YStage

12 12YStage: Cold


Notas iniciais
Pedido de LaahSh-TenshiSieghart>SieghartxRonan. Cold significa Frio. Eu só posso dizer novamente minhas desculpas. Vai fazer praticamente um ano desde que eu postei o ultimo capitulo. Eu acredito que não vou conseguir manter ritmo nenhum... Mas torço que o recesso seja o suficiente para colocar em dia tudo o que eu preciso. E eu preciso me desculpar com você, tigore-chan, por que... Eu pulei o RyanxLass. Desculpa, é que depois de todo esse tempo eu não consegui mesmo pensar em um enredo para a história, então decidi passar para o próximo e em seguida voltar neles, senão Ystage ia parar e eu nunca mais escreveria. SORRY! Mas eu vou escrever o deles no próximo, ok? Já comecei a escrever até. Isso é tudo minna-san. Boa Leitura! OBS: VOCÊ SABIA? A Rainha de Serdin se chama Enna e a de Canaban se chama Anyu, e que Cazeaje na verdade era uma humana e pior, ela era amiga das rainhas e seu nome real é Karina Erudon???? Eu não, descobri hoje :D!

...

Manhã de Verão em Canaban...

Na torre central do Palácio Rubro, dois dos guerreiros mais requisitados da Grande Caçada se encontravam sentados à Mesa Real, juntamente da Rainha do Reino de Canaban, Anyu, acompanhando um extenso banquete, este quer era um mero pretexto para os nobres, os chefes militares e os representantes do povo discutirem sobre o assunto mais corrente de Ernas inteira.

A rainha, jovem e bela, lembrava-se perfeitamente do Ex-Guarda Real, o Arcano Ronan Erudon.

E como se esquecer dele?

Depois de toda a história que se desenrolou com Cazeaje, sobre a maldição e o fato de ambos, a Rainha Anyu e Ronan terem sido possuídos pelo poder das trevas, ela não poderia nunca se esquecer. O atentado, o sangue dos inocentes no dia fatídico e finalmente o segredo que eles manteram entre si, de forma covarde.

Agora, o guerreiro estava mais velho, mais maduro, passado dois anos após seu ingresso na Grande Caçada. Aos 23 anos Ronan tinha deixado alguns costumes de lado e parecia mais estressado, sem aquele olhar frio e impassível que sempre tinha quando vigiava os corredores do castelo.

Ela sorriu para os convidados, se levantando e tomando a atenção para si.

–Sejam bem vindos, meus amigos. — ela iniciou.

Ao lado de Ronan, Ercnard Sieghart limpou a boca e bocejou.

Quando ele foi chamado por Lothos no dia anterior, Sieghart jurou que tinha feito alguma coisa errada, outra vez, ou talvez fosse outro despacho para uma missão ruim que só ele daria conta. A loura estava sentada de pernas cruzadas como uma rainha, com sua mirada fulminante prestes a desintegrar o Avatar quando ela suspirou. “Você vai acompanhar o Ronan até Canaban para um banquete em que a própria Rainha fez questão de escrever aos convidados”.

Óbvio que ao ouvir “Ronan” e “acompanhar” na mesma frase os as palavras ficaram ecoando em sua cabeça e ele sentiu um enjôo forte o suficiente para seus olhos ficarem em branco.

Depois de minutos de discussão e trocas de xingamentos, Ronan e Elesis apareceram no escritório da Comandante para reclamar do barulho.

“E posso perguntar por que justo o Sieghart tem que ir?” Foi o que o Draconiano perguntou, irritado. Aparentemente, ele também estava sabendo da decisão a partir daquele momento.

“Ora, achei que era óbvio. Estamos em pleno dia 23 de Dezembro, quase chegando no Natal, então eu coloquei todos os membros para trabalhar. E você,” Olhou para Sieghart. “Como só arranja problema, eu tinha te deixado livre na base. Infelizmente, agora só temos você para representar a GC em Canaban. Eu vou estar ocupada visitando Calnat, então façam um bom trabalho juntos. E sem brigas, vocês são homens adultos.”

O florete de Lothos balançando no ar em frente aos narizes dos guerreiros era um perigo iminente.

Sieghart com a ponta do dedo afastou a lâmina e bufou para a loura, mostrando toda sua satisfação com a missão.

Ronan estava tão insatisfeito quanto Sieghart. O Imortal era simplesmente insuportável, especialmente quando era convencido e esbanjava seu “sábio” conhecimento. Então os dois começavam a discutir por causa de idades.

“Pelo menos ele está se comportando.” Ronan parou de prestar um pouco a atenção na Rainha Anyu e viu pelo canto do olho o moreno deslizando a mão discretamente para uma taça de vinho.

Sieghart.

O outro virou o olhar prateado com raiva.

O que é? –seu dedo indicador já estava no cristal, pronto para pegar e desfrutar.

Não faça isso, não faça isso ou eu te mato.

Pode até parecer estranho, mas só Ronan e os que viviam próximos do complicado Sieghart sabiam como ele reagia quando tomava alguma coisa. Não por ficar bêbado, porque ele tinha grande resistência física e álcool já não era uma coisa que fazia efeito em seu corpo imortal, mas porque inconscientemente ele entrava em um estado de sono que o fazia lembrar-se de muitas coisas do passado que não deveria.

Isso era preocupante, por isso Lothos o proibira de beber quando estivesse a trabalho.

Sieghart encarou o azulado de volta, enfrentando-o com olhar de “Desde quando você me dá ordens, Rabo-de-Cavalo?” e agarrou a taça, bebericando polidamente, apenas para não soar mal em frente à Rainha. Anyu podia ser bem direta quando zangada, especialmente em relação ao Imortal, que há muito vinha cometendo vacilos na frente dos convidados dela.

Ronan passou a mão pela testa levemente.

–O que vocês acham senhores? –Anyu reposicionou seu cetro e lançou um olhar profundo aos presentes.

As discussões começaram, e com isso o azulado pode deixar de lado a questão de Sieghart continuar degustando vinho como um alcoólatra descontrolado, embora sua preocupação não tivesse diminuído nenhum pouco até então.

–Nos retiramos com sua permissão, Vossa Majestade. –Ronan fez uma breve reverência, contando os segundos para atravessar o salão e voltar à Serdin. Seria um problema se eles não contatassem a Comandante rapidamente em relação à reunião.

–Estamos saindo, Senhora. –Sieghart acenou com um sorriso fraco.

–Espere um segundo Sir. Erudon e Sir. Sieghart. –Anyu arrumou com charme uma mecha de seus sedosos e ondulados cabelos louros. Seus olhos de coloração rosada olharam pertinentes para o jovem Erudon, analisando-o com cuidado. –Temo que já esteja tarde para realizarem à volta à Serdin. E, de fato, não há necessidade para se hospedarem em outrolugar uma vez que nós pertencemos ao mesmo reino. Sintam-se à vontade para passar a noite no castelo e quanto tempo for da apreciação dos senhores.

Sieghart moveu o canto do lábio, mostrando sua insatisfação com a proposta. Uma mania desagradável e que Ronan tinha captado ao longo de sua convivência juntos – cuja não era tão pacífica como todos sabem.

O cotovelo do Inquisidor deu com uma costela do Avatar e interrompeu.

–Agradecemos, Vossa Majestade, mas acontece que nós-, -disse ele.

–Sir. Erudon. –a voz de Anyu engrossou em um nível quase imperceptível, porém, era o suficiente para ouvidos maravilhosamente treinados. –Fique. Eu insisto.

Sem possibilidade de argumentação, Ronan e Sieghart consentiram com a ideia, à força, e seguiram para os quartos indicados.

Os relógio grandes dos corredores laterais indicavam quatro horas da tarde, acompanhando um toque de sinos suave, mas sonoro, que ecoava e atingia todos os cantos do Palácio.

Ambos os guerreiros caminhavam lentamente, olhando em volta, em silêncio e medindo seus pensamentos acerca dos assuntos recentes. Podiam ver dali o céu branco de nuvens grossas e pesadas. Estava bastante calor.

–Esse é seu quarto, Sir. Erudon. –apontou um serviçal da Rainha, mostrando uma porta de cedro recatada e pouco espalhafatosa apesar de boa qualidade. –Sinta-se à vontade.

Ronan entrou no quarto, observando em uma primeira vista, com Sieghart em seu encalço, pouco interessado e ainda demonstrando o incômodo com o lugar.

–Sieghart, dá para sentir seus remexos de irritação vibrando no ar. Pare de ficar mexendo nas coisas e colocando em outro lugar. –a sobrancelha do azulado franzia. O moreno por sua vez mostrou-se relaxado e continuou a fazer a bagunça de forma educada. Em seus dedos um enfeite de móvel no formato de um mini cavalo, que o moreno jogou em cima de uma escrivaninha com barulho.

–Sieg! Isso é de cristal, e se quebrasse?! –Ronan balançou a mão no ar, controlando sua raiva com excelência. Depois de todos os ocorridos com Azin e Dio, não poderia haver coisa mais que o irritasse tanto, nem Sieghart conseguia mais.

–Você está tão chato...

–Sir. Sieghart. Vou acompanhá-lo ao seu quarto. –o serviçal, um rapaz com seus 24, comum, cabelos castanhos escuros, olhos verdes, indicou a porta. Ronan se distraiu com alguma coisa pela janela, fazendo Sieghart suspirar.

–Sir-?!

O Avatar com um sorriso curto e cobrindo-se com uma face lasciva, tocou a cintura do rapaz, puxando-o com destreza e uma leveza que o fez pisar na ponta dos pés e cair em seu peito, não emitindo nenhum som sequer.

Enquanto Ronan virava-se para ver o que tinha acontecido, o rapaz ficava embaraçado de forma repentina e tentava se afastar do Imortal. A mão de Sieghart apertou o braço do jovem, que exalou um suspiro de medo misturado com alguma outra coisa, e revelou um novo sorriso, mais zombeteiro, de que estava se divertindo com a reação.

Ronan primeiramente ficou com arrepios de ver a forma como o moreno tinha chegado àquela posição de repente. A segunda coisa que aconteceu foi ele pensar que era muito estranho o serviçal estar submisso à Sieghart uma vez que o próprio moreno era mais BAIXO que o rapaz. Em terceiro, ele abriu a boca para reclamar da ação do Imortal e pedir desculpas ao rapaz.

–Ei Ronan. –Sieghart olhou por cima do ombro, suas íris cor da lua brilhando como se fossem devorar brutalmente a luz do sol. –Vamos fazer... Hoje.

Os lábios do moreno se moveram devagar. Ronan sentiu sua pele arrepiar e suas bochechas esquentarem levemente.

O som dos passos foi rude e barulhento. O azulado meteu a mão na nuca do parceiro de elite e com clara face de constrangimento e arrependimento se desculpou pela atitude de Sieghart ao pobre serviçal, quem arrumava as roupas e desviava os olhos, sem conseguir manter contato com os olhos de Sieghart.

–Eu vou ficar nesse quarto, criança. Você está liberado, eu não vou te atacar ou coisa assim... –Sieghart sorriu abertamente, deixando seus olhos ainda mais sexys. -... A não ser que você queira.

Os ombros do rapaz encolheram de surpresa e seu rosto avermelhou instantaneamente.

–Me retiro senhores. –e saiu apressadamente, provavelmente remoendo o acontecimento e tendo algum conflito mental sobre sexualidade ou sobre seu emprego estar em risco ou ambos.

Sieghart se jogou na cama espaçosa com uma felicidade juvenil.

–Hahahah! Acho que ele se apaixonou por mim! –Sieghart rolou uma vez, pendurando uma perna e balançando a outra no ar, seu queixo na beirada da cama.

Ronan fechou a porta e tirou um adorno liso do pescoço, cor azul celeste, pendurando na cadeira. Seus olhos frios fitaram o parceiro por cima do ombro.

–Eu já imaginava esse tipo de cena. Mas eu não cheguei mesmo a pensar que você se divertia tanto em destruir corações desprevenidos. –Ronan suspirou.

O lábio de Sieghart retorceu em sinal de afetação.

–Araa... Rabo-de-Cavalo, eu não “destruí” o coração de ninguém.

Ronan tirou o casaco e se aproximou, abaixando a cabeça. Era óbvio em sua expressão que ele sabia da mentira descarada.

–Deixe de brincar com esse tipo de coisa.

–Está bravo porque ele era mais velho que você? –Sieghart virou-se despreocupadamente, esticando os braços e jogando as botas para fora da cama. –Eu vou dormir aqui.

–Não estou bravo com isso, mas porque você não precisava brincar desse jeito. Vai saber o que ele pode pensar ou até se tornar depois... Imagina se ele se apaixonar mesmo.

–Aí você vai batalhar com ele pelo meu pa-, amor? –Sieghart riu brevemente entre o intervalo de palavras, exalando maldade.

O Inquisidor ficou envergonhado, mas se recompôs facilmente. Esse tipo de coisa não o afetava tanto mais.

–Batalhas a seu respeito só valem a pena se forem para ganhar seus testículos em um prato. –Ronan limpou a garganta, tentado a rir da própria fala. Sieghart fez cara de perturbado e ficou quieto.

“Finalmente.” O azulado deixou sua espada embainhada junto à cadeira da escrivaninha.

–A Elesis conversou comigo antes de sair da base.

Ronan virou-se bruscamente. O que a ruiva poderia ter tido? Tirando que ela sabia de tudo o que estava acontecendo a todo o momento na base, apesar de se fingir de desentendida muito bem. E não se esquecendo de que ela sabia tudo sobre Ronan, de fato, pois era com ela que ele falava nos últimos tempos com mais frequência depois do encontro bizarro com o rapaz vampírico stalker que queria o sangue de Sieghart.

–O quê? O que ela disse?

O moreno fitou-o.

–Você vai mesmo partir para o Hiaund* sem previsão de volta? –Sieghart não parecia mesmo incomodado por isso ser ou não uma verdade. Acontece que o fato era: Ronan havia decidido não só a fazer um treinamento para especializar-se com a glaive e com o contato espiritual om os dragões, mas passar um longo tempo, aproveitando enquanto a paz ainda dominava Ernas.

–Sim. –Ronan abaixou o rosto, vendo a decepção contida de Sieghart. Era óbvio o que estava acontecendo ali e, sem poder resistir aos instintos – quando se tratava de Sieghart -, leu o coração do Imortal pelo mana, involuntariamente. –Eu não vou deixar vocês... Eu ainda gosto de cozinhar para o grupo e por mais que as brincadeiras do Azin e as brigas constantes de todos me causem tantos problemas, eu nunca poderia deixar vocês para trás.

O moreno ergueu o rosto com brusquidão e, de modo inesperado, seu rosto cobriu-se de vermelho. Sieghart encolheu os ombros, e teria ficado quieto em seu canto, de forma resignada, porém, ele se levantou, tentando impor sua imagem vergonhosa.

–Quem está deixando para trás?! Não diga uma besteira dessas, Ronan! –os olhos de Sieghart saltavam com Ira. Há um momento parecia uma pessoa normal, dentro de seus próprios padrões de normalidade, e agora uma sombra perdida, sem dono.

–Eu só... –Ronan balançou as mãos em um gesto para se acalmar. Chocado com a reação do parceiro, Ronan apenas manteve-se imóvel. “É por causa de bebida... Eu sabia que ele ficaria assim”.

Sieghart andou um pouco, virando-se para a janela e tocando a mão na testa.

“Que dor de cabeça...” E apontou o dedo para o azulado.

–Ninguém vai sentir sua falta, Rabo-de-Cavalo! Por mais que a sua comida seja boa, nós ainda temos a Lire, não precisamos de você. –Sieghart riu zombeteiro, escondendo seu rubor. Naquele momento, uma cena dolorosa e traumatizante se repetia em seu cérebro diversas vezes, sem um fim no qual ele pudesse sorrir e ter esperança. Uma visão do passado que revivia seus momentos mais dolorosos: a adaptação ao tempo imortal.

–Sieghart. –Ronan levantou-se então, percebendo que as coisas ruins estavam voltando.

Geralmente, depois que Sieghart entrava nesse “modo”, parecia sofrer e esquecer-se de que tempo estava. Agora, a testa dele doía e as laterais, os ouvidos, e uma nova mensagem chegava ao seu cérebro, partindo-o em dois (de forma figurada). –Você está muito quente...

Sieghart arregalou os olhos, despertando da sanidade, e vendo Ronan logo em frente tocando seu rosto com as costas da mão. O azulado estava alto. Ronan estava incrivelmente mais maduro. O Inquisidor estava cuidando de todos como uma mãe-pai. E Sieghart sentia a pele gelada de Ronan entrar em choque térmico com sua alta temperatura e amenizar sua dor.

A visão do moreno embaçou um instante, fazendo seus sentidos perderem o equilíbrio e ficarem confusos. A mão de Ronan tocava seu pescoço... E era relaxante.

–Frio...

XXX12YStageXXX

Sieghart pulou da cama, mal sustentando o próprio corpo. Seus braços formigavam enquanto uma breve queda de pressão o fazia ficar com a visão negra uns instantes.

–Ronan? –chamou silenciosamente.

A resposta veio de outra forma que não uma resposta falada. A mão do azulado empurrou o peito do moreno e o pôs deitado. Só então sua voz alcançou Sieghart.

–Você está com problemas sérios, ouviu? Não se faz uma coisa dessas, Sieghart! Simplesmente aceitar uma missão porque acha que dá conta e desmaiar assim de repente. O que faríamos se isso tivesse acontecido na frente da Rainha, imbecil?! –Ronan deu um peteleco em sua testa, de forma nada delicada, ou compreensiva. –Você tem quantos anos? Quantos anos, hein?

–Cala a boca... –Sieghart empurrou a mão que o castigava e engoliu ar, sentindo sua garganta cada vez mais seca. — Não é como se eu estivesse doente ou algo assim... Só foi muito de repente.

Ronan apertou suas sobrancelhas, naturalmente bem delineadas.

–Ei... Desde que o grupo se deparou com aquele estranho que te atacou, você tem estado desse jeito. O que aconteceu exatamente quando vocês sumiram colina abaixo? –Ronan se ajeitou na cama, buscando iniciar um diálogo decente e obter de Sieghart o que esperava desde o início: descobrir para Lothos o que havia ocorrido com aquele estranho.

–Não houve nada, não lutamos ou coisa assim... –o Avatar colocou o braço por sobre a cabeça, falando em tom pesado.

“Quem em sã consciência vai acreditar numa mentira tão deslavada como essa?” Ronan, de dedos entrelaçados, refletia para poder usar as palavras certas e fazer Sieghart colaborar sem precisar usar os últimos recursos.

–Que cara é essa, Rabo-de-Cavalo? Você está estranho, e assustador... –um suor de preocupação escorria pelo rosto do moreno quando viu a cara do colega.

O rosto de Sieghart, antes com um leve rubor, tinha ganhado naquele momento uma forte coloração vermelha, além de sua respiração começar a ficar mais sonora do que deveria. Ronan apertou os olhos, sentindo ao mesmo tempo raiva e medo, raiva de Sieghart não admitir por si próprio que estava com algum problema, e medo porque, por ele ter um corpo Imortal, dificilmente ele seria prejudicado, porém, se algo acontecesse, era certeza que o problema era grande.

–Sieghart.

O moreno colocou a mão na borda da cama e tentou se levantar, planejando ir embora do quarto e evitar qualquer conversa a mais. Ao contrário do que esperava, seus sentidos falharam novamente, a imagem de Ronan se partiu em dois. Um xingamento grosseiro saiu de seus lábios e ele perdeu a consciência sem que pudesse mexer um cílio. Só pode ouvir Ronan chamar por seu nome e tentar acudi-lo.

Quando seu corpo voltou a funcionar, foi depois de alguns minutos, quando conseguiu ouvir e ver perfeitamente, porém, só isso, o resto não do corpo não obedecia.

A princípio havia sentido desespero, por estar acordado e não poder sequer se mover. A presença do azulado estava no quarto, embora houvesse mais algumas junto a ela. Assim que voltou a si, viu pela janela a madrugada expirando e uma suave cor laranja de madrugada no horizonte, atrás das montanhas geladas, bem ao longe.

O tempo passou como se fossem minutos, silencioso e surreal, como num sonho. Um sonho desesperador, em que ele tinha plena consciência de que estava parado, incapaz de controlar o próprio corpo, apenas sentindo e intuindo o que estava ao redor.

Era confuso. Tudo confundia Sieghart naquele momento, até a voz de Ronan, que soava baixinho no cômodo, como que contando uma história, daquelas que ele costumava contar para as garotas, sobre romances de cavalaria dos anos mais antigos da incrível Era Clássica de Canaban.

Só que, se ele forçasse um pouco mais seus ouvidos e meditasse somente ao som das vibrações das cordas vocais de Ronan, ele conseguiria escutar um conto de aventura, que ele próprio conhecia há muito tempo, sobre um herói trágico que conheceu uma deusa, lutou por ela, pecou, traiu e foi amaldiçoado para sempre. Ouvindo o tom brando do Inquisidor, sentindo o sentimento fluir junto à sua voz espaçando em seu peito, tudo deixou de ser tão confuso. E o que era aflição, se tornou uma breve calmaria.

Sieghart ficou satisfeito com isso. Mais tarde, foi perceber que se não tivesse se entregado ao sono naquele instante, poderia ter continuado a viver com medo de fechar os olhos.

Ronan o balançou, e ele se surpreendeu por ter finalmente sentido o toque. A coloração dos olhos do Imortal continuava tão pura e brilhante que poderia cegar aos que o encaram diretamente.

–Você acordou, que bom.

–Não... Eu não estava dormindo. –Sieghart respondeu com certo orgulho, mexendo em sua franja. Seus membros ainda formigavam como se tivesse permanecido numa mesma posição por muito tempo. Podia ver o azulado franzindo a testa, fazendo suas sobrancelhas erguendo-se em total desaprovação.

–Não se mova idiota. –Ronan resmungou, com irritação na voz. Agarrou o rosto daquele inconseqüente logo em sua frente e o fez ficar com a cabeça deitada. Um gemido de dor escapou de Sieghart, o que o fez se sentir vingado. –Os curandeiros fizeram uma breve checagem e, já que não chegaram a uma conclusão sobre o que você tem, eu fiz o trabalho por mim mesmo.

O moreno piscou, olhando o parceiro com surpresa.

“Isso é mau! Se Ronan descobriu sobre aquilo, eu vou ficar em maus lençóis!” Sieghart pensava, desesperado e com gotas de suor molhando seu rosto inteiro.

–Por que você está fazendo essa cara ridícula?

Ronan bateu em sua testa novamente, puxando sua bochecha com força.

–AA- Caralho, isso dói! AHH! –Sieghart começou a reclamar, seus olhos enchidos d’água.

–Vai confessar porque esses desmaios estão acontecendo, ou eu posso provar agora mesmo que sei o porquê? –Ronan ficou sério e soltou a carne flácida, avermelhada pelo machucado. –Isso foi pouco para você, Sieghart.

–Ronan... –Sieghart replicou, massageando as bochechas. –Você é tão grosso...

–Sieghart, eu não estou brincando. Isso é sério. Me diga... Você não é uma criança. –Ronan fechou o punho na perna, firmando sua mente e seus olhos para induzir o Imortal a falar.

Sieghart cedeu.

Embora ele tivesse um fraco por olhos determinados e sensuais, não foi por isso que Sieghart se acomodou e contou tudo o que aconteceu consigo. Ronan era o tipo de homem que podia desfazer-se dos próprios sentimentos para proteger algo, capaz de machucar a quem amava para poder salvá-la se necessário. Coisas nesse nível de entendimento não são para qualquer um, mesmo para todos os guerreiros que lutam em batalhas reais, em guerras. O que é importante, e que é muito pouco, não é passado para os descendentes como Legado. Sieghart, por si mesmo, podia dizer: “Eu não escolhi ser do jeito que sou”, com isso confirmaria que sua existência heróica era apenas uma ilusão de Vermécia – ou do mundo todo -, apenas um herói talhado, sem nenhuma vontade de salvar alguém. Ele, por um acaso, queria proteger seu antigo lar, mas com o tempo até mesmo uma rocha vira pó, e todo seu ideal se desfaz junto com sua forma.

Contudo, Sieghart nunca pôs em palavras nada disso, para ninguém.

–Não sabia seu nome. Foi naquele momento que caímos do penhasco. –disse Sieghart, juntando os dedos durante o começo de seu breve conto. –Quando dei por mim, estava completamente enrolado em raízes aéreas, próximo ao chão, cheio de estalagmites, mortalmente afiadas e longas, inúmeras delas, brilhantes como sangue. Olhei em volta, lá estava ele, na ponta de uma delas, pendurado por uma raiz no pulso; sangrava muito, a pele estava rasgada e a qualquer momento ele poderia ter o braço arrancado. Os olhos dele, azuis como cristais, se viraram para mim, então ele pareceu ficar em transe, ficou mudo e começou a se puxar para cima, pela raiz, que se ligava a gigante rama que me segurava. Essas raízes saíam da parede, de uma árvore morta que atravessava todo o comprimento do penhasco escuro, mantendo-se apenas por sorte.

Ronan se mexeu na cama, tentando se lembrar do que o grupo estava fazendo naquele momento.

Sieghart tomou ar e continuou, coçando a nuca.

–Foi aí que percebi que ele estava prestes a me atacar. Senti sua aura ficar quente e pesada, ele veio com dificuldade e eu não pude me mover de nenhuma forma. Havia também quebrado uma costela e os ferimentos nos meus braços me impediram de tentar alcançar a Soluna. Ela, a propósito, estava a dois palmos de distancia, porém, eu mal podia girar minha cabeça. Quando pisquei e o senti perto, minha visão ficou vermelha. Com dificuldade, pois meu corpo estava adormecido, percebi que ele havia me soltado do agarre das raízes e me arrastado penhasco acima, até que estivéssemos ao lado do riacho que seguia o pé da grande cachoeira. Senti-me perturbado, olhei para os lados e a imagem dele continuava borrada. Não sabia o que ele pretendia então apenas tentei afastá-lo. Ele segurou meu braço e depois senti dor, no pescoço, na base do pescoço, junto à minha clavícula. Quando meu corpo terminou de regenerar e eu acordei, vi que ele havia me deixado em um abrigo no meio da floresta e ido embora.

Sieghart deu uma pausa, gotas de suor descendo por sua testa. Ele gaguejou.

–O-Obviamente, eu não tenho como explicar o que é que ele fez comigo, mas arrisco a dizer que ele me cortou... –Sieghart olhou para o azulado, deparando-se com um sério olhar. -... Ou algo assim? Hehe~.

–Eu não esperava que você fosse tímido assim. –Ronan empurrou o moreno, fazendo-o deitar. –Não quer admitir que ele te mordeu e sugou seu sangue?

Assim que disse isso, o rosto de Sieghart avermelhou, e seus olhos arregalaram um pouco. Um sorriso abriu-se no rosto de Ronan, satisfeito pela reação adorável do Imortal.

Sieghart reprimiu sua expressão e ficou sério um instante.

–Ei, onde está o respeito com os mais velhos? –Sieghart empurrou o azulado com o pé, rindo, e fazendo o renomado Erudon cair para trás.

–Sério... –Ronan deu uma risada baixa e se levantou, batendo as roupas e suspirando. Sieghart o olhava com expectativa, provavelmente de que Ronan ficasse irritado ou se divertisse com a brincadeira. Mas ele não de muitas chances para brincadeira, eles estavam em uma missão no fim das contas. – Boa noite, Sieghart.

O moreno levantou-se, mesmo cambaleando um pouco nos primeiros passos, e alcançou o azulado, puxando-o de volta.

–Nossa, mas você vai sair assim? Puxa, Ronan, você é tão chato. –Sieghart riu amarelo. –Tão sério com tudo. Quantos anos você tem?

Ronan ergueu uma sobrancelha, meio perdido.

Sieghart por sua vez estava analisando Ronan, dando-se conta pela primeira vez que o Inquisidor estava mais alto que ele. Nesse instante uma sensação ruim passou pelo mais velho, uma sensação que ele conhecia bem, que desde muito tempo não sentia, mas que era capaz de fazê-lo se sentir frustrado e verdadeiramente desesperado.

O pulso de Ronan latejou com a força exagerada que o Imortal impôs.

–S-Sieghart. –Ronan puxou sua mão. O moreno riu sem jeito e deu as costas, pronunciado um baixo “Boa noite”.

“No que eu estava pensando?” Sieghart riu consigo mesmo mentalmente. Por que de repente aquele sentimento esquisito de ciúme tinha surgido? Afinal, como ele poderia sentir ciúme? E pior, sentir isso por estar perdendo alguém para o tempo? Porque no fim era isso: sem que ele percebesse, o tempo estava arrastando as pessoas à sua volta. Estava tudo acontecendo de novo, e ele não conseguia simplesmente conviver com essa verdade tão maldosamente crua.

O Erudon já era mais velho que Elesis quando se juntou ao grupo, então seu amadurecimento pareceu ter acelerado em anos. Sieghart não tinha sido capaz de ver. Estava vivendo em seu mundo, estava sendo uma pessoa normal com eles, pelo menos enquanto eram todos jovens e possuíam os mesmos objetivos.

“Daqui a dois, três anos, todos já vão estar pensando em outras coisas, como casar e ter filhos. E quando essa hora chegar eu vou ter que ir embora.” Sieghart sentou-se e ignorou completamente a presença do azulado. Não tinha como ignorar que o futuro que ele temia estava se aproximando. “Mas a culpa foi minha. Eu sabia que não deveria me envolver demais... Só que foi tarde demais quando percebi. Sei que tudo isso vai acabar outra vez.”.

Ronan ficou indeciso entre sair e conversar mais um pouco. Relevar a brincadeira pelo menos uma vez não faria mal. Além disso, Sieghart estava estranho, de repente ele ficou pensativo e, geralmente, ele não perdia o controle de sua força como tinha acabado de acontecer.

Um suspiro saiu sonoro pelo quarto e Sieghart sentiu a cama afundar um pouco ao lado. Ronan o fitava.

–Tudo bem. Só para você não achar que além de sério eu sou insensível, vou ficar mais um pouco. –Ronan deu de ombros e sorriu de canto. –Mas eu não sabia que você gostava de mordidas, Sieghart...

–Cala a boca. –Sieghart estreitou os olhos, percebendo a troca proposital de assunto. –Eu prefiro dar mordidas que receber. Não é nada másculo ter um cara com fetiche por sangue te stalkeando.

Ronan riu brevemente, colocando a mão na frente da boca. No mínimo achando graça do que Sieghart dizia. Daí ele se inclinou, beliscando levemente o braço do moreno.

–Itte! –Sieghart massageou o local.

–Você devia ingerir mais líquidos para repor o que perdeu. Isso é regra básica para quando se perde sangue. –Ronan se levantou disposto a buscar alguma coisa.

Sieghart ergueu uma sobrancelha e segurou o braço do azulado, mais uma vez naquela noite que se estendia pelas horas rapidamente. Porém, desta vez, ele havia sido mais cuidadoso com o gesto, quase delicado na verdade.

Uma idéia passou de relance por sua mente e Sieghart refletiu, mas depois de um tempo a afastou. Esse tipo de proposta não deveria ser feito para qualquer gênero de pessoa, especialmente quando esta era o Ronan. Ou melhor, porque uma idéia tão escrota havia surgido? Em que nível de desespero ele devia estar?

Sim, era verdade que ele gostava de deitar com homens. Sieghart reconhecia que desde que conheceu os membros da Grande Caçada, seu pensamento começou a mudar, lentamente, mas eles conseguiram cativá-lo de um jeito especial. Era uma surpresa, no entanto, que ele tivesse esse tipo de desejo com Ronan. E lembrando que, Sieghart, dono do maior ego da dimensão, não costumava se colocar no lugar do passivo sem pensar que aquela era uma das piores formas de humilhação existentes. Poucos tiveram o privilégio de vê-lo de costas e com a bunda empinada, e estes ainda tiveram que sofrer um pouco e ousar nas ações. Afinal, se o cara quisesse ser o dominante, então que ele provasse ser capaz disso. Embora todos saibam que Sieghart é quase invencível e não cede a ninguém sem honra.

E o caso era: cheio de medo, conseguindo ver a diferença entre seus corpos físicos, Sieghart cogitou propor uma transa quente com o Inquisidor e, de extra, ele permitiria que o azulado o dominasse.

Mas ele simplesmente não conseguiu admitir a derrota nesta batalha mental que ele criou por si mesmo.

–Sieghart. –Ronan tocou a mão de Sieghart que ainda segurava a sua esquerda. –Você não me parece nada bem... Melhor descansar. Eu não vou para o meu quarto então fique relaxado.

Sieghart raramente via essa expressão de preocupação por parte do azulado. Era quase doloroso demais pensar nisso. Ademais, aqueles olhos de piedade, esse tipo de olhar quando um deus mata seu próprio protegido cheio de dor, Sieghart o odiava. Sua mão firmou e puxou-o para sobre seu corpo. Eles só não tombaram porque o joelho de Ronan ao lado da perna de Sieghart impediu.

–Por que você fez isso, seu idiota? –Ronan reclamou; a testa franzida.

Silêncio mórbido. Os olhos de Sieghart expressavam a resposta de forma tão óbvia que apenas um Ryan não entenderia a mensagem, pois até mesmo Amy seria capaz de ver o desejo crepitando ali sem nenhuma discrição.

Ronan, por mais sério que fosse conseguia entender aquele sentimento. Ele, que passou por algumas experiências, até com pessoas mais improváveis, entendia Sieghart.

Porém era complicado quando se tratava especificamente dos dois. Honestamente, Ronan se sentia mil vezes mais maduro que o Imortal, mais digno, embora tivesse um respeito não declarado pelo guerreiro de seis séculos. Complicado, porque Sieghart era um guerreiro imbatível. Suas lutas sérias eram de arrepiar. O olhar flamejante e sedento por batalha do gladiador lendário causava temor nos homens mais corajosos.

Ronan entendia e reconhecia tudo isso. Como não reconhecer? Ele já havia sim, se acostumado em cozinhar para a GC, o que inclui o moreno. Eles brigavam, conversavam, lutavam. O Erudon já convivia com ele como se ele fosse absolutamente normal. Contudo, os dias são como uma brisa levando o pólen... Em pouco tempo, dali a uma estação, as flores já vão germinar. Todos se tornaram esse fruto germinado, todos já estavam se tornando adultos e encontrando seus objetivos para o resto da vida, pensando em gerar descendência.

“Deve ser difícil.” Pensou Ronan, sendo atraído para os braços adolescentes aos poucos. Sieghart o puxava lentamente, olhando tão fixamente que parecia ter o poder de hipnotizá-lo. Ele era menor agora, mas aquela selvageria nos olhos claros não mudava, tão vívido como um leão. Era lindo e destemido. E exercia uma dominância inquestionável.

O Imortal nunca havia contado sobre seu passado de forma clara. Citou nomes aleatórios em seus contos de guerra e aventuras ao redor do mundo. Nunca havia mencionado qualquer parceiro ou amante com quem estivera por mais de um ou dois dias.

“Deve ser tão estranho.” Ronan sentia os dedos de Sieghart infiltrando em seus fios marinhos. “Ver o processo da vida em todo seu ciclo sem ter sequer uma marca de velhice no corpo. Tantas pessoas querendo a vida eterna e logo o homem que a tem sofre por ela.”

Como homem, Ronan o honrava. Por toda essa bravura. Pelo sofrimento em silêncio.

Como amigo, sentia por ele. E, naturalmente, gostaria de fazer qualquer coisa para ajudar. Mesmo ele, que era tão diferente, e que não se dava tão bem com Sieghart.

Neste exato momento, Ronan, sendo que era — um rapaz como os outros, sem o conhecimento do futuro ou o que seja — só queria compreender a dor de seu companheiro e, se fosse capaz, de aliviá-la. As deusas que o perdoassem, mas ele largava mão delas pelo bem de seus amigos. Especialmente pelo de Sieghart, que tantas vezes tomou as dores do grupo, encarou um destino incerto e passou por um estado de morte artificial, dolorosa e desesperadora, no intento de poupar a todos da ameaça mortal e inevitável de Veigas Terr. Tantas coisas ele fez, incontáveis, de um valor sem número.

O rosto de Sieghart estava próximo. Seus dedos já prendiam os fios, impedindo-o de fugir se tentasse. A respiração quente batia diretamente em seus lábios, fazendo que o ar fresco que entrava pela janela parecesse insignificante.

Ronan não via como aquilo podia acontecer entre ambos, no entanto, já estava acontecendo, então o melhor era fechar os olhos.

Os lábios de Sieghart tocaram os do azulado. A pele e a carne se pressionaram sincronicamente, ao que a mão do moreno apertava ainda mais as mechas sedosas, roçando os nós dos dedos no couro cabeludo.

Ronan deixou seu joelho perder a força, seu corpo inclinando cada vez mais para baixo, até seu peito tocar com o do mais velho. Uma de suas mãos, enluvadas, tocou a lateral do rosto de Sieghart, retribuindo o beijo com um pouco mais de volúpia. Com essa permissão o Imortal tocou com a língua a boca de Ronan e fez uma passagem abrupta, exigente.

–Hm-,

Ronan pressentiu que as coisas esquentariam rápido, mas a mão do moreno em sua camisa foi mais precipitado do que ele esperava. Os dedos quentes brincaram em seu abdômen, fazendo-o se arrepiar de um jeito vergonhoso, além das leves cócegas que eram causadas no contato com seus pêlos abdominais.

–Ronan. –Sieghart chamou-o languidamente, separando seus lábios e beijando o pescoço do Inquisidor, envolvendo-o com os braços, que mesmo não tão musculosos, tinham a força de um búfalo. Os dentes brancos mordiscaram a pele buscando alguma reação.

E houve; várias. Ronan levantou as mãos, tocando as costas do mais velho, a pele e os músculos eram suaves, como os de um jovem no auge da idade, de superfície lisa, sem qualquer cicatriz ou elevação de qualquer gênero, nem mesmo pintas, ou o que fosse. Esses pensamentos conseguiam excitá-lo de alguma forma misteriosa (e assustadora), mas Ronan preferiu admitir que ser tocado por uma pessoa “limpa” parecia o ideal quando o assunto era ele ser o passivo numa transa homossexual. Soava mais confortável.

–Ah-,

Um arrepio atrás da orelha fez Ronan gemer involuntariamente. Seu rosto avermelhou parcialmente, e suas sobrancelhas relaxaram. Ele não teve escolha nenhuma após isso.

Com naturalidade, mesmo sem muita energia para gastar depois do incidente antes narrado, Sieghart abriu violentamente a camisa chique de seu companheiro, nem ligando se ela tinha custado mais caro que o vestido da rainha. Sua boca encontrou-se com a do rapaz sem medir as limitações que eles tinham pessoalmente.

–Hm... Ahn...

As mãos de Ronan passavam pelos braços do moreno, e os deste, por sua vez, delineavam a cintura masculina do azulado. Enquanto seus olhos permaneciam fechados e os sons de seus beijos molhados ecoavam no ar, o céu ia ficando escuro de repente, como sempre acontece quando as pessoas piscam no crepúsculo e “Caramba, já escureceu!”.

–Hm, Ronan... –Sieghart o empurrou para trás, deixando o fio de saliva grudando suas bocas. O peito de Ronan em sua frente não era nada delicado como, sabe-se lá, o de Lass (obviamente), mas era tão jovial e atraente como deveria ser. Os mamilos claros estavam rígidos, embora o azulado não fosse o tipo de cara que se excita com esse estímulo.

Partindo para abordagem direta, com um sorriso esperto no rosto, seu dedo indicador foi deslizando pelo lábio do azulado, passando pelo pescoço e clavícula, circulando sobre o tórax firme, com pintas muito charmosas, demorando-se no abdômen trincado que depois de treinos e treinos havia adquirido, e enfim agarrando o cós da calça.

Sieghart sorriu ainda mais largamente e lambeu o canto do lábio, puxando lentamente. A expressão do azulado dizia não, mas a protuberância ali entre as pernas havia se formado logo no início da brincadeira.

–Não me provoque.

Ronan disse e segurou a mão do Imortal, sem saber exatamente o que deveria fazer. Sieghart parecia fazer a mesma pergunta visualmente, contudo, ele era sagaz, e sabia que Ronan não tinha tanta prática com isso.

–Apenas fique quieto, — disse ao pé do ouvido do azulado, mordendo-lhe o lóbulo e arranhando com a ponta dos dedos a parte interior da calça. -, eu vou te colocar no seu lugar... Ronan.

O Inquisidor não pode fazer nada a não ser tremer com a voz rouca e se encolher ao contato direto da mão de Sieghart entrando em sua calça e boxer para pegar seu pênis sem cerimônia. Já duro, ele moveu os dedos na glande e com a mão livre abaixou as calças, possibilitando a visão daquele cenário.

Ronan jamais teria sentido constrangimento, e nunca teria deixado isso acontecer em situações normais. Tampouco admitiria que estivesse curioso sobre ser o passivo (já que só fora apenas uma vez). Mas Sieghart não deu tempo para que ele se arrependesse e não teve a gentileza de perguntar, parecendo estar mais preocupado em fazê-lo fazer o que queria do que saber sua opinião.

–S-Sieghart-, — Ronan estremeceu, sentindo os arrepios se tornaram bruscamente ondas de prazer.

Os lábios do mais velho tinham um brilho de umidade e ele saciava sua provável abstinência, aproveitando cada instante fazendo outra pessoa gemer seu nome. Era excitante... Ele gostava disso, uma das coisas que ele mais gostava.

Contorcido, Ronan segurou os braços do moreno, virando o rosto contra a colcha branca e pesada, além de absurdamente cara, o que já era esperado em um castelo real. Sieghart baixou o rosto, capturando um dos mamilos com os dentes por um segundo e em seguida chupando-o, sua respiração tocando o peito do azulado e o fazendo arrepiar, e circulava a língua, espalhando a saliva e suspirando no ato, tão provocantemente que o Inquisidor dobrou as pernas com aquela excitação inexplicável.

–Hm. –Sieghart ocupou seus lábios com o outro mamilo, repetindo o processo, tudo enquanto masturbava o mais novo, que se apresentava teso e latejando, impaciente para chegar ao limite. O moreno aproveitou a concentração de Ronan em sentir apenas para, com sua mão esquerda, apertar-lhe a cintura, em algum ponto onde sabia ser sensível. O azulado arregalou os olhos e encarou Sieghart assim que sua boca abriu com um som lânguido, uma mistura de sofrimento e de sentir-se extremamente bem.

A mão esperta do Imortal alcançou a glande e apertou levemente, iniciando uma masturbação concentrada apenas na ponta, deixando o pênis de Ronan inchar e avermelhar como nunca. O rosto dele esquentou, Sieghart viu, e com dificuldade conseguiu parar seu clímax precoce.

–Sieghart... –falou baixo, entre os dentes em um murmúrio. Ronan segurou a sensação o máximo que pode, até que os dedos do mais velho tocaram aquela parte. E ele sensível, seu murmúrio sexy foi como melodia. Depois houve dor, porque parecia que o Imortal também estava no limite de sua paciência para ficar sendo gentil.

O moreno olhou para Ronan, sem precisar falar nada, mas dizendo claramente que era para não ficar tenso, pelo menos naquele momento. Seus dedos moveram um pouco, Ronan franziu a testa, Sieghart o beijou e forçou a entrada com mais força, sentindo o órgão contrair-se um pouco mais.

–Hm... –Ronan mexeu as pernas, tentando achar um ponto mais confortável. Sieghart seguiu as indicações mudas e conseguiu mover os dedos propriamente, abrindo-os e alargando o melhor possível apesar da forma grosseira que fazia.

Depois de uns poucos minutos, Sieghart sentiu a mão de Ronan em seu ombro.

–Pare.

O Imortal voltou-se de joelhos, sobre Ronan e em seus cotovelos. Durante alguns minutos Sieghart pareceu ficar bastante indeciso sobre essa ideia louca. De qualquer ângulo, os dois não combinavam. É verdade, isso não importava no momento, mas Sieghart quis se certificar disso.

–Isso não é um romance de novela. –Sieghart disse enquanto mordiscava os lábios do azulado, sorrindo com zombaria. –Vê se não vai se apaixonar por mim... Eu não vou aceitar seus sentimentos, Ronan.

O azulado riu em troca, retribuindo os beijos descompromissados enquanto Sieghart tirava a calça e a peça íntima. Os dois se esfregaram e se roçaram com as pernas e todos os cantos do corpo possíveis.

Sieghart masturbou-se um tempo, junto com o Inquisidor, e posicionou-se, sua glande tocando a abertura do ânus, que contraía ao toque.

–Você está me provocando? –Sieghart forçou entrada, olhando para o rapaz deitado, coberto por uma fina camada de suor e marcas vermelhas pelo corpo. A cabeça entrou um pouco e foi aí que Sieghart percebeu que seria fácil dar o tranco.

–Não... –Ronan disse e suspirou alto, afastando as coxas involuntariamente. O pênis rijo do moreno entrando parecia estar quebrando-o no meio, causando uma dor aguda e quase insuportável. Para um corpo de 18 anos, Sieghart estava muito bem, e sua potência parecia não ter diminuído após 600 anos.

–Ahn... –murmurou o moreno, fechando os olhos e apertando as mãos nas de Ronan, movendo o quadril para penetrá-lo totalmente. A pausa fez que ele respirasse calmamente e se desse conta do suor abaixando seu cabelo e molhando suas costas. A temperatura de ambos era sangue fervendo.

Os olhos de Ronan estavam apertados, mas sabia perfeitamente que no primeiro movimento aquela dor chata se tornaria algo bem excitante.

E Sieghart se moveu, os músculos de seus ombros e braços começaram a aparecer, assim como os das coxas, e seu abdômen contraiu-se. Ronan ficou deslumbrado, o rosto de Sieghart ficava sério, mas mostrava a clara luxúria que sentia quando fazia aquele tipo de trabalho.

–Hn!

Ronan gemeu assim que Sieghart tomou uma de suas coxas e colocou-a para cima, investindo com cuidado, no início.

O corpo do Inquisidor por sua vez era movido na cama com a força do moreno. Seu rosto não possuía tensão, mas o prazer o fazia contorcer e abrir os lábios. A saliva ameaçava escorrer por seu queixo. O membro do azulado tocava o abdômen branco, a glande vermelha melada e batendo levemente a cada estocada.

Sieghart via seu pênis afundando entre as pernas de Ronan, algo que geralmente o excitava ao máximo, e com a mão livre mexia os dedos nos testículos do azulado, apertando-os e massageando quando via que o azulado sentia dor, afinal ali era um lugar bem sensível.

Ronan esticou a cabeça em determinado momento e gemeu, levantando os braços.

–Sieghart, mais rápido! –o azulado ordenou ofegante, apertando a coxa esquerda na cintura do moreno, que obedeceu, inclinando-se mais, beijando o pescoço de Ronan, aspirando o cheiro que exalavam e metendo com toda a força que podia.

A cama arrastou um pouco e os dois se entrelaçaram. O braço direito de Sieghart segurava uma perna do azulado e uma mão agarrava-se à colcha branca, umedecida, seus joelhos falhando por causa do movimento repetitivo. Ronan dava a volta em seu pescoço com um braço direito e seu torso estava erguido, apoiava-se pelo cotovelo esquerdo, sua mão puxando a colcha toda vez que recebia uma investida.

–A-AH! Sieghart! –Ronan virou o pescoço, dando espaço para o Imortal fazer o que bem quisesse, chupar e morder, beijar e lamber, até que ele deixasse as marcas que tanto queria deixar.

–Hm! –Sieghart sentia seu membro ficando mais duro. – R-Ronan, você está me apertando muito, ahn...

A saliva do moreno onde ficava parecia queimar. O pênis de Sieghart dentro de si tocava em um lugar específico, Ronan tinha espasmos, sua pele eriçava, e a vontade de gozar aumentava bruscamente. A carne dura massageava e arranhava ao mesmo tempo, deixando-o confuso e mais próximo do clímax. Sieghart o tocava e o masturbava, beijava e falava coisas em seu ouvido.

–Ahn, vou gozar... –Sieghart envolveu a cintura do azulado e puxou-o para cima, colocando-o de joelhos. –Ronan, se mova também.

Com o rosto longe de ser de um guerreiro respeitado e poderoso, Ronan empurrou seus cabelos compridos com uma mão, fitando o moreno com intensidade, do jeito mais sincero que se sentia. Os fios azul-marinho se ajeitaram para trás e novamente voltaram para onde estavam.

Sieghart o achou especialmente sensual.

Ronan colocou as mãos nas faces de Sieghart, que fechou os olhos imediatamente.

–Tão... Frio. –Sieghart tocou-as com as suas. Essas por sua vez bastante quentes.

Ronan piscou. E riu para si mesmo, voltando a beijar o Imortal... E nesse beijo eles ficaram por muito tempo, as investidas foram lentas, mas as mãos se encontraram nos lugares certos e os gemidos foram polidos, silenciosos e mesmo assim enlouquecedores.

Ambos vieram logo, e continuaram até que o cansaço fosse maior do que eles pudessem aguentar.

Não dava para saber que horas eram. Sieghart suspirou várias vezes antes de retirar seu membro sujo do próprio sêmen, vendo o líquido pastoso escorrendo das nádegas do azulado pelas coxas, até pingar e misturar-se à cor da colcha.

Um sorriso satisfeito cruzou seu rosto e ele sentiu que podia descansar.

Ronan virou-se para Sieghart, olhando-o sem nenhum traço de que estava desgostando ou algo do gênero. Ele simplesmente se manteve deitado no mesmo lugar e colocou o braço sobre os olhos.

–Se fosse um dia normal... Eu teria ido me lavar e arrumar a cama...

Sieghart se espreguiçou um pouco e se ajeitou ao lado do azulado, estendendo a mão para o abajur, mas esperando que Ronan terminasse.

Antes de o azulado continuar, olhou por baixo do braço como Sieghart ficava depois de fazer sexo. E descobriu que ele ficava deslumbrante. Ficava ainda mais selvagem e expressivo. Seus olhos ficavam pesados e sua boca inchada. Era sexy.

–Mas hoje eu vou fazer uma exceção. –disse, sentindo sua cabeça rodar um pouco de sono.

Sieghart respirou fundo e puxou um braço do azulado.

–Cale a boca. E esqueça as besteiras que eu falei hoje... Eu estava bêbado.

Ronan o olhou e ficou com uma vontade incontrolável de rir. Sieghart estava vermelho de vergonha.

–P-Por que você não dorme de uma vez? Quer que eu repita tudo?! –o moreno o empurrou.

–Nah... Você só continua parecendo uma criança para mim, mesmo depois de tudo. –Ronan virou de lado, passando o braço por cima do moreno, que se sentiu ainda menor.

–Você parece que acabou de ficar mais alto? –Sieghart murmurou, sentindo a mão do azulado passar em sua franja e empurrar para trás.

–Calado.

–Sua mão é gelada, pare de me tocar. –Sieghart resmungou com sua voz ainda rouca.

–Durma de uma vez, idiota.

Fim

Notas finais
Aí está :). O que acharam? (E me perdoem, SiegxRonan foi algo complexo para mim... é muito acima do meu nível, gente). Um abraço e até o próximo (que já tem a metade pronta ;D tah?)