Wrong Person

10 Cupcakes


Notas iniciais
esqueci de mencionar que a história se passa em 1981. HE HE ^^'
espero que gostem e, de novo, desculpem a mega demora

Acordei com meu grito. Eu não abri os olhos com medo de estar no meu quarto outra vez. A imagem dos meus pais ensangüentados não saia da minha cabeça. Tive que abrir os olhos ou ficaria ali, me torturando com aquela imagem para sempre. Além do mais, estava desconfortável de mais para estar na minha cama.

Primeiro, encontrei o teto branco. Depois as paredes brancas até que, finalmente, reconheci o lugar. Estava deitada na cama da sela onde eu tinha dormido aquela outra vez. Também percebi que estava com a camisa de força.

-Que ótimo! Ainda estou presa com esses malucos.

A porta se abriu devagar, e eu me levantei feito uma louca. Tinha certeza que era aquela menininha insuportável, e eu ia partir pra cima dela, não estava nem aí pros meus braços amarrados e os capangas de duas vezes meu tamanho. Só sentia uma raiva incontrolável.

Mas assim que corri para cima dela, não era ela. Sir Hopkins apareceu diante a porta. Eu parei com tudo e recuei de tal forma que cai no chão. Ele me olhou sério. Era a primeira vez que o via desse jeito, tão sério. Não fiquei com tanto medo. O sorriso de psicopata era pior.

-O que raios você está pensando?

Me levantei e o olhei com raiva. O homem continuava sério.

-Eu exijo sair daqui!

-Você não está em posição de exigir nada, mocinha. E sabe disso.

-Pare de agir desse jeito! Eu exijo saber o que está acontecendo! Agora!

Ele suspirou, com a mesma expressão fria.

-Me acompanhe. –fez um gesto com a mão e eu fui atrás dele sem contestar- Eu sei que está confusa, mas tudo tem seu tempo. Vou levá-la a minha sala, que por acaso você já conhece. Sabe, você deveria sentir orgulho de si mesma. Nenhuma das minhas meninas jamais entrou na minha sala, e você vai vê-la pela segunda vez.

-Suas meninas?

-Sem perguntas por enquanto.

Fiquei em silêncio por alguns minutos, tentando pensar em algo a dizer que não fosse uma pergunta, mas sem sucesso.

-Jennifer é uma de suas meninas.

-Eu disse sem perguntas.

-Não foi uma pergunta. –sorri, satisfeita com a minha afirmação- Mas ela entra na sua sala normalmente. Então, ela deve ser especial. –dei um sorriso maléfico, pensando que tinha desvendado algum segredo, mas ele nem pareceu se importar com o que eu disse.

Depois de longos minutos em silêncio, chegamos à sala dele, o mesmo lugar onde ele estava tocando piano no dia anterior...ou seria dois dias antes? Eu realmente tinha perdido a noção de tempo enquanto estava lá.

Entramos e o Sir fechou a porta, sem trancá-la. Subiu as escadas, sentando em uma das poltronas. Fiquei parada, sem reação, até que ele fez um gesto com a cabeça para eu subir.

-Sente-se. E pode se servir.

Havia duas xicaras quentes de chá na mesinha, tinham um cheiro delicioso. Ao lado, num prato branco e quadrado com detalhes pratas nas bordas, alguns cupcakes de várias cores e enfeites lindos comestíveis. Eram absolutamente lindos e sedutores. Me segurei para não pegar um, não confiava muito em Sir Hopkins.

-Acho que te devo uma explicação. –fiz que sim com a cabeça- Bom, para começar creio que você deve me conhecer um pouco melhor. Meu nome é Maksin Hopkins. Nasci aqui mesmo, na sua cidadezinha. Mas me mudei para o Reino Unido com dezesseis anos. Minha mãe era de lá e, já que meu pai não tinha família aqui...

Ele fez uma pausa, pegando uma das xicaras de chá e bebendo um gole. Minha garganta estava seca, mas estava me contendo.

-Me mudei bem no começo da Segunda Guerra, quando começaram os bombardeios. Foi então, que eu comecei a encarar meu destino.

Outra pausa, agora um pouco mais longa. Ele tomou um grande gole da xicara e mordeu o cupcake azul, o que tinha blueberrys em cima. O recheio parecia tão delicioso quanto por fora. Não consegui mais me segurar, eu precisava de um daqueles. Se ele podia comer, eu também podia. Peguei o roxo, com granulados coloridos e um moranguinho em cima. Tive que fechar os olhos depois da primeira mordida. Era maravilhoso, mais do que eu imaginava. Hopkins continuou contando.

-Eu morreria, se eu não tivesse feito o que eu fiz. Talvez eu esteja errado. Talvez eu não precisasse fugir para o continente. Só que...a ideia de ser bombardeado naquela ilha, que não era minha casa, não era muito agradável. Então, simplesmente fugi. Atravessei o Canal da Mancha com um barco de um amigo quando completei dezessete. Nunca mais vi meus pais desde então. Mas, honestamente, eu não sinto falta deles. Nunca senti. Foi só uma fase da minha vida...

“Bom, dois meses depois que cheguei à França, foi invadida pelas tropas nazistas. Eu só atraia desgraça, para todos os lugares que ia. Comecei a pensar desse jeito. Meu objetivo era chegar à Rússia, mas agora era praticamente impossível. A não ser que fosse um soldado nazista que iria ser encaminhado para a batalha que lá aconteceria. Minha primeira vitima era exatamente um desses soldado, eu precisaria pegar o lugar dele para chegar ao meu país novamente...minha farsa...nazista...voltei...Rússia...

As palavras foram desaparecendo. Tudo foi ficando turvo ao meu redor. Minha mão ficou mole, deixando o resto do cupcake cair no chão. Que desperdício, um doce tão maravilhoso, espatifado no chão. Mas na hora, não tive tempo em pensar nisso. Minha cabeça caiu em meu ombro, e minha vista foi escurecendo até eu apagar completamente. Será que eu ia parar com essa mania de ficar desmaiando?

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