Capítulo 3

Estava sentada na cadeira de madeira próxima a janela, era sua noite de ronda, mas sabia muito bem que Daryl e Merle não estavam dormindo tranquilamente. Eles a deixavam de ronda, mas não realmente descansavam. Eles ainda tinham medo dela sozinha lidando com a guarda de suas vidas. E por um lado aquilo lhe irritava até o fundo da alma, mas por outro lado, entendia. Eles eram caçadores natos, nasceram para matar e defender seu território. Beth, não. Beth nascera para se casar com um fazendeiro que o pai escolhesse e ter filhos, criando-os do jeito antigo e vivendo como seu pai queria.

Mas ali, naquele mundo, naquela situação, onde não sabia onde estava sua família, se estavam vivos ou mortos, se estavam sofrendo sua falta ou não, ela não era mais a garota da fazenda. Ela não podia mais ser a garota da fazenda. Olhou para dentro, vendo Merle dormindo em um canto e Daryl em outro. Ambos com as armas próximas, prontas. Sorriu.

Não poderia negar, e recentemente já não tentava; amava-os. Amava ambos como se fossem seus irmãos. Mas ela sabia que não era apenas aquilo. Beth sabia que não era apenas amor de irmãos. Ela agora via-os como não conseguira antes, via-os como homens. Via como Merle excitava-se ao tocá-la, via como Daryl parecia arredio com suas brincadeiras maliciosas. E sabia que eles viam nela uma mulher. Mesmo que as vezes seus corpo lhe traísse, revelasse que ainda era uma garota, mostrando como arrepiava-se com um toque carinhoso de Merle, ou um toque ousado de Daryl nas lutas. Ou mesmo a vermelhidão que espalhava-se por seu rosto ao se trocar perto deles, mesmo que eles estivessem virados de costas ou dormindo.

Eles eram homens, afinal, e Beth era a única mulher ali. Era natural. Ela não enganava-se com relação aquilo. Mas… se pensasse bem, se colocasse a cabeça para realmente pensar sobre isso veria que não queria que eles fossem de mais ninguém. Eles eram seus, assim como ela era deles. Poderiam nunca ter nada, poderiam apenas viver a vida daquele modo até que morressem. Poderiam ser aquela família para sempre, que para ela estaria ótimo, seria suficiente. Mas para eles seria? Para os rapazes seria suficiente apenas serem assim? Mordeu o lábio e deixou a noite e o vento levar tal pensamento. Não queria perdê-los, amava-os demais. Eles eram seus e ela era deles, era a única coisa que importava. O resto… o resto viria se tivesse que vir. Ao menos ela esperava.

–-*--

Daryl parou perto da porta, ouvindo a voz baixa do irmão. Seus cabelos balançavam conforme ele se movia, o vento estava frio naquela noite e ele apenas queria sentar e ficar quieto ao menos algumas horas. Seus olhos claros se ajustaram a pouca luz que vinha de dentro da pequena casa, e viu que Merle e Beth conversavam próximos. Isso vinha acontecendo muito ultimamente. Via a aproximação deles, as conversas, os olhares, as risadas.

A garota estava de frente para si, cabeça abaixada arrumando algo na pequena mesa que tinham, enquanto Merle estava a seu lado, de lado para a porta, sussurrando algo no ouvido dela, a lâmina no lugar de sua mão direita descansando na mesa ao lado do que ela fazia, solta de sua armação do braço dele. Daryl conhecia o irmão, sabia que ele era ótimo em perturbar as pessoas, e nada irritava mais Daryl do que ser perturbado por Merle. Por qualquer coisa que fosse.

Porém, ali Daryl viu Beth sorrir do que Merle havia lhe dito, e logo ela virava-se, correndo a mão pelo ombro dele, levantando o rosto devagar e beijando-o. A cena era surreal aos olhos de Daryl. Ele não conseguia crer que Beth estava fazendo aquilo. Era algo que encaixava-se ao mundo em que viviam: impossível, mas ali estava.

E seus olhos claros não se desviavam. Ela puxava-o devagar contra si, e Merle respondia grosseiramente. Daryl deveria ter virado e saído. Mas não conseguia. Algo ali havia pregado seus pés ao chão. Algo ali havia feito com que não conseguisse se mover. Via nos últimos dias que haviam se passado que Beth respondia as provocações de Merle, rindo logo após. Mas aquilo era demais. Aquilo não parecia que poderia acontecer.

Viu quando Merle beijara o maxilar dela, descendo devagar por cada milímetro de pele, os olhos fechados, um sorriso de satisfação. O corpo dela era pequeno para o dele, mas Daryl parecia entender que não importava. A sede que via na pressa do irmão, era a resposta. Viu quando Beth jogou a cabeça para trás, falando ‘Merle’ de forma carinhosa, baixa. As mãos dela brincando com os cabelos claros dele, os olhos fechados e a cabeça jogada para trás. Não entendeu como aquilo poderia ser a realidade, mas era. E essa realidade deveria ter lhe feito virar as costas e andar para longe, aquele era um momento íntimo; mas não conseguia.

Daryl viu-se pregado aquele chão. Viu-se sem resposta do próprio corpo, enquanto observava Merle descer a mão e os lábios pelo corpo pequeno e esguio de Beth. Vendo que ela tremia. Toda a pele dela avermelhando-se no pescoço e rosto, enquanto via a mão de seu irmão agarra-la pelo quadril, escorrendo para dentro do shorts que ela ainda teimava em usar. Lhe dissera várias vezes que aquele shorts ainda lhe traria problemas. Que eram curtos demais, apertados demais.

E as costas dela descreveu um arco, o rosto contorcendo-se em vergonha, as pernas fechando-se firmemente, os braços tentando afastar Merle. Viu que ele olhava-a nos olhos, a mão movendo-se dentro do shorts dela, o braço direito segurando-a junto dele. E via os olhos tímidos de Beth quase fechados, a boca semi-aberta. Mas que as mãos dela pararam de empurrá-lo, agora pareciam que queriam segurá-lo no lugar, impedi-lo de se mover.

Engoliu em seco e mirou sério para dentro cabana, seus olhos não deslocavam-se do corpo de Beth, e nem mesmo quando Merle sorriu do gemido baixo e inseguro que ela soltara, Daryl conseguiu virar as costas. Viu o beijo que seguiu-se aos movimentos violentos das mão de Merle e os movimentos erráticos do quadril de Beth. Ele sabia o que aquilo significava, sabia que ela tinha acabado de gozar. E se não estivesse errado, ela era virgem. Passou a mão pelos cabelos, mas eles voltaram a cair em seus rosto. Precisava sair dali, precisava afastar-se daquilo. Mas o que via, o que ouvia... era impossível.

Ouviu Merle dizer que ela era a coisa mais bonita que ele já fizera gozar. Ela riu e tentou se afastar, mas ele não a deixou e Daryl sabia o que vinha a seguir. Ele sabia que Merle a teria. Que Merle a tomaria para si, que ele seria o primeiro, e muito provavelmente, o último homem de Beth. Por alguma razão soube naquele momento que não era certo estar ali. Merle finalmente havia demonstrado sentimentos. Merle havia finalmente importado-se com alguém, havia finalmente se deixado sentir algo. E Daryl deveria sumir dali, agradecer ao fim do mundo que isso estava acontecendo; mas não conseguia.

Vira como ela sorrira do modo como ele se aproximou e beijou-a, e logo ele a deitou no chão, beijando-a com mais força, empurrando todo o corpo por cima do dela. E Beth parecia ter um instinto próprio naquele momento. Daryl vira que as pernas dela se abriram devagar, acomodando-o. Vira as mãos dela a empurrarem a calça dele para baixo, enquanto ele abria e empurrava seu shorts. Daryl engoliu em seco de novo e sentiu sua respiração acelerada, os olhos ajustando-se a iluminação que caia mais e mais do lado de fora e ficava mais clara na parte de dentro.

Um rosnado de prazer rasgou o silêncio que só era interrompido pela respiração deles. Observou como Merle estava parado, como que uma estátua, e que era a vez de Beth soltar um gemido de dor. Um baixo e doloroso gemido de dor. Não precisava de manual para saber o que estava acontecendo, não precisava de nenhuma outra explicação para saber que eu sirmão estava inteiramente dentro dela, e que ambos estavam gostando disso. Estremeceu, suas mãos tremiam, seu peito inflava e desinflava, sua garganta estava seca e esperou pacientemente pelo que viria a seguir.

E ela gemeu alto. O gemido pareceu vibrar pelas paredes. Daryl apenas observou. Merle prensava-a ao chão de madeira, a mão presa ao cabelo loiro dela agora, o corpo todo a cobri-la. E Daryl sabia que Merle sabia que ele estava ali. Vira por duas vezes Merle olhar naquela direção. Ao que parecia o irmão mais velho estava divertindo-se em torturar o irmão mais novo. Mostrando-lhe o que havia conseguido, o que era dele.

Daryl não entendia como sua cabeça ainda não havia lhe mandando sair dali. Aquilo não era de seu interesse, aquilo não tinha nada a ver consigo. Mas seus pés estavam pregados, seus olhos estavam vidrados no arco que as costas de Beth fazia no chão. Vendo como ela fechava as pernas na cintura de Merle. Como a boca abria-se e fechava, querendo gritar. Como ela ficava linda com a pele avermelhada e coberta de suor.

Engoliu em seco e virou o rosto. O que ele estava fazendo? Daryl saiu andando, afastando-se e puxando um dos últimos cigarros daquele maço. Precisava tirar aquilo da cabeça, mas a reação em seu corpo já era forte demais, apertava e deixava sua boxer desconfortável. Uma das mãos levou o cigarro a boca, a outra seguiu para a frente de sua calça, apertando-se por cima do tecido. Seu corpo bateu na árvore mais próxima, a testa raspando na casca grossa.

Naquele mesmo momento, Beth levantava-se, rindo do que Merle havia falado sobre ela não poder mais reclamar que ele não fazia nada ali dentro. Olhou pela janela, com medo de que Daryl poderia chegar a qualquer momento e vê-los daquele jeito. Mas então seus olhos claros observaram que ele não estava tão longe. Por um momento quando o olhou achou que ele estaria ferido e quase saiu correndo, mas então antes de dar um passo Beth viu, ele fumava e uma das mãos, estava na frente da calça, fechando-se contra o tecido com força.

Via a respiração dele sair rápida. Via a mão apertando com força. Via o modo como ele apoiava a testa na árvore, os olhos fechados. E o corpo dele convulsionou. Duas, três vezes em fortes espasmos, os músculos do braço tensionando, delineando-se a visão dela. Merle levantou-se sorrindo, vendo o que ela via. Encostou o queixo no ombro dela, ouvindo-a engolir em seco, sentindo que o corpo dela reagia a tudo.

“Ele assistiu, Bethanie.” A voz de Merle era rouca nesse momento, e falou tão baixo que ela momentos depois perguntou-se se ele realmente havia dito aquilo. Mas então estremeceu com mais violência. Os olhos de Daryl estavam colados aos seus, ele ainda fumava, ainda segurava o membro por cima da calça, e havia algo primitivo dentro de seus olhos que ela havia visto minutos antes dentro dos olhos de Merle. “Gostou do show?”

Respirou fundo, abrindo a boca, mas então Daryl virava-se, entrando na floresta, desaparecendo. Engoliu em seco, virando-se e olhando para Merle. Esse empurrou-a com força para trás, fazendo com que batesse a cintura na janela. Ele sorriu e abaixou o rosto para beijá-la, devagar, apenas deixando o gosto em sua boca.

“Ele com certeza gostou do seu, querida.”

Beth não respondeu. Não sabia o que responder. Não sabia se algum dia saberia.

–-*--

Beth estava encostada na pequena parede dos fundos quando ele entrou. E Daryl achou que por um segundo encontraria Merle ali. Mas ele não estava. Beth estava sozinha. Engoliu em seco e desviou os olhos dos dela. Não queria falar nada. Os dias que ficara fora não pareceram ser suficiente. A imagem dela no chão da cabana, gemendo, parecia gravada em sua retina. Nunca mais a esqueceria.

“Merle… foi caçar.” Ele não lhe respondeu. Respirou fundo. Estava a beira. Estava preocupada, irritada, temerosa. Não conseguia não sentir tudo. Aproximou-se de onde ele deixava as coisas, vendo-o afastar-se um passo calculado. Franziu as sobrancelhas. “O que foi?”

Daryl não a olhou, pegou uma toalha velha e seguiu para a pequena parte que era o banheiro. Entrou, puxando o pano que servia de cortina. Olhou para o chão, vendo a sombra dela do lado de fora. Tirou a roupa rapidamente e ligou o jato de água fria. Era isso. Precisava de um banho frio. As costas de Beth descolando do chão, os gemidos, os olhos sedentos lhe olhando logo após, enquanto o via fumando perto da árvore. Colocou a cabeça debaixo do jato frio. Nem mesmo aquilo estava acalmando-o. Precisava se acalmar. Ela não era sua, ela era de Merle. Ela estava fodendo com ele, não poderia fazer nada, a escolha era dela. Não tocaria na mulher de seu irmão. Não faria isso. Deixou mais água gelada cair no rosto, precisava acalmar-se.

Beth irritou-se. Aquela atitude de Daryl era irracional. Eles precisavam conversar. O que ele viu era algo muito particular, mas o que ela vira também fora e aquilo precisava ser resolvido de uma vez por todas. Puxou a cortina para o lado, vendo Daryl de costas, água caindo pelo corpo.

“Vai me ouvir, Dixon.” Seus olhos não lhe obedeceram em não olhar cada mínimo milímetro de pele que ela conseguia. O corpo de Daryl tinha músculos por todos os lados, pele queimada do sol, cicatrizes.

“Mandando no irmão errado.” A voz dele estava rouca. Beth irritou-se ainda mais com a resposta dele.

“Mas que merda, Daryl, fala comigo. O que aconteceu aquele dia?”

Daryl virou o rosto de lado, olhando-a por cima do ombro. A cada dia mais ela falava palavrões, e sabia que isso era sua culpa e de Merle. Beth engoliu em seco ao ver o mesmo olhar primitivo daquele dia, aquela fome, aquela violência. Ergueu o queixo, enfrentando-o.

“Você fodeu com Merle e eu sai pra caçar. Foi isso que aconteceu, garota.”

“Eu… você não… ah, mas que merda. Você ficou assistindo, não dê uma de inocente.”

“Você estava dando um bom show.” A voz dele ficou ainda mais rouca, baixa.

“Posso dizer o mesmo.”

E foi isso. Daryl estava virado, segurando um braço de Beth com força, empurrando-a na parede do pequeno box, molhando-a.

“O que isso quer dizer?”

Os olhos dela desceram pelo peito dele, olhando exatamente o que ela queria dizer. Daryl grunhiu enquanto soltava-a; porém, era puxado para perto dela novamente por pequenas e delicadas mãos. E aquilo fora o suficiente. Em segundos empurrava-a contra o metal gelado. Em segundos sentia as mãos dela em seu corpo. Em segundos empurrava seu quadril contra o dela, ouvindo-a gemer desesperada. Queria estar dentro dela, queria fazê-la sua. Ela era sua. Precisava fazê-la sua.

Empurrou-a mais contra a parede, ouvindo-a gemer baixo em seu ouvido. Deus, queria aquilo, queria os gemidos dela. Afastou as pernas dela com um chute seu, agarrando-a pela parte de trás das coxas, subindo-a até ficar em seu nível de altura, sentindo-a entrelaçar as pernas em sua cintura.

“É dele?” Sua voz tremia, seu corpo também. Não sabia mais o que sentir. Sentia tudo.

Ela não respondeu. Ela não lhe disse nada, apenas lhe beijou. Daryl não precisava de muito mais incentivo. Já estava pegando fogo por ela. Sentiu-a abrir a calça e por um segundo pensou no que fazia enquanto ela lutava com a roupa. Ela era de Merle, aquilo não era certo. Desceu-a com rapidez, afastando-se um passo, vendo-a tirar as peças molhadas.

Beth notou que Daryl afastou-se até chegar ao fundo do pequeno compartimento que era o box. Olhou-o novamente nos olhos. Não queria pensar. Não queria simplesmente deixar as coisas serem como eram, ela o queria. Não era certo, não era normal, mas era o que era. Livrou-se de todas as suas roupas e olhou-o. Aquele olhar sério e predatório que apenas ele e Merle tinham. Beth nunca havia visto aquele olhar em nenhum outro homem.

Sabia exatamente o que fazer. Conhecia exatamente o que deveria fazer. Submeter-se. Não era mais de sua natureza abaixar a cabeça, eles haviam lhe ensinado a bater de frente, a enfrentar, mas ali não. Entre eles não. Contra Merle e Daryl, ela sempre seria a submissa. E talvez, eles também fossem a ela. Se ela soubesse o momento de exigir isso.

Virou-se. Apoiou a testa contra o metal do box ouvindo o pequeno e rápido grunhido que deixou o peito de Daryl. Era isso. Era o máximo de submissão que lhe daria. Se ele soubesse aproveitar, ele o faria agora. E foi quando sentiu o corpo dele colar as suas costas. Quente, apesar da água escorrer gelada entre eles. Sentiu-o agarrar sua cintura com ambas as mãos.

“Não… não tem volta isso, garota.”

“Não sou uma garota.”

“Não, não é.”

Daryl beijou o pescoço de Beth, levantando o cabelo molhado, enquanto seu quadril empurrava o dela. Aquilo era errado, ela era de Merle. Mas então, ele… não conseguia mais. Ele adorava cada movimento dela. Cada risada. Cada leve toque. A força. A vontade de viver. E agora ele adorava aquele corpo. Os seios que cabiam perfeitamente em suas mãos. A bunda que era do tamanho exato para lhe deixar descontrolado. A pele macia. Os olhos inocentes, mas que tinham um fogo que ele não entendia.

Ela afastou as pernas brevemente, gemendo furiosamente enquanto sua mão a massageava por entre as pernas, um dedo enterrado com força dentro dela. Ela queria. Era isso. Ela era sua. Com um braço envolta da cintura dela, inclinou o quadril para trás, deixando-a exposta para si. Sabia que aquela era outra visão que ficaria gravada em sua retina. Bethanie inclinada na parede, esperando por si. Provocou-a um pouco, segurando seu membro por entre as pernas dela, vendo-a se contorcer, gemer.

Quando finalmente cedeu, enterrou-se de uma só vez dentro dela, o gemido forte e de dor dela vindo do fundo da garganta. Ela nunca deveria ter feito assim, naquela posição, com aquela força. Esperou um momento, suas mãos massageando as costas dela. E então ela empurrou o quadril para trás, indicando que queria mais. E foi o fim da sanidade de Daryl. Ele segurou-a pela cintura, os braços fortemente presos nela e começou a enterrar-se no corpo dela com força.

A rapidez, a força, a violência, transpirava Dixon. Beth achava que talvez não fosse aguentar. Achava que talvez não fosse conseguir escapar disso. Ele estava tão fundo, com tanta força, que via estrelas. Pequenos gritos escapavam de sua boca. E por mais que sentisse dor, ele estava levando-a a loucura. Apoiou as mãos na parede, fechou os olhos com força, seus pés quase na ponta dos dedões no chão. Ele agora colava o peito em suas costas e Beth parecia que conseguia sentir o coração dele bater em suas costas. Estremeceu uma, duas, três vez e então:

“Daryl… não... Daryl, para, para…”

“Não!”

A voz dele era grossa, rouca, baixa. E ela não resistiu. Era uma ordem. Queria que ele parasse, não queria terminar antes dele, mas não houve como. Tudo fora demais, e então veio. Seu orgasmo veio com tanta força que Daryl sentiu dor conforme ela o apertava. Segurou com uma das mãos o cabelo dela, beijando seu pescoço, mordiscando enquanto empurrava o quadril com força. Ao vê-la amolecer em seus braços soube que agora poderia se soltar. Segurou com as duas mãos o quadril dela e furiosamente estocou. Os pequenos gemidos de protesto e prazer dela apenas o incentivavam. Mais rápido, mais forte e lá estava. O abismo. Empurrou uma última vez, mordendo o ombro dela enquanto sentia jato após jato ser enviado fundo dentro do corpo dela.

“Beth.”

Ela estremeceu com a força de seu nome dito por aqueles lábios e a força do corpo que a abraçava e a segurava.

–-*--

Estava sentada nos pequenos colchões que lhe serviam de cama, seus olhos não miravam nada em particular. Na verdade, se houvesse algo a sua frente, ela não estaria vendo. Beth estava pensando no que fizera. Não poderia negar, os meses que se passaram fizeram com que eles se tornassem uma família. Os três eram uma família. Mas o que ela fizera… o que fazia dela? Ela os amava, não restava dúvidas. Amava os defeitos, as qualidades, tudo. Amava como eles a ensinavam tudo e amava como eles a protegiam. Amava as brigas. Amava tudo que poderia amar em sua família. Mas então, parecera que aquilo não bastara para nenhum deles.

Trouxe os joelhos para debaixo de seu queixo. Os olhos desviando-se para a janela aberta, a luz brilhava forte. Sabia que queria Daryl e Merle. Queria, não negaria. Mas como isso poderia ser? Como poderia querer, desejar e amar de forma diferente os dois homens? Como ainda sentia as mãos de Merle em seu corpo e a boca de Daryl contra a sua? Como desejava intensamente sentir Merle dentro de si, sentir a satisfação de Daryl escorrer dentro de si? O que ela era? O que havia se transformado?

O mundo não era mais o mesmo, as regras também não, mas aquilo era certo? Balançou a cabeça e decidiu deitar, dormir. Precisava descansar a cabeça. Se Merle voltasse durante a noite, saberia, ele havia dormido a seu lado todas as noites que Daryl estivera fora, e sabia que ele não intimidaria-se pelo irmão estar ali agora. Mas Beth lhe contaria a verdade. Beth contaria para Merle o que acontecera entre ela e Daryl. Mesmo que ele não mais a quisesse toca-la após isso, ela contaria a verdade, era o mínimo que poderia fazer.

–-*--

Enquanto Beth tentava dormir, Daryl observava-a do outro lado da cabana. Seus olhos corriam o rosto dela, vendo-a pensar seriamente. Também estava pensando. Pensando em como horas antes estivera enterrado dentro do corpo dela por três vezes, despejando-se dentro dela, vendo-a convulsionar ao seu redor. Passou a mão no rosto, decidindo sair para fumar. Precisava parar com aquilo, precisava parar de pensar nela daquele modo. Merle logo voltaria e ela voltaria para os braços dele.

Mas então, ele esconderia? Ela esconderia? Não tinha certeza se ela contaria, talvez a pequena ainda tivesse medo de Merle e do que ele poderia fazer com ela ao saber que Daryl havia transado com ela. Sorriu pelo canto da boca. No velho mundo as coisas sempre foram ao contrário, naquele mundo parecia que ele roubaria a mulher de Merle. Tragou seu cigarro com força, ouvindo o vento passar com força pelas folhas das árvores. Balançou a cabeça e tragou novamente, sua mente lhe lembrando como Beth ficava ao arquear as costas contra seu peito, estremecendo de prazer, lhe dizendo que aquilo doía.

Sorriu. Ele não tinha ideia se aquilo aconteceria novamente, se ela iria querer novamente. Mas ele queria. Ele queria o corpo, a mente e os olhos de Beth para si. Mesmo que isso significasse tira-la de Merle.

–-*--

Merle entrou na cabana e foi necessário apenas um olhar para Beth e para Daryl para saber o que tinha acontecido. Sorriu pelo canto da boca. Aquela merda estava cada vez mais interessante. Teria que conversar com seu irmão mais novo. Aquela menina não era uma putinha que eles poderia foder a vontade, Merle sabia bem que ele tinha sentimentos pela garota — mesmo que fosse a segunda vez na sua vida sentindo isso, ele reconhecia. E se Daryl não sentisse o mesmo, teria que manter-se afastado. Merle não sabia dividir nada em sua vida, mas ali tudo era bem diferente. E não deixaria que Daryl estragasse algo que ele gostava.

Viu que ela aproximava-se insegura e sorriu, abrindo os braços. O sorriso dela cresceu, os braços dela se soltaram em sua cintura, a boca seguindo para sua bochecha esquerda. Ouviu Daryl levantar-se da cadeira de balanço, aproximando-se. Sentiu o corpo de Beth tensionar brevemente. Aquilo foi interessante. Soltou-a e virou-se para Daryl.

“Irmãozinho, foi boa a caça?”

Merle sabia que Daryl vira em seu rosto que ele sabia. O sorriso malicioso, os olhos semi-cerrados. Daryl conhecia o irmão bem demais para não saber. Engoliu em seco, olhou sério para Merle, precisavam conversar. Ele precisava contar o que havia feito. Mesmo que aquilo significasse que algo quebraria entre eles. Assentiu brevemente e olhou rapidamente para Beth, que estava olhando de um para o outro, os olhos levemente arregalados.

“Vou fumar.”

–-*--

“Você fodeu a pequena.” Daryl tragou o cigarro com força antes de se virar e olhar o irmão. Era aquele momento. Ou Merle partiria para cima de si, ou eles resolveriam aquilo. Daryl só não tinha ideia de como. “E como foi?”

Merle riu da cara que Daryl fez. O mais novo não era como ele. Não gostava de falar dessas coisas. Apesar de que Merle sabia muito bem que ele era bom com as mulheres na cama, sabia que ele não era delicado. Sabia que ele não saberia tratar Beth como uma garota. Que era exatamente o que ela era. Merle ainda lembrava-se da noite em que chegara na casa de seu falecido pai, encontrando Daryl com uma mulher mais velha. Ficou orgulhoso do irmão. Daryl deveria ter 16 ou 17 anos na época. E ele a segurava pelo pescoço com força, quase sufocando-a. Ela gemia furiosamente embaixo dele, e Daryl fodia-a com toda força que tinha. A cama batia na parede, toda a casa parecia tremer. Daryl era aquele que gostava de dor, que gostava de infligir dor e de senti-la. Merle não tinha certeza se Beth era assim. Bom, ao menos já não tinha, pois havia acontecido algo e ele queria saber o que fora exatamente.

“Irmãozinho, ela é… incrível, não?”

“Cala a boca, Merle.” Daryl apagou o cigarro enquanto ouvia Merle rir.

“Ela não é uma putinha do apocalipse para sair fodendo, Daryl.” Isso pareceu puxar a atenção do mais novo e Merle ficou feliz com isso. Precisavam conversar. “Eu… acredito que Bethanie não é mais menininha nenhuma se já transou com nós dois.” Ambos engoliram em seco. Era aquele momento. “Merda, você a quer? Quer de verdade? Ficar com ela, transar com ela, cuidar dela... gostar dela?”

“Você quer?”

Ambos ficaram em silêncio por um tempo. Daryl puxou outro cigarro e acendeu um para Merle. Os dois tinham a resposta na ponta da língua e pelo olhar que davam um ao outro, eles sabiam a resposta. Mas precisavam falar em voz alta.

“Quero.” Merle disse primeiro e tragou o cigarro com força. Seus olhos colados no do irmão que olhava-o com a mesma força.

“Quero.”

“Então, ela vai ter que aceitar que é nossa.”

“Não vejo isso acontecendo.” o sotaque de Daryl ficou mais forte nessa frase. Ele estava irritado com a mera possibilidade dela não aceitar. “Ela…”

“Ela já abriu as pernas, Daryl. Ela já mostrou várias vezes que é nossa em outras coisas. Era apenas questão de pegarmos. E agora ela é nossa. Ninguém vai tocar em um fio de cabelo dela.”

“Para de falar essas merdas.” Daryl estava irritado. A todo momento Merle lhe lembrava que eles haviam feito sexo com ela. “Ela precisa saber disso antes de…”

“Tomarmos ela como propriedade?” Viu Daryl assentir. Merle riu. “Irmãozinho, uma mulher de um Dixon aguenta o tranco que for necessário. E ela já mostrou nos últimos meses que aguenta o que lhe for jogado. Ela aguenta estar com a gente.”

“Ela só tem 18 anos.” Daryl passou a mão nos cabelos que estavam grandes, Merle tragou enquanto levantava uma sobrancelha. “Ela não… não deveria foder com ninguém.”

Merle desatou a rir enquanto Daryl ficava mais irritado.

“Largue a mão de ser viado, Darlina. Ela transou com você, o quê, umas 2 vezes?”

Engoliu em seco, se como ele havia sido 3 vezes, quantas vezes teria acontecido com Merle em quatro dias que estivera fora? Olhou dentro dos olhos do irmão.

“Três.”

Merle deu fortes tapas nas costas do irmão, sorrindo enquanto tragava. Merle sabia que ela era deles. Eles apenas precisava acertar as coisas, apenas precisavam de uma conversa para que ela soubesse que ela era deles, que eles a teriam. Que ela sempre seria deles. Que eles a amavam, exatamente como ela demonstrava que os amava.

“Então, ela sabe com quem está lidando.”

–-*--

Beth vira pela janela que eles estavam conversando. Via Daryl sério e Merle rindo. Não conseguia entender sobre o que era a conversa, mas ao menos eles não estavam brigando. Sentou-se em seu colchão, puxando as armas que usava na ronda para perto e desmontando-as, começando a limpá-las. Precisava se distrair. Precisava tirar da cabeça que logo teria que conversar com eles, que eles teriam que se acertar, que teria que contar para Merle o que fizera com Daryl, e daí decidir o que fariam.

Um arrepio passou por sua espinha e várias munições de 38 cairam no colchão, algumas rolando para o chão de madeira. Apenas o pensamento de que eles poderiam deixa-la lhe fazia ter vontade de levantar e ir até eles, dizer que eles não poderiam se separar nunca. Eles eram uma família, e que se fosse necessário, não mais se tocariam, não mais se teriam. Ela sabia que sexo era algo que era normal entre pessoas que se amavam, mas se isso fosse destruí-los, ela preferia não ter.

Um aperto em seu baixo ventre lhe deixou saber que seu corpo protestava contra isso, mas sua cabeça comandava agora. Sua cabeça estava lhe dizendo que o mais importante agora era que nunca se separassem. Ouviu passos subindo para dentro da cabana e viu Merle entrar primeiro, seguido por Daryl. Viu o mais velho para a sua frente e olhou-o nos olhos, vendo que a verdade estava ali, que eles já haviam conversado. Outro arrepio passou por sua espinha, engoliu em seco.

“Bethanie, levante-se.” Sua voz estava rouca e Merle sabia que ela estava com medo. Nâo entendeu o medo, mas teve uma breve ideia. Viu-a se levantar, abraçando-a ele a beijou nos cabelos, ouvindo Daryl mover-se desconfortável. Virou-a em seus braços, deixando-a de costas para si e de frente para Daryl. Os olhos do irmão miravam seu rosto e o dela, sério. “Eu sei o que vocês fizeram, Beth.” Ela tentou se virar e Merle não deixou, ela precisava ouvir até o fim. Adorava cada pequena fibra naquele corpo, e queria-a para si, e ela aceitaria que era deles. Via que ela começava, mas precisava dizer-lhe exatamente aquilo que sentia, acalmar os ânimos dela. Não a perderia, não agora que a havia encontrado. “Eu sei que ele esteve dentro do seu corpo… e por debaixo de sua pele. Do mesmo modo que eu estive, não?”

Arrepiou-se. Ele corria o nariz por seu pescoço, o voz baixa em seu ouvido. O que Merle queria com aquilo? Estremecia com o pensamento de que eles a deixariam. Tentou virar-se novamente, mas ele a segurava com força, obrigando-a a olhar Daryl, que mirava seus olhos com força, sério, sedento.

“Eu não vou deixa-la ir, Beth, acostume-se, sou um filho da puta possessivo.” A voz dele era divertida, não entendeu. Olhou dentro dos olhos de Daryl, ele olhava-a do mesmo modo. “E Daryl… bom, meu irmãozinho é um filho da puta possessivo também.”

Quando viu a mão dele levantar e chamar Daryl para perto, o coração de Beth quase desistiu. Era aquilo, eles estavam aceitando. Eles estavam aceitando que ela amava-os, que os queria. Mas ela estava aceitando? Ela já havia aceitado? Sentiu o corpo de Merle solta-la, e logo os braços de Daryl a seguravam, as mãos dele, nada delicadas corriam seus cabelos, tirando-os de seu rosto. Olhou-o nos olhos, vendo o fogo dentro deles.

“É nossa.”

Duas palavras que Beth nunca mais esqueceria. O riso feliz e malicioso de Merle, os olhos sedentos e sérios de Daryl e sua felicidade e amor espalhavam-se pela cabana; o fim do mundo poderia vir, agora eles eram um, e nada nem ninguém os separaria.