Wrestling & Romance
18 Capítulo 18: Europa
Roppongi, Japão, Abril de 2025
A noite estava boa, apesar das dores que sentia. Essas dores eram comuns, afinal, eu tinha acabado de voltar pra casa de um show da New Japan Pro Wrestling, então é absolutamente normal sentir como se tivesse sido atropelado por um caminhão. É, mesmo quase há dez anos nessa vida, ainda sentia as mesmas dores da primeira vez em que pus os pés em um ringue.
Eu ainda não estava com sono, então estava dando uma volta rápida pelo distrito, talvez passar numa konbini (Loja de conveniência) e comprar alguma besteira pra comer. Claro, Roppongi era conhecida pela vida noturna, mas diabos, eu sou um homem casado e nunca fui adepto de cair na noite... A não ser cantar em karaokês, mas esse foi um hábito que adquiri aqui no Japão e mesmo assim a Nicole me acompanhava na maioria das vezes, quando as turnês da New Japan e da Stardom não coincidiam.
Nem sempre eu tinha esse tempo pra andar a toa, porque até eu chegar aqui, foi MUITA ralação e MUITA sorte, porque sei que lutadores com mais tempo de carreira que eu ainda batalhavam pra conseguir a estabilidade financeira. Eu e a Nicole não teríamos conseguido tanto se não tivéssemos o suporte do pai dela que aliviou muitas de nossas despesas, principalmente quando éramos nômades globais.
Outra coisa que contribuiu involuntariamente para minhas finanças serem estáveis ao longo desses anos, foi o fato de que eu construí a fama de bom worker, ou seja, eu entregava performances sólidas e não tinha problemas nos bastidores, além de aprender rápido, principalmente no ano em que passei na Europa. Aquele foi um bom ano, onde ganhei visibilidade e dois títulos que significaram muito pra mim. Afinal, aprendi muito com os wrestlers com quem lutei por lá. E não eram quaisquer wrestlers, se quiser saber a minha opinião.
Junho de 2018, Newcastle, Inglaterra.
—O QUÊ? — Eu estava surpreso com a decisão dos Bookers. O homem ao meu lado estava sorridente, o que era um tanto incomum.
—Cara, por quê você está surpreso? — O homem ao meu lado perguntou.
—Não sei, porque TALVEZ você seja um dos wrestlers mais talentosos do mundo, o primeiro britânico a ser IWGP Junior Heavyweight Champion, o Assassino Aéreo, Will Ospreay! — Meu tom é carregado de ironia. — E eu não passo de um novato que por sorte conseguiu uma vitória na WWE e os bookers me deram um título de duplas no Canadá!
—E? — O tom dele ainda era questionador.
—As pessoas esperariam que você retivesse o título, ainda mais que na segunda de nossas lutas, a minha vitória foi num roll-up devido a interferência externa. — Explico, tentando não falar que ele era imensamente mais popular que eu, mais habilidoso, mais carismático e até mais bonito que eu (diabos, até a Nicole o achava bem bonito e ela era MINHA namorada)
—Eu já consegui bastante coisa na minha carreira... — Will começa a explicar. — Uma derrota aqui para ajudar a elevar a carreira de alguém promissor não vai me machucar, e nem a perda do título. Por outro lado, uma vitória sua, colocaria-o no mapa de outras promoções por aqui, ou mesmo fora da Europa. E por quê você está contestando uma vitória?
Fico calado, absorvendo os comentários dele, não era todo dia que Will Ospreay o chamava de promissor. E quanto as outras promoções, era bem verdade. Desde que vim pra Inglaterra, eu havia lutado na Defiant Wrestling e outras promoções menores, mas nada na escala de uma Insane Championship Wrestling, Progress ou Revolution Pro Wrestling por exemplo.
—E então? Vamos lutar? — Will estende a mão para me cumprimentar, o booker observava em silêncio nossa pequena discussão.
—Feito. — Aperto a mão dele. Isso ficaria bem em mim, imagino, Diego Alves, Defiant World Champion.
—Então é hora de fazer de você uma estrela cara, vamos lá... — Will passa o braço pelo meu ombro e saímos do escritório do booker, pra planejar a luta.
No dia seguinte
A luta estava em um ritmo intenso... O talento de Will para acrobacias aéreas era impressionante como sempre, ver isso de perto, ali no ringue era uma experiência totalmente diferente de um vídeo.
Eu tinha meus truques no arsenal, mas Will tinha um contra ataque a todos eles. Claro, que nesse meio tempo entre o Canadá e a final da minha 'melhor de três' contra o Ospreay, eu tinha aprendido algumas coisas novas, principalmente em termos de submissão, graças a umas aulinhas que tive com Zack Sabre Jr. Eu digo aulinhas, mas na verdade foi MUITO doloroso. Em especial pra mim. Eu não sabia que o corpo humano tinha tantas partes dobráveis assim.
Mas mesmo com meu novo talento na submissão, Ospreay conseguia escapar, seja de um armbar, cross armbreaker ou ankle lock, ele conseguia escapar.
—Alves está tentando com tudo o que pode, mas Ospreay continua a ditar o controle da luta! — Escuto a voz do narrador. — E estamos chegando na marca dos vinte e cinco minutos, mas esses dois não se cansam.
Isso era um pouco mentira, já que eu estava um tanto cansado e o suor escorria pela minha testa. Mas, para adicionar drama, eu não estava cansado... Pelo menos do ponto de vista do narrador.
Will corre na minha direção e aplica um dropkick forte, o impacto do golpe fazendo com que eu bata com as minhas costas no poste e caindo no chão. Eu sabia exatamente qual seria o próximo movimento.
Ele me arrasta até um ponto do ringue, onde permaneço deitado, ele sobe no poste e respira fundo, antes de aplicar um 630º senton, um salto onde ele gira 360 graus no ar, antes de um giro de mais 270 graus para cair com as costas no meu estômago, mas antes que ele chegue em mim, rolo agilmente para o lado, fazendo com que ele caísse de costas no ringue.
—E Ospreay errou o Senton! Agora é a chance de Alves capitalizar a luta! — O cara está literalmente perdendo a cabeça nos comentários, lembrando muito o icônico Joey Styles nos tempos da Extreme Championship Wrestling (Ou ECW)
Eu me levanto, levantando Ospreay logo em seguida para aplicar um Superkick, derrubando-o. Arrasto ele até o ponto onde eu estava caído momentos antes, e subo no poste. Viro de costas para o ringue, e dou um salto para trás (encarando o lado de fora do ringue), fazendo um giro completo no ar, mais um quarto de giro, caindo exatamente sobre a área do abdome de Will, já emendando com o pin.
O juiz cai logo para fazer a contagem, juntamente com o público.
—UM! — Curioso, como um dos melhores wrestlers do mundo estava me ajudando a subir na carreira.
—DOIS! — Mesmo eu sendo um estrangeiro ali na Inglaterra, o público pouco a pouco ficara do meu lado... Ou pelo menos não contra mim.
—Agora é a sua hora de brilhar, garoto. — Eu escuto ele falar, enquanto estamos ali antes do três.
—TRÊS! — E a arena vem abaixo com o resultado, ninguém esperava aquele novato desbancando um astro internacional numa melhor de três.
Os acordes de "Glorious Agressor", do Galneryus, meu tema desde que saí da PWA no Canadá começam a tocar. Quando o juiz me ajuda a levantar, enquanto Will rola pra fora do ringue que a realidade do momento cai sobre mim.
—EIS O NOSSO VENCEDOR, E NOVO DEFIANT WORLD CHAMPION! — O anunciante do ringue grita, enquanto o juiz me entrega o cinturão. — DIEGO ALVES!
Ergo o cinturão, tentando evitar as lágrimas. Sei que aquilo tudo é obviamente pré-estabelecido, mas a emoção que eu e Will passamos aos presentes no ringue e os espectadores pela internet é real, o esforço que fazemos é real, as dores e suor nosso são completamente reais.
Para completar meu momento, alguém salta pela barricada e sobe no ringue, alguém a quem estou muito habituado, alguém com longos cabelos loiros e olhos violeta, que vive comigo há mais de um ano, e por quem sou apaixonado há mais de quatro anos. Nicole estar ali era especial pra mim porque além de ser minha namorada, ela vinha trabalhando tanto ou mais do que eu, revezando entre a Preston City Wrestling, a Progress, a Pro Wrestling: EVE e a Bellatrix Female Warriors (e sim, fizemos a piada com Harry Potter já).
Inclusive Nicole estava pra lutar pelo título da Preston City Wrestling na próxima semana e ela não me contou nada sobre o que os bookers planejam. Mas até aí eu não tinha contado a ela da decisão pelo título da Defiant Wrestling (até porque fiquei sabendo ONTEM), e eu e o Will tivemos menos de vinte e quatro horas pra planejar a luta.
Mas voltando ao presente, Nicole me abraçara no meio do ringue e me deu um longo beijo. Eu admiro a coragem dela porque eu estava bem suado da luta e ela estava cheirosinha e arrumada. Mas quem disse que eu estava ligando pra aquilo? Foi então que uma música tocou e alguém foi até a rampa. Olho para lá. Há um homem com um terno dourado, gravata preta e olhar condescendente. Ele começa a bater palmas sarcasticamente.
—Ora, vejam só... O garoto alcançou seu sonho, agora ele é o "Cara" da Defiant Wrestling... — A voz revelava um desprezo por mim. — Mas, garoto... Se você...
—Um minutinho,só, Herói Local... — Interrompo ele, com um gesto e dou outro beijo longo na Nicole e o público reage gritando em aprovação. — Pois não, senhor Hendry, pode continuar. — Gargalhadas do público.
—Se você quer manter o status de "Cara" da Defiant Wrestling, vão ser necessárias mais que piruetas, porque você pode ter derrotado o menino voador, mas agora passará a enfrentar homens de verdade! — Joe Hendry, o Herói local provoca.
—E por acaso você está incluso entre eles? — Devolvo, na lata e me aproximo das cordas, no lado onde a rampa está. — Uma coisa que posso dizer, e isso vale pra você e pra QUALQUER UM no vestiário. Se vocês quiserem tirar esse bebê aqui de mim. — Aponto pro cinturão. — Vão ter de lutar bastante, porque eu não vou desistir dele tão fácil.
O público vai ao delírio, enquanto a expressão de Hendry não se modifica.
—É o que veremos, senhor Alves... É o que veremos. — Hendry larga o microfone e volta para os bastidores.
—Olha, você foi bem no microfone, hein... — Nicole sussurra no meu ouvido, enquanto descemos do ringue e retornamos aos bastidores do show.
Roppongi, Japão, Abril de 2025
—Senhor Alves? — Alguém interrompe minhas lembranças, na verdade era um grupo de rapazes.
—Pois não? — Pergunto, num japonês com certo sotaque.
—É ele mesmo! — Outro jovem começa a pular, empolgado. — Poderia nos dar seu autógrafo?
—Claro... — Digo, enquanto os jovens sacam cadernos. Eles usam camisas de pro wrestlers e parecem ser fãs mesmo.
—Senhor Alves, é verdade que você está de saída da NJPW? — Um deles pergunta.
—Eu faria um desserviço se mentisse pra vocês, então é verdade, eu optei por não renovar o meu contrato com a New Japan. — Respondo, enquanto assino autógrafos. Os garotos parecem chocados.
—É o dinheiro? Ou o país? — Outro pergunta.
—Não é isso. Se trata de um sonho, eu só estou seguindo ele. — Respondo, com um sorriso no rosto.
—Entendo... — A expressão deles parece aliviada com isso. Depois disso tiramos fotos e eles se despedem com um cumprimento formal. — Boa sorte, Kaze no Diego...
Kaze no Diego... Esses anos que passei aqui na New Japan Pro Wrestling foram essenciais para a minha evolução final como wrestler, ao menos no que se trata de preparação para a caldeirão que é a WWE.
E essa coisa de ser reconhecido nas ruas só veio depois de muito tempo de estrada, até porque uma coisa era lutar em promoções que tinham alcance limitado, apesar da popularidade delas na internet, outra completamente era lutar em uma empresa com credibilidade global e a tradição da New Japan.
Mas de uma coisa tenho certeza, aquele título, aquela vitória em 2018 contra o Ospreay fez milagres pela minha carreira, isso posso dizer...
Novembro de 2018, Oberhausen, Alemanha
Aquela luta contra o Will Ospreay na Defiant Wrestling fez maravilhas pela minha carreira, já que bookings pela Inglaterra surgiram imensamente, logo eu estava lutando em empresas como a Revolution Pro Wrestling e Insane Championship Wrestling (na Escócia), além de volta e meia aparecer na empresa alemã Westside Xtreme Wrestling, sem contar o tempo que eu passava com a Defiant Wrestling, defendendo o título que ganhei.
O lado negativo disso é que eu mal tinha tempo pra minha namorada, porque além de estar sempre viajando a trabalho, ela também viajava, chegando a lutar lá nos Estados Unidos por empresas como a Ring of Honor e a Shimmer Women Athletes, chegando a fazer dupla com a Lara, veja só. Infelizmente a Lara não havia passado no tryout, então ela e Steve passaram a viver quase a mesma coisa que eu vivia com a Nicole na Inglaterra. Enquanto um de nós ficava centrado em um ponto, o outro corria sem parar.
Bem, Steve fixou a residência deles na Flórida, já que ele treinava no Performance Center da WWE, enquanto a namorada viajava lutando pelas empresas independentes, fazendo o nome por lá.
Para não ficar com o estigma de loirinha bonita sem talento (ainda que ela o tivesse), Nicole adotou uma máscara de Jaguar cor de rosa e se auto denominou Pink Jaguar, e o estilo dela era bem agressivo em combate, lembrando um pouco o lendário Wrestler da ECW (E WWE), Rob Van Dam, inclusive usando o Five Star Frog Splash como um dos finalizadores. Quanto a títulos, Nicole era a atual ICW Women's Champion, sendo esse seu único título, o que para uma lutadora com menos de um ano de experiência, era impressionante.
Enquanto lutava na Alemanha, encontrei um cara que fazia o essencial, mas executava de uma maneira tão brilhante que me levou a repensar o conceito de bom e ruim. Não que eu não soubesse disso, mas depois de você presenciar lutas cheias de spots perigosos, sua cabeça meio que muda um pouco.
Esse cara, ou melhor, essa montanha chamada Walter, estava entre mim e a chance de ser duas vezes WxW Shotgun Champion. Eu havia ganho o título em agosto e perdi ele na minha primeira defesa, e após muitos acontecimentos, uma luta contra o Walter era o que faltava, pois se eu vencesse, eu teria um title shot, mas se perdesse estaria fora da companhia... O que era irônico, pois meu local de trabalho era a Inglaterra...
A verdade era que eu havia recebido uma proposta do Consejo Mundial de Lucha Libre para trabalhar no México, e precisava começar a preparar o terreno pro próximo estágio da minha jornada. Então nada melhor que ser demitido do meu trabalho na Alemanha, ao qual eu seria grato, principalmente por ter repensado meus conceitos básicos de Wrestling, graças ao Walter.
Preciso dizer que a luta não ia nada bem pro meu lado? Pois é, boa parte dos golpes do meu arsenal eram pouco efetivos contra ele. Não que eu tivesse sendo squashado (termo para uma luta de um lado só, onde o outro só apanha), mas eu não conseguia aberturas o suficiente para tentar uma submissão.
Até que chegou o momento, em um momento onde eu batia nas cordas e voltava, Walter tentou aplicar um Lariat em mim, mas eu passei por baixo do braço dele e bati na corda oposta, voltando para aplicar um Spear... Que não foi efetivo por causa do tamanho massivo dele.
Walter simplesmente conteve meu golpe e me ergueu no alto, jogando-me de costas no chão com um Powerbomb bem aplicado, emendando num pin.
Enquanto o juiz caía para a contagem, não pude deixar de pensar no quão divertida minha passagem pela WxW, onde pude lutar, aprender bastante e diversificar meu estilo de luta.
Agora era pensar em como fazer minha saída da Defiant ser menos "chute" que a da Alemanha, mas sei que se um dia eu quiser retornar aqui, serei bem vindo, porque só um idiota queimaria pontes com as promoções por onde passa.
Rio de Janeiro, Dezembro de 2018
Bem, era tempo de tirarmos férias, apesar de que como Wrestlers em tempo integral (ao contrário do último ano, quando fazíamos as coisas em meio período), não eram necessariamente férias, e sim uma semana que nos damos, para passarmos o Natal e o Ano Novo com nossos velhos amigos no Brasil. Infelizmente dessa vez, Steve não pôde vir, então só viemos Lara, Nicole e eu.
Era nostálgico andar pela Tijuca, quase dois anos depois de ter ido embora do Brasil. Claro, algumas coisas nunca mudam, como o fato de que o trânsito da cidade era um caos, as coisas eram caras pro padrão de vida do Brasil e sinceramente, por mais que nossa vida seja incerta lá fora (uma lesão causa um rombo nas finanças), valeu a pena ter arriscado.
Estávamos em um jantar, eu, Nicole, Lara, Erick, Brenda, Beatriz e uma figura estranhamente familiar, que encontramos
em um dos nossos primeiros dias. Os cabelos estavam mais curtos, mas a expressão era a mesma. Juntamente com Beatriz, estava Carlos, o garoto que se a memória não me falha (ei, faziam quase dois anos, tá?)jogara vôlei com a gente lá em Rio Azul.
—Olha só, parece que a Beatriz finalmente saiu do zero... — Provoco, rindo.
—Foi só o Erick sair do meu pé, né... — Beatriz dá de ombros, rindo.
—Quando vocês começaram a sair? — Nicole pergunta, o que era curiosidade minha também.
—Foi na vez em que vocês foram lá pra Rio Azul no ano passado. — Carlos responde. — A gente chegou a ficar lá, mas as coisas só andaram mesmo quando vim pro Rio fazer faculdade.
—Entendi... — Digo, enquanto cortava uma pedaço de minha pizza.
—E olha só você, hein Diego... — Carlos, continua, com um tom de admiração na voz. — Você saiu daqui do Brasil como um zé ninguém, e agora, é considerado um lutador bastante promissor, pelos veículos de pro wrestling da Europa. Isso com dois anos de carreira.
—Porra, do jeito que você fala, até parece que sou o próximo Owen Hart... — Fico vermelho com o elogio. — Eu fiz vinte anos, só estou fazendo meu melhor pra alcançar meu sonho.
—Cara, eu vi suas lutas com o Ospreay na Defiant Wrestling, você faz jus a sua fama... — Ele continua.
—Mas não estamos aqui pra falar da carreira do Diego... — Lara vem em meu socorro.
—Por quê vocês dois aí andam tão calados? — Nicole pergunta, se dirigindo a Erick e a Brenda.
Erick olha para Brenda, e a namorada dele assente com a cabeça.
—A gente estava esperando essa reunião anual nossa pra falar algo que estávamos guardando pra nós mesmos já tem umas duas semanas... — Erick diz, ainda mantendo o suspense.
—Fala logo, cara! — Bato com o garfo e a faca na mesa.
—Bem... Eu e a Brenda vamos nos casar. — Ele solta a bomba, tirando do bolso uma caixinha, que continha dois anéis.
Isso certamente calou a todos nós. Quem diria, Erick e Brenda, que viviam se bicando o colégio inteiro, começaram a namorar e vão casar. Isso me fez pensar em como conduzo a relação com a Nicole, se estaríamos prontos pra esse passo.
—O Erick queria manter tanto o segredo que as alianças foram guardadas depois do pedido. — Brenda comenta, rindo, enquanto o recém noivo colocava a aliança no dedo dela.
Os dois trocam um selinho ali, e percebo que os dois realmente se completaram. Desde que começaram a namorar, pelo que converso com o Erick, ele se tornou bem mais centrado. Pena que não acompanhei pessoalmente essa evolução dele, sacrifícios feitos em prol dos meus sonhos.
Ainda assim, eu estava muito feliz pelo meu amigo ter encontrado alguém com quem queira passar o resto da vida (ou até que o divórcio os separe), e...
—Mas e vocês dois? — Brenda pergunta, se dirigindo a mim, e me tirando dos devaneios. — Quando sai o casamento?
Não era pra ela ter feito essa pergunta agora, porque isso resultou na cara da Lara molhada pelo refrigerante que Nicole bebia. Porque sim, ela acabou cuspindo a bebida.
—Obrigado Nicole, eu tava precisando mesmo de um banho. — O tom de Lara goteja sarcasmo, quase tanto quanto o rosto dela. Nós seis estamos nos segurando pra não rir.
—Desculpa, Lara... — Nicole está mortificada.
—A gente ainda não tem planos para casamento. — Respondo a pergunta da Brenda.
—Acho estranho... — Beatriz comenta. — Do jeito que você e a Nicole eram grudados desde a escola, achei que iriam se casar logo.
—É meio difícil pensar em casamento quando se está viajando da Inglaterra pra Alemanha, ou no meu caso, da Inglaterra pros Estados Unidos. — Nicole responde. — Tinha vezes em que ficávamos dias sem nos ver, porque ou ele estava em algum hotel na Escócia e eu em casa, ou ele em casa e eu em Chicago ou na Califórnia.
—E se em algum desses momentos eu pensei em pedir a Nicole em casamento, alguma cadeirada deve ter feito com que eu esquecesse. — Brinco, e todos caem na risada, com Nicole me dando um tapa brincalhão no ombro.
A verdade é que eu pensava em casamento, mas ainda estávamos numa fase muito delicada, não da nossa relação, mas das nossas carreiras. Tínhamos a confiança um no outro, o amor mútuo, porém para estabilizar uma união civil, de preferência eu queria que nós estivéssemos com a situação financeira estável e a carreira estabilizada.
—Mas, o que vocês vão fazer agora, Diego? — Lara pergunta, depois de secar o rosto. — Pelo que sei, você foi "chutado" pra fora da Alemanha no mês passado...
—Bom... Eu e a Nicole precisaremos melhorar o nosso espanhol. — Respondo, meio misterioso.
—Como assim? — Carlos pergunta.
—Estou seriamente inclinado em aceitar a proposta do Consejo Mundial de Lucha Libre pra lutar no México. — Respondo, com um sorriso. — E sei que Nicole recebeu um convite também, porque rumores circulam na internet. — E registro que era esquisito ler rumores acerca da carreira da sua namorada na internet.
—Foi uma proposta informal deles, depois de uma luta que tive com a Princesa Sugehit no Novo México, nem sei como colocaram na internet. — Nicole se explica.
—Bom, se tudo der certo, seremos la mejor pareja de Mexico. — Apoio a cabeça no ombro de Nicole, como ela tantas vezes fizera comigo.
Estávamos prontos para abandonar o velho continente e dar mais um passo rumo ao nosso sonho de lutar na WWE, mas não pegaríamos atalhos, faríamos a nossa jornada do nosso jeito, para enfim chegarmos ao topo no melhor de nossas formas.
E que lugar melhor para aprimorar as técnicas do que o México? Tenho certeza de que 2019 seria um ano interessante pra gente.
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