YStage
5 05YStage: Blackjack
Notas iniciais
...
As sobrancelhas marrons se juntaram um pouco ao olhar para as três cartas. Um suspiro leve. Um fechar dos olhos escarlates. Os dedos se movimentando sobre o papel branco com os desenhos perfeitos de um 7 de Paus, 1 Rei de Ouro e um Ás de Copas.
Havia uma bolsa de couro em cima de uma mesa de bilhar onde estava sentado, as bolas coloridas perfeitamente arrumadas dentro do triângulo.
Visto dali, o local estava um pouco movimentado do que o normal, os sons de vozes fazendo apostas nos balcões e nas mesas de rodas de Poker. Os Caça Níqueis apresentavam os mais variados tipos de pessoas que vinham tentar não gastar muito dinheiro ou se arriscar nos jogos de grupo.
Cheiro de charuto e cigarros, uma mistura de tabaco e incenso no ar. As luzes de luminárias bem posicionadas permitia ao ambiente uma visão amplificada dos chefes de mesa e dos seguranças.
As rodas de sorte giravam. As bolinhas caíam em números variados decepcionando os jogadores. Tudo ali fazia som. Todo o jogo havia uma pessoa falando e se empolgando demais ou de menos.
As sobrancelhas marrons pararam de se franzir e encararam o chefe de mesa que estava jogando com ele.
–Blackjack.
O homem entreabriu os lábios. Era um rapaz de cabelos negros penteados para trás, mas via-se que os fios eram arrepiados. Os olhos eram medianos em tamanho, não muito gordos, numa cor mel tranquilizante. O rosto era fino e infantil.
A pessoa ficou ainda mais assustada ao ver as cartas estendidas. Suspirou. Em seguida fitou o moreno ainda sentado e sem mudar a expressão.
–Tudo bem. Você venceu. Mas apenas dessa vez.
A voz do rapaz era suave e melódica. Por ela Lupus já sabia qual seria sua idade. A questão em si era que a bolsa de couro onde provavelmente estava o dinheiro, não era de Lupus e sim do outro.
–O pagamento. –o rapaz estendeu a bolsa, vendo que o cliente nem tinha se dado o trabalho de se levantar para sair ou ao menos pegar a bolsa.
Diga-se de passagem, “cliente”. O moreno entreabriu os olhos novamente para então segurar a bolsa com muita má vontade e, seguindo seu instinto, com a outra mão segurou o pulso do rapaz e o puxou com força, fazendo-o se inclinar tanto sobre a mesa que quase ficou deitado.
Com os olhos mel bem perto dos provocantes olhos escarlates, o rapaz não se conteve em se envergonhar. Um olhar tão intenso e felino como aquele... Não era humano.
–Você acha que vai escapar.
Ah, aquilo era uma afirmação. O moreno desviou os olhos, incomodado com as palavras sussurradas tão perto de seus lábios. Podia sentir o cheiro natural do cliente. Aquela pele morena exalava um perfume exótico provindo de algum lugar desconhecido. Era como se aquela “pessoa” conhecesse o lado sombrio das coisas, como se ele fosse perigoso. Atrativamente perigoso.
Sentiu os dedos enluvadas segurarem sua gravata do uniforme e puxá-la lentamente para então segurar seu queixo e virá-lo e sua direção com lentidão e suavidade.
Os lábios dele brilhavam. Lábios grossos e olhos que transmitiam a mais pura confiança. Não. Aquilo não era confiança. Estava mais para alguém que sabia que teria sempre o que desejava. Certeza. E, naquele momento, o chefe da mesa cerrou os olhos para sentir uma mordida leve sobre seus lábios esbranquiçados e finos.
Assim que o sentiu se afastar, o rapaz de olhos mel abriu os olhos, com o rosto quente como nunca e seu baixo ventre tremendo com aquelas ações. Excitação pelo olhar, hâ? Não é qualquer um que consegue um feitio desses.
O cliente piscava lentamente e não se mostrava abalado com nada. Pegou a bolsa e balançou-a nos dedos antes de olhar para o rapaz com uma expressão sarcástica, os lábios formando um sorriso de canto quase imperceptível.
Bem. Aquilo seria o máximo de emoção que poderia ver do cliente que percorria aquele cassino há meses.
–Vou indo. Nos vemos amanhã. –e saiu acenando enquanto segurava o casaco vermelho nos braços.
O chefe da mesa voltou a assumir uma postura mais respeitável, notando a situação em que havia ficado. Corado, voltou ao seu trabalho, indo atender outros que chegavam sem muita pressa e empolgados por um bom jogo.
“Esse jogo foi pessoal. Não foi pago com o dinheiro do Cassino, mas com meu próprio dinheiro. Ainda assim, sinto que ele é inalcançável. Eu só posso ser um idiota mesmo.” Pensava o rapaz de nome desconhecido enquanto atendia um senhor.
Saindo pela porta, sem ao menos ser escoltado como deveria, o moreno vestiu o casaco percebendo a temperatura fria da madrugada formada do lado de fora dos aquecedores. Respirou soltando o gás carbônico quente contra o oxigênio frio. Suas mãos pousaram nos bolsos e ele voltou a caminhar para longe. Já estava atrasado.
Enquanto seus passos faziam barulho no chão de paralelepípedos, seus olhos piscavam muito pouco, nem demonstravam cansaço. Andar fazia-o bem. Podia sentir seu próprio corpo trabalhando sem excesso, cada músculo despontado na roupa, cada batida do coração, o sangue correndo devagar pelas veias, as plantas dos pés tocando o chão e sentindo a textura rígida do cimento. As moléculas pareciam se juntar com o toque daquele frio de madrugada, os pêlos arrepiavam um pouco e a sensação que sentia ao ter a brisa gelada tocando o rosto com a visão rara da cidade vazia criava boas lembranças em sua mente.
Os poucos sons vinham de passarinhos empoleirados em ninhos nas árvores que se estendiam pelas ruas, fazendo ruu-ruu baixinho como se tentassem se aquecer aos parceiros e filhotes. Havia um rio que cortava Serdin naquele lado da cidade, uma ponte grande e larga fazia com que muitas pessoas passassem por ali apenas para observar a água passando e tirar fotos. Ali mais à frente havia uma grande fonte que os cidadãos gostavam de sentar, lá também ocorria muitos eventos importantes por ser espaçoso e agradável. Depois de passar pela fonte vinha a área comercial, o shopping, as lojas espalhadas, a grande rua que as cortavam era tão grande que poderiam passar escolas de sambas que não haveria muito problema.
O moreno de orelhas um tantinho pontudas observava todo aquele exagero imaginando o quanto aquele lugar poderia crescer ainda.
De onde ele vinha espaço não faltava, mas como bem sabia, não era um lugar tão bonito como aquele em que estava.
Pensava atualmente em algo. Se dizia que vinha de uma tribo, automaticamente podia ser relacionado com selvagens. Era estranho pensar assim, mas de certa forma não é verdade?
Para alguém que o olhasse seria fácil compará-lo com um asmodiano, mas se não, era chamado de esquisito.
Omitia a verdade regularmente. Falava que veio de um lugar muito distante e era assim que eram lá. Não era mentira, mas se alguém perguntasse de onde, ele não via opção a não ser ser rude.
Podia ser uma preocupação boba, mas ele definitivamente não aceitaria ser chamado de asmodiano, ou esquisito. Para ele, as pessoas deviam cuidar de seus narizes antes que levassem um tiro (seu). Pois Lupus Wild era superior.
Seus olhos piscaram mais uma vez com um suspiro ao avistar o lugar ao qual devia chegar. Uma grande vontade de dar meia volta e se encontrar com aquele rapaz na saída do trabalho para perturbá-lo o tomou, o fazendo parar de andar.
A grande sede há alguns metros visava bandeiras e estandartes longos. O prédio estava em reforma em certa parte, mas agora estavam trabalhando na parte dos escritórios, então todos puderam voltar aos seus quartos renovados. Lupus ganhou um quarto só para si enfim. Já não era mais um hóspede. As janelas eram compridas e havia cinco quartos com sacadas.
Pensou mais uma vez antes de bufar e seguir em frente para mais uma tortura. A pior das torturas... Ficar na presença daquele grupo.
Seria melhor para ele se saísse pelos continentes em busca de uma alma infeliz com que pudesse brincar um pouco. Mas não. Mais de um motivo o prendia ali duramente, como se um grilhão o amarrasse fortemente naquele lugar junto a prisioneiros na mesma situação que si.
Assim que empurrou a porta deu-se com as costas de alguém. Alguém alto, centímetros mais alto que si. Os cabelos lisos roxos que pendiam medianamente pelas costas brilhavam um pouco, os chifres continuavam chamativos, estava com uma regata preta folgada e uma calça cinza de moletom.
“Ótimo.” Pensou Lupus estreitando os olhos com os lábios curvados para baixo.
Seus cabelos ondulados balançaram um pouco com um vento forte que gelou suas costas. Ao fechar a porta percebeu o corpo da pessoa à frente se virar para olhar o que fez o vento entrar daquela forma.
–Ora. Resolveu aparecer.
Foi tudo o que disse antes de mostrar uma expressão simples e puramente entediada. Bem, detrás daquilo Lupus conseguia ver uma fúria incontrolável querendo bater em si. Não para menos. No dia anterior ele foi designado para uma missão com Dio. E em seguida, depois de receber a ordem, deu as costas para Lothos e o resto da Grande Caçada dizendo: “Tenho uma caça agendada. E Dio não gosta de fazer missões em duplas, ele pode dar conta disso.”
Não era de fato mentira, mas deixou a comandante tão brava que começou a xingar o grupo inteiro e Lupus por seus defeitos inconvenientes, frescuras e egoísmo, falta de consideração. Lupus sentiu uma gota em sua testa ao sair dali... Lothos parecia estar bem perturbada com os problemas entre o grupo, as missões e a reforma. Muita coisa e mais sua Tpm.
Agora, como previa, Dio estava tomando uma bebida quente, parecendo exausto.
–Chegou agora?
–Uma hora atrás. E como foi sua caça?
Lupus torceu o nariz. Tudo bem, ele não foi caçar nada, mas estava mesmo com aquela data marcada para ir ao Cassino. Lá existiam incontáveis contatos especiais, boas pistas e também havia um vendedor maravilhoso de peças raras que podia proporcionar uma boa recompensa pela cabeça de alguns infelizes.
Apesar disso, ele havia conhecido aquele menino. Era novato, estava há um mês e Lupus se interessou repentinamente por ele.
Começou a frequentar mais apenas para fugir da GC e se divertir um pouco com o rapaz que era ótimo nos jogos e sem trapacear. O dono do Cassino também percebeu isso e deu crédito ao rapaz, deixando que ele tomasse conta de sempre atender Lupus, que era um cliente regular.
Pouco simpático, com seu jeito frio e sensualidade acima da média, Lupus conseguiu sem ao menos perceber fazer um coração mole se apaixonar. Quando percebeu, a primeira coisa que devia fazer era se afastar, para não criar falsas esperanças. Só que, em resposta a tudo, só sentiu mais atraído com o jeito do menino e apenas se envolveu mais, até o ponto em que eles deitaram juntos.
Lupus respirou fundo, passando por Dio, ignorando a pergunta. O asmodiano segurou seu braço, falando como se estivesse decepcionado.
–Ei, eu respondi a sua pergunta. Responda a minha pelo menos, ingrato. Não teve caça porcaria nenhuma não é?!
Lupus soltou seu braço, olhando-o friamente. Ah, mas Dio não se intimidava com olhares frios, seus olhos ganharam um poder agressivo, quase brilhando, passando sua raiva.
–Que diferença faz? Você não queria mesmo fazer sozinho?
Lupus arrumou o casaco pomposamente, passando os fios castanhos excessivos para trás. Dio bufou para o lado, incomodado com as ações do Haros. Rapidamente Dio associava aquela situação ao que acontecia em colégios: ele era o riquinho arruaceiro que ia para a detenção todos os dias, Lupus era o mauricinho que se achava a última bolacha do pacote.
De certa forma, aquele jeito altivo de Lupus era perturbador. Até mesmo quando lutava, era possível ver a forma com que tudo o que fazia parecia ser mais sensual e perfeito que o resto. O estilo, a beleza de um Haros tão poderoso. A forma dura com que tratava a tudo e todos, como se sua ganância fosse ainda mais forte do que a dos asmodianos. Talvez isso acontecesse por vir de um lugar como o Submundo.
Imagine... Guardar os Portões do Inferno...
Os olhos não apresentavam nenhum traço de piedade ou compreensão. Nem mesmo serem mais próximos a si do que aos humanos, Dio ainda podia notar que em Lupus não havia nada a não ser a submissão ao Hades. O resto era desprezado. Era como se ele fosse algo como um deus menor.
–Você não lê pensamentos. Quando eu quiser, eu direi algo. Não fale pelos outros como se entendesse.
Lupus apertou os olhos, ignorando finalmente o asmodiano e dando as costas para se dirigir às escadas.
Sem fome, sem paciência, foi para seu aposento sem olhar para ninguém em especial. Afinal, porque aquelas pessoas estavam acordando tão cedo?
–Lupus... Onde está indo? –perguntava sonolenta a rosada que não perdia uma chance para abrir a boca para falar com alguém. Santa boca que falava essa!
–Dormir.
A rosada coçou o olho e se espreguiçou lentamente, fazendo-o franzir a testa, irritado. O que ela queria no final das contas?
–Ahnn... Lothos ficou gritando por sua culpa. E hoje tem uma reunião logo cedo. Ela disse que se você não estiver, ela vai mudar todos os quartos e vai fazer um corte nas despesas. Também disse que vai controlar os horários para sairmos da base. –Amy fez um bico. Ela com certeza não poderia ir ao shopping a hora que quisesse e por isso se inclinou a falar com Lupus.
“Mas isso não importa!” Lupus rangeu os dentes querendo sair daquele lugar no mesmo segundo. Como alguém poderia ser tão sujo assim? Cortar as despesas e controlar os horários? Ele era o quê?! O que aquela humana pensava que ele era?
–Vou resolver isso. -falou sem emoção nenhuma ao acompanhar a rosada de volta de onde veio. “Talvez seja por isso que aquele chifrudo está nervosinho.”
Em seguida...
–Não são aceitáveis essas exigências! –reclamou Elesis batendo as mãos na mesa assustando todos.
Após poucos segundos que Lothos havia começado, rapidamente a ruiva não se mostrou contente. Não mesmo com as coisas que ela estava pedindo.
–Que vergonha, Elesis. Como líder você devia entender! –discutia Lothos batendo a mão na mesa.
Elesis a enfrentou bravamente, reclamando do quanto era impossível eles dividirem horários para limpeza e para as refeições. Como era difícil compatir horários entre eles sendo que tinham muitos membros e TODOS tinham suas manias.
–Mas não é possível que vocês esperem continuar dessa forma!! Vocês são companheiros ou o que?!
–Estamos aqui por motivos próprios. Cada um tem sua razão para fazer parte desse grupo, não quer dizer que terei que fazer comida para o Ryan. –reclamava Sieghart também muito bravo com a situação.
–AH SIM! Então você, ò grande Imortal, não faz sua comida e não faz para ninguém. É justo que apenas o Ronan e a Lire façam a comida enquanto você fica de pernas pro ar bebendo feito uma vaca?! –Lothos segurava-o pela gola da camisa altamente estressada.
Não deveria haver salvação.
–Seria bom se todos fossem iguais à Holy. –comentou Arme com um sorrisinho maldoso.
A esverdeada ficou vermelha um segundo, envergonhada pelo elogio. Já os outros mostraram a língua.
–Não queremos ser inocentes!! Fique quieta, Arme!
Lupus observava calado as discussões que se seguiram, tentando ficar calado a cada comentário dito, berros e puxões de orelha e socos na fuça. Era tanta... Desordem.
Não poderiam eles serem corretos? Cada um faz sua comida. Cada um arruma sua bagunça. Cada um cuida de sua vida.
Suas sobrancelhas se juntaram tanto que ele olhou para baixo apenas pensando irritado que estava começando a ficar com sono. Tinha que suportar aquilo ali apenas para Lothos não fazer tudo o que ameaçou. Foi quando ouviu uma voz.
–Lupus, o que acha? Você não vai apoiar nossa causa?! AJUDA AÍ! –perguntava Lin.
–Isso mesmo, cara de pastel, fala alguma coisa! Todo mundo tem que entrar de acordo aqui. –Sieghart falava vermelho e possesso por Lothos estar ameaçando tirá-lo do próprio quarto.
–É! Lupus, você não quer que o Lass faça a comida né?!
Foi como acertar na ferida, Lupus fez uma expressão de nojo. Aquela comida insossa que Lass fazia sem sal e sem carne... O moreno odiava a alimentação daquele jeito, mas não era só isso!
Lothos exigia que todos participassem dos eventos que o reino promovia aos órgãos dependentes como os orfanatos e asilos. Também dizia que deviam aceitar as missões sem reclamar e lhe dar o devido respeito.
–Já chega, ele não fala nada mesmo. Lothos, não vai dar em nada, pare com isso. –Sieghart falava irritado.
–Então vocês vão mesmo ignorar o que estou MANDANDO fazerem?...
Todos menos Lupus assentiram.
–Muito bem. Adeus dinheiro. Adeus saidinhas. E adeus fechaduras.
–O QUEEE????!!!! NÃOOOO!!!!
Lupus se levantou da mesa, sentindo sua cabeça começar a doer. “Passar apenas meia hora com eles já é o suficiente. Não sei como aguentei quase quatro meses.”
Na verdade, todos os olhares direcionaram para si. Ele deveria estar péssimo se fosse se basear na expressão dos membros em volta da gigantesca mesa. Lothos piscou os olhos meio surpresa.
–Tem... Algo a dizer, Lupus?
–Vou embora. Com licença.
O moreno saiu da mesa, encostando a cadeira. No mesmo momento todos se entreolharam.
–Ele vai... Pro quarto? –Ryan arriscou.
–Baka! –Dio remetendo um soco na cabeça do alaranjado. – Ele disse que vai “embora”.
–Mas ele não pode. Mal acabou de entrar. –falava Elesis um pouco sem acreditar.
Ronan suspirou, parecendo preocupado.
–Seria muito ruim se ele saísse agora. Ele estava cobrindo umas missões que estavam atrapalhando nossos horários, fazendo tudo sozinho. Ele não diz nada pra ninguém, mas as missões mais difíceis que ele pode dar conta sozinho, ele faz imediatamente enquanto fazemos algumas missões urgentes e ao mesmo tempo damos conta da segurança da cidade. O suporte que ele dá, mesmo ele sendo do tipo ofensivo, está acelerando o desenvolvimento das missões desde que entrou oficialmente. Se ele sair esses problemas vão se agravar e logo chegará aos ouvidos das rainhas... Então iria soar bem mal. Antes já estávamos lotados e não conseguíamos fazer nada na hora.
O azulado falava tudo com uma gota sobre a testa. Era verdade, ele pesquisou e uma vez passou por uma cidade, vendo os trabalhos de uma missão que Lupus tinha ido fazer sem avisar.
No mesmo instante, todos na mesa olharam para baixo. Querendo ou não, naquele momento crítico, Lupus não podia ir embora.
–Então... Quem vai falar com ele? –Elesis pronunciou com a voz baixa.
O problema maior viria agora. Conversar com ele. Quem teria er... “Tato” para conversar com alguém como Lupus? Ninguém o conhecia bem.
Todos suspiraram.
–Pensem logo, ele não deve ter muita coisa para por na mala. –Lothos cruzou os braços um pouco séria.
–A culpa é sua Lothos! –Sieghart apontou.
–Não, não é. Agora alguém se disponha por favor?!
Dio bateu as mãos na mesa, já irritado o suficiente. Ele não suportava a dificuldade que aqueles humanos tinham em solucionar os problemas. Nenhum deles pensava realmente em ir lá, ele estava certo disso.
–TUDO BEM. EU VOU, BANDO DE CUZÕES. –falou alto e com vários calos enfeitando seu rosto, já saindo da cozinha.
Assim que terminou de subir a escada, quase bateu-se de frente com o moreno. Ele estava normal.
–Ei, você vai mesmo embora?
–Vou.
–Olha, eu posso não ser o que esses idiotas chamam de sensato, e também não tenho amigos. Estou fazendo isso porque senão quem vai sair mal nessa história vou ser eu. Você vai ferrar com todos nós se sair agora.
–Sair da casa? Eu já não fazia nada antes. Que diferença vai fazer?
–Como assim? O Ronan acabou de dizer o que você faz quando some. Notamos que temos tido melhoras nos resultados mesmo sem termos feito nada. Soubemos que é você que está completando as missões por trás dos panos.
O moreno corou um pouco e deu de ombros, irritado.
–Eu não disse nada disso pra ele. Ah, não importa. Eu só não quero mais morar aqui. No fim, eu já estava querendo ficar num hotel ou alugar uma casa de uma vez... Eu estou com dor de cabeça e um pouco cansado. Não gosto de viver com outras pessoas.
Lupus mostrava uma expressão irritada demais, diferente do comum. Estava com um cachecol bege em volta do pescoço, devia estar pensando em procurar um lugar pra ficar. Mas, sobretudo, estava um pouco envergonhado com Dio falar aquelas coisas assim tão rapidamente.
“Maldito Ronan, falou isso para amolecer alguém. E o pior... Foi o Dio, esse chifrudo.” Pensava o moreno descrente com a figura do asmodiano embaraçado.
Dio ficou sem fala um segundo, apertando os punhos antes de recuperar sua postura para continuar a conversa.
–Ah, se é assim, vim à toa. –o maior deu meia volta.
Lupus piscou os olhos devagar, olhando as costas do mais velho. Estaria o rapaz realmente preocupado? Se não, porque ele não saía dali imediatamente?
O moreno colocou a mão nos bolsos, só esperando o arroxeado dar licença. Mas ele parecia barrar o caminho por conta própria. Sua mão direita pousou na nuca coçando o local e com a cabeça inclinada para frente. Os cabelos se moveram quando ele fez isso.
–Dá próxima vez que for dizer algo do tipo, seja mais claro. IDIOTA! –reclamou com o rosto pegando fogo ao virar-se e apontar para o mais baixo com a fronte franzida.
Lupus abriu os olhos mais um pouco, assustado com a reação. Pensou que Dio ia sair sem falar nada e agir com toda a agressividade de mais cedo. Não que se importasse. Mas assim... Lupus colocou o cachecol mais acima até tampar sua boca, para que Dio não percebesse que estava quase rindo.
“Mas o que? Por que estou rindo?” Lupus desviou os olhos, com os dedos machucando a palma de sua mão por dentro do bolso com a força que apertava.
–TCH! –Dio resmungou para o lado, estendendo a garra e puxando o cachecol envolto o suficiente para fazer Lupus dar dois passos desequilibrados para frente. Os olhos arregalados. -OUVIU?!
Lupus assentiu com a cabeça, não soube por quê. Apenas queria que aquele cara o soltasse e ele pudesse se desfazer daqueles pensamentos assustadores que apossaram sua mente de um segundo para outro. Tudo bem, ele ficava com caras... Mas para ser bem claro: ele era o que mandava. O ativo. O que ficava por cima. O “seme”.
“NÃO INTERESSA! EU SÓ QUERO IR EMBORA DESSE LUGAR INFECTADO!” Lupus se rebelou em sua mente, empurrando Dio (gentilmente) para soltar seu cachecol e sair andando rapidamente enquanto pensava em sangue e desmembramentos para tirar o vermelho de seu rosto.
Dio ficou um pouco perturbado com a reação. Pensou que Lupus ia fechar os olhos, suspirar e lhe dirigir umas palavras bem rudes como “Não te devo nada. Cuide de sua vida.” Sim, aquela parecia ser a frase que Lupus usava para se livrar de tudo. Mas desta vez não foi assim.
Dio ficou no topo da escada, vendo Lupus passar reto pela porta da cozinha, de onde os membros da Grande Caçada saíram para chamar Lupus, mas ele passou da porta de saída, deixando todos implantados e descrentes na frente da porta.
–QUE GROSSO! -Arme batendo os pés. -NEM DIZ TCHAU!!
–Haa...-Dio *gota*.
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Ah, já não importava. Não importava que tivesse ficado envergonhado.
Não fazia a mínima diferença. Ele continuava andando pela cidade sem rumo. Sua ideia anterior de buscar uma casa com uma placa “Vende-se” ou “Aluga-se” na frente, uma ideia tão simples e fácil, foi esquecida enquanto invadia uma loja de conveniência. Primeiro o café.
–Que horas são?... -resmungou irritado para si mesmo.
Foi com surpresa que uma pessoa colocou o rosto na sua frente, de forma brincalhona e sorriu.
–Cinco e meia da manhã!
–Uh?
Lupus não conseguiu evitar abrir a boca, o susto fora muito grande. Aqueles olhos mel, aquele rosto inconfundível!
–O que está fazendo aqui?! Não faz nem uma hora que nos encontramos!
O rapaz sorriu. Ah, ele era tão bonito e jovial... Mas as olheiras mostravam que estava muito cansado. Ele estava com o uniforme da loja.
–Não me diga que trabalha aqui. -seus olhos apertaram vendo o nome na ficha ao peito: Gun.
O rapaz deu mais um sorriso de canto. Era óbvio.
–Você é uma pessoa bem ativa. Não para nunca de trabalhar? -Lupus apoiou o rosto na mão enquanto via-o dar meia volta e ir até o balcão, pegando um copo de 300ml e enchendo de chocolate quente.
–Eu não sou um guerreiro, Lupus. As pessoas que precisam viver de modo normal tem que ralar muito. A minha especialidade é ser simpático, por isso eu consigo tantos bicos, mas não é suficiente. Você me contou que é um Haros. Não sei se entende o que quero dizer, mas eu realmente gosto de você. Só que definitivamente eu necessito mais de uma amizade do que uma relação que me trará prejuízos.
O rapaz se dava o direito de se sentar à mesa e conversar enquanto Lupus aceitava o chocolate quente, mesmo não gostando muito de doces. Gun era o típico rapaz sem muitos talentos além da beleza. Lupus gostava de ir ao Cassino por causa dele, era agradável tê-lo como companhia para conversar, apenas para observar, jogar... Porém, tê-lo na cama foi um dos maiores erros que Lupus poderia ter cometido.
“Seus olhos estão brilhando, Gun.” Lupus espremeu os lábios, os olhos demonstrando nada além de seriedade. O haros não poderia acreditar que fez um humano se apaixonar. Ele não podia lidar com isso.
–Não posso fazer nada por você.
O outro deu uma risada tristonha e se levantou, indo atender outra pessoa que tinha adentrado. Gun ainda antes de perguntar o que o cliente desejava, virou-se de lado e pronunciou alto.
–Poderia parar de ir até lá então. Seria melhor para nós dois. -ele falou e se virou para o homem alto prostrado a sua frente.
–Etto...Só vou querer dois cappuccinos para viagem.
Lupus terminou de beber o chocolate quente, mal prestando atenção nas coisas a sua volta, visto que a loja de conveniência estava vazia e apoiou a cabeça para trás na poltrona, resmungando.
–Gun, isso é impossível já que lá é um local que eu frequento a mais tempo que você. Não pode simplesmente pedir para mim parar de ir. Seu chefe também vai perguntar o porque disso.
O de cabelos negros atrás do balcão enchia os dois copos de 500ml e ria um pouco alto, ligando a televisão ao tempo que pegava um pacote para o cliente poder levar. O som do sino de entrada tocou mais uma vez e mais duas pessoas entraram.
–Dio!! Você tá demorando.
Lupus colocou a mão na testa e olhou para trás, vendo Dio pegando o pedido da mão de Gun e atrás dele a asmodiana e a baixinha da Arme Lupus sentiu sua cabeça começar a girar. Sem sossego parecia. Ninguém o deixava em paz!
–LUPUS!! Você não disse tchau. -Arme se adiantou até a mesa, sendo observada por Gun, Dio e Rey.
–O que esse macaco pelado está fazendo aqui?
Rey se aproximou com rudeza, segurando o Bastião no colo. Lupus estreitou os olhos. Não precisava de nenhum cãozinho para lhe infernar agora e muito menos dois asmodianos chatos e uma maga Lolita.
–Sumam. -e se virou para frente, colocando o copo vazio na boca, percebendo só depois que não havia mais nada para beber. -Gun, pega um café expresso pra mim e faz um x-burguer duplo.
Arme bateu o pé e se sentou em sua mesa. Rey ficou tentando puxar Dio para sair dali logo, mas negou, dizendo que precisava falar com o Caçador.
Gun parou na mesa, colocando o café e indo fazer o lanche. Seus olhos mel ficaram observando todos os clientes atuais na mesa do seu... Ex-amante.
Era muito estranho vê-lo cercado de pessoas. Aqueles de chifres eram asmodianos com certeza, aqueles que sabia que Lupus não simpatizava (na verdade ele não simpatizava com nada).
–Moço, depois pode fazer pra mim um suco de laranja? -Arme levantou a mão com um sorriso infantil.
Gun assentiu com a cabeça, pensando como aquela criança poderia estar falando tranquilamente com aqueles seres estranhos. Assim que chegou na mesa com os dois pedidos foi abordado por Rey.
–Que criança fofinha. Poderia servir de mordedor para a Mary. -Rey sorriu sarcasticamente para Dio e Arme.
O rapaz sentiu um frio gelado na espinha e olhou para Lupus que bufou, virando a cara.
–Deixe-o longe dessa coisa que chama de Mary. Ele não serve de mordedor. -Lupus falou baixo, dando uma mordida grande no seu precioso lanche. -Molho inglês.
Gun sentiu sua sobrancelha tremer. “Ah, desgraçado!” Quer dizer que se soltava mais quando estava num ambiente familiar? Gun não sabia que Lupus poderia sequer conversar normalmente do jeito que era sombrio e sensual.
–Moço! Moço!
–O nome dele é Gunster, Arme. -Lupus falou depois de engolir e sobrar um pouco de molho no canto da boca.
–Ah, desculpa. Meu nome é Arme. Esse é o Dio e essa a Rey. Vamos ficar um pouco por aqui.
–Ei, quem decidiu isso, tampinha? -Dio lhe apontou a garra. -Se esqueceu que precisamos levar o cappuccino da Lothos?!
–Tá, seu chato. Vamos Rey, a Mary parece com fome. -disse a roxinha mostrando a língua para Dio, em seguida terminando de beber seu suco. -Tchau, Gunster. Até.
–Obrigado.
Assim que as duas se foram, Lupus olhou-as sumir rua abaixo. Quando teve certeza, olhou para Dio que tinha ficado.
–O que ainda faz aqui?
Dio apertou os olhos.
–O Ryan acabou com o café da manhã antes mesmo da gente ver. Eu vou ficar pra comer, idiota. Por que mais? Quero cinco omeletes e um suco de limão grande. -Dio olhou para o rapaz de pé com os olhos tão brilhantes e assustadores que Gun teve que se virar rapidamente apenas para cortar o contato.
–Não o assuste, idiota.
–Não é da sua conta, idiota. Fique na sua. -Dio cuspiu com raiva. Ainda não havia esquecido o que aconteceu minutos mais cedo.- Pensei que ia direto procurar um lugar pra ficar.
Lupus olhou pela janela, mordendo o lanche mais calmamente. Estava imerso em seu mundo interno, pois agora tinha tempo de sobra para pensar o quanto quisesse.
–Não é da sua conta. Eu não queria ir agora, só isso.
Gun assistia a cena sem saber o que fazer. Eram estranhos e incompatíveis até o último fio de cabelo. Somente os olhos eram tão assustadores quanto.
“Esses caras são aterrorizantes.”
–Sim, claro. E deixar a gente para cuidar da Lothos depois que você fez toda a bagunça é muito justo.
–Não vou limpar banheiros ou cozinhar para humanos. Prefiro pagar um hotel e uma prostituta.
Dio bufou baixo enquanto Gun engolia em seco, pensando se eles podiam ler pensamentos e sentir o nervosismo das pessoas.
Lupus levou as órbitas na direção do empregado discretamente. O cheiro dele demonstrava que estava muito incomodado com a situação. Lupus fechou os olhos comendo até terminar. O gosto era tão bom, especialmente por ter sido feito por aquelas mãos. Aquelas mãos que correram seu corpo e tocaram-no de forma tão diferente.
Assim que lambeu as pontas dos dedos e olhou para Dio, viu uma expressão incrédula. O Caçador ficou um pouco confuso.
–O que?... -perguntou sem entender a cara do asmodiano.
–Você... Ah, esquece. -Dio começou a beber o suco que Gun tinha acabado de trazer.
Lupus deu de ombros, conferindo sua carteira.
–Gun... Tem troco para 50?
–Tenho. Você já vai?
–Sim, tenho que ver uma casa pra alugar.
–Alugar?! Você não disse que ia ser um hotel? -Dio interrompeu comendo os omeletes.
Lupus entregou a nota e esperou que Gun a trocasse. Apoiado pelo cotovelo no balcão apontou para o asmodiano.
–Se você for pensar bem, nem o salário da Grande Caçada consegue me manter num hotel. E o dinheiro das minhas caçadas está servindo para outro propósito. Sabe quanto custa minhas balas? -Lupus pegou o troco e colocou na carteira.
–É verdade. Mas quem manda você gastar as balas como se fosse água. Acho que se você parasse de usar um pouco as Golden Eyetooth e usasse um pouco mais a Kodachi teria menos prejuízo.
–Olhe quem diz... O cara que só tem uma foice velha.
Dio o fuzilou pelos olhos enquanto Gun fitava curioso e meio surpreso por estar ouvindo coisas novas sobre o moreno.
–Tch. Tenho mais o que fazer, chifrudo. Gun, nos vemos. -Lupus acenou, agradecendo pela refeição.
–Passa na base depois pra pegar uma coisa que a Lothos quer entregar. -disse com a boca cheia apontando o garfo com um pedaço de omoleto pingando molho.
Lupus fez uma cara enojada e deu as costas.
–Asmodiano nojento.
O som da porta fez Gun observar ele indo embora calmamente. Respirou fundo. Sobraram ele e o asmodiano que se chamava Dio.
“Nada contra, mas ele realmente dá arrepios.” Gun olhou de canto, depois prestando atenção na louça e na televisão passando a previsão do tempo no jornal da manhã de Serdin.
Dio terminou de comer depois de poucos minutos e agradeceu.
–Gun, não é? -perguntou com suavidade.
O de cabelos negros entregou o troco.
–Gunster. -falou no mesmo tom tentando ser educado.
–Ha? Você é amigo de onde do Lupus? -Dio perguntou se encostando de costas no balcão.
O rapaz engoliu em seco, sentindo algo perigoso naquela pergunta.
–D-De um outro trabalho. Desculpe, mas isso é pessoal então eu não acho que...-
–Que trabalho?
–Olha, moço...-
–Estou perguntando por que ele tem sumido muito e não pode fazer isso porque está num grupo de elite do reino. Pode por favor, responder? -Dio perguntou com a expressão mais brutal que tinha.
–É um Cassino. Ele gosta de jogar e lá tem bastante informantes. Só isso.
Dio se apoiou por cima do balcão e segurou o uniforme puxando-o para bem perto. Os olhos bem frente a frente.
–Você gosta mesmo dele.
No mesmo momento o mais novo ficou tão vermelho como pimenta e tentou se soltar. Sua expressão ficou agressiva.
–Ei, isso não é da sua conta! Me solta, estou no meu trabalho!
Dio sorriu achando graça, e o puxou com força para ainda mais perto, sua boca encostada a do rapaz, pasmado. Sua língua passou devagar sobre os lábios pálidos do humano, chupando-o em seguida, aplicando leves beijos sobre a boca.
Assim que o soltou, Dio viu uma pessoa completamente indefesa e que sofria por uma criatura sem sentimentos.
–Esqueça ele. Lupus nunca vai fazer além disso e daquilo. Enfie isso na sua cabeça: ele é um idiota que não se importa com ninguém além dele mesmo. Não se encha de ilusões.
Dio tocou o rosto do rapaz, contra sua vontade interna, mas enxugou uma lágrima que escorreu daqueles olhos tão inocentes.
–Até.
Dio deixou o estabelecimento com um aceno e um grande peso na consciência. Gun sentou-se na cadeira do caixa e respirou fundo na tentativa de se recompor, observando o noticiário.
XXXX YStage05 XXXX
Lupus observava as cartas novamente. Um Valete, uma Dama e um Ás.
“Que má sorte.”
Suspirou, se levantando da mesa. Nada naquele lugar mudou desde dois meses a não ser o fato de que nunca mais encontrou Gun em lugar nenhum.
Seu caminho foi feito novamente para a base totalmente reformada. Nada na cidade mais mudou, nem o som da fonte. Não que fizesse diferença, mas Lupus sentia como se tivesse destruído uma pessoa da forma mais terrível.
–Hmf.
Ele adentrou o prédio e aquelas costas estavam de novo na sua frente.
–Ah, voltou. -a voz grave passou por seus ouvidos de forma sedutora outra vez.
“Por que ele está assim durante todo esse tempo?” Lupus passou por ele.
–Sim, voltei. Estive buscando uma presa bem difícil dessa vez. -revelou, tirando o cachecol e sentando na sala despreocupadamente.
–O pessoal saiu em missão faz dois dias... Eu cheguei só ontem de outra missão. -Dio mostrou um bilhete.
Lupus o leu e depois devolveu.
–Esse lugar continua do mesmo jeito. Ainda tem comida na geladeira?
–Tem. Liga a televisão que eu não vou fazer mais nada hoje também. -Dio se espreguiçou, indo até a cozinha preparar alguma coisa.
Lupus tirou o casaco e a blusa, sentindo-se mais à vontade. “Chegou a época de calor.”
–Você se lembra daquele garoto da loja de conveniência de dois meses atrás?
Dio estava abrindo a porta da geladeira, mas parou no ato. Baixou os olhos. É claro que se lembrava dele. Claro que se lembrava de ter acabado com as esperanças de um humano tolo.
–Que tem ele?
Lupus encostou a cabeça no encosto do sofá ligando a tv e tirando os sapatos.
–Sumiu do mapa. Não o encontro de jeito nenhum desde aquele dia.
Dio apareceu na porta com uma garrafa de uísque e uma energética. Parecia estar muito sério para uma conversa casual.
–Que cara é essa? Você sabe algo sobre isso? -Lupus lhe perguntou levantando e pegando o uísque.
Dio deu de ombros, sentando-se onde o moreno estava antes. Estava com uma bermuda preta e sem camisa, os cabelos presos em um rabo de cavalo malfeito.
–Hm. Você disse algo pra ele.
Dio esticou-se olhando para a tv despreocupadamente. Lupus não precisava saber de nada, ele nem ligava pro garoto.
–Posso saber por quê?
Lupus sentou-se no sofá da frente tirando a rolha e bebendo um gole direto. Dio o olhou um segundo.
–Só falei que não valia a pena ele continuar se arrastando por você. Foi o que eu disse.
Lupus fez um “Hm.” Baixo e bebericou novamente, repetindo o movimento durante os segundos silenciosos seguintes até que as notícias começassem a ficar menos interessantes.
–Muda de canal.
Dio o fez, apenas para chegar a conclusão de que televisão aberta é a pior merda que existe. Lupus também estava entediado e seu único consolo parecia ser aquela única garrafa de uísque.
O asmodiano se levantou sentando do lado do moreno e lhe roubando a garrafa, bebendo até a última gota.
–Ótimo. Pode me dizer agora o que eu vou beber?
–Nada. A Lothos disse que chega hoje de tarde com o resto do grupo. Não quer que te veja bêbado não é?
Dio e Lupus se olharam um instante. Lupus afastou os pensamentos indecentes e voltou a fechar os olhos para se recostar melhor como se fosse dormir.
–Hm. Ele gostava de você.
–É. Eu sei.
–Por que ficou brincando com ele então?
–Não interessa. Eu gostava dele.
A voz de Lupus era um fio esgarrado pelo álcool. O haros esteve todo aquele tempo fora numa missão de longa duração. De início foi uma ótima ideia, pois não precisou procurar uma casa tão cedo, mas durou todo aquele tempo e ele não conseguiu manter contato com Gun, ele tinha sumido.
–De um jeito diferente de “gostar”. Eu fiquei com pena e mostrei pra ele a sua verdadeira natureza. -Dio falou sem muitas preocupações olhando o fundo da garrafa marrom, umas gotas se juntavam ao fundo.
Lupus abriu os olhos sentando-se reto de forma brusca.
–“Mostrou”? O que você fez, seu idiota?! E que “verdadeira natureza”?!
Dio deu uma risada maldosa.
–Nada demais, só beijei ele.
Lupus piscou uma vez, sem mostrar mudança de expressão. Os olhos com pupilas escarlates (assustador) estavam apenas curiosos.
–Ah. -e se encostou novamente.
O dia estava tão tedioso como nunca esteve, mas ao mesmo tempo, Lupus não sentia vontade nenhuma de ir atrás de alguma presa. Olhou para Dio. “Que cheiro forte que ele tem.” Pensou sentindo um perfume que normalmente sentia perto dos asmodianos com uma mistura de queimado.
As orbes desceram, observando os músculos delineados. Já tinha pensado nisso inúmeras vezes, mas agora era uma situação bem diferente: eles estavam sozinhos.
–O que foi? Ainda tá com fome e tá me confundindo com carne?
Lupus apertou os olhos, irritado com o tom de voz grave.
–Calado.
Dio segurou seu queixo. No mesmo segundo Lupus alcançou sua pistola, colocando-a embaixo do queixo do asmodiano com sagacidade. Exalava-se uma aura ameaçadora no local.
Não demorou um instante para que Lupus esboçasse um sorriso maléfico que era muito seu estilo.
–Oa. -Dio sorriu, sentindo o cano frio deslizar por seu pescoço.
–Esperto, mas não ache que vai conseguir algo de mim facilmente, chifrudo. -falou colocando a pistola sobre o coração do maior, que sorriu mostrando os dentes.
Lupus sentiu os dedos em seu queixo apertarem-se, então o haros forçou o cano no peito de Dio, mostrando que não estava para brincadeira.
–Ok. Pelo jeito difícil vale?
Quando o disse, Lupus sentiu sua arma voar, mas se manteve imóvel, com a garra em volta de seu pescoço.
–Tudo bem. Solte.
Dio sorriu sentindo-se vitorioso, sua garra deslizou para fora tomando cuidado para não machuca-lo por mais que quisesse. Comprar briga com Lupus era perigoso demais.
–Você o beijou mesmo ou o atacou? Responda.
Dio sorriu de canto. Lembrar disso era bom.
–Claro que eu só o beijei. Mas foi um beijo bom. A boca dele era bem macia e tinha um gosto diferente, deu vontade de morder. E foi o que eu fiz. -sorriu mostrando os caninos pontudos e passando a língua pelos lábios grossos.
Lupus riu de forma zombeteira, virando-se para Dio.
–Seu desgraçado. Você sabia que ele nunca tinha beijado alguém além de mim?
Dio arregalou os olhos, rindo.
–Verdade? Vi outras coisas, mas isso eu não sabia. -sorriu inclinando-se para bem perto do moreno.
Lupus o olhou no fundo dos olhos. Arroxeados. Dio era o tipo que ele mais odiava, intrometido, metido, másculo além do necessário e convencido. Só por que ele era o “príncipe do não sei o que”...
Dio sorriu vendo a falta de reação de Lupus. Aqueles lábios brilhantes e levemente entreabertos o chamavam. Sensual era a palavra que Dio usava para definir a parte sexual de Lupus. Não era tímido ou contido, nem assexuado e nem dado demais. Era só sensual, por sua seriedade e frieza, ou o formato dos olhos e o estilo. Lupus era sexy de qualquer forma que se olhasse e isso mexia com o demônio da luxúria de forma que nem conseguia imaginar.
Uma mão passou pela nuca, os dedos tocando os fios marrons ondulados com cuidado, e puxando-o de encontro a si. Sua boca tocou a dele, mais agressivo do que o usual. Lupus pareceu ter sentido a brutalidade e afastou o corpo, mas a cabeça foi mantida a força pela mão de Dio.
A língua adentrou sua boca em permissão, explorando seus dentes e massageando a sua própria, controlando a saliva, a mão em sua nuca apertou os fios com violência, puxando-o tanto que Lupus precisou abrir a boca quase até o máximo, sua garganta doeu.
–H-Hm!
Lupus apertou os dedos no ombro de Dio quando sentiu sua língua ser chupada, sua respiração ficou mais pesada de um segundo para o outro. Os dentes de Dio mordiam seus lábios sem machuca-lo, e os puxava e os lambia.
Não durou um minuto, Dio estava de joelhos sobre o corpo de Lupus, estendido no sofá. Lupus tinha as pernas dobradas, sem saber onde tocar direito, suas mãos perdidas nos ombros e nos braços excessivamente fortes do asmodiano.
–Ah...
Lupus passou a mão pela boca assim que se soltaram. Seus sentidos desfocados não permitiam que fizesse algo além de sentir um leve incomodo na calça.
Dio encostou seu rosto no do moreno. Seu nariz roçou no do menor e um sorrisinho se formou.
–Vamos, não vai doer.
–Claro que vai. -Lupus resmungou baixo, percebendo que não conseguiria ser o ativo. Antes ele ainda tinha ilusões de caso viesse a acontecer entre eles, ele dominaria o asmodiano, mas pensava seriamente no quão estranho isso seria. Ele até sentia ânsias. Mas se visse a situação ao contrário, ficava até curioso para saber como seria. Mas também estava pensando demais, pois nem tinha certeza que um dia viria a deitar mesmo com um asmodiano, especialmente o Dio.
O arroxeado soltou Lupus em cima do sofá e levou as mãos até o cinto, desafivelando-o. Em questão de segundos o botão foi desfeito e o zíper foi aberto, aquele tecido já estava no meio das coxas, exibindo o quadril envolto pela boxer marrom.
Dio mordeu os lábios, sentindo seu corpo aquecer com a visão. Humanos, elfos e asmodianos. Mas nunca um haros. Qual seria o gosto? E qual seria a capacidade, a duração? Seria maior? Seria mais apertado? Dio só conseguia se excitar ainda mais com seus pensamentos libidinosos enquanto Lupus sentia sua peça íntima ser abaixada com uma lentidão torturante.
–Hm... -Dio sorriu maldosamente, mostrando toda sua excitação com o momento assim que a retirou por completo.
O membro deu um pequeno salto, Lupus virou o rosto, ficando envergonhado de uma forma muito estranha. Os olhos de Dio pareciam que iam comê-lo vivo, e mesmo sabendo o que iria acontecer, Lupus não deixaria de se sentir apreensivo. Nunca tinha se deitado com um asmodiano.
Ele sabia que a raça era realmente o oposto dos humanos, eram assustadores e seu senso de pudor era uma coisa completamente bizarra. Lupus não se importaria, mas agora sendo uma vítima de um deles, especialmente de um homem, o haros pensava que talvez estivesse cometendo um grande erro.
Dio estendeu a mão para que pudesse tocar o peito moreno. Sua expressão claramente excitada trazia ao haros uma sensação de satisfação. Os lábios do rapaz por cima converteram-se em um sorriso maldoso enquanto seus dedos pouco gentis desciam pela pele estranha de Lupus, alcançando os mamilos lentamente e descendo após somente tocá-los. Atiçou-lhe os músculos, fazendo o Caçador se contrair involuntariamente, suas mãos bem presas nos braços do asmodiano.
Lupus por um momento teve a vista tapada por alguns fios de cabelo, mas não tinha nenhum problema com isso. Não agora com Dio envolvendo seu membro com uma lentidão irritante e seus lábios franzindo com a sensação finalmente tomando sua masculinidade.
Dio estendeu a garra, colocando os fios marrons para trás, deixando todo seu rosto à vista. O mais velho aproximou o corpo encostando-os o suficiente, ao passo que sua mão movimentava-se pela extensão de baixo a cima numa tentativa de provocação.
–Está bom?...
Lupus respirava pela boca, seus olhos fixos e suas coxas imóveis e contraídas para os lados. Assim que a resposta alcançou sua língua, seus olhos fecharam no mesmo momento que a mão o apertou forte. Foi algo completamente insano e delicioso. Lupus agarrou os braços de Dio e só não abaixou a cabeça gemendo devido à garra prendendo firmemente sua franja para trás.
–H-hm...
Dio respirou alto, trazendo o rosto do moreno junto ao seu, para tomar aqueles lábios vermelhos e enlouquece-lo. O desejo percorrendo seus pensamentos, com a vontade de exterminar aquela seriedade na face do haros, e aqueles sentimentos desconhecidos se apossando de seu corpo; a sensação térmica do choque do corpo dele contra o seu, um corpo tão frio e gelado que se esquentava toque após toque. Dio os tomou pra si sem nenhum arrependimento, com seus braços envolvendo todo o corpo rígido e seus sentidos inativos para qualquer coisa além dos dois naquele momento.
Com um leve empurrão, ele fez com que Dio se encostasse no sofá e se mantesse longe por poucos segundos. Dio levou seus próprios cabelos para trás, limpando a boca da saliva em excesso. Tudo estava tão intenso que mal pensavam em desculpas ou em voltar atrás.
Lupus ajoelhou-se sobre Dio, seus lábios tocando a pele ardente, chupando devagar e brevemente. Os dedos do asmodiano deslizaram pelas coxas desnudas e grossas, sua respiração batendo de encontro ao ar gelado da manhã e o aroma dos fios castanhos que abaixavam ainda mais, beijando todo seu corpo.
–Haa-...
Dio apertou a mão nos cabelos da nuca alheia assim que Lupus alcançou seu abdômen, descendo do sofá como um felino. Mais perto... Dio rangeu os dentes, aquele corpo todo exposto era uma perdição, seu íntimo sofria de tesão por ele, por aquele corpo intocado.
–Tão sexy. -Dio sussurrou passando as garras por aquele pescoço macio.
Lupus passou a mão pela barra da bermuda e a abaixou, não dando muito tempo, sentindo seu pescoço arder com o contato intenso.
–Nng... -suas mãos tocaram com cuidado a base do membro, quente, enrijecido.
Lupus inspirou ar; cheiro de sexo. Preso em seus dedos, a carne latejante, excitada e a glande gotejante. Sua língua banhada pela saliva misturada ao álcool estendeu-se sem nenhuma dúvida, tocando-o superficialmente.
–AHN!! L-Lupus-...
Sua boca abriu-se, deixou-se levar. Uma imitação de mordida, seus lábios bem abertos com o músculo lutando para não se mostrar muito animado.
O corpo do asmodiano arqueou-se e suas mãos seguraram seu rosto. Os olhos vinho do demônio pareciam desesperados por aquilo. Mais do que nunca, Lupus desejou que essa fosse mais do que uma manhã vazia.
–Hgn-a...
Lupus fechou os olhos com força, tentando abocanhá-lo por inteiro. O corpo teso era incomum e tinha um gosto meio amargo, a pele secava rápido e parecia ainda maior cada vez mais o forçava para dentro, disputando espaço com sua língua.
–H-Hm...
Lupus afundou seus dedos nas coxas de Dio, completamente enevoado com o oral desajeitado, sua boca alcançando finalmente a base, junto ao baixo ventre do mais velho. Sua garganta movia-se, encostando a parede na glande, as paredes de suas bochechas puxavam o ar, chupando o corpo sexual, arrepiando Dio a partir dali. Sua língua movia-se com dificuldade, seus lábios apertavam-se e sua arcada dentária doía por tentar manter os dentes longe.
Lupus moveu-o para fora um pouco devagar, com Dio acompanhando-o com as mãos em sua nuca, e adentrou-o tão firmemente e preciso com uma chupada tão forte quanto conseguiu.
–A-Ahn!!
Depois de alguns segundos o movendo e o acariciando rapidamente, Lupus soltou-o imediatamente tão logo Dio soltou seus cabelos.
–Haa! D-Dio...hun... S-eu idiota... Q-uase não consegui respirar. -Lupus desviou o olhar, seu rosto vermelho.
Dio sorriu de canto, rindo baixo. Agarrando o pulso de Lupus, o puxou para cima num impulso, praticamente o sentando em seu colo. Dio tinha o brilho mais pervertido em seus olhos.
–Então... Vai sentar?... Ou eu-...
–Cale a boca, retardado. -Lupus repreendeu-o com uma face séria. Sua tez parecia bem mais visível, a luz do lado de fora começava a aumentar o que queria dizer que a neblina estava se desfazendo.
Os braços de Lupus passaram pelo pescoço do maior, imaginando que se era pra ser era então pra ser agora. Não havia muitas chances de se verem, não tinha nada que garantisse que o fariam de novo. Mal sabiam se valia a pena ou se davam importância àquilo o quanto merecia.
Então não passavam de dois desconhecidos. Eles só fariam porque sentiram vontade. Como duas raças vindas de tribos não tinha nada que pudesse ser esclarecido nas bases humanas. Somente a curiosidade e o simples satisfazer quando desejassem com quem desejassem. Isso não era muito diferente entre os Haros e Asmodianos.
Dio respirou perto de seu ouvido, arrepiando-o. A mão áspera desceu por seu quadril, tocando os volumes de suas nádegas, não se demorando e alcançando o ponto que o fez soltar um pequeno grunhido.
–Só não demore. -Lupus falou baixo, sua face escondida na curva do pescoço do maior.
O tom não foi convincente, mas era óbvio que estava nervoso demais fazendo aquilo. Nunca pensou que pudesse ser algo tão intimidador como parecia agora. Somente conseguiu se apertar contra o asmodiano e torcer para que não fosse tão doloroso como pensava.
“Não que eu tenha medo da dor... Só que me lembro claramente como foi com os ‘outros’. Eles sempre pareciam sofrer. Eu nunca imaginei que fosse acontecer comigo.” Lupus mordeu o lábio assim que sentiu a pressão sobre o orifício. Dio apertou a garra nas costas do haros e seu dedo adentrou o canal de forma lenta.
Demorou muito mais do que esperava. Realmente nenhum toque naquela área. Nada, nenhuma brecha ou ajuda. Dio não conteve uma risadinha baixa.
Uma grande e súbita vontade de contornar aquele momento e sobrepor sua luxúria acima da necessidade do outro. Mas seria tanta ingratidão que Dio não pode fazer nada a não ser prosseguir, mais um dedo, gemidos e grunhidos baixos alcançando seu ouvido.
Lupus era realmente um macho. Dio preferiu continuar com ele deitado. Dali podia ver as feições e as mãos geralmente enluvadas apertarem o tecido que protegia o sofá, os dentes se remoendo e as sobrancelhas se juntando tamanho o prazer que sentia.
Dio inclinou seu corpo. Os dois completamente nus, naquele ar pesado e a temperatura em volta deles tão quente era algo como uma pequena realização pré-café da manhã, que somente casais fazem após uma noite de amor e em seguida de manhã não conseguiram suportar a excitação.
Lupus engoliu em seco, o pênis do maior bem rente à sua entrada já tencionava adentrar. Dio encostou sua testa na do Caçador. O asmodiano impulsionou seu quadril para frente, a glande atravessando o anel com um pequeno tranco.
Lupus abriu a boca.
–AH!!
O moreno se contorceu com o volume o machucando. Seus olhos se abriram e se apoiou nos cotovelos para poder se sentar e tocar o ombro de Dio. Este o olhou ainda contornando seu braço na cintura magra e o puxou forte, colocando metade do membro pra dentro com muito mais violência.
–HAA!! D-io!
Dio sentiu a mão apertá-lo com força e segurou o pulso do moreno, puxando seu corpo quase a ponto de pendurá-lo do sofá. Sua garra desceu, segurando uma das coxas roliças, ajeitando-se melhor e a puxando, seu membro se enterrando no meio das pernas do haros.
–NNG!! HAN- Dio!!
Lupus entreabriu os olhos segurando suas lágrimas o melhor possível. Não era tão terrível como imaginava, mas ainda assim era horrível. A pele seca junta ao membro do asmodiano, era como colocar limão e pimenta juntos. Lupus sentiu o atrito machucar seu interior e um choque de dor atravessar desde seu quadril até seu cérebro.
–AHH! Para!
Dio ofegou no segundo seguinte, sentindo-se inteiro dentro daquele pedaço do paraíso (ou inferno, sei lá). Sem pensar muito, deixou o corpo de Lupus novamente deitado e se por sobre ele com as mãos apoiando as coxas desajeitadamente.
–Vai ser assim mesmo.
Lupus abriu os lábios para reclamar. Sua visão foi tomada pelo rosto corado de Dio se aproximando devagar e colando suas bocas sedentas. Seu quadril se mexeu algumas vezes, tentando acostumar o corpo do mais novo.
–U-Uhg!
Os músculos de Dio saltavam, marcados pelo suor, sua boca entreaberta ofegava alto ritmando as estocadas e seus cabelos médios caíam pelos ombros com um brilho sedoso. Os olhos selvagens mostravam que estava realmente disposto a continuar com aquilo.
Lupus sentiu sua voz travar e no lugar de palavras saíram sons desconectados em tempos estranhos. Sua cabeça pendeu pra trás com uma penetração tocando bem no fundo do seu íntimo, num ponto gostoso e delirante.
–A-AH... Haa-... Di-ugh... N-...aa...
O asmodiano apoiou as coxas em seu braços para então completar seu desejo, atingindo uma velocidade razoável. O canal apertado e tão seco, o atrito o queimando. Era esse tipo de sexo que Dio adorava. Tão difícil e esmagador.
–HNN!
–AHH!!!...
O membro de Lupus vibrou e liberou o orgasmo no mesmo tempo que Dio o atingiu profundamente. Era bom. Mais do que realmente parecia.
“Você parece estar sofrendo.” Lupus havia comentado com Gun naquela vez... “Por incrível que pareça... É maravilhoso. Por isso... Continua.”
–Continua... -falou arfando com as pálpebras cerradas, seu rosto convertido na mais pura satisfação.
–Han... -Dio beijou-o nos lábios, seus dedos empurrando ainda mais os cabelos e se apossando da boca que pedia em sussurro. Seu quadril ainda moveu-se uns segundos, as pernas de Lupus abraçando sua cintura para deixa-lo mais à vontade.
Cada investida o fazia pressionar o corpo mais contra o braço do sofá com mais força, deixando o espaço ocupado insuficiente. Dio ofegou alto, apertando os olhos e parando.
–H-aa... haa...
Lupus passou o braço na testa, percebendo como estava suando e como sua respiração estava alta e pesada. Dio passou os braços por seu corpo e o trouxe para cima em seu colo.
–Vamos sair daqui. -sussurrou com a voz grave.
O Caçador levou os fios de cabelos ondulados para trás e sentiu o corpo todo do asmodiano se afastar, dando espaço para o ar frio tocar sua pele quente. Dio juntou as roupas nos braços e fitou o rapaz ainda tentando se recuperar.
–Vamos.
Lupus colocou as pernas para fora do sofá e se levantou com dificuldade, seguindo o maior escadas acima. Olhava suas costas curioso ao tempo que se sentia suas pálpebras pesadas, achava-o muito idiota ainda por parar as coisas assim e quebrar todo o clima esperando conseguir excitá-lo de um segundo pro outro depois.
“É um idiota. Idiota pervertido. AH ISSO ME IRRITA!” Pensava apertando as mãos nos braços que começavam a arrepiar.
Assim que Dio abriu a porta e deu passagem ao haros, sua mão tomou o pulso e o puxou para seu corpo. Seus dedos polegar e indicador seguraram seu queixo bem lentamente, a respiração com um cheiro gostoso, misturado ao álcool.
Os lábios dele brilhavam. Lábios grossos e olhos que transmitiam a mais pura confiança. Não. Aquilo não era confiança. Estava mais para alguém que sabia que teria sempre o que desejava. Certeza. E, naquele momento, o moreno cerrou os olhos para sentir uma mordida leve sobre seus lábios avermelhados.
Assim que o sentiu se afastar, o rapaz de olhos escarlates abriu os olhos, com o rosto quente como nunca e seu baixo ventre tremendo com aquelas ações.
“Excitação pelo olhar.” Lupus mordeu os lábios. Então havia mesmo alguém que conseguia fazer isso com ele. Somente era inesperado que fosse logo o asmodiano.
A mão atrevida passou por sua bunda e apertou com vontade, a boca salivando e os caninos marcando seus lábios enquanto quase o devorava. Dio o apertou de costas contra a parede, mordendo seu pescoço e afastando as nádegas com as duas mãos para então penetrá-lo outra vez.
–AHH!!
O ar ficou quente outra vez e Lupus perdeu a noção dos minutos seguintes, até que o quarto estivesse aceso e ele se lembrasse de como chegou ali, com as lembranças vívidas corrompendo suas leis.
–Quer jogar uma partida?
–O que ganho se eu vencer...?
Um sorriso maldoso correu seus lábios.
–Seu você vencer eu continuo como passivo. Mas se eu vencer...
Dio mostrou as cartas esboçando os dentes com graça.
–Blackjack.
Fim
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