YStage

1 01YStage: Spring


Notas iniciais
RyanxZero. Eu fiquei meio sem saber o que fazer, achei estranho, mas vamos ver como fica né?

...

–A melhor época do ano é a primavera.

O pequeno elfo dizia animadamente enquanto observava as flores caindo quase que acariciando a água cristalina do rio. As preferidas eram as amarelas que se estendiam em amior quantidade, predominante em todo o território.

Na Floresta Élfica a primavera era vívida todos os anos e tocava uma melodia junto com o vento em sua chegada.

O rapaz de cabelos laranjas espetados observava com os olhos brilhantes todo o cenário. Faziam três anos que estava em treinamento por ali e vira exatamente pela terceira vez a primavera chegar em sua totalidade, o cheiro das flores o agradava, a calmaria tomava conta daquele local habitado somente pelas criaturas da floresta.

Ryan Woodsguard viu de repente as flores em seus pequenos dedos apodrecerem e se mancharem de preto. Seus olhos verdes arregalaram-se de forma apavorada e, mal levantando o olhar, sentiu o líquido quente rolar por sua face. À sua frente a primavera era dominada pelo calor acompanhado de uma cor vermelha impiedosa.

As cores amarelas se confundiam e já não possuíam delicadeza. Em seguida a escuridão tomou toda a floresta, os pios de aves sumiram-se em uma noite profunda e tudo o que podia se chamar de vida... Desapareceu no negro do infinito. Seu grito escandoloso vendo as árvores destruídas e carcaças de animais mortos, com apenas corvos grasnando terrivelmente em um vasto campo de destroços e fumaça, ecoou por toda Ernas enquanto caía de joelhos sem nenhuma força e lágrimas salgadas caindo no solo queimado e em brasas.

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–AHHHHH!!!

–RYAN!

O alaranjado só foi acordar direito quando sentiu uma forte dor no rosto. Ele estava ofegante. Não só ofegante, mas ele estava apavorado, tremendo, em uma situação realmente lamentável para um tão forte guerreiro da Grande Caçada. Passou as costas da mão pelos olhos enxugando os resquícios de lagrimas. Seu peito doía e a cena ainda o atormentava.

O druida mal percebeu quem o tinha acordado, e não sentia exatamente olhos o observando, dando a impressão de que já não estava mais presente.

Tal pessoa curiosamente ainda estava ali, em sua cama, preocupada.

Ryan respirou fundo no intuito de se acalmar do pesadelo que o atormentava desde muitos anos. Era doloroso ter que suportar essa visão dia após dia.

O druida acreditava que era insegurança, apenas paranoia. Porém a situação tem se agravado cada vez mais... Os sonhos tomavam suas noites de sono, assim como essa própria, ele tinha que se abastecer de cochilos, estes que já não estavam mais funcionando também. O druida acreditava piamente agora que só podia ser alguma maldição ou influência de algum ser maligno à solta.

Mas também imaginava se não era apenas sua imaginação, graças a sua preocupação intensa por sua floresta.

Sua Floresta...

Apenas sua.

–Eu preciso voltar. –sussurrou com as mãos nos cabelos bagunçados sentindo-se acalmar uns instantes.

Suas pálpebras bem fechadas ajudavam-no a tentar relembrar onde estava no momento e o que fazia ali. Se recordava de ter passado uma noite inteira numa vila, em um festival, e agradecia por não ter dormido ou o pesadelo voltaria para manda-lo ao inferno novamente.

Suspirou. Logo, a segunda voz soou no quarto, assustando-o de imediato.

–Ryan, você não tem dormido bem.

O comentário não era realmente necessário era?! Ryan se virou para a criatura já reconhecendo a voz.

Sim, aquela voz, por mais estranho que seja, não era do tipo que se ouvia sempre, e por esse motivo era tão fácil reconhece-la visto que os outros integrantes (e “acompanhantes”) falavam muito, exceto Mari.

–Zero... O que veio fazer aqui?

–Você faz muito barulho quando dorme.

Ryan arqueou a sobrancelha ruiva sem entender bem. Detalhe comum: Zero ainda não estava muito acostumado a falar, mas com certeza ainda falava frases incompletas deixando o grupo sem entender lhufas.

O alaranjado, sendo do tipo paciente, coçou a testa de seu jeito bobo e desajeitado de sempre. Ele sempre tentava conversar mais com o grisalho, mas ele sempre era muito fechado e limitado com palavras.

–Está tendo pesadelos, não?

O alaranjado ficou sério de repente e mordeu os lábios, desviando os olhos para a colcha. Ele ainda estava abrigado na cama, sentindo a umidez do suor e o calor abafado.

Dando um pequeno bufo, o rapaz empurrou as colchas e colocou as pernas para fora com a maior preguiça do mundo, se esticando.

Zero o olhava com curiosidade apesar do druida não saber. Ryan bocejou e coçou as costas e olhou para o visitante. Zero Zephyrun... Né?

Olhando-o assim, Zero não estava muito diferente da primeira vez que o tinham visto. Seu cabelo estava parecido, apesar de ter mais cabelo preso, só que ele devia ser o que mais tinha cabelo... Só perdia para o cabelo do Dio quando tinha ficado mais forte, como Leviatã. Mas Dio era muito chato e por isso deixou-o mais curto um tempo depois de libertar todos os selos.

Isso não vem ao caso. O que era mais engraçado na aparência de Zero eram aqueles óculos. Porque ele usava isso? Não era como a Mari, não havia necessidade... Ou havia?

Os lábios do Insurgente estavam sempre retos, seus olhos estavam escondidos pelo óculos amarelo, e mesmo se eles não estivessem ali, ainda havia aquela franja exagerada caindo por cima deles. MAS QUE MERDA É ESSA? Como ele enxerga?!

Ryan sentiu uma gota em sua testa. Nesse momento Zero abriu um pouco a boca, fazendo o mais velho notar uma coisa despercebida: os lábios do grisalho eram realmente pequenos. E por falar tão pouco eles pareciam agora duplamente menores. Além disso, Ryan se encontrou encarando o rapaz sem perceber, todo o rosto, a postura e tudo o mais.

Zero abriu a boca porque ficou realmente curioso.

–Ryan?

–Ah! DESCULPA! É que estou com fome hehehehe...

Ryan no mesmo instante pensou: “Com fome?! Que desculpa esfarrapada é essa?! Eu só vacilo, que merda!”.

Realmente, Ryan só dava furos na maioria das coisas. Ele esperava que o mais novo o olhasse com estranheza, mas se recordou de que não conseguiria ver a expressão mesmo se quisesse. Qual era o problema do Zero? Ele não podia ser normal?

Durante esses pensamentos desnecessários, Ryan viu a boca de Zero voltar ao normal, mas as pontas se curvavam gentilmente, formando um sorriso quase imperceptível.

–Q-Qual é a graça, Zero?

Ryan sentiu-se envergonhar sem saber. Por que? Ele não falava nada, não opinava, não conversava, muito mal sabiam se ele os olhava diretamente.

“É isso, nunca sabemos direito para quem ele está olhando... Isso se ele tiver olhos.”

–Não é nada. Também estou com fome.

Ryan arregalou os olhos. Hã?!

O druida quase riu, mas devido às circunstâncias, seria melhor nem comentar nada. Naquele meio tempo, alguns segundos tinham se passado e Ryan nem se lembrava do que tinha acontecido na noite passada.

Ao se levantar, Ryan alongou novamente os braços e as pernas, parecendo-se realmente com um lobo. Era hilário ver a cena de Ryan acordando.

Zero ficou ali vendo o rapaz no short e blusa branca um tanto folgados, que contrastavam bem com sua pele, andar pelo quarto em busca de algo em especial. O grisalho não demonstrava nada enquanto o druida ajeitava os cabelos da melhor forma possível até se abaixarem e ele poder prendê-los decentemente (vide executor).

Zero olhou para si mesmo um tempo, estava com as roupas comuns, tinha acordado cedo por causa do ronco do alaranjado e depois seus gemidos de medo. O mais novo ficou a pensar um tempo ignorando os resmungos de Ryan sobre suas roupas estarem todas guardadas erradas.

Qual o motivo exato de um guerreiro como Ryan estar sentindo-se mal daquela forma. Não era de poucos dias aquilo... Zero, desde o momento em que se integrou na Grande Caçada, também não conseguia dormir, tanto por seus próprios problemas e mau-costume quanto por causa do mais velho. O grisalho era muito perceptivo e era com certeza o único que sabia do problema do companheiro (mesmo não sabendo exatamente qual).

Aquilo o incomodava em parte. Poderia ser o mesmo problema que o seu? Ele poderia conversar livremente sobre isso com alguém? Mas era tão diferente. Grandark tomava tantas decisões e agora ele tinha entrado em uma fase realmente confusa.

Desde que Grandark havia se tornado um ser humanoide, ele estava praticamente sozinho. Ele havia dado uma alma à Eclipse e em seguida desapareceram sem pensar duas vezes. Zero imaginava que aquela espada ingrata ia dar as costas a ele e esquecer que a tinha carregado a vida inteira nas costas. Se bem que pela personalidade daquela alma inconsequente ele diria: “Menos peso nas suas costas, agradeça.”.

Zero guardava um tanto de simpatia e outro tanto de rancor pelo Grandark agora e não conseguia pensar numa escolha.

–Zero, o que ainda está fazendo aqui? Esperando agradecimento?
Zero levantou a cabeça assustado com a fala repentina de Ryan, mas de alguma forma seu coração começou a ficar mais calmo. Lhe pareceu muito com GD... Mas ao ver a expressão, Ryan estava com um largo sorriso e uma expressão brincalhona. Ah, ele falou aquilo brincando...

Era uma sensação boa. Diferente, mas boa. Zero se levantou acompanhando o mais velho.

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A mesa do café estava posta em seus completos 18 lugares e praticamente um banquete prestes a ser devorado. Mas a Comandante Lothos nunca os deixou atacar sem ter um momento de agradecimento antes. Nos casos de Dio, Rey, Lupus e Zero, ela pedia apenas que respeitassem o momento.

Não durava nem um minuto. Todos apenas agradeciam uns segundos, de olhos fechados e depois atacavam como animais. Para o grisalho pelo menos parecia assim.

E observando do outro lado o rapaz lobo comendo feito um as mortadelas, presuntos, apresuntados e bacons, Zero achou graça da semelhança entre o rapaz e um filhote carnívoro.

–Zero, você tem tido poucas missões não é? A última vez você foi numa vila... Não me lembro.

A voz de Lothos era um pouco autoritária, mas ela também sempre tentava o incluir. Era como se ele estivesse ali enfeitando o lugar (não exatamente já que todos evitavam olhar), que por sua vez não cumpria bem seu papel.

–Ah, uma garota caiu em um poço muito fundo na vila do sul. Fazia três dias que ela estava lá e ninguém a encontrava.

Bem, esses eram os momentos em que Zero falava de duas a quatro orações. Mas eram momentos raros.

Azin no mesmo momento riu. Sinceramente, o que aquele cara estava pensando? Zero o olhou irritado. Aquele cara era diferente do resto da GC, era muito convencido, se achava mais que os outros mesmo sabendo que ia levar uma sova e fazia troça de tudo, especialmente de Jin.

O grisalho realmente não entendia. Também porque aquele estrupício inconveniente estava sempre na base, assim como Lupus, e nem fazia parte do grupo. Só que Lothos como boa anfitriã, os deixou filar boia ali quando quisessem e dormir ali quando quisessem. Ou seja, dois preguiçosos, mão de vaca economizando dinheiro à custa das coitadas das Rainha de Serdin e Canaban.

E é mesmo... Zero observava tudo todos os dias, os integrantes da GC tinham um péssimo hábito de brigarem entre si. Eram discussões diárias e constantes que irritavam Zero em seu íntimo mais do que gostaria.

Porém sempre tinha o porém. Esse era o seu, já considerado companheiro, Ryan. O rapaz era muito extrovertido, brincava e tirava a tensão do local facilmente. Era o palhaço da turma.

Por ser tal tipo de pessoa, é claro que ele não era levado muito à sério pela maioria e sempre era zoado. O druida não se importava, ele zelava pelo bem do grupo a qualquer custo sem reclamar.

Zero gostaria de perguntar se ele não se machucava dessa forma.

–De qualquer forma... SIEGHART PARE DE MECHER NO CABELO DA HOLY, PORCARIA!

–Calem a boca de uma vez todos vocês!

A moça de armadura vermelha, apenas sem o capacete, se pôs de pé batendo as mãos na mesa com tanta força que os copos tremeram e chacoalharam até um de tamanho menor cair. Bem, era o do Ryan.

–L-LOTHOS!

A loira nem deu tempo para o garoto falar e enfiou um pão francês goela abaixo da bocarra que se abriu no momento em que reclamava.

–Silêncio. Zero, eu estava comentando... Mas não sei se você ouviu.

No mesmo instante os olhares se direcionaram para sua pessoa e o rapaz sentiu-se intimidado. Na visão do restante dos membros, Zero estava apenas impassível e realmente sério sobre aquilo. Claro que todos caíram da cadeira ao ouvi-lo falar:

–Eu não prestei atenção;

Lothos bateu a mão na cara. Como era possível que ele não tivesse ouvido nenhuma palavra?

–Nem vou perder meu tempo te xingando. Acabei de falar que você vai sair em missão em uma vila élfica!

Zero ainda a observava meio envergonhado. Na visão de Ryan ele parecia estar irritado, em sua imaginação, por ser chamado para uma missão em uma época tão boa para dormir.

Esse pensamento de Ryan era devido ao fato de que Zero comentou uma vez sobre ter um apreço grande por dormir.

–Tudo bem. Mas não me lembro de ter passado em nenhuma vila élfica.

Lothos pensou um pouco. Olhou para Lire.

–NÃO, NEM PENSE! Eu estou ocupada com o caso da vila norte e o desaparecimento das plantações. É um caso sério e eu e Lupus vamos ter que dar conta antes do final de semana... Senão o Banquete Semanal de Serdin vai ser interrompido e isso será uma tragédia.

A loira concordou desgostosa com o caso. Só sobrava o Ryan...

–Aproveite que são bons amigos e resolvam o problema deles. Ryan, você deve conhecer a pequena vila élfica do sudeste não é?

O alaranjado fez uma careta, mas assentiu. Zero imaginou que o alaranjado não gostasse muito desse lugar.

–Então se preparem e saiam antes das oito.

Ryan ia se levantar pra reclamar do horário, mas uma adaga quase atravessou seu pescoço. O rapaz virou-se para Lass com cara feia. Lass e Ryan eram os incompatíveis... Não conseguiam se dar muito bem apesar do druida sempre tentar ser legal com o albino. Lass era uma pedra de gelo muito chata pra se lidar, era do tipo que não gostava de brincadeirinhas e sempre desfazia das piadas.

–Ah, Lass. Não seja tão sério assim, você já é ranzinza, imagine o que vai ser quando ficar mais velho do que já é!

Lass quase sacou as garras pra fatiar o alaranjado, mas nesse tempo Zero tinha se levantando, e despercebido para todos que estavam de olho nos dois, apareceu no meio deles, empurrando Ryan em direção às escadas.

–Vamos nos atrasar. –sua voz saiu baixa e tranquila, mas usava-se de sua força incomum para empurrar Ryan, que quase trombou com o impulso.

–Não empurre assim!

–Vamos, Ryan, não grite tão alto.

Dio e Sieghart no mesmo momento ficaram vermelhos ao ouvirem as frases e olharam para lados opostos, estavam vermelhos como nunca. Elesis deu uma risadinha depois que os dois viraram o corredor do andar de cima.

–E isso é coisa para se falar quando a casa está cheia de homossexuais?

–E-ELESIS!

A ruiva não conseguiu fugir de um tapão na nuca da Comandante super furiosa com o comentário desnecessário.

–Zero, não precisava ter empurrado assim né?

O rapaz acariciava as costas, suas roupas como bem sabem, eram em tons verdes e laranjas, de blusas curtas normalmente e calças longas. No dia, Ryan optou pela regata preta de sua forma Xamã, colada ao corpo com um cristal laranja no meio do peito, suas calças e as botas da forma Executor, deixando os cabelos soltos e sem nenhum tipo de capacete.

Zero o admirava um pouco. Ele nunca havia visto, mas Ryan possuía uma franja repicada que tapava a testa. Nunca percebeu por ele sempre usar algum acessório na cabeça, impedindo o cabelo de ficar livre.

Assim que percebeu o silencio excessivo, Ryan virou-se para Zero. De novo... Pra onde ele estava olhando?

–Pra onde você está olhando?

–A-ah, lugar nenhum. Desculpe o empurrão, mas o Lass é muito irritado.

Ryan arregalou os olhos não acreditando. Ele formou três orações falando com ele, pela primeira vez!

–Ah... Ryan?

–Esqueça. Vamos logo, estou empolgado agora!

Tudo o que o grisalho pode fazer foi dar de ombros. Este estava em sua última forma, mas devido ao tempo ameno, prendeu todo o cabelo num rabo de cavalo baixo, parecendo o do Ronan, mas todo desfiado e não liso. Deixou de lado também os tecidos cinza que envolviam seus braços até acima dos cotovelos, mantendo apenas as luvas para caso de lutarem em algum momento na missão.

Ryan conhecia a vila élfica do sudeste, bem até demais. Ficava próxima a Floresta Élfica então ele poderia passar por lá na volta, pois tinha certeza que Zero não se oporia. Com alguma certeza, bem no fundo de sua consciência, Ryan sabia que precisava voltar lá por algum motivo.

Isso ele descobriria quando chegasse.

O caminho era tanto curto, só que a vontade para andar diminuía com a temporada tão bela. Após o Outono vem a Primavera. Ryan sorriu olhando em volta, os campos estavam revestidos de gramíneas, flores pequenas, roseiras, girassóis e um outro milhar de espécies que ele conhecia absolutamente todos os nomes, propriedades, origem e perfume. Zero via a empolgação do mais velho com mais empenho... Entender as criaturas diferentes de si também era um costume que tinha adquirido com o tempo entre eles.

Ryan andava cada vez mais rápido, sempre dava umas paradas, esperava que o andarilho o alcançasse e novamente corria à frente. Chegou a tal ponto que Zero não resistiu em questionar.

–Por que as flores são tão interessantes?

–Por que? Ora, olhe pra elas, são bonitas não são?

Algo veio à mente de Zero e comentou baixo.

–Mas flor não é uma coisa que as criaturas do sexo feminino gostam?

Ryan sentiu uma onda de negritude correr seu corpo e se afastar de indignação. Que pensamento era esse?

–Isso foi sem lógica, Zero. Eu sou um elfo, um ser da natureza, e ainda mais por ser um druida, sou um defensor. As flores não são as únicas a quais acho bonitas.

–E o que mais?

–Árvores, o vento, as nuvens, a aurora, o crepúsculo... Os animais, o arco-íris, a melodia das folhas, as orações dos insetos, tudo.

Zero sentiu algo revirar em seu estômago. Devia ser o que Elesis sentia quando falavam coisas melosas perto dela.

–Desculpe, eu não sei como reagir a isso.

–Hm? Não entendi.

Zero ficou confuso consigo mesmo, não entendia a sensação. Era muito... Colorido? Estranho... Estranho ver o Ryan falando. Parecia a Amy em versão masculina. E digamos que Zero não curtia muito a Amy.

–Eu entendo o que quer dizer, mas porque é tão importante?

Ryan suspirou, dando as costas e continuando o caminho.

–Venha, nós temos que entregar esse recado logo.

Zero não disse mais nenhuma palavra até o fim da viagem, e Ryan não disse nada além do necessário. A tensão tinha se abatido entre eles tão de repente...

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A entrada da vila era humilde. Havia paz naquele lugar, foram recebidos gentilmente pelos guardas que reconheceram Ryan de primeira.

O ar da vila era alegre, havia crianças elfas brincando dos mais variados jogos, adolescentes praticando mira e correndo por cima das casas. O comércio era mediano, vendia-se e comprava-se bem. Era tudo bem pacífico e típico da felicidade.

Ryan ficou contente em não ver nenhum abandonado ou mendigo, ele já tinha participado do Conselho da vila e dado sua opinião para que todos vivessem em igualdade. Como era requisitado pela Rainha dos Elfos, ninguém achou ruim, a proposta era mesmo boa e vantajosa.

Resultou então em uma próspera vila.

Todos quem passavam eles cumprimentavam. Grupo de crianças e jovens os pararam pelo menos três vezes para saber como Ryan ia indo.

Zero era apresentado rapidamente e acenava com a cabeça sem dizer mais nada. Não os conhecia.

O grisalho notava cada olhar sobre o alaranjado. O único druida existente era muito considerado por todos os povos élficos e era chamado de Guardião da Floresta ou o Druida ou até o Lobo do Crepúsculo. Zero não imaginava que essa era a importância toda do mais velho.

Era muito rude de sua parte imaginar que Ryan era só um viciado por plantas e animais.

–Bem pessoal, vim falar com a Videha. Um recadinho rápido.

–Ah, ela está numa caçada importante. Vai voltar daqui um dia.

Ryan pensou um pouco e se voltou para Zero.

–Zero, nós poderíamos então ir à Floresta Élfica? Nós voltamos amanhã.

Zero apertou os olhos.

–Mas você não quer ficar aqui?

Ryan fez cara de quem não entendeu. Ele acenou para que conversassem depois. De volta ao grupo que se formou a sua volta, Ryan explicou que iria sair e voltava depois. Todos pareceram meio tristes.

–Não se preocupem, eu vou voltar logo. Eu realmente preciso ir à Floresta, pessoal.

Eles assentiram e foram se dispersando conforme Ryan os cumprimentava. Assim que se viram livres, os dois voltaram a andar cidade adentro.

Pelo caminho Ryan explicou que estava sentindo algo novo e diferente e que pensava que indo até a Floresta Élfica ele poderia ver uma resposta ao entrar em contato com os espíritos.

Zero entendeu, como bom mediador de situações que era se Grandark não o tivesse partido ao meio, e aceitou a proposta. As lojas começavam a aumentar e agora apareciam mais elfas e senhoras vendendo balaios trançados, bolsas, poções, artigos femininos, tecidos, frutas, doces...

Ryan e Zero sentiam os olhares, muitas delas, as elfas puras de olhos verdes ou azuis, cabelos longos e atordoamente loiros, pele branca e alva, lábios pequenos e rosados os chamavam quase como sereias.

Em contraste a isso, era visível os olhares mal-intencionados dos elfos nobres. Esses que frequentavam ativamente as lojas das belas elfas e dos melhores artigos, sabiam também de quem se tratava o elfo de cabelos únicos e alaranjados.

Todos sabiam que ele era o único assim.

Zero o olhava curioso, assim como todos os elfos também o olhavam curiosos por seu “estilo urbano”, para Ryan, que parecia alheio aos olhares.

Bem, Zero entendia aqueles olhares como pressão. Ele não gostava que o olhassem muito diretamente e não fazia a mínima ideia de como Ryan conseguia ignorar aquilo.

Olhando na direção dessas pessoas, Zero via as elfas todas sussurrando envergonhadas umas com as outras, risinhos, fofocas e muitas outras, até as que pareciam mais adultas, olharem o rapaz com uma espécie de fome.

Era isso que chamavam de ser desejado? Zero não sabia se o verdadeiro Ryan era aquele que viva com a Grande Caçada ou aquele que estava à sua frente andando com imponência.

Abaixando a cabeça, viu um garoto muito pequeno, praticamente um bebe, estendendo os bracinhos curtos para o druida.

Ryan segurou uma pequena flor amarela arrancada de algum canteiro por ali e afagou a cabeça do garotinho, em seguida o pegando no colo e colocando em seus ombros. Surpreso, Zero ouviu eles falarem alguma língua estranha e Ryan virou-se de lado para dizer:

–Vou correr um pouco. Me siga!

Zero viu o rapaz começar a brincar bobamente com o garotinho em seus ombros. O menino de cabelos loirinhos e olhos castanhos claros abria os braços no ar, Ryan segurava suas pernas para que não caísse e os dois seguiam assim. Zero os acompanhou até que parassem em frente a uma tenda.

–Chegamos! Hora de descer.

Ryan colocou o garotinho no chão e esse acenou indo embora. Ryan esticou os braços e puxou Zero para que não se distraísse.

–Acho que devemos comer antes. Aqui é um bom lugar.

O mais velho parecia estar se divertindo acima de tudo, Zero se sentia mais aliviado assim. Ryan o tinha deixado preocupado naquela manhã.

–Ryan, tem alguma coisa importante que está te preocupando, não é?

O druida parou na porta segurando o tecido até a altura da cabeça. Ele suspirou calmamente, muitos desses que ainda viriam caso não conseguisse resolver seu problema, e, com o pé na entrada, volveu metade de seu rosto para que Zero entendesse sua situação.

O ar da vila estava fresco e o céu estava um pouco nublado, as pessoas passavam com calma e observando todas as tendas da feira, diferente da área das cidades, sempre tumultuadas.

–Eu tenho que resolver isso logo. Você poderia não contar para ninguém, Zero?

O olhar de Ryan pedia com seriedade. Não havia chances de a Grande Caçada precisar saber de sua insegurança constante no grupo desde sua entrada, contudo, esperava superar esse medo nesse mesmo dia.

Zero precisou assentir com a cabeça, Ryan com certeza não identificava sua expressão de pura pena.

–Ok, vamos entrar.

Ao cruzarem o tecido de desenhos rúnicos, depararam-se com um restaurante de clima agradável, cores claras e mesas separadas, dando individualidade, ainda havia o opção do balcão principal, o balcão da parede lateral ou a área vip no andar de cima. Apesar de todo o tamanho e bom gosto, era tudo bem simples e poderia fazer qualquer um se sentir bem-vindo.

O cheiro suave dos buques em cima das mesas de toalhas xadrez branca e azul-clara fazia um bom contraste com o cheiro forte de comida e tempero.

Zero inspirou o ar e avistou Ryan se dirigindo ao balcão principal. Ele estava com pressa mesmo.

–Estou com tanta fome...

O alaranjado praticamente babava. E não fazia muito tempo que tinham saído de Serdin, ele era incansável.

–Por que você come tanta carne se gosta tanto da floresta?

Ryan se sentou na banqueta, tentando confortar-se e pensou numa resposta. Antes de formular qualquer coisa conseguiu perceber que Zero estava realmente querendo conversar.

Estaria ele preocupado?

–Bem, isso se chama predadorismo. Mas na floresta eu só comia peixes ou apenas vegetais... Só que digamos que porcos e vacas não estejam totalmente na minha área de entendimento dos animais. Não são animais da floresta.

–Hm. E continua com fome? Pareceu que você tinha comido um boi inteiro hoje de manhã.

Ryan sentiu seu rosto corar e seus pelos arrepiarem.

–V-Você ficou olhando?!

–Desculpe.

Ryan deu uma risadinha sem-graça, não podia fazer nada já que Zero parecia realmente estar se importando.

–Não precisa pedir desculpas. Eu agradeço por tudo o que está fazendo por mim.

Zero levantou a cabeça, pedindo um suco qualquer e rápido de se fazer. Ele sentiu seu peito se apertar um pouco com as palavras do mais velho.

–Não é nada.

O druida olhou o cardápio na parede, em seguida sendo atendido por uma elfa morena, de corpo curvilíneo escultura, olhos mel e cabelos castanhos presos em uma trança-raiz longa, que quase tocava o chão. Deu um sorriso gentil e fez a pergunta, em seu vestido azul xadrez, uniforme da loja, pendia um crachá com o nome “Giddy”.

–Olá, senhores! O que desejam?

–Panqueca, uma porção de farofa com bacon, uma porção de torradas, dois pães de queijo, três pizzas enroladas pequenas e uma laranjada de 500.

A moça marcou tudo rapidamente, ainda que parecendo meio assustada e olhou para Zero.

–Hm. Pode ser um enrolado de frango com molho verde.

A moça continuou seu trabalho e foi passando de mesa em mesa. O pedido com certeza ia demorar e também atrasar os dos outros.

Zero preferiu o silêncio naquele momento, observava o teto, às vezes olhava Ryan de canto. Aquele era o mais diferente membro. Ele tinha manias estranhas (isso porque Zero já está acostumado com asmodianos né?).

–Zero, porque você usa esses óculos?

A pergunta o fez abrir a boca um instante. Ele não sabia exatamente, mas usar esse acessório tinha se tornado costume desde sempre.

–Não sei. É melhor não tirá-los.

–Mas você já os viu?

Zero apertou os lábios novamente. O mais velho não deixava de notar, que mesmo com toda a força e imponência, ele conseguia notar que Zero possuía uma timidez palpável e quando ficavam a sós isso parecia duplicar.

Zero mantinha normalmente as mãos nas pernas, ou juntas, os dedos entrelaçados, cabeça baixa. A pele era clara e o rosto era quase redondo. Por incrível que pareça, Ryan conseguia perceber certa característica infantil por debaixo do físico forte do andarilho.

Era curioso.

Foi então que Ryan se apoiou no balcão deitando a cabeça nos braços. Dessa forma ele conseguia ver o rosto abaixado do grisalho.

O que o impressionava em Zero era com certeza a boca. A boca do rapaz era pequena, pouco falava, era pálida, mas carnuda e parecia ser úmida. Ryan não notou que mordeu seu lábio inferior, imaginando-o sem os óculos. De que cor seriam? Que formato teriam? Os olhos de Zero eram um enigma. Mas acreditava que ou eram verdes ou eram amarelos. Um dos dois.

Assim que viu a boca que analisava se abrir levemente, Ryan percebeu uma movimentação nas mãos que se soltaram e se apoiaram dos lados da banqueta, enquanto seus pés envolvidos pelas grandes botas pendiam no ar, balançando-se um pouco.

Mas o que significava tudo isso? Existiria uma criança dentro daquele reclusado garoto?

–Está demorando.

A voz de Zero chegou aos ouvidos de Ryan com um tom diferente. Talvez o elfo nunca tenha parado para perceber, mas o timbre era melodioso e contido.

–Sim. O que será que está acontecendo?

Ryan se virou para a área da cozinha e conseguiu ver um cliente, que parecia irritado. Um elfo gordo e alto estava reclamando de alguma coisa e o chefe estava no chão, sendo acudido pela elfa morena, Giddy.

Antes que pudesse fazer algo, Zero já havia sumido de seu lado e aparecido na frente do chefe e da elfa.

–Por favor, se retire.

–HA? Quem você pensa que é, quatro olhos?! Saia da frente!

Zero parecia sério e por algum outro motivo mais obscuro, Ryan manteve-se sentado assistindo.

O grisalho desviou-se de um soco do elfo folgado, que além de tudo parecia ter agredido também a atendente, e o agarrou pelo ombro.

O grito da criatura ecoou por todo o restaurante chamando a atenção de todos. Muitos curiosos tentaram ver o que estava acontecendo, mas Zero foi mais rápido, arrastando o elfo agora com o ombro fraturado para a porta dos fundos.

Lá fora, o elfo saiu correndo.

–Muito obrigada pela ajuda, senhor. –Giddy agradecia se reverenciando.

Zero balançou a mão negativamente e olhou para o balcão onde Ryan observava com um pequeno sorriso. O mais novo sentiu o rosto esquentar brutalmente. Ele estava sorrindo para si? Era o mesmo sorriso das garotas que o olhavam na feira.

Bem, ele poderia estar enganado. Só que mesmo assim seus ombros encolheram e sua mão direita tocou seu braço esquerdo numa clara expressão envergonhada enquanto sua cabeça virava para o lado.

–Senhor, como posso agradecer? –o chefe perguntava aliviado por não ter sido salvo antes que virasse paçoca.

–Ah... Pode terminar o pedido daquele cliente o mais rápido possível? Estamos com muita pressa, senhor.

O chefe e a atendente olharam para Ryan, que acenou com um sorriso largo, típico dele.

–Se não me engano, é Ryan Woodsguard. Faz tempo que ele não vem aqui! Giddy, você ainda não o conhece não é?

A morena balançou a cabeça.

Zero acompanhou a atendente até lá o chefe triplicou na velocidade, caprichando no pedido e adicionando ingredientes especiais.

–Prazer, meu nome é Giddy. O senhor é o famoso Guardião?

Ryan assentiu, sorrindo suavemente para a moça. Observando, Zero percebia que o sorriso dado a ela era completamente diferente. Por quê? O que ele tinha feito de tão especial? E seria um sorriso simpático de companheirismo?

–Bem, isso não vem ao caso. Eu frequento aqui quando estou na vila, é bom te conhecer. Acho que nos veremos muito ainda.

Zero se sentou, tomando a limonada que havia chegado. A conversa dos dois fluiu e o grisalho somente assistia no mais puro silêncio. A conversa era diferente, mantinha como foco a vila em si, os novos moradores, os novos pontos de comércio, as escolas, enfim as mudanças na qual Ryan não pudera acompanhar.

–O Conselho com certeza vai te chamar no fim do mês para discutirem sobre as novas reformas. Eles estão pensando em expandir o comércio para duas vilas mais longínquas. Dizem que a plantação deles está sendo devastada de forma estranha.

Ryan assentiu com a cabeça.

–Mas isso é temporário. Deve ser um bando de ladrões ou alguma peste natural. Eu mesmo vou ir até lá para ver caso os outros membros não consigam identificar o responsável.

A morena sorriu e logo foi chamada. Ainda estava à trabalho.

Depois que o pedido foi servido e Ryan o devorou em menos de três minutos, ele agradeceu e foi se despedir do chefe, batendo um papo curto, mas bem animado. A morena recebeu um beijo na mão do elfo e com certeza ela se apaixonou, mas não vem ao caso.

Os dois agradeceram Zero mais uma vez e pediram para que cuidasse de Ryan, pois esse era muito irresponsável no fim das contas. Tudo o que fez foi concordar e ir embora.

Do lado de fora já havia se passado meia-hora no mínimo.

Ryan tomou caminho para a floresta e Zero acompanhou-o, incerto sobre o eu viria depois.

Duas horas de caminhada, a mata fechada, o ar quente do meio-dia. Porém, nesse dia em especial Ryan não ficou apressando o horário de almoço. Seu foco era a clareira em que ele costumava passar mais tempo com os animais.

Ali havia uma queda d’água alta, as copas das árvores deixavam pequenos filetes de luz entrar por entre as folhagens e tocarem o chão coberto de folhas secas.

Nas inúmeras moitas as flores coloridas se erguiam e a umidade do local era perfeita para um cochilo. Ryan inspirou o ar, observando os cogumelos, plantas e pedras.

Tudo na floresta se transformava. Ele só desejava que não fosse como em seus pesadelos... O medo de perder tudo aquilo o deixava assustado, já não era mais normal sentir tanto medo.

Ryan volveu a Zero.

–Eu vou ficar ali um tempo. Talvez eu demore, talvez eu até durma... Mas amanhã nós temos que voltar para a vila ok? Você se importa de dormir ao ar livre?

Zero indicou que não e fitou Ryan se afastar e sentar na beira do córrego. O alaranjado demorou uns dez minutos e após isso pareceu que o mundo a sua volta desapareceu.

Ele praticamente entrou em um sono profundo e Zero resolveu subir uma árvore e analisar de longe. O tempo naquela tarde que se estenderia até a noite, esperava que fosse o suficiente para o mais velho finalmente se ver livre da escuridão que lentamente o envolvia.

Fora assim com Ronan, com Sieghart, com todos os membros, exceto os asmodianos. Mas Ryan era um dos poucos que Zero imaginava que nunca teria algo assim, incerteza e medo. Ele disfarçava como ninguém, muito raramente demonstrava preocupação e por isso todos o julgavam mal.

...

As horas iam passando e Zero poderia dizer que estava cansado de tanto observar. Até tal ponto os animais tinham percebido a presença de seu amigo e vindo lhe fazer companhia.

Haviam lobos, coelhos, um veado, raposas, duas onças, um leão e três leoas com filhotes, quatro cervos, aves em todos os galhos piando muito baixo, linces e leopardos, javalis, tamanduás e todos os tipos de animais em bandos ou sozinhos. A floresta inteira parecia ter firmado um contrato de paz e vindo ficar junto ao druida.

Zero observava de sue canto em silêncio. Não sabia se os animais poderiam ataca-lo ou algo assim... Ele poderia se defender, mas Ryan não ficaria muito contente em saber que ele os tinha machucado.

O grisalho se rendeu ao sono quando a lua minguante começou a aparecer. Ele deixou-se dormir um longo tempo, cansado da noite passada.

Fazia um bom tempo desde que Ryan e Zero conseguiram ter uma noite decente.

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–Zeroooo...

Os olhos do rapaz se abriram e depararam-se com os verdes de Ryan. Havia uma luz batendo em seu olho esquerdo, mas graças aos óculos ela não o machucava.

O grisalho desencostou da árvore e viu que Ryan estava sentado a sua frente com aquele mesmo sorriso tranquilo que o deixava encabulado. Bem, era inevitável não corar com um sorriso tão cheio de sentidos assim.

–Conseguiu dormir?

–Uhum.

Ryan suspirou de alívio e apontou a clareira lá embaixo. Havia peixe assado.

–Espero que goste do tempero. Como estamos na floresta podemos achar muitas coisas que não encontramos na cidade.

Zero deu um sorriso pequeno e deu uma mordida. Óbvio, ele quase vomitou...

–Está bom.

Mas sua expressão era de total seriedade. Ryan, todo feliz pegou o seu e comeu quase inteiro. Zero ainda ficava entre comer de uma vez ou falar que não estava com muita fome.

–Acho que um pouco de sal ficava bom.

–Se você carrega sal no bolso eu não sei, mas tenho certeza que não tenho e não tem por aqui. Daí concordo, ficaria bem melhor... Ás vezes é difícil engolir essa coisa mole sem um tempero apropriado.

Zero levantou o olhar. Ryan comia por obrigação e costume então. Era óbvio que gostava mais das comidas da cidade.

–Tudo bem.

A opção foi comer tudo rapidamente e ignorar o gosto terrível apesar de estar assado. Zero respirou fundo e bebeu de um cantil d’água.

O dia estava tão bom quanto o anterior. Zero esticou os braços para apoiar os cotovelos, ficando meio deitado. Olhava as copas as árvores que se juntavam lá em cima, o sol estava bem alto para logo de manhã.

Ryan arqueou as sobrancelhas e se inclinou um pouco sobre o grisalho, tapando sua visão.

–O que foi?

Ryan estendeu a mão, passando o polegar pelo lábio do rapaz, deixando-o vermelho. Mas Zero não moveu em nenhum segundo.

–Tava sujo.

Ryan sorriu novamente. Zero apreciava o momento com o coração acelerado, os cabelos de Ryan caiam pelo ombro, a franja pendia no ar deixando a testa à mostra e os olhos verdes pareciam estar com vários brilhos ao mesmo tempo. E os lábios finos e avermelhados do alaranjado torcidos em um belo sorriso hipnotizavam o menor.

Zero sentiu suas pernas automaticamente encolherem e o mais velho quase voltou à posição normal antes que Zero segurasse seu braço.

–Você dormiu bem?

Ryan arregalou um pouco os olhos surpreso com a pergunta e fechou os lábios em um sorriso vertido em uma fina linha encurvada.

–Sim, acho que não terei mais pesadelos. Eu precisava de uma pequena meditação aqui na floresta, eu estava inquieto demais.

Zero assentiu com um sorriso leve. Parecia tudo se acalmar quando estava sozinhos. Eles podiam ouvir a música silenciosa da floresta envolve-los.

Era disso que precisavam... Não ficar totalmente em silêncio, mas ouvir algo mais tranquilo, desviar os pensamentos das coisas que os deixavam agitados demais.

Zero acreditava que era por isso que sentia apreço por Ryan. Os dois eram iguais nesse ponto, adoravam o sono, os sons da natureza, as vozes baixas e os sorrisos tímidos.

Enquanto tinham esses pensamentos, o druida estendeu sua mão até o ombro de Zero deitado ao seu lado.

A cabeça de Zero pendeu para o lado, mal notando que a amarra de seu cabelo havia se perdido em algum lugar e ele estava completamente solto agora, e a franja cobriu boa parte dos óculos, sua bochecha apertando-se no chão com fofura.

Ryan não poderia conter seu instinto e resistir, então seus dedos deslizaram pelo ombro do menor e subiram pelo pescoço, não demorando a tocar a bochecha quente, que se avermelhou no mesmo instante.

Zero apertou as mãos enluvadas contra seu casaco, tentando segurar o que seu corpo prendia duramente. O alaranjado afagou a pele suave e levantou-se até empurrar a franja para trás.

Ryan tocou os lados dos óculos e foram o retirando devagar. Zero não se opunha.

–Eu posso?

Zero assentiu sem pensar na pergunta uma única vez. Quando o acessório tomou seu lugar fora do rosto do grisalho, Ryan pode contemplar os olhos dourados em formato um pouco caído dos lados, na órbita do olho direito havia o desenho “00”. Fazia sentido, mas era a primeira vez que via algo assim.

–Você tem olhos muito bonitos.

A frase soou baixa e Zero logo os desviou. Fora como um tiro, Ryan notou no mesmo momento a vergonha que se impregnava no rosto do rapaz.

Tudo o que conseguia identificar ali no momento era: lindo, perfeito.

Ryan se inclinou por cima de Zero, acariciando seu rosto com mais força quando seu corpo começava a exalar desespero e sua boca salivava.

Zero arregalou os olhos, surpreendendo Ryan ainda mais. Se aquilo que o rapaz sentia era desejo, agora ele já não conseguia identificar o que sentia pelo mais novo. Zero precisava ser seu.

Nem mesmo o grisalho percebeu quando seus braços envolveram as costas de Ryan e o puxaram para si, suas bocas juntarem-se no mesmo momento, deixando-os atordoados e confusos.

O calor e a umidade adentraram entre os lábios macios e a língua quente acariciou a pouca falante. Os dedos de Ryan se apertaram em seu pescoço e sua boca agiu por conta própria, sugando os lábios do menor com ferocidade, o gosto era indescritível e a tensão entre eles desapareceu no instante em que trocaram os lábios e perderam a consciência de seus atos.

Zero abriu as pernas abrigando o corpo do maior entre elas, seus fios de cabelos laranjas tocavam seu peito por cima da regata. As mãos de Ryan buscavam acariciar Zero desde os cabelos à cintura, depois se estendendo até as coxas nas calças cinzas.

O sol pareceu ter piedade deles e se retirou com uma grossa nuvem, deixando a claridade sumir um tempo.

As bocas se encontravam e desencontravam, os olhos fechados se abriam às vezes para se fixarem nos do outro. Pareciam sincronizados. Adequados um ao outro.

Zero se afastou um pouco do chão para então segurar o pescoço de Ryan com as duas mãos e beijá-lo com uma força desmedida. Sua língua explorava todos os cantos, puxava os lábios do maior para dentro dos seus, sua respiração quente e excitada batia no rosto moreno com sensualidade.

Ryan respirava com dificuldade tentando acompanha-lo. Vendo-se sentado e Zero de joelhos em cima de si, Ryan alisava as costas do menor, tirando o casaco verde e preto com demora, seus dedos seguiam pela linha da coluna por cima da regata grossa e logo pressionavam a cintura magra, adentrando por debaixo dela.

Ao sentir o contato direto, Zero soltou um gemido abafado, avermelhando e afastando as bocas. Ryan abaixou os olhos e sem querer acabou encarando a calça do menor.

Não estavam muito bem, os dois...

Ryan segurou o ar e puxou Zero novamente, beijando-o quase com violência. Zero não tinha nenhuma chance de não aceita-lo, era muito, era sempre quente e envolvente.

Nenhum empecilho era suficiente para fazê-lo deixar de desejar aquilo. Não esperava que fosse ocorrer tão de repente, tinha medo do que poderia vir após isso, os arrependimentos e mais outras coisas que ele infelizmente passou com Grandark, mesmo não sendo o mesmo gênero de problema.

Mas com o corpo tão próximo e puxando-o para a irracionalidade, Zero só conseguiu retribuir aquela pessoa e se deixar naqueles braços grossos e morenos.

Com a regata sendo invadida, Zero se contorceu ao sentir a textura do dedos subindo e o provocando. Os pontos nervosos eram atiçados com o toque do maior, o olhar era lascivo e sério, a boca percorria seu pescoço.

Ryan dizia coisas em seu ouvido enquanto mordia sua orelha, os braços passando por suas costas e as mãos descendo até suas nádegas. Zero pode provar o agarrão mais excitante de sua vida quando os dedos do druida tomavam os volumes por dentro da calça, fazendo-o se contorcer, a mão descia cada vez mais, fazendo-o se inclinar mais para frente e sua bunda empinar para o ar.

Zero não podia ver, mas Ryan o encarava, se excitava com as expressões que fazia de olhos fechados ou abertos. O prazer que sentia em tortura-lo era tão magnifico, o fazia querer mais daquele rapaz.

Asmodiano, máquina, humanos, elfo, não interessava de forma alguma... Zero era agora seu mais bem querido e ele tinha que deixa-lo inebriado em prazer, era uma dívida.

–Hn-Ahh!

A boca do menor se entreabriu, deixando à mostra a umidade que o atraía. Ryan não perdeu tempo em toma-los, incansável, a regata do menor foi tirada com pressa. O maior não tinha se esquecido de que precisavam voltar.

Zero o ajudou, todo o silêncio era constrangedor, mas o som da queda d’água abafava o ato e os dois decidiram que apressariam as coisas para poderem se sentir o mais rápido possível.

Ryan chupava o pescoço do menor e o mordia enquanto este gemia alto, os dedos tentavam puxar a regata preta do corpo de Ryan.

–Hn...R-Ryan...

O alaranjado sugou a carne e levou as mãos até o peito do grisalho, dobrando a regata acima do peito e acariciando os mamilos rígidos. O formato redondo e avermelhado mostrava as pontas apontando o alto, o corpo do menor tremia e sua boca soltava os sons mais esperados pelo druida.

Ryan desceu sua boca insatisfeita, sem ver as manchas arroxeadas quase negras espalhadas no pescoço e ombros do outro, até tocar o mamilo direito, envolvendo-o todo com a boca e chupando-o, sua mão direita tocando o mamilo esquerdo e beliscando a carne, puxando-a e movimentando-a em círculos.

Zero fincava os dedos nos cabelos do druida, puxando-o contra si cada vez mais, seus mamilos doíam, estavam molhados pela saliva e pela boca nada gentil do mais velho. Os dentes levemente pontiagudos do maior o torturavam, arranhando-o de leve e finalmente abandonando sua área sensível.

O rosto de Zero estava uma fornalha e o meio de suas pernas latejava com maldade. Ele não conseguia se controlar, parecia tudo mais difícil e irresistível com ele.

–Zero...

A voz de Ryan soou grave, Zero arqueou as costas, sentindo a boca em seu abdômen lambendo-o e mordendo sua pele sem piedade. O cinto de sua calça foi aberto e logo o tecido cinza tinha abaixado até suas coxas. Ele teve medo de olhar.

–Olhe pra mim.

Zero abriu os olhos com dificuldade, sentindo a respiração tensionada de Ryan bater diretamente contra o tecido de sua peça íntima.

–R-Ryan!

O alaranjado segurou os quadris do menor ara que não fugisse e sua boca tocou o volume, roçando os lábios vermelhos e chupados ali.

–R-Ryan... Ry-aan...

O druida abriu os lábios, mordendo o tecido na parte onde tensionava-se a glande do menor.

–H-HM!

Zero soltou os ombros de Ryan e taparam a boca. Incomodado com isso, Ryan puxou o tecido banco até que o membro do menor ficasse descoberto na ponta. Zero ficou mais vermelho do que já estava e tentou cobrir a parte, sendo impedido e seus pulsos sendo agarrados.

–Me deixe fazer isso...

Os olhos de Ryan pediam como naquela hora, mas estando realmente com intenções pervertidas. Não poderia não dar razão ao rapaz, eles eram homens, não conseguiam conter todo aquele desejo, mas sua glande estava sendo esmagada pelo elástico, ele ia desmaiar!

Zero assentiu e manteve a boca tampada. Ryan abriu a boca e envolveu a parte superior da glande, lambendo-a dentro da boca e sugando-a de leve. O elástico parecia cada vez tortura-lo mais, mas os dois percebiam que era a ereção crescendo e o pênis ficando cheio e grosso.

Zero tentou de todas as formas, Ryan o chupou longos instantes e só depois foi abaixar o restante da peça, acariciando a extensão sem rapidez e com a outra mão abaixando a calça até os joelhos. Ryan apertou a coxa esquerda com vontade, encantado com a maciez daquele corpo, marcando-a com os dedos; o cheiro era suave e amadeirado, o membro era firme e masculino, mas todo o resto o fazia parecer com uma garota; as nádegas eram redondas, mas firmes.

O druida não se demorou e a mão que tão empolgada incitava a bunda do menor, correu até o meio, alcançando o ponto que fez o menor arregalar os olhos, apavorado, e tentar passar algo pelo olhar.

–Ryan... Eu...

O maior ainda viu a boca de Zero se mexer mais algumas vezes e depois fecharem-se em uma mordida. Os olhos tão desconhecidos agora pareciam que eram comuns estarem às vistas. Ryan ficou feliz ao sentir que poderia saber o que se passava na cabeça do grisalho desse jeito. Ele não imaginava que sentiria emoções assim por alguém como o Zero.

O menor se abaixou um pouco, colocando a testa no ombro de Ryan, seus ombros tremiam.

Para o mais velho, ele poderia esperar, mas parar naquele momento não era algo muito bom. Para sua surpresa, o menor deslizou por seu corpo beijando-o de leve, simples selinhos e abaixou a calça com pressa junto com a peça íntima de uma vez.

Ryan ficou com as bochechas quentes, mas superaria. O pior era Zero levando a mão para seus testículos e a outra para sua extensão.

–Hm...

A temperatura espalhava por seu corpo e seu pênis endurecia mais. O contato da língua com seu membro foi um choque que ele nunca se esqueceria.

Seus olhos reviraram, tal inocência do menor, e a boca inexperiente envolveu a glande, engolindo aos poucos todo o corpo grande e teso.

Zero lacrimejou um pouco. A rigidez do membro o fez abrir a boca ao máximo, mas ele se obrigava a ir até onde conseguisse.

Ryan segurou seu rosto e começou a gemer como nunca. Os lábios tão macios e pálidos que ele tanto gostava agora envolviam seu pênis inteiro e o encostava na parede de sua garganta. Como ele estava conseguindo respirar?!

O alaranjado não conseguia se separar de Zero e este fazia o movimento de penetração lento, de olhos abertos, a saliva escorrendo pela boca, o próprio membro ereto e sedento, as mãos enluvadas nas coxas morenas e torneadas do elfo.

Ryan podia ver o sol começando a aparecer detrás das nuvens e novamente esquentar suas costas. Ele levantou os braços, atirando a regata junto ao casaco de Zero e ajudou-o com a masturbação, movimentando o quadril para frente e trás enquanto segurava aquele rosto convertido em total tesão.

Zero já nem media a situação atual, seu corpo pedia e ele agia, suas mãos foram desenluvadas, sua boca aumentou a velocidade enquanto chupava o membro com o máximo de força e apertava a base, movendo a mão em direção contrária.

Ryan arqueou a cabeça e não suportando mais, caiu deitado, apertando os fios cinzas com as mãos enquanto via de relance seu membro sumindo dentro da boca alheia.

Zero soltou-o depois que sentiu o orgasmo invadir sua garganta e uma parte escorrer sua boca. Ao soltá-lo, teve uma sessão de tosse, engasgado, e mesmo assim o membro do rapaz continuava semi-ereto e pronto para uma segunda vez.

Ryan se sentou de novo, perguntando se o grisalho estava bem. Fora algo magnífico e marcante. O peito de Zero subia e descia com velocidade.

Os dois se abraçaram em meio a um beijo mais calmo, Ryan voltou os dedos ao ânus e o circulou por fora, tencionando adentrá-los.

Zero soltou um breve gemido, seu corpo se apertando ao peito do maior, esfregando sua ereção de encontro ao abdômen forte. Era abafado pela boca dominante e suas coxas afastaram-se com o dedo do meio invadindo-o. Não foi a melhor sensação, não foi bom e pouco suportável.

Um gemido dolorido chegou aos ouvidos do maior, que tentou distraí-lo. Ryan levou a mão aos lábios corrompidos e indicou para que os molhasse.

Fez diferença, ainda que pouca. Zero suportou os minutos de preparação, além de que era muito estranho ter uma pessoa colocando algo bem “ali”. A outra mão masturbava o membro do grisalho, massageando-o com cada um dos dedos, apertando-o, puxando-o e o empurrando, a pele se enrugava e endurecia.

O andarilho viu-se com menos dor e com mais insegurança do que nunca. O que ele sentia por Ryan, ele não sabia, mas o respeitava. Depois disso, ele sabia que muita coisa mudaria.

E mudou.

Ryan permitiu que o menor se ajeitasse do melhor jeito possível e esse segurou seu membro completamente desperto, enquanto que com a outra mão segurava sua glande para que não gozasse. A expressão o deixava incitado e impaciente.

Zero fez mais rápido do que queria, posicionou-se e com os sentidos à flor da pele, com o pênis duro tocando sua parte mais íntima, apertou-se com força e um gemido rouco atravessou o ar tão rápido quanto metade do membro adentrou o orifício mal preparado.

Ryan nunca havia sentido tanto prazer na vida. A estrutura quente, o doce aperto, o sentido carnal ativo, a visão tão bela... Como havia sobrevivido sem tocá-lo uma única vez? Ele estava cego pra não perceber Zero dessa forma.

Ryan não se via deitando com homens, mas com aquele, ele não fazia questão nem de pensar.

Zero tremeu e gemeu uns segundos, seu quadril se mexeu de cima a baixo, rodou em círculos um tempo tentando alargar-se. Foi só com a ajuda do maior, que o deitou, que foram se encaixar.

Ryan sorriu para o andarilho. Ele parecia ser tão frágil assim...

Zero correspondeu, as lágrimas pararam de cair e um sorriso meia boca tomou seu rosto. Suas coxas subiram, os braços de Ryan passando por debaixo delas, as mãos se entrelaçaram e a penetração teve início. As estocadas firmes faziam-nos virar os olhos nas órbitas, suas gargantas rasgarem em gemidos súbitos, o suor escorrer pelos músculos em contato com o sol que ficava cada vez mais alto.

–Ryan! EU... Ahh!

–Fala...

Ryan impulsionava com força, Zero acreditava estar no inferno por tanta dor, estava arranhando tanto que tinha certeza que no interior estava sangrando, mas acima de tudo ele sentia amor no que estava fazendo. Não sabia bem do que se tratava, mas se ele pudesse decidir, ele desejaria que aquela sensação fosse o tal do “amor”.

A consistência gosmenta e quente tomou todo o interior do canal, escorrendo para fora enquanto os dois paravam um instante. O sol acima deles, a umidade desaparecida e as árvores de folhas secas. A mão de Ryan ainda se encontrava no membro pulsante de Zero... O líquido escorreu lentamente e tocou seus dedos os quais levou à boca para limpá-los.

Não fez muita cerimônia ao largar-se e tomar o membro do menor em meio aos lábios outra vez, chupando-o até que não houvesse resquício do ato. Zero demorou a se acalmar e os dois deitaram no chão.

A queda d’água continuava cristalina e caindo sobre as pedras lisas. Ryan olhou isso alguns segundos e desviou sua atenção novamente para seu companheiro.

Zero estava abraçado a si, o rosto em seu pescoço, as roupas todas jogadas em cima das outras. O choque térmico a partir daí foi o de menor importância. Zero tocava os ombros de Ryan com os lábios gentilmente. Nunca se sentira tão bem e vivo antes.

–Obrigado...

O alaranjado ainda imaginava se eles pudessem ficar assim o tempo todo. Não, impossível... Sempre havia o mal correndo à solta no mundo, então estar livre disso era impossível.

Mas se ao menos um pouco, se tivessem uma chance de se relacionarem que talvez desse certo ao menos um pouco, Ryan arriscaria. E conhecendo Zero, ele também.

Entre eles já não havia mais medo. Os primeiros passos haviam sido dados.

–Precisamos ir.

A voz dele sussurrou baixo e doce, ainda engasgada e cansada, arfante com o nível do ato. Adoraria ficar ali na realidade.

–Eu sei. Consegue andar?

–Uhum.

Ryan não pensou em mais nada para dizer. O banho foi rápido na água gelada do córrego, Zero por sorte tinha como esconder as marcas com o casaco, mas o ruim era que estava calor.

Acompanhando o caminho de volta, Ryan parou um segundo numa parte meio aberta que dava visão a um curto campo, haviam milhares de espécies de plantas e flores.

O alaranjado buscou uma amarela e levantou-a até o nariz enquanto andavam. Zero sorriu um pouco, ele era mesmo um viciado naquela floresta.

–A melhor época do ano é a primavera... Sabia, Zero?

Final

Notas finais
HAI! Está aí a primeira! Ficou super grande e detalhada, desculpe se falhei no lemon viu? Semana que vem eu posto o pedido SieghartxJin ok? Bjos minna, deixem reviews please!