Would You Have Dinner With Me?
11 Não vê para onde anda?!
Notas iniciais
http://www.rainymood.com/
chá e cupcakes rsrs'. ( Mais britânico impossível). ;]
– 3 ANOS DEPOIS -
–* Watson Narrando*-
–Não Mrs. Hudson, estou falando, o jornal estava aqui. -Sentei-me na poltrona e vasculhei o estofado. Nem sinal do jornal, nenhuma folha sequer.
– John eu deixei no primeiro degrau da escada. – Disse ela, colocando um casaco e arrumando um bloquinho apressadamente dentro do mesmo.
– Não estava lá Mrs. Hudson acabei de entrar. – Peguei uma xícara de chá que supostamente era para estar quente.
– Então eu não sei o que aconteceu. Eu compro outro assim que passar na farmácia para comprar minhas ervas.
– Não precisa. – De fato eu estava curioso, estava fuçando o jornal há tempos lendo sobre o caso em que um homem foi morto e o assassino não deixou suspeitas. Estava acompanhando e não perdia nada.
– Mrs. Hudson! — Gritei passando rapidamente escada abaixo. Ela estava na porta e olhou assustada para mim. – Vou sair.
– Isso é ótimo, faz bem pegar um ar, eu passeio todos os dias. Eu estava assistindo no programa matinal que se misturar chá com... – Caminhei pela rua escutando Mrs. Hudson tagarelar. Estava claramente animada por eu sair de casa. Eu ia para o trabalho e voltava. Só isso. Lestrade sempre ligava ou aparecia nas folgas às vezes apenas para conversar, outras para jogar cartas e para saber se eu estava vivo. Mycroft aparece uma vez em dois meses. Parece que segue algum tipo de regra ou calendário. O fluxo de pessoas diminuiu aos poucos na Baker Street 221-B. No começo com a morte de Sherlock, várias pessoas apareceram curiosas para perguntar, tirar fotos ou me importunar com piadas e sorrisinhos. Depois, apareceram aquelas pessoas em que não sabiam da morte de Sherlock, para perguntar sobre solução de casos etc. Depois todos sumiram, finalmente.
– Até mais Mrs. Hudson! – Falei dobrando na rua a minha esquerda enquanto ela acenava e seguia pela direita. Andei mais ou menos duas quadras até chegar à casa que me chamava atenção nessas últimas semanas.
– Vejam quem está aqui. – Escutei a voz de Sally. Estava ajeitando a faixa ao redor da casa. -Esses vândalos sempre tiram. — Ela apontou para algumas faixas rasgadas no chão. Lestrade saiu de dentro da casa e seguiu para perto de mim com um enorme sorriso.
– Watson! Mas olhe só... – Me deu um rápido abraço. – Que faz aqui?
– Me interessei pelo caso. – Apontei para a casa.
– Ele não pode entrar. – Falou uma mulher ruiva ao lado de Lestrade.
– Ele pode. Deixem-no dar uma olhada.
– Ele é detetive? Policial? – A mulher perguntou apertando os braços e batendo o salto alto na calçada.
Lestrade levantou a faixa e indicou para a casa. Passei por baixo e caminhei até a porta.
Um homem havia sido morto e ninguém sabia o que tinha acontecido. Levou um tiro que ninguém sabe de onde veio, entrou na casa sem ninguém saber, ver ou escutar. Lestrade passou-me luvas, peguei-as e coloquei rapidamente. A mulher ruiva empurrou a porta da entrada da casa para Lestrade e eu passar. Estava claramente com raiva da minha presença. Entrei observando as paredes e janelas. Um lugar marcava onde o corpo do homem estava. O meio da sala estava completamente cheio de placas com números e papéis.
– Consideraram a arma ter um silenciador? – Perguntei, me abaixando no tapete onde tinha marcas de sangue.
– Não sabemos, mas Sally falou sobre isso.
– A causa da morte foi mesmo pelo tiro? – Passei a mão no lugar onde o tapete tinha embebido o sangue.
– É muito sangue realmente, mas ele morreu pelo tiro. – Respondeu Lestrade, mexendo na lareira em frente ao tapete. Tentei analisar e seguir os passos que Sherlock fazia em cada caso e crime. Sem sucesso. Se ele tivesse me perguntado o que eu achava provavelmente estaria agora falando novamente “Você vê, mas você não observa”, mas ele não está aqui. Ele se foi. Meu melhor amigo se foi para sempre.
– Bem, o tempo acabou. – Falou a ruiva, olhando o relógio no braço dela. Estendeu a mão para mim.
– Tenha calma ele acabou de chegar. – Lestrade protestou. Estava nervoso e mexia muito as mãos ao falar com a mulher.
– Não, não tem problema. – Tirei as luvas e entreguei a mulher. Sai da casa, Lestrade me alcançou quando eu estava na calçada. – Seria melhor se vocês divulgassem o nome do homem que morreu. – Comentei olhando para os lados, procurando não ver a ruiva. — Suponho que a família dele seja bastante rica.
– Não conte a ninguém... – Lestrade pigarreou. -Desculpe Watson, queria que pudesse ficar mais.
– Não se preocupe, eu vou continuar a acompanhar o caso de qualquer forma. – Segui pela rua deixando-o para trás. Agora estava chovendo, muito comum em Londres. Eu andava tão rapidamente como se fosse para pensar na mesma velocidade, o que acontecera com o rapaz? A policia não revelava quase nada, ultimamente o que saia no jornal ainda era o pobre Lestrade tentando acalmar as pessoas, mas revelava pouco sobre o caso. Cheguei à conclusão de que todos esses casos poderiam ser facilmente solucionados se Sherlock estivesse vivo, o que me leva a pensar que definitivamente Londres teve uma enorme perda. Andei alguns quarteirões e cheguei a um Café. Parecia um Pub, mas não vendia bebida alcoólica e em geral, fechava cedo, não servia muitos tipos de comida e poucas pessoas frequentavam. Entrei puxando a porta de vidro com detalhes de madeira. O ambiente inteiro tinha cheiro de café.
– Watson! – Gritou a moça atrás do balcão. — Vai querer jogar hoje? – Ela pegou algumas cartas e sacudiu freneticamente nas mãos. Obviamente não era com ela que eu iria jogar, mas ao que parece minha companhia era bastante solicitada.
– Vou sim. – Cheguei sorrateiramente no balcão observando quem estava jogando.
– Faz tempo que não aparece, como está?
– Bem, andei ocupado... – Apontei para uma mesa no canto. – Vou jogar com eles.
– Ok. – Ela guardou as cartas e seguiu para a mesa onde eu apontei. Passei por entre as mesas e quase derrubei um chá de uma mulher que teclava rapidamente no computador. Deu-me um olhar de raiva quando eu equilibrei a xicara na ponta da mesa.
– Desculpe.
– Watson! Watson venha logo aqui! Sente! – Um senhor de cabelos brancos puxou uma cadeira na mesa deles para eu sentar. – Por onde andou? Jogue conosco!
Sentei calmamente e repeti que andava ocupado.
– Se for para apostar eu não tenho grana. – Um homem de cabelos castanhos claro resmungou do outro lado da mesa.
– Ele tem, mas sabe que vai perder para você. – O velhinho me cutucou e sorriu. Eles embaralharam as castas e tornaram a distribuir rapidamente. Começamos a jogar, uma vez ou outra eu pedia chá com leite. Todas as minhas jogadas eram sempre bem calmas, modéstia a parte eu jogava perfeitamente bem.
– Mas sério Watson... – Falou o velhinho entre uma rodada. — Qual sua desculpa de estar ocupado? É uma mulher?
– Não, nada disso. – Sorri. É verdade que eu estava bastante interessado em uma mulher no consultório. Mary era o nome dela, mas nunca conversamos muito. – Estava lendo sobre o assassinato na Park Lane.
– Ah, eu soube. Ficamos de luto por um tempo. Conhecíamos o coitado, vivia jogando conosco.
– É mesmo? – Perguntei com interesse.
– Sim, Ronald Adair o nome dele. Eu vivia perdendo para o coitado. Jogava muito bem, foi morto desse jeito... Era um rapaz tão bondoso, não sabia que tinha inimigos.
Peguei minha carta e passei a ponta dos dedos pela parte colorida enquanto todos ficavam em silêncio.
– A policia sabe que ele jogava cartas com vocês?
– Não. Os negócios não estão indo muito bem e se a polícia bater aqui com certeza irão perder clientes.
–Hm...
–Eu sei que está pensando que ele apostava... Sim, é nascido de família rica, mas tinha uma habilidade muito boa nas cartas... Dizem que quem tem dinheiro sempre quer mais. Não veja pelo o lado ruim, era um ótimo rapaz, apostava aqui e quase sempre ganhava. De qualquer forma, era amigo de todos aqui, ninguém faria nada a ele.
Levei minha xicara à boca e bebi dois goles de chá quente. Sorri sem vontade para o velhinho e para o homem em minha frente. Passamos um bom tempo em silêncio. O assunto deixara todos tristes. Realmente parecia que era bastante querido por todos... Pelo menos naquele lugar.
– Ganhei! – Tornei a mostrar a carta balançando-a no ar enquanto olhava sorridente.
– Vê? Ele é bom! – Falou o velhinho cutucando o cotovelo da moça da recepção que tinha se aproximado da mesa quando eu falei que tinha ganhado.
– Não quero ser estraga prazeres, mas estamos fechando. – Falou ela, tirando o avental. O velhinho se levantou e andou calmamente a porta enquanto o homem segurava-a para ele passar. Olhei para o Café que estava sem nenhum cliente. Não tinha percebido o tempo passar. Dirigi-me a porta enquanto a moça saia e trancava tudo. Ao longe o velhinho dobrava a rua e ria falando com o homem que animado apontava para uma parede. – Como está o consultório Dr. Watson? – Ela perguntou arrumando a bolsa enquanto andava ao meu lado pela rua.
– Está ótimo, obrigado por perguntar. Estamos recebendo cada vez mais clientes. – Sorri generosamente enquanto me encolhia de frio por conta da chuva.
– Oh, isso é ótimo, não é mesmo?
– É ótimo, mas no final do dia sempre fico exausto. Bom, é aqui que eu fico. – Respondi virando a rua indo para o lugar contrário, ela acenou rapidamente e partiu no lado oposto. Andei algumas quadras até chegar a Baker Street. A luz do apartamento já estava aberta, Mrs. Hudson provavelmente deve estar assistindo a novela na sala.
– Perdoe-me! – Falou um vulto no mesmo momento em que eu tropecei e me escorei na porta.
– Não vê para onde anda?! – Berrei enquanto meu pé latejava.
– Perdoe-me! Não foi minha intenção! – Virei para pegar livros derrubados no chão. Entreguei ao homem e virei para encará-lo.
– Mas o senhor não vê? Eu estava entrando em casa e o senhor atropela-me desse jeit... ARSE! YOUR MOTHERFUKER! – Gritei pela rua olhando Sherlock que se comprimia entre a porta com os livros.
– Watson...
– TRÊS ANOS!!! TRÊS ANOS SEU FILHO DA MÃE!!! – chutei o vento repentinas vezes enquanto minhas mãos abanavam o ar. Fechei meus punhos com força e cravei minhas unhas com tanta força que pareciam perfurar a carne.
– Watson... – Virei bruscamente e dei-lhe um murro. Rapidamente ele estava na calçada sangrando e com a mão no rosto. Olhou para mim com a boca aberta. Tudo ficou gradativamente preto até eu não conseguir sustentar meu corpo.
– Não sinto minhas pernas. – Falei, sem enxergar nada. A última coisa que senti foi um baque extremamente doloroso em minha cabeça.
Notas finais
Hey eu não mordo e adoro reviews! ^-^
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