Os primeiros dias no Instituto me fizeram sentir como se tivesse encontrado um lar novamente. Tio Erik sempre deixou claro que ao seu lado eu não encontraria um lar como tinha com minha mãe, e o único lugar realmente seguro era onde estava.

Tive algumas aulas de diversas matérias, mas minhas preferidas foram de matemática com o Hank e história com o Logan. Era legal ver como o grandão conseguia ser sério e simpático ao mesmo tempo e era divertido ver o desconforto de Logan perto de mim.

Após uma cansativa aula de ciências sociais, caminhei um pouco pelo jardim. Aproveitando que estava a sós, tentei separar meus pensamentos dos da minha mãe. Percebi que cada coisa que eu olhava no instituto eu não sabia se era familiar porque eu já tinha visto ou se era lembrança da Emma.

– Quem é você de verdade? – o cara com asas brotara atrás de mim, me fazendo gritar de susto – O que você quer aqui?

– Q-Quem é você? D-De onde você... – eu estava tão imersa que perdi a noção de espaço, andando cada vez mais para trás até encostar em uma árvore, ainda assustada.

– Sou Warren, mas todos me chamam de Anjo e acho que você sabe por que. – ele se aproximava cada vez mais de mim – Quem-é-você?

Seus pensamentos eram um tanto obscuros. Ele estava me deixando assustada. Pensava que ia descobrir de qualquer jeito por que eu estava no Instituto, porque ele tinha me visto com Magneto uma vez.

– Diah-Frost. – falei, apertando a mandíbula. Estava defensiva demais, me senti pressionada demais. Faltava pouco para...

– O que você quer aqui, Diah Frost? – ele ficou a alguns centímetros de mim enquanto me olhava nos olhos, me intimando mais.

– Quem você pensa que é pra perguntar isso? – falei rápido, exaltada.

Tão rápido quanto minhas palavras, um vulto apareceu e derrubou Anjo. Cai junto, mas comecei a me arrastar para trás, ainda mais assustada. Quando consegui ver que era Logan, li a mente dele, e vi que ele estava com raiva porque ele se descuidou e algo assim não poderia ter acontecido.

– Você está bem, menina? – ele falou, prendendo Anjo contra uma arvore.

– Sim, mas... Por que... Você...? – tentei falar enquanto um turbilhão de pensamentos vindo dos dois invadiu minha mente por um instante.

Fera apareceu pouco depois, assustado com a cena e levou Anjo de volta à mansão. Charles tinha pedido para falar com ele, e disse para Logan tomar mais cuidado comigo, porque isso fora imprevisto, mas algo assim não poderia voltar a acontecer pelo meu bem, e pela paz do Instituto.

Estava sentada numa pequena clareira quando Logan percebeu que eu havia sumido. Palavras feias ecoaram em sua mente e ri. – Onde você está, garota? – ele pensou – Estou aqui. – respondi. E ele apareceu do lado oposto da clareira.

– Por que diabos você.. – ele ia falar mas o interrompi. Ele queria saber porque eu sumi. E porque eu estava sozinha no meio do mato.

– É lindo aqui, não é? – sorri de leve – Eu só queria organizar minha mente.

– Você não podia fazer isso lá dentro não? – ele encostou de lado na arvore que eu estava, me fazendo olhar para cima por estar sentada.

– Se você soubesse o quão perturbador é não saber se o que você tem em mente é algo vivido por você ou por outra pessoa, sentido por você ou por outra pessoa... – abracei mais minhas pernas e apoiei meu queixo nos joelhos.

– Só de você entrar na minha mente é perturbador. – ele disse tentando parecer rude, não tendo o efeito desejado – Acho que... – devemos ir, ele ia falar.

– Por que você sentiu tanta raiva por aquele maluco ter quase me batido? É como se você fosse meu... Segurança? Não sei. – falei me levantando e prestando atenção nos pensamentos e nas expressões dele.

– Charles me pediu para ficar de olho... Sei que tem gente atrás de você, apenas. – ele estava um tanto irritado tendo que se explicar.

– Por que ele pediria isso para você? – me encostei na arvore, imitando a pose de Logan, sorrindo em seguida. Ele queria rir, eu vi na mente dele, mas não o fez, se poupou apenas em sorrir e pensar em alguma maneira de mudar de assunto.

– Ele deve confiar em mim. – disse como se não se importasse – Podemos ir? – apenas assenti e seguimos caminhando.

Vi que ele estava um tanto irritado com a maneira que eu interagia com ele por não conseguir ser tão ríspido comigo quanto era com as outras pessoas. Quando ele pensou que era minha babá, ri baixinho, sendo pega de surpresa por seu olhar e perguntas como “ela é louca?”, mas em seguida substituídas por “como alguém pode tentar fazer mal a ela?”

– Eu confio em você, Logan. – falei de repente, antes que entrássemos em uma das grandes salas. Ele me olhou um pouco surpreso e disse mentalmente que “não era um boa ideia”. – Geralmente eu gosto de más ideias... – dei um grande sorriso, conseguindo arrancar um sorriso dele.

– Certo. – ele achou graça – Só fica longe da minha cabeça, tá? – o que antes tinha soado como uma quase ameaça, soou como um pedido. E eu o entendi assim.