Wrong Person
5 Sir Hopkins
Notas iniciais
boa leitura!
Ai Santo Deus! Do pai do filho do espírito santo...Amém...
Eu ia rezando na minha cabeça, enquanto aqueles homens estranhos (só depois eu reparei que eram quatro, dois na nossa frente e dois atrás) me levavam a um lugar desconhecido. Eu estava de olhos fechados, estava com medo de abri-los. Nem tinha o interesse de saber pra onde raios queriam me levar.
-Rookie, queridinha. Chegamos!
Ouvi a voz meiga e enjoativa da menina de rosa ao meu lado . Depois o barulho da porta se abrindo e o gelado vento exterior entrar no quente carro. Eu abri os olhos, ainda com medo.
Saí do carro e vi que estávamos num beco sem saída, bem estreito e longo. Não consegui me localizar. Ao fundo vi uma porta de ferro grande, daquelas corta-fogo. Um dos homens abriu a porta e a menininha passou primeiro, saltitando.
Os outros estavam me segurando pelos ombros e pelos braços.Entramos, a garota fechou a porta e logo a neve se cessou. Eu olhei à minha volta e estranhei o lugar. Eu esperava um casarão, uma mansão ou que ficássemos no beco escuro.
O que quer que a menininha queria comigo, não achei que pudesse ser realizado ali. Eu achava. A gente estava no meio de um corredor com chão de mármore preto e as paredes eram prateadas meio cintilantes. Era bem largo e longo e tinham algumas portas dos dois lados.
A maior estava do lado direito e era dupla. Era prateada e de ferro, assim como a que a gente tinha entrado que, pela parte de dentro, estava escrito em preto “SAÍDA DE EMERGÊNCIA”. Já, na porta dupla, eu estranhei um pouco as letras também pretas: “AUDIÇÕES”. À nossa esquerda ainda tinham duas portas, iguaizinhas as outras só que menores, onde podia ver o símbolo de banheiro feminino e masculino. Ainda tinha uma outra que dizia: “ACESSO RESTRITO” e era menor ainda.
Aonde eu vim parar? O que é esse lugar? Porque me trouxeram aqui?
No final do corredor tinha uma porta diferente que se destacava. Era menor que todas. Ela era branca e parecia ser mais pesada. Tinha uma fechadura que nenhuma outra tinha, com um cadeado também branco e que parecia grande demais para a fechadura.
O que mais me assustou foi que a gente estava indo diretamente para essa porta. Quer dizer, porque não entrávamos numa outra menos assustadora?
A garota, que estava à nossa frente, pegou uma chave de seu casaquinho rosa e abriu o enorme cadeado. Nós entramos e ela fechou a porta, mas sem trancar. O corredor era curto e estreito e extremamente branco. Tudo era branco. A brancura repentina fez com que meus olhos ardessem e eu tive que piscar várias vezes, me deixou até um pouco tonta.
O corredor era meio sombrio, apesar de ser extremamente iluminado. A única porta era a do fundo, e era igual à primeira mas sem a fechadura e o enorme cadeado. A menininha parou na nossa frente e pareceu suspirar profundamente. Ela continuou a andar.
Eu comecei a ouvir, muito baixo e distante, um som de música clássica. Parecia...um piano ou algo assim. Quando cheguei mais perto da porta deu para ouvir melhor, com certeza era um piano. Era um som suave e muito bonito, mas, mesmo conhecendo músicas clássicas, eu não distingui o som.
A menina abriu a porta e o som ficou bem mais alto e claro. Era lindo!
Nós entramos. Era uma sala enorme e retangular. Era tão branca e clara quanto o corredor. De cada lado da sala tinha uma porta igual às brancas já passadas por nós e, ao fundo, tinha uma plataforma um pouco mais alta do que o piso em que estávamos, ela fazia uma onda ao meio. Havia exatamente quatro degraus de diferença. Uma coisa engraçada naquela sala: não havia janelas.
Acima, no canto direito, havia duas poltronas grandes e ao meio uma mesinha redonda, de vidro, com três pés. Ao lado, uma alta e estreita estante repleta de livros variados, todos muito velhos. Tanto as poltronas quanto a estante eram brancas.
O centro da plataforma era vazio. Então, eu achei quem era o autor da bela música. Um piano de cauda branco e enorme jazia no canto esquerdo da plataforma e, sentado à sua frente, um homem debruçado sobre instrumento. Ele estava de costas para nós, mas dava para ver seus rápidos dedos sobre as teclas.
Ele se vestia igualzinho aos homens que estavam comigo, mas sua roupa era inteira branca, combinando com a sala. E ele não estava de óculos escuros.
Ele nos viu entrando, mas continuou a tocar. Demorou alguns minutos mas ele finalmente terminou a linda música com um final suave que ia desaparecendo até não se ouvir mais nada. O silêncio pairou no ar. Ninguém ousou se mexer, ou ao menos respirar.
Ele suspirou profundamente, ainda debruçado no piano. Ergueu-se e caminhou lentamente para o meio da sala, com as mãos para trás e o rosto sério. Assim que eu enxerguei seu rosto, um calafrio subiu pelo meu corpo.
Seu cabelo era castanho claro com alguns fios brancos distribuídos, e estava penteado para trás. Sua expressão era séria e sem emoção alguma. Mas, o que mais me chamou a atenção em seu rosto marcado com o tempo foram seus olhos. Não consegui distinguir a cor, a cada movimento, mesmo que mínimo, eles simplesmente mudavam. Eram de uma cor transparente que, dependendo da luz, ficavam azuis ou verde.
Aquela figura me deixou meio estática. Ele passava seus olhos transparentes da menina para mim, e de mim para os homens. Esses, mesmo que bem maiores e jovens , pareciam...assustados. Sua aparência era de um homem de 50 anos ou mais.
Ele desceu os poucos degraus e, fitando-me de cima a baixo, se dirigiu à menina com uma voz calma e meio rouca.
-Who is this girl, dear?
Ai meu Deus, só faltava. Eu falo umas três frases, no máximo, em inglês. Se ele vier falar comigo...teremos problemas. E será que esse era o tal Sr. Hopkins?
-Sh-she is...Rookie Rubies...master...Hopkins…
Acertei. E, nossa, o sotaque dos dois eram completamente diferentes. Ele deve ser da Inglaterra.
-Do not call me master. –elefalou com umavoz um poucomaisirritada, masemmenor volume- So, you are the little girl who has been run away these days, are not you?
Eu olhei assustada, primeiro para seus olhos transparentes, depois para a menina. Essa estava meio corada, creio eu. Eu fiz que sim com a cabeça, sem pensar. Ele sorriu.
É o seguinte: se você já viu um psicopata sorrir, você sabe exatamente como aquele homem riu aquela hora. Ele não fez barulho nenhum, nem mudou sua postura. Ele sorriu, calmamente, mas também deixou seu rosto ainda mais sombrio.
-You do notspeakEnglish, do you? -fiz que não com a cabeça, afinal, eu ouvi “speak”, “not” e “English” numa mesma frase. Acho que ele me perguntou se eu falo inglês. Mas seu tom foi um tanto quanto...de deboche- I shouldknow...
-Give her a chance...sh-she’s...obedient! And there’s no problem ‘cause…you speak Russian…I think…Sir?
Ela parecia temerosa. Ele era mesmo inglês, o título de “Sir” só era usado na Inglaterra, que eu saiba. Ele chegou mais perto de mim, o que me fez engolir em seco.
-Wewilltakecare of you, dear. –eu fitei seus olhos transparentes e seu sorriso sombrio- Traduzindo: Nós vamos cuidar de você, querida.
Santo Deus! O sotaque russo dele era perfeito! Comparado ao da menina americana...
Sir Hopkins riu mais uma vez e acenou com a cabeça, nós estávamos liberados. Virou de costas e voltou a tocar em seu magnífico piano. Parecia a mesma música, só que agora mais melancólica e lenta.
A garota o olhou tocar por alguns minutos, parecia corada. Devia ser impressão minha. Então ela fez o mesmo gesto com a cabeça que Sir Hopkins e seguimos para fora da sala. Ela se demorou na porta até fechá-la por completo e suspirar fundo. Depois assumiu a frente e nos conduziu para fora do corredor branco.
Eu não estava entendo mais nada. Quem era a menina, afinal de contas? E esse caras de preto que ficavam me segurando pelo braço, não importava aonde fosse? E...o que mais me assustava até agora: quem raios é aquele homem sombrio que me deu arrepios apenas com seu sorriso e seus olhos transparentes?
Seja lá o que forem todas essas pessoas, coisa boa não era...
Notas finais
a foto foi a melhorzinha que eu consegui achar...ou era essa ou a do Hannibal '-'
tudo bem que o carinha não parece velho --'
ah...tomara que tenham gostado e mandem reviews ou eu chamo o Sir Hopkins, hein? -Q
bjs
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