YStage
3 03YStage: Indecorous
Notas iniciais
...
“Fofo”.
Foi a primeira palavra que lhe ocorreu.
A palavra que se tornou uma perdição em seus pensamentos durante um longo tempo. Desde quando seus olhos pararam na figura parada sem camisa.
A Grande Caçada tinha indo em viagem até uma casa de banhos que parecia estar sendo regularmente atacada. Era a primeira do continente que ganhava renome e que se tornava um ponto turístico famosíssimo.
Embora eles tenham negado muitas vezes, os donos insistiram para que eles permanecessem nas instalações do hotel e desfrutassem.
Todos ficaram muito empolgados, como de costume. Lothos tinha resolvido tirar também uns dias de folga — a verdade era que ela tinha ido para garantir que o grupo não fizesse nenhuma besteira sem ela, pois quando a GC ficava unida e sem um responsável, pareciam se tornar selvagens sem cérebro.
Caminhando serenamente, sem desfazer-se da Tyrfing, Ronan observava tudo a sua volta com cuidado. O jovem Erudon sempre fora detalhista e cuidadoso com inúmeras coisas, com a aparência, com o ambiente que vivia. Era um rapaz detalhista e todos seus companheiros já haviam percebido sem mais.
No mesmo dia em que foram convidados, Ronan deixou-se ser levado pelo território que compreendia aquele recanto. Era um lugar de casas de madeira baixas, cheiro de essências diferenciadas e relaxantes. Mas era um lugar abafado pelo vapor.
Ronan sentia necessidade de tirar as roupas extras e para fazer isso deveria voltar de onde veio. Um sonoro suspiro foi ouvido.
O caminho pelo qual andava era constituído por uma trilha larga com inúmeras pedras marrons fazendo um lindo desenho no chão. Fora do caminho estava a pouca grama misturada com areia e flores grandes de folhas verdes largas.
Ronan apressou o passo, um pouco incomodado.
Parando na porta, ele viu todo o grupo reunido com roupas apropriadas, na cor marrom, as bordas dos roupões eram quadrados brancos. Ronan analisou-os rapidamente, vendo a boca de Azin se abrir...
–Oe, Rabo-de-Cavalo! Como saiu assim? Não é muito bom sair com essas roupas nessa sauna ao ar livre! –dizia o rapaz com um sorrisinho descarado no rosto.
Ao mesmo tempo que falou, outra pessoa passou por Azin, um tanto rápido chegando na porta. Ronan não o tinha percebido por causa da velocidade, mas quando se deu conta, Lass estava quase a sua frente.
–Ei, Lass, não me diga que vai sair também! –reclamou Elesis com as mãos na cintura.
O roupão dela era tão grande que cobria as mãos e os pés. Devia ser o orgulho... Ou a vergonha, que ela não admitia ter.
O albino estava com o roupão dobrado nas mãos e algumas coisas em cima, que Ronan e nem ninguém conseguiu identificar, além de um pequeno frasco parecido com uma garrafa em miniatura.
–Eu vou me trocar no vestiário. Não tem porque eu andar com isso por todo o hotel. –ele piscou os olhos lentamente, o tom da voz falava com clareza e ele agia como se fosse o mais normal. Ele era na verdade.
Ronan coçou a cabeça. É mesmo, o hotel e a casa de banhos ficavam no mesmo lugar, mas seria estranho descer com a roupa num lugar frequentado por outros tipos de pessoas.
–Ah, então me espere, Lass. Eu vou com você. –avisou Ronan subindo as escadas com pressa.
–Erudon, não me faça esperar. Eu gostaria de tomar um banho logo. –avisou o albino com indiferença no rosto.
Enquanto esperava, Lass viu o grupo voltar aos quartos com pressa para se trocarem também. Ele suspirou baixo. Não demonstrava, mas estava meio irritado. Não gostava de dizer não às pessoas, mas também tinha um motivo pelo qual estava saindo antes dos outros.
Quando Ronan apareceu, mais do que depressa Lass tomou a partida e foram caminhando de forma apressada para fora dali.
–Qual a pressa?
O albino suspirou. Ele sempre suspirava para demonstrar seu aborrecimento, pois não era uma pessoa que costumava usar-se de xingamentos ou brigar inutilmente. Ele era um ninja e tudo o que fizesse devia ser com cautela, não devia nunca abaixar sua guarda e não deveria fazer coisas desnecessárias. Isso era o que Lass denominava de autodefesa.
–Eu não queria público, Ronan.
–Público pra que?
O albino suspirou outra vez. O arcano franziu a testa para o ninja pela ação que já começava a incomodar, Ronan sentia que estava atrapalhando ou que sua presença não era bem vinda em nenhuma circunstância. O azulado odiava sentir essas coisas.
Lass fitou Ronan, andando mais devagar. À medida que andavam, Ronan percebeu as coisas que o menor carregava. Pareciam potes pequenos marrons; devia carregar fragrâncias, pomadas ou remédios, algo assim.
–Eu sou reservado como você bem sabe. Não gosto de ter público para nada, então não gosto de estar com outras pessoas quando estou fazendo coisas pessoais.
Ronan fez um “Aham” de quem entendeu, balançando a cabeça.
Quando a porta de saída deu nas vistas, Lass mostrou-se mais apressado e a empurrou, dando passagem para Ronan. A casa de banhos estava bem próxima e os dois andavam pelo caminho que Ronan tinha percorrido minutos antes.
O vestiário estava vazio.
–Ei, Lass. Se você é tão reservado, porque deixou que eu viesse?
O albino parou de se mexer por um segundo, fazendo Ronan ficar ainda mais curioso. Haveria algum motivo especial?
–Você não é como os outros. Não vai fofocar como as garotas por aí sobre nada. E você me parecia um pouco interessado por esse lugar.
Ronan corou um pouco. É verdade, ele tinha gostado demais daquele lugar, as cores, o cheiro, a arquitetura (tipicamente japonês para vocês terem noção). Era algo novo e agradável.
–Eu sempre preferi lugares com esse ar. –explicava o albino enquanto deixava as coisas numa gaveta de armário reservado a ele.
–Esse ar?
–É. Vapor. Cheiro de ervas e saquê. –o albino tirou a bandana.
Ronan se adiantou até sua gaveta e começou o trabalho de tirar a camiseta. O albino contava que só falava essas coisas para o Erudon porque era alguém melhor entre os piores. Isso deixava Ronan com um sorriso sem graça, afinal, não podia tirar a razão do ninja e, ao mesmo tempo, ele tinha razão para não confiar em ninguém. Ronan sabia muito bem o porquê disso, mas era algo irrelevante agora.
Lass tirou a regata azul e nem demorou muito para tirar a calça. Estava apenas com uma cueca boxer branca.
Ronan terminou de tirar as roupas também até tocar o tecido marrom do roupão. Ele percebeu a falta de movimentação do albino e o olhou, ainda com um pouco de medo do menor repreende-lo.
A questão é que Lass não se mexia por estar olhando a tatuagem em seu braço esquerdo.
–O que foi?
Lass pareceu ter acordado de um pequeno transe e disse “Não é nada”, passando a mãos nos cabelos.
Até aqueles dias, Ronan tinha percebido que seu cabelo tinha crescido demais. Mas estava realmente grande, os longos fios azuis batiam quase em seu quadril. Ele soltou-os do laço, passando os dedos, verificando se havia fios imbramados. Nada.
–Como...
Ronan olhou o albino. Ele estava vestido com o roupão agora. O maior suspirou um pouco, percebendo o quanto Lass era baixo.
–Como você consegue ter um cabelo desse tamanho? Eu fiquei com o cabelo grande o suficiente para amarrar e já não aguentei. Isso é anormal. –falou o albino direcionando sua mão para ajeitar o amarre do roupão.
–Anormal? Tem pessoas que gostam outras que não, Lass. Mas está mesmo grande.
Ronan amarrou seu roupão também e fechou a gaveta, pronto para sair. Antes que o fizesse, ainda esperou Lass, que pegava alguns dos potes que tinha trazido. Enquanto analisava-o, percebeu algo estranho que nunca tinha reparado.
Os cabelos batiam um pouco acima do ombro, fazendo com que o pescoço pudesse ser visto. A cor dele era muito pálida, a curva do corpo não tinha nenhuma elevação a mais, era sem defeitos ou músculos visíveis. Ronan apurou seus olhos para observar pela abertura do roupão, a clavícula e o peito magro, os ombros nada largos.
Assim que concluiu essa parte, seus olhos subiram mais um pouco, vendo a curva do queixo que despontava em um círculo ao invés de um v. Ronan tentou desviar os olhos para ver quem se aproximava do lado de fora, mas não conseguiu tirar os olhos dos lábios rosados do ninja, nem dos olhos azuis finos que olhavam atentamente para o frasquinho com um líquido dentro.
O azulado apenas acordou quando um empurrão o impulsionou para frente.
–RONAN MEU QUERIDO!
O Erudon sentiu uma gota em sua testa. “Que querido o que?!”. Tinha que ser o retardado do Ryan mesmo.
–Escuta, você não me ouviu te chamar?
–Não.
O alaranjado passou um braço em volta do pescoço do azulado e olhou para Lass, que instantaneamente tinha apertado mais o roupão e se apressado em sair. Ronan ainda tentou chama-lo, mas não insistiu, sabendo que era inútil. Ah, mas ainda tinha o imbecil do Ryan agarrado a si para cuidar.
–Solte.
O druida ainda deu uma risadinha soltando o maior. Mas não o deixou sair.
–Que é, Ryan?
–Eu atrapalhei alguma coisa? –sorriu o garoto com uma faceta cínica.
–Atrapalhou o que? Não atrapalhou nada. Talvez o Lass, mas eu não.
–Ahhh... Ronan, você não acha estranho?
–O que é estranho?
O druida soltou um “Hmm...” pensativo e coçou o queixo tentando imaginar uma forma mais fácil de dizer.
–Por que o Lass é tão...
Ronan arqueou uma sobrancelha sem entender.
–Ah... Você sabe. Tão... –o alaranjado gesticulava com as mãos de forma um tanto estranha, não dava pra entender.
Enquanto Ronan tentava decifrar, mais alguém entrou, em seguida vinha o monge, um tanto estranho e atrás vinha Dio.
–O que estão fazendo? O Lass já passou por nós. –falava Dio tocando o ombro de Jin que parecia tenso.
–O que foi Jin? –Ryan perguntou fugindo do assunto. Parecia não querer falar disso com mais ninguém.
–N-Nada.
–Ah, Dio, me ajuda aí. O que você acha do jeito do Lass?
Dio pensou um pouco. Mesmo não sendo muito familiarizado com a espécie humana, entendeu rapidamente que seus valores eram opostos, então era um pouco mais fácil de entender, mas não tanto de aceitar lógico.
–Ele é tão...
Jin pareceu destensionar um pouco e cruzou os braços.
–Não tem nada de errado com ele.
–Nada de errado? Como assim? Você não percebeu como ele é tão...
Ryan parou pra pensar de novo e Dio ficou na mesma. Os dois suando frio pra achar a palavra correta. Não que eles não fossem burros, mas sabiam que qualquer coisa dita sobre o ninja poderia ser ouvida e se chegasse uma informação incorreta até os ouvidos do Isolet não seria nada bom.
–Eu ainda não entendi nada. Você entendeu, Jin?
–Não, eu não entendo esses caras. –Jin resmungou saindo com Ronan para fora.
–EI EI! Não estamos brincando. É verdade, mas eu não sei explicar direito, mas é algo que tem haver com vocês dois, mas ele é... MAIS.
–D-Delicado você quer dizer? –Dio falou sem muita precisão.
No mesmo momento os quatro se entreolharam e depois olharam em volta. Ninguém a vista.
–É! –Ryan.
–Feminino você quer dizer? –Jin *corado*.
–Ele tem cara de neném. –Ryan falava com o rosto corado.
–Quem tem cara de neném? –a voz sombria perguntou atrás dos rapazes.
Vindo do banheiro vinha ninguém mais ninguém menos que Zero. Que surpresa. E ele parecia bravo.
–O Lass. –Jin sorriu sem graça.
–J-JIN! –Ryan avermelhou com tudo, dando um tapa na nuca do ruivo que resmungou.
Em seguida aparecia Sieghart e Azin.
–O que as senhoritas estão fofocando aí?-perguntava o de olhos vermelhos.
–Ninguém aqui é senhorita dona raposa e o assunto não te interessa. –Jin resmungou.
–Jin, o que houve? –perguntou o moreno até satisfeito com o modo que o ruivo falou com o irritante ryujin.
–Ah, é que estávamos falando sobre como o Lass é feminino.
Sieghart ficou sério um instante e depois desandou a rir.
–Aquele pedaço de gelo é como a Mari, bonito e adorável, mas sem seios.
–Não é só isso que é diferente. –Ryan *gota*.
–Quem garante? Mas ninguém devia sair por aí falando do Lass. Ele não gosta e se souber o tipo de assunto que está correndo sobre ele, podem esperar que amanhã vocês estarão pendurados nus na frente do hotel. –avisava o moreno.
O assunto deixou de se prolongar e foram aos banhos. Ronan já tinha mudado o foco da conversa e eles nem se lembravam direito do que estavam falando, exceto o próprio Erudon que remexia em sua cabeça novamente o quanto Lass conseguia ser “fofo”.
Não era muito comum de sua parte ficar observando os outros, mas se ele tinha feito, era porque algo estava diferente. Lass tinha feições masculinas, mas carregava os traços de um garotinho de 10 anos. Era muito bonito e delicado, ainda que fosse uma pessoa dura e séria.
Os passos dos rapazes pareciam torturar seu cérebro. Eles conversavam alto demais, o que era incomodo para uma pessoa tão requintada como Ronan. Esfregou a testa, tentando conter a irritação, percebendo como estava perturbado nesses dias.
Seus olhos deram-se com o vapor alto. Estava muito quente ali, demais, além do suportável, mas parecia que apenas o Erudon não se importava.
Ronan realmente tinha adorado o lugar para estar tão à vontade com aquela temperatura. Mas os outros rapazes não iriam reclamar, pois estavam de graça, comendo refeições extraordinárias. Não tinham do que reclamar então o banho teria que ser tomado pelo menos por educação. O azulado empurrou os cabelos para trás, agachando-se junto com os outros na borda de madeira do grande ofurô, usando um balde para jogar a água sobre o corpo. No mesmo momento os cabelos se fizeram ainda mais lisos.
–Ronan, você devia enrolar o cabelo na toalha. –Sieghart avisava.
–Eu sei.
Enquanto fazia isso, eles finalmente entraram, recebendo o calor aconchegante da água cheirosa. Estava realmente delicioso, assim como quando se entra numa grande piscina, mas com água quente de banheira.
Ronan encostou sua cabeça na borda, enquanto os outros começavam a conversar sobre alguns acontecimentos nas missões. O azulado deixou-se envolver pelo subconsciente e relaxou o corpo de forma que nunca tinha feito; seu rosto devia estar corado.
Enquanto os minutos se passavam, nem percebeu quando as vozes pararam de percorrer ao seu lado e começou a ouvir o som de respirações fracas apenas. Um de seus olhos entreabriu-se e seu rosto virou para o lado esquerdo. Eles continuavam ali, mas estavam mais concentrados em relaxar também. Com os músculos normalmente desgastados e os corpos tensos devido as constantes batalhas, eles deviam ter percebido o quanto era bom.
Ao olhar para o outro lado, Ronan não conseguiu conter seus olhos arregalados e sua boca entreaberta. “Fofo”...
O maior piscou novamente, não percebendo o quanto estava pasmado. Lass estava bem ao seu lado, a cabeça encostada na borda, os olhos fechados, as bochechas estavam coradas de uma forma que ele parecia estar adorando estar ali. Uma expressão inocente, e que aparentaria doente se ele não soubesse disso.
Ronan ficou atento um instante. A água batia um pouco abaixo dos ombros, os cabelos brancos grudavam em seu pescoço e umas gotas pingavam de seu nariz e queixo. Os olhos azuis escuros notaram a coloração vermelha nos ombros do ninja e descendo, conseguiu ver por dentro da água. Normalmente aquele feito seria impossível, mas já fazia algum tempo que estavam ali e a temperatura tinha sido abaixada para eles não cozinharem.
Ronan fechou a boca, engolindo a saliva que não percebeu ter se amontoado. Se virou para frente, agradecido por ele não ter percebido e nem ninguém. Mas o corpo todo de Lass estava um pouco avermelhado e agora, mais do que nunca, Ronan tinha visto o quanto o rapaz era perfeito. Não só no rosto, mas em tudo, era branco totalmente, a pele era alva em todos os cantos e o corpo todo era roliço e magro o suficiente. Ronan suspirou fundo, passando as mãos nos próprios ombros. Era um costume durante o banho para não pensar em coisas indecentes.
“Mas agora realmente está impossível não pensar em algo assim.”
Ronan fitou os amigos e decidiu por si mesmo que estaria saindo dali no mesmo momento.
–Jin. –chamou o azulado.
–H-Hm?
Ronan não falou por um segundo, mas percebeu que Jin estava mais vermelho do que o normal. E olhando bem, Sieghart estava ao seu lado, mas de olhos abertos.
–O que foi Ronan? –perguntou o moreno se aproximando um pouco mais de Jin para ouvir.
O azulado sentiu que estava acontecendo algo ali, mas ficou com medo de saber. Fingiu também não sentir a leve ondulação da água mais no fundo, e fitou Sieghart o mais sério possível. Era incrível o descaramento daqueles dois em pleno banho em conjunto.
Ronan suspirou mostrando estar irritado, mas Jin não conseguiu responder nada. Provavelmente estava apertando a mão de Sieghart embaixo d’água para o gladiador parar, mas fazer o que... Sieghart era do tipo que achava que as pessoas deviam aceitar tudo o que ele fazia em qualquer lugar e em qualquer hora. Um idiota sem tamanho. Por isso Ronan não gostava dele, e sentia pena do monge, que era um grande amigo, por aceitar o imortal dessa forma. Era um tanto repugnante.
–Vou sair.
–Mas você estava gostando tanto. –Sieghart comentou com um sorrisinho lascivo.
–“Tarado”. –Ronan *cara de nojo*.
–Vai mesmo sair? O Lass ficou aí com você só por que achou que estava se sentindo sozinho. Vai abandoná-lo?
O moreno perguntou enquanto passava o braço direito por cima dos ombros de Jin, trazendo-o para perto. A ondulação leve aumentou e Jin desviou os olhos para o outro lado, tentando não olhar para o azulado.
–Se é assim. –Ronan virou-se e chamou Lass com pressa.
–O que é? –o albino abriu os olhos parecendo irritado, mas no momento em que fez olhou para o moreno e o ruivo com um olhar duro e acusador. –Não precisa dizer. Vamos sair daqui, Ronan.
Os dois se levantaram e saíram o mais rápido possível. O albino se enrolou rapidamente no roupão dentro do vestiário e saiu daquele jeito mesmo puxando Ronan.
–Vamos, eu vou pedir um banho separado.
–S-Separado?
–Eu vou precisar de outro banho depois disso. Concorda?
–Com certeza. –Ronan *nojo*.
...
Ali naquela área havia um poço antigo e era bem menor, mas era o bastante para ser comparado a uma piscina de 1000litros.
Lass novamente se recostou, mas dessa forma, separados, Lass resolveu conversar.
–Aqueles dois ainda vão se dar mal.
–Hm. Eu espero que eles parem de fazer essas coisas na presença dos outros... Eles não têm vergonha?
–Não. O Sieghart não. Mas não perdoo o Jin também. Coisas assim devem ser evitadas, mesmo que seja o Sieghart... Na verdade, especialmente com o Sieghart. Ele é um monstro. –Lass *gota*.
Ronan deu uma leve risada. Não era verdade isso também, só que parecia que Lass não gostava de Sieghart. Porém, pensando melhor, não existiam muitas pessoas que compartilhassem das mesmas ideias que ele. Todos tinham sua parcela de raiva com o mais velho do grupo, até mesmo o Erudon — especialmente o Erudon.
–Você sentiu que a energia desse lugar é bem mais pura?
Ronan assentiu com um baixo tom de voz. Era um tanto estranho, mas era melhor até mesmo do que estar em casa.
–Eu não me lembro de ter passado num lugar assim antes. Mas desde que entrei no grupo, e nós conhecemos muitos lugares, eu passei a frequentar as casas de banho. São lugares cheios de vapor, onde não podemos nos ver direito. Também é um lugar calmante e silencioso. Eu posso beber um pouco e não me preocupar com qualquer coisa. É como uma segunda casa.
Ronan percebeu que o albino realmente bebia daqueles frasquinhos sobre o chão. Lass dobrou as pernas um tanto, fazendo a água se movimentar.
–Sabe, eu adoraria morar num lugar desses depois que tudo acabar. Acho que é a única coisa que estou realmente querendo.
O Erudon respirou o ar enchendo o peito. Era mesmo. Lass tinha manias de sumir. Então era por esses lugares que ele andava? Mas ele normalmente não dizia a ninguém aonde ia, era típico de um ninja ser discreto o máximo possível até mesmo entre o clã.
Quando o olhou de forma mais direta, Ronan viu a mesma expressão: avermelhada, um tanto relaxada e quase imperceptivelmente sorridente. Era realmente algo raro ver o companheiro assim, tão inofensivo e inocente. Se bem que toda essa “inofensividade” podia retalhar bandos inteiros de criaturas negras de uma só vez em um belo campo de sangue.
–Hm.
Lass se abaixou um pouco mais até por o queixo na água. O vapor mais baixo dali os permitia ver através da água quente, mas só um pouco. O azulado, vendo-se quase incapaz de desviar os olhos, observou tudo aquilo de novo, além de ver as mãos do albino passando pelos braços, como se estivesse na intenção de tirar a sujeira do corpo.
O azulado fingiu estar se lavando também. Pelos cantos dos olhos via o rapaz levantando a mão para passar no cabelo e a outra se estendia na direção do sakê.
–Não devia beber demais, a Lothos quer que estejamos na hora do almoço bem sóbrios. Parece que os donos vão comer com a gente.
A resposta foi um balançar da mão esquerda de Lass, dizendo para não se preocupar.
Lass tinha essas manias de chegar na hora, então não tinha mesmo muito para ficar preocupado. O ninja era bem pontual e responsável.
Ronan arregalou os olhos no momento em que sentiu algo em seu ombro. Seu corpo todo se arrepiou quando conseguiu entender. O ninja estava vermelho e com a cabeça em seu ombro, quase caindo.
–L-Lass?
Sem resposta, Ronan o balançou.
–Lass. Lass!
O albino entreabriu os olhos e tentou dizer algo, mas desmaiou de vez. Ronan murmurou um xingamento e tentou levantá-lo. Na realidade, não foi preciso nem tentar. Na primeira tentativa de passar a mão pelas pernas do rapaz e envolver as costas, com um pequeno impulso Ronan o içou para cima, levantando-o da água, que escorria em grande quantidade, fazendo barulho ao tocar na superfície do ofuro.
Lass respirava com a boca aberta e um tanto ofegante.
–Caramba, eu avisei pra não beber.
Ronan sentia suas mãos quase queimando. Não que a água estivesse muito quente, mas o menor estava. O Erudon nem se atreveu a olhar para baixo, apenas saiu dali com dificuldade, alcançando o roupão e sentando o ninja no chão. Ele pegou o tecido marrom e colocou o mais rápido que conseguia no menor.
–Você tem que ir pro quarto, mas eu não vou te carregar. –avisava ao passo que ia colocando o próprio roupão.
Lass abriu os olhos de novo e passou os dedos na testa.
–Que quente...
–Você não aguenta muito tempo nesses banhos não é? –Ronan perguntava vendo o óbvio.
Era muito claro que Lass tinha o físico muito frágil para coisas assim. Se ele vinha frequentemente, já devia estar acostumado, ou então ele ficava apenas o tempo que conseguia e já ia embora.
–Vamos pro quarto logo. –resmungou se levantando.
O menor cambaleou um pouco. Tinha exagerado na dose porque ia passar a noite, mas não esperava esse resultado. Ronan amparou-o um pouco, rindo com a moleza do ninja.
–Desculpe por isso.
Ronan deu de ombros. Esse devia ser o dia que mais tinha contato e conversa com o ninja, já que era comum o menor ficava sozinho.
–Vamos indo então. Tente não parecer muito ruim se passarmos por alguém.
O albino assentiu e apressou o passo tentando se equilibrar o que conseguiu facilmente por ter um autocontrole acima do comum.
–O efeito já está saindo. –falava baixo enquanto subiam as escadas.
O quarto já estava a vista quando uma porta se abriu revelando ninguém mais ninguém menos que o indesejável.
–OHOOO! Olá, vocês não disseram que iam pro quarto? –sorria o moreno quase de forma indecente. Era óbvio o que esteve fazendo dentro do quarto se o julgassem apenas pela boxer vermelha que estava usando, marcada pelo tamanho ser menor -óbvio que aquela cueca não era dele- e com uma semi-ereção despontando.
Ronan praticamente ficou roxo e desejou mentalmente que Elesis aparecesse para bater nele. Lass manteve os olhos firmes nos olhos prateados que brilhavam com muita intensidade. O moreno notou a coloração vermelha no albino e deduziu.
–Eu nunca disse que ia para o quarto. Agora saia da frente. –falou passando reto.
Mas assim que Ronan ia passar Sieghart o barrou.
–E aí, não vai contar? Vai dizer que não está pensando naquilo que conversamos. –sorria o moreno com o braço no caminho do Erudon.
–Sieghart... Eu não tenho obrigação de dizer nada. Apenas deixe que as meninas te vejam assim e elas vão te esfolar. Agora deixe eu ir, tenho outras coisas pra fazer. –falava empurrando gentilmente o moreno.
–Ok. Você tem razão nesse ponto... Mas, Ronan.
O azulado o olhou. Sieghart apontou para o albino que estava bem longe e mandou um beijo com a mão para ele. Não foi preciso dizer que o azulado ficou inteiramente azul e quase chutou Sieghart.
A mensagem foi: “Que coisa linda” algo que o azulado captou rapidamente.
–Vai transar com o Jin que eu ganho mais...
–Não precisa ser tão cru. –resmungou o moreno adentrando o quarto. –Bye, Ronan.
Ronan soltou um suspiro e continuou seu caminho, apressando o passo para alcançar o companheiro.
Assim que já estava adentrando o quarto semi aberto, Ronan viu as costas brancas de Lass despirem o roupão, seus olhos desviaram-se quase no mesmo instante. O albino pareceu sentir sua tensão e levantou a mão.
–O que foi Ronan? Não precisa ser cavalheiro com homens sabia?
O rapaz sentiu suas bochechas avermelharem. Olhou- mais uma vez e viu algo que despertou sua curiosidade –algo um tanto repentino para um momento tão gratificante.
–Não fazia ideia de que tinham sardas nas suas costas.
–I-Isso já é uma coisa que não é necessária para você e nem ninguém saber. Não torne isso um tipo de assunto que você queira comentar com os outros. Eu não gosto de-...
–Ser o centro das atenções. Eu sei, fique tranquilo. Mas ficam até que bonitinhas... –falou quase sem pensar, recebendo um olhar pesado e uma aura negra do menor. Lass exalava decepção e ódio.
–Não, não ficam. São apenas marcas que ficam mais escuras com o sol e por não existirem muitas pessoas que as tem, as que têm logo se tornam um pouco mais destacadas.
–Isso é totalmente mentira...
–Não foi o que a Misty disse. –falou o albino com uma gota, quase sentindo na pele o momento em que ela comentou enquanto ele buscava uma roupa na loja privada da Grande Caçada.
Ronan deu um risinho não se dando ao trabalho de escondê-lo. Ficava óbvio que o mais velho já se sentia mais à vontade para conversar sem medo com o ninja.
–Não é nenhuma surpresa que você também tenha seu lado indecente, Ronan... Na verdade os certinhos sempre são os piores.
–O-O que?! Lass, não fale isso!
O albino soltou um “Tch” e continuou tirando a faixa que prendia o tecido escuro. Ronan fechou a porta e encostou-se à beirada da janela do outro lado do aposento.
Lass o olhou um segundo e foi até o armário, buscando uma peça íntima. A coloração no rosto ainda estava febril, mas parecia ter melhorado depois de sair da água.
–Você ficou lá porque sabendo que poderia desmaiar? –Ronan perguntou ainda sem tirar os olhos do fim de tarde lá fora, onde o céu já variava nas cores de uma noite que prometia ser fria e apresentando uma lua quarto-crescente envolvida por uma luz embaçada, revelando os ventos gelados da madrugada que viria.
–Eu pensei que gostaria de ficar mais um pouco.
Ronan riu olhando na direção do menor. Bem, seu rosto ficou quente e sua vontade era de desaparecer pelo menos um minuto para se recuperar, sem entender porque motivo desde que tinham chegado o fez ficar tão ligado na aparência de Lass. Já que de um segundo para o outro ele se tornou tão atraente quanto qualquer garota.
O riso tinha parado, e seus olhos buscavam um ponto no albino que pudesse olhar sem sua calça ficar mais apertada.
–B-Bem, v-você normalmente n-não... é... Não liga não é? P-Por que se preocupar c-comigo?
Ronan sentia seus lábios tremendo e sua língua travando. Lass não parecia incomodado, por outro lado, seus olhos azuis brilhavam como um predador e nas mãos pendia o roupão dobrado enquanto andava calmamente com uma boxer curta cinza.
O azulado tentou engolir a saliva e desviar a atenção dos pensamentos maus, assim como as pupilas que viram os mamilos rosados e depois, quando o albino virou-se, a bunda do albino marcada no tecido.
Respirou fundo tentando se controlar. Não era algo que podia ser ignorado não é?
Costas tão lisas, as curvaturas da cintura levemente acentuadas, a linha da coluna trilhando o caminho desde a nuca coberta pelo cabelo branco charmoso até a barra da cueca. As pernas dele eram tão roliças e sem vestígios de marcas que pareciam ser de um bebê, delicado. Fofo... Os ombros eram pouco largos, os braços não chegavam a ser finos, mesmo não sendo tão grandes. Acima de tudo, era alvo.
O azulado respirou mais uma vez, olhando o lado de fora tentando se distrair, ainda esperando ouvir a resposta.
–Você só parece tão decente quanto eu. Não tem nada mais.
Ronan mordeu o lábio, não resistindo ao impulso de olhar. Lass agora estava inclinado buscando uma camisa.
–Nada para você é “nada mais”. Eu te conheço a ponto de saber que tem motivos.
Por si mesmo, Ronan nunca teria continuado no mesmo aposento de alguém que estava o incitando inconscientemente, mas permanecer ali era um desafio, pois incutia na amizade dos dois e na confiança de Ronan em sua própria decência.
Se não provasse a si mesmo que era capaz de suportar, quem não poderia julgá-lo?
Ronan esfregou os dedos uns nos outros, vendo Lass se levantar com uma camisa branca entre os dedos. Ele ainda parecia estar pensando no que o azulado disse; um tanto lento e parecendo enevoado com o comentário.
Ele não imaginava que alguém pudesse conhecê-lo bem, e tinha certeza de manter distância dos outros para que isso não acontecesse, mas se Ronan dizia, ele poderia descobrir porque ele era assim, compreensivo.
–Sei que você tenta manter uma relação boa com todos. Mas eu não preciso de boas relações com ninguém. Por isso pode se sentir à vontade para extravasar essas relações forçadas em mim. Me entende?
Ronan colocou a mão no lábio. Certo, o primeiro a se fazer era não levar aquele assunto para o lado “feio”, ou pensar coisas indecentes, mas isso só acentuava o fato de que Lass usava frases muito ambíguas e que só o fazia parecer ainda mais ingênuo.
Acontece que ali, no que Ronan via, não tinha ingenuidade nenhuma.
–Entendo. Você mesmo disse que os certinhos são piores. Você é um deles, Lass. –Ronan disse se sentando na cama, cansando-se de ficar de pé assim.
–Hm. Não nego nada. Mas por enquanto, para mim, continuo sendo decente. E você?
Ronan deu um pequeno sorriso.
–Eu já não sou mais tão decente, não depois de viver com esse bando de loucos.
–Eu vejo.
Lass colocou a blusa e alcançou um frigobar tomando uma garrafa d’água nas mãos. Estendeu para o maior, que ainda estava no próprio roupão e com os cabelos espalhados, se sentindo um tanto úmido e com frio.
–Vou pegar uma toalha.
–N-não, eu já vou.
Ronan sorriu fracamente, mas se sentiu um pouco frio nessa ação, com sensação de deixar algo não dito. Mas ao passo que pensava, sua mão já pendia no ferro da maçaneta.
Lass parecia observar suas costas.
–Ah. Você... Por acaso não teria nenhum desejo oculto em relação a isso não é? –perguntou sem mais olhando-o por cima do ombro.
Foi imperceptível, mas a cena soaria até fofa se não tivesse uma grande verdade por trás, com um sorriso pequeno e os braços de Lass cruzando-se. Ele ainda estava se calça.
–Eu só gostaria de morar num lugar assim... É a única coisa que estou desejando.
Ronan riu, vendo que era mentira.
–Discordo disso. Mas sabe, eu acho que aceito a toalha, eu queria conversar mais.
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–O Lass... Ele está bêbado.
Lire falou diante quase toda a Grande Caçada.
Os anfitriões já estavam na mesa e esperavam os dois “certinhos” que estavam atrasados. Em consequência disso, foi dada a tarefa de trazê-los –espancá-los antes- para a elfa que estava P da vida; levava sua balista e, batendo o pé na porta ritmicamente, chamava por Ronan e Lass.
–Desculpa, Lire, ele está bêbado. Não pode avisar todo mundo. –falava o azulado parecendo vermelho demais e cansado.
–E que estado é esse? Vai me dizer que está também? -dizia tentando cheirar o bafo, mas não tinha nada.
–Não, ele está atacando o quarto. To tentando manter ele quieto, mas de vez em quando ele lança umas kunais pros lados.
–Aham. Deixa eu acordar ele então.
–NÃO!
–Por quê?! O que está escondendo, Ronan?!
O azulado negou com a cabeça.
–Deixa ele. Ele está cansado, mesmo depois do banho ele tinha desmaiado e ficou com febre. Sabe como ele é frágil não é?
A loira suspirou pegando algo de dentro do vestido.
–Dá isso pra ele melhorar. Mas não pense que vou salvar vocês também de agora em diante. Já basta os outros que eu sempre tenho que ficar inventando desculpas! Essa é a primeira e última vez!
–T-Tá! Te devo uma, Lire.
–Hunf. –e saiu de novo pelo corredor.
Ao entrar no quarto, Ronan suspirou. O albino estava deitado na cama.
–Não vai sair daí?
–Não. Eu não vou sair enquanto você não sair desse quarto.
–Me desculpe! Eu não fiz na intenção.
–Não quero desculpa nenhuma, você é o maior frangote que já vi na vida. E ainda me fez de palhaço... Muito obrigado, Ronan. –o albino falava tudo sentado com a coberta sobre o corpo.
Ronan sentou na frente de Lass. Não era muito gentil nem estimulante o que tinha feito, mas pensando bem, ainda havia grande chance do albino o aceitar.
Depois de um beijo rejeitado, Lass realmente achou que Ronan o tinha feito de idiota.
Ronan tocou o joelho de Lass se aproximando enquanto seus joelhos se arrastavam na colcha para alcançar o corpo do menor.
–Que é agora?
As bochechas ainda estavam vermelhas, mas agora eram realmente de vergonha.
Ronan segurou a face esquerda do menor e o puxou, refazendo o movimento que Lass tinha feito antes, mas que bloqueou com um empurrão.
Os lábios rosados do maior tocaram com força nos pálidos do menor. A umidade passou pela boca do albino, que apertou os olhos, incomodado com o toque íntimo e se deixou cair quando Ronan o forçou para baixo até deitar-se.
Puxando-o entre os dentes, as mãos do azulado acariciaram a face macia e o pescoço marcável, levando os dedos pela pele até o peito coberto pela camiseta.
Nisso, o ventinho gelado já passava pelas frestas da janela deixando-os um tanto encolhidos e com os lábios ainda mais abertos e sem pudores.
Ronan segurou a colcha e a empurrou para os pés entrando por cima do menor, sem tirar os lábios, chupando-os com delicadeza. Sua respiração batia no rosto do ninja, que quase o respirava, os braços buscando o apoio do corpo do maior, enroscando-se um no outro.
–Lass, você não vai amarelar... Né? –perguntava entre um beijo e uma mordida, em seguida aprofundando, sua língua acariciando a do rapaz abaixo.
Com o contato das pernas, a superfície do lençol já esquentava, as coxas de Lass se abriam para abrigar o maior entre elas e suas bocas mal se abriam para responder ou perguntar algo. As indecisões desapareceram como uma lembrança distante ao tempo que os dois entrelaçavam-se num extenso cenário de paixão desmedida. Ainda que seus peitos tremessem um sobre o outro, as bocas queimassem com a temperatura acima do nível e as ereções já se esfregassem com um leve movimento de vai e vêm, seus dedos estavam sobre o outro com os olhos presos na boa sensação de estarem tão próximos.
–Ah-an... –Lass se arqueou sobre a cama sentindo o enrijecer do próprio membro junto com o do maior.
O Erudon mostrava-se entretido em seu pescoço, tendo como alvo depois seus ombros, puxando a blusa chegando quase a ponto de rasga-la.
O desejo contido em tudo, desde o início, com um simples olhar mais profundo, Ronan percebeu que não fazia muita diferença entre Lass ser fofo ou não, mas se ele realmente gostava do albino, se ele arriscaria a indecência com ele.
Não havia percebido, seus braços envolviam as costas, onde as sardas deviam estar se mantendo escondidas, e sua movimentação era muito intensa mesmo para quem não havia trocado de roupa.
Quando viu Sieghart naquela cueca boxer vermelha, o julgou imediatamente, achando desgostante a situação do mais velho. Mas pensando melhor, sua situação não era diferente em nada agora, também estava com uma cueca boxer preta do ninja e um kimono azul escuro que Lass tinha trago.
–Lass...
Ao sussurrar, sua mão deslizou por debaixo da blusa branca, acariciando a barriga que se contraía. O rosto de Lass mostrava tensão, seus fios de cabelo caiam para trás, já acostumados com a bandana típica da testa, mas agora sem ela, pendiam mostrando a testa do ninja.
–R-Ron-...
Lass passou as mãos pelo pescoço do Erudon, quase cego devido à intensidade das emoções que sentia, desceu-os até o peito, afastando o tecido para adentrar as mãos que esquentavam. Sua boca entreaberta e recém-chupada estava avermelhada, úmida e chamativa.
Ronan sorriu de uma forma maliciosa, não tão clara, mas o suficiente para Lass sentir um novo ar no ambiente. Os dedos do maior prenderam os mamilos, acariciando-os, seus lábios tocando na base do pescoço, sua língua áspera roçando um local determinado, para em seguida sugar com suavidade; um chupão veio depois no momento em que Lass dobrou as pernas e gemeu baixo.
Ronan passou a mão livre para baixo da coberta, tocando vários pontos pelo corpo do rapaz, atiçando os músculos lisos com calma, perto da virilha, espalmou a mão, acima da área do ventre, pressionando a mão, assim que abaixava os dedos até a barra da cueca.
O albino se apoiou pelo cotovelo e a outra afastou os fios azuis longos. Seu olhar transmitia uma mensagem muda, mas Ronan a captou, mesmo com os pensamentos tão fora de ordem a ponto de se esquecer do que estava fazendo.
–Tudo bem... –sibilou. Seu rosto se encostou no ombro do menor, sua mão abaixando o tecido ao passo que sentia as coxas lisas apertando sua cintura.
Lass o auxiliava, em tempo lento. Mas logo a parte de cima estava caída e a faixa curta também já tinha sido retirada, a boxer estava passando da virilha e chegando nas coxas. Com dificuldade eles se arquearam e se contorceram até que as peças estivessem jogadas dos lados.
O albino se encolheu com a blusa branca sendo a única peça no corpo exposto. Ronan o olhava com atenção, a visão o deixava cada vez mais ardente, seus sentidos menos ativos e os instintos o mostravam que o momento era aquele.
Lass virou o rosto, mostrando estar acanhado com tal intimidade. Os fios começavam a cobrir sua testa e, ao tempo que Ronan se inclinava sobre ele, os cabelos azuis desciam pelos ombros e tocavam o menor, espalhando o cheiro doce de cabelo bem cuidado.
O ninja permitiu-se fechar os olhos e aproveitar-se do aroma, enquanto as mãos do companheiro movimentavam-se, atiçando seus mamilos endurecidos e cada pedaço de pele de seu corpo arrepiado, trazendo uma das sensações mais deliciosas, a qual ele nunca teve oportunidade de experimentar. Seus dedos fecharam-se nos cabelos longos, estendendo-os cuidadosamente enquanto desfrutava de apertos e beijos demorados, molhados e envolventes. Sua boca entreabriu-se pronunciando o nome, sua outra mão descia pelas costas definidas, seguindo a linha dos músculos do arcano, chegando até a cintura, onde segurou o tecido azul e puxou para trás, passando a ideia de que era para tirá-lo.
Ronan passou os lábios pela orelha de Lass, os dentes encostando na cartilagem com provocação. Soltou a respiração excitada e sussurrou com uma voz grave e alterada.
–Está frio...
E segurou os braços do rapaz, abaixando-os do lado do travesseiro. Seus lábios desceram pelo corpo pálido até estar embaixo da colcha na altura da virilha. Ronan tocou a intimidade ereta, envolvendo-o com os dedos, moveu-os por alguns segundos, Lass mordendo os lábios sentindo o prazer e o tesão tão próximos, os gemidos lutavam para sair de seus lábios marcados.
–Solte-se...
Lass apertou os ombros do maior, tentando puxá-lo de volta, em vão. O azulado continuou o pequeno estímulo até que Lass abrisse a boca para soltar um som desconhecido até para o próprio, avermelhando intensamente.
–R-Rona-...
O mais velho o calou, descendo a mão um pouco mais, acariciando os testículos, com um gemido aprovador, e tocando a abertura enrugada.
–A-ah, Ronan... E-e-u...
Forçando o dedo do meio, o albino apertou os olhos com força, arranhando os braços do azulado. A entrada mal dava passagem, a sensação de ardência tomou o menor, exigindo cuidado.
Atendendo, o maior deixou-o e empurrou os cabelos para trás, abaixando-se entre as pernas do ninja excitado e assustado. Quando sentiu a respiração abaixo dos testículos, Lass quase saltou, pondo-se sentado e segurando os cabelos que se espalhavam embaixo da coberta.
–Nn...
O maior não deu tempo para que o ninja reclamasse, sua boca abriu-se, sem pensar em nada, sua língua estendeu-se e tocou o ânus. Sem pêlos, macio, um tanto vermelho e sensível, Ronan circulou a língua, espalhando a saliva quente.
–H-Han... Uh...
O aperto nos cabelos aumentou. Da boca do menor escorria uma linha de saliva, seu pênis ereto liberava o pré-gozo e escorria pelo corpo do membro, descendo entre suas pernas com lentidão. Ronan envolveu a área com os lábios, dando sugadas leves, a ponta de sua língua forçava a entrada e o incitava.
A boca foi trocada pelos dedos novamente. A entrada do primeiro foi sofrida, Lass mostrou-se com dor alguns segundos, mas com a movimentação lenta, demorou algum tempo para se acostumar. Com o segundo ele mostrou pouca resistência.
Trocaram alguns beijos mais quentes, enrolando-se na cama até estarem convencidos de que fariam realmente. Lass deu um sorriso quando eles se beijaram, Ronan já se posicionava, o membro estava úmido, alto.
–Eu nunca ia imaginar fazer isso com você. –comentou enquanto forçava.
Lass teve vontade de dizer para se calar, mas deixou-o, tentando se distrair daquela dor incomoda e rascante. A pele que separa as nádegas acima do ânus se expandia, parecendo que ia se rasgar, mas quanto mais o azulado adentrava, o albino sentia a excitação ficar maior.
Nunca pensariam que a dor era parte e que era boa. Para o ninja demorou aceitar que aquela parte era interessantemente proveitosa, o cuidado que o maior tinha que ter, as carícias e as falas sobre o ouvido. Lass tinha escolhido o certo acreditava.
Quando o maior estava sobre si, os braços envolvendo seu corpo com cuidado, Lass beijou a face do maior com leves selos, permitindo-se as intimidades que não tivera nem sozinho. Ronan esperou alguns segundos, sentindo o calor do companheiro espalhar em seu tórax, os dois corpos roçando diretamente, os mamilos apertados pelo peso. Sua mão tocava as coxas lisas, apertando-as vez ou outra, sua boca trocando um intenso beijo com a do menor, que se atrapalhava com o fôlego e o silêncio do lugar.
No primeiro movimento, Lass apertou os braços no pescoço do maior, separando as coxas o melhor possível. Pela coloração, Ronan via a criatura que mais poderia lhe dar prazer. A respiração ofegante e o cheiro suave fazia seu peito se encher e o gás carbônico sair com dificuldade, seu coração doía e batia em sua garganta.
A repetição aumentou de velocidade, ainda lento, mas tocava os músculos internos, estes apertavam o membro sensível, engolindo-o. Ronan também exibia seu rosto mais corado e indecente, de sua boca sons inteligíveis e quase sussurrados.
O menor apertou as pernas na cintura do azulado e gemeu em seu ouvido, as mãos passeando pelo cabelo sedoso que o atraía.
–Hn... Ronan-ahh... Ow, isso...
A sensação de perigo e seus músculos sendo apertados e acariciados com violência o faziam tremer e querer liberar o orgasmo. Para Ronan o aperto delirava querendo sempre, mais rápido e fundo.
Lass se contorceu em seus braços, incapaz de controlar-se mais e movia o quadril junto com o seu, buscando mais contato. Os gemidos ao pé de seu ouvido excitavam e a aceitação no canal foi quase completa.
Logo o cheiro impregnava em volta deles, tomando a cama, tomando seus poros e hormônios.
–Ronan, ahnn...
A respiração do menor ficou entrecortada, as estocadas firmes, seus corpos soltos e sem ligar muito para o frio que batia nos rostos.
Alucinantes momentos; as estocadas os arrastavam sobre a cama, os rostos vermelhos gemiam pelas bocas, os dedos juntos e beijos molhados. O tesão subindo pelas masculinidades e caindo sobre a pele que queimava.
A consistência branca espalhava-se como creme entre as pernas pálidas do albino. Ele tentava esconder a excitação que estampava em seus olhos finos azuis. Envolvido por isso, o maior lambeu os lábios por dentro, tentando conter o próprio orgasmo dentro da cavidade curta e esmagadora.
–AAHH! AH, Ronan! HNMM!!
Cada estocada acertava o mesmo ponto, fazendo o menor soltar lágrimas com o descontrole. Gemia “A-Agora...”, e despejava outra vez, se excitando poucos segundos depois. Um ciclo que não acabava envolveram os dois por intermináveis horas.
As roupas com o tempo já estavam no chão e as cobertas emboladas aos pés da cama, enquanto os dois mudavam as posições e perdiam os sensos, buscando alcançar o pleno prazer no segundo seguinte, empenhando-se em satisfazer um ao outro.
Quando o menor tremeu fortemente e caiu com o rosto no travesseiro, ofegante, e com a voz completamente rouca, o coração de Ronan quase pulava do peito. Tinham tido poucos minutos de descanso. Foi a coisa mais intensa de sua vida, para Lass devia ser o mesmo devido ao seu estado.
O rapaz estava suado inteiramente, a colcha abaixo de si se mostrava úmida e a aparência dos dois era febril. As coxas de Lass pareciam vibrar e o ânus, que mostrava-se por ele estar deitado de bruços, mostrava uma fenda vermelha anormal, o gozo descia pelo meio e juntava-se na lençol em grande quantidade.
As costas de Lass subiam e desciam. Ronan passou todos os fios de cabelos para trás e deitou-se devagar por cima do menor, beijando as costas quentes onde as sardas despontavam.
–Desculpe.
Energético, Ronan beijou-lhe o pescoço, descansando a face na curva. Lass estava envergonhado por tudo e, cansado demais para qualquer coisa, deixou ficar relaxado ali, com o peso do maior esquentando seu corpo que gelava aos poucos com o vento frio daquela noite que se estendeu ao longo sem nem ao menos se derem conta.
O menor sorriu contra o travesseiro e deixou que o maior o beijasse e o acariciasse todo. Mas o sono o venceu em pouco tempo. Já tinham tido demais por um dia.
Assim que percebeu, o maior pegou a coberta e colocou sobre o ninja. Por um lado, que não o agradava muito, precisava sair dali e, pelo outro, queria continuar ao lado do rapaz frágil que ressonava. Então, convencido de que não era nada seguro, saiu de perto, abandonando o calor que o agradava.
Olhando assim, Lass era realmente fofo. Os cabelos grudados na cabeça e nas bochechas avermelhadas, a expressão satisfeita e a forma com que se agarrava na coberta como se tentasse se proteger de algo. Ronan sorriu antes de se vestir o melhor possível e ir para o quarto, se lavar de verdade e se trocar.
Quando fechou a porta, em silêncio, sentiu dois toques pequenos em seu ombro. Quase pulou de medo, contudo, era apenas o Sieghart outra vez.
–E então? Não vai contar detalhes?
–N-Não! Sieghart, finja que eu não tenho nada com o Lass, por favor. Ou eu vou começar a te tratar ainda pior.
O moreno mostrou a língua infantilmente.
–Eu sabia. Os certinhos são os piores. –falou se afastando.
O azulado ficou no corredor vendo o moreno desaparecer escadas abaixo. Sorriu pequeno, pensando nos motivos do herói. Deu de ombros caminhando sem pressa, como o usual.
Ele estava mais tranquilo... E quem sabe, de repente, eles dois não morassem num lugar assim.
Ele andava pensando nisso enquanto o cheiro de vapor e ervas subiam pelo nariz durante seu andar, relembrando do cheiro do ninja.
Fim
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