Notas iniciais
Visão do Logan

Ninguém imagina o quanto ver aquele mané do Scott com a Jean me dava raiva. Não que eu precisasse de muito pra ter raiva de alguém, mas... Aquele mané por si só me dá nos nervos. Por causa disso, me vi obrigado a sair do jardim e voltar pra enorme mansão.

Passei por uma sala de aula onde Hank falava algo sobre equações e incógnitas. Entrei e fiquei olhando em silencio. Pra mim, matemática sempre foi uma chatice. Hank me olhou e pediu para eu me aproximar.

– E ai, Logan. Quer ter umas aulas? – ele dizia sorrindo, no auto de sua seriedade.

– Não. – suspirei.

– Então pode me fazer um favor? – ele ainda estava sorrindo, e eu suspirei mais uma vez. Se eu falar que não, ele vai me pedir de qualquer jeito. Que merda. – Ótimo! Vá até a biblioteca e pegue o livro “Origem das Equações”, por favor.

Apenas revirei os olhos e saí. Sorte do grandão que eu não tinha nada melhor pra fazer. Caminhei calmamente, passando por uma janela onde vi as crianças se divertindo no jardim. Vi também os dois, de mãos dadas... Tive vontade de voar e enfiar minhas garras no meio da cara daquele mané.

Entrei na biblioteca e fui procurar o maldito livro, caminhei por algumas sessões e então vi a garota nova paralisada. O livro que estava em sua mão caiu e ela se encostou à estante atrás dela e escorregou até sentar-se no chão.

Já estava a sua frente quando ela começou a tremer. Parecia ter uma convulsão de tanto que tremia, mas seu olhar estava vazio... E completamente sem brilho, num tom diferente do que eu vi em sua apresentação.

A chacoalhei várias vezes e chamei por seu nome, mas ela permanecia da mesma maneira. Olhei para os lados e não havia ninguém lá. Quando fui tocá-la novamente, tive um relance de pensamento.

Vi um cara beijando uma versão mais nova da Mística e uma pequena onda de sentimentos me atingiu. Larguei a garota no mesmo momento. Nunca lidei bem com a minha raiva, imagina com raiva alheia.

– Diah! – eu a chamava ao tocá-la novamente, aliviado por não levar outro choque de visões.

Estou. Bem. – sua voz ecoou fraca em minha mente. Me assustei.

– O que aconteceu? – dizia, esperando que ela falasse ao invés de entrar na minha mente.

Tenho... Memórias de minha mãe guardadas. Algumas delas estão trancadas, eu não tenho acesso; mas quando bem querem se mostram para mim e eu fico... Assim. – sua voz ecoou em minha mente de novo. Percebi ela se esforçando, e então levantando a mão, a repousando em meu antebraço.

– Você vai ficar bem? – eu disse e ela fechou os olhos – Ei, Diah! – gritei e ela sorriu ao abrir os olhos. Parecia estar brincando.

Agora estou melhorando, mas... Me tire daqui, por favor. – sua voz mais uma vez em minha mente me fez pensar como a levaria, já que ela não andaria ­– Apenas me tire daqui.

Então, a peguei no colo e a olhei rapidamente para saber se já estava bem. Do jeito que estava, parecia que ia morrer ou algo parecido e o Professor deveria saber disso.

Sim. – sua voz inundou minha mente, me assustando. Odeio quando esses psíquicos fazem isso. Não pude evitar uma expressão mal-humorada.

– Fique longe de minha cabeça, garota. – falei com indiferença e ela sorriu, me deixando um pouco desconcertado. Eu não esperava por isso.

– Desculpe. – ela disse com a voz rouca – É o costume... Prometo me controlar. – e sorriu mais uma vez. Revirei os olhos.

– Você tem certeza que está bem? – perguntei mais uma vez ao coloca-la em sua cama – Você deveria ir a enfermaria.

– Estou bem. – ela tinha uma expressão doce ao responder – Isso já me aconteceu outras vezes, preciso apenas descansar.

– Certo. – completei e abri a porta do quarto para sair.

– Logan? – ela disse antes de eu sair, e eu apenas a olhei sem me virar – Obrigada. Mesmo. – e abriu um sorriso intenso que me desconcertou novamente por não esperar essa reação.

– Certo. – repeti antes de sair.

Fui direto para a sala do Professor, me esquecendo completamente do pedido do Hank. Dane-se. – pensei. Bati na porta da sala dele e entrei ao ver que estava vazia. Por sua expressão, ele tinha visto tudo por minhas memórias.

– Então...? – perguntei assim que me acomodei em uma das cadeiras em frente à sua mesa.

– Obrigada por me avisar, Logan. – ele começou – Ela me explicou que isso acontecia as vezes, só não sabia que era nessa intensidade.

Conversamos mais sobre outras coisas do Instituto como as aulas de História e Preparação Física. Saímos da sala ainda conversando pois Ororo tinha chamado o professor para resolver alguma coisa.

– Logan, poderia te pedir um enorme favor? – ele começou, de repente.

– Claro. – respondi prontamente.

– Pode ficar de olho em Diah? – ele me olhou como se houvesse algo mais do que aquele pedido.

– Desculpe, professor, mas não sou babá. – me limitei a dizer.

– Está além do que posso falar, porque podem ver sua mente. Eu só preciso que você faça isso por mim, pois não posso vigiá-la mentalmente por ela se bloquear. – ele continuou e parou sua cadeira bruscamente, ficando de frente para mim – Coisas podem acontecer.

– Ruins? – perguntei, sentindo gravidade no assunto de alguma maneira. Talvez fosse o professor.

– Temo que sim. – ele completou, antes de continuar andando – Conto com você.

– Pode contar. – respondi.

E então ele seguiu. Senti que poderia me arrepender de ter me comprometido a “ficar de olho” naquela menina. Suspirei e segui para o jardim novamente.