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42 Salva, por enquanto.
Notas iniciais
– Sam? — perguntou com a voz trêmula.
– James — suspirei tentando conter o choro que estava por vir.
– Meu Deus! — exclamou ele, colocando as duas mãos em frente a boca — É você?! — disse com a voz abafada por suas mãos.
Eu me calei, incapaz de poder pronunciar qualquer palavra. James por sua vez, retirou as mãos de frente da boca, revelando um enorme sorriso de dentes brancos. Ele se aproximou, como se fosse me abraçar, e nesse momento tive de reagir, não queria que ele me tocasse. Ao ver meu recuo, ele retraiu-se também, visivelmente constrangido.
– Que demora James, quem é afinal? — indagou Carlos aproximando-se da porta.
– É que...que...é...bem — gaguejou James.
– Quequeque, saia da frente que eu resolvo isto — disse Carlos o empurrando, e ao me ver, soltou um grito exagerado que por pouco não estourou meus tímpanos — SAMANTHA !
Seu grito atraiu o restante das pessoas para junto da porta, não consegui ver muita gente, devido à minha visão embaçada causada pelo sufocante abraço de Carlos, ele literalmente, queria me espremer até o bagaço.
– Não consigo respirar — murmurei à meia voz.
– Ora, me desculpe — disse ele se afastando e segurando meu rosto entre suas mãos — Você está tão linda, tão mais adulta, ah meu Deus quanta saudade tive de você — choramingou.
– Também morri de saudades Los — sorri para ele, não querendo demonstrar o evidente nervosismo que se abatera sobre mim.
– Carlos — disse Logan cutucando o ombro do amigo — Se me dá licença, a melhor amiga é minha, então, SAI DO MEIO SEU BABACA — gritou.
Houve muita comoção de todos ali presentes, todos me abraçaram, todos choramingavam, mas eu? Bem, eu continuei paralisada, segurando firme as mãos de meus filhos, que também estavam paralisados, até que...
– Quem são esses pequenos ? — Kendall indagou agachando-se perto deles.
" Perfeito, uma criança identificou as outras ", pensei revirando os olhos.
– Sobrinhos da Sam — Logan adiantou-se em responder.
– Sobrinhos? — pronunciou-se Carlos, confuso.
– Sim, eles são filhos de uma amiga dela, que deve ser aquela escondidinha ali atrás — Logan apontou Caty, que se mostrou desconfortável ao ser notada.
– Oi — acenou ela envergonhada.
– Essa é Catarina, ou Caty — apresentei-a, mesmo com a voz um tanto trêmula.
– Ai Samantha, você fala demais, todos já devem estar fartos de ouvir sua voz esta noite — ironizou Bruna. Claro, tinha de ser.
– Sua ironia é comovente — sorri falsamente para ela.
– Calem-se — ordenou Kendall — Ninguém quer saber de vocês, estão todos bem mais interessados nessas coisinhas fofas.
– O que ta acontexendo, mamãe? — Bryan me olhou confuso.
– Quelo i embola, vamu mamãe? — Sophie choramingou.
– Mamãe? — indagou James, perplexo.
– É que ela que criou eles, e eles chamam ela de mamãe — Bingo! Eu devia um estoque de comida inteiro a Logan por me safar de duas enrascadas, que eu provavelmente não saberia contornar.
– Sei — murmurou James.
– Ei menina... — começou Carlos dirigindo-se à Caty.
– Catarina — o interrompi.
– Catarina — repetiu com um tom irônico — por acaso o pai destas crianças é meu amigo aqui? — perguntou colocando a mão no ombro de James — Porque esses pequenos parecem muito com ele — riu.
" Onde está o ar quando se precisa dele? ", pensei. Se a ocasião fosse outra, eu teria pego meus filhos e fugido dali, como fiz quando descobri a traição de James, mas naquele momento, limitei meus atos de desespero apenas à sentir falta de ar.
– Parecem com quem? — soou uma voz irritante atrás de mim.
Me virei vagarosamente até dar de cara com o diabo em pessoa, o diabo era louro, com um sorriso cavalar que não imagino porque as pessoas suportavam. Era Halston. Ela sorria à espera de uma resposta.
– Meu Deus — sussurrei, e logo depois cambaleei até me encostar em alguém.
Olhei para cima, e vi Kendall me olhando assustado, seus braços passavam em volta de mim a fim de segurar o corpo que eu nem sentia mais. Ouvi o choro de meus filhos. Minha visão então foi escurecendo até virar breu.
[...]
– Sam? Ei, Sam, acorde, pelo amor de Deus, acorde — ouvi uma voz distante.
Senti tapinhas em meu rosto e nesse momento um pensamento me veio à cabeça. " Meus filhos ". Meus filhos, onde estariam? Me levantei desesperada, procurando ver meus pequenos imediatamente, mas ao invés disso, dei de cara com Kendall, que segurou meus ombros tentando me acalmar. Ao redor de onde eu estava deitada pude ver Carlos, Logan, James e o cavalo louro conversando entre si, sem notar meu surto psicótico.
– Onde...onde e-estão meus...meus... — as palavras custaram a sair.
– Seus sobrinhos? — sugeriu Kendall. Assenti de leve com a cabeça. — Eles estão em um dos quartos do primeiro andar brincando com a mãe e as novas tias.
Suspirei aliviada. Deixei com que meu corpo exausto caísse novamente sobre o sofá onde eu estava deitada. Fechei os olhos e respirei fundo, pensei em como havia enganado todos, em como aquela mentira idiota havia dado certo, meus filhos estavam à salvo, eu estava salva, por enquanto. Me veio um sentimento de culpa que não pude reprimir, então franzi o cenho. Senti meus cabelos serem carinhosamente alisados, abri uma pequena fresta de meus olhos apenas para ver Kendall me olhando preocupado.
– Estou bem — murmurei baixo, alto suficiente para que apenas ele ouvisse.
– Me deu um belo susto — disse.
– Já passou.
– O que tanto cochicham? — para variar, tinha de ser James para me atormentar novamente.
– Nada — Kendall apressou-se.
– Hm, então tá, pode me dar um minuto? — indagou ele.
– Sim, não — Kendall e eu respondemos respectivamente em uníssono.
– Vou sair Sam, me desculpe, acho que precisam conversar — justificou-se Kendall enquanto se levantava do sofá — Eu volto já, prometo — sorriu solidário.
" Perfeito, agora só faltava que meu coração fraco tivesse um infarto, perfeito ", pensei.
– Então...
– O que quer? — indaguei diretamente, cortando o monólogo que estava por vir.
– Porquê me abandonou? — suspirou.
[...]
– Catarina, pegue Sophie e Bryan, vamos embora imediatamente — ordenei asperamente à Caty que brincava com meus filhos.
– O que houve? — Thamires perguntou assustada.
– Houve a besta do padrinho de casamento de vocês — bufei — Vamos crianças.
– Mamãe tá blaba — observou Bryan.
– Foi voxê qui messeu na malinha dela — Sophie acusou o irmão.
– Num foi eu naum mamãe, ela qui tava messendo, exa mintilosa — rebateu Bryan apontando para a irmã.
– Mintiloso é voxê — respondeu Sophie cruzando os braçinhos.
Ri da discussão dos dois: — Não foi isso meus amores, foi uma pessoa ruim que falou coisas ruins para a mamãe, aí ela ficou nervosa — expliquei.
– Quem foi exa pechoa mau? Eu batu nela cum minha folça de suple helói — Bryan disse ficando em posição de briga. Tive que rir novamente.
– Ninguém especial, meu amor — alisei seus cabelinhos louros desgrenhados — E eu já disse, brigar não...
– Lesolve nada — completou ele revirando os olhinhos.
– Muito bem, vamos?
– Vamos — Caty afirmou.
– Depois ligo para vocês, vamos combinar de sair para conversar sobre os preparativos do casamento — falei abraçando Thamires e logo depois Bruna.
– Estaremos esperando — Thamires sorriu tristemente.
– Não fiquem tristes, no dia do casamento eu prometo não desmaiar e nem brigar com aquele mané.
– Bom mesmo — Bruna se fingiu de brava.
– Ah, cale a boca — ri — Tchau.
Eu poderia muito bem dar uma de madame e descer pelo elevador — que Carlos gentilmente colocou para que sua noiva pudesse transitar no andar de cima também, o que achei um ato muito lindo da parte dele — mas, preferi descer pelas escadas para que James me visse caminhar com maestria e jogar na cara dele que nada era capaz de me abalar. Mas quando cheguei ao andar térreo nem ele e nem o cavalo louro se encontravam mais. Concluí que eles tivessem ido se matar em outro lugar e sorri com tal pensamento. Cumprimentei os outros e rumei para o hotel, ansiosa por deitar junto com meus pequenos e descansar, já estava farta, foram muitas emoções para um dia.
~James POV's
– Cale esta maldita boca, Halston, estou cansado de você, cansado — cuspi as palavras na cara dela, que por sua vez pareceu perplexa.
– Mas você é meu namorado, tem que...
– Seu namorado uma ova — a interrompi.
– Meu namorado, sim — insistiu de modo infantil.
– Talvez eu precise refrescar sua memória pela segunda vez esta noite, esse namoro é uma droga de con-tra-to — falei furioso.
– Que você tem que cumprir — alertou.
– Foda-se, ele tem que ser cumprido em frente as câmeras, eu não preciso abrir mão de minhas poucas horas de paz para fingir que sou seu namorado na vida real também, porque pela milésima vez eu vou repetir, não sou seu namorado — desabafei.
– Você é um namorado patético.
– Perfeito, se sou patético então acabe logo com essa farsa imbecil — vociferei.
– Nunca, você vai se casar comigo Diamond — afirmou.
– Prefiro que o diabo me arraste para o quinto dos infernos à casar com você e ter que ver sua fuça de cavalo morando dentro da minha casa.
– Você vai se arrepender dessas palavras — ameaçou.
– Nossa que medo, e agora quem poderá me defender? — ironizei.
– Pare de brincar comigo James — ordenou, colocando aquele graveto que ela chama de dedo em frente à meu nariz.
– Tire esse espeto de churrasco de perto de mim — disse empurrando sua mão.
– Até amanhã, namorado — sorriu.
Estirei o dedo do meio em resposta. Nem esperei que ela entrasse em casa, para mim o momento que ela saíra de meu carro já bastava para meter o pé no acelerador e sumir dali. Quando coloquei o carro em minha garagem já me senti em casa, desliguei o carro e relaxei sobre o banco do motorista. Começei a relembrar àquela noite, mais especificamente a discussão com Samantha.
Flashback On.
– Porquê me abandonou? — suspirei nervoso. Minhas mãos suavam, eu estava à beira de desmaiar, mas tinha que me manter forte e escutar uma explicação viável que viesse diretamente dela.
– Ah, você se refere à dois anos atrás, quando foi a melhor noite da minha vida? Àquela em que me livrei de você? — ela riu de modo irônico — Lhe "abandonar" — começou, fazendo aspas com as mãos no abandonar — foi a coisa mais sensata que já fiz, e além do mais você nem tem do quê reclamar não é? Pois não demorou muito para encontrar sua cara metade — disse fuzilando Halston com o olhar.
– Não perguntei se foi a melhor noite da sua vida, perguntei porque você sumiu — respondi com raiva.
– Você também teria sumido se tivesse chegado na casa da pessoa que ama para contar uma novidade e ver essa pessoa se agarrando com uma vaca qualquer de esquina — vociferou.
– Mas eu não me agarrei com ninguém — me defendi.
– Não, nem um pouco — revirou os olhos — Eu não sou cega e nem burra, vi aquele cavalo louro — apontou Halston — apertando você contra a parede, e detalhe, ela estava seminua.
– Ela me atacou...
– Claro que sim, e você é tão pobre coitado de fraco que não conseguiu ao menos empurrar ela não foi? — me interrompeu.
– Eu empurrei, você que não viu.
– Você empurrou outra coisa James, mais não foi ela, foi dentro dela — disse sarcástica.
– Samantha, você se enganou, eu não fiz nada com Halston, eu mandei ela embora, acredite em mim — implorei.
– Talvez você até tivesse chance, mas minha desconfiança ficou mais forte quando eu soube que você estava namorando ela, então concluí que você realmente tinha me traído, e quando eu não estava mais no seu caminho aproveitou para ficar com ela.
– Mas eu não namoro com ela — falei desesperado.
– Namora sim — Halston interveio.
– Cale sua boca imunda — vociferei me dirigindo a ela — Você sabe muito bem que esse namoro é uma porra de um contrato.
– Mesmo assim, você ainda é meu namorado.
– Nem nos seus mais belos sonhos isso é verdade, agora meta seu focinho em outro lugar, que a conversa ainda não chegou no estábulo — respondi com desdém.
– Sabe de uma coisa — disse Samantha se levantando do sofá — Vão ter crise de casal bem longe de mim.
– Espere — pedi segurando seu braço.
– Me solte — ela disse com raiva.
– Solta ela — mandou Kendall se aproximando de nós.
– Saia daqui vareta, esse assunto não diz respeito à você — respondi o fuzilando com o olhar.
– Solta ela — repetiu me empurrando.
– Qual é a sua em? — o encarei furioso.
– Deixe ele para lá Kendall — disse Samantha puxando ele para longe.
– James, você... — começou Halston.
– Você, vá se lascar, sua infeliz — gritei e sai porta à fora, sendo seguido por ela que não se calava um minuto.
Flashback Off.
Àquela noite havia sido estressante, mais o estresse não impediu que meu coração pulsasse de alegria no momento em que toquei a pele angelical de Samantha novamente. Eu ainda a amava, ainda queria namorar ela, ver seu sorriso todas as manhãs, queria casar e ter lindos filhos com ela. Mas para isso, eu precisava me livrar daquele cavalo grudento, a questão é, como quebrar aquele contrato infeliz sem ferrar com minha vida?
~Samantha POV's
A campainha do quarto tocava insistente. Olhei o relógio à cabeceira da cama, 6:17 da manhã. Quem ousaria me acordar à essa hora em um domingo? Tateei os pés pelo carpete tentando encontrar minha sandália, mas, como não a encontrei, tive de ir até a porta descalça.
– Quem é? — indaguei com a voz rouca antes de abrir a porta. Nenhuma resposta. Abri a porta e vi Logan parado na minha frente sorrindo.
– Bom dia descabelada — brincou ele.
– Bom dia — coçei os olhos — O que faz aqui, Bear?
– Acho que precisamos conversar — disse seriamente.
– Sobre? — instiguei.
– Sobre seus filhos — respondeu.
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