YStage

8 08YStage: Band


Notas iniciais
Pedido da Kuro Chan> JinxAzin. Outro compatível que é muito shippado. Esse Band não é de Banda, mas de Faixa.
Boa Leitura!

...

Jin pov’s

Então, foi como se aquela realização reabrisse todas as minhas expectativas para aquela relação.

Não. Não é algo como um relacionamento amoroso, não muito provável. Nada como amizade ou afeto. Nem mesmo chegávamos a ser conhecidos — considerando todos os fatos.

Se quer saber... Essa relação não passa de algo como pura competitividade. Não rivalidade (Ok, talvez sim), só que sabem quando a coisa é diferente?

Eu me pegava pensando sobre essas coisas sem nenhum freio para impedir de me confundir constantemente.

Nesse momento, eu estava brutalmente entrelaçado numa troca de braços de ferro com sangue escorrendo das narinas, assim como meu adversário, nenhum pouco bem também, com os olhos roxos e os músculos claramente inferiores aos meus tentando igualar a força com que envolvia meu pescoço.

-UGH!!

Aqueles sons escapavam de seus lábios e dos meus também saíam parecidos. O ar fugindo dos meus pulmões sem nenhuma opção. Era dolorosa a forma como sentia a garganta fechar e a boca secar, mesmo com o líquido ferroso e vermelho manchando meus lábios e adentrando com seu sabor até minha língua, mordida até tal ponto.

Naquelas longas horas, eu e Azin estivemos em um constante luta. Uma luta não apenas por treino ou algo parecido, mas com certeza, uma batalha que era obrigada entre nós (Pelo menos é o que ele diz).

Lembro-me vagamente de quando ele me chamou a um canto, disse que estava tudo bem e que apenas iria arrebentar minha cara. Também, mesmo que eu não conseguisse pensar muito bem enquanto minha garganta sofria uma tentativa de ser esmagada, conseguia rever em flashes quando ele falou, de forma que me soou tão infantil, ainda que muito corajosa, que ele iria mostrar “nem que fosse a última coisa que eu fizesse” que ele era superior a mim de todas as formas e que o mestre o treinou muito melhor, merecendo que o “legado” fosse herdado por ele e não por mim.

Ah, não tive tempo para pensar em mais nada. Minha visão começou a escurecer e o rosto dele entre meus bíceps já estava assustadoramente roxo, então não pude fazer nada a não ser soltar e cair paralisado.

Quando caí no chão já nem podia sentir meus músculos tensos ou qualquer dor. Eu apenas tinha sentido a temperatura do chão, quente, por nossos ataques embaixo do sol da tarde, que esquentaram tudo à volta em muitos graus acima, com direito a labaredas de fogo e restos de folhas e grama incineradas.

De qualquer forma, minhas pálpebras estavam tão pesadas e minhas costas nuas contra o quentinho davam uma sensação boa. O cheiro de queimado não parecia tão ruim e o sangue nos meus lábios ficou saboroso de um segundo para o outro. Sem me mexer, deixei-me dormir, ainda que alguém pudesse vir e acabar de vez comigo.

E como eu pensava, senti algo muito forte me fazer perder o ar. Minha reação inicial foi abrir os olhos, mas então senti um chute. Um forte. Muito forte, bem no estômago apertando. Tenho certeza que sentei e cuspi sangue... Mas acho que era apenas o excesso. O golpe foi mesmo para me acordar. Ah, droga, mas parecia tão pouco tempo dormindo... E quem foi que me chutou?!

Meus olhos, com muita dificuldade, se abriram forçadamente, refletindo primeiramente a luz forte do sol bem sobre eles e, em seguida, o rosto inexpressivo de Zero.

-Foi você que me chutou, bastardo? -sentei-me massageando meu estômago e coçando o olho irritadiço ao mesmo tempo.

Ele negou com a cabeça, me ajudando a levantar. Assim que me dei conta, olhei em volta, Azin estava encostado a uma árvore -com uma cor melhor pelo visto- dormindo como pedra, uma linha de saliva escorria de sua boca entreaberta.

-O que estão fazendo cochilando por aqui? Parece que tiveram um luta. -Zero comentou, em seu tom baixo e contido de sempre, olhando os lados e ainda me ajudando a me equilibrar.

-Não diga, senhor óbvio. -resmunguei, me sentindo irritado pela dor na garganta e por Zero ser tão lesado.

O grisalho se virou para Azin e socou fortemente, e sem nenhum preparo mental, o estômago do pirralho. Sabe que eu sinto inveja do Zero por ele fazer isso sem nenhuma expressão no rosto, ou nem pensar se faz ou não? Adoraria fazer isso como ele!

No mesmo momento Azin teve a mesma reação que eu: abriu os olhos, cuspindo sangue e ofegando. Parecia que Zero tinha lhe acertado o pulmão... Isso é ótimo de se ver. Sei que é maldade, mas o Azin é insuportável.

-SEU MALDITO! -Azin rangeu os dentes se levantando num salto, mas sentiu as dores e mal falou fechou a boca, segurando seu pescoço e caindo feito mamão maduro.

Ali naquela pele branca havia a marca de meu braço, um vergão gigantesco e grosso, arroxeado. Parecia ter sido enforcado com couro e que tinha lanhado.

Ele focou seus olhos vermelhos rubi em mim e cuspiu sangue de novo. Acho... Que peguei muito pesado.

-Jin, carrega. -nisso, Zero saltou para longe e começou a correr. Não entendi a dessa reação, mas percebi enfim que tinha um grande problema: um ferido que eu não me importava nenhum pouco de deixar à própria sorte.

Chato. Ele nem iria poder implorar pela minha ajuda com a garganta assim. Pensava com as sobrancelhas franzidas e os braços cruzados. Eu o tinha machucado 100 vezes pior. Não me arrependia, mas se eu o levasse para a base e alguém o visse era certo que Lothos iria ficar sabendo.

Eu tinha três opções:

1ª Assumir meu erro e ser punido. -E me livrar dele finalmente.

2ª Levar ele para alguma vala e abandoná-lo. -Mas tem a possibilidade do Zero me dedar, ou

seja, é muito arriscado. E me livrar dele finalmente.

3ª Levar ele para a cidade e curá-lo com uma poção caríssima de cara e falir e, em seguida, ele ficará em débito e essa luta ficará em segredo. -Ah, eu precisaria também calar o Zero de alguma forma. E ele voltará a me encher para uma nova luta ou contará para a Lothos.

Maldição. Vai a terceira, fazer o quê? O Zero leva a sério a conduta dos guerreiros, então eu preciso compensar isso pelo menos curando esse vadio.

Olhei para ele, caído no chão, quase se arrastando, fazendo sons como um lobo ferido, rosnando pros lados e resmungando impropérios contra mim. Que novidade.

Além disso, ele estava com as roupas rasgadas e descoloridas, chamuscadas e com o cabelo branco coberto de cinzas.

Eu não devia estar melhor levando em conta meus músculos ardendo. E o Zero ainda me mandou carregá-lo.

Pode ficar pior?

Azin tossiu duas vezes e parou, segurando-se na árvore. Olhou de canto para mim.

-O que está olhando? -disse entre dentes e com a voz tão rouca que achei que iria perder a voz.

Me aproximei, sentindo-me estranho e completamente irritado por TER que fazer isso. Me agachei ao seu lado e tapei sua boca.

-Silêncio. Você já atrapalhou meu dia demais. Vamos buscar umas poções para ficarmos apresentáveis. Precisamos fazer isso antes do jantar, ou o Zero vai contar para a Lothos e nós dois vamos nos dar mal.

-O que a velhota poderia fazer de ruim? -ele riu todo sarcástico, ignorando meu conselho e ainda mordendo minha mão.

-ITTE! SEU DESGRAÇADO! -soltei, olhando a marca dos dentes entre meu dedo indicador e o polegar. Esse cão! -Isso doeu, vagabundo! Eu estou tentando melhorar a situação aqui! É tudo sua culpa afinal!

Ele me olhou incrédulo. Vocês acham que a culpa é minha?! Sinceramente, ele pediu uma luta e agarrou meu pescoço, o mínimo que eu podia fazer era dar o troco — apesar de eu ter errado na quantia.

-Eu me viro. Sai da minha frente logo antes que eu acabe com você.

-Você já tá bem acabado, não blefe. -falei inexpressivamente.

Ele rosnou de novo e direcionou um soco na minha direção. Segurei aquele punho fraco e voltei a pensar em coisas que dominaram meus pensamentos desde o início daquela luta e em muitas outras as quais ele me desafiou.

Aquele estilo dele era contrário ao meu. Palmas abertas, enquanto os meus eram punhos fechados.

Sempre senti que ele tinha uma mão leve. Penso nisso, segurando seu pulso fino e facilmente marcável. Macio e mesmo assim destrutível. Assim, sempre eu levava a melhor.

Não era força que contava realmente, já que fomos treinados pelo mesmo mestre, mas ele deve ter algum motivo para ter desejado aprender esse estilo. Se não era força o ponto principal, e mesmo que a destreza me superasse eu sempre tinha uma boa resistência, acho que devia ser a experiência que contava nessas lutas.

Lembrando que ele é praticamente um iniciante comparado com todos os outros membros. Ele aprendeu a lutar quando eu já havia me tornado um Cavaleiro de Prata.

Bem, eu estava vagueando dessa forma quando o senti tentar afastar seu pulso de mim. Eu devia estar o encarando.

-O-O que está fazendo, i-idiotaa!? N-NÃO DESMAIE EM CIMA DE MIM! -ele berrou me fazendo finalmente acordar. Eu estava quase caído sobre o albino, meus olhos bem em frente aos dele.

Me afastei de súbito, sentindo a outra mão dele me empurrar um pouco. O rosto dele estava vermelho, bem marcado em seu rosto pálido.

-Oe, oe. Vamos logo. -o soltei, muito a contragosto, e me levantei, já sabendo que isso ia demorar.

As sobrancelhas dele se juntaram me olhando com ódio. Ele mordeu os lábios, muito corado. Sério, o que deu nele? Tá com febre?

-Você tá legal? -perguntei cruzando os braços e o esperando.

-IDIOTA, é claro que eu tô legal! Me deixa em paz. -e ainda tentou se levantar. Adivinhem... Caiu que nem abóbora.

-Seu bêbado. -falei sério, sentindo minha vingança internamente se concretizar.

Ele rangeu os dentes, batendo os punhos no chão. Parecia se martirizar por ser incapaz de sequer se levantar.

-Azin.

Ele arregalou os olhos e me fitou, me lembrando muito uma raposa prestes a capturar uma presa. É... Ele conseguia ficar assustador.

-Sua perna não é? -indaguei me lembrando de tê-lo atingido várias vezes ali, graças a seus truques eu tive que derrubá-lo com um golpe baixo, mas fazer o que? Uma vitória é uma vitória, não importa como a ganhe, especialmente quando eu não trapaceei nem nada.

Suspirei pensando o que devia fazer. O tempo passava e eu ainda não tinha arranjado uma resposta razoável, até que realizasse que não havia opções. Elas existiam, mas todas terminavam com uma punição dolorosa.

-Vai conseguir levantar ou não? Um guerreiro sabe seus limites. -falei deixando minha visão alcançar o horizonte azul. Dali eu podia localizar onde estávamos, um tanto longe de Canaban, mas podia enxergar o palácio e a vastidão de casas. Do lado oposto ao qual olhava era possível observar o Vale do Juramento, extenso e belo — perigoso também.

Ouvi os sons de resmungos e concluí que Azin nunca admitiria que precisava de ajuda, especialmente se fosse por minha parte. Acho que entendo seus objetivos, mas sinceramente não sei por que os leva dessa forma, como se me odiasse.

É como se ele me culpasse por tudo o que aconteceu, e isso eu não posso aceitar.

Quando percebi, já estava bufando, totalmente irritado. Meu cabelo estava pegajoso... Devia ser lama misturado ao suor, nojento, muito nojento. Me dirigi àquele baixinho que ainda remoía sua inutilidade e agarrei seu braço com o mínimo de paciência.

-“Hoje não é um dia bom para me irritarem.” -pensei contrariado e ouvindo os inúmeros xingamentos por meu agarre rude. Apertei-o ainda mais forte e dei as costas, mandando subir nas minhas costas. -Sinta-se agradecido. Agora ande logo ou eu vou te arrastar daqui até lá.

-Não diga essas besteiras, não vou ser carrega- OAAA!!!

O motivo desse berro foi eu ter realmente passado dos limites da paciência, me levantado e o colocado nas costas forçadamente. Ele começou a se debater involuntariamente e a me xingar.

Como é que eu consigo? Sou um monge. É uma boa desculpa.

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Pov’s normal

Assim que começou a andar, Azin segurou em seus ombros tensos. Não era possível ver a expressão que esboçava, mas Jin sabia que ele devia estar vermelho que nem um tomate.

Até uma criança sabe que necessitar da ajuda do inimigo é algo desonroso e do mais baixo nível. Isso foi confirmado no segundo em que ouviu um “Tch.” Por parte do albino e as mãos em seus ombros deixando de apertar com força.

Jin caminhava lento, não pelo garoto ser pesado, mas sim porque estava tão cansado que mal aguentava a si próprio. O ruivo podia notar que o corpo do albino estava afastado e apenas apoiado pelas coxas, onde suas mãos grossas seguravam. Um som estranho se prendeu em sua garganta, evitando mexer os dedos demais naquela área. Em suas costas sentia a virilha do menor, que inevitavelmente o tocava.

Cada passo fazia um som torturante e o silêncio entre os dois a céu aberto ficava cada vez mais sufocante. Com a demora em alcançar a cidade, Azin também se sentiu cansado de forçar-se para longe de Jin, com suas costas doendo de tanto ficar naquela posição que atrapalhava duas vezes mais o ruivo.

-Você é lento. -reclamou, numa tentativa pouco esperançosa de ser posto no chão e poder sair de perto daquela criatura que tanto odiava.

-Você quer ser arrastado?! Já está sendo bem difícil para mim, seu ingrato, se não ficar quieto vou te carregar que nem princesa. -Jin franziu a testa, olhando por cima do ombro. -E se arrume aí, você tá inclinado para trás! Como eu vou te equilibrar? Você é retardado ou o que?!

O albino corou com os lábios abertos, pronto para desferir inúmeros xingamentos, mas o ruivo apenas virou o rosto para frente e inclinou o corpo para frente, fazendo o próprio Azin desequilibrar e dar volta com os braços pelo pescoço do ruivo, com o rosto em seu ombro.

No mesmo momento o menor corou, desacreditado com a audácia do mais velho. Jin maldito!

Azin respirou fundo rendendo-se ao castigo. Parou de pensar e se convenceu de que faria aquilo por si próprio, fechando os olhos e pronunciando-se com voz baixa.

-Ok, essa é a primeira e última vez que eu fico nessa situação. Pode ir.

O ruivo suspirou de alívio, em mente que não esperava essa reação, mas era melhor assim. No fim, os dois estavam defendendo seus próprios interesses, não tinha nada com o que se preocupar.

Os cabelos vermelhos de Jin estava meio longos, a tempos não via uma tesoura, e de acordo com que andava, o balanço os fazia tocar o rosto pálido vez ou outra.

Azin ficou quente. Seus braços em volta do pescoço se afrouxaram e tocaram os ombros levemente. Não aguentava ficar daquele jeito vergonhoso, pareciam íntimos e, mesmo que ele não gostasse quem os visse iriam achar que ele era uma criança.

Acontece que eles estavam muito longe da cidade e naquele passo demorariam boas horas. Devia ser impossível para Jin aguentar tudo aquilo, Azin imaginava.

-Melhor eu andar. -falou baixo, com o queixo apoiado no ombro nu.

Jin estava usando uma regata verde de listras verticais pretas, junto a sua calça de barras flamejantes. Sua faixa branca se perdeu em algum lugar e seus cabelos estavam soltos, atrapalhando sua visão.

-Não. Vamos parar naquele rio que vimos a caminho daqui. -Jin respondeu no mesmo tom, imaginando os riscos de ficarem fazendo paradas.

-Por quê? Já cansou?

-Não podemos aparecer desse jeito na cidade. Você sabe o quanto as meninas adoram passear por lá. -Jin o olhou de novo.

O albino coçou um dos olhos e focalizou o caminho que restava. Estavam em direção a um tipo de matagal, onde pararam na ida.

Realmente, estava tão cansado que havia se esquecido de suas aparências. Sentia que sua pele estava grudenta e que tinham cheiro de barro e plantas incrustados. Tinham resquícios de sangue e parte das roupas estava rasgada.

Levando uma mão para seu pescoço, sentiu uma elevação onde ardia como o inferno. Estava inchada, uma linha de carne arroxeada que Azin não conseguia ver estava formada e iria se tornar uma marca feia se eles não o curassem logo.

Percebendo o movimento, Jin estreitou os olhos, sentindo-se meio culpado. Seu mestre sempre dizia que levar a sério lutas entre companheiros era um perigo, e aí estava. O resultado foi uma fatalidade e se não resolvesse por conta própria, os superiores iriam puni-los e lhe darem advertências muito impropícias no momento.

-Dói?

O albino tirou os dedos e segurou uma quantidade de fios vermelhos os puxando maldosamente.

-CLARO QUE NÃO! -fazendo isso, Azin sentiu os dedos em suas coxas se apertarem.

-Tudo bem. Solte meu cabelo, agora, sim? -Jin aumentou o passo, tomando cuidado com pedras.

Azin percebeu o que fazia e, em seguida, o soltou, voltando a silenciar. Quanto mais cedo isso acabasse melhor para os dois.

Os pensamentos do menor voltaram aos poucos. Sua visão ficou escurecida e tudo o que podia fazer era sentir o cheiro dos fios, que mesmo enlameados, estavam sedosos, brilhantes, e vívidos contra o sol que batia diretamente contra eles, movendo-se com o ar.

Jin percebia que ao tempo que se passava, estava recuperando sua energia. Essa era a vantagem de compartilhar um corpo com um deus — que alivio. Respirava fundo e forçava uma corrida a cada minuto. Quando se deu conta que tinha percorrido mais da metade do trajeto, sentiu os braços em seus ombros pendidos, um peso maior sobre seu corpo.

-Are?... “Dormiu.” -Jin não conseguiu conter um sorrisinho.

Assim que avistou o dito rio, se aproximou de uma área mais aberta e desceu cuidadosamente o pequeno corpo, colocando-o deitado sobre a grama.

Sentou-se finalmente, apenas para descansar as pernas e observou o rio. Devia dar um jeito naquela marca em Azin pelo menos para não infeccionar.

Pondo as mãos nos bolsos, onde punha coisas mais fáceis de carregar, encontrou pílulas de alguma poção modificada que Arme preparou para emergências, uma faixa preta e grossa sua, balas, um localizador que Mari lhe deu e um lenço listrado.

Virou-se para o albino e se inclinou de joelhos, tocando a ferida. Se ele soubesse que chegariam a esse ponto, Jin não teria permitido que a luta continuasse, só que no momento pareceu muito importante para o mais novo.

-Criança. -Jin olhou o rosto desacordado. As feições cansadas estavam sujas também, mas era visível a beleza por trás daquelas finas camadas marrons. A franja tocava o nariz e a respiração era feita bela boca com um som forte. Devia estar muito ruim para o menor.

Sem pensar muito sobre isso, Jin apenas deslizou os dedos do pescoço até as bochechas levemente coradas e em seguida acariciou a franja para trás, tocando a testa e resvalando o nariz. Que pele suave aquele garoto tinha.

Balançou a cabeça, imaginando o porquê de estar admirando o outro. O pirralho nem gostava dele como parceiro, imagina “desse jeito”.

Ali, com o rio ao lado, fluindo levemente com um som calmante e sua cor cristalina, Jin retirou a camisa e resolveu fazer primeiro o que tinha que fazer. Lavou as mãos e pegou seu lenço, molhando-o na água gélida e levando-o bem úmido até o albino que permanecia sem se mover.

Pensou se aquilo o faria acordar, mas tanto fazia. O que precisa ser feito, precisa ser feito.

Enrolou o lenço nele mesmo e colocou-o delicadamente, o melhor possível, sobre a ferida. No instante em que o fez o albino contorceu o rosto e entreabriu os olhos.

Gotas d’água começaram a escorrer do pano pelo pescoço do albino, que estremeceu com a temperatura.

-G-Geladooo!!! -falou movendo as mãos dos lados numa tentativa de amenizar a sensação dolorosa.

-Vamos, pare de chorar. -o ruivo pressionou um pouco mais, ainda que encantado com a expressão fofa. Ahh, ele estava pensando demais! Demais! -Seja homem e aguente, você caçou isso esqueceu?

O albino fez uma cara emburrada e parou de reclamar. Os minutos de silêncio que se seguiram foi com a movimentação de Jin, desinfetando o ferimento e verificando outra vez se o medicamento que levava era adequado.

-Hm, se tiver algum efeito colateral, sinto muito. -Jin pronunciou tirando o lenço e entregando uma das pílulas. Depois que Azin a tomou na palma da mão, olhou para o ruivo, que pediu para que esperasse, que ele ia trazer água.

-Mas não tem nada que você possa usar para pegar, idiota. É mais fácil eu me mover até aí. -Azin reclamou, vendo que Jin ficou sem opções. -Ou eu engulo assim mesmo.

-A Arme disse que não é bom fazer isso, pois ele precisa entrar em contato com a água, é a única desvantagem nesse negócio.

-Ah é? E o que vai fazer esperto? Trazer na mão?

-Você sabe que não vai dar certo. -Jin resmungou, vendo que o jeito era jogar Azin de vez numa vala. -Estou exausto também. Não te carrego nem mais um metro.

O albino fez uma expressão irritada e engoliu a pílula sem nada mesmo.

-Não vai funcionar se não beber água. Nós temos lutado por horas e perdemos muito líquido na transpiração. -Jin se inclinou bebendo uns goles por si mesmo. Azin ficava olhando a maldade de Jin, que nem sabia que existia. O ruivo era vingativo mesmo, vê se pode?

-Eu não vou te implorar nem nada. Eu já disse que vou me arrastando, mas não faço isso.

-Eu adoraria te jogar no fundo desse rio, e juro, seria ótimo que você nem emergisse, mas infelizmente preciso descansar e preciso que você beba a água. E também tem o problema da altura. Como você vai se esticar com os músculos nesse estado?

O albino engoliu em seco. Certo... Ele estava nas mãos do monge, totalmente. Droga. Esse era o pior dia de sua vida.

-Posso...

A sobrancelha branca se ergueu, curiosa.

-Posso te levar na boca.

-HÁ? Repita, faça o favor, eu não fui capaz de entender esse absurdo que você acabou de dizer, Cabeça de Vento!

Jin respirou fundo, abrindo a boca e apontando para dentro sem parecer muito estranho.

-Vai ser assim. Tento entregar na mão, se não der, vai na boca. E sem nojo, ou te arrebento de vez e te arrasto, ouviu? -disse sem mais, virando de costas e fazendo uma conchinha com as mãos. Foi chegando próximo, mas rapidamente a água escapava por seus dedos. Isso era difícil.

-Não dá. Eu vou andando mesmo, não me force a fazer o que não quero.

-E meu traseiro que se fode se eu fizer suas vontades. Cale a boca e me obedeça antes que algo ruim aconteça com nós dois fracos e vulneráveis por aqui. -Jin juntou as sobrancelhas, voltando às águas límpidas, tomando o líquido incolor e repetindo o movimento, mas mantendo-o na boca. Correu novamente até o albino e ajoelhou-se em sua frente muito mais veloz do que planejava.

Azin arregalou os olhos ao sentir aquelas mãos pesadas em seus braços e o rosto de Jin rente ao seu. Teve ímpeto de empurrá-lo, mas assim que o nariz encostou, Azin não entendeu o que houve, sua visão sumiu, não, se fechou e tudo o que pode sentir foram os lábios de Jin forçando os seus, então abriu-os, recebendo a água, misturado à saliva do ruivo.

Sua garganta se moveu com dificuldade e Azin percebeu só depois, quando seus lábios soltaram-se uns dos outros, que as linhas d’água vazavam pelos cantos das bocas, escorrendo até o pescoço e que suas próprias mãos tocaram os ombros de Jin.

Assim que conseguiu ouvir a própria respiração, Azin corou. Corou tão forte que seus olhos desceram para o chão e sua mão tapou a boca. Que vergonha!! Se esse era o rebaixamento que os guerreiros tinham que enfrentar, então que ele nunca tivesse se tornado um!

Tinha as sobrancelhas juntas e após ouvir o som da respiração alta de Jin se acalmar, o menor sentiu finalmente as pernas. Pelo menos o medicamento era efetivo.

Voltando os olhos para o mais velho, notou de novo que ele estava sem camisa. Corou ainda mais forte, sentindo seu estômago doendo, ou era mais abaixo?!

Beijou seu inimigo. Que coisa linda... Azin queria se matar, se jogar numa vala ou num rio. Não, antes ele precisava matar Jin primeiro!

-Por que ainda está tão quieto e vermelho? -Jin resmungou, sabendo do que se tratava. Não é como se ele se sentisse confortável em beijar logo “ele”, mas a situação pedia medidas drásticas. Não tinha jeito.

-Idiota, eu não estou... -Azin parou a frase. Não adiantaria negar. Ele sabia que quando ficava vermelho qualquer um percebia. -Vamos embora.

-Nada disso.

Azin o fuzilou com o olhar. Ótimo... Agora Jin achava que, logo quando ele tinha recuperado as forças, ele deveria permanecer em sua presença? Sua vontade era de abandonar o ruivo ali e ainda prende-lo numa jaula para nunca mais poder sair!

-Você me deve. Então no mínimo me carregue ou espere eu descansar uma hora. -Jin exigiu. Era óbvio que Azin não o carregaria, então sem opções. Azin, você perdeu mais uma vez XD!

-Certo. -rosnou, sentando-se na beira do rio. Poderia aproveitar mesmo... Olhou seu reflexo. Nojento, estava tão sujo quanto Jin.

-Tá pensando em tomar um banho? -Jin sorriu agachando-se ao lado do albino para tocar a água com a ponta dos dedos.

-Óbvio. Você mesmo disse que aparecermos nesse estado na cidade pode gerar confusão.

Jin sorriu de canto.

“Que bom, ele já está começando a se lembrar das instruções.” Zombou em sua mente ao que comparava Azin com um cachorrinho levado sendo treinado para ter boas maneiras.

-Pare com essa cara de besta, eu vou tomar um banho e depois vai você. -Azin pronunciou já se levantando começando a tirar a camisa. Seu corpo dolorido não tinha outra opção de alivío a não ser aquele banho natural gelado.

O ruivo, que observava atentamente, soltou um bufo de lado, passando os dedos pelo cós de sua calça desfiada nas barras e abaixando-a.

A movimentação atrás do corpo de Azin não deixava dúvidas, Jin iria entrar na água junto com ele. Por que Deus?

“Ah, por Lisnar...” Resmungou o nome da deusa resolvendo por fim ignorar e evitar qualquer discussão que pudesse bagunçar ainda mais seus pensamentos. Assim que a sombra se aproximou do seu lado, o de olhos vermelhos sentiu um arrepio leve com um vento mais gélido que tocou suas costas. Jin o olhava como se perguntasse algo, mas rapidamente ignorou isso e se precipitou pelo líquido transparente.

-Tch. -Azin arqueou a sobrancelha, se perguntando o que tinha dado naquele idiota. O fato era que... Tinham se beijado. Tecnicamente foi só um toque dos lábios, mas não impedia de seu um beijo. Pensando nisso, a coloração vermelha não deixava seu rosto.

Jin afundou todo o corpo. Os dois tinham mantido as peças íntimas, ambas escuras, uma marrom e uma cinza. Os cabelos vermelhos mesmo embaixo d’água eram completamente visíveis e seguia a correnteza, que não era forte e nem fraca.

Quando o mais velho subiu à tona, encontrou o mais novo esfregando os braços com as mãos como se estivesse com frio. Em seguida, o outro afundou o rosto também, voltando com eles ainda mais grudados à pele.

Jin engoliu em seco. A água limpando o rosto e as manchas vermelhas seguiam agora a água, desimpregnando de seus corpos. Logo, eles voltavam às suas usuais aparências exceto pela marca no pescoço do albino que tinha começado a desaparecer nas bordas.

-Pelo jeito o remédio funcionou bem. -Jin soltou aliviado. Seu medo de que aquilo não funcionasse ainda deixava uma brecha em seu plano: como explicar as marcas que ficariam?

Azin sussurrou algo que Jin não conseguiu entender e virou-se de costas. O ruivo deu de ombros, passando as mãos pelos cabelos para tirar o excesso.

Ah, era como se ele se renovasse. O gelado e a força da água contribuíram para que saíssem com os músculos, antes tensos, entorpecidos e a sensação de refrescância bem nítida. Eles poderiam correr até se descansassem uns minutos.

Azin balançou os cabelos brancos, que pingava escorrendo pelo rosto e Jin fazia o mesmo, empurrando-os para trás a fim de voltar a arrepiá-los, o que deu bem certo.

Os olhos vermelhos analisaram o movimento e desceu dos braços para o pescoço e, sem querer, já estava avaliando-o da cabeça aos pés e vice-versa, como que admirando. Ao perceber que olhava demais, também sentindo que seu coração batia mais acelerado e seu corpo se esquentava internamente com um choque térmico imaginário, ficou boquiaberto e desviou a atenção, olhando qualquer ponto, menos naquele.

Ficaram ao sol, encostados a uma árvore por vários minutos, olhando as roupas secarem num dos galhos dela, até que o monge finalmente se levantou, esticando a mão até os tecidos.

-Tudo bem, podemos ir. Você está melhor, não é? -perguntou pela primeira vez desde a saída do banho até o momento.

Azin não percebeu, mas havia passado um bom tempo parado, relaxando e numa espécie de cochilo de olhos abertos, com a mente preenchida de pensamentos. Nesses, Azin só via coisas a qual não gostaria de lembrar nunca mais, no entanto, sentia simpatia por eles. Por que será?

“Todos os meus momentos com o Kaien sempre foram assim. No fundo eu entrei nesse grupo e cá estou, cometendo um erro por egoísmo enquanto ele nem ao menos me reconhece.” Azin apertou os punhos, após colocar a calça automaticamente.

Sem notar nada, Azin não via que Jin apenas o esperava, olhando-o se vestir lentamente. Pelos olhos do monge, o que ele via era um tórax magro, pálido... Mamilos róseos, bochechas cheias. Cintura levemente acentuada. Não tão magro ou que mostrasse os ossos despontando. Era apenas carne, firme e branca. Se tocado pela luz do sol, tomava um brilho rosado e amarelo, parecendo reforçar ainda mais as curvas. Os olhos que focavam o chão eram tão brilhantes como sangue, vívidos e que transpareciam uma espécie de sarcasmo, porém, nessa hora, eles estavam estranhamente inexpressivos. Jin abaixou o olhar para a mão que suspendia a camisa do lado do corpo. Franzindo as sobrancelhas, o ruivo se pegou com uma terrível inveja...

“Inveja de ser tão forte, mesmo sendo tão delicado.”

O ruivo bufou, não se conformando com tal ideia que passou em sua mente como um flash. Esfregou a testa com raiva e vergonha, percebendo que o dia estava se estendendo mais rápido do que esperava.

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Quando, quase na entrada da cidade, Jin e Azin puderam avistar o portal tradicional da cidade que a marcava como o lar dos espadachins, ambos enfim quebraram o silêncio insuportável que tinha permanecido desde a saída do vale.

-Se vermos alguém, basta dizer que fomos atacados repentinamente por alguma criatura nativa. -Jin gesticulou, esperando que o menor não fosse contra a ideia. Azin gostava tanto de contrariar todos em tudo que muitas vezes acabava trazendo problemas para todos. Se ele abrisse a boca, todo o esforço seria em vão.

-Hm. -sibilou sem nem ao menos abrir os lábios. Parecia não estar prestando atenção.

O monge deixou quieto, parando o albino, tocando levemente seu ombro.

-O que? -Azin virou um pouco o rosto para indagar. Tinha despertado com o toque e se não fosse por algo misterioso que o impedia, ele teria facilmente chutado Jin.

O ruivo não respondeu, apenas estendeu as mãos, as duas, para passar pelo pescoço do albino. Azin arregalou os olhos, colocando as mãos no meio deles apenas por impulso e assustado com a aproximação do rosto do ruivo. Seus olhos baixaram ao sentir o calor que exalava daquela forma robusta e morena. Em contraste a isso, engoliu saliva e esperou algo, mas só sentiu as mãos mexerem na faixa branca presa em seu pescoço.

-Pronto. -o ruivo se afastou sorrindo bobamente.

Azin tocou superficialmente o tecido sobre a ferida e sentiu-a mais apertada. Olhou para os olhos dourados que desviaram para continuar o caminho.

-Vamos, temos que curar isso logo.

Azin ficou vendo o ruivo continuar alguns metros e depois o seguiu. Será que tinha mesmo motivos para tê-lo como inimigo? Suas pálpebras semicerradas doíam. Sua pulsação estava forte. Podia sentir as batidas em seu cérebro.

“Droga.”

Aquele sentimento que nunca sentido começou a evoluir muito mais do que teria permitido a míseras horas.

A cidade estava cheia. Em Canaban não havia tanto movimento como Serdin, mas certamente se viam mais guerreiros do que em qualquer outro lugar em Ernas. A maioria portando espadas, de todos os tamanhos, cores, materiais de qualidade ou não, era tudo muito medieval, mas mesmo assim, dava um ar de paz. Jin gostava disso.

Na grande rua principal, que levava ao Castelo, se via muitas jovens vendedoras e camelôs que vendiam imitações e objetos desconhecidos com qualquer conversa para estrangeiros de passagem. A paisagem do chão de paralelepípedos quebrado e as casas e pousadas que mais pareciam cabanas, era rústica, até certo ponto da cidade — a entrada para ser mais específico.

Azin entre aquelas pessoas todas, lutando para acompanhar Jin sem chutar alguém por pura raiva, se sentia ainda mais cansado e seu ferimento, mesmo parando de doer, ardia de forma que queria coçar, mas não podia.

-Estamos quase lá. -Jin tomou a liberdade de segurar em seu pulso e ir arrastando, porque pelo visto, se não o fizesse, não chegariam até a hora do jantar.

Azin corou fortemente. Não devia... Jin não podia fazer isso com ele. Em meio àquele montão de pessoas! Certo, parecia que todos olhavam, o que não era verdade. Então era isso era que sentir culpa? Mas culpa de quê? Ou era vergonha?

Azin só realizou disso quando Jin o balançou já dentro da loja de poções.

-Ora, vamos. Não pode ser, esse negócio te deixou doente ou algo assim? Ficou resfriado com o banho gelado? -Jin coçava o queixo, sem entender.

Azin o fitou com incredulidade. Contudo, aquela incredulidade em seus olhos poderia ser chamada de medo.

“Não devia... Gostar dele assim...” Azin olhou para o balcão, onde um homem apareceu, mostrando-se curioso ao vê-los.

-Bem vindos!

O ruivo virou-se para lá e cumprimentou o homem, arrastando o mais novo e já requisitando uma avaliação. O homem arrumou uns óculos sobre o nariz e suspirou, chamando o albino mais para perto.

Jin alcançou a amarra que tinha feito na faixa e desprendeu-a, demorando um pouco. Azin ergueu um pouco o queixo, para dar uma melhor visão ao senhor. Tal pessoa verificou o ferimento e deu um sorriso aliviado.

-Oh, ainda bem que vocês cuidaram um pouco do ferimento. Assim com certeza, com a poção médica que tenho especialmente aqui, por apenas 1000$, você não vai ficar nem sombra de marca.

Azin estreitou os olhos. Não soube por que, mas simplesmente o fez.

-Quero algo que apenas cicatrize. Não tenho dinheiro.

No mesmo momento, o deslumbrado Jin -com a propaganda do vendedor- olhou sem acreditar no albino. Como assim?! Ele poderia ficar TOTALMENTE sem vestígios! Por quê? Falta de dinheiro não era. Ou era. Azin era iniciante, não ganhava bem.

-Espera, espera! -Jin o puxou para trás, virando-os de costas para o homem não ouvir. Chegando perto do ouvido do menor, sussurrou. -Azin, o que está fazendo? Não importa quanto custa, é melhor essa marca não ficar aqui para ninguém desconfiar.

Azin o empurrou levemente, afastando o maior de seu espaço pessoal.

-Eu quero assim. Não se intrometa. -em seguida, Jin bufou.

-Que seja, mas é bom que você dê uma boa resposta para quem perguntar. Não me culpe.

O albino apenas balançou a mão. Não faria nada disso. Apenas... Queria manter uma lembrança de que aquilo foi real.

Contas pagas e uma poção alto-média, Azin em alguns minutos de descanso para fazer efeito, teve uma leve marca de cicatriz, bem pequena, mais abaixo do queixo, onde normalmente ninguém via.

Jin deu uma gargalhada divertida após voltarem para rua, caminhando de volta para o quartel.

-Espero que a Elesis não fareje o ar de mentira pura. -Jin coçou a nuca, sentindo-se aliviado. E eram seis da tarde, já estava tudo escurecendo.

Azin o olhou de canto. Os dois caminhavam silenciosamente, o menor com as mãos balançando do lado do corpo e o maior com as mãos nos bolsos.

Virando os olhos para vê-lo de perfil, Azin notou um volume no bolso da calça preta. Imaginava o que era e tinha um desejo quanto a isso. Mas não faria isso. Ele não devia.

Assim que terminavam de subir a ladeira, avistaram o QG da GC em Canaban. No fim, eles tinham vindo para repassar relatórios de missões mais importantes e comparecer nas reuniões com as autoridades máximas e com as rainhas.

Ao abrir a porta, Jin e Azin foram bombardeados por uma dupla furiosa. Elesis e Sieghart caíram em cima dos dois agarrando suas bochechas e as abrindo até que doesse tanto que seus olhos lacrimejassem.

-MALDITOS, MALDITOOOSSS!!!! -berrava furiosamente a garota ruiva, quase enforcando Azin. Os olhos do albino reviravam e não se passou mais três segundos, desmaiou.

-AZIN, SEJA FORTE! -Jin conseguiu berrar, não deixando Sieghart enforca-lo, apesar do maior estar sentado em cima de si e rosnando feito um louco.

-Como ousam?! -Elesis agarrou a camisa do Azin desmaiado e começou a balança-lo para trás e frente, parecendo decepcionada demais com algo. -Eu não disse?! EU NÃO DISSE, SIEG?!

-Isso mesmo! Agora o Ryan está devorando minhas coleções de mangás e minhas botas de couro! ISSO PORQUE VOCÊS NÃO CHEGARAM NA HORA!! -o imortal quase chorava, tentando bater mais em Jin.

Elesis choramingou mais um pouco e soltou Azin, indo ir controlar o druida.

-O que deu no Ryan?

-Idiota! Ele está com fome! O Ronan não está aqui esqueceu? Lire está em Eruel!! Ninguém soube cozinhar algo decente e ele pirou!! Está devorando nossas coisas mais preciosas! Nossa salvação era um de vocês dois, mas não! OS DOIS TINHAM QUE SUMIR! AGORA AJUDEM!

Jin se apressou em segurar o corpo do albino que ainda estava tonto e subi-lo para seu ombro, correndo o melhor possível até a sala e deixando-o ali deitado.

-Droga, porque vocês não avisaram pelo Zero?! -Jin arregaçou as mangas já na frente do fogão. Não era um expert, mas sabia fazer o básico, bem melhor do que qualquer outro. Ele era um monge apesar de tudo, tinha que ter conhecimento das coisas, fossem elas antigas ou modernas.

O grisalho de repente apareceu atrás de si, fazendo o pobre ruivo dar um salto com a frigideira quente, queimando a palma da mão esquerda.

-AACHIII! -o ruivo apertou os olhos, tentando suportar a queimadura em horizontal em sua mão.

Zero pediu desculpas.

-Até tal hora ele não estava daquela forma. -explicou, mas o ruivo apenas o empurrou para fora da cozinha ainda não destruída e buscou uma poção qualquer nos armários. Sempre tinham em qualquer lugar da casa.

No mesmo momento em que a pegou, junto a outros medicamentos numa caixa separada, Jin sentiu uma presença na porta. Olhou-a, ainda com o cenho franzido pela dor.

-O que aconteceu? -o albino se aproximou, segurando sua mão.

-N-Não, mexa, dói!

-Eu sei. -os olhos vermelhos apertaram-se, aparentemente recuperado do ataque fatal da Sieghart.

Jin grunhiu em resposta, bebendo um pouco da poção. Aos poucos foi desaparecendo, deixando uma marca avermelhada, como sempre. Teria que ficar mais um tempo esperando, ainda formigava.

Azin suspirou, algo que o ruivo nunca tinha visto e caminhou até o fogão, onde o fogo ainda estava aceso. Recolocou a frigideira e buscou algo para fazer. Jin observou a tudo.

“Azin me ajudando? Sério? Não acredito em meus olhos.” Pensava com surpresa estampada em seu rosto.

Realmente, não esperava algo assim. Mas acima de tudo, a expressão de Azin já era outra. Será que ele achava que estava em débito mesmo? Não era como se Jin fosse cobrá-lo depois, era uma brincadeira.

-Só estou fazendo um favor, se é o que está indagando. Por isso fecha a boca e sente-se, idiota. -Azin sibilou entre dentes, apontando a escumadeira para a cadeira.

O ruivo fez um bico indignado. Ainda por cima lia mentes...

-Assustador. Você é bipolar e estranho. Não gosto de você. Ou melhor, não gosto de suas atitudes.

O albino o fitou com desprezo.

-Olhe quem está falando. Olhe seu nariz inicialmente, Cabeça de Fogo, e fique em silêncio quando alguém está ajudando, não importa quem seja.

-Hunf.

Aquela conversa teve um fim até que toda a casa cheirasse a arroz novo e carne de panela. O descontrolado veio voando assim que sentiu cheiro de cebola frita e molho inglês acompanhado de uma salada verde.

O alaranjado saciou sua fome e dormiu sobre a mesa com duas pilhas de pratos umas sobre as outras. Jin tinha assistido a comilança e sentia-se mal... Do estômago.

-Vamos ir à falência se o Ryan não começar uma dieta. -Jin resmungou, subindo as escadas em direção ao seu saudoso quarto, onde ninguém entraria para perturbá-lo após tal dia cansativo. -BANHOOOO, ME AGUARDE, EU JÁ VOU!

Ao por os pés no quarto, sentiu uma mão empurrando-o levemente, apenas para dar mais dois passos e olhou. O que ele fazia ali?

-Ainda arde?

Jin arqueou a sobrancelha. Ok. Agora tinha ficado ainda mais estranho... Passou a mão na frente dos olhos.

-Câmbio. Azin está aí. Câmbio.

O menor retirou sua mão e segurou a outra, olhando-a. Jin bufou, se afastando. Essas aproximações mexiam tanto com o outro quanto a si. Ele percebia como Azin era bonito, como seu jeito manhoso e perspicaz o deixava curioso e atraído.

Jin se pegava perguntando por que, raios, Azin e ele eram tão fortes, mas de formas tão diferentes? Faltava experiência no albino, mas seu potencial era o mesmo com certeza. Percebia isso porque era justamente um lutador sensitivo.

Além disso, aquele corpo poderia nublar mentes. Escurecer visões de inocência.

Jin respirou fundo. Ele mesmo, não poderia se render aos prazeres mundanos e deixar-se corromper novamente. Como pessoa, respeitaria o outro como defendia o código de honra.

-Pare de sonhar. Estou pagando meu débito.

Jin soltou um “Quê?”.

-Meu débito.

-Idiota! Desde que você não abra a boca sobre isso, já está pagando. Sei que é irritante para você não poder me ferrar.

Os olhos arregalaram-se com o comentário. Sim, lógico. Adoraria ferrá-lo até o fim de seus dias, mas notou que isso não passava de uma distorção dos ensinamentos que recebeu. Não seria como não merecer o lugar de Melhor Pupilo? Ele estava distorcendo tudo. Não era isso que seu mestre, Asin, queria dizer no final das contas. Vingança, fama, nada. Nada iria superar a amizade e a fidelidade. Esse era o primeiro ensinamento dos lutadores.

-Hm. Não é como se eu gostasse de fazer isso. -Azn virou o rosto, vermelho. Suas mãos fecharam-se em um punho. -Eu apenas... Tenho que fazer o que quero. Isso é o que decidi desde o início.

Jin ficou levemente surpreso, dando espaço para um simpático sorriso.

-Ah, quer dizer que ficou bondoso?

-NÃO! -a exaltação fez Jin sorrir sarcasticamente, já esperando a continuação. -Só... Eu só estou pagando pelo que fiz. Todo esse tempo.

O monge riu, levantando a mão e balançando-a.

-Não se preocupe com isso-... -mas foi interrompido.

-NÃO ME NEGUE!

O ruivo de contente ficou arrepiado e prestou atenção aos olhos vermelhos que brilhavam quase malignos. Ali tinha muitas coisas escritas, mas ele não conseguia identifica-las, eram muitas.

-Não trate como se não fosse nada. Eu não gosto de pessoas como você.

-Azin eu...

-CALADO! Não te dói?! Não te dói ouvir e dizer esse nome?! NÃO DÓI?! -Azin apertou as mãos tão fortemente que não se conteve, agarrou a regata do mais velho, apertando-o.

-Eu... -Jin se encontrou preocupado com o rumo da conversa. Ver essa reação, era como conhecer outro Azin.

-Eu não quero que você sorria, não cuide de mim, porque eu só quero te ferir! Se você continuar... -Jin olhou a cabeleira branca que se estendia daquele ponto para os ombros. O corpo do albino encostou-se ao seu, suavemente e passando o cheiro diretamente para seu nariz. Olhando o chão. — Eu não devo...

Jin tocou os cabelos, acariciando alguns fios. Logo depois de fazê-lo, Azin levantou o rosto.

-Não devo me afeiçoar a você. Então se responsabilize e continue a me fazer te odiar. -as mãos apertaram-se tanto e o rosto estava tão choroso que Jin pode relembrar a si mesmo naquele campo sangrento, revendo em suas memórias as inúmeras cenas de como seu mestre e todos os Cavaleiros poderiam ter morrido. Tantas formas de morrer. Tantas imagens que o faziam remoer e chorar sozinho. Ele estava sozinho e decepcionado, sentindo-se a escória e sem honra, sem glória, sem lar, sem nada. Azin estava assim também.

Ambos tinham perdido o que mais amavam e isso os trouxe a incorfomação.

Não devia não é? Jin se lembrava do que desejou. Desejou vingança. Até obtê-la, não descansou, mas após a batalha, o que sobrou foi cinzas e decepção. Tristeza e saudade.

Seu peito continuava doendo, mas estava preenchido pela amizade e pelo carinho de todos os que estavam a sua volta. A GC se tornou seu novo lar e nada mudaria o fato de que, para um coração dolorido e frio era preciso um abraço macio e quente.

Jin riu em sua mente. Mesmo que não fosse macio e quente, o que importava eram seus sentimentos.

Assim fez, envolveu os braços sobre aquele corpo, apertando-o carinhosamente e baixando a cabeça sobre seu ombro. A princípio, houve resistência, mas o afago nos cabelos fez o mais novo silenciar.

Azin se negava com todas as forças. Perder para um abraço... Era vergonhoso. Retribuir... Era render-se. Só que ainda assim, era muito bondoso.

Quando afastou o rosto do ombro forte, afastando-se do cheiro amadeirado, Azin desejou que ele pudesse resistir aos próximos minutos, contudo, Azin nunca esteve destinado a ter os desejos atendidos.

Jin deslizou a mão dos cabelos brancos e finos, passando os dedos pela mecha com o envolto preto. Azin pareceu muito focado em seus olhos, só que não teve tempo de reagir. Jin via os lábios pálidos entreabertos e só lhe restava toma-los, pois aquele aroma o entorpecia e as emoções ali eram claras.

Seu pescoço esticou-se mais para baixo e sua mão direita segurou a face do outro, inclinando-o para cima, apenas para juntá-los, devagar, a mão recém curada envolvendo a cintura.

-H-Hmm... -Azin tinha os olhos entreabertos, sua respiração pesou no mesmo instante em que a língua do ruivo tocou sue lábio inferior e forçou uma entrada lenta, muito molhada e deixou sua mão apertar sua cintura gostosamente.

Ao ouvir o som, Jin sentiu-se ainda mais eufórico com o beijo, movendo os lábios e massageando as línguas tão vagarosamente, mas tão intensamente, que fez o menor perder a respiração e deixar escapar saliva.

Azin ao se deixar render, buscava sempre os lábios do ruivo, inconscientemente, chupando-os. Suas mãos envolveram-no pela nuca e não soltaram, prendendo-o, fazendo com que Jin pudesse abraçá-lo totalmente.

Ao sentir a totalidade do corpo do ryujin ao seu, trêmulo e desejoso, seus lábios deixaram escapar longos suspiros sobre os lábios pálidos. Suas pálpebras pesavam e seu próprio ser respondia, se arrepiando aos toques dos dedos que provocavam as áreas escondidas sob os fios vermelhos-sangue, arranhando a pele e mordendo sua boca, fazendo-o se excitar.

-A-Aw... Ahn...

Azin, com toda a cavidade por entre seus lábios invadida, sentia a língua enrolar-se na outra, mal controlando o nervosismo e suas pernas que buscavam se esticar apenas para retirar aquele sabor do monge. Seu peito estava preenchido por uma sensação ótima e que o fazia flutuar em seu próprio prazer.

Errado?

-Nhg... -o gemido que escapou de seus lábios após sentir seu mamilo ser tocado fez o maior sorrir com os lábios e descer a mão mais um pouco, alisando a camisa e chegando à cintura, pressionando-o contra si.

O ar do quarto ficou abafado de repente, Azin entreabriu os olhos, para ver os olhos de Jin abertos e sua boca tencionando descer dos lábios, depositando selos molhados em seu queixo e começando a morder cada pedaço de sua pele, criando uma trilha de mordidas e leves chupadas.

-Jin... -sussurrou, sentindo-o lamber uma parte em que tinha mordido mais forte, fazendo seu corpo todo arquear e suas mãos prenderem-se nos braços fortes.

Aos poucos, o ruivo foi pondo um pé na frente do outro, encurralando mais ainda o corpo e quando o outro percebeu, suas costas bateram forte, fazendo-o perder o ar por um mísero segundo. Olhou surpreso para o monge e esperava conseguir replicar algo, mas foi inútil tentar, pois se derreteu ao olhar para aquele rosto, perdendo-se nos vidrantes olhos cor de ouro, as bochechas vermelhas e a respiração ofegante... Muito ofegante. Os lábios estavam vermelhos e seu olhar era de tesão. Azin encolheu-se com o pensamento, sentindo os dedos em cintura apertarem-se e brincarem com a blusa, até que a adentrasse.

Ao fazer isso, o menor inclinou a cabeça para trás, sentindo-se impedido pela parede, onde toda a sua costa tinha apoio e praticamente se esfregava. Maldizia seu corpo que reagia muito facilmente a cada ação do mais velho e a cada segundo a ousadia de Jin, que não parava de entrar em sua mente com feições, gestos e palavras... Perversões...

Jin respirou o ar exalado de Azin indo até a orelha e respirando, mordendo a cartilagem por um momento, lambendo-a entre seus lábios úmidos.

-Hn...

As duas mãos, pesadas e morenas, explorando todo o corpo, acariciando desde o pescoço, descendo os dedos fortemente pelos ombros, braço, peito, esfregando tórax magro, seguindo pelo abdômen, cintura, deixando apertos fortes que resultaram em marcas vermelhas, atacaram os glúteos.

-H-HN, J-Jin!... -os dedos embranquecidos quase arrancaram os ombros do ruivo.

Os dez dedos do maior seguiam das laterais dos volumes por cima da calça branca até o traseiro perfeito, redondo, macio, e para Jin, mais do que erótico. Assim que os apertou, provando-se dele todo, Azin arregalou os olhos com os dentes rangendo, mas não de raiva, de excitação, as maçãs de seu rosto estavam tão vermelhas que sentiu sua virilha incômoda.

Azin não conseguiu tomar ar, apenas recuar ainda mais para a parede. O corpo de Jin se encostou ao seu, colando-os e juntando novamente os lábios enquanto seus dedos moviam-se sobre sua bunda e apertavam-se no vão, bem perto de sua entrada, o que o fazia gemer e suspirar nos beijos, acariciando-o até a base com a coxa.

Azin soltou as bocas, com um fio de saliva marcando sua ligação. Seus ombros estavam soltos, mas seu corpo embaixo estava tenso, suas coxas ardiam assim como suas orelhas e seus lábios queriam se saciar ainda mais. Estava cometendo um erro. Não era para chegar nesse ponto.

-Azin. -os olhos vermelhos focaram-se um instante apenas para ouvir. -Eu te quero...

“Não dói?...” Lembrava-se o menor. Ele se sentia tão ferido por isso. Essa dor foi coberta por um par de lábios doces e carinhosos, junto a um abraço.

Ele não era mole, assim por dizer. Azin não era fraco, nem influenciado por outras pessoas. Ele conhecia os humanos. Ele era único de seu jeito. Era especial e sabia disso. O problema acima de tudo era esse, não saber como reagir ao que não conhecia. Nesse momento, não se reconhecia.

A questão não era os outros, mas sim a si próprio.

Vendo-se livre dessa amarra imaginária que o prendia na ignorância... Ele voltou-se para o maior, que cuidadosamente tocava seu pescoço, onde estava a cicatriz. Compaixão.

“Ah... É isso.”

Jin sorriu levemente, depositando mais uns beijos naquela área. Podia dizer que já não o odiava tanto. Não o odiava, nunca foi assim. Jin apenas sentia que não era aceito por seguir o caminho correto.

“Sei que o que passou, passou... Mas, deus, por favor... Não deixe que ele passe tão facilmente.” Azin sorriu perversamente em troca, puxando-o para mais perto.

Dali, as mãos do menor correram pelo tecido da regata escura, ambos roçando-se fortemente contra o outro, apartados pela falta de ar.

Com um movimento lento, Jin foi trazendo o corpo consigo, caminhando pelo quarto e chutando a porta forte apenas o suficiente para que ela fechasse com o trinco. Sem parar os chupões, que distribuía ao tempo que Azin espalmava as mãos em seu peito cheio, seus dedos subiram pelas costas que ficavam meio às mostras e levando a camisa junto.

Azin ofegou sobre seu rosto, também adentrando os dedos por debaixo dela e marcando a pele firme.

Quando Jin, com o canto dos olhos, viu a cama perto, deixou o que fazia para agarrar os pulsos finos e lança-lo sobre a cama. Lança-lo, diga-se de passagem, mas o jogou repentinamente, ainda que com uma delicadeza que não fazia ideia que possuía.

A batida com o colchão espaçoso e fofo fez o albino ficar vermelho e calado. Ficaram se fitando uns instantes.

A mão do menor se encontrava do lado da cabeça, a qual Jin instintivamente tocou.

A sensação das duas mãos era totalmente diferente... Macia e dura. Pálida e morena. Pequena e grande. Delicada e pesada.

Ambos levaram os orbes para elas, juntando as palmas num ato de curiosidade. Dali, eles só podiam enxergar com algum pouco de luz. O dia terminava quase completamente e eles estavam respirando baixo, num silêncio que tomava tudo em volta e atravessava seus interiores alimentando seus desejos ainda mais.

Os dedos mexeram e se entrelaçaram uns instantes, até que voltassem a se beijar e o crepúsculo terminasse completamente, livrando-os daquele dia tão cansativo.

Junto com as mãos a camisa do mais novo passou pela cabeça, bagunçando seus cabelos brancos repicados nas pontas, expondo o peito branco e, como Jin adorava, marcável e sensível.

Sua respiração tocou os mamilos ao se inclinar até eles, sob a visão irresistível do albino, e depositar um pequeno beijo, em seguida abrir os lábios e abriga-los com o calor de sua boca, atiçando-o com a língua que deixava a saliva expelir e se espalhar, chupando-a de volta depois.

-N-Naa! -exclamou o albino, virando o rosto para o lado no travesseiro, os calafrios o deixando ainda mais enrijecido.

Jin deixou sua mão direita descer pelo abdômen liso, causando espasmos deliciosos no menor e tocar os dedos o volume no meio das pernas. O ryujin perdeu o senso de razão naquele instante, dobrando as pernas e gemendo alto, com o membro endurecendo todo com a realização daquele toque enlouquecedor.

Mordendo o outro mamilo, apertou o volume, esfregando-o mesmo por cima da calça, conhecendo o tamanho, onde se encontrava a glande e apertando-a da melhor maneira que podia, no passo que chupava a clavícula do outro e mordia os ombros, sem parar com as carícias.

-Hn... Ahn- ahh... Nn... J-Jin...

Cada som fazia o monge ficar mais impaciente, deixando a mão que apertava o peito se afastar e pousar em sua própria calça, acariciando-se também.

As vistas de Azin se estreitaram com a visão daquele ângulo. Afastou as coxas, tanto para receber melhor a carícia tanto para poder ver melhor como a mão do ruivo acariciava sua virilha com vontade.

-Haa... AHH! -Azin fechou os olhos ao sentir a barra da calça simples ser abaixada junto com sua boxer até um pouco abaixo da virilha e deixar ao ar livre seu membro pulsante ao qual a mão prestativa do maior tomou delicadamente entre os dedos apenas na glande.

Médio, livre dos incômodos pêlos, a glande avermelhada, o corpo branquinho e macio, durinho e excitante. Jin engoliu a saliva, sentindo-se entorpecido por estar por cima daquela situação, vendo a expressão submissa que nunca tinha visto e algo mais que fazia seu peito esquentar.

Os dedos envolveram o corpo do membro, movendo-se lentamente, a pele seguindo o movimentando e os gemidos intensificando o nível sexual em que já estavam. Com o movimento de descida e subida, o menor encolheu os ombros contra o colchão, respirando muito forte, seu rosto muito quente e seus dedos arranhando o lençol da cama, puxando-o ao que seu pênis era estimulado e os gemidos contidos do ruivo também chegavam aos seus ouvidos. O desejo nublou no mesmo momento todos seus pensamentos bons e ruins, aquele toque ágil e prazeroso roubou sua atenção por completo junto com aquela voz grave.

O menor atreveu-se a olhar a cena, quase vendo tudo desfocado, apenas o prazer subindo e seus nervos ficando descontrolados, com a mão de Jin abaixando a própria calça e massageando o volume por cima da boxer branca. Os olhos dourados estavam focados na masturbação e o pré-gozo do albino escorrendo até seus dedos. Os dois com as respirações falhas e o cheiro chegando até seus narizes. Como era bom...

Com um suspiro alto, o corpo do menor tremeu forte. Jin abriu os lábios, soltando um gemido estrangulado para o lado e apertando o membro úmido em sua mão enquanto apertava o seu próprio.

-Ji-Ahn... -Azin sentou-se devagar, lutando para suas coxas não cederem com a tremedeira que as consumiam. Suava pelas dobras do corpo, atrás dos joelhos, virilha, testa.

Jin soltou-o para subir na cama com as pernas dos lados e não tardar a tomar seus lábios com volúpia ao que suas mãos afastavam os fios de cabelo tão sedosos e finos para trás, explorando toda a boca.

O menor, sem muitas reações a não ser a intimidade latejando e suas coxas esfregando as laterais do ruivo, o qual só excitava ao sentir nervosismo do ryujin, conseguiu mover as mãos pela regata e chegar até a barra, mostrando sua intenção de tê-la bem longe dali.

O maior arfou ao tirar a camisa e sentar-se em cima do colo do menor.

-Aah, J-Jin, não... O que...

O ruivo deu um sorriso de canto, contendo-se em lamber os lábios com a visão esplêndida. Apesar de tudo, estava em seu limite. Sentia seus pontos nervosos tremulando e sua boca salivava diante à perfeita criatura... Azin era tão contraditório que chegava a ser excitante. Tão irritante, sarcástico e orgulhoso, mas desse jeito ficava doce e tão submisso que era humilhante. Contudo, isso não era defeito, Jin gostava disso.

Pressionando seu quadril no do mais baixo, Jin usou-se de suas coxas para roçar o membro exposto e ereto do menor contra o seu ainda coberto pela boxer. Os lábios de Azin retorceram e abriram, gemendo alto, e tentando tapar aqueles sons com a mão. Adorável.

Segurando as mãos, Jin as afastou e moveu-se para cima, pondo-se de joelhos e apoiados nos cotovelos, deitado sobre o peito pequeno e pouco espaçoso do menor.

-Você é pesado... -reclamou, com os olhos ainda desfocados e a respiração muito falha. Seus dedos finos passando entre os fios vermelhos com cuidado, mas com intensidade.

Jin riu sobre seu pescoço e mordeu-o de leve, afastando o corpo do de Azin uns centímetros, com uma das mãos abaixando sua peça íntima e calça um pouco para expor sua ereção.

Azin trincava os dentes enquanto olhava para baixo, para Jin massageando seu membro e esfregando-o no seu em provocação.

-Hn!

Jin fez com que Azin sentasse com o ruivo ainda sentado sobre o menor, e juntou suas ereções, envolvendo os dois pedaços de carne de sangue concentrado com as duas mãos e masturbando-os.

Azin arqueou as costas e afundou os dedos no pescoço de Jin respirando rente à sua clavícula.

-JIN! J-Jin... Nn...

Após alguns segundos de incansáveis gemidos e grunhidos e longos beijos molhados, Azin perdeu o fôlego e seu interior explodiu em prazer tão forte e repentino que caiu para trás.

Seu braço se pôs sobre o rosto, imaginando o que veria se ele não estivesse ali. Não era suficiente... Para ele, mesmo sendo tão bom apenas isso, não era suficiente. Jin devia estar se segurando também. Tanto que assim que engoliu a saliva, descobrindo os olhos, viu o ruivo com o olhar brilhante e fixo, apenas esperando, com as mãos dos lados de seu corpo.

-A-Azin... -gaguejou o mais velho, não sabendo o que dizer apesar de achar necessário. Se eles fossem fazer sexo... Muitas coisas ficariam estranhas.

-Hmm? -Azin indagou notando a mudança de sua voz, saída do fundo de sua garganta seca.

O monge perdeu as palavras. Seu juízo sumiu com o piscar dos olhos e seus braços tomaram as pernas brancas e roliças.

-Jin? -Azin o observava esticar suas pernas e agarrar sua calça e cueca paradas nas coxas. -Q-QUE!

O ruivo não lhe deu tempo, apenas as puxou, tirando-as completamente ao tempo que Azin se arrepiava tanto que gemeu se encolhendo depois.

-S-Seu pervertido! -proferiu em tom alto, deixando seu rosto virado para o lado e seus braços abraçando seus joelhos.

O maior riu graciosamente, ficando em pé. A ação chamou a atenção do albino e lhe restou ver como o ruivo abaixava as calças num movimento simples e retirava o restante da boxer branca, deixando-as no mesmo lugar.

O peito de Azin tamborilou com a visão e quase saíram fumaças de seus ouvidos, além de seu nariz e suas orelhas arderem muito.

-A-Ano.. J-Jin... HM! -o menor foi interrompido pelas mãos fortes que seguraram seu rosto e pelos lábios que envolveram os seus com verdadeira paixão. -Hmf... Hn...

Jin se esqueceu de tudo. Tudo o que passou na mão daquele pirralho desde que o conheceu. As lutas, os insetos e animais espinhentos que jogava em sua cama, os xingamentos e os apelidos... Esqueceu-se mesmo até de que seu nome era o mesmo que o de seu mestre. Doía? Já não mais.

Jin sorriu entre os lábios e desceu as mãos por aquelas esbeltas costas apertando-o em todos os lugares possíveis até alcançar novamente os glúteos que tanto apreciou. Ao chegar ao vão das formas redondas e macias, dedilhou-o até encontrar a entrada enrugada, que ao contato se contraiu fortemente, praticamente sugando seu dedo.

-Nhg! -Azin escondeu seu rosto no pescoço do maior, abraçando e roçando suas ereções novamente, sentindo uma nova sensação com aquele toque tão atrevido.

O monge apenas continuou, provando do calor e do cheiro que alcançava suas narinas. O cheiro impregnado do menor, do orgasmo que ficou em seu baixo ventre e abdômen com manchas brancas de consistência branca e com um forte cheiro sexual.

O indicador circulou-o enquanto a outra mão puxava a nádega, movendo-a entre seus dedos. Ah! Seu pênis doía de tão gostoso que era desfrutar do corpo do albino.

Assim que sentiu a pressão das mãos leves descendo por suas costas com as unhas, Jin não pode evitar um gemido e adentrar o dedo indicador até a metade no ânus difícil e avermelhado.

-HNG!! J-... Hm-... Dev-agar... -o outro pediu baixo, apertando-se contra o ruivo.

Os cabelos brancos foram empurrados para trás, úmidos e já grudando na testa. A ardência que o tomou no primeiro momento o fez suspirar baixinho várias vezes até se acostumar com os movimentos que o mais velho lhe impunha. Por que tudo lhe parecia não incômodo como tudo que fazia com ele? A partir daquele dia, Azin nunca entendeu, mas sentiu-se grato ao seu falecido mestre por terem se conhecido.

-AHH!

No segundo dedo, no primeiro movimento mais fundo, Jin ficou preocupado. A expressão de pura dor não conseguia se extinguir com nenhuma masturbação, nenhum beijo. Azin já tinha lágrimas e era claro que as segurava com muita dificuldade. Aquele corpo tão pequeno não suportaria grandes coisas.

-Azin, se quiser parar, eu-...

-Cale-se. -mandou, com os olhos apertados e as unhas arranhando seus braços. -Faça logo.

Jin uniu as sobrancelhas. Não queria machucá-lo de forma nenhuma, não era necessário. Ele poderia esperar (ou não ¬¬).

Impossível mesmo era enfrentar Azin quando estava decidido como agora. Os olhos apertados e os dentes rangendo, os dedos com os nós brancos, puxando a nuca de Jin tão forte que excitava ainda mais o maior.

-Hn... -Azin uniu as sobrancelhas ao sentir a glande tocar sua entrada superficialmente e forçar um pouco. Jin respirou fundo, tentando manter o silêncio para se concentrar, só que olhando do seu ponto de vista não tinha como se segurar.

A temperatura elevada do canal lentamente o envolvia de acordo com que forçava, movendo-se em círculos bem cuidadosamente, mesmo parecendo inútil com as lágrimas correndo pelo rosto arredondado e fortemente corado de seu parceiro.

-A-Ah... -Jin mordeu o lábio ao tentar adentrar mais da glande. Aquele músculo praticamente o sugou, o apertando em toda a extensão. Foi quando o ruivo gemeu alto e segurou a coxa do ryujin, empurrando todo o membro adentro junto com um grito cortante do albino, que cobriu o rosto com os braços e ficou gemendo com a dor.

A brisa do início de noite estava quente. Jin tocou um dos braços levantados e acariciou-o.

-Azin. -chamou com a voz quase desaparecendo, o suor escorrendo sua bochecha.

Ambos estavam tão excitados mesmo no inicio, com os fios de cabelo abaixados pela umidade, os rostos muito vermelhos e os olhos afilados, desejando-se.

O menor o olhou com os olhos ainda lacrimejantes.

-I-Idiota... Isso dói pra cacete!!

O ruivo não deixou de se inclinar para afogar aquela boca suja e gostosa. Acariciando o peito do albino com beliscões, puxando os mamilos e mordendo seu pescoço, enquanto quadril movia para frente e trás de leve.

-Hn! -Azin gemia, abrindo as coxas para sentir mais do movimento e do toque do abdômen forte esfregando seu pênis novamente ereto. -Jin... Haa! Aw...

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As lágrimas salgadas desceram todas até não sobrar nenhuma, só a luxúria nos olhos sangue. Jin beijou-o, intensificando a penetração tanto quanto gostaria, experimentando toda a extensão quente e secamente deliciosa.

-Arde. -Azin ofegou em seu ouvido, arrepiando-o, e o fez arfar quando mordeu o lóbulo de sua orelha. -Hm.

As mãos branquinhas e tão lisas seguraram nos cabelos e nas costas, incitando Jin a ir mais rápido. O mais velho respondeu com uma forte investida, tocando ao fundo.

-AH!! J-JIN! -o outro virou os olhos, deixando a saliva escorrer pelo pescoço do ruivo, arranhando suas costas com força com uma mão e com a outra puxou tão forte o cabelo vermelho que o maior inclinou a cabeça para trás, impulsionando o quadril uma segunda vez mais forte.

-Han... -o monge gemeu, penetrando o albino que parecia ter se acostumado com o volume mais velozmente.

-NNGH... -o albino soltou o corpo de Jin para se apoiar nos cotovelos e sentar-se, lutando contra as batidas do mais velho que vinham fortes e certeiras tirando todas as suas forças e arrancando seus mais agudos gemidos e audíveis gritos.

As mãos do maior seguravam sua coxa e cintura, o cabelo se movendo a cada estocada. O menor tocou seu rosto, sem parar com o ritmo e apertou as faces entre seus dedos, como se não quisesse deixa-lo escapar. De leve, juntou suas bocas e moveu-as, com mais suavidade do que planejava.

Reagindo àquilo, Jin apenas deixou-se levar e subiu as mãos até as costas enlaçando-o e trazendo-o sentado para seu colo, continuando a mover-se com menos rapidez, mas a mesma intensidade.

Tudo era envolvente neles. O cheiro, a forma com que deslizavam um sobre o outro e as línguas dançavam no ar e dentro das bocas, mordendo os lábios e atiçando os corpos com os dedos.

-Naa... ya-aa...

Azin se retorcia sobre o maior, movendo o quadril contra ele. Sentir algo tão latejante e grosso entrando seu íntimo tão apertado, tocando naquele ponto e sempre o empurrando forte, ele não conseguia suportar tal prazer.

Entre eles, a mão de Jin apertava o membro do ryujin, vez em quando descendo para apertar de leve seus testículos e voltando para cima.

-AH! Jin!... Ji-in... AHH, eu vou... Tá... Vindo... -sussurrou, seu corpo todo tenso apoiando-se no maior para logo depois gemer alto.

O ruivo enterrou seu rosto no pescoço alvo, mordendo-o, escondendo seu gemido de total satisfação naquela hora.

Cada ação parou naquele segundo. Azin parecia ter paralisado em seu peito, deixando as mãos apoiadas na cintura do ruivo, enquanto este acariciava sua nuca. A respiração dele se normalizava, mas seus corações continuavam tão acelerados quanto ainda estavam fazendo sexo.

Do ânus do albino expelia a consistência dos orgasmos do ruivo, já exausto. Azin a sentia escorrer aos poucos da abertura ainda preenchida pelo corpo do membro de Jin, quente e com um cheiro forte e doce. Tinha se excedido.

-Ei. -chamou o menor com a voz num fio.

Jin proferiu um “Hm?” e o albino sorriu pequeno, soltando os braços e deixando o ruivo segurar seu corpo até deitá-lo, pondo sua cabeça no travesseiro e deitar de lado, com um braço acima de sua cabeça, mexendo em sua franja repicada.

-Dê-me aquela faixa. -pronunciou o albino o olhando firmemente, como se mandasse e não pedisse.

-Faixa? Aquela branca?

-Sim...

O ruivo riu de canto. Trouxe a mão para a bochecha que voltou a corar. Seu sorriso encantava, Azin se deu conta nesse momento e por isso desviou os olhos, adorando a sensação daqueles dedos brincando com sua pele.

Jin deixou um beijo em sua bochecha esquerda. E apertou a direita.

-Como você é fofinho. -riu o maior, vendo Azin se arrepiar todo e tentar golpeá-lo, sem sucesso. -Não adianta, você vai perder de novo. Tem um grande caminho para percorrer, Azin.

Riu o maior todo pomposo. Azin bufou. Ao ver isso, Jin juntou suas testas, puxando um lençol para cima de suas cinturas.

-Claro que eu te dou a faixa. Por enquanto só durma, Azin. -o ruivo roçou seus narizes. Pareciam dois apaixonados, o que certamente era estranho para duas pessoas que se odiavam com unhas e dentes.

Azin fechou os olhos, torcendo para que quando acordasse fosse tudo só um sonho idiota.

Até parece... Ele e Jin...

Definitivamente impossível.

Fim

Notas finais
YOSU! NÃOOOOO, NÃO ME TAQUEM PEDRAS!!!
*Barreira da Tempestade on* Ah, é uma droga, não vai me salvar mesmo. Vou me arriscar:
Olhem, eu estive ocupada (ô, muito ocupada postando 2 histórias novas). Mas eu vou dar um bom motivo para essa demora toda:
Bloqueio. Sim, bloqueio total. Não, total não. Eu estava escrevendo uma parte por dia, mais ou menos 1.000 palavras e ficou desse tamanho.
Eu achei que meus 3 últimos lemons não corresponderam com as expectativas e eu falei: Isso tem que acabar! Mas também significa que a postagem demora MUITO MAIS também.
É que sabem, fazer tantos lemons um atrás do outro acaba com sua criatividade, e deixa você meio... (já sabem, pervertido além da conta). Então eu todo dia me pegava pensando Deus, o que foi que eu fiz?! Vão me chamar de maníaca! e eu me culpava dia após dia até desistir e me assumir como pervertida.
Enfim, desculpem a demora. Eu não sei se ficou bom, só sei que bati o recorde de tamanho até agora POR POUCO DEMAIS então deem um crédito aí, meus dedos latejam (doem hehehe).
Reviews aí? Não se vinguem de mim please, deixem os reviews T-T.
Jaa minna! Até mais e muito muito obrigada por lerem até aqui :).