XadreZ
3 Capítulo 2
Notas iniciais
Levaram dez anos para eu voltar e percebi, quando cheguei,que já não conhecia mais nada. A cidade parecia morta. Casas abandonadas se viam por todos os lados, ruas quase desertas abrigavam poucas pessoas de baixo de toldos das poucas lojas que restaram abertas. Não vi ninguém que conhecera antes, apenas desconhecidos que me olhavam com espanto e surpresa. Eu parecia um fantasma em uma cidade fantasma que era habitado apenas por humanos. O mais estranho era que ainda não vira nenhuma mulher, por todos os lugares os olhares sobre mim eram apenas de homens.
Mas minha maior aflição era não encontrá-los mais em casa. Uma aflição que quebrada quando ouvi suas vozes, mais agudas, mas ainda reconhecíveis. Continuei caminhando pelo caminho das velhas peças da minha época ainda se decompondo, mas agora, dez anos depois, estavam bem piores. Subi um dos montes mais perto das vozes e fiquei em pé na beirada com as mãos na cintura. Não sabia como me tratariam após todos esses anos longe sem dar notícias mas continuei firme. Eles estavam reunidos em círculo conversando mas já não sentavam no chão, se encostavam nas peças que formam uma parede a sua volta. Ali em baixo eu tive o deslumbre das crianças que conhecera e os homens em que se transformaram e reconheci ele, Ian, ali ao lado. Ele sempre ficava ao lado do irmão, compassivo, gentil e sempre com seu sincero sorriso mais belo agora.
– PARECE QUE CHEGUEI EM BOA HORA. — Todos olharam para cima espantados, menos Erick que parecia saber que eu voltaria, por que sorriu confiante.
– Não acha que está um pouco atrasada? — Ele fala vindo em minha direção a frente dos outro quando chego ao lugar em que estavam.
– Alice. — Thomás chega perto de mim. — É você, não é?
– Vocês conheceram outra garota enquanto eu estava fora por acaso?
– Alice voltou. — Ele diz e nós rimos.
– Caramba, as coisas mudaram por aqui. O que aconteceu com essa cidade? — Eu falava pra todos mas não desviava a atenção de Ian.
– Você ficou fora por muito tempo, muita coisa aconteceu.
– Como o que?
– Rebeldes. Muitos deles. — Andy tomou a dianteira. — Nossos agentes da guarda conseguiram segurá-los mas eles se tornaram mais violentos, ameaçavam a população e somos uma província pequena, com pouca proteção. As pessoas já não se sentiam mais seguras aqui e a maioria se mudou para a sol ou outro lugar maior.
– Isso explica muita coisa. Só não sei por que me olhavam com espanto. Eu parecia um fantasma. Ninguém nunca mais veio pra cá?
– ninguém, especialmente...
– ...mulheres — Erick terminou a frase em um tom sombrio. — Elas foram as primeiras a sair. Já não eram muitas e aos poucos todas foram embora. Você é a única aqui.
– Agora faz sentido. Então, posso voltar ou perdi meu lugar?
– Essa é sua casa também. Você será sempre bem vinda. — Ian disse finalmente. Erick não precisou olhar muito para perceber que tínhamos muito a conversar para nós deixar a sós.
– Venham vocês dois. — falou para se voltando para Andy e Thomás. — Me ajudem a arrumar o quarto dela. — Eles o seguiram depois de ficarem olhando para nós e finalmente perceberem.
Ian se aproximou de mim que permanecia parada onde estava.
– Oi.
– Olá.
– Não é agora que você divia dizer algo como "eu sabia que voltaria"?
– Mas eu não sabia. Eu queria. — sorrio.
– Como você está?
– Bem e você? Achou o que procurava?
– não posso dizer que sim. Infelizmente. Mas também não posso reclamar.
– Também não.
– O que foi?
– Passamos no teste para agente da guarda. Todos nós.
– Eu sabia, vi o nome de vocês na lista quando minha aprovação saiu.
– Está sempre a nossa frente.
– Mas não é fácil, eu tenho que me esforçar muito.
– Eu sei, eu ajudei em muitas dessas vezes.
– Sabe, acho que devíamos repetir aquelas noites um dia desses.
– Seria um prazer. — Ele sorri gentilmente e senti que finalmente voltei para casa.
Por dentro, o lugar em si não havia mudado, meu quarto continuava intocado. Os moradores porém já não eram mais os mesmos. Eu deixe crianças e encontrei homens.
Depois de deixar minhas malas em cima da cama me sentei na cozinha junto a Erik para saber as notícias já esperando que me interrogasse acerca de meu sumiço por dez anos e a volta repentina.
– Então, quais são as notícias dos últimos anos?
– Quer um resumo ou tudo na íntegra. — Erick me disse em um tom mais relaxado agora e claramente brincando comigo.
– considerando o tempo que se passou, adoraria um resumo. — Ele permanecia sentado a minha frente na pequena mesa de madeira no centro da cozinha e estava bem próximo a mim.
– Nada de muito extraordinário. Ian deve ter te contado que passamos no teste.
– Sim, ele falou. Eu também passei.
– Eu sei. Já esperava que voltasse quando vi a lista mas os outros não devem saber. Estavam nervoso demais na hora do resultado. E também, não sabíamos o que estivera fazendo nesses dez anos.
– Fico muito grata que não tenham me julgado por isso.
– Não, somos livres para fazermos nossas escolhas. Eles nunca a julgariam, especialmente Ian.
– Como ele ficou todos esses anos?
– Não posso dizer que ficou bem com a sua partida mas ele fez sua escolha de ficar aqui. Ele sabia que poderia ir atrás de você mesmo que eu relutasse por isso. Mas decidiu ficar aqui. — Ele levantou o rosto que estava abaixado para a mesa. — Ele gosta de você. Sabe disso, não sabe?
– Sei. Pensei muito, especialmente nele, antes de fazer minha escolha. — ele percebe a tristeza em minha voz.
– Mas, como dizem, devemos deixar o passado no passado. Você está aqui agora e é o que importa. — sorrio com suas palavras.
– Obrigada.
– Chefe, temos visita. — Andy fala entrando sem pedir licença por atrapalhar nossa conversa.
– Chefe?
– Eu prestei para chefe da guarda do distrito Terra e passei. Agora eles me chamam assim. — Ele fica um pouco desconcertado com isso. — Vamos ver o que está acontecendo.
– Certo, chefe. — Ele me olha com a cara fechada e relaxa mas não diz nada antes de sair comigo atrás.
Lá fora, no meio do campo de treinamento, três garotos, todos aparentando 16 anos, conversavam com Ian e Thomás.
– Então, a que nos deve a honra de sua visita?
– Viemos em nome dos rebeldes. Queremos essas terras e não vamos embora até uma disputa com os chefes da guarda desse distrito.
– Somos nós. — Ian diz.
– E aceitamos. — Chefe conclui.
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