, como quando ficava quando bebia.

Destruição. Aquilo o fez se recordar aos poucos e ele teria saltado em desespero se não estivesse tão fraco. Por que! Por que Sira estava lá! Ela estava bem? Ela estava ali com eles?

—EI! –Raven o agarrou pelo ombro, chamando a atenção para si, sua voz alta, rascante. Acalme-se Elsword!

Petrificado, o mais baixo aquietou a mente. Respirou, fechou os olhos, movendo os lábios, e concentrou-se no toque do companheiro em sua pele. Quanto tempo havia se passado? Onde estava todo mundo?

—Você está bem? –Raven bateu de leve em suas costas, suspirando. Parecia aliviado, mas Elsword não se deu conta disso.

—Hm. Eu tô’ bem. –Elsword tirou a poeira dos olhos e se levantou devagar. O colega repetiu o movimento. –Onde estamos?

O moreno abaixou os olhos com uma expressão conturbada, fazendo uma pausa incomum de sua parte.

O Infinity Sword arqueou a sobrancelha fina, estreitando os olhos afiados de dragão, apreensivo.

Havia destroços em grande quantidade, por todos os lados restos de madeira, vidro, pano, tudo coberto pela nuvem de poeira e, de forma estranha, algumas partes desintegrando no ar. Mas apesar de tantos restos, aquilo não era pensão inteira. No máximo o espaço que servia como bar. Isso queria dizer que não fazia tanto tempo e que estava confirmado que havia desmaiado durante o “furacão”.

Elsword olhou para Raven indagador. Ele se lembrava agora! E a garota, Sira? Ela não estava ali. Não havia ninguém ali!

—Ray... –Elsword tocou a empunhadura da Cornwell em sua cintura. Por sorte tinha conseguido pegá-la antes de correr para fora com Rena.

—Não sei onde. Não é o mesmo lugar de antes. Esse lugar não parece nem ser Elder! –Raven colocou a mão na cintura, olhando em volta com um olhar pesado. –Não parece nenhum lugar que eu conheça.

Era visível como o rapaz estava abalado. E com razão. Elsword conseguiu reconhecer, ou melhor, não reconhecer nada, nem árvores, nem plantas, principalmente aquelas montanhas cobertas de neve no horizonte. Muito menos, aquele vale que se estendia centenas de metros abaixo do penhasco onde estavam. Nas costas deles, uma pradaria enorme e, muito ao fundo, muros altíssimos e longos. Provavelmente uma cidade.

Os companheiros se entreolharam, fazendo indagações mentais intermináveis. Jamais ouviram falar de um lugar assim sequer em seu mundo.

Irracional!

Como eles tinham ido parar em lugar tão estranho?! E aquele furacão vindo do nada?

Elsword colocou as mãos na cabeça negando diversas vezes e, vendo que o cérebro daquele idiota poderia explodir, Raven o estapeou na nuca.

—Como você é irritante! Não vê que eu estou na mesma situação? Fique calmo, cabeça de vento!

O Infinity Sword bufou. Estava se sentindo melhor e parecia que todas suas memórias haviam voltado. Algo clicou em sua mente.

“Raven... Ele não estava na pensão. A gente brigou e ele saiu furioso”. O ruivo pensava, tentado a perguntar ao mais velho porque ele estava ali consigo.

Bem nesse momento, Elsword se deu conta que tinham mesmo brigado. Que fez besteira, sendo precipitado durante a missão e Raven foi o único a ir atrás dele. Elsword se sentia um completo babaca e, ainda por cima, tinha sido rude com Rena.

Agora eles estavam em um lugar desconhecido, só os dois em razão do infortúnio.

—Provavelmente... –Raven começou a dizer, batendo as roupas e segurando a espada. -... Fomos teletransportados. Temos que descobrir aonde viemos parar e pra isso temos que ter muito cuidado, já que não temos ideia se esse é um território inimigo.

O ruivo respondeu com um aceno de cabeça. Concordava com Raven, pois parecia óbvio para onde iriam, ou seja, se infiltrariam para buscar informações e lidariam com o problema seja ele qual fosse.

Ainda que houvesse todo o problema de localização, Elsword só conseguia ocupar a cabeça com uma coisa: se Sira estava viva. Ele olhou para Raven e percebeu imediatamente que o mais velho parecia muito chateado ainda, mas preferiu não tocar no assunto. Pelo menos não por agora.

Nos arredores, uma hora depois.

Os dois olhavam para cima em total silêncio, juntos à parede de pedra. Dali não conseguiam perceber se havia alguma patrulha sendo feita e nem ao menos parecia ser uma cidade-forte para ter algum exército nos arredores.

—Ei, vamos tentar achar uma entrada. –Raven o avisou baixo, sinalizando em uma direção.

Elsword não discordaria da decisão do moreno. Havia dois motivos para ele não fazê-lo: primeiro porque Raven era um perito em infiltração; segundo, porque já tinha o deixado irritado o suficiente naquele dia. Aceitar os caprichos do soldado era apenas uma compensação silenciosa por acabarem naquela situação.

Corriam discretos seguindo o muro e puderam contar poucos minutos até alcançarem um portão e também a presença de guardas. Não foi grande a surpresa. Isso já era mais do que o esperado. Só não era tão esperado o grande arauto à frente da muralha, escoltando uma cabine nobre puxada por cavalos pomposos, seguida por indivíduos pouco revestidos de armaduras, levando mantos de cor púrpura no corpo e capuzes sacerdotais brancos. Era bem provavelmente algum nobre ou religioso importante sendo levado para dentro da cidade.

—Ray. –Elsword trocou olhares com o parceiro enquanto se escondiam nas folhagens.

Do portão, que já estava aberto, saíram duas pessoas. Estas sim com armaduras fortificadas e de aura tão intensa que Raven e Elsword sentiram necessidade de esconderem até mesmo a presença. Aquele par com certeza não era qualquer coisa.

A primeira, uma mulher alta, de cabelos solares e olhos de rubi aprontava-se ao lado da porta da cabine. Era reverenciada pelos guardas e obviamente respeitada, considerando a altura em que os soldados se curvavam e a determinação no cumprimento. Na bainha levava um florete, no corpo uma armadura branca e vermelha, reluzindo não só de beleza, mas de poder e experiência. Aquilo era uma amazona e tanto, fato perceptível mesmo num primeiro olhar.

Elsword estremeceu por dentro. Ela não demonstrava, mas toda aquela habilidade, aquela postura de guerreiro que enfrentou várias batalhas, deixava óbvio para Elsword e Raven que ela já os havia percebido. Contudo, ela parecia confiante e tranquila.

—Ela... Nem ao menos está se importando com a nossa presença. –o ruivo murmurou, não sentindo que deveria se esconder mais, já que tinham sido descobertos.

Raven, que no silêncio havia prendido sua respiração, estava fixo na segunda figura que permanecia à frente dos guardas.

De postura relaxada, olhos despreocupados e expressão enfadada postava-se com segurança um jovem desleixado, de cabelos negros e olhos de brilho prateado cortantes. E apesar de sua negligência com a formalidade da situação, ele levava no corpo um conjunto de treino forte e perfeitamente polido, mas uma espada tão negra e bruta que causava arrepios.

Aquele homem, diferente da mulher, não havia somente experiência, mas tinha tudo para ser uma ameaça a qualquer criatura no mundo. Ele nem ao menos precisava ficar em postura, pois aquilo sem dúvida... Era uma aberração.

Elsword, ao contrário de Raven, foi perceber esse fato apenas quando, num clique, os olhos prateados rodaram na direção das folhagens onde se escondiam.

“Ele também sabe que estamos aqui!” Elsword concluiu, preocupado.

O que era terrível em tudo isso era, não porque os jovens guerreiros não podiam encarar uma luta, mas porque eles estavam em um lugar desconhecido, sendo intimidados mesmo quando fizeram seu melhor para não serem percebidos.

Aquilo era terrível logo de cara. Aqueles dois exalavam uma fome de luta que eles jamais experimentaram vindo de outro ser humano. Enfrenta-los soava impossível.

—Elsword, nós temos que-,

Antes que o moreno terminasse de falar a caravana começou a se mover. Os sons de passos ecoaram e os guardas foram se afastando.

Não demorou nem um minuto para que todos tivessem passado o portão e não demorou um segundo para Elsword e Raven sentirem todos os membros do corpo paralisados. O choque em seus rostos foi inútil, pois toda a consciência que tinham foi tirada sob a sombra daquele guerreiro. Depois só houve um vazio.

Parecia ter se passado pouco tempo quando Elsword abriu os olhos.

Havia um teto, um cheiro de medicina, e seus pulsos estavam presos ao metal do que seria uma maca. Ainda demorou para que seu cérebro funcionasse e ele se desse conta.

—O quê?!

O ruivo remexeu-se com um tanto de violência, olhando para a esquerda, onde finalmente percebeu a presença de alguém. De cabelos azuis longos e olhar penetrante, além do fato de possuir olhos heterocromáticos, estava em pé uma mulher linda, usava óculos e parecia uma cientista. Ela o olhava sem dizer uma palavra, nem ao menos abalada. Acima de tudo, dela emanava não só um ar indiferente como perigoso, tanto que o Infinity Sword arrepiou-se como um filhote.

Antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, se acalmando aos poucos, percebeu do outro lado do cômodo outra pessoa. Essa era familiar – não familiar, mas ele nunca esqueceria aquela aura esmagadora de mais cedo, a daquela mulher.

Ela não sorriu e manteve os braços cruzados, diligente. Os rubis que eram seus olhos brilharam.

—Como está se sentindo, jovem?

—Hm...? –Elsword se sentou mais confortavelmente. Bem, não parecia que aquele reino era tão perigoso assim, senão eles nem teriam se dado o trabalho de prestar socorros. –Ah, sim.

Seu olhar caiu para os lençóis brancos e seus lábios contraíram. Estava preocupado. Ele não queria estar sozinho agora, mesmo que ele não estivesse nas suas melhores com o soldado nasod, mas queria saber onde ele estava agora. Quando olhou melhor, suas mãos estavam amassando o pano com força.

—Qual é o seu nome rapaz? Não me parece suspeito o suficiente para estar rondando as muralhas. Não é como se fosse proibido entrar na cidade. –ela suspirou, cruzando as pernas naquela banqueta, baixa demais para ela. Era uma mulher e tanto, até mesmo o timbre. Tinha postura de alta patente.

—Eu e meu companheiro passamos por algumas dificuldades. –Elsword disse sem mais, passando a mão na testa, onde se concentrava uma leve dor.

A loura assentiu com a cabeça, pensou um pouco e em seguida disse:

—Meu nome é Lothos Isolet. Sabe quem eu sou?

Seu olhar era de desafio. Elsword mordeu sua ignorância e fez que não. Ela reagiu um pouco séria depois disso, então ele não soube se tinha conseguido se safar ou se tinha tudo virado uma meleca.

—Qual o seu nome e de onde você vem, jovem? –ela perguntou com casualidade.

—Ah... Me chamo Elsword, eu vim de Peiyta para cá. –Elsword pausou, imaginando que sua sinceridade fosse o golpe final para ele cair numa cadeia pelo resto da vida. –Mas não sei bem como.

Em vez da reação de surpresa esperada, a mulher assentiu com a cabeça e fez um sinal para a outra. A de cabelos azuis chamou a atenção do ruivo e num instante livrou os pulsos.

—Como imaginávamos. –disse Lothos e balançou a mão levemente antes de se por em pé. –Suspeitamos que talvez estivessem mentindo, por isso separamos você e seu amigo por um tempinho, apenas para termos certeza se vocês tinham ou não más intenções.

O rosto do garoto esquentou um pouco. Por sorte ele tinha a mania de dar com a língua nos dentes, então nessa situação ele acabou se dando bem. Se bem que não era como se tivesse outra maneira de explicar, eles não faziam ideia de onde estavam.

—Vocês dois provavelmente passaram por um portal dimensional e vieram parar aqui neste mundo. –ela suspirou fazendo um sinal para ele se levantar e acompanhá-la.

E o ruivo não teve outra reação senão ficar surpreso. A mulher pelo visto tinha familiaridade com a situação.

—Não fiquei aí parado, você já está melhor, não? –ela apontou para a saída, uma porta elétrica e aparentando ter o modo de segurança de um mecha.

Saindo da maca e acompanhando a mulher, Elsword foi perceber que era muito mais baixo, e não importava que ela tivesse tirado a cota (parte de cima) e deixado uma camisa branca padrão, ela continuava enorme. Apesar da postura, enquanto andavam pelo corredor, ele vestido em suas roupas normais, ela parecia bastante confortável naquele espaço. E por falar nisso, aquilo soava como uma casa normal, exceto pelo laboratório estranho onde estivera. O resto era uma quantidade grande de quartos, mas o ar era bem mais familiar do que o de um hotel ou pensão.

A mulher, Lothos, fez o caminho escadas abaixo. E logo que Elsword apareceu no topo, avistou uma grande reunião de indivíduos, o que o fez estremecer dos pés à cabeça. Se ele pudesse explicar resumidamente, diria que, mesmo que com roupas casuais, a energia daquela sala casual era tão pesada, tão atordoante, e ao mesmo tempo, tão seguro e aconchegante, que ele... Que ele já não podia mais gabar-se. Ali só havia guerreiros, do nível de deuses!

Raven estava lá de pé ao lado da grande janela, esta por sua vez adjacente à lareira, que em tempos como esse ficava apagada. Era verão naquele mundo. E fazendo jus à estação, moças de vestidos, shorts e saias, e que variedade, visto a quantidade, e os homens de bermudas e shorts para esportes. Todos olharam na direção da loura imponente.

—Comandante! –suspirou, aparentemente de alívio, uma menina vestida de violeta, que entrou na frente da mulher abrindo os braços. –Não cabe mais ninguém aqui dentro, você sabe disso!

Elsword parou ao lado da “comandante” com ar de indagação e analisou rapidamente cada um presente. Todos... Eram familiares, mas não os conhecia de forma alguma. Raven estava chocado também, talvez por isso seu silêncio.

—Arme, acalme-se. –Lothos disse e moveu a mão para todos prestarem atenção. –Ao que parece, pessoal, eles vieram de outro mundo. Não se trata de Elyos e nem mesmo do Hades. Mari confirmou isso e fez exames. Eles não estão mentindo também.

Uma voz veio do meio deles.

—Isso quer dizer que temos mais um problema para resolver? Como eles chegaram aqui?

Elsword não soube dizer se era coincidência, mas a voz pesada vinha de uma mulher, e ao olhá-la precisamente, levou um golpe na consciência. Automaticamente.

—Elesis...?

Todos os olhos levantaram-se e o choque foi geral. Raven estava calado e preferiu manter-se assim.

Elsword olhou mais de duas vezes, sua sobrancelha levantava, sua mente tentava assimilar. Era Elesis não? Ela parecia mais nova... Menos madura talvez. Será que em vez de atravessar mundos eles atravessaram pelo tempo?

—Você é a Elesis. Não é? –Elsword se aproximou dela. Ela vestia um conjunto de camiseta branca e short vermelho, sem estampa nenhuma, o cabelo preso.

—De certo que meu nome é Elesis, mas não faço ideia de quem seja você, moleque.

Alguns risinhos se formaram da parte masculina do grupo, mas rapidamente foram cortados pela aproximação de um membro muito bem escondido a um canto. Elsword afastou-se dois passos assim como Raven fechou a garra com toda sua força, sentindo um horror no âmago.

—Ora. Pra que esse medo todo? –ele disse, sorrindo quase maldosamente. Depois ele suspirou, ainda sorrindo. –Meu nome é Sieghart. E eu não teria dado muita atenção, não se você não conhecesse a ruivinha.

—Sieghart?! –Elsword exclamou, surpreso.

—Sieg. –a ruiva, que tinha franzido o cenho, segurou o braço do rapaz, avisando-o pelo tom. –Desculpe a grosseria, ele tem maus modos.

—Quem é você pra dizer? –o moreno de olhos prateados impeliu, mas se afastou.

—Idiota. –Elesis voltou-se para o ruivo. –Qual é seu nome e de onde você me conhece?

—Eh? Ah, meu nome é Elsword. E você, pelo menos é o que me parece, é a minha irmã mais velha...?

Silêncio geral na sala foi o que aconteceu. Lothos tinha os braços cruzados e foi a primeira a falar.

—Talvez haja muitas semelhanças e coincidências entre um mundo e outro. Pode ser um mundo espelhado ou uma dimensão paralela.

—E eu acho que você ainda vendo filmes de ficção demais. –retrucou um rapaz de chifres e que de longe não era humano. Raven e Elsword suaram frio. Aquela aparência os fazia lembrar-se de maus momentos, mas melhor não comentar.

—Olha. Eu não tenho irmãos, posso garantir. Como a Lothos disse, pode ser uma coincidência e enfim, é engraçado que nós tenhamos o mesmo nome, mas não me confunda entendido? –com a confirmação do ruivo, ela continuou. –Meu nome é Elesis Sieghart, sou a líder da Grande Caçada. Você está sob os nossos cuidados, agora. Aqui na é nossa base principal. Estamos no Reino de Serdin, em Vermécia, o continente dos humanos, e na dimensão de Ernas.

O ruivo fez que tinha entendido, mas o que fazer?

—E vocês são guerreiros. –a afirmativa do ruivo soou mais como pergunta.

—Obviamente. Com essa armadura você também é. Sua aura até que não é má, mas parece que você apenas acabou de passar por algumas mudanças, ainda que esteja aprendendo. –Sieghart tomou a palavra do outro canto da sala. Era ele que estava nos portões da cidade com a comandante. Ele tinha um poder imenso e o controlava tão perfeitamente que gerava calafrios. Talvez só com uma pequena porção de sua magia ele pudesse derrota-los.

—Pare de ficar expondo os outros na frente de todo mundo! Você não tem vergonha?! –uma elfa exclamou repentinamente, cortando o moreno e batendo em sua nuca com força. –Que coisa! Desculpe de novo, Elsword. Desculpe esse idiota arrogante.

—Sim, sim. –continuou um rapaz alto de cabelos azuis. –Ele é um completo idiota, ignorem, por favor. Vocês não estão aqui por querer, então fiquem à vontade.

—NÃO! –a pequena de violeta interrompeu. –Não tem espaço mais! Vocês já contaram quanta gente tem aqui?! Mal acabamos de voltar da jornada!

Lothos levantou a mão.

—Basta dividirmos em grupo. Nós vamos pôr um grupo na base da baía Carry.

Imediatamente, metade dos presentes levantou tão rápido quanto o som e até que tentaram sair em disparada para o andar de cima, mas foi inútil.

—PARADOS AÍ!

CRACK!

O chão tremeu, fazendo todos recuarem. Os homens resmungaram e voltaram a sentar. O florete fino fincado no chão de forma que havia criado uma rachadura longa o suficiente para marcar uma linha na frente das escadas.

—Eu vou escolher os grupos. Depois da vergonha que foi a atuação de certos membros na última envolvendo o grupo inteiro, temos que impôr umas regras e aplicar algumas punições.

Os olhos vermelhos brilharam sanguinários e os corpos tremeram. Elsword se juntou a Raven discretamente, tentando ficar alheio aos problemas internos daquele estranho grupo, a Grande Caçada.

—Sieghart, Lupus, Veigas, Dio e Lass. –ela fechou os punhos com tanta força que fez o restante segurar a respiração. Poxa, o quão assustadora ela era?

—S-Sim? –responderam em coro, um rapaz de cabelos claríssimos, o moreno, o de chifres, um pálido de cabelos castanhos e um garoto de chifres e roupa ostensiva. Todos pareciam excessivamente fortes, mortais, e perigosamente charmosos, cada um a seu modo.

—Graças ao comportamento exemplar de vocês. Ao trabalho em equipe impecável de vocês. Ao uso bem pensado de poder de vocês. Eu felicitamente tenho que coloca-los a trabalhar nos nossos agradáveis sanitários da base de Canaban, não? Já que se dão tão bem, não é? Se dúvida vocês vão conseguir lidar com a situação em um piscar de olhos. Ah, claro, vocês não precisam de magia para esse trabalhinho né? Então, estão dispensados. Podem ir a pé, vocês chegam rápido mesmo sem o teletransporte, rapazes. Continuem me deixando orgulhosa, sim?

O sarcasmo esteve presente em cada palavra. Os quatro nomeados moveram-se dali rapidamente, com faces de indignação, sofrimento e de repúdio, mas não ousaram ir contra. Pareciam estar por um fio.

—Ah. O restante, já que está tudo bem, vou pedir pra uma parte de vocês tomar conta dos preparativos do festival do plantio deste mês. Vejam quem fez o trabalho no último mês e o restante pode pegar as missões que apetecerem no quadro de recompensas. Ou estão livres para ir fazer checagem nas bases próximas. Não esqueçam dos materiais e das despesas da base principal. Cuidem bem das armas e não esqueçam de ir saudar a Rainha ainda hoje. Por enquanto é isso. Dispensados.

E terminando, os presentes relaxaram os ombros. Ela e mais a ruiva, além do rapaz de cabelo azul, e dois ruivos se aproximaram.

—Elsword e Raven. Eu peço que fiquem por aqui enquanto procuramos uma solução para seu problema. Ah, eu vou precisar do Zero. –ela se interrompeu, falando para Elesis.

—Acho que tudo bem. –Elsword olhou para o companheiro, este dando sinal que era confiável estar ali.

—Eu sinto muito que isso tenha acontecido com vocês e especialmente por acabarem entre pessoas como nós. Talvez não tenhamos tempo para dar muita atenção, mas podem ficar à vontade.

—Você quer dizer que eles vão ajudar né, Ronan? –Elesis disse, dando uma cotovelada leve no azulado.

O rapaz riu levemente.

—Bem, os outros não vão estar aqui por um tempo, então temos que incluir todos nas atividades. Vocês faziam parte de um grupo, são guerreiros de um exército ou algo assim?

—Somos guerreiros viajantes, estamos tentando recuperar as pedras de Els do nosso mundo. Nosso grupo tem onze membros agora.

—Deve ser difícil. Mas acredito que vocês vão conseguir voltar em breve. Nós somos bastante competentes com viagens dimensionais. Sejam confiantes.

—Nós somos. –Raven comentou, pela primeira vez naquele espaço de tempo.

XXX16YStageXXX

—Ugh...

Elsword limpou o suor da testa. Seu cabelo rebelde preso no alto não adiantava muito, o calor e o esforço no trabalho era demais para ele.

Raven deu um risinho vingativo.

—PORQUE AS PRIVADAS FICARAM COMIGO?! –Elsword explodiu. A esponja em sua mão espirrou água, e o soldado desviou do esguicho enquanto limpava os espelhos.

A cabeça do rapaz de cabelo azul apareceu na porta e ele sorriu desconcertado.

—Desculpe. A Comandante não disse que a base ia ficar totalmente vazia né? –o rapaz coçou a nuca. –Sinto muito por isso Elsword. Eu tenho que preparar todo o jantar sozinho...

O ruivo choramingou de novo.

—Eu posso te ajudar, não posso?

—Não antes de terminar sua parte. –Raven interrompeu, lavando as mãos. –Eu terminei, então vou ajuda-lo, Ronan. Você continua esfregando, olha ali tem uma manchinha.

—CALADO! – ruivo quase jogou o balde na cabeça do companheiro enquanto este saía com um riso contido.

Ao ficar sozinho, o ruivo bufou levemente, encarando o serviço aos pés. Afe, o banheiro compartilhado dos homens não era muito agradável, mesmo que eles fossem mais limpos do que o esperado. Continuava sendo um banheiro masculino. E porque aquele cheiro másculo e hormonal?!

—Droga, Raven foi muito mais esperto. E de onde saiu todo aquele humor?! Não é hora de ficar rindo. –o Infinity Sword pensava consigo mesmo, pegando o esfregão e passando para a limpeza do chão. Pensando melhor, ele nunca vira Raven sorrir daquela forma, já que ele era geralmente tão sério, e seu sorriso normalmente era reservado. Agora ele não tinha soado nada reservado, ao contrário, tinha genuíno tom de graça.

Por um tempo ele ficou com a cabeça cheia. Tinha pensando cuidadosamente em todos seus amigos, no que eles estariam pensando agora, o que teria acontecido com Sira... E gradativamente aquele sentimento de solidão começou a arrasá-lo. No fim, ele teria se arrependido menos se tivesse agido de acordo, se não tivesse sido um completo idiota com os próprios amigos.

E devido a quê? Um poder que ele sabia, podia consumí-lo, transformá-lo em completa escuridão. E ele, negligente, quase foi afastado do caminho correto. Por alguma razão, ele sentia necessidade de contar isso ao colega, pedir o perdão devidamente.

—E eu pensando essas coisas enquanto olho para uma loção masculina. –Eslword suspirou consigo mesmo, guardando o objeto num suporte e tendo uma panorâmica do cômodo recém-limpo.

—O melhor é você falando sozinho.

O susto o fez arrepiar, e ele olhou para a dona da voz. Ela cruzava os braços e tinha no rosto um sorriso tranquilo.

—E-Elesis?

—Acho que você já pode largar esse trabalho sujo e vir comigo. –Elesis disse sem demora, dando as costas e apontando para segui-la.

—Ah, por quê? –Elsword jogou o pano e a escova em sua mão dentro do balde, ao lado da porta e aproximou-se dela, que começava a se afastar.

—Você não vai ficar desse jeito na minha presença. Parece que você tem uma semelhança muito grande com o meu mana, então pode ser que dê certo o tipo de treinamento que eu vou lhe dar. –ela afirmou, reforçando sua decisão com um polegar apontado ao alto.

—Treinamento? Por que você vai me treinar? –Elsword franziu a sobrancelha ao indagar.

Ela parou no meio do corredor e deu de ombros.

—Por que será... Você é o líder do seu grupo, não é?

—AH- sim...

—Por isso. Você não parece, nem de longe, um guerreiro com o necessário para liderar os próprios amigos na frente de uma batalha. –ela apontou, apoiando-se em uma perna. Parecia repreendê-lo, mas não culpá-lo.

O ruivo não precisou dizer nada. Em seu rosto estava estampado tudo o que ele pensava de si próprio. Até esse ponto, havia sobrevivido. Mas podia ter feito melhor. Podia ter sido muito melhor.

Ela, com um sorriso compadecido, bateu em seu ombro, tão forte que ele quase voou para frente, além da dor, que ele aguentou bravamente.

Enquanto ela ria, empurrando como se ele fosse um prisioneiro ou coisa assim, e pior, sem se dar conta disso, Raven à porta só observava. Mas diferente de antes, ele tinha um olhar misto de preocupação com remorso.

A atenção do moreno foi tirada num segundo, quando Ronan tocou seu ombro. Aquele homem o olhou com segurança, sem precisar dizer, porque logo em seus olhos dava para perceber que tudo ia ficar bem.

Os dois ruivos se afastaram indo ao que parecia o campo de treinamento daquele grupo excêntrico e perigoso.

Naquele chão de terra não havia grama nascendo e o relevo era levemente mais baixo. Havia pelo menos seis toras encapadas espalhadas pelo local, as quais eram usadas para o treino físico. As capas estavam terrivelmente sujas e as cordas escuras. O local cheirava a suor e até mesmo, se prestasse atenção, a sangue.

—Geralmente, os que vêm aqui são os guerreiros de combate corpo-a-corpo. Nós, espadachins preferimos treinar a céu aberto também, mas temos um dojo. Acontece que estilos não dizem qual lutador é o melhor, por isso todos precisamos treinar tanto no que somos bons quanto no que somos terríveis. Eu mesma tenho uma meta para alcançar no controle de mana. –Elesis explicava com uma expressão focada. Em sua mão, uma chama fraca nasceu e cresceu até envolver seu braço completamente.

—É incrível. – Elsword murmurou surpreso ao ver aquele controle perfeito.

Não se tratava apenas de canalizar e liberar o mana como ele sempre vira. Aquela técnica estava muito acima de seu nível e de qualquer outra pessoa que conhecia, nem mesmo Aisha podia mover a energia ao bel-prazer.

—Para fazer isso, você tem que ser mais determinado. –Elesis desfez a magia e lhe disse. –Para ser um guerreiro não precisa ter nem vontade. Quando o reino está em perigo as forças do exército te obrigam a lutar de qualquer forma, mesmo contra a sua vontade. Para ser um guerreiro basta segurar uma espada e vestir um capacete.

A voz de Elesis era assim, firme e rígida, e seus sentimentos alcançavam seu olhar, direcionados para Elsword. Ela fechou o punho, parecendo perturbada.

—Mas ser um mero guerreiro não é o suficiente quando você está na posição de proteger seus compaheiros. –Elesis então lhe apontou. –Se vai pegar esse lugar e fazer jus a ele, se torne melhor, mais forte, e também mais humilde!

O garoto olhou para o chão, sentindo como se aquela Elesis fosse a sua própria irmã. Era terrível se sentir assim.

Alguns segundos se passaram antes dela suspirar.

—Seu amigo me contou o que aconteceu antes de virem para cá. Não posso falar muito na posição em que estou afinal eu não devo nada a você e mal acabamos de nos conhecer...

—Então por quê? –Elsword perguntou, endireitando-se. Ele viu a ruiva dar de ombros e sorrir largamente.

—Oras, eu me identifiquei, claro! –ela disse dando uma risada breve. –A Comandante já passou as ordens e um dos nossos está buscando informações. Talvez demore, mas você com certeza vai voltar para seus companheiros. Mas até lá...

Elesis retirou a bainha de seu cinturão e abandonou-a no chão, em seguida pondo-se em guarda.

—... Vou te ensinar umas liçõezinhas. Como veterana, posso te mostrar como se faz um treinamento apropriado.

XXX16YStageXXX

Ele jogou o corpo na cama, exausto. As partes mais estranhas de seu corpo estavam tão doloridas que ele mal podia se mover, fazendo-o lembrar dos exercícios físicos mais pesados que ele nunca vira.

—Ugh... Isso é o que ela chama de apropriado.

Elsword afundava o rosto no travesseiro, sentindo o conforto das penas insuficiente. Em seguida, depois de uma série de reclamações resmungadas, uma voz veio da porta do quarto – que, aliás, era o quarto de hóspedes da base.

—Você nem tomou banho e já está deitado?

O garoto arregalou os olhos, virando o corpo com velocidade. Raven estava ali, de braços cruzados e o olhar afiado, porém, seu tom de voz estava baixo, indicando que seu humor não estava tão mau.

—Ray! –Elsword sentou-se à cama, olhando o colega com intensidade.

Antes de qualquer coisa, o ruivo não sentia ter tido tempo suficiente naquele dia inteiro para conversar com Raven. Tudo tinha acontecido tão rápido que ele ignorou tudo sobre antes. O colega não devia ter esquecido suas atitudes, não mesmo. Mas Elsword não conseguiu falar nada, pois o moreno cortou sua chance.

—O jantar finalmente está pronto. Parece que aconteceram alguns imprevistos e o grupo que estava perto de Serdin voltaram para a base. Ronan pediu para eu te levar ao banho e depois nos juntarmos a eles.

Elsword ergueu a sobrancelha como quem não tinha entendido.

—Você vai me levar...?

Raven assentiu, apontando para o corredor com o polegar.

—Isso. Parece que eles têm uma casa de banho recém-construída nos fundos da casa. Ronan pediu para a gente desfrutar dela enquanto podemos.

Levantando de onde estava, Elsword esticou os braços. Raven não parecia hesitante nem nada do gênero, então isso queria dizer que havia sido perdoado? Ou seria apenas timidez do espadachim em voltar a tocar no assunto?

“Se bem que ele adora arranjar uma briga.” Elsword pensava enquanto punha-se ao lado do moreno, cujos olhos dourados caíram sobre si.

—Você está bem acabado. Olha a situação desse cabelo. –comentou o mais alto, esticando a mão para tocar seus cabelos vermelhos longos e capturar uma mecha, deslizando as pontas pelos dedos.

Não soube por que, mas o Infinity Sword sentiu suas bochechas quentes e logo que aconteceu ele desviou os olhos.

“Uwaa... que distância é essa Raven?!” Elsword discutiu em sua mente, sentindo que sua condição de ruivo não o permitiria esconder o rubor. Raven às vezes ficava com esse olhar penetrante e fazia essas coisas embaraçosas quando estavam a sós. “I-Idiota!”.

O mais velho estranhou sua reação, mas ficou quieto, deixando-o com sua cara de idiota. Ele se afastou, colocando as mãos nos bolsos.

—Vamos logo. O pessoal deve estar se preparando para jantar.

Não demorou para que Elsword estivesse de boca aberta, surpreendido pela extensão do banho masculino. O vapor cobria todo o espaço, composto por azulejos azuis de um tom bastante escuro, em degradê com branco, criando um efeito sombrio e interessante. A banheira atrelada ao chão era tentadora para qualquer criatura que soubesse nadar. E ele caiu de cabeça, fazendo jus à sua pouca idade.

Os cabelos arrepiados espalharam respingos após o garoto emergir, com um sorriso satisfeito.

Raven o acompanhou, sentando-se confortavelmente com os braços para fora. Ele fechou os olhos e se pôs a relaxar.

—Ooh, você parece um velho assim. –disse o ruivo fazendo bolhas com a boca.

—E você parece justamente um pivete de quinze. –retrucou Raven.

O ruivo girou os olhos com petulância.

—Embora eu tenha dezessete.

Os dois se entreolharam, mas não trocaram mais nenhuma palavra, não pelos próximos dez minutos pelo menos, quando decidiram sair.

Elsword quase dormia, envolvido pela temperatura elevada, aconchegado em um canto, próximo a Raven. Já o ex-soldado tinha ficado entretido em observar o líder, mas já deviam estar atrasados para o jantar e não parecia que o ruivo ia acordar por conta própria.

—Ah... –suspirou o moreno, colocando a mão na cabeça de Elsword e afagando os cabelos molhados. – Você não devia baixar a guarda dessa forma, Elsword.

As pálpebras do ruivo abriram-se com lentidão enquanto resmungava.

—E daí? Só estamos nós dois, Ray.

O moreno bufou, fazendo uma expressão irritada e se levantou, enrolando-se na toalha.

Perturbado com a atitude do companheiro, Elsword se levantou logo atrás e seguiu o moreno até o vestiário onde suas roupas estavam.

—Ei! –o ruivo tentou pará-lo, mas Raven estava implacável, ignorando-o. –RAY!

—Me deixa. –Raven falou entre dentes, com uma ruga tão grande no meio da testa que espantaria até Eve.

Elsword ergueu as mãos para o alto em indignação e pousou-as na cintura, decidido a não sair dali sem resolver aquilo de uma vez.

—Você ainda tá’ nervosinho por causa daquilo.

—Não... –Raven negou longamente, pegando sua calça até com raiva. – Eu tô’ nervoso por que mesmo depois daquilo, você continua um irresponsável, merda!

O maior se virou em fúria, os olhos faiscando para o ruivo.

—Não olha assim para mim! Que porra, é só um maldito banho, você tem que ficar me relembrando de um erro idiota toda a vez?!

A figura do Veteran Commander eriçou-se toda e Elsword arregalou os olhos, afastando um passo quando o moreno deu um em sua direção como se fosse pegá-lo pelo pescoço.

—Idiota? Erro idiota! Você teria morrido se eu não estivesse lá, Elsword!

—Ah é mesmo?! OBRIGADO. –o ruivo explodiu. –Eu não pedi ajuda!

—Você sempre faz isso! Você sempre faz isso, e me deixa louco! –Raven balançava as mãos, olhando-o com total desconcordância.

—Ah, sinto muito por te preocupar, mamãe! –Elsword respondeu quase cuspindo. –Mas eu já pedi desculpas e decidimos esquecer aquilo!

—Caralho, você não aprende com os erros, Elsword! –Raven segurou-lhe pelo braço, irritado até o máximo. Uma veia saltava em sua testa. –E se não fosse eu aqui agora? Se fosse um clone? Se fosse um inimigo disfarçado?! O QUE CARALHO VOCÊ IA FAZER?

—MAS NÃO É, RAVEN! –Elsword elevou a voz igualmente, empurrando o moreno com força, fazendo-o soltar. –SE FOSSE OUTRA PESSOA EU IA SABER! NÃO TEM COMO NÃO SABER!

O moreno arregalou os olhos, vendo a fúria do ruivo se expandir enquanto ele chutava um armário e seus olhos ficavam molhados.

—Como saberia? Desde que você desenvolveu suas habilidades você tem sido um idiota de marca maior, arrogante, parece que o grupo não importa mais. –Raven arrumou sua postura, controlando-se.

O silêncio do ruivo o deixou ainda mais zangado, mas Raven se segurou até Elsword se pronunciar.

—Não tem... –o Infinity Sword disse entre dentes. -... como eu esquecer os meus amigos. Nem a maneira que você reage quando estamos conversando, como você relaxa as sobrancelhas, como o canto da sua boca treme quando você quer sorrir ou rir, mas nunca faz. Nem o jeito que me olha quando você pensa que eu não estou prestando atenção.

Os olhos rubis desviados para o chão tremulavam. O rosto de Elsword estava rubro, seus braços cruzados.

Raven sentiu-se mais constrangido que nunca.

—Mas não é disso que estamos falando...

—Eu sei! –interrompeu Elsword. –Estamos falando de como eu ajo quando estamos em campo. Eu aprendi minha lição! Você, Elesis e todos nossos amigos me fizeram entender isso bem. É só que aqui, agora, eu não me importo de ficar... À vontade com você.

Raven pigarreou ainda desacreditado.

—Elsword... Você não pode se dar esse luxo. –Raven o olhou seriamente. -Você é o líder.

Elsword levantou os olhos para ele e, entendendo a situação, assentiu levemente com a cabeça. Passou a mão no nariz e limpou a garganta, olhando para o outro lado.

—Estamos atrasados, não? Vamos.

O ruivo colocou uma camisa e secou o cabelo violentamente, se vestindo rapidamente e nem trocando olhar com o moreno.

XXX16YStageXXX

O jantar foi constrangedor. Por mais que os membros da caçada tivessem tentado alegrar os hóspedes, eles nunca conseguiram o resultado esperado. As respostas eram duras por parte de Raven e desanimadas por parte de Elsword.

—Adolescentes. –retrucou Elesis assim que o ruivo saiu para dormir e o moreno para o ado de fora da casa.

—Acontece que o rapaz, Raven, é mais adulto que qualquer um de nós aqui, considerando só os humanos,claro. –Ronan argumentou com um sorriso cansado.

—Hahaha! A discussão foi uma das melhores que já ouvi nesse lugar! –Sieghart riu com todo seu ser, puxando uma garrafa de uísque e um copo largo. –Muito emotiva, inocente, e ainda por cima, cheia de segundas intenções.

O grupo o olhou destravessado, exceto alguns que riram ou estavam desinteressados.

—Você ouviu a briga deles?!

—Eu estava indo tomar banho! Mas ele entraram como uma tempestade no vestiário e eu não pude nem interromper, oras.

—Oras o cacete, seu bisbilhoteiro! –Elesis o chutou.

Sieghart resmungou de dor, mas tomou o conteúdo do copo e se levantou.

—Agora eu vou lá me intrometer. É o que faço de melhor.

—Sieg! –Lire ainda tentou segurá-lo, mas era tarde.

O Imortal então se dirigiu ao jardim da base. A noite estava alta, muitas estrelas no céu e pouco frio. Aquela estação era adorável.

Seu alvo estava sentado sobre uma mureta quebrada perto do poço. Ele estava apenas divagando, mexendo em seu braço esquerdo e em suas garras.

—Oi.

O moreno de olhos dourados olhou por cima do ombro e cumprimentou-o, apesar de demonstrar um pequeno incômodo.

—Dizem que eu sou um cara de muita lábia, sabe? –Sieghart começou, encostando-se à mureta, de costas para o outro.

Raven riu.

—Não duvido. Vai usar sua lábia comigo?

Sieghart mostrou os dentes num sorriso lupino, excitado com tal expectativa.

—Você é sério demais para isso. Mas seu pequeno ruivo, apesar de ser propenso a cair nos meus truques, é incrivelmente esperto também, não?

Raven ergueu o olhar, meio confuso e também querendo que ele fosse ao ponto.

—Acho que em sua... “discussãozinha”, ouvi o ruivinho dizer mais coisas do que suas palavras disseram. –Sieghart virou-se, colocando os cotovelos na mureta, com um sorriso largo como o de uma raposa.

—O que você quer dizer com isso? Você estava nos espionando? –Raven franziu a sobrancelha partida.

—Coincidência total. Mas vamos lá, você não ignorou completamente o que ele estava querendo te dizer?

Raven olhou para o chão. A grama era verde e vasta, havia flores adormecidas, mas tanta pacificidade não alcançava sua mente.

—Não o ignorei. Eu precisava dizer aquilo para ele.

—Mas não precisava tê-lo rejeitado daquele jeito. –Sieghart deu a volta pela mureta, colocando as mãos nos bolsos. –Você não quis nem tentar pensar no que ele realmente queria te dizer?

Raven bufou, irritado o suficiente naquele dia. Agora aquele desconhecido ainda tinha que ficar se metendo!

—Eu não sou um tapado, sabe? Eu ouvi perfeitamente o que Elsword disse. –Raven o encarou com firmeza, além de agressividade, olhando com raiva para suas mãos. –Mas eu não vou simplesmente usá-lo como escape dos meus problemas.

—Claro. –Sieghart riu zombeteiro. –Por isso você vai viver em eterna abstinência.

O ex-soldado o encarou, ofendido pelo tom do guerreiro.

—Você está se metendo onde não é chamado, Sieghart.

—Oh, você lembra o meu nome! –Sieghart bateu palmas e depois o olhou sem expressão, mudando completamente sua atitude. –Eu faço o que bem entendo, criança... Se quer saber, estou tentando te ajudar aqui.

—Não preciso de ajuda. –Raven se levantou. –Não há nada para discutir, nem com você nem com o Elsword.

—Só quero que saiba de uma coisa, Raven. –Sieghart ainda disse quando o outro passou ao seu lado. –Os mortos não querem que nós vivamos chorando por eles. Se você quer saber, eu nunca esqueci minha mulher, nem um dia só, mas também me apaixonei muitas vezes depois.

Raven parou seus pés, sentindo-se ainda mais enfurecido por ouvir essas palavras.

—Isso de alguma forma me revela que você é só um pedaço de lixo, mesmo sendo o mais forte, não é? –Raven virou-se para ele, com um brilho mortal nos olhos.

Sieghart riu mais uma vez, dessa vez ofendido.

—Eu tenho muitas coisas para proteger, mas minha honra não é uma delas. E você devia estar agradecido por ter ainda uma pessoa que o ama e que vai poder morrer ao seu lado, diferente de mim. Não importa quanto tempo passe, vou precisar sempre dizer adeus.

Raven ficou imóvel, vendo uma aura pesada em torno daquele homem. Durou alguns miésimos de segundos, a líder do grupo apareceu na porta da casa.

—Entrem logo vocês dois!

XXX16YStageXXX

Durante aqueles dias Raven evitou ao máximo ficar sozinho com Elsword. Os dois conversavam normalmente, mas a interação não era mais a mesma. As frases eram diretas e previsíveis, pré-inventadas.

Diariamente Elsword passava por um duro treinamento com Elesis enquanto Raven interagiu com o membro asmodiano do grupo, Dio, que analisou seu braço e compartilhou suas experiências com o próprio corpo.

Ambos ajudavam com as atividades mais básicas e também com as mais difíceis, além de ter feito uma breve viagem à baía de Carry e também à Canaban.

Com o tempo passando os dois foram incluídos no treinamento e recebera permissão para ir e vir dentro da Academia de Magia Violeta, e logo os dois estavam acostumados com o novo mundo.

Algumas noites Elsword ficava se culpando e rezando para voltar para casa, para junto de Aisha, Chung, Eve, Ara, Add, Rena, Lu e Ciel. Ele não sabia porque seu orgulho era tão grande, mas ficava querendo conversar com Raven, deixar tudo de lado, ignorar seus sentimentos contraditórios por ele.

Raven suprimia suas emoções como sempre tinha feito. Ele olhava Sieghart feio todos os dias, mas se dava bem com o restante do grupo. E, internamente, ele queimava por Elsword, querendo ser sincero com ele, muito confuso para isso, ainda fechado demais para permitir que os dois tivessem “algo”.

Depois de vinte dias, um membro do grupo chegou à base e foi se relatar com a Comandante Lothos.

—Isso não é ótimo? Você vão poder voltar para casa! –Lothos contou a eles quando estava todos reunidos na sala de reuniões.

O ruivo ficou radiante enquanto Raven queria ouvir mais detalhes.

—As oscilações estão ocorrendo bem aqui, nessa área. –Zero apontou em uma parte do mapa.

—Ah... Castelo Negro? –Ryan indagou com frustração. –Às vezes fico impressionado porque esses portais só abrem em lugares zoados!

—Pare de reclamar. Nós precisamos leva-los em segurança de volta e não é com esse ânimo que nós devemos fazer nosso trabalho. –Elesis pronunciou-se, batendo a mão na cabeça do ruivo.

—Vão se preparar. Quanto mais cedo vocês forem melhor não? –Lothos perguntou aos dois rapazes. Ambos se entreolharam rapidamente antes de concordarem com a mulher.

—Vamos teletransportá-los. –Mari falou, segurando um dispositivo circular na mão.

Cerca de uma hora depois os dois estavam prontos. Elsword se despediu do grupo como se eles fossem sua outra família, sentindo-se mal por ir com tanta pressa.

—Você precisa ir. É seu dever, pirralho. –Elesis sorriu para ele, apertando sua mão. –Foi um prazer te ensinar nesse curto tempo!

—Obrigado, Elesis. –ele apertou a mão em retorno e a abraçou com força.

Raven, atrás do ruivo, sentiu o canto da boca tremer.

—Vamos lá então.

Posicionados na máquina de teletransporte, Raven viu os olhos prateados de Sieghart cheios de significado sendo deixados para trás, num flash de luz enquanto todos acenavam e se despediam.

Restaram os dois. Acima de suas cabeças uma nuvem escura cobrindo o céu até o horizonte, fortes ventos, um tornado vindo em sua direção.

Raven ainda tinha o comunicador.

—Estamos prestes a partir. Obrigado por tudo Grande Caçada... Um dia até poderemos nos ver de novo. Adeus.

—Nós os esperaremos. Boa viagem, rapazes.—uma voz os respondeu. Parecia Elesis. Depois ouviram um monte de “Adeus” e “Boa viagem”, “Se cuidem!”. Mas o tornado estava tão perto que o reflexo dos dois foi agarrar-se um ao outro.

Pouquíssimos devem saber o quão assustador é estar frente a um fenômeno da natureza mortal. Os dois souberam, mas não puderam nem gritar quando foram levantados no meio daquela ventania infernal, sendo cortados pelos objetos e pelas árvores, pela água, e suportando a gravidade incombatível esmagando os corpos. E no meio de tudo, a chuva de raios, os sons tão fortes. Os dois agarrados como se fossem um só.

Foi questão de minutos, Elsword abriu os olhos com lentidão, sentindo-se tão molenga como se tivesse bebido. Teve náuseas e caiu no chão de novo. Ele se sentia fora do corpo.

Elsword acordou num hospital. Ele estava, em geral, bem. Mas a passagem pelas dimensões era tão exaustiva que ele se levantou depois de um dia de repouso. Pelos amigos soube que Raven já estava de pé, que tinha explicado tudo.

—Ele é sempre o primeiro a ficar em pé. –Elsword riu sem graça.

—Idiota. –Rena deu-lhe um tapa. –Vá falar com ele depois.

As coisas voltaram logo ao normal. Sira estava completamente bem, a pensão tinha sido reconstruída durante aquele tempo. Todos tinham quase morrido de preocupação, mas estava tudo enfim, bem.

Duas noites depois de sair do hospital, Elsword estava à ativa, mas ainda não tinha visto Raven.

—Bem vindo de volta, Elsword! –cumprimentou o Sr. Barcley.

O ruivo cumprimentou com a cabeça. Suas vestimentas eram o uniforme dos Red Knights aquela noite, já que ele tinha voltado de uma conferência. A camisa vermelha, a calça branca. Seu cabelo grande tinha sido preso no alto da cabeça.

As costas de Raven se exaltavam num dos bancos do balcão.

—Hnf. –Elsword sorriu fracamente, caminhando até o moreno. Sua mão pousou em suas costas largas. –Se continuar nessa posição vai ficar encurvado na velhice.

O olhar dourado se levantou. Ele estava surpreso.

—Els...

Alguma coisa se remexeu em seu estômago. Elsword arregalou os olhos enquanto se sentava.

—Faz... Faz tempo que você não me chama assim. –comentou, baixo, embaraçado.

Raven pareceu se dar conta apenas naquele momento e virou-se para a frente, tomando o resto do que havia pedido. Ele se dirigiu ao anfitrião.

—Sr. Barcley, me dê uma chave.

—Vai passar a noite? Que surpresa. –o homem enorme sorriu, parecendo feliz e lhe entregou a chave doze.

—Até mais. –Raven se levantou imediatamente e saiu do local.

O ruivo o viu sair disparado, como se ele tivesse uma doença. Elsword olhou para o anfitrião com uma expressão “DUH?”.

—O que demônios foi isso justo agora? –Elsword perguntou para o homem, pedindo para encher seu copo de essência fortalecedora de ervas.

—Hm... Será que ele está com vergonha? –o Sr. Barcley se perguntou, coçando a barba.

—Mesmo se ele estivesse, não precisava fugir de mim como o vampiro foge da cruz. –Elsword retrucou, profundamente irritado com tal atitude.

—Não ligue. Ele pode estar com medo de você perguntar o que houve quando vocês dois chegaram de volta... Afinal você ficou desmaiado o tempo todo.

Elsword engoliu o conteúdo do copo de um só gole.

—Não entendo. O que você quer dizer com isso?

—Pergunte a ele. Raven é o único que tem que te contar isso. Foi ele quem te carregou todo o caminho.

Nesse momento Elsword percebeu que ele não fazia ideia de quanto tempo tinha ficado desacordado. Ele apenas se levantou no hospital e Rena o alertou para falar com Raven depois.

—Não me diga... –Elsword sentiu um aperto incômodo no peito e se levantou. –Me desculpe, eu vou falar com ele.

No quarto, Elsword bateu algumas vezes, mas o moreno não respondia.

—Raven!

Mas que sentimento terrível era esse que aflingia seu coração? Se ele não atendesse, o que isso significaria? Como ele teria coragem de pedir desculpas? Se não fosse agora... Parecia que o mundo ia acabar!

—Raven! Raveen! –Elsword batia na porta incessantemente, seu coração martelando. –Ray!

—Para de gritar! –o moreno abriu a porta com brutalidade. Ele estava só com as calças, com o cabelo molhado e o olhar furioso. Uma toalha envolvia seu pescoço.

Elsword se calou, guardando sua mão. Um constrangimento inexplicável apossava de todo seu corpo e ele não tinha nenhuma coragem de iniciar a conversa.

—O que é? –Raven questionou, cruzando os braços.

Mesmo se ele não falasse nada Raven teria simplesmente desviado o olhar e cedido, permitindo que entrasse no quarto e que ambos discutissem tudo o que precisavam. Mas mesmo assim o ruivo falou, sentindo que isso ao menos deveria ser deixado claro.

—Me perdoe, Raven, por ter ignorado o grupo e não ter feito jus à minha posição, por não ouvi-lo e por ter sido arrogante demais para admitir meus erros e agradece-lo como devido. –disse Elsword, abaixando a cabeça para o moreno, com o corpo rígido.

O outro não esboçou nenhuma reação até que Elsword começasse a ficar desesperado por uma resposta.

—De qualquer modo esse é seu jeito, não é como se tivesse um remédio. –Raven deu de ombros e abriu mais a porta. –Entre.

O rapaz levantou a cabeça rapidamente e nos seus olhos havia um brilho exagerado de felicidade.

—V-V-Você quase me matou de susto! Achei que não ia me perdoar! –Elsword fechou os punhos, reclamando e sorrindo enquanto seguia o mais velho.

—Desde que você pense nos seus atos.

Raven fechou a porta e Elsword já foi explorando o quarto, olhando a decoração simples e mexendo nos objetos curiosamente, nervoso demais para encarar Raven assim que o silêncio se instaurou.

—Então, não vai me contar como voltamos? –perguntou o ruivo olhando um cubo de cristal em cima de um armário.

Raven então iniciou a explicação. Na verdade eles haviam voltado há três dias, quando eles foram jogados do outro lado do continente pelas ondas dimensionais, e Raven teve que carrega-lo nas costas por todo o caminho. Nada tão difícil assim.

Não quer ver anúncios?

Com uma contribuição de R$29,90 você deixa de ver anúncios no +Fiction durante 1 ano, além de outros benefícios.

Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!

—D-Desculpe. –Elsword suou frio, sentindo que talvez o treinamento com a Caçada não tivesse sido tão efetivo no aspecto de resistência.

—Não tem problema. Cuidar de você é o item numero um da minha lista de tarefas. –Raven riu com o canto da boca, continuando a secar seu longo cabelo negro.

O ruivo encheu as bochechas e olhou-o afiadamente.

—Ray, às vezes acho que gostava mais quando você era um membro novo no grupo. –disse o ruivo. -Não falava nada.

Raven o fitou longamente e em seguida deixou a toalha em cima da cadeira, se aproximando de Elsword, que sentava-se na cama espaçosa.

A noite caía.

O moreno ficou a frente das pernas do Infinity Sword, olhando-o inexpressivo.

—Você prefere que eu não diga nada? –questionou, com o tom baixo.

—H-Hm, não. Eu estava só brincando. –Elsword respondeu, desviando seu olhar envergonhado. Raven estava perigosamente perto.

—Eu tive que ouvir coisas de um desconhecido sobre você. –disse o mais velho, inclinando-se para o ruivo, que no espanto subiu um pouco mais em cima da cama em favor dos movimentos sutis de Raven.

—Como assim? –Elsword inclinou-se para trás, sentindo o hálito quente do moreno em seu rosto. Era bom... Deixava-o meio na expectativa.

—Mas eu não precisava ouvir de outra pessoa porque eu já sabia. –Raven disse ao fazer um movimento tão rápido que Elsword se deu conta apenas quando estava de costas no colchão.

—R-Ray?

—Eu te repreendi muito, mas eu também fico completamente distraído quando estou com você.

O ruivo arregalou os olhos, contendo um som de surpresa em sua boca. Seu rosto começou a esquentar e ele não conseguiu não virar o olhar para o teto ou para a janela, ou qualquer outro ponto que não fosse a cor dourada da íris de Raven.

—Hm-,

O menor se remexeu embaixo do corpo de Raven. O maior dispunha as mãos ao lado do corpo de Elsword e suas pernas faziam o mesmo, completamente sobre a cama. Seu cabelo caía pelos ombros e ficava suspenso no ar, acima do rosto do garoto.

—Não acha que isso é um sinal? –perguntou Raven com a voz ainda mais profunda, descendo a face até tocar seus narizes juntos. Elsword o olhou diretamente então.

—Raven.

O mais velho o calou, com uma afobação que nem parecia vir dele, tomando nas mãos seu pequeno rosto e juntando seus lábios.

O cenho de Elsword franziu enquanto desajeitadamente as línguas começavam a se tocar. Raven o mordiscou e passou os dedos por sua nuca, entre os fios ruivos compridos, fazendo-o arrepiar-se.

—H-hm...

Os dois soltavam sons murmurados enquanto moviam as bocas, deixando o corpo relaxar um sobre o outro. Elsword inclinou a cabeça para trás ao que Raven movia a mão por seu cabelo, separando os lábios molhados para tomar a pele delicada do pescoço nos dentes gentilmente e provoca-lo, fazendo-o dar baixos gemidos e encolher os ombros em prazer.

—Uhm... Uh-Ray...

Elsword esticou os pés, impaciente, sentindo o calor aumentar gradativamente.

Raven voltou a beijá-lo, tocando-lhe o peito sobre o uniforme vermelho, esfregando os dedos em direções diferentes. Ele cabia em sua mão, era macio na superfície, mas o músculo era definitivamente rígido. Apesar de não ser nada parecido com um membro feminino, Raven sentiu um prazer muito maior por tocá-lo. Era diferente, uma sensação de ação proibida, além de curiosidade.

—E-Ei, não toque aí. –Elsword murmurou, olhando-o febril. Passou a mão na boca, tomando ar uns segundos. –Tira a mão.

Aquilo só fez Raven querer mais. Seu olhar ficou intenso.

—Uhm! –o ruivo gemeu assim que Raven pressionou seu mamilo nos dedos, massageando-lhe o peito de baixo para cima, num ritmo sensual, apertando como se aquilo fosse extremamente prazeroso.

—Oh. Você-,

—Cala... a boca. –disse o ruivo entrecortadamente, tentando parar a mão que o tocava, pervertida e estimulante.

Raven sorriu de canto, continuando a tocar o garoto até deixa-lo vermelho até as orelhas.

—Els.

O moreno cheirou seu pescoço longamente, envolvendo-o com os braços e o afastando da cama enquanto beijava sua pele lentamente.

Elsword deixou o ar quente sair da boca, sentindo todo o seu corpo responder ao maior. A mão quente e grande passava por suas costas, fazendo atrito e som. A garra pousava na cama, dando apoio ao corpo.

—Hah...

O mais velho tomou seus pulsos e os colocou acima de sua cabeça, sentando-se sobre seu colo. Raven deslizou a mão direita sobre a blusa, desde a axila, subindo pelos tríceps e até a palma da mão de Elsword. Então abaixou o rosto e tocou o nariz na orelha de Elsword, que retraiu os músculos, sentindo uma onda de excitação pelo corpo inteiro.

—Não está pesado? –sussurrou Raven em seu ouvido, com uma voz melódica, baixíssima. E sem resposta, ele esfregou os lábios pela cartilagem e gentilmente a mordeu, deixando que sua mão descesse e o tocasse na cintura.

—Hah! –Elsword gemeu, fechando os olhos.

Raven deslizou a mão para dentro da blusa sem demora após ouvir aquela voz tão sexy saindo da boca do ruivo. O rosto dele estava extremamente vermelho e suas pálpebras pesadas. O cabelo longo ruivo caía rebelde para os lados sobre a tez meio inclinada.

O Infinity Sword mordeu o lábio, sentindo o olhar pervertido do parceiro. Ele não sabia que Raven era assim! Por um lado estava excitado, por outro com raiva.

O maior fez com que ele tirasse a camisa e logo tirou a própria, revelando a conhecida cicatriz.

Elsword ficou atento a todo o movimento, sentindo o quadril do moreno roçar sobre o seu de propósito, a garra arrastar-se com um som perigoso sobre seu abdômen, os lábios tocarem-no nos mamilos.

—H-Hmf...

—Deixe a sua voz sair. –pediu Raven, sugando seu mamilo e puxando o outro com suavidade.

—H-Huh-!

Raven desceu o corpo, deslizando a língua pelos traços firmes do abdômen, chegando ao umbigo. Elsword contraiu os músculos, mas não conseguiu impedir.

O maior inseriu a ponta da língua e o circulou, beijando-o e chupando a área com um pouco de demora.

—Hmn... Mmm... –gemia o mais velho enquanto demoradamente saboreava-lhe a pele.

O ruivo, que queimava dos pés à cabeça, sentou-se e tocou a cabeça do moreno, tentando afastá-lo.

—O que foi? –indagou o Veteran Commander.

Elsword tinha os olhos meio desfocados, meio úmidos. Suas mãos apertavam os ombros de Raven, sentindo na pele a temperatura elevada daquele corpo.

Raven se ajoelhou a sua frente e tocou sua face, aproximando-se. Mas ele não o beijou antes de trocar os devidos olhares com o ruivo, que assentiu, fechando-os.

Os lábios do menor eram macios. Não eram nada doces ou brilhantes como o de uma garota, mas Raven os sentia com perfeição, eram os lábios mais perfeitos. A face sob sua mão era lisa e delicada numa primeira impressão, mas ele sabia quantos ferimentos Elsword sofria em suas batalhas. A língua quente tentava dominar o beijo e às vezes ele até deixava.

Raven inspirou ar, satisfeito com o que recebia. Ele não precisava pensar demais sobre isso afinal. Tudo o que Elsword era ele aceitava, porque no final eles eram amigos, companheiros, mas havia também essa atração estranha. Raven não a negaria mais.

—Uhm-,

Elsword envolvia seu pescoço, surpreso quando o moreno tocou a parte entre suas pernas.

Raven olhou para o rosto do ruivo e esfregou a palma de sua mão com cuidado, sentindo a forma e o peso, dando uma apertada no final.

—H-Huh! –Elsword ofegou, deitando o rosto em seu ombro, vermelho como um tomate.

—Fofo.

—N-Não me chame de fofo, Raven...

O maior riu e começou a tirar a calça do rapaz. A cueca era cinza e justa. Ao terminar, ele puxou Elsword para perto de si.

Elsword o olhou meio irritado e tocou o moreno também, descendo as mãos por seu peito.

—Eu tiro pra você.

Uma sensação boa percorreu o estômago do moreno quando Elsword tocou sua virilha do mesmo modo que havia feito com ele e abriu sua calça, expondo o volume em sua boxer preta.

Os dois se beijaram eroticamente, entrelaçando as línguas, estimulando-se mutuamente.

Os murmúrios aumentavam e os dois se roçavam e esfregavam-se, descendo as peças íntimas, ficando nus numa batida de coração.

—Pensei que você estava com medo. –sussurrou o moreno, com a voz afetada, acariciando a cintura do ruivo e segurando a coxa com a garra (com o maior cuidado do mundo).

A estrutura pequena, mas forte de Elsword deitou-se por cima do parceiro. Ele o olhou de cima e um sorriso formou-se nos lábios do esperto Infinity Sword.

—É só que você estava me tocando nos lugares certos. –respondeu o ruivo, beijando Raven, massageando seu abdômen trincado e descendo a mão, tocando-lhe diretamente o membro, massageando-o alguns segundos para então mexer um pouco as coxas na perna do moreno, como se pedisse para ele fazer algo.

Ambos não disseram muito mais.

Raven assumiu, tocando o membro claro do ruivo e iniciando os movimentos. No começo bem lentamente, tocando a glande. Elsword abria a boca, sem soltar palavra nenhuma, apenas sons irracionais, completamente envolvido pela sensação boa da masturbação.

As respirações tocavam o rosto um do outro, altas.

Na mente de Raven, ele só conseguia pensar em como faria Elsword ficar completamente fora de si. Em como seria sua expressão quando estivesse investindo dentro dele e o fazendo gemer. Sua mão movia-se com cuidado, tentando não leva-lo ao clímax. O ruivo por outro lado tocava com os dedos longos e quentes toda sua extensão e freneticamente os movia de cima a baixo, habilidoso, tirando-lhe gemidos mais profundos.

—Hah, para... –disse Raven, soltando-o para segurar a mão de Elsword.

O ruivo o olhou, respirando com ar de sufoco. Ele estava completamente focado.

Como dois ímãs os dois se grudaram, esfregando desesperadamente os corpos e as bocas, mordendo os lábios e chupando qualquer parte de pele que viam à frente. As coxas se esfregavam e os peitos não se afastavam nem um centímetro.

Elsword segurou o cabelo do moreno e aprofundou o beijo, insatisfeito, explorando toda a boca do mais velho, até perder o fôlego e sua boca inchar.

Raven respirava com dificuldade também, com uma ereção tocando o abdômen do líder.

—Adolescentes... – murmurou Raven, com um sorriso largo. Não dava para negar a sombra de luxúria que cruzava por seu rosto nesse momento.

Elsword sorriu com os dentes, com um olhar afiado, e voltou para o maior, tentando ir mais devagar.

—Ray... –Elsword gemeu ao seu ouvido logo que Raven sugou seus próprios dedos, tocou sua bunda com a garra e começou a massagear os dedos em seu ânus.

Raven beijou Elsword embaixo da orelha e forçou o dedo. As mãos do ruivo tomaram suas costas e agarraram-no enquanto ele deixava seus suspiros saírem.

Moveu por alguns segundos, alargando-o e penetrando-o até o fim. O rapaz não parecia estar sofrendo.

Em certo momento, quando havia três dedos dentro do canal que o apertava impaciente de volta, Elsword o olhou, os olhos pesando e uma respiração pesada. Os lábios agora brilhavam de saliva.

—R-Ray... E-Está bom assim.

O moreno ficou em silêncio, vendo o ruivo se masturbar um pouco e deitando o rosto em seu peito. Ele estava febril de excitação.

—Faz quanto tempo que você não se alivia, Els? –perguntou Raven, tomando os membros juntos e os masturbando.

—Isso não importa a-agora. –Elsword disse e engoliu um gemido constrangedor, contendo-se. Ele então parou as mãos e subiu um pouco o corpo, direcionando o membro do maior para sua intimidade. –Coloque logo...

Raven não foi contra. Ele estava no limite também, há tempos.

Elsword inclinou a cabeça, soltando altos gemidos enquanto fazia o pênis lentamente penetrar em seu corpo. Ele era grande, mas com um pouco de calma ele podia suportar.

O de olhos dourados inspirava, sentindo o rosto quente e um formigamento incômodo nas partes baixas. Ele já estava quase pondo tudo de uma vez. Mas logo estava terminado.

—Huh... Hah...

—Uhm...

Raven, sem separa-los, deitou Elsword e passou as mãos por suas pernas, passando uma delas para cima de seu ombro. O ruivo o olhou ruborizado, mal podendo falar.

Posicionando-se melhor, o mais velho moveu-se para trás, vendo em primeira mão como Elsword apertava a roupa de cama com uma expressão extasiada.

—Hmm...

Raven voltou de golpe, inserindo seu pênis com força e precisão.

—AH! -o ruivo contorceu-se, não conseguindo cobrir com a mão o gemido vergonhoso.

—Mm.

Raven tomou fôlego e continuou a fazer isso, retirando seu membro um pouco e investindo. Para ele aquele aperto e calor que envolviam seu pênis latejante eram a melhor coisa do mundo, especialmente quando ouvia os gemidos de deleite do ruivo. Com tal resposta da parte de Elsword, que se acostumou rápido e reagia muito bem, aliás, Raven ganhou velocidade.

Elsword agarrou os braços do maior e contraiu os músculos, deixando sua voz sair gutural, incapaz de controla-la. Era bom. Sentir o movimento de algo naquele lugar era bem estranho, mas ele não podia negar que havia uma sensação boa.

—Ah... Haa-, Ah!

—Els! Ah...

Raven segurou a perna roliça do ruivo em seu corpo e investiu ao seu bel-prazer, ficando cada vez mais feliz ao ver que Elsword também sentia mais prazer ao passo que ele acelerava.

Suavam.

O cheiro começava a impregnar no ar ao tempo que ambos impediam o orgasmo e deixavam a excitação gradual tomar conta de tudo, evitando conversas, apenas permitindo olhares sedutores e toques estimulantes.

Raven massageava os testículos de Els, que gemia cegamente, se masturbando.

—Ray... –chamava sussurrando, franzindo as sobrancelhas.

—Isso... –Raven dizia, penetrando-o com força, fechando os olhos.

Em um momento, o moreno puxou o ruivo para si, segurando-o pelas nádegas e o movimentando para cima e para baixo. Sua boca tocou o peito de Els e depositou dezenas de beijos antes de começar a chupar o mamilo e mordê-lo o mais gentil que conseguia.

—Oh! –Elsword gemeu, enfiando os dedos no cabelo de Raven e deixando-o movimentá-lo do modo que quisesse. Ele mesmo não poderia fazer melhor.

—Ahn, Els! Ahh-,

O ruivo sentiu tudo em seu corpo vibrar. Ele sentia-se em outra dimensão, tal prazer.

—Hm! Ray, ah... –ele gemeu, agarrando os cabelos negros com força, fazendo o moreno olhar diretamente para si. -... Ray...

—Ugh! –Raven investiu com força. Seu coração estava acelerado, o clímax estava se aproximando, mas não queria acabar.

O rosto de Elsword brilhava com suor e queimava com o rubor. Seu cabelo estava desarrumado. Nesse instante era a visão mais linda que Raven um dia viu. Os lábios gemendo seu nome com voz grave, o tórax musculoso subindo com a respiração descontrolada. Tudo por sua casa.

—Ahn-, Ray! –Elsword apertou os olhos, deitando a cabeça em seu pescoço. Raven não tinha parado de penetrá-lo, ou melhor, continuava no mesmo ritmo. –Ahn... Ahh-... Não aguento- Ahh...

Raven abraçou-o, mantendo seu pequeno corpo. Ele estava nas alturas, faltava pouco.

—Um pouco mais, Els. –murmurou com dificuldade, levantando as duas pernas do ruivo e as afastando.

Os olhos vermelhos o encararam úmidos.

—Ahn...!

Raven o beijou, estocando algumas vezes, sentindo arrepios e fazendo Elsword ter um espasmo.

—Haa! –Elsword abriu a boca, apertando as pernas uma na outra e esticando todo o corpo, agarrando a colcha acima da cabeça em longos ofegos. Da glande de seu pênis escorria o orgasmo, branco, molhando seu abdômen.

Raven sentiu o corpo de Elsword estreitar-se em volta do seu, tirando todo o resto de força que possuía. Ele gozou parando de se mover.

Ambos ficaram parados, apenas respirando por algum tempo. Raven acariciou as pernas em seus ombros, beijando-as lentamente e começando a afastar-se. Já Elsword, ainda respirava demoradamente e ainda sem se mexer.

Raven deixou seu corpo deslizar sobre Elsword, beijando-o, até estar cara-a-cara. Os olhos grandes o fitaram cansados, não com raiva nem nada assim. Ele parecia feliz.

—Como foi? –indagou o Veteran Commander, tomando os pequenos lábios, dando-lhe um selinho demorado e provocativo.

Elsword passou o braço pelas costas do moreno, arrastando a pele com as pontas dos dedos.

—Queria mais... –sussurrou, com um olhar afilado e quente. Raven arregalou os olhos ao que Elsword sorria. -... Não fazia ideia que você era experiente, Raven. Minha voz está até estranha.

Raven ao ouvir isso riu e o calou, segurando sua boca com a mão e mordendo sua orelha.

—Você não sabe a hora de parar para nada. Pode acabar se dando mal, Els.

O ruivo riu, lambendo a mão do ex-soldado.

—Quando eu me meter em problemas você sempre vai estar lá para pegar no meu pé, não é, Ray?

O moreno o fitou, percebendo que a conversa não se tratava deles ali na cama, compartilhando um momento íntimo e secreto, apenas dos dois. Se tratava do agora e do longínquo depois também.

Raven quis discutir isso com Elsword, isto é, sobre o que eles fariam depois. No entanto, ele não pode estragar o momento que o sorriso brilhante de Elsword surgiu, como se para confirmar algo.

—Estou contando com você!

O moreno abaixou o olhar daquele sorriso tão profundo e respondeu baixo.

—Sim.

Apesar de ele ter mudado muito após conseguir o poder de Infinity Sword, se tornando tão arrogante e tão “impuro”, assim por dizer, Raven soube que Elsword nunca mudaria, não quando ainda era capaz de dar aquele lindo sorriso, que o tinha feito reconhecê-lo como líder.

Fim

Notas finais
E é isso. Obrigada pela atenção, por terem lido do início ao fim, minna! Espero que tenham gostado, então qualquer crítica, comentário, observações ou dúvidas, apenas basta me mandar um **review**! XD A opinião de vocês é muito importante! Por isso, um abração a todos e até o próximo (que por um acaso eu não faço ideia de quando vai sair, mas acho que até o fim do ano, porque o próximo casal é tipo... Duh?! Mas vou me esforçar!). LEMBRANDO: os pedidos estarão encerrados por uns bons 2 ou 3 anos enquanto eu não termino os pedidos já feitos okay? Rsrs. Desculpem. LEMBRANDO 2: Se puderem visitem minhas 2 fanfics em andamento (sério, elas estão andando ok?) - Identity Crisis (yaoi) e Da Infância à Adolescência (hétero). Acho que vocês podem gostar. Bjo, fui!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.