– Alarme maldito. – Apertei no botão e sentei na cama. Estava frio, o piso mais ainda. Levantei e fui até o banheiro, escovei os dentes e vesti meu roupão azul com cinza, abri a porta do quarto, imediatamente o cheiro de queimado passou por mim, inevitável, quase sempre Sherlock queimava comida, só podia ter sido ele.

– Bom dia Watson, querido! – Mrs. Hudson tossiu algumas vezes e foi direto para a cozinha.

– Bom dia, o que aconteceu? – Perguntei enquanto sentava no sofá de frente para lareira e pegava o jornal da mesa ao lado. – Sherlock?

– Não Mrs. Hudson, é completamente necessário!

– Mas o que?...

– Tire eles daqui!

– Não, eu preciso deles neste lugar...

– Alguém poderia me explicar...? – Falei olhando para os dois.

– John eu não sei mais o que fazer, ele colocou olhos humanos dentro de uma tigela e agora eles explodiram dentro do micro-ondas!

– Porque não me deixou falar?! Do jeito que você fala parece errado!

–Por que é errado! – Gritei tentando entender a confusão. – Human Eyes, Sherlock!!!

– Sim, mas não foi minha intenção... De explodir...

– Por raios, onde conseguiu olhos humanos?!

– Ontem eu não consegui dormir e fui ao hospital pegar eles. A madrugada toda não tinha o que fazer então elaborei um experimento...

– Você chegou ontem... E disse que estava cansado! Como assim foi no laboratório e pegou?!

– Eles não mudaram a senha de acesso, eu entrei e peguei.

– Sherlock! – Olhei para ele, Mrs. Hudson pegou uma luva de suas mãos e começou a limpar o micro-ondas. Uma vez ou outra quando eu escutada um “Argh que nojo”, Mrs. Hudson colocava algo no saco e furtivamente Sherlock pegava o que achava perfeitamente bom para seguir o experimento. Peguei uma xícara e esquentei água para beber café. Estava apoiado na bancada com o jornal nas mãos enquanto olhava Sherlock roubar o “lixo perfeito”. Coloquei água em meu copo e fiz o café, comecei a ler em voz alta algumas partes e Sherlock começou a comentar sobre várias... Sem parar. – Sherlock, você se lembra disso? – Ele virou com uma expressão de curiosidade. Atravessei a sala e peguei o violino escondido de trás de uma estante de livros.


– Oh! – Ele fechou o saco com “O lixo perfeito”, atravessou a sala e estendeu as mãos para pegar o “precioso violino”. – é bom ter ele de volta. – Começou a afinar e a produzir sons irritantes, tentei ler o resto do jornal, mas era completamente inútil, ele mexia tantos nas cordas que estava produzindo o som fortemente agudo, eu não conseguia me concentrar e já estava arrependido de ter mostrado o violino. Passei para meu quarto, me troquei rapidamente e levei o jornal comigo, enquanto dava tchau para Sherlock e seguia para o consultório.

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– Watson! – Sherlock gritou pela sala enquanto eu acabava de subir o último degrau da escada.

– Mycroft! – Sorri enquanto batia em seu ombro e sentava de frente para ele no sofá. Sherlock estava em pé “afinando” o violino com tanta raiva que eu jurava que as cordas já eram para ter rompido.

– Watson. – Mycroft sorriu de forma gentil e depois olhou para o irmão, com o sorriso em um mesclado de ironia e falsidade. Eu me divertia com a relação entre eles, porque definitivamente era infantil, briga entres irmãos, egos etc.

– Está com raiva de quê agora, Sherlock? – Perguntei calmamente.

– Sim Sherly, do que está com raiva? – Mycroft perguntou rindo e puxando alguns fios da almofada. Sherlock encarou-o por um momento depois a única coisa que consegui ver foi o arco do violino voado e passando muito próximo ao rosto de Mycroft. Peguei um chá gelado que encontrei em cima da bancada e voltei a sentar olhando para Sherlock e Mycroft. Os dois não falavam nada, mas ao mesmo tempo enquanto eu observava o olhar, talvez estivessem falando... Algum tempo depois Mycroft suspirou e disse algo que me pareceu “Tem certeza?”. Mrs. Hudson apareceu com biscoitos e suco, ela não gostava muito de Mycroft porque um dia ele gritou a coitada em um dos acessos (para poder pensar) idênticos ao do irmão. Colocou a bandeja na mesa de centro e olhou pelo canto para Mycroft que ficou sério esperando ela sair da sala. — Então, como está o consultório?

– Bem, obrigado por perguntar.

– Muito trabalho?

– Sim, muito trabalho. – Sorri e bebi um pouco de suco. — Mycroft o que sabe sobre o caso de Park Lane?

– Não podemos divulgar...

– Ele e a Scotland Yard não sabem nada, não vê? Eles falam isso apenas para esconder a burrice deles.

– Nós não podemos divulgar. – Disse Mycroft pegando um copo com suco.

– Claro, porque as pessoas só divulgam algo quando elas sabem o que é!

– Sherlock... – Olhei para ele gritando e ao mesmo tempo procurando o arco. — Sherlock está ali... – Apontei. Ele se abaixou, pegou o arco acenou para mim e seguiu para o quarto. Alguns minutos se passaram, apenas o escutei trancando a porta.

– Porque tanto mau humor?

– Ele está empancado, precisa de mais informações sobre o caso... Já disse que é loucura e que ele vá descansar fazer experimentos ou perturbar os outros... O que faz de melhor. Ele acabou de chegar e o caso é importante, além de que ele não é uma máquina, é só meu irmão casula. – Microft se levantou e olhou para o relógio. – Boa noite Watson. – Ele saiu descendo as escadas. Olhei pela janela enquanto uma mulher com um guarda chuva esperava na porta de um carro e digitava alguma mensagem no celular. Apaguei a luz da sala, peguei um copo com suco e coloquei alguns biscoitos em uma tigela. Bati na porta de Sherlock enquanto segurava a bandeja. Ele abriu e se jogou na cama. Entrei no quarto e coloquei a bandeja de frente para ele, em cima da cama, sentei em uma poltrona no canto e liguei a TV.

– Vou voltar a atualizar meu blog, mas sem falar sobre você, é claro.

– Oh sim, infelizmente jamais poderei atualizar o meu. Descobri dois novos tipos de tabaco, você poderia postar no seu site? Ficaria feliz se as pessoas tivessem conhecimento sobre isso... – Ele pegou um biscoito e sorriu.

– As pessoas não leem sobre isso. – Sorri enquanto ele jogava um biscoito para mim.

– Veja... Essa mulher trai o marido! Eu conheci...

– Conheceu? – Apontei para a apresentadora de tevê preferida de Mrs. Hudson.

– Sim, muito petulante e idiota. Burra ao limite...

– Sobre as duas primeiras afirmações eu não posso ter argumentos, pois não cheguei a conhecer, mas burra eu não sei... Digo, poucas pessoas são inteligentes como você.

– Você é inteligente!

– Eu sou, mas não como você!

– Watson, meu caro...

– Sabe, é verdade, mas pelo menos sou modesto. Você não é nem um pouco!

– Porque deveria ser? Sempre é a mesma coisa, “Modéstia a parte...” é entediante. – Ele pegou dois biscoitos e bebeu um longo gole do suco.

– Oh Lord.

– Mas não é verdade...?

– Vejo que você desaprendeu o que eu tinha lhe ensinado. Nunca duvide dos sentimentos das pessoas, não chame elas de burras ou idiotas, seja modesto, ninguém gosta de alguém que está sempre certo e gosta de se exibir...

– Eu não gosto de me exibir!

– Sabe, as pessoas mais inteligentes que já conheci são: Você, Moriarty e Irene. O incrível é que todos vocês são assim, tecnicamente são bonitos, incrivelmente nada modestos e Moriarty e Irene são ricos.

– Novamente, ser modesto é entediante.

– O mais incrível é que Irene forjou a morte uma vez, depois voltou e agora morreu. Você forjou a própria morte e agora voltou, sobra Moriarty que morreu também. Vocês todos tem tendência suicida. – Olhei para ele enquanto o biscoito se desfazia nos dedos dele, estava apertando com tanta força que aparentemente os dedos deveriam estar doendo.

– Qual o problema? – Perguntei olhando o biscoito se esfarelar.


– Nada. – Ele sorriu e apontou para a apresentadora que fazia algo ridículo.

– Tente dormir, está há dois dias mais ou menos sem descaçar, se eu escutar sua porta de abrir para ir à sala eu jogo fora os olhos que você guardou. – Ele olhou para mim e fez uma expressão e tédio. Boa Noite. – Fechei a porta e me dirigi ao meu quarto. Tomei um banho e vesti meu pijama, um suéter branco e uma calça azul folgada. Peguei minhas pantufas e sai arrastando cansativamente para a sala, desliguei a luz e peguei um pouco de chá. Eu estava viciado em chá ultimamente porque me acalmava. Certa vez alguém disse “Chá! É como um abraço em uma xícara!”. Acho que foi alguém chamado de Doutor. Tranquei minha porta e me sentei na cama puxando as cobertas. Amanhã “tomarei” coragem e falarei com Mary. Sorri pensando nisso, bebi meu chá gelado e me deitei.


Notas finais
Desculpe de tiver algum erro, estou postando de madrugada e estou com muito sono =P