Notas iniciais
Aqui vai o capítulo dois !

Summer

Depois de algumas horas de viagem, chegamos em Scaret Oak. Respirei fundo. Os ares de lá eram diferentes do da capital. Era tudo familiar e diferente ao mesmo tempo, eu não sabia dizer se as coisas mudaram por aqui ou foi apenas eu que mudei.

Como eu era ingênua naquela época, em acreditar que tudo melhoraria pelo simples fato de sair daqui, eu estava plenamente enganada.

Enfim chegamos no bairro da minha tia, que nos recebeu de braços abertos.

Ela era bem parecida com a minha mãe, ambas possuíam cabelos castanhos e olhos verdes. A única diferença marcante entre elas, era porque minha mãe estava bem mais magra, por causa dos remédios fortes que ela precisava.

Era uma pena, eu não ter puxado para essa parte da família, elas são realmente bonitas. Eu tinha os cabelos castanho acobreados do meu pai e os olhos castanhos claro. Mas é a genética, não dá para mudar.

Eu gostava da casa da minha tia, era aconchegante, os móveis eram clássicos e tinha uma pegada do século 19.

– Querida, como você está linda. Nem parece mais a meninha que eu conhecia — e riu.

Obviamente ela ficou falando aquelas coisas como "Lembra quando você era pequena e ...." e todos aqueles clichês de família que não te vê a muito tempo.

– Venha, você deve estar cansada. Vou te mostrar seu quarto. — e me guiou até o lugar. Me deixando lá, ela voltou para sala conversar com a minha mãe.

Sentei em minha nova cama. E deixei me levar por lembranças.

Baguncei os cabelos numa tentativa inútil de afastar as lembranças.

Depois de acomodar minhas coisas no quarto, desci as escadas e encontrei minha mãe e minha tia tomando chá.

– Vou andar um pouquinho, já volto.

Elas assentiram, e quando eu estava prestes a sair minha mãe comentou. — Sam, não se esqueça de passar no Colégio mais tarde.

– É verdade, não é o seu último ano?

Perguntou minha tia interessada.

– É sim- confirmei — Pode deixar mãe, não vou esquecer.

Mesmo envolvida com coisas erradas, eu não parei de estudar. Tentava conciliar os dois ao mesmo tempo. Eu não quis deixar a escola, porque eu sei que não vou passar a vida toda roubando carros para Frank.

Fui até a escola e fiz minha matrícula.

– Será um prazer recebê-la de volta. -Disse a diretora ao me ver.

Ao me deparar com a saída da escola, lembranças tomaram minha mente de volta

Flashback

" — Anda logo, Logan. A gente vai se atrasar.... — eu disse suplicante.

– Não estou com pressa mesmo. — disse ele fazendo aquela "cara da indiferença"

– Olha Senhor Logan Shaw, não faça essa cara para mim. — e com as mãos fiz um sorriso forçado no rosto dele.

Ele tirou minhas mãos dele e disse:

– Eu não vou sorrir para aquela gente.

– Eu sei que não, mas não importa o que eles digam sobre os nossos pais, se eles quiserem dizer que eles são os piores bandidos daqui o problema é deles, não nosso. — eu disse.

– Eu sei que você não vai sorrir pra eles, pelo menos pra mim, ok ? — pedi encarando seus olhos.

Ele sorriu de má vontade. Eu ri

– O que vale é a intenção. — Peguei em sua mão e disse — Vamos. "

Despertei dos meus devaneios, quando percebi uma mensagem no celular. Era de Frank, ele não dizia "oi, tudo bem ?" ou coisa parecida, só era o nome de um carro e o lugar onde eu precisava deixá-lo.

Como aqui nessa cidade todo mundo se conhece, seria difícil não me reconhecerem. Decidi então, roubar o carro na cidade vizinha.

Voltei para casa, para me preparar.

___________________________________

Logan

Eu e Mike estávamos na da Casa do Galpão, como disse ela ficava no interior da cidade. Quem olhasse de fora, pensaria que era uma fazenda abandonada, o bom é que não levanta suspeitas.

Tinha uma casa rústica e um galpão ao fundo, eram o que podemos chamar de meu "escritório".

Eu nunca almejei de verdade trabalhar com o tráfico de drogas, mas o meu irmão começou a mexer com isso, depois que meu pai morreu, que pra variar também não era a pessoa mais certa do mundo. Então Leo, meu irmão, pediu para ajuda-lo com os negócios e quando eu vi já estava envolvido até o pescoço e não tinha como voltar atrás.

Mas eu não me importava com isso, o que está feito está feito.

– Agora acho que está tudo resolvido com as encomendas- disse sério acendendo um cigarro e jogando um para Mike. Os problemas com os cara do sul, eu mesmo tive que resolvê-los.

Mike pegou o cigarro no ar e acendeu em seguida.

– Não contaria com isso se fosse você.

Fiz uma expressão para ele continuar.

Mike talvez era coisa mais próxima de um amigo que eu tinha, já que eu e Leo, apenas trabalhamos juntos. Eu não confio muito nele. Mike possuía a pele morena e cabelos curtos, era americano. Ás vezes queria ser engraçadinho e na maior parte do tempo, eu não via graça no seu humor "from USA". Mas era um cara confiável, e se ele queria me alertar de algo, talvez tivesse razão.

Ele prosseguiu

– Soube que os caras do Frank estão na cidade, e vendendo drogas no centro, eles sabem que aquela região é nossa. Algo me diz que eles querem nos provocar.

Pensei por um momento, soltei a fumaça do cigarro e disse.

– Leonard deve ter feito alguma merda....

– Deveríamos ir lá verificar ? Ele perguntou.

–Não, espere um pouco. Acho melhor falar com Leo, primeiro.

Frank era um cara de meia idade maldito, que estava sempre atrapalhando meus negócios. Ele vive na capital , e meu irmão cuida do comércio lá. Provavelmente Leo fez algo para ele, e Frank certamente não vai deixar barato. Liguei para Leo.

– Irmãozinho, que honra receber sua ligação. Ele disse após atender.

– É uma pena, não poder dizer o mesmo. Preciso falar com você. — disse sério.

– Você está com sorte, estou na cidade vizinha a sua, pode me encontrar hoje a noite ?

– Ótimo. — Desliguei o telefone.

____________________________________

Summer

Quando anoiteceu, eu fui para a cidade vizinha, tive de ir ônibus. Minha mãe ficou preocupada, como sempre e falou para eu tomar cuidado. Achei melhor não contar para a minha tia, era injusto, porque a qualquer momento a polícia podia bater na porta dela, mas agora não era o momento dela saber. Ela já não gostava de meu pai por causa das coisas que ele fazia, imagine se ela descobre sobre mim.

Respirei fundo, eu precisava me manter calma.

O bom da cidade vizinha é que ela possuía uma vida noturna bem agitada, então era fácil roubar o carro de qualquer "playboyzinho".

Mas não era qualquer carro, tinha que ser o encomendado por Frank.

Andei por vários estacionamento de bares e baladas a procura dele, já estava quase desistindo. Quando vi na rua de um barzinho o carro que eu precisava.

Com apenas uma ferramenta que eu utilizava para abrir a porta, tratei de desligar o alarme antes que ele pudesse causar problemas. Pronto, já foi a parte mais díficil, eu já estava dentro. Olhei para os lados pra ver se alguém tinha achado minha atitude suspeita, ótimo, as pessoas do bar estavam ocupadas demais bêbadas para perceberem, o dono também provavelmente.

Dei uma olhada no carro, tinha uma jaqueta de couro jogada no banco do passageiro, uma caixa de cigarros e alguns CD's no porta luvas, analisei os CD's. Humm, bom gosto musical, pensei e os guardei novamente. E por fim no banco de trás tinha um violão com capa.

Vi dois caras, saindo do bar, um deles encarou o carro, mas não me viu porque os vidros eram escuros. Melhor ir logo agora, mexi nos fios e liguei o carro.

O homem que encarava o carro, deve ser o dono, porque ficou furioso, quando me viu dar a partida.

Ele empurrou o outro homem, e pegou as chaves de outro carro com ele. Ligou o outro carro e correu atrás de mim.

Ótimo, fodeu. Acelerei o máximo que eu pude e peguei uma estrada deserta. Ele não saía de trás de mim.

Calma, Sam, pensa, pensa.

Acho que a melhor alternativa seria largar o carro, dirigi um pouco mais a frente até chegar em uma parte da estrada. Parei o carro bruscamente e corri para me esconder entre as árvores que haviam na beira da estrada, mas eu tinha que fazer algo errado, senão, não era eu.

Eu olhei para atrás e me deparei com quem eu não esperava. Os olhos azuis, tão conhecidos por mim, me fitaram igualmente surpresos. Por um minuto, eu não acreditei no que via, era ele depois de todos esses anos. Eu não esperava encontrá-lo, eu não estava pronta, eu não esperava roubar justo o carro dele. Era um misto de reações que eu não sabia explicar, eu queria correr e abraça-lo, mas ele não parecia mais o mesmo de antes. E eu queria bater nele, por nunca ter respondido minhas cartas quando éramos crianças.

Mas eu não soube o que fazer, então tive a atitude mais covarde possível, eu simplesmente fugi.

– Ei, espera! Você ai! — Ele saiu do carro e tentou correr atrás de mim, mas eu já estava muito na frente, ele correu até me perder de vista.

Eu estava nervosa e chocada, afinal não é todo dia que você reencontra seu melhor amigo de infância roubando o carro dele.

Notas finais
Espero que gostem! Não esqueçam de comentar para eu poder estar sempre melhorando! Quero saber se estão odiando ou amando!