Notas iniciais
Ultimo capítulo. Obrigada a todos que acompanharam.

Me sentia mais nervoso do que nunca estive em toda a minha vida. Tudo que eu havia passado nos primeiros meses com HyoRin me perseguindo, pareciam brincadeira agora.

SungMin e KyuHyun foram obrigados a mudar de casa, pois ela havia invadido o apartamento deles enquanto estávamos no Sapphire Blue e matado o pequeno cachorrinho que SungMin custou a conseguir adotar. Ela ainda usou o sangue dele para escrever na parede.

“Pare de fugir de mim Park JungSu. Você sabe que me pertence” – era o que estava escrito na parede do quarto deles.

A policia nos colocou em um tipo de programa de proteção à testemunhas, mas não estava adiantando muito. Ela ligava todos os dias de celulares descartáveis e me dizia para encontrá-la.

Ela era completamente louca. E estava nos deixando tão loucos quanto ela.

E eu só conseguia pensar que tudo aquilo era minha culpa.

–X-

A família de HyoRin e as outras duas amigas dela estavam sentadas de frente para mim no corredor da delegacia. O delegado estava colhendo depoimento do ex perseguido dela, assim como da mulher dele e da filha.

Bora estava sentada do meu lado e apertava minha mão, já que SungMin e KyuHyun haviam saído momentos antes para fazer algo e não disseram quando voltariam.

A mãe de HyoRin olhou para mim com os olhos vermelhos e inchados por causa do choro.

– Peço perdão por tudo que minha filha fez e está fazendo a você LeeTeuk-ssi. – ela disse voltando a chorar.

– Não é culpa sua. Não se preocupe com isso. – eu respondi sorrindo fracamente.

Neste momento o ex manager de Bora e suas amigas saiu com a família da sala do delegado e meu nome foi chamado. Era a hora de contar tudo o que HyoRin havia feito comigo naqueles quase seis meses em que ela passou me perseguindo.

Antes de eu entrar na sala do delegado, SungMin e KyuHyun voltaram, com uma passagem de avião nas mãos e um outro papel.

– Desculpe senhor, posso falar com meu amigo um minuto antes de ele dar o depoimento? – SungMin perguntou apertando a passagem entre as mãos. O delegado afirmou com a cabeça e ficou parado na porta esperando meus amigos falarem comigo.

– O que é isso? – perguntei estupidamente, apontando para a passagem de avião.

– O delegado nos disse mais cedo que deveríamos ir com um dos policiais comprar isso. O programa de proteção pagou absolutamente tudo. – KyuHyun sussurrou.

– Hyung, essa passagem é pra você fugir. Até HyoRin ser encontrada, você não está seguro aqui, nenhum de nós estamos – SungMin falou no mesmo tom. Ele me entregou a passagem e KyuHyun o outro papel que estava segurando. A escritura de uma casa.

– Jeju? – Perguntei ao ler o destino da passagem.

– Sim. Você vai pra Jeju, e por tudo que é mais sagrado, não conte nem pra sua mãe – ele disse pegando minhas mãos.

Eu afirmei com a cabeça e entrei na sala do delegado e dei meu depoimento, apertando a passagem e a escritura com força cada vez que me lembrava dos ataques de pânico que tinha quando encontrava algo destruído por ela, por minha causa.

O delegado me instruiu a sair dali direto para o aeroporto. Havia um policial me esperando na entrada da delegacia e ele me disse que meus amigos tinham arrumado minhas malas para que eu não perdesse tempo.

Cheguei no aeroporto com uma mala de mão e uma mochila relativamente pesadas. Corri para fazer o Check-In e não demorei muito para entrar no avião. Precisei me segurar muito para não chorar quando o avião decolou.

Assim que cheguei em Jeju, havia outro policial me esperando para me escoltar até minha nova casa.

Eu me sentia mais horrível agora do que quando estava perto da loucura de HyoRin.

Sentia-me como um prisioneiro.

–X-

Não sabia há quanto tempo estava morando nessa casa de campo que a justiça providenciou para mim. A única coisa que eu sabia era que durante a tarde eu me entupia de calmantes para ficar menos nervoso quando a noite caia.

Ficar sozinho naquela casa grande só estava piorando minha situação. Meus ataques de pânico eram mais freqüentes e qualquer barulhinho que eu julgava estranho era o suficiente para me deixar aos prantos; eu praticamente congelava no lugar e chorava até perceber que era apenas a torneira ou um esquilo que havia entrado pela janela atrás de comida.

SungMin e minha irmã mais velha me ligaram, perguntando se eu estava bem. Apesar de mentir descaradamente, eu sabia que eles sentiam pelo tom da minha voz que eu estava um caco.

Durante um dia inteiro eu me tranquei no quarto com um mau pressentimento. Na noite anterior eu havia escutado um barulho de motor e ao olhar pela janela da sala, um carro preto estava parado na entrada da casa. Assim que vi o carro me escondi, ouvi o barulho novamente me levantei para verificar. Ao olhar pela mesma janela, observei que o carro estava se afastando da casa.

Liguei para o delegado e contei o que havia visto e ele me afirmou que mandaria alguém lá para averiguar. Mesmo assim, não me sentia mais seguro.

No dia seguinte sai do quarto para pegar um lanche e me deparei com o mesmo carro preto estacionado na entrada da minha casa. Voltei rapidamente para meu quarto e o tranquei, correndo até o closet e me fechando ali dentro.

Enviei uma mensagem rápida a meus amigos e liguei para minha Noona, dizendo que amava ela e que era pra ela dizer aos outros que eu também os amava. Não deixei ela me responder e desliguei o telefone, ligando para o número da policia local.

Eu já sabia o que iria acontecer. Estava esperando aquilo desde que meu primeiro ataque de pânico naquela casa aconteceu. Ouvi passos e a voz de alguém cantando. HyoRin.

– Qual a sua emergência senhor? – a atendente perguntou.

– Por favor. Tem alguém na minha casa. Eu estou no programa de proteção a testemunhas. Meu nome é Park JungSu. Por favor. Preciso de ajuda, rápido – eu disse baixo, me esforçando ao máximo para não chorar.

– Desculpe senhor, pode repetir seu nome? – a atendente perguntou.

Neste momento ouvi um barulho de tiro e a porta do quarto se abriu.

– Senhor? Está tudo bem? – a atendente perguntou aflita.

– Não... por favor. – eu murmurei começando a chorar.

A porta do closet se abriu e HyoRin apareceu. Ela se abaixou até ficar na altura em que eu estava abaixado.

Ouvi a voz da atendente repetir a pergunta se estava tudo bem comigo, mas eu não entendia o que ela falava realmente. Meu coração acelerou mais ainda e meu choro cessou.

HyoRin calmamente pegou o celular de minha mão. Era o meu fim.