YStage

2 02YStage: Diaries


Notas iniciais
E aí está enfim o SieghartxJin! Espero que gostem, foi um recorde de tamanho novamente. Mas espero que o próximo não seja assim tão grande *gota*.De qualquer forma obrigada pela sugestão! Boa Leitura.

...

“E como sempre, ele estava de olhos fechados.”

Os olhos prateados tão cheios de nada em suas pupilas vagueavam as letras deitadas em um itálico ajeitado e tipicamente feminino. Em cada palavra o rapaz, pousado em uma poltrona de couro preta, os cabelos negros arrepiados penteados para trás, a perna esquerda dobrada por cima da coxa direita, sob um terno simples, gravata preta, um óculos de leitura pairando seu nariz, sua mão apoiando o rosto, percebia o cuidado com que palavra fora escrita.

O rapaz moreno piscou calmamente, parecendo estar com tédio. Ele suspirou, fechando o livro e olhando sua extensão superficial.

O livro era encapado com um tecido marrom que também parecia couro de algum animal, mas era incrivelmente limpo e não cheirava, era macio e era envolvido por uma cinto também marrom com uma fivela dourada. Na capa, um claro símbolo arcano dourado.

“Provavelmente ele pediu para que Ronan trancasse-o com o símbolo.”

O símbolo dourado marcava-o como sendo de Jin Kaien. Claro, não poderia ser de mais ninguém aquele símbolo dos lutadores.

O “livro” não passava de um diário. Mas não era nada como “Meu querido diário, hoje eu...”, nada disso. Era um diário livro, pois nele havia histórias. Melhor dizendo, uma coleção de contos de uma mesma história.

Um sorriso transpareceu seu rosto. Ele se levantou deixando-o na poltrona.

O quarto era seu, mas ali ele abrigava um companheiro temporário.

“Estamos em reforma, por isso vocês serão passados para os quartos em duplas.” Foi o que Lothos disse já recebendo uma avalanche de reclamações e discussões que se iniciaram às 5 da tarde e foram até quase meia noite.

Sieghart fora o primeiro a se retirar, quase dois minutos depois de Lothos informá-los. Ele não queria saber, seu quarto seria o mesmo e quem quisesse que viesse enfrenta-lo, ele não negaria um duelo para ver quem é que o tiraria dali.

Sinceramente, ele ficou esperando um longo tempo deitado em sua cama e foi só umas três horas depois que duas batidas soaram pelo quarto simples.

Ali havia sua cama num canto perto da porta, seu arsenal exibido na parede da direita, a vidraça grande que dava saída para a sacada, o guarda-roupa era na verdade um closet mágico que custou muito quando pediu o serviço para Arme. Pelo menos 3000. Ele ficou duro por quase um mês, fazendo dívidas com todos, mas daquele capricho ele não abriu mão.

Sendo assim, havia uma parte do quarto que era apenas carpete, na parede vazia apenas havia a tv grande na parede e um suporte pequeno para seus consoles de jogos. Ao fundo, encostado do lado da parede que tinha a porta do closet, três puffs pretos e uma escrivaninha comprida. Do lado da vidraça estava sua poltrona de couro preto com uma poltrona menor para apoiar os pés e um móvel que segurava suas revistas, livros, dvds e mangás.

Os cabelos negros tentaram escapar das presilhas que havia colocado para ler, ficando vários fios rebeldes pelos lados e um dele em cima de seu olho direito. A batida se repetiu e Sieghart se levantou, com a maior preguiça, com calor e sabendo que estava cochilando e mal tinha escutado o som.

–Oi?

Abriu a porta minimamente para ver aquela criatura. Pelo menos não era o Dio, nem a Elesis, nem a Rey e nem a Amy.

Qualquer um iria irritá-lo para ser sincero, toda a GC tinha um defeito ao menos que o deixava realmente puto. Os casos piores foram os citados acima. Mas agora ele poderia dizer que ficou aliviado? Tirando o fato de que tinha roubado seu diário?

Sieghart rapidamente bateu a porta e trancou-a correndo até a poltrona e agarrando o diário semi lido para então lança-lo sem o mínimo cuidado no closet e fazê-lo desaparecer com um código de voz que Mari o ensinou a implantar em objetos mágicos. Ele correu até a porta e a abriu.

–O-Oi! Jin, desculpe por isso.

O ruivo estava com uma expressão um pouco confusa. Ah, era por isso que Sieghart estava aliviado... Jin era esquentado de seu jeito, mas ainda assim era um monge e não julgava nada à primeira vista. Por isso ele poderia ficar tranquilo e tentar dar uma desculpa convincente, mesmo que em seu interior houvesse uma parcela de culpa e soubesse da mesma forma que Jin independente da situação sempre sabia quando alguém mentia.

Contudo, antes que pudesse expressar seu falso arrependimento, o ruivo empurrou a porta levemente, sem invadir o espaço como um bruto, e adentrou sem permissão, mas com educação.

–Desculpe te incomodar. Você estava cochilando não é?

Sieghart demonstrou um tanto de surpresa e depois riu.

–Eu ia mentir pra você agora, mas dá pra ver que você descobre as coisas bem antes de falar né?

O moreno fechou a porta e voltou para sua cama. Assistindo o ruivo parar na frente da vidraça e em seguida dar um olhar significativo para o moreno esticado.

O sorriso despreocupado de Sieghart era um problema para toda a GC. Bastava estar numa luta e ele exibir aquele sorrisinho sem graça que já era o suficiente para ativar os sensores de raiva inimigos e serem atacados sem poder resolver as coisas civilizadamente.

Era um problema.

–É que...

O ruivo sentiu-se corar um momento e desviou o olhar um pouco incomodado.

Sieghart fez um “Hum?” e fitou o mais novo. Jin estava em uma yukata marrom e vermelha... Estranho.

–Teve festa e eu não estou sabendo?

–Maios ou menos. É sobre isso que quero falar! A festa do Festival Semanal de Serdin é amanhã, mas mesmo assim a Lothos deu início às reformas na sede. Acontece que me mandaram para o quarto da...

–Rey?

–É-É! POR FAVOR, SIEG, ME SALVE!

O ruivo parecia desesperado. O rosto dele era um pouco arredondado e tinha a pele morena, ao contrário do próprio Sieghart, que mesmo com o cabelo tão negro e a resistência corporal superior, era branco, apenas perdendo pra Lass e Zero.

Os olhos dourados de Jin traziam um pouco de desafio aos prateados de Sieghart. Pareciam opostos. Até mesmo o cabelo vermelho como sangue, mais forte que o de Elesis. Pareciam trevas e sangue.

O moreno teve que rir do pensamento. Seria melhor dizer que Jin se parecia com o verão assim... Se precisasse comparar. Mas no momento nada disso era importante. Seu sorriso aumentou e uma risada gostosa atravessou sua garganta.

–Se vire, Jin! –virou-se de lado na cama esperando não ouvir nenhuma reclamação, mas não.

–S-Sieg, eu sei que você tem sua política de “não entrem no meu quarto”, mas por favor, não tem ninguém que queira trocar. Elesis quase me matou quando pedi para trocar!

Sieghart se sentou repentinamente olhando incrédulo e começando a rir quase histericamente imaginando a cena. Sua bisneta era o cúmulo.

–Não creio, Jin! Você é louco? Como teve coragem de pedir a ela, JUSTO ELA, para dormir junto com a REY?! HEIN?! AHAHAHAHAHA...

Era inevitável que o rosto de Jin corasse inesperadamente e ficasse tão cheio de sangue que ele não aguentasse mais olhar diretamente para Sieghart. Foi mesmo um pouco inconsequente pedindo ajuda de uma pessoa que apenas faz troça dos outros... Era quase como Azin, mas tinha seus limites, pois tinha motivos para subestimar pessoas, ao contrário da raposa azul. Mas aquilo ainda o deixava irritado.

Incrível não? Jin não se sentia tão facilmente irritado com as coisas, mas com certeza Sieghart e Azin... Eram o cúmulo da maldade.

–Tudo bem, Sieghart. Desculpe atrapalhar.

O ruivo levou a mão para a maçaneta e abriu a porta, saindo e fechando com cuidado. O moreno parou de rir uns segundos depois, percebendo sua mancada.

–Ora, eu não vou repetir as minhas regras... –resmungou para si mesmo irritado.

Ele fez círculos com o dedo no tecido branco de seu lençol, pensando no rosto do ruivo quando ele saiu. Ok, ele tinha deixado o monge irritado e magoado.

“Não é da minha conta.”

Enquanto pensava em mil razões que o levaram a chutar o ruivo de seu quarto apenas caçoando de sua tão extensa burrice por enfrentar Elesis, Sieghart se encontrou apertando o travesseiro contra seu peito com raiva. Ele estava incomodado demais. E sua subconsciência subia à tona contrariando totalmente sua ação impensada.

“Também não é da sua conta o que ele escreve no diário.”

Sieghart rangeu os dentes. Ok, agora ele estava puto com Jin em dobro.

–TUDO BEM!

Ele se levantou saindo daquele jeito mesmo. Ele havia deitado com o bendito terno e ficado assim o dia inteiro, até mesmo a gravata não tinha sido tirada, mas ele não estava nem aí pra isso.

Ele bateu a porta indo atrás do ruivo. Ele não aceitava sentir culpa, então iria compensar esfregando a cara do monge no chão de pedra das ruas de Serdin, ele deveria sentir culpa também depois que ensinasse ao Kaien que ele não devia chamar Sieghart de “companheiro”, porque sinceramente, ele não se considerava uma parte fixa do que chamavam de Grande Caçada.

–JIN! –abriu a porta do quarto da asmodiana.

No mesmo momento um cão gigante de dentes pontiagudos e bafo de enxofre apareceu abrindo a boca num rugido feroz. THANATOS. Era 1 da manhã...

–O-Oi, Mary...

O cão rugiu de novo, mas dessa vez a garota saiu para fora, fazendo o Bastião ficar do tamanho minimizado e acariciou-o em seu colo. Sieghart não conseguiu deixar uma baba escorrer por sua boca, a visão da Luxúria das asmodianas nunca era algo que poderia ser ignorado!

Aquelas pernas envolvidas pelas meias arrastão e a lingerie animalesca, ou demoníaca, não identificava, o cabelo em coque e os olhos felinos, os lábios despontando com o brilho rosa...

–ACORDE SIEGHART! O QUE VOCÊ QUER A ESSA HORA?!

O moreno encolheu perante a beleza demoníaca e sorriu de canto limpando a boca.

–O Jin, ele está?

Rey juntou as sobrancelhas e se afastou da perna dando visão de dentro para Sieghart. Lá, encolhido no canto, com medo e com lágrimas nos olhos, Jin estava com uma coberta vermelha enrolada no corpo tremendo, parecendo realmente apavorado em estar ali.

–Hunf. Logo agora, Sieghart? Eu estava me divertindo com ele... –reclamou balançando um chicotinho em sua garra com a Endless. Um olhar pervertido surgiu e Sieghart deu uma risadinha já imaginando.

–Vim resgatá-lo. Pode ficar tranquila, ele não irá incomodar mais!

–CHEGOU ATRASADO IDIOTA! Eu já não disse que não quero nenhum humano no meu quarto?! Eu estava pronta para ir no seu quarto e fazer de você meu escravo, mas a Lothos disse que ia tirar todos os meus direitos se eu fizesse isso e mandou que eu me contentasse em torturar apenas esse humano inferior. –soltou com rudeza mandando Jin sumir com a mão.

O ruivo se levantou agarrando suas coisas e voando para fora, ficando atrás de Sieghart.

–NUNCA MAIS VOLTEM AQUI! –gritou irritada junto com um rugido de Mary.

Os dois no momento ficaram brancos e saíram em disparada pelas escadas até alcançarem o quarto privilegiado de Sieghart.

Sieghart respirou fundo, finalmente desfazendo o nó da gravata que pareceu mais apertado.

–S-Sieg, valeu!

O ruivo largou as coisas perto dos puffs e sentou-se no carpete, encostando a cabeça na cama do herói imortal.

–Desculpe por isso.

O moreno o olhou com raiva.

–Sabia que eu ia te matar quando chegasse lá?! Agradeça à Rey por me lembrar que agora eu estou com sono!

O ruivo sentiu uma gota descer por seu rosto. “O que eu fiz?! O QUE EU FIZ PARA MERECER ISSO?!”

–Desculpe de verdade...

Sieghart recuperou a respiração. Soltou totalmente aquele tecido em seu pescoço e jogou o casaco preto no chão, desfazendo os botões da camisa e tirando a cinta da calça. Pronto, estava confortável agora.

Por mais que quisesse, desde muito cedo ele não estava conseguindo dormir. Hoje era o mesmo.

Seus olhos tão cheios de nada vulgarmente encontraram os tão expressivos de Jin. Olhos grandes e cheios de vida. Por quê? Monge desgraçado.

Sieghart rangeu os dentes sem muito sinal de fazê-lo e desviou o olhar irado, parando na vidraça. Estava escuro, estava apenas a luz de seu quarto acesa, a cidade dormia, as pousadas estavam no mais profundo silêncio;

Naquela hora, Sieghart estaria dormindo em seu meio sono de sempre, perturbado por milhões de coisas como era de seu papel durante vida. Os fantasmas do passado e também os monstros do presente.

Alguma vez ele já tinha desejado dormir uma noite inteira? Bem, se não, agora ele queria. Em seus braços um pedaço de paz. Mas em sua íris só existia a Ordem dos Deuses, sua alma era constituída pela Fúria e em suas mãos resplandeciam a Destruição.

De repente o silêncio pareceu mórbido. A morbidez aparecia a cada manhã como esperado.

Sieghart notou que transpirava... “Que calor.”

Seus olhos pararam escurecidos sobre o monge. Ele estava já ajeitado no chão, mas espere... Não havia nenhum colchão ou coisa alguma para ele ficar ali. A questão é que ele estava sentado de pernas cruzadas.

–Está meditando? –perguntou a si mesmo.

O ruivo abriu os olhos.

–Não, só estou me concentrando um pouco. Não se preocupe comigo, pode dormir, Sieghart.

Sieghart suspirou. O ruivo estava com sua calça e uma regata preta, as faixas nos pés e nos braços.

O moreno pensou que não conseguiria dormir mesmo, então quem sabe conversar um pouco adiantaria alguma coisa.

Ele se ajeitou na poltrona, lembrando dos escritos no diário. Ele se lembrou de quando o pegou.

Estava um dia calmo durante a madrugada daquele dia e Sieghart se levantou muito cedo mesmo, ele passou pelo quarto de todos, o dele era o do fim do corredor, e notou uma pequena iluminação saindo pela fresta da porta no quarto do lutador.

Ao abrir um pouco, notou o monge sentado em sua cama, uma lamparina acesa, e sua mão brincando com uma caneta enquanto segurava um caderno grosso de capa marrom em bom estado. Ele sorria para si mesmo, os olhos sem se afastar um segundo do que escrevia vezes ou outra e logo se concentrava, ficando vários minutos escrevendo.

Nem mesmo Sieghart percebeu que suas costas doíam de tanto ficar na mesma posição. E se viu curioso para ler o que estaria ali naquele caderno que nunca tinha visto na vida.

Jin devia mantê-lo bem escondido, já que na Grande Caçada ocorria muito o caso dos integrantes invadirem os quartos uns dos outros apenas para descobrirem segredos ocultos, úteis ou inúteis, ou até mesmo para fazer traquinagens com os membros. Era algo de se dar dó, mas funcionava! Tanto que descobriram sua coleção de braceletes demoníacos extremamente raros escondidos no seu cantinho mais secreto. O pior foi que quem descobriu foi a azarada da Amy, e depois distribuiu os braceletes e ninguém devolveu eles depois. Sieghart roubou todos de volta, mas ele ficou com a faxina de toda a sede durante seis meses. Ele não precisava dizer que quase morreu.

Voltando ao que interessa de verdade, Sieghart ficou muito curioso. Ele até pensou em pedir uma dica depois de como esconder algo que não queria que os outros descobrissem para o ruivo, mas antes vinha a missão de ler aquele diário.

Foi fácil, ele viu onde Jin guardou, num compartimento no teto de sua beliche. Jin dormia sozinho, mas tinha uma beliche e dormia embaixo. Em cima ficava outro colchão com algumas almofadas, de onde ele assistia televisão. Era algo estranho, mas ele explicava aquilo com muita naturalidade.

Logo após, Sieghart matou o dia todo lendo o diário e parou naquelas palavras, quase no meio do caderno. “E como sempre, ele estava de olhos fechados.”

Era curioso. O ruivo gostava de escrever dramas românticos.

Neles ele gostava de falar sobre um rapaz que tinha brilhos nos olhos como o sol de tão quentes, o corpo era definido por deuses e sua personalidade era algo de se dar dó. Era uma pessoa fria, arrogante e ignorava a tudo e todos. De primeira ele pensou que seria baseado em Lupus. Mas enquanto lia, pequenas partes diziam sobre os olhos que transpareciam o gelo, mas eram bem no fundo aquecedores, após, os cabelos castanhos e sedosos, a pele pálida. Daí foi o que o fez pensar que seria apenas um personagem imaginário.

Além disso, Jin gostava de escrever sobre uma menina que o personagem gostava. Ela era parecida com Elesis, mas chegava até a ser parecida com o Zero em questão de timidez, mas logo ela tomava a personalidade Ronan e se tornava uma pessoa calma.

Sieghart ficou pensando demais nessa história de dois personagens onde não havia interações diretas entre os dois, apenas pontos de vistas sobre a mesma situação até que eles se encontrassem apenas quando um deles dormia.

E foi quando aquelas palavras o incomodaram. Sieghart respirou de novo olhando o ruivo sentado. Ele ainda o olhava curioso.

–Não quer dormir em um colchão? Tenho um guardado.

Jin arqueou uma sobrancelha.

–Tudo bem, esse horário eu já acordei.

–A-ah... É mesmo? Ok, eu acho que vou dormir um pouco. Tudo bem mesmo, criança? Não quer nem se sentar na poltrona?

Cada palavra saía quase que obrigatoriamente, mas Sieghart começava a se preocupar consigo mesmo. Ele estava ficando mais perturbado cada vez que se lembrava daquele caderno.

–N-Não, Sieg! Eu só vou meditar o resto da madrugada, pode ficar tranquilo.

Sieghart esfregou sua cabeça incomodado. Não, não, não. Estava errado aquilo. Ele não devia ter ido atrás do monge, porque ele tinha ido pra bater nele, não para ceder espaço em seu quarto.

Mas então...

“Por que eu continuo oferecendo coisas para ele se sentir melhor?!”

A expressão que fez com certeza deixou Jin com medo, então ele assentiu com a cabeça em relação à pergunta do ruivo e desligou a luz, sendo tomados pelas trevas da madrugada sem sol nem lua.

A luz do dia iria nascer dali poucas horas, então não havia nada para se preocupar, não?

Seus sapatos foram retirados sem o mínimo de cuidado e Sieghart entrou embaixo das cobertas, sentindo que a temperatura do local estava ficando mais quente. Maldição...

“Que calor infernal é esse?!”

Sieghart esfregou o rosto no travesseiro enquanto com uma mão empurrava uma das duas cobertas e esperava um tempo. Continuava suando e sua respiração ofegante. Parecia uma semana na Fornalha Infernal.

Passavam os minutos e neles, uma de cada vez, as peças de roupa de cama caíam no chão, em seguida foi a camisa do terno que estava aberta. Enquanto o meio sono o pegava e o deixava numa transição entre o acordado e o dormindo, Sieghart suava e seus cabelos começavam a se soltar das presilhas que tinha se esquecido de tirar.

Logo o sonho cheio de escuridão e solidão o tomou de novo e o moreno não conseguiu acordar, rangendo os dentes, os músculos se retesavam e doíam, seu espírito parecia que ia escapar do corpo com a temperatura fervente, pareciam lâminas atravessando seu corpo lentamente e ele não morria, ele também não podia morrer.

Suas mãos apertaram o travesseiro, seus suspiros ofegantes corriam como sussurros pelo quarto e seus olhos se apertavam.

–“E mais uma vez ele estava de olhos fechados...”

O ruivo observava toda a cena parecendo não sentir nenhuma compaixão pelo moreno encolhido na cama. Em sua mão pousava o diário. Por alguma razão, ele tinha pressentido que era Sieghart que o tinha pegado. De alguma forma, ele soube qual era o código de voz de Sieghart e por uma razão muito óbvia ele soube que Sieghart tinha um closet mágico. Ele apenas se levantou, buscou onde a porta provavelmente estaria devido a posição dos móveis do quarto e foi um sucesso.

De alguma forma também ele esperava que isso acontecesse um dia, mas poderia ter acontecido com qualquer um. Mas foi mesmo com Sieghart...

Algo como isso não poderia ser outra coisa além de destino ou obviedade.

Ele trouxe uma caneta e com ela continuava a escrever durante a madrugada. Seus olhos dourados esboçaram um sentimento triste enquanto olhava o héroi se contorcendo.

–... Enquanto sua voz saía rouca pedindo o sossego de sua alma. Era tão fácil para um humano obter a morte, enquanto ele a nega com suas forças, desejando um minuto a mais, um segundo a mais... Para ele seria bem melhor se fosse um humano não é? Enquanto aquelas vozes tomavam sua mente e aquele clima desfavorável corria o campo de batalha. Ele gritava um pouco com seus subordinados. Ele levantava sua espada manchada e trincada nos tempos imemoriais. Em seus olhos fechados ele podia se relembrar de tudo. Seus dentes rangiam duramente quanto mais negava a sua essência original. Ele não precisava ser igual a ninguém e não seria subestimado por ninguém enquanto fosse aquele grande ser. Sem resistência, ele conquistou um tolo. Aquele que o seguiria, que o tomaria em seus braços como bons amigos. Mas o título em si era negado veementemente, e, sem nenhuma objeção o tolo se senta observando as dores que se passam em seus olhos de gelo ferventes.

XXXX YStage02 XXXX

Você já negou sua vida?

Seus olhos ficaram tão escuros e secos que você pensou que se morresse nada iria mudar? Que as pessoas iriam ao seu enterro e chorariam por você, que naquele breve momento você seria o centro das atenções e marcaria para sempre o coração das pessoas?

Quando você acordou com o sol já no alto do céu que chorava também, você já estava tão exausto que levantar para caminhar seria apenas mais cansativo. Seus cabelos grudavam na testa. Sua boca e sua garganta estavam secas. Sua visão desfocada. Seu corpo apenas com a peça íntima. Seu coração prendendo uma sensação dolorosa de que tinha feito algo muito ruim.

Quando ele acordou já era meio dia. Mas sua noite, ou melhor, madrugada, não tinha sido aproveitada em nenhum momento?

Assim que seu pé tocou o chão, o carpete lhe propôs uma sensação menos lamentável que o frio em seu interior. Sua aparência de morto não mudava nenhuma verdade ou fato daquele dia ou daquela era.

Por quê?

Aquele dourado tão brilhante só o fazia se sentir mais menosprezado e inferior... Ser humano. Ser mortal...

Sieghart bateu o punho na parede do lado da vidraça. Seus olhos opacos de mais uma de suas seminoites mal dormidas estavam olhando com ódio aquele sol quente com seus raios fulgurosos tocando sua tez pálida e franzida.

–“... E então aquele ódio amontoado se tornou amor pela humanidade mesmo que em uma grande constante negativa”.

Sieghart arregalou os olhos e virou-se brutalmente, fitando o ruivo que tinha saído de seu closet com um livro em mãos. Ah! Não...

Aquilo não passava de um caderno velho de páginas amareladas, de capa dura preta e uma corda de fibra que o enrolava fortemente. Ele, o garoto de cabelos vermelhos, parecia estar calmo como em todos os outros dias. Eram eles dois retratados no diário de Jin? Pois ele se lembrava de uma história parecida que tinha visto durante sua eternidade, mas fazia muito tempo e não lembrava onde tinha visto tais palavras.

Quer surpresa! Eram suas próprias palavras durante dois anos esquecidos no tempo.

Por isso eram dois pontos de vistas da mesma situação. Ele tinha se esquecido completamente, assim como uma criança esquece da maioria das coisas que faz.

Era ele. Eram suas memórias. Suas batalhas. Os únicos acontecimentos que ele havia gravado em um diário em um verão de guerra.

Era assustador... Agora os escritos de Jin pareciam fazer parte de sua própria história e ele não soube mais distinguir a diferença entre elas, parecendo que as duas se entrelaçavam maldosamente e brincavam com seus sentidos.

Sieghart deu um sorriso sarcástico, pondo as mãos na cintura. Ele jogou a cabeça para olhar o teto.

–Acho que vou ter que trocar o código vocal outra vez... –sussurrou baixo com os dedos apertando forte sua própria cintura.

Seus punhos coçavam. Ele adoraria... Bater em alguém agora.

–Desculpe por entrar assim.

Sieghart tinha as sobrancelhas tremendo, estava perto de desabar numa emoção forte de transbordar em raiva e deixar-se enlouquecer por um momento depois de tanto tempo.

Por quê?

Aqueles olhos brilhantes que pediam desculpas tão simples pareciam implorar seu perdão tão dolorosamente que o impediam de dar um passo em frente. Ele estava transbordando por dentro e poderia explodir.

Por quê?

Aquele sorriso fraco parecia vir de eras antigas e tocar seu coração com cuidado e envolve-lo em seus braços. Sua alma se apertava querendo se expandir até tocar aquele rosto tão verdadeiramente jovem.

E por quê?

Aquela boca que se movia parecia não sentir remorso ou compaixão, apenas compreender seu estado fraco e tão inferior mesmo com tanto poder. E seu coração apenas doía e acelerava querendo encontrar a resposta num vago telão transparente.

Sieghart conseguiu segurar aquele som estranho que pretendia vibrar de suas cordas vocais, ele não havia tirado os olhos de Jin um único segundo, mas não percebeu que ele já estava a sua frente, sua mão com o diário de guerra estendido.

–Isso era muito importante para você naquela época. E agora se tornou também importante para mim. Você me deixaria compartilhar mais dessa experiência, Sieghart?

Sieghart abaixou a cabeça desviando os olhos do ruivo.

Jin era um palmo mais baixo do que ele, apenas um pouco, mas ainda assim, eles eram uns dos mais altos depois de Dio. Os cabelos ruivos eram arrepiados quase iguais aos seus, apenas sustentados pela faixa preta e vermelha, como o usual.

Jin sorria fraco e com uma leve coloração avermelhada abaixo das bochechas, deixando Sieghart um pouco sem saber o que dizer com a pergunta sem sentido. Era tão claro agora que ele tinha roubado o diário, mas também não lhe parecia que o ruivo havia ficado zangado, apenas um pouco desconcertado.

“Depende.”

–Você não ficou bravo?

O ruivo abaixou o livro e deu um sorriso mais típico, deixando Sieghart mais confortável.

–Claro, não se mexe nas coisas dos outros. Ainda mais quando se quebra as próprias regras. Ouviu, Sieg? Não foi nada exemplar.

–M-MAS O QUE?! S-Seu pirralho...

O ruivo riu deixando o diário preto na poltrona.

–Tudo bem.

Sieghart ficou um tanto surpreso. O ruivo tirou a faixa da testa e a enrolou no diário negro meio rasgado. Sieghart fitava tudo um pouco confuso.

–Prometa que vai guardar. O diário e a faixa.

Sieghart arqueou as sobrancelhas e sentiu uma onda gostosa de felicidade. Ele era tão bipolar... Odiava-se por isso.

–Mas que? Pra que? Já pensou que eles vão se desintegrar não importa quanto tempo eu os guarde? –ele limpava as lágrimas de tanto rir.

Jin bufou um pouco decepcionado, mesmo sabendo que essa seria inevitavelmente a reação inicial.

–Você nunca entende a essência das coisas espirituais não importa o que, Sieg. Já tentou descobrir porque você se odeia tanto?

O moreno travou. O que?

Sua face irrompeu em uma faceta de ódio novamente.

–Você mostra na cara o que sente tão fácil. Só durante as verdadeiras batalhas é que você se torna aquele que eu admiro.

O moreno apertou o punho com força. Três segundos...

“1...”

–Se quiser entender isso... –o ruivo se virou em direção a porta segurando a maçaneta com pouca força, abrindo-a lentamente.
As coisas para Sieghart pareciam andar em câmera lenta.

“2...”

–... Eu estarei aqui. Mas não se esqueça de que um dia eu também vou desaparecer.

Ele moveu a perna para frente já pensando em correr na direção do monge descarado.

“3...”

–JIN!

O ruivo fechou a porta. Sieghart parou com os punhos na porta que lhe deu as costas, fazendo um som ressoar de forma nada agradável e quase como eco, deixando-o só em suas trevas interiores e com o sol de verão iluminando todo o quarto com um brilho vermelho.

–“Apenas não me deixe só...”

Ele desabou no carpete chorando lágrimas de sangue.

XXXX YStage02 XXXX

O Festival de Serdin ocorria semanalmente. Era loucura, várias pessoas diziam que era desnecessário, mas somente o mandato da Rainha era suficiente para que todos encarassem aquilo como um momento de confraternização que não deveria ser desrespeitado. Por intermédio da deusa criadora Armenian, eles iriam compartilhar os momentos daquela gloriosa cidade que ascendia cada vez mais em união.

Todos os membros da Grande Caçada estavam presentes no momento do brinde junto à Rainha. Eles deviam comparecer quando estivessem na cidade livre de missões.

Naquele dia todos os presentes estavam se divertindo, ou quase todos.

No rosto do moreno seu sorriso mais falso que não seria percebido por ninguém além do monge. Afinal, com ele não precisava se preocupar, Jin não era um fofoqueiro.

Em seus braços dançavam duas belas moças. Ele estava se sentindo mais vivo nesse início de noite. Convicto que passaria aquelas horas acordado, em boa presença, bebendo e dançando. Logo se uniria às rodas de apostas e depois sumiria com uma bela garota.

Seus planos estavam formados. Seus olhos sempre escureciam de noite e ele levava as orbes ameaçadoras buscando sua presa para deitar em uma cama de hotel (isso se ele não perdesse todo o direito nas apostas). Mas hoje ele imaginava estar com sorte e com tudo ao seu favor.

Hoje, ele queria uma garota jovem, queria uma virgem. De alguma forma sádica ele estava querendo uma ruiva, ou uma garota de olhos dourados. Ele gostaria de ver a garota chorar hoje... Diferente do comum.

Sieghart gostava de mulheres experientes. Tinha perdido o gosto por garotinhas tímidas, pois tinha que ter cuidado e nunca chegava ao pleno prazer. Isso o deixava irritado e com o pensamento de que seu dinheiro havia sido jogado fora e seu tempo perdido.

Mas hoje, ele estava nervoso. O dia inteiro havia sido empurrado com a barriga, as poucas missões foram completadas rapidamente, ainda que com brutalidade, que lhe rendeu um bom xingamento e uma discussão com a Comandante Lothos. Ele estava bravo com Jin.

“Como aquele garoto ousou?...” Sieghart sorria enquanto sua mente se infundia nos pensamentos mais concentrados.

Uma menina lhe deu um beijo rápido e piscou saindo entre a multidão. Ele continuou dançando com a outra e seus olhos rápidos capturaram uma garota de 15 anos, a idade de Jin, tinha cabelos louros e olhos dourados lisos. O corpo escultural, mas um vestido simples, olhar inocente e um sorriso simpático, alegre.

“Será ela.”

Sieghart foi dançando com várias garotas até se aproximar e parar em frente à menina. Ela sorriu pequeno e seu rosto ficou um tanto vermelho.

–O-oi.

–Mocinha, aceita dançar agora? Seria um desperdício ficar dançando sozinha, vamos!

Ele sorriu largamente invadindo o espaço pessoal da garota e tomando a mão suave. O sorriso da menina indicava tudo: “Mais um futuro coração partido”. Sieghart sorriu com o pensamento maldoso.

A menina se enlaçou nele até que com facilidade, mas o toque era respeitoso. Sieghart esboçou nos olhos eu melhor olhar sedutor, que fez a menina entreabrir um pouco os olhos e abaixar os olhos em direção aos lábios do moreno. “Elas sempre olham os lábios...” sorriu mostrando os dentes de leve e acariciando os cabelos louros com doçura no movimento.

A lourinha riu baixinho, toda tímida, e sem saber quem era o galante rapaz, mais velho e experiente, Sieghart foi levando-a na conversa durante um longo tempo, dançando, levando-a nas barracas, dividindo comidas e finalmente parando na mesa de apostas.

A loura ficou um tempo agarrada nele, o conhecia agora pelo nome Hank. A garota se chamava Vine e aparentemente já considerava Sieghart como um parceiro para todo o festival... Ela devia pensar que eram amigos.

Sieghart sorria e mostrava como ela devia analisar a situação e fazer sua aposta. Mas como ela dizia não ter dinheiro, Sieghart imaginou que deveria ser gentil e fazer uma aposta média por ela. Sua sorte foi ter vencido.

Quase com o coração da menina em mãos, a noite se estendia, mas ainda estava cedo demais. Sieghart foi discretamente a movendo para lugares mais desertos do festival, onde começavam os becos e os casais secretamente se agarrando. Ali apenas os olhos treinados de Sieghart poderiam ver as safadezas que aconteciam, e de alguma forma, ele sempre se excitava quando estava por ali.

Vine parecia não saber nada, até então, distraída com os itens das barracas. Tudo ficava mais escuro e a lua cheia tomava o céu.

Sieghart passou o braço na cintura da loura, sorrindo e comentando alguma coisa boba que faria a menina rir. Ele então a apertaria contra si e diria que foi maravilhoso conhece-la. Ela sorriria envergonhada e desviaria o olhar. Sieghart então desfaria a expressão feliz e demonstraria sua paixão pela loura com o olhar e umas palavras como “Você é tão linda”, a fazendo ficar sem reação, logo ela encurvaria o corpo e tentaria se soltar, mas ele a apertaria num abraço “Eu te amo” e ele demonstraria apenas carinho, deixando-a fechar os olhos. E a beijaria e a levaria para um canto afastado.

“É assim que se consegue enganar essas humanas ingênuas... Sinto pena de você, Vine.”

O corpo se encontrou na parede com um pouco de força enquanto um beijo desajeitado se iniciava. A loura ficou sem ar rápido e ficou brutalmente envergonhada, mas antes que pudesse falar algo, Sieghart a impediu com outro beijo forte, buscando se saciar, e suas mãos passearam pelo corpo intocado, as curvas o intrigando e os volumes o chamando.

A mão deslizou por debaixo do vestido com facilidade fazendo-a soltar um chiado de surpresa, mas Sieghart mostrou-lhe seu olhar de “Confie em mim” e não houve saída. Ela estaria logo gemendo por um nome falso, apaixonada loucamente por uma pessoa impossível de ser alcançada.

Os seios grandes foram tocados sem inocência, sendo movidos e incitados. Aquilo não era muito diferente de um estupro, mas Sieghart não se importava, era apenas sexo e ele apenas estaria tirando a virgindade de uma menina tola. Ele não a engravidaria e não passaria nenhuma doença, ela não tinha, ou teria percebido. Tudo o que podia dizer era que aqueles olhos dourados surgiram na hora certa.

Sua língua roçou no pescoço branco mordendo-a.

–A-Ah, não! Hank, não...

Ela fechava as pálpebras com força. Sieghart sorriu entre uma lambida e um chupão, marcando-a com um roxo quase inacreditável. Ele era um grande canalha hoje, mas ele não tinha outra forma de aliviar sua raiva sem destruir o continente inteiro.

Sua mão grande espalmou na nádega, fazendo-a ficar sem ar, os dedos roçaram vários pontos, percorrendo a calcinha e adentrando-a por baixo, até tocar a intimidade úmida.

Ele sorriu de um jeito diferente, brincando com a pele. Sieghart sentiu seu sorriso ficar maior ao forçar um dedo... Que surpresa, ou ela era virgem ou ela tinha se masturbado com algo grande o suficiente como os próprios dedos... Era uma outra timidazinha que no fundo queria muito sentar em outro cara. Ela iria contar agora...

–Me diga, Vine...-falava rouco com sedução e excitação percorrendo seu corpo todo em forma de calafrio juntamente com a maldade de sua natureza atual.

–H-Hm...?

–Você já... Deu pra outro cara?

Ela soltou outro chiado e arregalou os olhos. Ho? Ela estava com medo de não ter o que queria? Sieghart poderia gargalhar disso, mas ele simplesmente se contentou em continuar o interrogatório.

–Não?-sussurrou ao pé do ouvido mordendo a orelha.

–Ugh!

Seu dedo forçou-se mais, sendo abrigado pela umidez e pelos músculos quentes que o puxava e se retesavam. Seu dedo indicador juntou-se e ele não sentiu nenhuma resistência, satisfeito com a facilidade que seria. A menina se apertou contra a parede, nem se importando com o local inapropriado e Sieghart pode observar com uma felicidade sádica saída do nada que a garota apertava sua mão com as coxas e se esfregava na parede.

–Vine... Você já transou?

–N-Não...

O moreno riu consigo mesmo apoiando o queixo no ombro da menina e colocando mais um dedo, dessa vez houve um aperto e ela gemeu mais alto. Não... Ela não tinha mesmo.

–Safada. É errado ficar se masturbando sozinha. Os homens não gostam disso, eles pensam que a garota está mentindo. –provocava ao ouvido da menina até que ela se contorcesse e agarrasse seus ombros implorando.

Ele soltou-a mostrando os dedos com o orgasmo. Ele adorava fazer isso... Era terrível, mas adorava. Ela gemeu com medo, mas excitada e sem indicações que iria resistir.

Vine apertava as mangas de seu casaco e tinha a cabeça baixa, apenas esperando. Sieghart a segurou no pescoço e a trouxe mais perto, subindo o vestido e a coxa esquerda, juntando-a em sua cintura. Seus lábios tomando os dela com fome e o quadril esfregando no dela.

Ele poderia fazer durar, fazer aquele momento ser mais do que uma transa numa viela, do que uma simples garota se entregando a ele, mesmo tendo sido enganada. Mas mesmo que ele quisesse fazer tudo isso ou não, suas decisões e ideias sumiram no momento em que sentiu sua gola ser puxada por trás e ele perder um pouco a respiração.

–A-AR-!

–Sinceramente. O que está pensando...?

Enquanto sentia-se ser puxado dali com muita força, ele via a loura ficar ali desamparada com uma expressão assustada. A voz era clara, era o Jin.

–J-JIN! ME SOLTA, COMO VOCÊ FEZ ISSO?! TÁ LOCO? QUER MORRER? ME SOLTA!!!

O monge o soltou com raiva à sua frente. Sieghart massageou o pescoço e limpou a outra mão dentro do bolso do casaco, incomodado com os olhares que a multidão começava a mandar sobre eles. Logo perceberiam que eram membros da Elite, então precisavam sair logo.

–Jin, como você teve coragem? Eu tava ocupado.

–Enganando uma garota qualquer? Você não tem vergonha?

O moreno bufou irritado com a intromissão indesejada.

–Sim, estava. E não, não tenho vergonha. Algum problema com isso?

–Seu velho pervertido. Imagino o que ela diria se soubesse que tem 619 anos. –Jin cruzou os braços, irritado também.

E olhe lá, Jin estava mesmo bravo. Sieghart juntou as sobrancelhas.

–Você. Você está pedindo para apanhar já faz algum tempo. Mas eu só não vou fazer isso por estarmos nesse festival idiota.

Jin sorriu de canto.

–Eu não sou desse continente mesmo. Se quiser ainda posso lutar.

–Mas está na Grande Caçada, pare de ser irracional.

–Quem está sendo irracional é você. No que está pensando ao tentar fazer aquilo com uma menina de 13 anos.

–Han? –Sieghart ficou com os olhos arregalados.

Jin estreitou os olhos. O moreno... Estava confuso agora.

–Não me diga que não sabia.

Sieghart olhou para trás, buscando o local onde estava há poucos segundos, ela tinha saído e olhava para os lados. Ela tinha mesmo um porte menor.

–B-Bem...

–Você deve ter perdido a cabeça.

–N-NÃO! É que a fisionomia das meninas tem mudado com os tempos.

–Como eu disse: Você é só um velho pervertido.

Sieghart corou um pouco, bufando. Ele deu as costas para Jin e se infiltrou na multidão. Seria melhor ele nunca encontrar Vine de novo.

Sieghart foi parado pela mão de Jin.

–O que é?

O ruivo suspirou.

–Eu já disse, você não quer conversar um pouco sobre aquilo?

O moreno sentiu-se arrepiar e disse um “Não” muito rude, saindo de perto. Com a última fase do plano, agora arruinado, sobrou apenas para ele vaguear pelo festival com tédio e tentar não dormir de forma alguma.

–Eu só espero que essa noite acabe logo!

XXXX YStage02 XXXX

Quando ele estava deitado na cama olhando a lâmpada que piscava irritantemente, Sieghart provou do silêncio que era o QG quando ninguém estava lá.

Ele bufou, ouvindo a água pingando da torneira no andar de baixo. Seus olhos mal piscavam, como um ser vegetativo, ele ouvia as correntes de vento entrando pelas frestas do prédio, os latidos de cães ao longe e ate mesmo os constantes risos e música no centro da cidade.

Parecia que estavam todos se divertindo mesmo.

Era difícil aceitar isso. Que ele já não sentia mais uma emoção verdadeira.

Ele sorriu para si mesmo.

Enquanto para vários humanos um sorriso diz muitas coisas, para este pobre imortal um sorriso é apenas uma forma de mostrar o quanto está triste.

Ele chegou ao ponto de chorar naquela manhã. Aquilo apenas servia para dizer o quanto era fraco e sensível aos humanos mortais. Ele estava se despedaçando e somente agora estava se dando conta.

O moreno fechou os olhos, apurando seus ouvidos. Consequentemente, ele ouviu a porta da entrada rangendo imperceptivelmente com a entrada de alguém, os passos vinham calmos e sem pressa, paravam na cozinha, andavam por ali, depois ia até a sala, depois subia as escadas normalmente, parava em um quarto e depois voltava ao corredor, se aproximando.

Sieghart sentia-se estranhamente nervoso. Em seu interior, porque ele sabia quem era o atrevido que vinha repreendê-lo?

Porque o único teimoso o suficiente e ousado o suficiente para enfrentá-lo só podia ser o ruivo, tentando corrigi-lo, ao contrário de Dio que apenas o queria como rival, sem se intrometer em sua vida pessoal. Não tinha jeito, era um carrapato.

A porta se abriu sem mesmo uma permissão. O ruivo veio entrando sem dirigir um olhar focado em Sieghart e ele não parecia bravo.

–O que você quer?

O ruivo coçou a cabeça suspirando enquanto se sentava no chão em posição de lótus.

–De verdade, eu fiquei entediado e vim ver como você está. Muito nervoso porque te atrapalhei?

Um calo surgiu na testa de Sieghart enquanto o moreno remoía os dentes, irritado com aquela expressão despreocupada. Suas mãos coçavam mais.

–PO***! CAR**** JIN SEU ***** ** ****!! DESGRAÇADO!... blablablablabla!

Jin tapou os ouvidos enquanto Sieghart descontava toda a raiva em xingamentos. Parecia um trovão e seu rosto estava explodindo em vermelho.

Quando um minuto depois o moreno conseguiu parar porque engasgou, ele tentou controlar a respiração. Estava puto, isso era óbvio.

As mãos de Jin se afastaram dos ouvidos um pouco se certificando que não havia mais grito nenhum.

–Des... Culpa? –sorriu sem graça.

–Eu devia te matar, seu pirralho mal-agradecido!

Jin riu baixo, fazendo Sieg se tocar que era desnecessário tudo aquilo. O ruivo pareceu uma criança mesmo daquela forma, rindo tão ingenuamente em seu carpete cinza.

O sorriso de Jin era muito bonito e as maçãs do rosto avermelhavam um pouco quando fechava os olhos e ria baixo, como se estivesse realmente achando graça. Aquilo fez Sieghart se sentir um adolescente de verdade.

O moreno bufou se levantando.

–E então, o que quer fazer? Ainda quer ficar mais um pouco no festival?

–Não. Vamos fazer alguma coisa pra comer e vamos ficar assistindo tv.

Sieghart riu com gosto, indo até seu closet.

–Que programa de namorados, Jin.

–Uh. E daí? Ou você quer conversar sobre os diários? Eu gostaria de ouvir algumas histórias suas.

–Prefiro os filmes. –falou sério enquanto volta-se novamente para o local e entrava, buscando uma muda de roupas.

Jin se levantou rápido, indo até as costas do moreno e olhando por cima de seu ombro.

–Ei, Sieg.

–Hm?

–Você realmente ficou preso no mar por cinco meses?

O moreno respirou fundo. Jin era uma criança cheia de fogo, sempre querendo ouvir histórias emocionantes e ter alguém para se espelhar. Parecia que ele era o alvo agora.

O ruivo estava com o corpo quase apoiado no seu para ver o que fazia. O herói permaneceu um tempo mexendo nas roupas procurando um pijama.

O ruivo se cansou e encostou-se a um canto.

–Que demora.

–TCH! Você podia então ir fazendo algo pra gente comer, faz pipoca!

–Não, eu prefiro que você troque logo e venha comigo.

O moreno resmungou. Ele não era grudado ao garoto, que coisa.

“Como se precisasse de mim pra se mover.”

O ruivo olhou para o lado e viu um conjunto em um cabide, puxando-o para dar uma olhada. Assim que Sieghart se virou, viu o monge o estendendo.

–Use esse.

–M-MAS PORQUE VOCÊ ESTÁ AQUI AINDA?!

O ruivo riu, apenas balançando as mãos como se fosse inocente.

–Droga, Jin.

Seus braços fizeram o mínimo trabalho de tirar o casaco, não notando o olhar significativo e a atenção que os olhos dourados davam ao momento. A peça caiu no chão sem o mínimo cuidado, se esparramando. Em seguida, as mãos escorreram pela camisa e tocaram a barra, começando a levantar o tecido branco.

No mesmo momento Jin sentiu as bochechas esquentarem, os olhos desviaram-se um pouco, mas voltaram, pensando que seria estranho ele demonstrar timidez em uma situação dessas. Aconteceu que ele teve que engolir a saliva antes que se engasgasse, seus olhos ficando mais focados e estreitos.

Sieghart puxava a camisa, parecendo tudo correr devagar no tempo, a pele branca aparecendo delicada, nada de porte másculo, apenas uma barriga lisa, mas magra e a cintura marcada. Jin suspirou tão baixo que ele poderia jurar que estava perdendo ar.

Isso não era normal de forma nenhuma. Ou era? Ele nunca havia sentido isso antes.

Assim que o show acabou, Sieghart encerrou balançando os cabelos como um cachorro faz quando sai da água. Mas foi algo muito mais complexo e sexy do que isso.

Jin se virou um pouco fingindo buscar outra roupa.

–OE OE, JIN!

O ruivo se virou.

–O-O que?

–Não disse que podia pegar minhas roupas pra voc-... Hm? Você tá legal, Jin?

O moreno se aproximou um pouco enquanto desabotoava a calça. Jin suou frio, no rosto um largo sorriso amarelo e os olhos muito desviados. Era óbvio seu desconforto.

–N-aaada!

–Hmm...

O moreno deixou que a calça caísse aos pés e ele ficasse exposto somente com a cueca boxer cinza de barra preta.

–Olha, se quer tanto usar... –o moreno avermelhou um pouco. –...Tudo bem.

Jin corou três vezes mais e se virou agarrando uma troca qualquer. Ele se afastou um pouco.

–C-Claro, eu devia comprar umas roupas melhores, minhas calças começaram a ficar velhas, sabe? Ahahahaha...

Sieghart torceu o nariz com a mudança de comportamento. Seu dedo indicador se ergueu.

–Não minta, Jin! Suas calças não estão velhas, só muito gastas já que você fica andando descalço e arrasta a barra delas, além dos seus movimentos de artes marciais sempre estarem desfiando a costura delas.

A mudança de assunto fez Jin ficar mais tranquilo, mas não era como se a visão mudasse, continuava... Lindo.

“Oe... Que loucura. O Sieghart estava quase comendo a garota viva e eu já to pensando em uma coisa dessas...”

–Jin.

–H-Hm???

O moreno se aproximou dois passos, ficando quase com o nariz encostado no do menor. Jin sentiu suas costas encostarem-se às roupas penduradas em cabides ali. O cheiro de Sieghart estava impregnado em tudo, e convenhamos, o cheiro daquele cara era muito bom, ainda que fosse natural.

Sieghart tocou a testa de Jin.

–Você...

As costas de sua mão tocou a bochecha, medindo a temperatura.

–Você está bem quente.

Jin mordeu a boca por dentro “Até demais e até onde não devia!” se desesperava. Sieghart riu um pouco, afastando a mão e encostando a testa, até estar olho-a-olho com o monge.

Ah, grande. O moreno estava brincando consigo agora.

–Ei, Jin. Eu ainda estou bravo... O que você vai fazer pra compensar minha perda?

–A-Ah... Que tal aquela pipoca? –Jin *gota*.

Sieghart riu alto, chegando mais perto, e em seguida, numa mudança de expressão esplêndida, fitou-o sério, sua boca encostando do lado dos lábios de Jin. O ruivo tremeu e ele ficou claramente perturbado, enquanto Sieghart aproximava seu peito ao seu e respirava em seu rosto.

De forma surpreendente, Jin sentiu a mão direita de Sieghart subir seu braço com pouca força e alcançar a base de seu pescoço, resvalando os dedos pelos fios vermelhos de sua nuca de forma quase... Carinhosa.

Após isso, a mão que se mostrava um tanto fria para todo aquele calor subiu até seu rosto. O rosto de Jin adquiriu sua forma mais surpresa, estava apavorado por um lado e por outro estava sentindo que seu coração ia partir ao olhar tão firmemente para os olhos que contrastavam com os seus.

Ouro e Prata se enfrentando durante três míseros segundos.

Os lábios de Sieghart franziram um pouco, mostrando que por dentro seus dentes os mordiam. Sieghart fechou os olhos, deixando a carícia impulsiva acabar, seus dedos deslizando face abaixo. Sua respiração que tinha parado saiu com poucas emoções, mas sua cor tinha ficado mais pálida e Jin sentiu a pequena umidade da pele. Ainda que pouca a quantidade formada, era o bastante para mostrar o quanto o moreno estava nervoso.

–Troque-se.

As palavras saíram com facilidade e frieza. Mas é sempre fácil quando as coisas ocorrem assim.

Sieg se pôs de costas enquanto abandonava Jin agarrado inconscientemente à troca de roupas e encostado à parede entre as roupas de forma quase cômica se não fosse por sua expressão assustada.

A porta fechou e Jin escorregue pela parede, caindo sentado, seus braços sobre os joelhos e seu rosto escondido nas roupas, que detinham o maldito e viciante cheiro. Tinha sido assim desde que ele descobriu sua fixação pelo passado do herói.

–S-Sieg... –sussurrava sentindo o peito doer. Aquelas dores no diário, os sons de Sieghart quando ele tinha pesadelos, suas palavras quando estava descontrolado no campo de batalha como já havia acontecido diversas vezes.

Ele tinha certa curiosidade. E quando descobriu que era muito mais do que imaginava, Jin pensou que nunca teria capacidade para carregar um fardo desses. Ele momentaneamente se encontrava remexendo na mente o quanto de problemas Sieghart carregava nas costas. Ele devia estar enlouquecendo... E talvez por esse motivo tão simples ele parecesse tão arrogante e inalcançável.

Jin mordeu o lábio se levantando com o apoio na parede. Sua mão apertou a blusa e a calça, em seguida deixando-as a um canto ao tempo que se despia. Ele deveria fazer alguma coisa, era um monge, era uma pessoa iluminada, Asura residia em si. Jin sentia aquele ki emanado de forma até nojenta de Sieghart, mas deveria entender que, aquela criatura que era seu colega de equipe, fora corrompido internamente pelas coisas pela qual havia passado.

Sieghart era só mais um que tinha visto seus companheiros Imortais serem tomados pelo Mal e lutarem contra si, tendo que inevitavelmente eliminá-los. Nada poderia ser feito, a não ser tentar afastá-lo, nem que seja um pouco, daquelas trevas que encobriam seu coração de ferro que quebrava aos poucos.

Jin já tinha se vestido enquanto pensava. Ele saiu do closet sem entender o que tinha se passado durante aquele ato que pareceu muito. Íntimo.

O moreno estava encostado na janela olhando a paisagem. Jin juntou as sobrancelhas, apertando a blusa nos dedos.

De uma forma irônica, Jin tinha escolhido aleatoriamente uma blusa branca um pouco folgada e o short batia um pouco acima do meio de suas coxas. Bem, era realmente um short, nada comparado a uma bermuda, e ele se sentiu intimidado com o olhar que veio rápido em sua direção e desceram por suas pernas.

“NÃOOOOOO! NÃO ME OLHE ASSIM, SEU DESCARADO PERVERTIDO!”

Jin não notou que avermelhou e puxou a blusa para baixo, numa tentativa infantil de esconder-se. Sieghart riu, se jogando na poltrona depois.

–Depois sou eu que expresso minhas emoções facilmente...

Jin emburrou, desfazendo a pose infantil e caminhando decididamente até a frente da poltrona, apontando o dedo para o mais velho.

–E dá para explicar o que foi que aconteceu ali dentro?! Você não tem o direito de me cobrar por nada. Eu praticamente te salvei.

O moreno soltou um “HA!” irônico e então o ruivo fechou a cara, sentando-se no chão de qualquer jeito.

–Oya, assim parece que eu sou o Dio em seu troninho, ahahaha! Melhor você fazer então a pipoca de uma vez. E eu não vou agradecer, eu ainda queria ter tran-...

O momento seguinte foi acompanhado de uma dor ardente na bochecha. Jin já estava de pé.

–Pare de ser tão durão. Eu não estou te subestimando, mas até que você poderia entender meu lado também e dizer de uma vez que está frustrado e que ainda não destruiu tudo a sua volta porque tem que manter seu nome como Imortal. Eu sei que é para não desfazer o trato com o tal “deus” que te deu a imortalidade. Você fica se fazendo de forte, mostra para todos o seu lado “sou poderoso e nenhum xingamento vai me tirar do sério”, você fica fazendo essa cara de superior, mas quando eu falei sobre o diário você tremeu e ficou com raiva. Eu sei que no fundo você tem medo de continuar vivo, mesmo sabendo que não vai morrer, e faz de tudo inconscientemente para proteger todos à sua volta. Que você não consegue controlar todo o ódio que sente por si mesmo por essa fraqueza e que está emanando uma energia de pura fúria prestes a exalar por todas as partes. Você já não está conseguindo mais... Se controlar. O que vai fazer? Vai descontar tudo em mim? Na Grande Caçada? Em meninas?... Diga-me. Você já reconheceu que só precisa conversar?

Até então o rosto de Sieghart ainda estava virado pelo tapa. Jin sempre fora o tipo de pessoa que dava socos antes de falar algo. Mas ele pareceu muito mais emotivo com esse tapa.

“Droga... Droga, DROGA, DROGA!”

–DROGA, JIN! CALE A BOCA! PARA DE FALAR COMO SE ME ENTENDESSE! VOCÊ SÓ CHEGOU A ESSA CONCLUSÃO POR QUE SENTIU O KI FLUINDO DO MEU CORPO?! NÃO BRINQUE COMIGO! VOCÊ É INCAPAZ DE LER MINHA MENTE SÓ PORQUE TEM O APOIO DE UM DEUS MENOR! NÃO SE INTROMETA! NÃO ENTRE ASSIM NA MINHA VIDA E NÃO MEXA COM O MEU PASSADO! EU NÃO QUERO, EU NÃO PRECISO DE NINGUÉM. NÃO TOQUE EM MIM, NÃO FALE COMIGO, NÃO TENTE ME DESCOBRIR OU VAI ENCONTRAR ALGO GRANDE DEMAIS PARA SUPORTAR! SAIA DAQUI E ESQUEÇA QUE EU JÁ FUI FRACO UM DIA DESSA FORMA!

O moreno disse aos berros tudo aquilo sem mover um dedo ou mover o resto. Seus punhos fechados tremiam e sua face estava escondida pela franja. Os dois estavam abalados demais... Seus corações batiam rápidos demais para reagir. Sieghart sentiu que ia chorar de novo. Que vergonha. Humilhação.

Ele deixou que suas pernas dobrassem e ele ficasse agachado no tapete com os braços envolvendo os joelhos. Sua mão direita tocando agora seu braço, massageando com lentidão, parecendo querer afastar a raiva.

Se aquilo chegasse a um superior, eles estariam encrencados.

Jin ainda tinha a boca tremendo. Ele não conseguia olhar Sieghart, mas ele respirou fundo e fez um esforço. Se ele não fosse capaz de salvar Sieghart, ninguém poderia. Jin era o único que podia entender os outros dessa forma.

Ele se sentou na frente de Sieghart e tocou sua mão sobre o braço. O moreno virou o rosto com raiva, estava elaborando rapidamente muitos xingamentos, mas o olhar do ruivo não guardava nenhuma agressão.

Sieghart sentiu algo prender em sua garganta. O que? Um soluço?

Sieghart colocou a mão na boca e virou o rosto para o outro lado. Ele rangia os dentes, as sobrancelhas muito franzidas no meio dos olhos.

–Doeu?

Sieghart arregalou os olhos, fitando Jin. O ruivo num segundo deu um sorriso.

–Viu? Não doeu, apenas incomodou, assim como quando tomamos aqueles remédios amargos do Ryan. Você não precisa se perder só porque seu orgulho é mais importante. Só estamos eu e você aqui.

A mão de Jin bateu em seu ombro de forma confortante. No mesmo momento, Sieghart deixou seu corpo relaxar um pouco mais, sua expressão suavizando.

–Estou cansado.

–É normal, é Tpm não sabe?

–O-O QUE?!

–Ahahaha, calma, calma!!!

Naquela mesma noite, Jin e Sieghart ficaram observando um ao outro por alguns minutos de forma até constrangedora. Sem assistir tv, ou irem até a cozinha. Nem fizeram muita coisa ali.

O máximo que houve de início foi Jin engolir um pouco de saliva, sentindo a pressão no olhar de Sieghart e ir até a porta, virando a chave com um som que gelou seu corpo.

Estava bastante escuro. Mas nem tanto a ponto deles poderem ser ver.

Quando o ruivo se sentou na cama, Sieghart respirou alto. Ele foi também.

Bem, não era preciso dizer nada. Sieghart viu essa cena várias vezes e Jin era do tipo que lia as intenções das pessoas pela energia.

Para o ruivo, Sieghart estava louco para se aliviar. Hm, para o bem de todos, seria melhor se fosse ele. Não é mesmo? Ainda havia altas chances do moreno sair e matar alguém ou confundir uma velhinha com uma bela e esguia mulher.

O sorriso do ruivo não conseguiu manter-se disfarçado ao pensar nisso. Sieghart estava ao seu lado em cima da cama e ouviu o riso.

–O-O que foi, Jin?

–Nada. Nada mesmo.

O ruivo deslizou a mão pelo colchão encontrando a mão de Sieghart que esquentou um pouco.

Sieghart se inclinou um pouco, já certo do que deveria ter feito dentro do closet e se conteve. Não se sentir atraído pelos olhos de Jin. Que grande mentira... Não havia sequer uma pessoa que não simpatizasse com aquele ruivo brincalhão e talentoso. Ele era o mais próximo que Sieghart podia chamar de amigo, que podia entender algo de “dívidas” e “responsabilidades” com um deus. Além de sentimentos de vingança e um grande poder que lhe foi confiado.

O moreno levantou a mão para que envolvesse o pescoço do menor e o trouxesse para perto, roçando os lábios. Jin apertou a mão de Sieghart e fechou os olhos, abrindo a boca o suficiente para que os lábios descoloridos do maior colassem aos seus, espalhando o calor e a umidade.

–H-Hm.

As bocas se mexeram em direções diferentes, desencontrando-se e encontrando-se novamente, os corpos se enlaçando a cada toque das línguas, que se massageavam.

Jin sentiu o travesseiro em sua nuca, em seguida a figura de Sieghart sobre si, suas bocas se movendo.

O gosto estava impregnado com alguma coisa que parecia doce. Suas línguas úmidas exploravam-se deliciosamente, movimentando-se sobre os dentes e o céu da boca, chupando-se vezes ou outras. Jin apertava a blusa de Sieghart nas costas ao tempo que as mãos do moreno acariciavam sua nuca e desciam pela sua cintura.

Deitado assim, Jin dobrou os joelhos, Sieghart entre eles, afogando-o em uma sessão de beijos que não acabavam e duravam muito tempo. Parecia querer sugar toda sua satisfação, cansá-lo.

–M-Mas isso é tão anormal... –sussurrou num pequeno intervalo, onde a boca do moreno desceu para seu pescoço e o mordiscava, puxando a pele até avermelhar.

–Como seu eu me importasse agora... Só preciso de você comigo agora.

Jin mordeu o lábio quando a boca lhe alcançou a base do pescoço, fazendo seu rosto virar para o outro lado. Sua espinha arrepiou quando a língua tocou ali.

Sieghart lambeu-o, subindo até os lábios avermelhados do seu parceiro. Em sua mente estava apenas o pensamento de que não haveria melhor companhia.

Os olhos inocentes e a sinceridade poderiam fazer de Jin uma ótima mulher em outra vida. Ou novamente um ótimo homem. Sieghart gostaria de conhecê-lo se fosse o caso.

Ele sorriu, beijando-o, seus dedos entrando por debaixo da blusa, e seu corpo diminuindo o espaço, esfregando-se no dele. Jin suspirou alto, o rosto quente mesmo no escuro. Ele podia claramente sentir a excitação anormal de Sieghart.

–V-Você é mesmo um velho pervertido.

Sieg riu um pouco, estava com vontade de chorar de novo. Que confortante... Ele só podia querer mais disso se ele olhasse de novo os olhos dourados e ouvisse aquela voz confortante.

Confortante. Ele gostaria de poder ter um lar. De chegar em uma casa que fosse sua e ser recebido com um sorriso e alguma criança a qual pudesse chamar de filho. Ele estava se influenciando, apesar da grande parcela dentro da alma ser apenas uma forma sobre humana.

Mas ali, com o ruivo, ele poderia desejar ser um humano normal mais uma vez. Ele mal sentia medo de alguém morrer no momento seguinte. Pois ele continuaria sério, continuaria sempre sendo forte. Mas em breve, seu espírito também estaria sendo abraçado pelo conforto e pelo otimismo. Ele tinha tempo e paciência. Ele esperava sim, sentir novamente aquelas indecisões.

–No fundo eu só sou um humano idiota.

–Muito idiota. –Jin riu enquanto Sieghart tirava a blusa e afastava os cabelos ruivos de seu rosto.

“Faz algum tempo que não me sinto assim.” –Sieghart concluiu com um sorriso aliviado.

O calor dele o chamava.

Sieghart abaixou o resto da roupa do monge. Ele mal se concentrava nas formas, na beleza ou coisas assim. Como se estivesse cego, o que ele realmente desejava era estar sendo envolvido de todas as formas.

Sieghart tocou os lábios no peito cheio do menor, o corpo rígido pelos treinamentos, mas a pele macia. Sua boca envolveu o peito esquerdo, lambendo-o devagar, deixando-o úmido, chupando o mamilo que se enrijeceu.

–S-Sieg... Não precisa disso.

Sieghart franziu a testa. Não era necessário, mas ele queria, ele devia isso também. Sieghart diminuiu a distância do peito até o abdômen, tocando os dedos nos músculos saltados, passando a língua em volta das elevações, adentrando a língua no umbigo e chupando a pele em inúmeros pontos do corpo do ruivo, desde os ombros a virilha, onde o membro que despertou foi tocado pelos lábios quentes e sedentos do moreno.

A cabeça de Jin foi para trás, sentindo o molhado e os dentes provocando a base, a mão do maior tocando a glande e apertando-a. Foi o mesmo que tomar Viagra.

–N-Não, Sieg!

O mais velho respirou fundo, descendo os dedos pela base e apertando a carne com certa força, as veias saltando em sua pele. “HM!”

–Aí-não... Sieg... Ahn...

Sieghart subiu os lábios, a língua para fora, enrolada na forma ereta da melhor forma que podia. A saliva escorria devagar, sua boca subia devagar até alcançar o topo e depois deixar deslizá-lo para dentro da boca.

Só que no mesmo momento que o envolveu na glande, Jin o afastou com força.

–O-o que foi?

Jin não respondeu, mas suas mãos tocaram os ombros de Sieghart e o deitou.

–Eu que devo fazer isso... –respondeu depois de se virar na cama, estava com a virilha na direção de Sieghart e na sua frente estava a bermuda.

Jin empurrou o tecido, descobrindo a masculinidade do gladiador. Ainda bem que estava escuro ou não teria coragem para nada, desde o começo.

Sua mão tateou por cima do membro com cuidado, trazendo um espasmo por parte do maior. Jin apertou a extensão, sentindo-a enrijecida em suas mãos. Sem perder muito seus minutos pensando se devia mesmo, sua boca encostou, apenas encostou, roçando-se em círculos, descendo para as bordas, voltando.

O maior deitado por baixo podia ver uma ligeira sombra do que era a virilha do monge. Sieghart não imaginava que um monge fosse tarado até tal ponto, mas que tal aproveitar?

Ele tocou o saco agindo contra a gravidade; Jin moveu o quadril incomodado e soltando sons pela boca ocupada, abrigando aos poucos o membro todo. Sua língua massageava-o, Sieghart reagia abraçando seu corpo e trazendo-o para perto, colocando os testículos na boca, apertando-os com os lábios macios.

–H-ahh! S-SIEG!

O moreno soltou a boca, tocando o membro ereto do ruivo e o forçando para baixo até que ele pudesse abocanhá-lo. Ele estava fora de seus limites. Sua mão masturbando a extensão fora de sua boca e sua língua e sua boca chupando com força.

Sieghart dobrou as pernas, era incrivelmente prazeroso o corpo e os atos do ruivo. A boca quente tentava satisfaz­ê-lo; era gratificante a forma com que se movia e o sugava, quase o fazendo gozar. Sieghart chegou ao ponto de gemer e fechar os olhos enquanto recebia as carícias e as dava em troca. Uma de suas mãos espalmando na nádega separada, apertando-a com força.

O moreno e o ruivo permaneceram na felação alguns minutos até que já não tivessem ar sobrando, o interior das bocas impregnadas com o gosto dos orgasmos descontrolados. O cheiro forte do lugar já os deixavam arrepiados de prazer.

Jin não se manteve em suas pernas, se arrastando de cima de Sieghart. O moreno logo tomou seu lugar ao lado do ruivo e o beijou com suavidade, dando intervalos para recuperarem o ar.

Em seus dedos ele sentia os fios de cabelo molhados. Suas bocas incansáveis.

–Já não ligo se está fora dos eixos, se é errado... Mas eu quero estar junto com alguém como você.

Jin passou os braços por cima dos ombros de Sieghart, seus rostos encostados. “Apenas não me deixe sozinho.” Como se Jin não tivesse ouvido... É claro que ele parou depois de ter passado a porta, com o coração disparado, esperando apenas ouvir o soluço do mais velho que desabou após sua saída. Jin provou do momento.

–Você tem todo o tempo do mundo para encontrar essa pessoa. –os braços do menos fixaram-se com força, seus rosto colado ao maior.

Esperando uma resposta, Jin sentiu que já estava sendo preenchido. O ruivo segurou o ar, concentrando-se da melhor forma, ele conseguia ignorar as dores dessa forma.

E funcionando bem como nunca, o ruivo só foi perceber que estava esparramado por cima da coberta negra com as mãos juntas, Sieghart sobre si esperando, quando sentiu o membro todo abrindo o canal com uma força bruta.

Não quer ver anúncios?

Com uma contribuição de R$29,90 você deixa de ver anúncios no +Fiction durante 1 ano, além de outros benefícios.

Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!

Jin segurou o próprio soluço, achando que se falasse ia piorar. Seu ânus expandido se contraía involuntariamente. A expressão de Sieghart era nada inocente.

–Me abrace, se isso te fizer sentir melhor.

Não houve tempo para adicionar detalhes, mas as mãos de Jin puxaram o maior com força, deixando os corpos tão juntos que pareciam grudados.

–S-Sieghart...

O maior moveu-se um pouco, suas mãos nas costas do ruivo. O primeiro gemido foi alto e pouco contido, o que assustou Sieghart. Sem pensar muito, ele continuou.

–AHH! Ahn... Sieg... O-oh...

O membro adentrava com intensidade, a temperatura queimando-o por dentro, além da ardência, parecia que sua pele acompanhava o movimento de vai e vem, se esticando para os dois lados, esfregando-se. Jin sentiu seu próprio pênis pulsar, o auge de seu prazer chegava.

A sensação do membro preenchendo-o era estranha, era grande e machucava, parecendo que ia rasgar sua pele e atravessar sua bunda. Mas era dolorosamente bom.

Sieghart nunca tinha sido um amante ruim para nenhuma mulher, mas buscava se esforçar com seu primeiro homem. E ele imaginava saber de tudo.

Assim que ele estocava no fundo onde podia com rapidez e velocidade, os dedos de Jin fincavam em seus ombros e cabelo, puxando-o enquanto sua expressão ficava ainda mais comestível e adorável. Seu pênis enrijecia ao tempo que se aliviava, Sieghart não foi capaz de se controlar, os músculos fortes o apertando até gemer, a umidade de seu próprio orgasmo servindo como um lubrificante.

Seu toque se aprofundou até o extremo, fazendo o corpo do rapaz abaixo se arquear tanto que quase caíram da cama, a cabeça do ruivo dependurada, seu rosto vermelho e sua boca constantemente aberta, gemendo sons sem sentido e desconectados.

Os dedos de Jin passaram para os braços de Sieghart e suas pernas impulsionavam o sexo. Eles estavam sincronizados, a força e a velocidade, os gemidos e o tesão. Tudo junto. Tudo bom demais.

–Jin... Não... Assim eu...

Sieghart apertou as coxas morenas em baixo de seus braços, movimentando-se com mais força. Estava vindo mais forte. Assim que tocou forte um ponto bem no interior, Jin dobrou as pernas no ar soltando um grito meio abafado.

–J-Jin?

Sieghart sentiu a excitação diminuir. Olhou para baixo, o ruivo gozou, ele também... No meio das pernas do ruivo um filete branco lutava para sair por entre o canal e o pênis ainda bem grosso e duro. Quando Sieghart tentou se afastar, a pele meio que grudou em si, fazendo doer mais em Jin, que apenas gemeu baixo, puxando o corpo de Sieghart de volta.

–M-Melhor ficar assim...

–Mas, Jin.

Os dois falavam com as vozes roucas e os corpos inundados de suor, a sensação do orgasmo ainda mexendo com seus sentidos. Sieghart estava mesmo exausto, não tinha visto o tempo correr, nem se perguntou se alguém tinha chegado ou quão bom tinha sido.

Ele apenas deitou a cabeça no ombro do ruivo, mantendo-se meio de lado. Seu braço envolvendo o corpo do outro que arfava baixo.

–Jin.

–Hm?

Sieghart sentiu suas bochechas ficarem quentes. Estava escurecendo pra valer, logo não enxergariam nada além do negro da noite.

–Nada. Nada mesmo. –Sieghart tomou a boca do menor para que não perguntasse nada e o trouxe para o meio de seu peito. –Só durma aqui comigo.

–Sim.

Passaram-se uns minutos assim. Jin imaginava se deveria se mexer, mas com medo de acordá-lo, ele se manteve na mesma posição, ainda que lhe fosse custar uma dor nas costas pela manhã.

Jin suspirou. O cheiro. Seus olhos gordos se fecharam um instante, inspirando o cheiro forte... Aqueles dois diários, Jin decidiu, deveriam ser queimados no dia seguinte pela manhã. De um jeito ele estava errado sobre mantê-los...

“Passado sempre será passado. Se Sieghart nos esquecer, é porque haverá uma época em que nós não seremos necessários. Mas se pelo contrário, nós vivermos em sua mente, eu espero que ele sempre desse dia.”

O ruivo levantou os olhos, vendo-o novamente como vinha fazendo, só que agora mais perto. Oh, ele estava acordado.

–“E diferente do usual, dessa vez ele estava de olhos abertos.” –disse Jin praticamente cantando o verso novo que era o oposto do que normalmente escrevia sobre as noites de Sieghart. -Boa noite, Sieghart. E pode dormir tranquilo, por que hoje eu serei seu amuleto para afastar os sonhos ruins.

Um sorriso engraçado apareceu. Sieghart apenas fechou os olhos, apertando os ombros de Jin como se não quisesse deixa-lo sair.

O ruivo também dormiu no segundo seguinte, bem no momento que tudo ficou escuro.

Final

Notas finais
No fim, como foi? Eu adoraria uns reviews sabem? É que Yaoi de GC é normalmente tão desprezado que eu até fico sem jeito. Mas ok, obrigada por terem paciência e lerem! Desculpe se o lemon ficou mal escrito. Nessas horas eu murcho um pouco, especialmente seu eu tiver nervosa. Mas até que eu estava ouvindo umas músicas lentinhas e inspiradoras de Vocaloid, fiquei feliz com o resultado. E vcs? Vão me linchar? KKKK Jaa na minna!