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43 Quero ele agora!
Notas iniciais
– Sobre? — instiguei.
– Sobre seus filhos — respondeu.
– C-como? — gaguejei.
– Sobre seus filhos — repetiu.
– Você quis dizer sobrinhos, não é?
– Me convide para entrar primeiro, então conversamos como deve ser — disse tentando abrir passagem para entrar no meu quarto.
– Não! Espere, ahn, prefiro conversar ao ar livre, o dia está esplêndido, se importa de esperar uns minutos enquanto troco de roupa? — perguntei, o nervosismo evidente em minha voz.
Ele estreitou os olhos castanhos de forma assustadora, arqueou uma de suas grossas sobrancelhas, entreabriu os lábios como se estivesse prestes à protestar sobre minha sugestão, mas parece que preferiu deixar como estava e assentiu de leve com a cabeça.
– Volto em um instante — fechei a porta e me escorei nela respirando fundo.
Senti um alívio enorme por conseguir enrolar ele para que não entrasse, pois se visse que as crianças dormiam comigo, as coisas iam ficar ainda mais esquisitas ao ver dele. Caminhei até o banheiro pensando no porquê de Logan querer àquela conversa, e porquê ele havia dito seus filhos, ao invés de dizer seus sobrinhos, ou os filhos de sua amiga. As perguntas não saiam da minha cabeça enquanto eu fazia minhas higienes pessoais e colocava uma roupa descente. Acabou que vesti uma regata velhinha e um short rasgado nas pernas, daquelas roupas que só se usa em casa, mas eu precisava sentir algum conforto. Abri novamente a porta e o vi encostado na parede, ele sorriu sem mostrar os dentes. Alguma coisa estava muito errada, podia sentir no ar.
– Vamos? Tem um parque aqui perto — ele disse quando fechei a porta de meu quarto.
– O.k. — respondi rapidamente.
Dentro do elevador e durante o percurso até o tal parque, Logan manteve-se calado, o que me deixou ainda mais nervosa. O que ele queria afinal? Ele sentou-se em um banco e fez sinal para que eu me sentasse com junto. Minhas mãos suavam frio, Logan nunca fora de fazer suspense, à menos que as coisas fossem de grande gravidade. Isso não parava de martelar em minha mente.
– Bem, como eu já disse, preciso conversar muito sério com você a respeito de seus filhos.
– O que quer saber? — indaguei, tentando aparentar normalidade em minhas palavras.
– Essas crianças realmente são filhas de Catarina? — ele foi direto ao ponto, o que me fez engolir em seco.
– Claro que são, e de quem mais seriam? — respondi nervosamente.
– Samantha, não se esqueça que sou seu melhor amigo, eu sei quando você mente, não adianta esconder de mim, eu sei que as crianças não são filhas de Catarina — falou rapidamente.
– Se você sabe que não são filhos dela, porquê me perguntou? — rebati, defensivamente.
– Porque quero ouvir de você.
– Eles não são filhos dela — afirmei.
– E são filhos de quem? — instigou.
– Onde quer chegar com isso, Logan? — perguntei me alterando um pouco.
– Quero saber de quem são as crianças — respondeu naturalmente.
– E que interesse isso tem para você?
– Eles podem ser meus sobrinhos sem que eu sabia, porquê a mãe deles foi pouco amiga para me dizer que teve dois filhos — disse ele rispidamente.
– Se sou pouco amiga, então porquê ainda está aqui? — meus olhos marejaram.
– Porquê melhores amigos não abandonam nunca — respondeu calmamente, passando o braço esquerdo por cima de meus ombros — E não é por causa disso que vou te abandonar, ainda mais agora que admitiu ser mãe dos pequenos.
– Não admiti nada.
– Admitiu que era pouco amiga — ele sorriu — Peguei você, e nem notou.
– Você é um merdinha — ri um pouco e o empurrei.
– Sou incrível, eu sei — ele riu — Porquê não me disse sobre seus filhos? — perguntou um pouco sério.
– Tive medo — me encolhi junto à ele.
– Medo? De quê? Que eu lhe matasse porquê eu tinha sobrinhos que nem sabia? Ou que James descobrisse que tinha dois filhos? — indagou.
– Como sabe que... que... que aquele indivíduo é o p-pai? — gaguejei, Logan havia surpreendido novamente.
– Não sou burro como os outros, Samantha, é só ligar os pontos, essas crianças tem a idade exata do momento que você sumiu daqui, te chamam de mamãe, você é agarrada à eles, sem contar que eles são réplicas perfeitas de James — explicou.
– Nossa! Realmente, eu me enganei à respeito de sua inteligência — comentei e ele riu.
– Você já ta cansada de saber o quanto sou incrível — gabou-se.
– Vá se catar — ri — Desculpa eu ter sumido, mas é que meus pequenos não mereciam um pai como ele, que traía a mãe deles com qualquer uma — disse cabisbaixa.
– Entendi — ele disse segurando meu rosto e olhando em meus olhos — Mas acho que ele deve saber que tem dois moleques como filhos, ele já passou tempo demais longe deles e na ignorância.
– Não, Logan, ele não merece ter Bryan e Sophie na vida dele, meus bebês são bons demais para ao menos chegar perto de James.
– Você é quem sabe, mas eu digo que ele devia saber.
– Mas não vai.
Conversamos mais um pouco sobre o assunto, depois Logan foi embora. Voltei para meu quarto e encontrei minhas vidinhas ainda dormindo. Me deitei junto à eles e relaxei um pouco antes que o toque insistente do celular me fizesse levantar novamente. Era Kendall, que ligou para me convidar para almoçar junto com ele, e pedindo que eu levasse as crianças. Aceitei, contente por ter algo para fazer.
– Oi Sam — cumprimentou-me Kendall quando toquei sua campainha e ele apareceu junto à porta.
– Hey Kends — sorri e o abraçei — Crianças falem oi para o Kendall — me dirigi à meus filhos, que estava agarrados em minhas pernas.
– Ele é aqueli titio qui xauvou a xinhola onti? — Sophie me perguntou receosa.
– Sou eu sim, princesinha — Kendall agachou-se próximo à ela sorrindo.
– Obligado plu xauvá minha mamãe — ela disse e abraçou o pescoço dele.
Por pouco, muito pouco não chorei com aquela cena. Era incrível como ela era meiga, carinhosa, e era incrível como a cada pequeno momento como aquele me faziam amá-la ainda mais, se é que fosse possível tal feito. Kendall a apertou contra seu peito de forma acolhedora, tão acolhedora que também me senti abraçada, ele se dava bem com as crianças, ia ser um tio adorável. Ao fim do abraço, Sophie depositou um beijinho na bochecha de Kendall, que deu um sorriso tão reluzente que ia de orelha à orelha.
– De nada, minha flor — respondeu à ela enquanto apertava sua bochechinha rosada de leve.
– Oi titio Kendu — Bryan o cumprimentou tímido.
– Oi campeão — respondeu dando outro sorriso enorme — Aperta aqui — estendeu a mão em direção à meu filho. Eles apertaram as mãos, como homens sempre fazem — Quer aprender um cumprimento dos jogadores de hoquéi? — perguntou a Bryan o puxando para dentro.
– Sim sim — Bryan disse empolgado.
– Estou entrando Kends — anunciei.
– Entre por favor — pediu.
Entrei e puxei Sophie comigo. Kendall finalmente havia comprado a própria casa, e era totalmente incrível. Tudo estava muito bem arrumado, limpo e perfumado. Eu estranhei, afinal ele era o rei da bagunça. Sorri com algumas lembranças nossas em meio às bagunças de Kendall, aquilo fazia falta.
– Está tudo tão organizado — observei em voz alta — O rei da bagunça perdeu seu brilho — alfinetei, sorrindo.
– Mas nem morto, só está arrumado porque minha querida mãe paga uma empregada para arrumar tudo — disse revirando os olhos — Me deixa doente ver essa organização toda.
Rimos juntos. Após melarmos a cozinha inteira na tentativa de fazer uma macarronada que virou uma guerra de macarrão, comemos e fomos para o maravilhoso jardim que Kendall cultivava. Enquanto as crianças brincavam com uma bola de futebol, me deitei na grama sobre as pernas de Kendall, e ele se pôs a fazer carinho em meus cabelos.
– Senti sua falta — murmurou após algum tempo.
– Também senti Kends — respondi o encarando.
– Sabe, não daquele jeito...
– Sei, como amigos não é? — o interrompi.
– Anham.
– O.K.
Ouvi passos de aproximação e olhei para ver qual dos dois vinha para junto de mim. Era Sophie, ela estava ofegante e suas bochechas estavam extremamente rosadas.
– Onde está seu irmão, minha linda?
– Ele pegá a boia lá na outla lua — respondeu dando de ombros.
– O quê?! — me desesperei.
– Calma Sam, vamos achar ele — disse Kendall se levantando para me ajudar na busca.
Trinta minutos depois de busca por toda a vizinhança e nada, eu estava completamente desesperada, não conseguia parar de pensar onde poderia estar meu bebê. As lágrimas corriam deliberadamente por meu rosto.
– Sam, não chora...
– Quero ele agora! — exclamei brutamente.
– Eu vou encontrar ele — prometeu Kendall.
~ James POV's
Tinha um lado bom em morar no mesmo bairro que Kendall. Ele era meu amigo, e era bom tê-lo por perto nas horas necessárias. Mas naquele dia, eu queria matá-lo, por ter se intrometido em minha conversa com Sam e atrapalhado uma possível reconciliação. Meus pensamentos foram interrompidos por barulhos em meu jardim, só podiam ser aqueles pirralhos nojentos jogando bola em meu gramado.
– Ei — gritei para um menino que pegava sua bola que havia esmagado meu canteiro de rosas — O quê pensa que está fazendo? Vou contar para sua mãe.
– Naum conta pla mamãe — implorou virando-se para mim.
– Você não é o filho de Samantha? — indaguei arregalando os olhos.
– Xou xim, meu nomi é Blaian — se apresentou.
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