XadreZ
4 Capítulo 3
Notas iniciais
3
– Queremos uma disputa de dois contra dois. Vocês começam. — Ele falava com confiança sentados na mesa em que arrumamos com os capacetes.
– certo. Então eu vou. — Erick falou e se virou para nós atrás dele. — Quem vai comigo?
– Eu vou. — Digo e olho para todos como pedindo uma resposta.
– Queremos ver a nova Alice. — Ian diz e todos concordam com um gesto de cabeça. Sorrio. Os eles escolhem seus dois, o aparente líder é um outro que parece segui-lo em tudo o que faz, um baixinho de moletom.
Nós organizamos na mesa, Erick a meu lado e o chefe deles a minha frente. O baixinho estava à frente de Erick.
– Vamos começar. — Andy anuncia.
O ambiente fica preto e entramos no jogo. Aqui as regras são as mesmas, meu adversário é quem está a minha frente. O tabuleiro é o mesmo mas expandido para que cada exército fique no exato número de duas linhas como deve ser e afrente do seu adversário. Cada jogador deve se focar no seu jogo ignorando o jogo paralelo. As cores das peças também mudam. Nesse jogo, as nossas peças são pretas e brancas e no de Erick são vermelhas e cinzas.
– Comecem. — O computador começa a selecionar as peças.
– Alice: Torre; Erick: bispo; joseph: torre; terry: Dama. — Ian conta nossas peças.
Começo. Meu adversário é a dama. Seria fácil demais eliminar ele nas primeiras rodadas por que ele saiu de cara mas essa é uma estratégia óbvia, quando se tira a dama normalmente as pessoas tendem a jogá-la primeiro por que são ignoradas e usam isso para avançar as linhas ou o jogo seria muito rápido mas claro que é arriscado principalmente se o adversário não tiver nada a perder. O ignoro como queria e saio com minha dama pela esquerda e observo sua jogada. Provavelmente vai mexer outra dama para fazer guarda de si. Ele mexe uma dama. Continuo avançando as outras damas até sair com a última antes de começar a usar as outras peças. Olho para o jogo de Erick se desenrolando a nossa frente. Não o havia notado até agora o que é perfeito. Erick havia avançado apenas o cavalo. Ele já era bom na minha época não conseguia imaginar como estaria agora mas eu também aprendi truques.
Depois de ter formado uma barreira com as damas, ele partiu para o ataque. Continuei só esperando que suas damas avançassem e comecem as minhas. Ele os fez mas quando chegou na minha linha de fundo perdeu sua barreira foi caindo uma a uma. Ele achou que usando todas as damas, que eram em maior número, mesmo que fossem comidas algumas, ele poderia abrir brechas para chegar a minha linha de fundo com elas e encurralar minhas outras peças e ganhar mas
não lhe dei brechas para tal e meus cavalos deram conta de suas damas exceto ele, sem que eu precisasse mover meu casal de lugar. Seu rosto ficou nervoso, ele não tinha outra estratégia montada e foi hora de usar a minha. Usando as torres como escudo, fui avançando aos poucos e me jogando em casas aparentemente aleatórias. Ele pensou que talvez eu o tentasse confundir e prendeu ainda mais seu casal mas eu focava nele. Percebi que mesmo com sua quantidade de pontos em damas, ele precisaria devolver algumas se fosse comido por que seus pontos de jogador eram baixos, suas técnicas, embora óbvias, eram bem arquitetadas e mostravam uma certa experiência. Eu consegui avançar até ele, que estava desprotegido e o levei a minha coleção, ele teve que devolver boa parte de minhas damas me dando um exército quase inteiro e as usei na linha de frente onde ele foi obrigado a comê-las e eu tirei sua guarda com minhas peças que vieram atrás. Ele estava encurralado. Movi minha torre para cima de seu desprotegido casal e o cerquei.
– Xeque mate. — Eu disse é olhei para Erick que estava sozinho no tabuleiro, suas peças todas em jogo e seu bispo olhando para o casal de frente, com todas as outras peças a sua volta.
– Xeque mate. — Ele pronunciou e o jogo se encerrou.
– Vitória de Erick e Alice. — Andy anunciou.
Os três homens mal olharam para nós antes de partirem. Olhei para o lado e Erick sorria para mim confiante.
– Você esteve muito ocupada, em?
– É, mas não supera o chefe...ainda. — Ele ri contidamente e entramos todos ouvindo os outros comentarem sobre minhas jogadas e como eu havia melhorado.
– Sabia que estaria aqui. — Ouço a voz de Ian atrás de mim onde eu estava sentada nos fundos da velha quadra, o lugar que vínhamos quando menores.
– Onde mais eu poderia estar?
– A dez anos atrás eu saberia dizer isso. Hoje não sei mais. — Ele permanece em pé atrás de mim e me levanto também.
– Me desculpe. Mas eu pensei em você quando tomei minha decisão. Sabia que seria difícil e também não posso negar que fiquei feliz quando percebi que não tinha namorada. Ou pelo menos, na atual situação, eu acho que não.
– Não tenho. E você estava errada.
– Sobre o que?
– Nossa última conversa antes de ir embora. — Minha respiração aumenta e a dele também. — Se eu não soubesse o que dizia não sentiria até hoje.- Ele chega mais perto. — Alice, eu te amo.
– Eu sei. — O beijo rapidamente olhando sua reação. Ele fica parado em choque. — Eu também te amo. — Então aproxima seu rosto ao meu e nos beijamos deixando aqueles longos anos para trás.
– O que está aprontando? — Erick me pergunta enquanto arrumo a mesa da sala só para nós três depois de ter pedido aos outros se podíamos jantar sozinhos essa noite e eles concordaram assim que lhes contei meu plano.
– Apenas observe as jogadas, chefe.
–Ei, o que houve com Andy e Thomás? — Ian vem descendo as escadas enxugando o cabelo recém lavado com a toalha.
– Eles foram dar uma volta por aí. — Digo como se não soubesse de nada e vou para a cozinha pegar o macarrão que preparei para nós. — Vamos comer? — Os dois se entre olharam e se sentaram depois que Ian colocou a toalha em cima do encosto do sofá.
– Qual sua estratégia? Por que está claro que tem uma. — Fique em pé em frente aos dois, um pouco nervosa com minhas próximas palavras.
– Eu queria ficar a sós com os dois por que, ao estilo de antigamente, gostaria de pedir a Erick sua permissão, na condição de irmão mais velho e protetor, para me casar com Ian. — Eles ficam sem palavras por um momento, A respiração de Ian aumenta.
– Eu permito se prometer que não vai sumir.
– Eu prometo. — Me viro para Ian. — Então? — Ele se levanta ficando a minha frente.
– Eu aceito. — Nos abraçamos. O jantar foi bem animado com discussões sobre o futuro e decidimos que iríamos ficar aqui até cumprir nosso dever de proteger o distrito e, agora, trazer a paz e as pessoas de volta. E veríamos como as coisas andariam naturalmente. Também decidimos agir normalmente embora agora fôssemos casados. Sem ficar com ninguém, óbvio. Só não iríamos ficar nos pegando mas Erick concordou que podíamos decidir entre nós coisas como dormir juntos e que a responsabilidade seria nossa.
O casamento foi simples em uma igreja da cidade. Um padre amigo nosso nos casou com muita felicidade por que, segundo ele, já torcia por nós desde que éramos pequenos e o ajudamos com coisas da igreja. Fazíamos trabalho voluntário para todos da cidade que precisavam também por que a maioria era idosa e já não podia fazer tudo sem ajuda. E um mês se passou por uma em calmaria depois que voltei. Thomas acreditava que eu e Erick tínhamos alguma coisa a ver com isso depois do último jogo. Que os assustamos ou algo assim por que não havia essa paz a tempos. Mas sabíamos que não era assim e não demorou muito mais para que voltássemos a rotina.
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