Não sei qual anjo que me protege, mas agradeci de todas as formas que me lembrei naquele momento.

Assim que HyoRin puxou o gatilho eu fechei os olhos, esperando a bala entrar diretamente em meu cérebro; mas nada aconteceu. A arma havia travado naquele momento e HyoRin caiu de joelhos no chão, ainda chorando.

SungMin correu até HyoRin e tirou a arma das mãos dela. Bora veio logo atrás e a abraçou, sussurrando alguma coisa no ouvido dela.

Relaxei um pouco e me permiti escorregar até ficar sentado no chão do estacionamento da lanchonete; Puxei as pernas para perto do peito e apoiei a cabeça em meus joelhos, chorando tanto quanto HyoRin chorava no outro lado do estacionamento.

Pude ouvir as sirenes da policia e da ambulância chegando mais perto a cada momento.

–X-

Assim que sai da delegacia, SungMin insistiu para que eu dormisse no apartamento dele e de KyuHyun, enquanto minha mãe e meu pai iam para a casa da minha irmã. Eu não queria preocupar mais ainda minha família então aceitei.

Passamos em meu apartamento apenas para pegar algumas coisas minhas e logo saímos.

Enquanto SungMin dirigia, KyuHyun continuava a olhar de mim para o outro, até que suspirou pesadamente.

– Fale logo KyuHyun-ssi. – eu disse sem olhar para nenhum dos dois.

– Porque não nos contou nada? Nós podíamos ter te ajudado... – ele disse virando parte do corpo para poder me olhar.

– É, e as coisas não chegariam a este ponto – SungMin concordou olhando para mim pelo retrovisor.

– Eu já disse. Não contei nada porque não queria envolver vocês nisso, muito menos preocupá-los. Vocês viram o que ela fez no meu apartamento, ela poderia ter feito algo daquele tipo com um de vocês. – eu disse encarando KyuHyun.

– Tudo bem hyung... – KyuHyun começou, mas fora cortado por SungMin.

– Não Kyu, não está tudo bem. Aquela louca quase matou um dos nossos melhores amigos! E nós nem iríamos ficar sabendo caso acontecesse alguma coisa grave com ele porque esse idiota não teve a coragem pra contar que tinha uma maluca tentando acabar com a vida dele! – SungMin gritou.

– Se acalma Minnie. O hyung está bem não está? É isso que importa – KyuHyun disse passando uma das mãos no braço do outro.

– Você não percebe KyuHyun? – SungMin sussurrou, parando o carro em frente ao prédio deles – LeeTeuk hyung só parece bem, mas ele não está! – ele sussurrou, achando que eu não ouviria. – Ele está sob efeito de calmantes droga! Não tem como ele estar bem enquanto se entope com essas coisas.

– Já disse pra se acalmar SungMin! Ele vai ficar bem. Ele tem que ficar – KyuHyun sussurrou de volta, virando brevemente para me olhar.

SungMin também me olhou. Sua expressão estava mais aflita do que horas atrás. Eu desejava poder voltar no tempo, para fazer tudo diferente.

Quem sabe se eu não tivesse dado tanta liberdade à HyoRin, ela não tivesse me deixado em paz? Talvez ela infernizasse outro pobre coitado; a única coisa que eu pensava naquele momento era que eu tinha sido burro demais ao me deixar encantar por ela na primeira vez que a vi.

É exatamente como aquele ditado “Não julgue um livro pela capa”.

Ao me ver sentado no sofá de couro do apartamento de meus amigos, percebi que estava fazendo tudo no automático. Exatamente como SungMin havia dito minutos antes: eu não estava nada bem.

– nós vamos ajeitar o quarto de hóspedes pra você hyung. Fique a vontade. – SungMin me disse sorrindo.

– pode deixar que eu mesmo arrumo SungMin...

– não. Você é nosso convidado e passou por muita coisa nessas ultimas semanas. Aquiete sua bunda nesse sofá e espere até eu e o Kyu chamarmos você, sim? – ele disse firme. Nem parecia o SungMin fofo que atendia as mesas e cozinhava no Sapphire Blue.

Não vendo outra opção, eu suspirei afirmando com a cabeça.

–X-

Há dias eu estava morando com SungMin e KyuHyun. Os dois não me deixaram sair de casa até terem certeza de que Bora havia levado HyoRin para longe.

Voltar ao trabalho na lanchonete foi o mais difícil; como nós tínhamos alguns clientes fiéis, alguns deles sabiam do que havia acontecido comigo. Os olhares de pena que eles me lançavam eram demais para mim.

SiWon tentou me convencer a mudar de função, mas todos nós sabíamos que eu não era tão bom cozinheiro quanto Yuri e SungMin. Muito menos era bom com os cálculos como KyuHyun. Optaram por me deixar com a limpeza no final do expediente. Eles estavam sempre me observando, como se tivessem medo de eu tomar algum daqueles produtos químicos somente para terminar com a minha dor.

A única razão pela qual eu ainda não havia feito aquilo era minha família. Tenho certeza de que minhas noonas e minha mãe não iriam aguentar me ver em um caixão, então tirei a idéia de minha cabeça na primeira vez que ela surgiu.

– Ufa, finalmente terminei. – exclamei me espreguiçando. Yuri estava sentada na bancada da lanchonete mexendo no celular, apenas murmurou algo para mim e sorriu. Balancei a cabeça rindo um pouco.

Ao me virar para pegar os produtos de limpeza que estavam em cima de algumas mesas, me vi de frente para a grande janela da lanchonete, de onde se tinha perfeita visão do estacionamento relativamente pequeno dali. Encarei a janela por alguns segundos, relembrando a cena que fora obrigado a presenciar dias atrás.

Fui despertado de meus devaneios por um vulto no meio do estacionamento. De onde eu estava não conseguia ver exatamente o que ou quem era, então me aproximei um pouco do vidro. Apertando os olhos enquanto via o vulto se aproximar, pude perceber a silhueta feminina se formando aos poucos.

A pessoa parou no meio do estacionamento; exatamente onde o carro da minha mãe estava quando tudo acontecera. Apertei um pouco mais os olhos para tentar identificar quem era.

– Hyung? – ouvi SungMin me chamar. – Está tudo bem?

– SungMin... me diga que eu fiquei louco, e que não tem mulher nenhuma no estacionamento – eu disse aflito. Comecei a hiperventilar, chamando a atenção de meus amigos que correram em minha direção, olhando pela janela.

Ouvi eles prenderem a respiração ao olharem na mesma direção que eu. Pude ver a mulher tirando algo do bolso. Logo em seguida meu celular vibrou. Eu o tirei do bolso da calça calmamente, encarando a mulher que eu tinha certeza que conhecia. Infelizmente.

“Sentiu minha falta LeeTeuk?” – era tudo que dizia. Os outros olharam por sobre meu ombro para ver a mensagem. Apaguei a mensagem segundos depois de ler, sem me preocupar em responder.

– Vamos chamar a policia e sair daqui o mais rápido possível – SiWon disse.

– Sim. E você LeeTeuk hyung, me dê seu celular – SungMin disse tomando o celular de minha mão. Certo tempo depois pude ver SungMin tirar a bateria do mesmo. – Não vamos arriscar.

KyuHyun foi até o telefone da lanchonete e ligou para a policia, contando o que estava acontecendo.

HyoRin ainda não havia saído do lugar onde estava. Continuava a segurar o celular.

O celular de SungMin tocou segundos depois de KyuHyun encerrar a ligação com a policia. SungMin atendeu ele diretamente no viva-voz – era um costume dele – permitindo assim que nós pudéssemos ouvir o que a pessoa do outro lado da linha dizia.

– Sim? – ele disse sem desgrudar os olhos de HyoRin.

– SungMin-ssi? Tenho más noticias – a voz de Bora se fez presente. O tom era tão aflito quanto o de SungMin ao atender o telefone. Meu coração acelerou ainda mais, já sabendo a noticia que ela nos daria – HyoRin fugiu da casa de repouso outra vez!