Capítulo 4

Ela era curvilinea onde tinha que ser e redonda onde tinha que ser. Ela era a porra do pecado na Terra, ela era sua. E de Daryl. Via-a lutando contra seu irmão, do lado de fora da cabana, as mãos tentando acertá-lo, as mãos abertas e fechadas, os pés separados na medida certa, mas ainda sem ser uma boa lutadora, ainda sendo apenas uma aprendiz. Havia muito tempo ainda para que pudesse ver Beth lutar sozinha sem precisar de sua defesa, ou da de Daryl; mas inferno, era bom olhá-la movendo-se daquele jeito.

As pernas ficando grossas, os braços também, os cabelos começando a se soltar e o brilho de suor pelo corpo. Era como quando ela estava com ele, olhando-o séria, gemendo baixo para não acordar Daryl, ou não atrair atenção desnecessária do lado de fora da cabana. Viu-a sorrir ao acertar Daryl, mas então seu irmão a havia jogado no chão no segundo seguinte, o barulho alto, todo ar saindo do pulmão dela. Sorriu e balançou a cabeça, Beth ainda comemorava pequenas vitórias, apenas para ser subjugada no segundo seguinte.

“Vou sair caçar, volto em alguns dias.”

Anunciou e viu Beth virar a cabeça em sua direção, olhando-o de forma triste. Ela já havia lhe dito que não gostava quando ele caçava, que ela sentia como se nunca mais o fosse ver. E ele ria o tempo todo, dizendo que ele não a deixaria sozinha com Daryl. Puxou sua mochila de caça, suas armas e sua lâmina, os olhos de Beth olhando dentro dos seus quando parou perto deles para se despedir.

O azul tinha um brilho triste, mas ela parecia querer aparentar dureza e por isso apenas o beijou leve nos lábios, assentindo e seguindo para dentro da cabana. Ouviu-a fechar a porta e logo ouvia-se baixo o cano do chuveiro funcionando. Olhou Daryl, que mirava-o com os braços cruzado, a postura rígida. Aproximou-se dele, vendo que ele levantava uma sobrancelha. Merle não era acostumado a se despedir dele quando ia caçar.

“Cuide dela.”

Bateu no ombro do irmão com a mão e embrenhou-se pela floresta. Merle sabia que não precisava que dissesse isso para Daryl. Após conversarem, após deixarem as coisas claras para Beth, Daryl daria a vida por ela; e Merle não faria diferente. Mas Merle conhecia o irmão. Merle conhecia Daryl o suficiente para saber que algo escuro e sombrio escorria por detrás de seus olhos claros. Algo que Daryl começava a manifestar com Beth. E que Merle havia visto poucas vezes em toda sua vida.

Não sabia o que era, ou como lidar com aquilo, mas temia que era algo ainda mais sombrio e mais escuro que o apocalipse que estavam enfrentando. E temia que nem mesmo a morte que carregava a seu lado como companheira do dia a dia fosse capaz de conseguir ajudá-lo a impedir seu irmão de algo que ele queria. Não sabia se Daryl saberia diferenciar as coisas que haviam acontecido antes e as que aconteciam agora.

Beth era algo que nunca nenhum deles tivera antes na vida. Era algo bom, e que não exigia nada em troca, apenas aceitação e amor. E isso Merle daria. Mesmo que de sua boca nunca fossem sair tais palavras — ele se conhecia o suficiente ara saber isso — ele daria para Beth o que ela quisesse. Algo assim era raro em suas vidas, e eles deveriam agarrar tal peça rara com as duas mãos e os dentes. Só estava com medo da força que eles usariam ao agarrarem-se nela. Merle balançou a cabeça e abaixou-se, vendo, ouvindo e sentindo. Precisava focar-se em levar comida, preocuparia-se com Daryl e Beth quando voltasse.

–-*--

Meses. Haviam se passado meses desde que haviam saído da prisão, talvez já chegasse há um ano. E Daryl sentia que haviam se passado mais de cinco anos. O tempo andava acelerado em seu corpo, a seu redor, mas para o próprio tempo, não. Ainda via Beth como uma menina de 18 anos, linda, pura, inocente, atenciosa, mas agora… Passou a mão pelo cabelo, começando da nuca até sua testa, respirando fundo enquanto a olhava. Ela era algo que ele nunca almejara, sabia estar fora de seu alcance, sabia não ser para ele. Mas ela agora era. Era sua e de Merle, e eles eram dela.

Olhou-a terminar de arrumar a pequena pia, puxando o pano da mesa, olhando-o de forma divertida. Arrumou-se na cadeira de balanço quando ela se aproximou, sentando-se de lado em seu colo, como que querendo ser acariciada até dormir. Mas ela sabia, ela já sabia de ante mão que ele não sabia fazer isso, por isso todas as vezes que ela vinha para perto de si com esse mesmo propósito, ficava apreensivo. Via como para Merle era fácil acaricia-la, mima-la, mas não havia nenhuma palavra, e com ele era o contrário. Daryl não perdia oportunidade de fazê-la ouvir o que ela merecia.

Sabia que se os unissem, juntassem os dois em um corpo só, seriam perfeitos para ela, mas Beth parecia feliz com o que tinha; dois homens destruídos e agressivos por natureza. Só Deus sabia o que ela via que a fazia feliz nessa merda de situação em que viviam. Olhou-a sentada em seu colo, o rosto em seu peito, os braços descansando em seu próprio colo, os olhos fechados. Sorriu pelo canto da boca. Beth era uma garota, mas era uma mulher. Quantas coisas em um só corpo, em uma mente só.

“Já lhe disse que essa merda me deixa sem graça.”

Ela disse de olhos fechados, sabendo que ele estava lhe fitando. Riu fracamente, enquanto subia sua mão rápida, segurando o rabo de cavalo relaxado que ela usava, inclinando sua cabeça para trás, fazendo-a abrir os olhos e fita-lo.

“Você gosta, Beth.” Ela sorriu com os olhos sonolentos. “E pare com essa merda de xingar. Já lhe disse isso.”

Beth riu enquanto soltava-se devagar do puxão dele em seu cabelo, abraçando-o, cheirando seu pescoço profundamente. Respirou fundo o cheiro dela. Era como droga. No começo relutava, não achava certo, lhe faria mal, mas então via-se viciado, implorando por mais em qualquer ocasião, e mesmo que não fosse certo queria a todo momento, em qualquer situação. Puxou-a mais apertado em si, ouvindo-a rir disso. Era isso. Beth era uma droga viciante e que o levaria para a ruína em pouco tempo. Lambeu o pescoço dela, vendo-a parar de rir e rodar o quadril em seu colo. Riu fraco outra vez. Uma droga, definitivamente uma droga que valia a pena viciar-se.

Voltou a lamber o pescoço dela, sentindo-a se mover em seu colo, ficando quieta. Olhou-a nos olhos, afastando seus corpos brevemente. Eram olhos dilatados, o azul estava escuro e os pontos escuros eram poços negros. Sorriu. Ele não era o único viciado.

–-*--

Beth observava todos os lados enquanto eles entravam na casa de dois andares. Seu sorriso não saia de seu rosto há três dias, não desde que Merle voltara. Carregava 4 esquilos consigo, mas vinha sério, pensativo. Quando ele lhes contara que havia encontrado uma fazenda, escondida dentro da floresta, quase toda fortificada, como se tivessem tentado deixa-la protegida, mas algo os havia tirado dali, ela foi a primeira a dizer que deveriam vê-la, saber se estava segura o suficiente, se poderiam morar ali, um lugar mais apropriado para viverem. Merle não achou tão boa ideia, e Daryl concordou. Mas ela argumentou, ela agora era voto válido e dizia o que pensava. Por fim, decidiram partir e lá estavam três dias depois. Sua arma segura em sua mão, os dedos sujos de terra não ajudavam, mas não ligava.

Haviam encontrado um grupo de seis errantes naquela manhã, e para Beth fora ótimo. Precisava tirar um pouco da frustração que estava sentindo por não chegarem logo, e aproximou-se de um deles, ouvindo o som das flechas de Daryl abatendo dois. Sabia que eles lhe deixariam apenas com um, mas poderia descontar tudo que sentia naquele. Puxou a faca da bota, sua mão subindo, sua respiração se acalmando e então a lâmina cravou-se no crânio do errante, fazendo-o desabar. Puxou a faca, soltando-a do crânio do morto, pegou seu pano limpo e deixou a lâmina intacta novamente, recolocando-a na bota. Havia se virado para ver onde os dois estavam, e os encontrara lhe mirando surpresos. Via que a surpresa era real e não entendera. Lhes perguntara e o que ganhou de resposta foi apenas um par de risadas.

E lá estavam, dentro da fazenda. Havia chegado devagar, os altos alambrados cercavam uma casa de dois andares, um pequeno galpão e um pequeno galinheiro. Beth lembrou-se da fazendo de sua família, mas logo tratou de afundar tal memória. Aquilo não lhe faria bem, não lhe ajudaria em nada. Havia visto que a fazenda continuava em muitos quilômetros, mas que apenas aquela área havia sido cercada. Alguém tivera muito trabalho aterrando cercas, levantando-as, deixando-as quase intransponível com três voltas de ferro.

Arame farpado estava colocado na parte de cima, e na parte de baixo. Beth vira onde havia uma enorme falha na cerca, próxima ao galinheiro, e seu primeiro palpite foi de que os errantes haviam entrado por ali, atraídos pelo barulho das galinhas. Porém, não havia nenhum errantes dentro da cerca, ou no galpão, ou no galinheiro. Na casa, eles ainda estavam verificando, mas poderia dizer pelo silêncio que não havia.

Mordeu o lábio ao ver-se treinando com Daryl naquele espaço em frente a casa, e conversando com Merle próximo ao galinheiro sobre como poderiam plantar algumas coisas. Era um sonho de dona de casa, e Beth assustou-se com isso. Não poderia considerar nada disso como certo, eles não eram isso. Mas então… o que eram? Beth não tinha a resposta, e tinha quase certeza de que os rapazes também não.

–-*--

Contou na pequena folha que estava na geladeira que já se faziam dezesseis dias que estavam ali. A fazenda acabara por ser um grande achado e agora viviam ali. Nos primeiros dias trabalharam como loucos refazendo a parte destruída da cerca, deixando-a segura novamente. E então, acharam no porão mais alambrado. Merle disse que deveriam dar mais uma volta no perímetro, mas após medirem, verificaram que não seria possível, então, guardaram; talvez fosse necessário para possíveis remendos.

Beth tratou de arrumar e limpar toda a casa, enquanto eles terminavam com as cercas, o galinheiro e o pequeno galpão, que acabou por ser um quarto de ferramentas. A água vinha direto do riacho, o que era bom, mas Beth odiava que ainda fosse fria. Limpou a casa, acordando cedo, junto com o sol e indo dormir cedo, deixando os rapazes preocupados quando não jantava.

Em quatro dias tudo estava limpo e eles jantaram juntos. Sentaram na pequena mesa na cozinha, os olhos atentos aos dois, que comiam como se nunca tivessem visto comida antes. Recostou-se na cadeira quando terminou de comer e cruzou os braços. Deus, Beth os amava. Amava cada fibra que havia dentro deles, e não era apenas o fato de serem amantes. Não. Beth os amava como amigos, irmãos, tudo. Eles eram uma família. Uma família que Beth queria até seu último suspiro.

“O que tem nessa cabeça, garota?” Merle a perguntou e Beth voltou a realidade, olhando-o séria enquanto mordia o lábio.

“Tudo o que aconteceu nos últimos meses.”

Ela sabia que eles evitavam qualquer assunto que envolvesse os outros, pois sabiam que ela sofria com isso, mas ela não importava-se mais de falar sobre eles. A dor existia, mas tinha que aceita-la em algum momento.

“Quero plantar algumas coisas perto do galinheiro.”

Daryl e Merle assentiram, estranhando a guinada de assunto. Mas ela já estava acostumada a fazer isso, por isso eles estavam acostumados a ouvirem isso.

“Quero morar aqui como… se nada tivesse acontecido ao mundo.”

Merle terminou de comer e olhou-a sério.

“E como é isso, princesa?”

Daryl pareceu interessar-se na conversa.

“Sendo… uma dona de casa, como minha mãe foi na fazenda dela.”

Beth viu que as implicações em sua frase tivera efeito nos dois homens. A pequena cozinha entrou no mais absoluto silêncio por alguns segundos.

“Ok, cachinhos, quer brincar de casinha?” Merle brincou com ela, vendo-a sorrir e assentir. Beth adorava que Merle ainda a provocava, mas sem a agressividade de antes. “Ok, e quem será o marido?”

Beth engoliu em seco e olhou para a esquerda e para a direita, de Merle para Daryl. Odiava quando sentia-se dividida. Não queria essa sensação, queria a sensação de todo. De que Merle e Daryl eram o que lhe faltava, não duas partes da mesma coisa que ela precisava e queria. Suspirou e inclinou-se contra a mesa, as mãos juntas, os cotovelos na beirada.

“Não… não tenho marido, não sou casada… mas… vocês são… meus, certo?” Ambos assentiram curtamente, ela sorriu, sentindo as bochechas esquentarem. Deus, por mais quanto tempo ainda sentiria vergonha de dizer aquilo em voz alta? “Então, sou a dona da casa como vocês também são.”

Seus olhos azuis viram Merle se levantar, colocando o prato na pia, olhando sério para si. Não entendia o que havia falado de errado, mas então ele aproximou-se, pousando a mão esquerda em seu maxilar, fazendo-a inclinar a cabeça para trás. Ele a beijou devagar, sem importar-se com Daryl ali, há dois passos.

“Pois bem, dona de casa, tenho uma situação que requer seus serviços.”

Beth riu e viu Merle se afastar, subindo a escada ao fundo da cozinha. Olhou então para Daryl e viu-o mirá-la sério. Sabia que ele estava querendo falar algo, mas que temia que ela não fosse querer escutar. Levantou-se, indo para perto dele, parando bem a seu lado. Os olhos dele miraram seu rosto sérios.

“É… dono dessa casa, certo Daryl?” Os segundos que ele levara para responder quase lhe mataram.

“Não só da casa.”

Beth engoliu em seco e sorriu sem graça. Daryl lhe dizia certas coisas que acabavam por deixa-la sem fôlego. E essa era uma delas. Abaixou-se, beijando-o, sentindo o gosto da boca dele misturada a comida que haviam acabado de comer. Sentiu que ele afastava a cadeira e puxava-a para seu colo, sentando-a logo onde ele queria.

“É minha, Beth, acostume-se com essa porra.”

Sorriu. Sorriu porque sabia daquilo, mas era sempre bom ouvir Daryl afirmando. Abraçou-o, sorrindo quando moveu seu quadril e ele gemeu, algo como um rosnado. Estremeceu com a força que ele a puxou contra seu peito e quis mais que tudo que ele estivesse entre suas pernas, empurrando-se para dentro, mostrando-a que ele era dela, assim como ela era dele.

“Daryl… por favor…”

E eram apenas aquelas palavras e ele rendia-se, dava o que ela queria, quando queria e como queria. E sabia que era assim que ele queria, que ela fosse inteiramente sua, demonstrando todos os sentimentos possíveis, desejando cada pequena promessa que os olhos dele diziam. Beth pediu por favor de novo, sabendo que ambos estavam no limite, e que agora só havia um caminho.

–-*--

Já haviam saído há horas e as armadilhas deveriam estar cheias, ou já teriam retornado. Abriu amplamente a porta do quarto de ferramentas. Beth estava insistindo cada vez mais em sair para caçar com eles, ajudando, fazendo o que fosse necessário. Sabia que ela não estava ainda bem para a caça sozinha, e talvez, merda, nunca iria deixá-la ir sozinha; mas se ela queria ajudar, toda ajuda era bem vinda.

Olhou pelo quarto, procurando uma ferramenta. Merda, pensar em deixar a pequena sozinha era algo que para Merle não era concebível. Só de pensar que alguém poderia tocar no que é seu, machucá-la… bateu com a prótese no balcão. Não, aquilo não aconteceria, Beth não seria tocada por mais ninguém. Já haviam quatro mãos cuidando dela, não precisava de mais nenhuma.

Virou a cabeça ao ouvir o som de motor pela estrada e seguiu até a janela, observando. Viu o pequeno carro que haviam conseguido durante os meses na cabana e vira como Beth havia descido dele. Ela estava irritada, batendo a porta do carro, abrindo o portão com força desnecessária, fazendo o alambrado balançar. Observou atentamente seu irmão dentro do carro e viu que ele também estava sério, algo havia acontecido. Não conseguia ouvir, mas Daryl apontava para algo na parte de trás do carro e Beth apenas o olhava, ela estava com o rosto desafiador, e Merle não soube bem o que pensar disso.

Limpou a mão no pano sujo, rindo do modo como a surpresa e a raiva atravessaram o rosto de seu irmão mais novo ao ver Beth levantar a mão direita e mostrar o dedo para ele. Então, o sorriso morreu em seu rosto ao ver Daryl avançar sobre Beth, prensando-a no carro, uma mão segurando fortemente o pescoço dela. E então, o rosto dela era prazer e medo. Apoiou-se na porta do quarto de ferramentas e observou-os ao longe. Daryl parecia fora de si, mas já havia reparado que quando o assunto era Beth, o homem sempre parecia fora de si. Ele parecia que seria uma bomba próximo dela, explodindo a qualquer momento.

E era isso que via ali. Ele a havia prensado no veículo, uma mão no pescoço dela, a outra logo procurando livrá-la da calça que usava. Ela apenas o olhava, os dedos trêmulos abrindo a calça dele. Merle levantou uma sobrancelha com isso. Eles estavam no meio do pátio da fazenda, não haviam pessoas próximas, mas aquilo era um salto para Daryl. Ele sempre fora reservado, sempre fora o quieto, tímido. O fato de que tirava uma das pernas da calça de Beth, deixando que ela abaixasse sua calça ao ar livre, o sol ardendo sobre eles, sabendo que ele poderia vê-los, era algo diferente. Daryl já não era mais o mesmo. Não depois de Beth. Mas isso Merle percebera que ele também não era. Viu Daryl levantar uma das pernas dela, entrando em seu corpo com força, o gemido de dor de Beth chegando a seus ouvidos baixo.

Nunca havia visto os dois juntos, não daquele modo. E Merle não sabia sabia o que fazer com a informação. Queria virar-se e ir embora, mas o modo como Beth havia jogado a cabeça para trás, fechando os olhos com força, a boca aberta, o modo como a mão de seu irmão estava segurando-a com força pela garganta, o corpo movendo-se rápido, com força, o rosto escondido por entre o pescoço de Beth… algo ali o fez ficar. Sabia que Daryl não machucaria Beth, mas seu estado protetor dela o fizera não mover um músculo.

Viu-a abrir os olhos, abraçando Daryl com as pernas e os braços, os gemidos escapando estrangulados, como se a mão dele realmente estivesse lhe impedindo de falar. Viu-a dizer o nome dele várias vezes, como um mantra. E Daryl segurava-a pela garganta, agora olhando-a nos olhos, o que Merle apenas conseguia imaginar como que a submetendo a ele. Ele era quem comandava aquele show naquele momento, e Beth era dele.

Desviou o olhar um momento, estava excitado pelo show que eles estavam fazendo e desejou que tivesse se virado e voltado para dentro do quarto de ferramentes, mas merda, Beth era tão linda daquele modo. O modo como ela abria e fechava a boca, suor em sua testa, a pele avermelhada pelo sol e pela excitação. E então viu, a mão de Daryl fechou-se mais, fazendo-a arquear como que tentando puxar ar aos pulmões e ambos convulsionaram, logo após caindo ao chão, ainda enroscados.

Olhou como Daryl soltava-se dela apenas um segundo, arrumando a calça e arrumando a dela, ainda no chão de terra, para logo buscar a boca dela, beijando-a. E ali estava a prova. Daryl machucava Beth enquanto estavam juntos, a prova já começava a aparecer no pescoço dela, avermelhada. Sabia que aquilo ficaria roxo, e mataria Daryl se Beth lhe dissesse que aquilo estava doendo. Mas viu-a rir e correr os dedos por sobre a marca ao ver Daryl apontar, abaixando a cabeça e ficando envergonhado. Merle sorriu disso, ao menos tinha o filho da puta conseguia ver que tinha feito merda.

Beth riu novamente e puxou a mão dele, sentando-se sobre os calcanhares, vendo que Daryl estava jogado de lado na terra. A garota não tinha senso, pois levava a mão dele para seu pescoço novamente, segurando-a no lugar quando ele tentou tirar. Beijou os lábios dele, e Merle viu que ela o aceitava. Beth aceitava o lado mais escuro e sombrio de Daryl. Beth o amava com esse lado, e Merle agora entendia. Entendia que por mais que houvesse escuridão dentro de Daryl, a luz que Beth era na vida deles sempre seria maior. Sorriu enquanto voltava para dentro do quarto de ferramentas. A vida era estranha demais.