Would You Have Dinner With Me?
12 It's like in the old times.
Esse capítulo Watson está na sala, ou seja : Para escutar barulho de fogo na lareira Clique aqui.
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– Ele está respirando, fique calma Mrs. Hudson!
Senti cheiro de algo estranho, acho que álcool. Abri os olhos enquanto levava a mão à cabeça, alguma coisa quente e pegajosa deslizava pelo meu ombro... Talvez sangue contando com o fato de que minha cabeça doía demais.
– Fiz chá... Não seria melhor se nós levássemos John para o hospital? – Reconheci a voz de Mrs. Hudson ao mesmo tempo em que meus ouvidos começaram a zumbir.
– Não, John é a forte... Além do mais, isso não é nada.
Apertei meus olhos e tentei sentar no sofá.
– Querido você está bem? – Mrs. Hudson se ajoelhou no tapete, ficou de frente para mim com uma xícara de chá em cima dos joelhos. Tentei olhar para seu rosto, mas minha vista estava turva. – Ele não está bem! VEJA QUANTO SANGUE! OLHE PARA ELE! — Ela gritou, me assustando.
– Ele está bem Mrs. Hudson! Veja... Mas... O que fizeram com o meu notebook?
– Mrs. Charlotte derramou chá no coitado. – Ela olhou generosamente para Sherlock.
– Quem?
– Mrs. Charlotte, uma amiga, acabou de vender o apartamento de frente para o nosso.
– Oh sim Mrs. Charlotte, aquela que tem um marido louco não é?
– Ele não é louco! – Mrs. Hudson virou para mim e estendeu a xícara. Peguei e tomei alguns coles enquanto o líquido quente fazia o trabalho de me acalmar.
– Achei que ela já tinha morrido. – Disse Sherlock passando os dedos pelo notebook. Estava sendo maldoso novamente. Olhei-o de forma reprovadora enquanto tentava me levantar. O reflexo do espelho em cima da lareira mostrava que realmente tinha muito sangue, mas é normal, quase todo ferimento na cabeça sangra muito. Estava com muita raiva. Sobre tudo... Sobre ele ter mentido, sobre ter custado três anos... Sobre voltar como se nada tivesse acontecido.
– Sherlock querido, acabei de fazer um bolinho de chocolate, você quer? — Mrs. Hudson chegou à sala com uma bandeja.
– Oh sim, obrigado Mrs. Hudson. – Ele pareceu animado pegando um bolinho da bandeja. Então é assim que vai ser? Ele simplesmente volta e pronto. Fechei meus punhos novamente. Olhei para seu rosto, estava um corte até digno de minha raiva em seu rosto.
– Então é assim que vai ser? – Perguntei virando para ele.
– Assim o quê?
– Você morre por três anos e é assim que vai ser? Brinca com a vida de todos nós e simplesmente volta sem ao menos falar nada?
– John não fique assim... Calma eu... Está tudo bem...
– ! – Gritei olhando para seu rosto. Encarei-o por alguns minutos e depois ele abaixou a cabeça, quando por vezes fazia algo errado, como, por exemplo, uma vez em que perguntou se uma mãe ligaria para a morte de sua filha... Rachel... Ficamos em silêncio por um longo tempo. O único barulho em todo o compartimento era o fogo na lareira. Mrs. Hudson passou com a bandeja para a cozinha e por fim sentou-se a meu lado.
– Moriarty ameaçou matar todos que conheço. Tinha que proteger Mrs. Hudson, você, Lestrade, Molly, Mycroft até mesmo Sally e Anderson. – Ele fez uma cara de deboche e depois ficou sério. – Não menti para você sobre isso, mas tive que fazer tudo sozinho... Se você soubesse que eu estava vivo Sebastian teria descoberto.
– Quem é Sebastian? – Perguntei, batendo em uma almofada.
– Amigo preferido de Moriarty, melhor atirador profissional dele, além de ser do exercito, pertence a uma família rica e é um amigo muito fiel dele.
– Acha que ele teria matado todos nós se tivesse descoberto que você estava vivo?
– A missão é ele matar todos enquanto eu estiver vivo... Por isso não deixei que soubesse.
– Como descobriu sobre ele?
– Esses três anos eu pude ocupar minha mente procurando por ele... Tinha percebido que estava me seguindo há um tempo, ele descobriu que eu estou vivo... Então tive todo o trabalho de descobrir quem ele era... Mas uma vez estava olhando um jornal dois anos atrás em um hotel quando estava lendo sobre Sir. Augustus, embaixador britânico...
– O que estava fazendo em um hotel? – Perguntei franzindo as sobrancelhas.
– Investigando. – Ele respondeu rapidamente levando a xicara a boca.
– Então agora está de volta? – Mrs. Hudson perguntou sorrindo. Estava realmente animada, parecia que ia chorar novamente.
– Estou. – Sherlock sorriu.
–E Sebastian? – Perguntei ajeitando-me confortavelmente no sofá.
– Está me procurando acho... Perdi-o em algum momento na Irlanda. Não sei o que está planejando... Simplesmente sumiu, a última vez que o segui ele estava em um hospital, depois evaporou.
– Hm... Estava na Irlanda?
– Sim. – Sherlock devolveu a xícara a Mrs. Hudson e percebi que já tinha terminado de beber meu chá. Ela levou nossas xícaras e voltou com alguns remédios e uma faixa para minha cabeça.
– Quem esteve aqui depois de minha morte?
– Muitas pessoas. – Respondi pegando o remédio e a faixa.
– Pode falar algumas?
– Mycroft, uma vez em dois meses, o que é bastante curioso...
– Não tem nada de curioso. – Olhei para ele sem compreender. — Mycroft sabe de tudo, pedi para ele ficar checando você, além do mais, tem uma câmera do lado do espelho, ele vem porque quer. – Sherlock sorriu.
– Ele sabia?
– Sim, me ajudou.
– Ok... Lestrade sempre aparece, Anderson aparece uma vez no ano com a Sally...
– Dull.
– Hm... Muitas pessoas vinheram falar coisas ruins de você e outras foram bastante educadas informando os sentimentos.
– Hm...
– Molly sempre aparece.
– Molly também sabe, ela me ajudou a escapar. – Olhei para ele enquanto colocava a faixa.
– Desculpe meu caro, eu realmente queria poder ter lhe contado. Não me esqueci de você nenhum momento. – Disse Sherlock sorrindo. Acalmei-me um pouco apesar de agora estar com mais raiva de mim do que dele. No fim eu sabia que ele estava certo. – Ninguém mais esteve aqui?
– Como assim? Se Sebastian esteve aqui eu não sei quem é...
– Verdade, mas não era isso que eu queria saber. Realmente ninguém mais esteve aqui?
– Não, várias pessoas, mas... Não entendo aonde quer chegar, pelo menos poderia falar o nome da pessoa que você quer saber?
– Não é isso... Bom era só para saber, se tivesse visto você saberia... – Ele se atrapalhou com as palavras e tornou a colocar o notebook na estante de livros. – Tem acompanhado este caso? – Sherlock perguntou apontando para o jornal.
– Sim, o caso de Park Lane me chamou atenção. Bastante singular, mas agora poderá ser resolvido sem problemas, por você é claro, se der uma boa olhada sei que vai gostar.
– Eu estive a par de tudo Watson... – Ele me olhou com um olhar de alguém que se desculpa.
– Pois me conte o que sabe. – Falei, agora com interesse.
– Não sei ao certo se o que penso é a verdade, por isso é melhor que você não saiba assim tenho uma mente aberta ao meu lado. – Odiava os momentos em que ele descobria algo e não partilhava, sempre deixava todos saberem na última hora. — Então... O que andou fazendo em três anos?
– Não muita coisa ... Admito. A vida de aventuras me tornava útil, agora a única coisa que faço é ir para o consultório.
Sherlock sorriu agora bem humorado.
– Posso voltar e pegar meu aposento? – Ele perguntou apontando para o quarto dele.
– Não seja idiota. – Sorri e levantei rapidamente para abraça-lo. – É ótimo tê-lo de volta. Sabe que eu pedi que voltasse no cemitério?
– Eu vi Mrs. Hudson até o acompanhou não é mesmo?
– Verdade. – Sentei na poltrona e peguei meu notebook. – Você já falou para Mycroft que voltou?
– Ele foi me buscar no aeroporto.
– Hmm.
– Tudo está de volta, como nos velhos tempos. – Ele sorriu.
– As pessoas acham que você morreu.
– Elas esquecem... Além do mais, passaram-se três anos e o assassinato de Park Lane é terrível e curioso o bastante para tirar toda a memória de meu suicídio.
– É verdade, eles esquecem... Mas eu vi você morrer, como fez isso? Eu chequei o seu pulso... Tinha muito sangue em toda parte...
– Foi um velho truque de tirar os batimentos do pulso... Você estava bastante nervoso para perceber...
– Querido eu arrumei seu quarto, está tudo no canto em que deixou, eu limpo toda semana... — Mrs. Hudson apareceu na sala e entregou dois travesseiros a Sherlock.
– Obrigado Mrs. Hudson.
– Eu acabei de tomar meu remédio para os nervos e vou dormir, tenham uma boa noite. — Sherlock se levantou e abraçou-a. Rapidamente ela desceu as escadas e sumiu. Alguns minutos se passaram e consegui vê-la desligando a luz das escadas.
– Como está a cabeça? — Sherlock perguntou passando os dedos pelo travesseiro.
– Dolorida, mas nada que me atrapalhe. Seu rosto? — Apontei para o local do murro.
– Está tudo bem, não foi nada. — Sherlock se levantou e rapidamente andou até a janela, observou algo lá fora, bateu três vezes no vidro e fechou a cortina.
– Que está fazendo? — Perguntei com curiosidade. Seria outro habito estranho que ele desenvolveu?
– Tenho um pressentimento que Sebastian vai me procurar cedo ou tarde aqui na Baker Street... De qualquer forma é melhor manter a cortina fechada.
– Vai falar com Lestrade sobre ele?
– Vou falar com Lestrade, mas não sobre Sebastian.
– Por quê? É a sua segurança.
– Você é ótimo atirador... E eu não quero que ninguém mais saiba sobre ele, até porque não tenho provas algumas. Se Sebastian descobrir vai apressar os planos e obviamente vai me deixar sem tempo.
– Entendo. Mrs. Hudson e eu... Nós estamos em perigo?
– Penso que não. O trabalho dele é me eliminar, não vocês... Agora que Moriarty morreu, acho que é algo como honra para ele me matar. — Toquei na faixa molhada de sangue. Minha cabeça estava bastante dolorida. — Não sabia que ia desmaiar. — Sherlock sorriu olhando a faixa.
– Não é comum eu ver fantasmas.
– E o que você faz quando "vê"? Dá um murro!
– Isso... — Sorri. — Boa noite meu caro. — Falei rapidamente quando o sangue começou a escorrer por minha testa. Precisava trocar a faixa e descansar.
– Oh, boa noite Watson, também estou cansado, dormi apenas trinta e sete minutos no avião. Você sabia que essas companhias não tem livros bons? As pessoas ficam lendo obras ridículas no avião para passar o tempo! Horrível.
– Você arrancou as páginas dos livros? — Sherlock riu. Ele tem a mania de arrancar a página ou capítulo final porque quer que as pessoas deduzam “O óbvio”.
– Não, mas fiz uma crítica perfeita, estava inspirado.
– Imagino. Boa noite. — Apertei sua mão e segui para meu quarto. Alguns minutos depois vi a luz da sala se apagar por baixo da porta de meu quarto e escutei os passos pesados de Sherlock (Sempre dessa forma quando estava cansado) indo em direção ao quarto dele. Segui para o banheiro e limpei a faixa e meu rosto. Ardeu um pouco quando passei o remédio. Tomei um banho rapidamente e fui para cama me enrolar nas cobertas. Era bom finalmente ter Sherlock de volta, tudo voltou ao normal, finalmente.
"It's like in the old times".
Notas finais
Coloquei o gif do John para deixar um pouco animado aushuheuhae. XD
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