–Sherlock's point of view-

Tinha conseguido aquela sensação gloriosa sucesso por ter movido o estojo de couro da sala para o quarto sem ninguém perceber e agora não se tinha uma pessoa por perto. Sherlock retirou o robe azul claro de tecido fino deixando-o cair sob a cama arrumada, levantou a manga do pijama, precisamente o braço esquerdo, as marcas estavam aos poucos se tornando mais discretas, no entanto cá estava, injetando novamente a porcentagem correta. Voltou a agulha para o estojo, alguns tapas no vidro para ter certeza de que tinha usado tudo. Sim, até a última gota, e agora de fato, só havia mais um vidro. Fechou o estojo, posicionando-o em cima da cômoda de madeira. Apoiou-se a parede sentindo tontura. Já havia se habituado e estava mais frequente sempre que aplicava. Sentou-se na cama observando o celular dela ao lado do estojo recém posto. Estava sem bateria, provavelmente de tanto mandar mensagens para Mary, John e entrar na internet. Essa semana tudo tinha sido corrido devido ao casamento de John e Holmes estava mais feliz do que demonstrava porque tudo tinha finalmente acabado. Levantou-se pegando o robe novamente, fechando com força ao redor do corpo enquanto saia do quarto e atravessava para a sala, o vento frio passou contra seu corpo no corredor. Parou por alguns momentos ali sentido frio, seu corpo se recusava, mas ele gostava. Encontrou chá quente ao lado da pia, pegou a xicara esquentando os dedos. O sabor era suave, mas estava doce além da conta, percebeu de imediato. Continuou bebendo enquanto deixava-se cair para o sofá. Chegou a conclusão de que essa era uma xícara abandonada. Gladstone dormia em cima de sua almofada com a bandeira, ele não se incomodava mais... E ali debaixo do tapete da porta da frente Hamish tinha escondido algo, o volume concentrava-se abaixo do tecido grosso. Talvez de manhã ele procurasse, sentia a dose recente fazer efeito.

– Boa noite Sherlock. – Assustou-se com a presença de Mary, piscou algumas vezes tentando encontrar foco.

– Não havia me dado conta de que ainda estava aqui. – levou a xícara aos lábios bebendo um longo gole de chá, fazendo a mandíbula arder de tão doce. Não conseguia reprimir uma careta de descontentamento ao chá. O que ela havia dito? Oh sim, boa noite. – Boa noite.

– Desculpe pela hora. – Ela disse, encaminhando John para baixo. Acenou puxando o livro que se sustentava sobre uma pilha de volumes clássicos que estava o violino, a pilha oscilou fazendo convidativamente o violino inclinar-se e deslizar pelos livros, Sherlock puxou antes que encontrasse o chão. Não lembrava onde estava o caderno de composição, provavelmente dentro do bolso interno do casaco. Começou a tocar esticando a corda entre os dedos, as pontas das unhas rosavam o instrumento, aproximou o violino ao ouvido direito, produzindo novos sons pelos atritos. Precisava anotar a nova melodia que se formava.

– Mary por favor, passe-me uma caneta.

Sherl.. Faz três horas que ela saiu com John. – Irene disse. Estava enrolada em um cobertor grosso sentada na poltrona perto da lareira. Tinha as mãos ao redor dos joelhos e bocejava constantemente. Seus olhos estavam pesados e ela tremia com frequência.

– Oh... – Pegou a xícara totalmente fria, o sol apareceria a qualquer momento.

Não deveria fazer isso com as pessoas.

– Não percebi... Estava compondo.

O que há com a janela? Não para de encará-la. – Holmes Puxou a cortina com força.

– Estou esperando o sol.

E eu o sono, pode voltar a tocar? – Aquele pedido simples havia lhe roubado outro sorriso.

– Claro.

Não sente sono? – Ela sussurrou, fechando os olhos claros. Ele pegou o violino voltando a tocar a antiga melodia.

– O efeito passou, agora sinto sono... – Continuou tocando observando a espessa camada de pó que cobria o lado mais alta da estante de livros, provavelmente onde Mrs. Hudson não alcançava. O sol enfim! Um dos poucos minutos que se podia aproveitar a essa época do ano. – Finalmente, que me diz? – Virou para observar seu rosto, ela já havia mergulhado em um sono calmo, natural. Colocou o violino no sofá, enquanto repousava as mãos sobre a cintura. E agora ele partia para a redenção das nuvens. Tudo era cinza novamente, a necessidade de nicotina o tomou, cinza, queima, cigarro. Desestabilizou-se. Tinha uma caixa guardada no banheiro que se recusava a pegar, porque queria utilizar em estrema necessidade. Talvez agora fosse necessidade, uma voz em sua cabeça indagava-se. Puxou a almofada de Gladstone para apoiar os pés, o movimento fez o filhote acordar, se fosse humano diria que estava com mal humor. Recusou-se a beber mais chá, elaborou o que iria fazer hoje, mas pareceu estranhamente sem opções.

Sherlock, você vai acabar dormindo no sofá, já viu o sol, porque não vai para o quarto? – Ela tinha acordado e agora chamava-o puxando o cotovelo.

– Vou já. – Ela saiu arrastando o cobertor sem ter escutado a resposta. O apartamento de John tinha as luzes agora sendo fechadas. Sherlock conseguiu ver uma tevê ligada por entre a cortina da janela, puxou o vidro respirando profundamente o ar gelado da manhã. Um táxi estava parado logo abaixo, na casa ao lado, um cachorro estava atravessando a rua e o carro de abastecimento de leite chegava para a lanchonete lá de baixo. Perguntava-se quantas vezes alguém tinha estado em sua janela a observar a mesma cena que ele em outras décadas e com outros recursos. Londres era tão velha quanto o início a história era o que diziam. Algo que ele sabia é que de fato, a Westminster Abbey era mais velha que muitos países, presumindo assim que Londres era mais velha que a abadia, e recordando que mantia as fronteiras medievais e com origem romano-britânica, fundanda em 43 d.C... Aquilo era Mrs.Hudson atravessando a rua? Olhou para a rua iluminada pela pouca claridade do dia. Mrs. Hudson usava três blusas grossas e um agasalho forrado enquanto arrastava um carrinho pequeno de compras vazio para levar para o supermercado. Observou o relógio. Cinco e quarenta e três. Fechou a janela e encontrou Gladstone apossado do lugar onde ele iria sentar. Prosseguiu lembrando-se de sua infância, de que tudo parecia normalmente sem mudança, Londres continuava cinza e antiga desde que lembrava-se, no entanto, apreciava, como se por acaso pudesse decidir, não escolheria outro lugar que não fosse aquele. Ele pertencia ali. Seguiu para o quarto batendo com os péscom força algumas vezes no chão de madeira. Empurrou a porta e fechou-a rapidamente, Irene voltou do banheiro com os pés descalços e um roupão confortável. Sentou-se na cama puxando dois travesseiros, porque curiosamente ambos dormiam com dois. Ele sentou-se ao lado dela, começou a examinar sua clavícula. Ela passou a ponta dos dedos pressionando o osso de seu tórax. Sherlock retirou o robe atrapalhando suas mãos nas de Irene, ela puxou sua blusa passando finalmente seus dedos pelos ossos como queria antes. Ela estava quente, tinha o olhar febril embora com sono, ele queria, muito. Puxou o roupão dela observando a curva dos seios redondos, pequenos. Retirou o resto do pijama, sentia ela o empurrar para a cabeceira da cama, segurou seu queixo beijando-a. Apertou o joelhos e as coxas, ela beijava seu ombro e contornava uma linha imaginária pelo seu pescoço. Com seu membro duro, abraçou-a pela cintura penetrando-a, enquanto passava os dedos pelos ossos das costas, ela suspirou pesadamente, provavelmente o começo de um gemido. Ele mordeu seu pescoço, transferindo o peso dela totalmente para o dele, segurando e apetando sua cintura contra seu corpo. Irene estava indo mais rápido, sabia que era para provocar, sempre começava rápido e terminava lento, a menos que perdesse o controle, de certa forma, durava mais, mas sempre chegava a um ponto de não conseguir aguentar por muito tempo. Sentiu curiosidade de seguir o ritmo dela, parou e deitou-se na cama entre os lenções apoiando-se nos cotovelos olhando para seu rosto. Ela mordeu os próprios lábios por um momento, sentada na cama observando-o, passou alguns segundos para compreender, até que sentou-se em cima dele, afundando em seu quadril, Sherlock ajudou-a puxando para si, apertando-a contra seu corpo, ela tinha os olhos fechados e arranhava seus braços, puxou-a mais para si, gemendo em seus lábios encontrado seus olhos. Ela chamou seu nome, gemendo e contraindo-se, então rolou para o outro lado da cama. De repente ele estava impaciente, tentou encontrar uma resposta rápida de seu recente afastamento, talvez a tivesse machucado em algum ponto, mas encontrou seu rosto limpo e um sorrido maldoso nos lábios. Novamente provocando. Ele tomou seu rosto mordeu seus lábios e passando os dedos pelos cabelos escuros. Então ele queria algo, poderia ser loucura, ou fantasia, tanto faz. Não havia obviamente muito conhecimento no campo, diferente dela, isso o deixava atordoado e por vezes guiava-se por extinto, mas ele queria algo. Afastou-se dela, puxando o estojo de coro ao lado do celular. Retirou a seringa e pegou o frasco com a droga, coletando-a.

– Eu quero experimentar, já que nunca fiz antes. – Ele disse, enquanto ela sentava-se ao seu lado, afundando nos lenções produzindo ondas que cobriam até sua cintura e por entres as pernas. Começou a aplicar a substância em si. – Se eu aplicar metade em mim, servirá para o propósito.

– Está falando... Que vai aplicar a outra metade em mim? – Irene perguntou, olhando para a seringa.

– Sim... Se você concordar. – Ele disse, retirando de seu braço e esperando por uma resposta. Ela acenou positivamente estendendo o fino braço esquerdo. Ele aplicou lentamente observando sua reação, todavia ela continuava imóvel, apenas. Holmes guardou a seringa e o frasco, a última dose fora-se.

– O que exatamente essa faz? – Ela perguntou, analisando a recente picada ao braço.

– A dose pela metade será suficiente para ampliar sensações, ele tocou com a ponta dos dedos o rosto dela. Sentiu a tontura novamente, e agora estava esperando pelo efeito. Levantou-se da cama e seguiu para o banheiro pegando facilmente um cigarro escondido dentro da caixa acima do espelho embaçado do banheiro. Pegou um isqueiro antigo, com nada mais, nada menos que o brasão da família Holmes e todas as porcarias de descendência que ele não ligava, estava largado a tanto tempo no fundo da gaveta da mesa. Encostou-se na mesa de madeira sentindo-a áspera contra seu corpo, acendeu o cigarro e atirou o isqueiro em cima da mesa, arranhando a madeira. Tomou-o por entre os dedos tragando e soltando um pouco de fumaça. Respirou fundo e voltou para cama oferecendo para ela.

– Está conjurando seus demônios. – Ela disse, pegando o cigarro e provando-o de forma elegante. Deu-se conta de que gostava de vê-la fumar, assim como gostava de seu corpo contra o dele, ele recordava tinha lido em livros, entretanto a sensação era muito melhor. Puxou suavemente as pernas dela fazendo com ela se deitasse, seus dedos puxaram seu pescoço quando ele afundava-se novamente observando seus olhos e sua boca entreaberta. A dose não havia feito tanto efeito, sentia levemente entorpecido contudo só, suficiente para não perceber o que estava ao redor, como qualquer som que não fosse o dela, chamando por ele. Em certo ponto estava gemendo, então mordeu o pescoço dela para controlar-se, puxando seu corpo para si com mais fome, enterrando seu rosto em seus ombros, sentia ela morder o lóbulo de sua orelha, as unhas enterradas completamente em suas costas, então uma desprendeu-se de sua pele, apertando o lençol. Adler mordeu o lábio inferior de Sherlock com força, de todas os desejos sádicos dela, ele considerava aquele sem dúvida o mais brando. Ela besliscou-lhe a palma da mão sorrindo.

– Achava que aumentava com tempo... – Ele disse pausadamente com a voz rouca.

– O quê...? – Ela perguntou, mais como um gemido, tinha que concentrar-se no que ela dizia para entender entre os sussurros.

– A gravidade dos atos...

– Não vejo um chicote por perto. – Ela riu, empurrando seu corpo contra o dele, forçando assumir controle, ele caiu no chão, fora da cama junto a alguns lenções. Estava levantando-se quando ela o empurrou contra a mesa, imediatamente ele puxou suas pernas ao redor de sua cintura, empresando-a contra a parede. Ele afastou com a ponta dos dedos os cabelos de seu rosto. O rosto dela assumia agora o corado bonito que só surgia naquelas horas. Ele tocou o corpo esbelto, sabia que ela havia descoberto o seu ponto fraco, no primeiro dia havia usado a inteligência e algo mais, o corpo atraente, contudo, ele tinha como favorito o que era interessante e fascinante que era a genialidade. Passou o polegar na curva dos seios, sobrepondo-se apertou o mamilo rosado conseguindo um suspiro. Ele estava tentando controlar a situação quando ela entrava de forma mais rápida e segurava por algum tempo. Apertou-a novamente contra a parede, não teve protestos se estava machucando-a, mordeu o pescoço dela no momento de prazer, querendo escutar apenas os gemidos altos embora sentisse o mesmo. Ela deixou os braços segurando seus cabelos de forma suave. Levou alguns segundos para o entorpecimento passar, Irene deitou-se na cama puxando o cobertor em volta do corpo, tremendo subitamente.

– De todas as horas para ter frio, você sente agora. – Ele disse, observando o cigarro corroído no canto do cinzeiro com as sobrancelhas franzidas. Acendeu outro, agora atirando o isqueiro dentro de um porta lápis que tombou para o chão.

A mira é boa, mas foi grosseiro. – Ela disse, referindo-se ao isqueiro. Pegou o cigarro sentando entre suas pernas com lençol por toda parte.

– Na cama também. – Ele sorriu, mordendo o próprio lábio e assanhando os cabelos. – Deveria pedir por misericórdia?

Deveria. – Ela riu, devolvendo o cigarro. – O seu comportamento muda sempre.

– hmm, hm. – Continuou tragando e soltando fumaça com a mandíbula rígida e os olhos contraídos.

Eu diria, mais virgem impossível, no entanto, o comportamento grosseiro o contradiz.- Ela falou, o sotaque inglês pareceu muito mais forte agora. – Mas não é sadomasoquista... – Ela disse, puxando o travesseiro e fechando os olhos. Sherlock continuou fumando e observando a chuva.

••• ••• ••• ••• •••

Havia acabado de acordar, estava plenamente ciente da ponta dos dedos dela em seus cabelos, tinha adormecido segurando sua cintura e ainda estava. Não havia dúvida de que ela estava acordada, só não sabia por quanto tempo estava simplesmente acariciando seus cabeços e observando a claridade da janela. Os ossos da maçã do rosto pareciam se destacar e os cabelos estavam jogados na cama. Ele achava cada vez mais convidativo dividir a cama daquela forma. Levantou-se levando o cinzeiro para o banheiro. - Boa tarde.

– Boa tarde. – Sherlock respondeu, voltando para o quarto e mexendo em alguns cadernos. Virou subitamente para Irene e pegou-lhe o braço examinando a picada.

Não estou machucada. – Ela disse, gravando as unhas em seu braço, puxando-o.

– Acho que drogar você e fumar não foi correto... Mas não chego a ter certeza... No entanto não peço desculpas porque faria de novo.

Sei que sim. – Ela sorriu, esticou o braço para pegar o pijama de Sherlock, vestiu sua blusa e enrolou as magas até os cotovelos. Levantou-se e puxou Sherlock da cama. – Vamos, levante, já é tarde e eu estou faminta.

– Quais são seus planos? – Ele perguntou, seguindo-a para o banheiro. Irene ligou a água quente para tomar uma ducha, retirou o pijama, até certo ponto tomavam banho direito, até Sherlock ter o cabelos completamente cobertos por shampoo além da conta, Irene modulou os cabelos dele de vários modos, até a água retirar o resto de shampoo e sabão de ambos e Sherlock se curvar e apoiar o rosto no ombro dela e o corpo em suas costas, ela apoiou-se ao azulejo pegajoso. – Fondue... – Sussurrou, quando os lábios dele passavam em seu pescoço, a pele arrepiada.

– Fondue. – Repetiu. Ela puxou a toalha segurando em seu ombro e enxugou-se enrolando-a ao redor do corpo, Voltou com outra para ele e depois sumiu novamente para vestir-se. Escolheu uma calça qualquer no guarda-roupa, puxou uma blusa branca e os sapatos de couro preto mais próximos que achou, vestiu tudo lentamente e aguardou encostado na mesa de madeira com os braços cruzados observando ela vestir-se. Por fim, calçava os saltos e tinha os cabelos soltos de um lado apenas, com os cachos ondulando nas pontas. Saiu do quarto atrás de Hamish que usava pijamas e desenhava em uma prancheta própria em frente à tevê.

– Vão sair? – Ele perguntou, colocando o lápis de lado e afastando para Sherlock sentar-se ao lado dele. Ainda usava seu pijama e pantufas , já passavam das duas da tarde.

– Vamos sair. – Sherlock disse, pegando o telefone da base que estava sobre a mesinha de vidro em frente ao sofá.

– Posso ir de pijama? É confortável... – Ele disse, deitando por cima de Holmes, apoiando sua cabeça em seu ombro. Sherlock tocou-lhe os cabelos e a face, sorriu.

– Pode.

– John também vai? – Ele perguntou.

– Estou tentando ligar para ele... Se você soltasse o telefone...

– Posso ligar? – Ham perguntou, estendendo a mão.

– Pode, apesar de não ter sentindo. — Entregou-lhe o telefone. Era só uma criança afinal.

– John é diferente... John entende, me vê diferente... Assim como você e mamãe, não somos iguais aos outros somos? E esse machucado em seu rosto? Porque vocês dois não me contão nada? Nunca contam... Sempre viajamos, sempre sumimos e fugimos de algo... E John é a única pessoa que parece estável, porque não podemos ser como ele? John é bom... Seria um estado de mente ser John...? Ou a pessoa John?

– John não é estável Hamish, serviu no Afeganistão e isso é suficiente para desestabilizar alguém e mesmo que a vida dele pareça plenamente perfeita para você, ao contrário do que pode parecer, ele gosta de aventuras.

– Poderiam me levar em aventuras com vocês... Prometo ficar quieto! E quando o bebê de Mary crescer, podemos ir todos juntos!

– Não é um parque de diversões Ham.

– Eu sei, não gosto de parques, não vejo sentido... E todos os brinquedos legais eu não tenho altura nem idade suficiente embora todos falem que sou alto demais para minha idade... E quando vamos ver a avó? E o vô? Ele se parece com você... Falava diferente também. Eu gosto dele, você parece não gostar... Nós nunca vamos visita-los... Não gosta de Mycroft, não é? Pois eu acho que gosta, mas de um jeito diferente, e ele também, vocês sabem disso. Nas férias prometa-me que não viajaremos, não quero sair daqui. Eu gosto... E de Mrs.Hudson também... – Ele tomou folego por um momento. – Prometa-me algo mais. Prometa-me que eu não voltarei para aquele apartamento.

– Gosta daqui?

– Gosto... Mas não quero voltar para lá. Para lá não, por favor.

– Porque acha que vai voltar?

– Porque é sempre assim, vocês estão bem e depois desentende-se, estou só aguardando, quando a hora chegar, não me tire daqui.

– O que tem no outro apartamento?

– Tem James. James morreu, sim, eu sei, mas ele aparece em meus pesadelos... – Sherlock estava pronto para argumentar. – Eu sei, sei o que vai dizer, que é meu subconsciente, mas ele sempre aparece uma vez ou outra, só para me lembrar de que esteve presente, geralmente ele puxa meu pé ou me empurra da escada... Tem vezes que grita meu nome e juro, juro que acordo escutando sua voz... – Parou por um momento e sorriu. – Não estou me sentindo aliviado.

– Era para sentir?

– Sim, dizem que quando contamos nossos pesadelos, podemos ficar aliviados porque se contarmos eles não irão acontecer, mas não sinto nada. Seria motivo para John examinar-me? Ele tem uma caixa de primeiro socorros completa... – Irene estava rindo escorada a porta. Abraçou Hamish e desceu para conversar com ele. Sherlock ligou para John marcando o restaurante. Desceu as escadas e encontrou John saindo ao mesmo tempo com Mary e acenando a poucas distâncias. Os dois táxis já haviam sido chamados e aguardavam. Acomodaram-se em seguida, com a vaga lembrança de que o trajeto era longo. Ao todo, Sherlock tinha examinado nove vezes a janela lateral do táxi, puxado a linha do banco, desembaçado com o braço o espelho, estralado os dedos, mordido os lábios, e o que mais fazia e no momento estava fazendo, puxando o cabelo para trás enquanto contava mentalmente até cem e voltava todos os outros processos. Era sem dúvida um dos restaurantes mais antigos de Londres. Preservava alguns brasões de conquistas medievais na faixada, o piso da escadaria estava desgastado, ainda tinha tudo úmido pela chuva e algumas poças. Saiu do táxi e encostou-se no corrimão da escada, tinha esquecido de que andar com Mary poderia ser um tanto exaustivo às vezes, não por sua culpa, apenas pela situação. Via-se faminto e portando de grande educação, a qual, estava esperando ela tirar fotos lentamente e continuar a retardar todo o passeio sem Sherlock ao menos reclamar, porque no momento ser educado era o que parecia mais apropriado a se fazer. De alguma forma estava pagando pelo incêndio que causara, aquilo o tirava dos nervos, só poderia ser pelo incêndio. Porque tinha que fazer tudo... Tão LENTO?! Estariam quites assim que a noite terminasse, embora ela nunca fosse desconfiar de que fora ele... Não reprimiu o sorriso formado. Abriu a porta para Hamish passar seguido por Irene, alguns gestos que se passam imperceptíveis ajudam ao subconsciente a capitar a ideia para a pessoa sem que ela perceba. Demorou alguns segundos quando ele adoraria gritar, ANDE LOGO, PERCEBA ISSO! Então ela guardou a câmera e agradeceu por ele ter segurado a porta passando com John. Por enquanto, pelo menos o subconsciente não era de total desacordo.

– É historicamente completo. – John falou, com as mãos na própria cintura enquanto observava uma estátua no salão da frente para reserva de mesas.

– A propriedade passa de geração para geração. – Sherlock disse, observando a família da foto que estava tão alta que parecia grudada ao teto, junto a tantas outras fotos antigas, que obviamente não era editadas. Alguns empreendedores segurando as mãos de outros, mas no fim, era tudo em família.

– Oh, sim, não havia visto as fotos. – Ele disse, passando as mãos umas as outras produzindo atrito enquanto cobria a broca na esperança de passar o frio. Perceba os detalhes John, era o que queria dizer naquele momento. – Quem é aquela? – Perguntou ele, apontando para uma moça sentada em uma cadeira de madeira com as mãos ao colo, os cabelos presos e o sorriso casto. A qualidade da foto não era tão boa, mas ele conseguia perceber a aliança na mão esquerda, além do estilo de roupa que uma jovem solteira naquela época não usaria, presumindo então que obviamente tinha filhos.

– Quando só se tinha a opção de filhas mulheres na sucessão, faziam-na conservar o sobrenome de origem. Acredito que tenha sido assim desde o começo dos tempos. — Conseguiu uma boa mesa de frente para o jardim. O vento corria livremente, todas as mesas eram muito próximas, cada uma possuía lareira. O vinho era liberado, sendo a vinícola acessível a qualquer um que pudesse levantar para escolher o produto que mais agradasse, além de alhos espalhados na bancada de madeira, algumas comidas eram feitas no próprio salão, com as pessoas observando e escolhendo como queriam. Acomodaram-se em uma longa mesa de decoração original, Holmes colocou o casaco ao redor da própria cadeira e sentou-se apoiando os cotovelos na mesa e unindo a ponta dos dedos. Tinha o olhar fixo na pintura da frente, um cavaleiro com uma espada prata cravada ao peito de um homem que jorrava sangue, parecia estar desfalecido ao chão, constatou que odiava a pintura. Alguém havia se dado ao trabalho de mandar fazer uma pintura de si mesmo e colocar no restaurante, já que se passa de geração à geração, veriam como se ele fosse mais antigo do que o normal, no entanto o trabalho estava absurdamente sem referência, as vestimentas incorretas para o tempo e o rosto atual demais para qualquer tentativa fracassada. Pediram fondue, Hamish estava lendo sobre como analisar a caligrafia das pessoas e dizer os estereotipo. Sherlock retirou as luvas, tornou a esquentar as mãos próximas à lareira. A conversa fluía normalmente, sem necessidade de preocupações. Conseguia observar o terreno verde escuro elevado contrastando com a rua da frente que possuía um apartamento recém construído com uma faixada moderna. A comida chegou, pão de alho em uma travessa grande, recipientes com queijo quente que borbulhava, chapa para esquentar carne e cascata de chocolate quente. Banana, morango, sorvete de baunilha, creme de caramelo marshmallow, carne crua com tempero, frango e salsicha branca. Pimenta, uva, alho e azeite, todos espalhados pela mesa. A ordem correta seria, fondue de queijo, carne e chocolate. As carnes foram postas para tostar com pinceladas de manteiga e sal grosso. O cheiro fazia a boca umedecer. Watson falava que havia sido aceito no consultório do familiar de Mary, Ham só comia o que colocavam ao prato sem retirar a atenção do livro. Os garçons trocavam os pratos e reabasteciam a comida com frequência, Sherlock comia apenas carne, apreciando a textura macia e salgada, algumas carnes estavam mal passadas, ele engolia e conseguia sentir perfeitamente “ carne sagrando”. Petiscou a salsicha branca com azeitonas, tempero, pão de alho e bacon da chapa, com batatas fritas e pimenta. Há tempos não apreciava a comida daquela forma, depois , só restava a mesa comend,o John e Hamish, que mal havia tocado a comida, agora comia o fondue de chocolate com sorvete de creme e banana.

– Posso levar os pratos? – O garçom perguntou, analisando a mesa.

– Pode. – John respondeu, comendo o último pedaço de pão mergulhado no queijo derretido. Com a conta, o homem entregou um guardanapo e uma caneta para Sherlock.

– Se não for incômodo, posso ter o seu autógrafo?

– Oh... Sim, sim. – Sherlock pegou a caneta e rabiscou rapidamente no guardanapo.

– Sou seu fã, desde o começo, não lhe abandonei nem quando você morreu...

– Não morri ainda, obrigado. – Devolveu o guardanapo e sorriu.

– Não é nenhum truque, eu tenho certeza! Sabe de minha vida todinha não é mesmo? Então, o que eu posso fazer para chamar...

– Não, não, eu não sou conselho de vida pessoal, sugiro ou psicólogo ou um assistente particular. Eu poderia ajudar assim que nada estiver ao seu alcance.

– Como assim?

– Ajudarei no dia de sua morte... Literalmente. — John sorriu para o rapaz e riu do que Holmes disse.

– Oh, Sherlock... Não assuste o rapaz.

– Não estou assustando. Esse bairro é luxuoso, mas não devemos descartar a possibilidade de que é perigoso. Como conheço bem, esse restaurante possui rodízio de funcionários que revessam-se para fechar todo dia... Seria perfeitamente comum que em meio a um desses dias ele tivesse a possibilidade de 38,6% de ser apreendido por assaltantes ou qualquer pessoa interessada tanto no dinheiro como nas obras de arte que comportam aqui um grande acervo... É uma recomendação que você quer? Viva enquanto pode, leia o máximo que puder, porque embora a vida seja curta e única, assim será mais fácil de viver numerosas vezes.

– Pode me dar o seu autógrafo também? – Ham perguntou, entregando-lhe um guardanapo.

– Quer analisar a caligrafia.

– Isso mesmo. – Ele sorriu. Na saída do restaurante via-se tumulto e discussão. Quando atravessavam as portas, um leque de fleches foram disparados, alguns repórteres brandiam o microfone como espadas e precipitavam-se cobrindo as perguntas dos outros, na lei do melhor.

– Mr. Holmes, o que tem a dizer sobre a Yard?

– A criança é sua?

– O fenômeno da internet está de volta, o ilustre Sherlock Holmes e o fiel escudeiro John Watson... Ai está... – Sherlock retirou o óculos preto do câmera man e colocou-o, cobrindo os olhos claros dos fleches. O homem a princípio levou um susto, depois, descontente, tentou protestar e pegar de volta, entretanto Holmes desviava de sua mão franzina e por vezes andava para lados opostos, caminhava de cabeça baixa, por pouco não fora atingido por um microfone. Irene foi puxada e o casaco de John rasgado. Hamish permanecia incólume, batendo o livro grosso e pesado em quem lhe chegasse perto.

– Mr. Holmes, Mr. Holmes, o que tem a dizer sobre o envolvimento com Irene adler?

– A Yard aprova seus métodos?

– ... Matou James Moriarty?

– Tinha um caso da monarquia...

– Parem com isso! – John gritou, liberando o braço de Mary de um jornalista enquanto ela protegia a barriga. Extintivo, Sherlock pensou. – Já chega! Perdi o meu casaco, estou sendo quase pisoteado e Sherlock não consegue responder com os microfones voando por seu rosto, tenham educação! – O silêncio tomou todos, Sherlock atravessou a rua e encontrou apenas um táxi livre.

– John, John! – Chamou. – John atravessou a rua com Mary, Sherlock puxou rapidamente a aporta ao mesmo tempo em que praticamente atirava Mary dentro do carro. – Você conseguiu tempo, tempo suficiente para você.

– Não, vamos todos juntos.

– Mary precisa ir agora. Entre logo no táxi. – Os repórteres corriam com mais fleches e atravessavam a rua. Hamish estava ao lado de Holmes, Sherlock puxou-o pela cintura e coloco-o pela janela do táxi. Entregou o livro junto.

– Eu vou ficar. – John falou.

– Ande logo! – Irene segurou o braço de Sherlock e sorriu.

Nós vamos ficar. – O táxi partiu com dificuldade, novamente estavam cercados de pessoas questionando. Filmando e tirando fotos. Holmes andou na calçada fazendo o vento bagunçar o casaco e os cabelos. Levantou a gola.

– Você matou James Moriarty? – Um jornalista perguntou. – Veja quê, não nos falaram bem o que aconteceu naquele prédio e só se tem a palavra do senhor contra a de um morto. Não acha que seria fácil demais pensar que é claro que o senhor iria mentir, com todo respeito, sobre a morte dele? Quais provas termos de que ocorreu suicídio? O senhor poderia ter utilizado luvas para matar o falecido James Moriarty...

– Ele matou. – Aquela voz destacou-se de todas as outras. Ele sabia a quem pertencia. Cerrou os lábios e formou um sorriso seco. Kitty Riley, a jornalística que tinha feito a matéria sobre Moriarty. – Sabemos que matou Mr. Holmes, eu tenho certeza e ainda provarei, farei justiça.

– Não tenho qualquer preocupação com o que você acha ou o quer fazer, não matei James Moriarty.

– Não matou James Moriarty, mas Richard Brook? É por isso que ninguém vê o erro. Você recusa ter matado Moriarty, mas lhe pergunto, nunca ninguém viu você recusar ter matado Richard Brook. Como fez? Apertou o gatilho ou pagou para que o silenciassem? O homem que você afirma conhecer não existe, é uma fraude!

MORIARTY WAS REAL!

– Não existe qualquer arquivo, essa pessoa nunca existiu, no entanto Richard Brook tem uma carreira artística como bem sabemos, assim você o contratou!

Richard Brook em alemão é Reichenbach! Ele disse que me devia a solução do problema final.

– Não me fará de idiota.

– Não preciso fazer nada para contribuir para isso. – Andou para o outro lado tentando achar outro táxi.

– Não possui respostas para o que lhe perguntei? – Ela gritou do outro lado da rua com um gravador.

– Há todos os tipos de fofocas na impressa, palavras suas. Aposto que tem gravado isso também. – Conseguiu um táxi no final da rua. Irene puxou a porta e sentou. John respondeu a algumas perguntas e também entrou no táxi. Holmes sacou o celular, estava a ponto de falar o endereço, quando Riley apoiou-se na janela do carro, de frente para ele.

– Existe outras maneiras de eu conseguir sua atenção Mr. Holmes. Pode ser conquista, admiração ou impressão, que me diz? Você me enoja. – O táxi partiu, deixando o rosto dela sorrindo ainda na mente dele, conseguia ver nitidamente e escutar o que ela havia falado no replay. Irene Adler. Virou para fitar seu rosto, ela tinha a expressão séria e calculista, os olhos estavam fixos em algo e mudavam de tempos em tempos. Passou a mão suavemente pelo cabelo e sorriu por fim, notando como se tudo voltasse a realidade.

Eu sei o que quer fazer, só não estou certa sobre isso.

– Eu estou.

– Do que estão falando? – Watson perguntou. Sherlock retirou os óculos e guardo-os no bolso interno.

– Pouparei meu tempo. Hoje foi o dia em que a carreira de Riley terminou para sempre. – Ele sorriu sentindo uma sensação de desafio enquanto o vento leve passava pela janela. O celular nas mãos começou a vibrar, segurou o aparelho olhando para o texto conhecido. “ POR RAIOS, NÃO ATENDA!” Pressionou o celular contra o ouvido. – Mycroft... Sua pontualidade é incrível. Perdoe-me, mas poupe-me de seus assuntos nesse estante. Há algo que tenho em mente... – Sentiu os olhares de Irene e John surpresos, mas o que mais apreciou foi o sorriso de Adler. Ela sabia. Sabia que ele iria fazer o jogo dela, o jogo do começo. A manipulação seria óbvia, observou-a novamente. Ela era hábil e rápida, e... Perturbadoramente brilhante. Se pudesse classificar, teria dito que nunca havia conhecido nenhuma mulher tão, Irene Adler. — Necessito de um favor seu... Mycroft.

Notas finais
Bom, tetei fazer o melhor escrevendo sobre Sherlock... Seria muito dificil fazer em primeira pessoa, todas as deduções e racicionio rápido... Então optei por fazer assim. :D Espero que tenham gostado da pequena surpresa. Para alguns que perguntaram sobre a nova fic de Star Trek, prometo postar em breve, ainda estou tendo alguns problemas com a capa por isso a demora... Um abraço a todos! Obrigada por continuar acompanhando! :D Nesse capítulo consegui trazer Kitty Riley de volta! Estou um pouco chateada com o novo layout das histórias... Os comentários não aparecem mais :(